FT High School: Where All Began

7 Uma Grande Comemoração


Notas iniciais
Yo minna-san! Gomene pela demora, era pra eu ter postado na quarta passada esse capítulo, mas o feriado já tinha começado pra mim e eu senti tanta preguiça. Fora que eu quase não consigo pegar o notebook porque meu pai é viciado em assistir séries no Netflix. Bem, esse capítulo tem mais de 11 mil palavras, como já estavam sabendo, e peço que desconsiderem quaisquer erros de português porque faz bastante tempo que corrigi. Boa leitura!

Lucy POV

Ainda sonolenta, coloquei-se sentada em minha cama, fitando a porta fechada. Podia ouvir muitos passos apressados do lado de fora, e vozes falando rapidamente coisas que eu não conseguia distinguir, ainda mais nesse momento em que eu acabara de acordar. Fitei meu calendário. Aquele era um dia importante, dia 15 de novembro. Era o meu aniversário de 18 anos, e a noite haveria o baile de aniversário mais esperado de todos, porque seria o baile em que eu conheceria todos os meus pretendentes de casamento. E não, eu não estava nem um pouco animada para isso.

Abri a porta do meu quarto e observei a movimentação dos empregados por alguns minutos, mas os mesmos nem sequer me perceberam ali, devido às tarefas únicas do dia 15 de novembro que os deixavam afobados para que tudo fosse perfeito e nada fosse motivo para uma demissão por conta de meu pai, que era, com certeza, o que mais se animava para que a noite chegasse.

– Bu – alguém falou aparecendo ao meu lado e eu dei um pulo. Um cara alto de cabelos laranja vestindo um pijama azul sorriu para mim.

– Loke, você quase me matou de susto no dia do meu aniversário – falei, dando-lhe um tapa no braço. – Qual o seu problema?

– Ah é, a movimentação e o desespero é por sua causa – ele falou, revirando os olhos, e eu suspirei. Ele era mesmo um idiota. Bem, eu pensava que ele era meu pretendente, mas um dia tudo acabou se esclarecendo, o que me deixou extremamente aliviada.

Flashback ON

Ah, que frio desgraçado. O começo de Novembro nunca fora tão frio assim. Eu estava voltando sozinha do colégio, já que Natsu saíra com Lisanna, Wendy fora para a casa de Romeo com um grupo de amigos, e Levy ficara no colégio com Cana e Erza para ajudá-las com algumas coisas. E eu sobrei como sempre, claro.

Bom, nesse momento o que importava é que eu estava voltando para cara sozinha com um vento gelado e forte batendo em meu rosto e tudo o que eu queria era me abrigar do frio na frente de uma lareira, e como estava andando com os olhos semicerrados, eu acabei trombando em alguém e deixando minha bolsa cair. Abaixei-me para pegar o que havia caído e o homem em quem trombei se abaixou para me ajudar.

– Desculpe, eu deveria olhar por onde anda – falei, levantando o rosto e dando de cara com Loke. Coloquei-me no lugar, fechando a bolsa e encarei o chão. Eu não falava com ele desde aquela noite em que Natsu me levara para casa.

– Mais uma vez nos encontramos Lucy – falou, e eu assenti envergonhada. Lembrei-me de ter dito que achava que ele era meu pretendente e ele negou, mas depois que Natsu apareceu, eu não descobri quem ele era de verdade. – Está voltando da aula? Eu estava mesmo indo até a sua casa, Jude queria conversar comigo. Posso te acompanhar?

– Ah, claro que pode – respondi, seguindo meu caminho e ele atrás de mim. Nunca nenhum cara perguntou se podia me acompanhar até em casa, e normalmente, se fosse o Natsu, iria junto por conta própria. Espera aí, por que raios eu estou pensando nele?

Seguimos em silêncio até a minha casa, e encontramos meu pai conversando animadamente ao telefone com algum de seus sócios, mas se despediu assim que nós entramos. Virgo pegou nossos casacos, e os levou embora, junto com meu gorro, minhas luvas e meu cachecol. Ainda bem que dentro de casa era quentinho, se eu estivesse lá fora, viraria um cubo de gelo. Nós nos sentamos em silêncio na mesa para almoçar, até que meu pai falou:

– Então – ele começou. – Como vão os negócios, Loke? – revirei os olhos. Não parecia uma conversa interessante, então minha cabeça voou longe por um bom tempo, até que... – Sem querer parecer precipitado – ele ia se precipitar, — você já se decidiu? – ele fitou Loke por alguns minutos enquanto o mesmo permaneceu em silêncio.

