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51 Capítulo 51 — Lembranças.
Notas iniciais
Capítulo 51 — Lembranças.
— Então, achei que não gostasse de cerveja... — Chris observou Victor dar um gole na bebida.
— Não muito, mas estou me esforçando. — O veterinário soltou uma risada.
— Xeque-mate. — Michael anunciou, enquanto Emmet batia palmas.
— Ah, você trapaceou. — David reclamou. — Essa não valeu.
— É claro que valeu, saiba perder.
— Tá certo, mestre. — O fotógrafo o reverenciou, em meio a risos.
— Bom, agora é sua vez de perder, Chris. — Michael chamou o professor.
Christopher se encaminhou até o amigo, ficando em frente ao tabuleiro.
...♕...
Era começo de madrugada quando Theodore e Susannah chegaram da casa de Coraline, a garota seguiu o amigo, ambos iam ao porão.
— Eu não sei mais o que fazer com a Elizabeth. — Susannah se queixou, após descer as escadas e aproveitar para retirar os saltos.
— Você ficou calada durante a ceia toda, até antes enquanto trocávamos presentes, foi por causa da Lizzie, não foi?
— É que você não faz ideia do que ela fez quando você foi ao banheiro e deixou nós duas no quintal.
— O que ela fez?
— Me beijou. — Fechou a cara.
— De novo? E você deixou?
— Não, eu a empurrei! — Bufou. — Mas aonde já se viu?
— Eu disse que ela gostava de você, não disse? — Theodore sentou-se na beirada da sua cama e tirou os sapatos.
— Eu sei disso, mas eu não gosto dela, não gosto que ela force a barra.
— Então por que não fala isso pra ela?
— É minha única saída. — Se aproximou dele.
O garoto levantou um dos travesseiros e retirou o cachecol de Christopher dali.
— Ainda consigo sentir um pouco do perfume... — O garoto fungou o tecido com força.
— Você e o Chris são tão fofos. — Ela engatinhou sobre a cama, deitando ao lado do amigo.
— Às vezes eu fico pensando. — Theodore fez uma pausa. — Será que ele vai desistir de mim?
— O que você está dizendo?! — Susannah exclamou. — É claro que ele não vai desistir, ele te ama, Theo! Para de bobagem!
— Eu sei. — Suspirou. — Mas eu ainda me sinto horrível por obrigar ele a passar por tudo isso.
— Você não está o obrigando, ele está aguentando firme porque além de te amar, sabe que tudo vai dar certo.
— Eu só queria poder vê-lo, só uma vez, só isso. — A voz do garoto saiu trêmula.
— Eu sei, Theo. — A garota levou uma de suas mãos aos cabelos do amigo, afagando-os. — Mas lembre-se das cartas dele, do que ele te diz, sei que isso vai te dar forças.
— Vou tentar.
— Não, não chora, não... — Susannah deslizou o polegar pela bochecha de Theodore, enxugando uma lágrima. — Vai ficar tudo bem, tá?
A garota continuou fazendo cafuné em Theo, tentando o acalmar, poderia imaginar o quanto aquilo estava o machucando. Ele apertou os olhos, deixando outras gotas escorrerem por seu rosto, logo fungando, apertando ainda mais o cachecol contra si.
Os dois se abraçaram e assim acabaram caindo no sono juntos.
Na manhã seguinte, Theodore abriu os olhos e notou que Susannah havia dormido ao seu lado. Espreguiçou-se e acordou a amiga, que olhou ao redor, parecendo desorientada.
— Bom dia. — Ela se sentou na cama.
— É verdade que é amanhã que você vai embora?
— Sim... — Entristeceu-se.
— Bom, então temos que aproveitar bem, né? — O garoto animou-a. — Que tal ver um monte de filmes? Fazer maratona de alguma série? Sei lá, você escolhe.
— Eu topo. — Ela abriu um sorriso.
...♕...
— Ah, que dor de cabeça... — Christopher sentou-se na cama, colocando a mão em sua testa.
Logo olhou ao redor, lembrando-se que havia passado a noite na casa dos amigos, eles haviam oferecido o quarto de hóspedes por ele ter bebido além da conta na noite passada.
Levantou-se, ainda praguejando pela dor e ouviu barulhos na cozinha; caminhou até lá e encontrou Michael e Emmet conversando.
