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41 Capítulo 41 — Desempenho.


Notas iniciais
Beijos & Boa leitura! ♕

Capítulo 41 — Desempenho.

Theodore deixou o celular de lado, após mandar uma mensagem para sua mãe, avisando de que passaria a noite fora.

— Essa chuva veio a calhar. — Christopher confessou. — Tá caindo o mundo lá fora.

— “Mamãe, não tem como voltar pra casa, vou passar a noite na casa de um amigo.” — O garoto riu. — Ainda bem que meu carro está em casa.

— Se ela soubesse o que você esteve fazendo... — Chris puxou-o para perto, estalando um beijo em sua testa.

— Não importa, nem se não estivesse chovendo, eu só quero ficar aqui, com você. — Deitou-se sobre o peito do namorado.

— Fazia tanto tempo que você não passava a noite aqui. — O professor observou, enquanto afagava os cabelos de Theo. — Senti falta disso...

— Eu também. — Sorriu, sentindo o cafuné e ouvindo a chuva batendo incessantemente na janela.

— Ei, Theo.

— Fala.

— Você gostou de hoje?

— Quer saber do jantar ou...

— De tudo.

— Foi bem legal o jantar com os meninos, mas admito que a melhor parte da noite, foi bem aqui, nessa cama.

— Concordo. — Deu um sorriso travesso.

...♕...

Na manhã de domingo, após Christopher deixar Theodore em casa, o garoto destrancou a porta de entrada e logo se deparou com sua mãe.

— O que foi? — Theo indagou, encarando a expressão séria de Alba.

— Onde estava?

— Você sabe, eu te mandei mensagem avisando...

— Não mandou coisa nenhuma, Theodore!

— É claro que eu mandei! — Desviou-se de seu caminho.

— Olha só, eu não estou gostando desse seu comportamento rebelde! Quer ficar de castigo novamente?!

— O quê?!

— Você entendeu.

— Mas o que eu fiz de errado? — Indignou-se. — Se eu não mando mensagem avisando você, eu estou errado, se eu mando, estou errado também?!

— A questão não é essa!

— E qual é, então?! Porque eu não estou entendendo, quer dizer que não posso mais ter vida social por causa de você?!

— Theodore! — Repreendeu.

— Você não vê que eu não tenho mais idade para essas coisas?! — Bufou e lhe deu as costas. — Chega, vai.

Após o garoto bater a porta de seu quarto, Sidney se aproximou, colocando uma das mãos no ombro de Alba.

— Sem querer ser inconveniente, ele está assim por causa das mordomias que recebe de você.

— Sem querer ser, mas sendo. — Suspirou. — Eu sei muito bem onde eu errei, não preciso de opiniões alheias.

A mulher retirou a mão do noivo de seu ombro e caminhou até o sofá, se jogando sobre ele.

— Perdão, querida, não queria te deixar chateada. — Sentou-se ao lado dela.

— É que eu estou cansada... Não, cansada não, estou exausta dessa luta com o Theo! Eu não preciso de alguém para jogar as coisas na minha cara e me deixar pior!

Sidney levou o polegar ao rosto de Alba, acariciando sua pele.

— Prometo que tentarei ser melhor, posso te ajudar com o que for necessário, inclusive com o garoto, eu sei que ele não é meu filho, mas eu o considero como um.

— Me desculpe por ter um pavio tão curto. — Sorriu. — Você é um doce.

Enquanto isso, o garoto estava deitado em sua cama, tentando se manter relaxado após as gritarias desnecessárias de sua mãe.

Sentiu o celular vibrar e o retirou do bolso, era uma mensagem de Nicholas, que perguntava se ele gostaria de ir almoçar na lanchonete que tinham ido na outra vez. Aceitou o convite, combinando com ele o horário.

Como seria dali algumas horas, decidiu tirar um cochilo, havia dormido pouco e acordado cedo.

...♕...

— E aí, Theo?! — Nicholas cumprimentou o amigo, ao vê-lo chegar.

— A Alison não veio?

— Não, ela tinha salão marcado para hoje, vai retocar as luzes.