– Decidiu? Decidiu o quê? – perguntei, fitando-o também. Ele respirou profundamente.

– Já não tem mais como escapar disso – murmurou. – Jude, eu preciso falar sério com você sobre isso.

– Terminemos de almoçar então e podemos discutir em meu escritório...

– Sinto recusar, mas como Lucy é a protagonista nessa história, ela tem todo o direito de ouvir e questionar.

– O que? É sobre o casamento? – perguntei, nem um pouco surpresa.

– Ah, você já sabe. Então, como vai ser? – meu pai perguntou para Loke, ignorando minha expressão que se tornara irritada nos últimos segundos.

– Espera aí, eu não vou me casar, nunca concordei com isso – protestei.

– Qual era o nosso acordo, Lucy? Era a única coisa que você deveria obedecer sem reclamar!

– Mas pai... um casamento é algo sério, eu não quero passar o resto da vida presa a alguém que eu nem sequer amo!

– O amor pode ser deixado de lado quando se trata de obedecer a seu pai!

– Você amava a mamãe e ainda tem coragem de dizer algo assim? E você é meu pai, deveria entender o meu lado! – lágrimas começavam a escorrer pelo meu rosto. Eu ia levantar e sair correndo, mas Loke me segurou.

– É exatamente sobre isso que quero conversar com você, Jude – Loke estava sério. – Eu não posso me casar com Lucy, eu não a vejo como minha futura esposa – e meu choro cessou. Ele estava interferindo na discussão para me livrar desse fardo?

– Como? – meu pai questionou, parecendo irritado.

– Lucy não se lembrou de mim, então eu não esperava que o Senhor se lembrasse de mim também. Por acaso se lembra da irmã de Layla, Sophia? – hã? Esse era o nome da minha tia, não era? O que ela tinha a ver com a discussão?

– Claro que me lembro – respondeu. – Ela costumava trazer o filho aqui para brincar com a Lucy – ah sim, meu primo. Pouco me lembrava dele, mas conseguia me recordar de dias que Natsu e meu primo discutiam para ver quem brincaria comigo. Mas ele desaparecera da face da Terra, e nem mesmo aparecera com seus pais quando a minha mãe morreu.

– Eu peço minhas sinceras desculpas por perder o enterro de sua mãe, Lucy, mas minha mãe adoeceu na mesma época e veio a falecer pouco depois da sua – quando ele disse isso, o rosto do meu primo começou a surgir em minha cabeça. Eu não lembrava muito dele, só que ele era mais velho que eu uns quatro anos. – Eu não vim aqui com a intenção de ser mais um de seus pretendentes para Lucy, Jude. Eu vim porque eu precisava encontrar as últimas pessoas com as quais poderia contar agora. Meu pai faleceu durante o verão, e eu tive que me mudar para Magnólia para cuidar de seu trabalho.

– Ah meu Deus – murmurei, arregalando os olhos, ao me lembrar do meu primo que não via há tanto tempo. Certamente ele mudou muito, mas continua sendo o mesmo depois de todos esses anos.

– Finalmente alguém lembrou – ele revirou os olhos e sorriu para mim. – Esse é o motivo pelo qual não posso me casar com Lucy. Eu a vejo como minha irmã mais nova, e quero que ela seja feliz mesmo cumprindo sua parte do acordo.

Flashback OFF

– E então loirinha? Você finalmente tem 18 aninhos — Loke falou, bagunçando meu cabelo. Eu estava feliz que Loke estivera morando em casa desde então, tornava tudo mais animado, mas eu vivia com o incômodo de que hora ou outra ele iria embora.

– Pois é – concordei, com um sorriso de canto. Perguntei-me quantas mais emoções eu teria ao longo do próximo ano, e eu tinha certeza que se Natsu estivesse envolvido, eu daria a louca algumas vezes. Meu pai ainda não havia aparecido para me dar feliz aniversário com direito à confetes coloridos e serpentinas na cama, o que no fundo me deixou chateada porque eu esperava por isso essa manhã.