— Bom dia. — Christopher falou, puxando uma cadeira para se sentar.
— Acordou cedo. — Michael afirmou.
— Ei, tá tudo bem? — Emmet perguntou, observando a expressão no rosto do professor.
— Tô morrendo de dor de cabeça.
— Vou pegar um analgésico pra você, espera um pouco. — Michael caminhou até o armário.
— E eu vou colocar uma colher no freezer para essas suas olheiras. — Emmet abriu a gaveta.
— Colher no freezer? — Christopher ergueu uma das sobrancelhas, curioso. — Isso funciona mesmo?
— Toda vez que eu acordo com os olhos inchados ou olheiras demais faço isso, sempre resolve.
— Tá certo, vivendo e aprendendo. — Soltou uma risada.
...♕...
— Elizabeth! Que surpresa! — Theodore estava na sala de estar quando Gioconda recebeu a prima.
— Soube que era o último dia da Su aqui, então quis vir... — Ela enrubesceu-se. — Fiz mal?
— Não, sem problemas. — O garoto afirmou. — Vem, vamos ver alguns filmes, quer nos ajudar a escolher?
— Claro! — Animou-se.
Theodore e Elizabeth sentaram-se no sofá enquanto Susannah somente os observava calada, ouvindo a conversa.
— Ei, posso sentar ao seu lado? — Lizzie se aproximou da garota.
— A-Ah, pode. — Susannah gaguejou.
Theo percebeu que a amiga permaneceu quieta quando o filme começou, ela estava sentada entre os dois no sofá, com Elizabeth de um lado e Theodore do outro, como se fosse um jeito para não haver brigas.
A sala estava escura e somente a televisão iluminava o local, Gioconda havia feito pipoca e levado para eles, logo retornando aos seus afazeres.
— Corre, sai daí idiota! — Susannah reclamou. — Por que as pessoas em filmes de terror são tão idiotas?
— Também queria saber. — Elizabeth concordou, rindo, pegando mais pipoca.
— Eu vou pegar mais coca, vocês querem? — O garoto perguntou.
— Quero! — Falaram elas, em uníssono.
— Então, já volto. — Levantou e levou os copos com ele.
Susannah continuou concentrada no filme até sentir os dedos de Elizabeth em seu ombro, a prima de Theodore encurtou ainda mais a distância da garota, que estremecia, a cada centímetro que ela se aproximava.
— Su... — Liz chamou. — Posso te beijar?
— Elizabeth, não. — A garota se afastou. — Eu não quero.
— Hã?
— Eu não me sinto confortável com isso, eu não quero.
— Tudo bem. — Removeu o sorriso dos lábios. — Mas posso saber por quê?
— Eu não gosto disso, não dá. — Olhou-a nos olhos.
— E-Eu... — Lizzie pensou no que dizer. — Olha, me desculpa, Su.
— Não se preocupa, tá tudo bem.
Susannah estava habituada em ver uma feição sempre travessa no rosto de Elizabeth, mas nunca tinha a visto daquela maneira. Sentiu uma pontada em seu interior, ela não conseguiria esquecer tão cedo aquela expressão.
...♕...
No outro dia.
— Eu queria mesmo que você pudesse morar aqui, é sempre horrível me despedir de você. — Theodore afirmou, vendo a amiga fechar as malas.
— Eu também queria, Theo...
— Toc, toc. — Elizabeth anunciou, entrando no quarto de hóspedes.
— Lizzie! — O garoto abriu um sorriso, recebendo um beijo no rosto da prima.
— Pelo visto você já está indo, não é, Su? — Elizabeth observou as malas.
— Estou sim.
— Vamos para a rodoviária daqui a pouco levá-la. — Theodore afirmou. — Quer ir também?
— Se tiver um espacinho no carro para mim, tudo bem. — Sorriu, envergonhada. — Mas na verdade, eu só vim entregar uma coisa para a Susannah.
— Para mim? — A garota parou o que fazia.
— Toma. — Lhe entregou uma pequena caixa.
— O que é? — Indagou, segurando o presente.
— Abre.
— Que gracinha... —Susannah ficou encantada com a pulseira prateada, com um pingente de coração.
— É um pedido de desculpas. — Elizabeth falou, acanhada. — Quer que eu coloque em você?