— Entendi. — Sorriu.

Adentraram a lanchonete e rumaram ao local escolhido por Nick.

— E aí? Como vão as coisas, Theo?

— Vão bem, tem alguma novidade?

— Tá tudo bem, só estou preocupado com a reunião de pais e mestres. — Nicholas confessou, pegando o amigo de surpresa.

— Hã?

— Não ficou sabendo, Theo?

— Não, quando é?

— Na segunda, ou melhor, amanhã...

— Eu não sabia mesmo, mas isso é bom, quer dizer que posso faltar e dormir até tarde.

— Terão aulas normalmente, viu?

— Mesmo assim, é uma boa desculpa para poder ficar em casa.

— Tem razão, vou ver se isso cola com a minha mãe também. — Riu alto.

Uma garçonete se aproximou para recolher os pedidos, ambos escolheram o sanduíche especial do dia, acompanhados por milk shakes de morango.

— Ah, Theo, tem alguma matéria que você acha que vai tomar bomba?

— Ah, acho que não, tudo bem que tem umas que eu não sou muito bom, mas acho que fecho a nota na média raspando.

— Sorte a sua, porque eu acho que meu desempenho vai ficar baixo em pelo menos, numas três.

— Sério?

— Pois é, eu deixei de fazer um montão de trabalhos nesse semestre todo.

— Então, boa sorte.

— Vou precisar.

Quase quinze minutos depois, os lanches foram servidos sobre a mesa e os dois garotos não demoraram muito a atacar.

— Ah, eu te contei que o meu quarto vai passar para o porão? — Theodore indagou, com a boca cheia.

— Não, é sério?

— Sim, os cômodos lá são enormes. Fiquei sabendo que o antigo dono da casa até alugava o porão separadamente.

— Maneiro, eu queria ter mais espaço em casa, tenho que dividir o meu quarto com o meu meio irmão. É uma droga.

— Eu queria ter um irmão.

— Acredite, se tivesse que dividir o quarto com um, não iria querer ter, mesmo!

— É, talvez esteja certo. — Deu um gole no milk shake. — Eu acho que vou passar minhas coisas para lá hoje mesmo, já faz tempo que eu estou enrolando...

— Me manda umas fotos de como ficou, depois.

— Pode deixar.

— Ah, e o Christopher? Como estão as coisas entre vocês?

— Tudo ótimo, passei essa noite na casa dele. — Sorriu. — E você e a Ally? Como anda o namoro?

— Anda tudo bem, principalmente agora que os pais dela estão se acostumando um pouco mais comigo, estou participando das reuniões de família dela, também.

— Olha só, é um avanço e tanto, você tinha me dito que eles eram um pouco rigorosos...

— É verdade, mas ainda não afrouxaram tanto as rédeas, sabe. Tenho até um pouco de inveja de você, que pode dormir fora de casa normalmente, queria que eles deixassem a Alison passar a noite comigo, às vezes.

— Mas aí acho que você está pedindo um pouco demais, tenho certeza que pelo fato de ela ser mulher, que essas coisas são mais difíceis, porque eles sabem que alguém pode “corromper” o anjinho deles.

— Se eles soubessem o que esse anjinho faz... — Soltou uma risada.

— É a mesma coisa comigo, minha mãe acha que eu estou na casa de amigos, não faz ideia de que tenho um namorado.

— É realmente complicado, mas eu espero que tudo isso se resolva pra você, ninguém merece ficar guardando segredo.

— É verdade.

...♕...

Ao chegar em casa, Theodore notou o silêncio absoluto, vendo que sua mãe tinha saído e que graças a Deus, tinha levado Sidney junto.

Passou um tempo trocando mensagens com Susannah, ao mesmo tempo que assistia à televisão. Avisou a amiga das novidades do dia, até mesmo das intimidades da noite de sábado.

Susannah quis saber mais detalhes sobre o “próximo nível” que o relacionamento de Theo tinha tomado, então, como sempre, o garoto não negou.

Theodore ouviu barulhos na porta de entrada, então vozes dominaram o cômodo, Alba e Sidney haviam chegado.