– Hime-sama, Loke-sama, desçam para tomar o café da manhã – Virgo falou, aparecendo ao meu lado de repente, o que me assustou, mas eu não protestei e desci as escadas ao lado de Loke, e assim que entramos na sala, algo explodiu e eu me vi numa chuva de confetes prateados e dourados e um monte de gente rindo da minha cara de susto.

– Feliz aniversário minha filhinha! – meu pai me abraçou forte e eu quase perdi o ar. – Infelizmente eu devo sair imediatamente, mas logo mais nos encontraremos para ir a sua festa. Aproveite a comemoração de hoje desde cedo – falou, dando um beijo na minha testa e deixando a casa. Eu fiquei triste por alguns segundos, mas a animação dos meus amigos foi o que me tirou dos meus pensamentos.

– Surpresa! – Levy pulou em cima de mim para um abraço, sendo seguida por Wendy, Erza e Juvia.

– Parabéns Lu-chan! – elas gritaram em uníssono e eu comecei a rir.

– A Erza só veio pelo bolo de morango – Wendy comentou, e Erza me fitou.

– Eu vim porque a Lucy é minha amiga desde pequena, e ela é importante para mim – protestou, e encarou o bolo todo confeitado com morangos em cima da mesa. – Mas deve estar tão bom... – seus olhos brilharam por alguns segundos.

– Ah, vocês deviam ter avisado que iriam aparecer, eu ainda estou de pijama – falei, envergonhada, quando Levy me levou atrás do bolo, para cantar parabéns.

– Vamos tirar uma foto para nos lembrarmos de como a Lucy estava feia na manhã do aniversário de 18 anos dela! – Levy falou, e nós quatro nos juntamos para que Virgo tirasse uma foto. Devia ter saído linda, sendo que eu estava de pijama, com o cabelo bagunçado e com o efeito pós-sono conhecido como cara amassada. Todos se reuniram em volta do bolo para cantar parabéns para mim.

– Faz um pedido Lu-chan – Juvia falou, sorrindo. Eu estava feliz que ela estivesse sorrindo, já tinha um tempo que eu não a via assim. Fitei as 18 velhinhas coloridas que elas colocaram no bolo. Não que eu acreditasse em pedidos para velas de aniversário, mas minha mãe dizia que valia a pena pedir, porque se eu fosse uma boa pessoa, o desejo se realizaria. Por um minuto quis minha mãe ali comigo, mas olhei para minhas amigas, meu primo, e os empregados que cuidavam de mim com tanto carinho desde pequena, e percebi que não precisava de mais nada. Eu estava feliz, e isso bastava.

Cortei o bolo para realizar o desejo de Erza de comer seu amado bolo de morango e nos sentamos para conversar sobre a noite. Eu ainda não estava muito animada, mas o fato de minhas amigas aparecerem logo de manhã fez com que eu mudasse de ideia sobre a festa. Não demorou muito para que elas fossem embora e eu acabasse ficando sozinha na casa, bem, nem tanto, já que Loke estava lá, mas ainda assim acabei voltando para o meu quarto e me jogando na cama com um suspiro.

– Hime-sama? – Virgo entrou com uma grande caixa branca com uma fita azul e a colocou ao meu lado. – Seu pai pediu para te entregar, esse é o presente de 18 anos dele e de sua mãe para você.

– Da minha mãe? – perguntei curiosa, abrindo a caixa na qual um vestido rosa cheio de detalhes estava impecavelmente dobrado.

– Mais tarde eu a chamarei para começar a se arrumar – falou, deixando o cômodo e fechando a porta. Era um vestido muito lindo, que eu puxei para fora da caixa e olhá-lo melhor. Eu tinha impressão de já ter visto aquele vestido outra vez, mas não tinha certeza. Olhei de relance para o chão e vi uma folha amarelada rasgada num canto que devia ter caído quando tirei o vestido.