— Sim, por favor. — A garota se aproximou ainda mais, estendendo o antebraço direito.
Theo admirava aquela cena, achando adorável o que sua prima tinha feito, já que na noite passada, depois dos filmes, a amiga havia contado que mais uma vez, Elizabeth havia tentado passar dos limites, mas Susannah não tinha deixado.
— Eu já volto, só um minuto. — Theodore saiu do quarto, para deixá-las a sós.
— Olha, Lizzie...
— Su, eu juro que não estou com segundas intenções, eu só quero que você não vá embora com ressentimentos.
— Não era isso que eu ia dizer. — Susannah deu um sorriso. — Eu fiquei pensando em ontem a noite e...
— Se eu pudesse voltar no tempo, eu juro que não teria forçado a barra.
— Espera, Liz. — A garota interrompeu-a. — Eu pensei melhor no que houve, sabe, eu não devia ter falado com você daquele jeito, eu não queria que minha ida deixasse um gosto amargo na sua boca, então...
Elizabeth observou Susannah pousar a mão em seu ombro, olhando-a com um sorriso meigo, mal acreditando quando os dedos da garota subiram pelo seu pescoço, trazendo-a para perto. A prima de Theodore pensou ser só sua impressão, mas foi surpreendida quando os lábios de Su tocaram os seus, num beijo lento e tentador.
Susannah teve a cintura laçada por Elizabeth, que teve os cabelos lisos bagunçados por ela, enquanto se rendia ainda mais ao beijo.
— Por que está fazendo isso? — A prima do garoto perguntou, afastando-se, ofegante.
— Eu não sei o que está acontecendo comigo, Lizzie. — Tocou as laterais do rosto da garota. — Eu estou confusa...
— Eu já senti isso que você está sentindo agora, Su. — Elizabeth encostou sua testa na dela.
— O que eu faço?
— Não pensa em nada, só me beija.
Os rostos se aproximaram novamente e mais uma vez as bocas se juntaram, massageando uma a outra, dando participação às línguas, irrequietas.
...♕...
Janeiro, dia sete, quinta-feira.
— Theodore, preciso falar com você. — Alba juntou-se à mesa para o café da manhã.
— Fala.
— Nós iremos para Roseville.
— E esse “nós”, quem seria? — O garoto perguntou.
— Eu e você.
— E o Sidney?
— Quando eu contei que queria viajar somente com você, ele entendeu perfeitamente.
— E eu posso entender o motivo dessa viagem?
— Faz tempo que não vamos e como consegui negociar uma folga amanhã, decidi que seria uma boa ideia passar o fim de semana lá.
— Amanhã? Assim de repente?
— Foi o melhor que eu consegui, Theo.
— Mas quer viajar comigo por quê?
— Precisamos de um tempo só nosso, o que você acha?
— Tanto faz. — Deu os ombros.
— Theodore, quero uma resposta concreta. — Alba reforçou. — Se você não quiser ir, não iremos, simples assim.
— Tá bom, eu topo.
— Ótimo, arrume suas malas então, ficaremos lá até domingo.
O garoto terminou o seu café da manhã, ainda pensando no porquê que sua mãe estava planejando fazer uma viagem sem o Sidney, mas achou que poderia ser uma boa oportunidade para tirar proveito da situação, talvez até conseguisse ajuda da família da parte de seu pai para anular o casamento.
Na mesma hora, correu para o porão, precisava fazer as malas.
Aquele dia demorou a passar para Theodore, porque sempre que se sentia ansioso, era como se o tempo parasse. E mesmo passando boa parte da madrugada lutando para não dormir, o sono venceu.
— Filho, acorda... — Alba tocava o ombro do garoto. — Combinei com seus tios que chegaríamos em Roseville para o almoço e já são quase dez horas...
— Como entrou aqui? — Theo grunhiu, esfregando os olhos.
— A porta estava aberta.
— Achava que tinha a fechado. — Sentou-se na cama.
— Bom, leve suas coisas lá para cima e tome o seu café rápido.
— Tá bom.
Theodore foi para o banheiro da sua suíte, lavando o rosto para despertar e se arrumando para sair em breve. Pegou suas malas e subiu as escadas do porão, deixando as bagagens na sala e indo até a cozinha.