— Onde foram? — O garoto perguntou, fingindo interesse.

— Ao mercado. — Sua mãe se aproximou e lhe deu um beijo na testa. — Comprei chocolate, quer?

— Ah, não, agora não.

— Nossa, você negando chocolate?! — Brincou. — Quem é você e o que fez com meu filho?!

— Eu só tô cheio, fui comer fora.

— Você anda saindo bastante ultimamente, não acha?

— Qual o problema?

— Nada, nenhum.

Sidney escutou a conversa ao longe, antes de se retirar do local.

Assim que Alba notou o noivo ir para outro cômodo, sentou-se ao lado de Theodore.

— Então, Theo. — Começou. — Esses últimos dias andam confusos pra mim...

— Hã? Por quê?

— Eu queria me aproximar de você, te ouvir mais... — Segurou na mão do filho. — E sabe, queria que você se sentisse seguro para me contar do seu namoro.

— O quê?! — Engasgou.

— Acha que eu não reparei que está usando aliança? E não é de hoje.

— Ah, isso...

— Eu não vou te forçar a nada, quero que você me conte, mas quando quiser, é claro.

— M-Mas mãe.

— Não precisa fingir, Theo. — Alba se levantou. — Se precisar conversar, é só me chamar, tá?

Ainda em silêncio, Theodore remoía as últimas palavras de sua mãe, que tinham embaralhado ainda mais os seus sensos. Não parecia a mesma mulher de antes, que faria um escândalo caso descobrisse se estivesse compromissado, então o que o impressionou, foi sua voz mansa e aparentemente compreensível.

Talvez ela estivesse mentindo, pensou, mas bem que gostaria que sua mãe se mantivesse dessa maneira.

Após acordar dos seus devaneios, se levantou do sofá e assim caminhou ao seu quarto. Olhou tudo em volta, muitas das suas coisas já estavam encaixotadas, então lembrou-se que estava somente adiando a sua pequena “mudança” para o porão.

Tratou de mudar aquilo e logo vestiu-se com uma roupa antiga, para começar a arrumação. Tomou a primeira caixa em mãos, que estava parcialmente leve, assim fazendo o trajeto até o fim do corredor, onde, na última porta, seria o seu novo quarto.

Foram seis caixas antes de fazer uma pausa para um bom gole de água, para logo depois, tornar a levar as restantes para baixo. Retornou ao seu quarto para pegar os lençóis para a sua nova cama, que era bem mais espaçosa.

No porão, removeu os pertences velhos da estante e ajeitou alguns livros seus sobre ela. Trouxe também suas peças de roupas para baixo, que era uma das poucas coisas que faltavam.

Por fim, mesmo que ainda tivesse muito a ajeitar, estava cansado e precisava de um banho.

Sabia que não terminaria em um único dia, entretanto, estava feliz, pois boa parte do trabalho já tinha sido feita, agora só restava retirar as coisas das caixas e guardá-las em seus respectivos lugares.

Pouco menos de meia hora depois, quando já havia se trocado, após o banho, sua mãe lhe chamou para o jantar.

Juntou-se à mesa e ignorou completamente Sidney, estava se acostumando aos poucos com a presença daquele homem, ele estava se tornando insignificante, mesmo que Theodore soubesse os riscos que corria.

— Então, Theo? Como o seu novo quarto está? — Alba perguntou, esboçando um sorriso para o filho.

— Uma bagunça. — Respondeu, dando a primeira garfada em seu prato.

— Se quiser uma ajuda amanhã, estarei livre. — A mulher afirmou.

— Verdade, acabei de me lembrar, você vai na reunião de pais e mestres amanhã?

— É claro que vou, negociei um dia de folga por isso.

— Ah, sim.

— Como vão suas notas, garoto? — Sidney entrou na conversa, mascarando o sorriso cínico por trás da taça de vinho.

— Regulares. — Respondeu, friamente.

— Ótimo.

— Não seja modesto, Theo. — Alba rebateu. — Você sempre foi ótimo em matemática, que para mim, é uma das matérias mais difíceis, está até na turma avançada esse ano.