“Querida Lucy,

Hoje recebi a notícia de que não tenho muito tempo de vida, mas eu não consegui te contar quando veio me visitar. Não sei como irá encarar a minha morte, nem mesmo sei se seu pai vai saber lidar com isso. Virgo e Saeko estarão sempre ao seu lado para o que precisar a meu pedido. O vestido dessa caixa é muito especial para mim, e será também muito especial para você. Eu o usei quando fiz 18 anos, e eu já havia combinado com seu pai de você usá-lo quando chegasse seu 18º aniversário. Entristeço ao pensar de que não poderei vê-la crescer, fazer 18 anos, casar-se, ter filhos, mas essa é a vida, e ela sempre vai ter seu fim. Espero que quando fique triste se lembre de que onde quer que eu esteja eu estarei cuidado de você minha filha. Feliz aniversário, eu te amo.

Com carinho, mamãe.”

Ao terminar de ler, segurei forte o papel e desabei no chão. A saudade ficou ainda mais forte, quando impossível de aguentar. Eu queria que minha mãe estivesse ao meu lado naquele momento, mas como ela disse, a vida sempre vai ter seu fim. Eu não podia me entristecer de ela não estar ali, porque eu sabia que ela sempre estava comigo, cuidando de mim. Respirei fundo. Eu aguentaria a barra hoje, pensando em minha mãe.

Levy POV

Depois do almoço ninguém mais conseguiu entrar em contato com Lucy, e tudo o que eu podia esperar era que eu a veria em sua festa de aniversário à noite. Perguntei-me o quanto ela sentia falta de sua mãe, ainda mais quando seu pai estava sempre distante. Eu a entendia. Esse sentimento de estar sozinho era muito presente em muitos de nossos amigos.

Eu tinha o plano de que a essa altura, Natsu e Lucy já estivessem juntos, mas no final nem tudo saiu como eu queria. Eu imaginava que Natsu já não suportasse mais Lisanna, até porque numa noite dessas ela não parava de ligar e ele jogou o celular na parede. E eu sabia que ele gostava de Lucy. Eu tinha certeza que eles ainda ficariam juntos, e eu seguiria com meu plano.

Minha tia parecia gostar do meu plano de juntar os dois. Ela planejava impedir que Jude forçasse Lucy a se casar com qualquer um, fazendo um acordo em que Lucy e Natsu teriam um casamento arranjado. Mas havia um obstáculo no caminho, que todos conhecem e que tem nome. Ninguém menos que a Lisanna, claro, que não larga do meu primo nem a pau e impede que ele e Lucy voltem a interagir como antigamente.

Enfim, eu acabara de chegar com meus tios, Natsu e Wendy no castelo de Cheria, que fora cedido para o aniversário de Lucy depois de Cheria tanto encher seus pais, que logo conversaram com Jude. Segundo ela “uma princesa deve estar em um castelo num dia importante como esse”. O castelo fora decorado com simplicidade, nada muito chamativo, porque Lucy não gostava tanto assim de chamar atenção, mas tudo muito sofisticado, digno de um baile de alta classe.

Mesas arrumadas com arranjos de rosas vermelhas e brancas, o salão espaçoso para o momento em que todos devem dançar enquanto Lucy tem que dançar com todos os moços solteiros da festa, alguns detalhes prateados aqui, outros detalhes em cristal ali, e uma escultura de gelo em forma de fada no centro de uma longa mesa branca. A sacada que Lucy quebrara com Natsu fora devidamente arrumada, e algumas luzes fracas foram colocadas no local. Havia um tablado onde alguns músicos tocavam seus violinos, e até mesmo uma harpa e um piano.

Aos poucos a festa começava a encher. Jude fora para a festa mais cedo para recepcionar seus sócios e seus possíveis futuros genros, e deixara Loke e Virgo para tomar conta de Lucy. Juvia e Lyon chegaram e conversavam com Erza e Jellal, que agora eram um casal quase assumido. Gray e Gajeel discutiam sobre sei-lá-o-que-e-não-estou-nem-aí-pra-isso com Rogue e Sting no mesmo canto do salão em que ficamos no aniversário de Cheria. E ela também estava lá, juntos com seus pais, ajudando Jude a recepcionar os convidados. Por incrível que pareça, o pai de Cheria e o pai de Lucy se davam melhor do que eu esperava.