— Bom dia. — Gioconda o cumprimentou. — Está ansioso para viajar?
— Tô sim. — Sorriu, sentando-se e logo se servindo. — Não vejo meus parentes por parte de pai desde que nos mudamos pra cá.
— Tenho certeza que eles estão com muita saudade.
— Eu sempre passava o natal e o ano novo lá, foi difícil ficar mais uma virada sem eles. — Abocanhou um pedaço de torta. — Nossa, que delícia, Gio! Você que fez?
— Foi sim, acabei de tirar do forno.
— Tá muito bom mesmo. — Falou, ainda de boca cheia.
— Fico feliz. — Sorriu.
— Ah, tem uma coisa que eu queria te perguntar... — O garoto deu um gole no suco. — E o Sidney? Você ficou sabendo de alguma coisa por parte dele atrás dessa história de viagem?
— Só fiquei sabendo que ele não irá ficar aqui nesse fim de semana, também me dispensou, inclusive. — Revelou. — Ele disse que precisava focar nos projetos dele.
— Tenho certeza que tem a ver com o trabalho da minha mãe, Gio, ele tá armando pra ela, você sabe. — Falou, quase em um sussurro.
— Sim, Theo, sei disso, mas tem coisas que não devemos nos intrometer, principalmente quando sabemos que tipo de homem ele é. — Aconselhou ela. — Mas fica tranquilo, porque se eu descobrir qualquer coisa, eu te contarei, não quero que ele faça nada de ruim a vocês.
— Já terminou, Theodore? — Alba apareceu, fazendo com que interrompessem o assunto.
— Já.
— Ótimo, já coloquei suas coisas no carro. — Afirmou. — Vamos?
Pegaram suas últimas coisas e assim se despediram de Gioconda, como Alba já havia se despedido mais cedo de Sidney antes de ele ir trabalhar, somente o avisou por mensagem que pegaria estrada naquele momento.
Theo se sentou no banco ao lado do motorista e escolheu a estação da rádio que mais gostava de ouvir. Os dois permaneceram em silêncio, o garoto somente observava pela janela o percurso.
Theodore pegou no sono com pouco tempo de trajeto, graças ao sono pesado, conseguia dormir facilmente durante viagens de carro.
Dali uma hora e meia, ele abriu os olhos e bocejou.
— Estamos quase chegando. — Alba anunciou. — Só mais uma meia hora.
— Aonde a gente vai ficar?
— De primeira pensei num hotel, mas seu tio Anthony ofereceu para pousarmos lá.
— Ficar na casa do tio Tony vai ser dureza. — Theo suspirou.
— Por quê? Por ser a nossa antiga casa?
— É. — Respondeu, monossilabicamente.
— Eu acho bonito da parte dele ter alugado a nossa casa, principalmente em ter mantido todos os patrimônios do seu pai, você não acha?
— Acho sim, só que vai ser difícil entrar lá novamente depois de tanto tempo.
— Mas será bom ao mesmo tempo.
— Mãe, você esqueceu o papai?
— É claro que não, Theodore, que tipo de pergunta é essa?
— Eu só precisava saber. — Desviou o rosto para o lado.
— Theodore, seu pai sempre foi e será o grande amor da minha vida. — Alba sentiu os olhos lacrimejarem. — E sempre fará parte da nossa história.
— O que você acha que ele diria sobre mim? Acha que ele ainda se orgulharia?
— Eu aposto que sim, filho. — Olhou rapidamente para ele, voltando seus olhos à estrada.
— Eu nunca vou te dar um neto, você sabe disso, né? — Insistiu. — E mesmo que você esteja se esforçando para me manter longe do Christopher, mãe, eu não vou desistir, porque eu o amo...
— Por favor, agora não é hora.
— Por que não?
— Eu não quero conversar sobre esse homem, Theo.
— Mas isso não exclui o fato de eu ser gay.
— Esse não é o problema! — Exclamou.
— Ah, não é? — Ergueu uma das sobrancelhas. — Então não teria problema se eu me abrisse com todos, não acha?
— Se você quiser, essa é uma decisão sua.
— Tá certo.