— Olha só, que proeza. — O homem lançou um olhar ao garoto.

— Não é nada demais. — Theodore corrigiu. — De que adianta isso, se nas outras matérias eu não sou lá essas coisas todas?

— Não pensa assim, filho. — Alba tomou um gole do vinho.

A mulher encarou o filho mais uma vez, levando sua atenção especial à uma das mãos de Theo, observando com calma os desenhos estampados no anel de seu dedo. Tentou se manter controlada, pois se lembrava que assim era a melhor maneira de se aproximar do garoto, tentaria criar um vínculo com ele aos poucos.

Após o jantar, ainda naquela noite, Theodore voltou para o porão e conseguiu terminar de arrumar seus pertences, só precisava de um lugar para guardar as caixas vazias.

Fotografou a parte organizada do seu novo quarto e encaminhou a imagem para seus amigos, menos para Christopher, porque preferiria mostrar o local para ele, assim que estivesse totalmente arrumado.

Caiu na cama, totalmente exausto, não tardando a cair no sono.

...♕...

Na manhã de segunda-feira, Alba se arrumava em frente ao espelho, enquanto Sidney a admirava, sentado na beirada da cama, calçando seus sapatos.

— Você está radiante. — Elogiou-a.

— São seus olhos. — Agradeceu, ao terminar de passar o batom. — Bom, tenho que ir agora, te vejo no almoço?

— Terei uma reunião, não poderei vir.

— Tudo bem, jantamos fora, então?

— Combinado. — Levantou-se e beijou sua bochecha. — Não quero estragar sua maquiagem, querida. Vou indo, tá?

— Até mais tarde.

— Até!

Após pegar sua bolsa e as chaves do carro, foi em direção a garagem, retirando seu carro, ao mesmo tempo que Sidney também saía. Seus caminhos se desviaram no fim do quarteirão, Alba fez o caminho para o colégio do filho, enquanto ouvia as músicas calmas do rádio.

Ao chegar, demorou alguns minutos para achar uma vaga, mas conseguiu estacionar. Adentrou a escola e se informou de quais locais precisava comparecer, ficando brevemente perdida naquele gigantesco colégio.

Visitou as primeiras salas listadas no papel, que havia pego na diretoria, ouvindo brevemente cada professor e indo logo ao que interessava, olhando nos relatórios o desempenho do filho. Como Theodore se portava bem durante as aulas, nenhum deles havia queixas do garoto, isso a deixava com um sorriso enorme nos lábios.

A última sala que precisava visitar, era da matéria que seu filho mais adorava: matemática.

Localizou-se e logo achou o local, mas ao chegar, vários pais se retiravam da sala, já com os respectivos relatórios em mãos. Notou que era a única ali e deu toques no batente da porta, que já estava aberta, como se pedisse permissão ao professor para entrar.

— Por favor, entre. — O homem a convidou.

— Bom dia. — Ela adentrou o local, o cumprimentando. — Sou a mãe do Theodore.

— Ah sim, claro. — Ajeitou os óculos de leitura, indo a sua mesa. — Então, Sra. Brandford...

— Pode me chamar de Alba, professor. — Sorriu. — E você, é?

— Christopher.

— Certo, o que tem para mim?

— Somente notícias boas. — Entregou-a um envelope. — Theo tem um grande potencial.

— Vejamos... — Abriu a embalagem e retirou as folhas de dentro.

— Observe que todos os testes surpresa que fiz, ele tirou a nota máxima, não foi diferente com as lições diárias.

— Eu já imaginava que ele era bom em matemática, mas estou realmente surpresa... — Abaixou as folhas, encarando o professor.

Fixou o seu olhar no rosto de Christopher, notando que ele era um homem particularmente jovem, mas o principal, ele lhe era familiar. Se forçou a lembrar de onde já havia o visto.

— Deve se orgulhar bastante do seu filho, Alba. — Retirou os óculos. — Ele é um ótimo aluno.

— É realmente o que eu vejo... — Fechou a cara. — Ele é tão bom assim, que precisou o levar para a cama?!

Notas finais
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