Lisanna logo chegou acompanhada de seus irmãos, sem seus pais, e o pai de Cheria pareceu aliviado de não ter que ver o pai deles, afinal alguma rixa antiga faziam os dois se odiarem. Sobre os irmãos Strauss, bom, vocês sabem o que penso sobre Lisanna. Mas diferente da caçula, Mirajane, a mais velha, era gentil, meiga, estudiosa e bondosa com todos, mesmo inimigos. Elfman sempre falava sobre coisas de homem, e eu confesso que não entendia muita coisa a maioria das vezes, mas ele era uma boa pessoa também.

Enquanto Lisanna saíra correndo e se agarrava em Natsu (o que fez minha tia torcer o nariz), Mirajane era mais discreta e fora conversar com Laxus, neto do professor Makarov, e sua gangue: Evergreen, Freed, e Bickslow. Elfman foi atrás porque todos sabiam da paixonite que ele tinha por Evergreen, uma garota alta que se achava bastante, mas não era tão ruim assim, todos sabíamos que ela era legal.

Freed era um cara meio nerd que costumava ter cabelos verdes longos, mas para surpreender a todos, decidiu raspar a cabeça. Bickslow era meio difícil de ser definido, ele era tão misterioso que dizem que nem mesmo seus pais e seus melhores amigos sabem de certas coisas sobre ele.

Todos conversavam animadamente. Reparei em algumas pessoas que eram de colégios concorrentes da Fairy Tail, Blue Pegasus e Lamia Scale, que sempre apareciam em eventos como esse. Havia um tal de Hibiki, que com certeza era um dos pretendentes de Lucy, pois o vira conversando com Jude sobre algo sério, mas ficara rodeado de meninas logo depois de adentrar mais à festa.

O lugar era enorme e já estava lotado. Jude atendeu o celular e fez muitos gestos para o pai de Cheria. Lucy devia ter acabado de chegar. Claro que minha tia parecia tão ansiosa quanto eu. Ela olhava para Natsu e Lisanna, e depois para Jude e a entrada do salão, como se sua vida dependesse de Lucy entrar naquele lugar, e eu não parecia estar diferente. Gajeel me trouxe um copo de água, mas eu estava nervosa demais para beber alguma coisa, então ele simplesmente ficou parado ao meu lado.

– Relaxa tampinha – murmurou e eu respirei fundo. Era agora.

Lucy POV

Eu estava até com falta de ar quando a limusine parara em frente ao castelo de Cheria. Aqui estávamos nós outra vez. Fiquei vermelha ao lembrar-me do que acontecera na última vez que estive aqui. Teriam consertado a sacada que eu e Natsu quebramos acidentalmente? Loke me ajudou a sair do veículo, com uma certa dificuldade, graças ao espartilho que apertaram mais que o normal, e o salto que também era mais alto do que os que eu estava acostumada a usar.

– Está nervosa, por acaso? – Loke provocou, com uma risadinha desagradável, mas que me mantinha um pouco mais calma e controlada.

– Nem um pouco – respondi, com tom de ironia. – Por que eu estaria nervosa no baile no qual eu provavelmente vou conhecer meu futuro marido de um casamento arranjado? – eu não deveria ter dito tais palavras que estavam presas em meus pensamentos em voz alta, isso só ajudou a me deixar mais nervosa e com vontade de entrar no labirinto nos fundos do castelo e nunca mais sair.

– Fique calma, vai dar tudo certo, desde que você consiga respirar com esse negócio – ele apontou para o espartilho que estava sob meu vestido, e eu suspirei.

– Talvez eu chegue viva até o salão antes que esse negócio acabe com a minha vida – falei, e ele riu.

Entramos no castelo, onde uma das empregadas veio e tirou a capa com a qual estava afinal fazia um frio de rachar do lado de fora, e as mangas do vestido iam apenas até o início do meu antebraço, sendo a seda do vestido fina o suficiente para que eu sentisse o vento gelado bater em meus ombros. Graças aos quatro saiotes que tive de colocar por baixo da saia do vestido, o frio que sentia era amenizado.

Subimos as escadas para o salão, e percebi todas as luzes lá dentro se apagarem e um único holofote iluminar a entrada na qual eu deveria aparecer, mas eu travei na metade da escadaria.