Permaneceram em silêncio até passarem pela entrada da cidade, onde levou poucos minutos para chegarem em frente ao portão da casa de Anthony. Alba esticou o braço e tocou o interfone de dentro do carro, quando poucos segundos depois, a entrada foi liberada, Anthony, tinha apertado o botão do portão ao os verem pela câmera de segurança.
Estacionaram no gramado e assim desceram, deixariam as malas para depois, pois tinha muita gente para cumprimentar. Seus tios e sua avó estavam presentes, todos queriam um pouco da atenção dos mais novos visitantes.
Como era de se esperar, Theodore foi recebido com muitos apertos na bochecha das tias e tapinhas nas costas por parte dos tios, sem contar nas incontáveis vezes de que ouviu elogios do quanto ele havia crescido; no fundo, havia sentido falta de tudo isso.
O almoço foi servido, numa mesa farta e longa, com uma linda vista do quintal. As propriedades daquela casa eram quase imensuráveis, Theo sentia saudade de passar seu tempo ao ar livre ali. O casarão foi conquistado por seu pai após anos de carreira, além de anos dedicados por ele em reformas para aprimorar e deixar o local confortável como um palácio.
Após Theodore ter terminado seu almoço e em seguida a sua sobremesa, se retirou da mesa, caminhando para dentro da casa. A porta para o quintal dava diretamente ao hall da escadaria, por onde ele caminhava, olhando tudo ao redor. O local não havia mudado nem um pouco, fazendo com que ele se sentisse em casa novamente.
Subindo as escadas, o garoto se deparou com um longo corredor, onde continuou caminhando, olhando fixamente para última porta, indo em sua direção. Tocou a maçaneta daquele último cômodo, entrando nele.
A sala também não havia sido alterada por seu tio, que manteve o escritório de seu falecido irmão da maneira que Alba deixou quando se mudou para São Francisco. Theodore admirou a estante de troféus, abrindo um sorriso saudoso.
Os retratos estavam espalhados por todo o cômodo, tanto nas paredes, como em fotografias sobre a escrivaninha de William. Theo sentou-se na antiga cadeira de madeira em mogno, que combinava com o restante do local.
O garoto sentiu um aperto no peito ao se deparar com a imagem mais recente de seu pai, pouco antes de seu falecimento. Na foto, Theodore estava vestido idêntico a ele, ambos com uniforme e com uma bola de futebol em mãos.
Theo notou seu queixo trêmulo, já não podendo impedir as lágrimas e os soluços, que vinham involuntariamente. Sentia seu peito oprimir a cada fotografia que olhava, lembranças que há muito tinham sido trancafiadas dentro de si, agora vinham à tona.
Havia completado cinco anos desde a morte de William, mas não importava quanto tempo fosse, a dor nunca passaria.
O garoto se levantou, andando um pouco mais pelo quarto, se aproximando de uma das prateleiras, onde todos os livros da coleção particular de Will estavam a mostra. Passou os olhos por eles, até se deparar com outra foto com moldura na parede, desta vez estampando o rosto emocionado do ruivo ao segurar o filho recém-nascido no colo, no hospital, dezessete anos atrás.
Theodore enxugou o rosto na gola de sua camiseta, tentando controlar o choro, tornando a explorar o local.
Andou até uma cômoda e abriu suas gavetas, nelas continham uniformes nunca usados e agasalhos com símbolos de times. Pegou um casaco em uma das gavetas e o vestiu, que mesmo ficando grande em seu corpo, não se importou.
Theo andou até a escrivaninha novamente, procurando por anotações feitas pelo seu pai e assim encontrando um antigo bloco de notas. Mesmo que as informações ali escritas fossem todas relacionadas ao trabalho, o garoto sentiu seu coração se contorcer dentro de si, ver a letra de seu pai novamente tinha aberto uma ferida que nunca havia se cicatrizado.
Theodore tentava controlar a emoção, porém seus lábios ainda estavam trêmulos e as lágrimas não paravam de vir, desciam queimando seu rosto.
Sentou-se no pequeno sofá daquela sala, com uma das fotografias em mãos, tentando recuperar o fôlego. O garoto soluçava, acariciando a imagem em meio ao choro, vendo o homem ruivo segurar o filho no colo, no aniversário de dois anos do pequeno.
— Eu sinto tanto a sua falta, pai. — Theodore murmurou. — O que eu não faria para te dar um último abraço...
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