– O que foi? – ele perguntou, estranhando minha atitude, e eu balancei a cabeça.

– Eu estou com medo, não quero ir lá – respondi, e ele me abraçou.

– Medo de quê? Nada vai dar errado, e talvez até consigamos convencer seu pai de desistir dessa ideia idiota de casamento arranjado – falou, e se separou de mim. – É só fazer o que ele disser pra fazer: ir até lá e dançar com todos os caras da festa, só isso.

– Eu queria estar em casa – declarei, depois de alguns segundos, pegando novamente sua mão e retornando o caminho até o topo. Loke sorriu encorajador, e não pude deixar de sorrir também. Nunca imaginara que ele seria meu apoio numa hora dessas. Definitivamente, se eu tivesse que subir aquela escadaria sozinha, eu já teria fugido daquele lugar.

Levy POV

Quando vi Lucy entrando no salão, sinceramente, eu não acreditei que era ela. Ela parecia uma princesa com aquele vestido rosa, com os cabelos loiros presos em um coque frouxo e uma fina e pequena coroa por entre seus cabelos. Olhei para o meu primo para provocá-lo, mas logo desisti ao estranhar a maneira com que olhava para Lucy. Ele estava boquiaberto e suas pupilas dilatadas, mais escuras que o normal. Lisanna estava fula ao vê-lo olhar para Lucy daquele jeito, e saiu andando até sua irmã que estava com Laxus e sua gangue do outro lado do salão.

Lucy abraçou Jude, e depois cumprimentou Cheria e seus pais. Então seu pai a levou para cumprimentar cada um de seus sócios e possíveis futuros genros. Lucy parecia envergonhada, mas ainda assim sorria e era simpática com todos. Demorou um pouco, mas ela chegou onde estávamos.

– Lu-chan, você está parecendo uma Barbie princesa – falei, e ela riu.

– Levy-chan, não diga isso – seu rosto ficou levemente corado, e ela sorriu.

– Mas está parecendo mesmo, Lu-chan – Wendy a abraçou, e depois foi a vez de ela cumprimentar meus tios. Natsu, que estava sozinho no canto, juntou-se a nós no pior momento pra ele.

– Lucy, você está linda como sempre – Saeko a abraçou forte. – Quem me dera ter uma moça tão bonita e educada como você.

– Mãe – Natsu murmurou, virando o rosto. Ele e Lucy estavam da cor dos cabelos da Erza, o que eu achei muito engraçado.

– Lucy, você é tão radiante quanto tua mãe quando tinha sua idade – Igneel, pai de Natsu, quebrou a tensão, abraçando Lucy. – Não ligue para a minha esposa, você sabe que ela gosta de deixá-los desconfortáveis – falou, e Lucy riu.

– Acho que não tem como eu ficar mais desconfortável do que já estou, Sr. Dragneel.

– Eu sei que Jude deve ter lhe falado para ser educada, mas nós nos conhecemos a tempo demais para toda essa formalidade – meu tio falou.

– Ah sim, sinto muito – e então parou a frente de Natsu, que a fitou intensamente, e os dois coraram. Meu tio segurava minha tia para que ela não tivesse um ataque ao ver a cena, e eu fitei Lisanna, a qual os irmãos também seguravam. Ela estava louca de ciúmes. Todos os nossos amigos estavam nos olhando, mas a festa seguia normalmente, com todos os convidados conversando.

– Natsu Dragneel, seja cavalheiro – Saeko falou, rispidamente, e Natsu suspirou, pegando a mão de Lucy e depositando um beijo. Eu não tirei os olhos dos dois, mas acho que minha tia poderia ter desmaiado de tanta emoção, mas Igneel a tirou de perto de nós e foi até Jude.

– Feliz aniversário, Luce – falou, e os dois voltaram a se fitar nos olhos.

– Ah, eu... eu... – ah, Lucy, você tinha que ficar nervosa logo agora? – Obrigada por virem, por favor, aproveitem a festa – sorriu docemente mais uma vez, e continuou seu caminho até nossos amigos. Lisanna veio rápido até nós.

– Como você ousa fazer isso na minha frente? – ela perguntou, brava, e Natsu tornou a se sentar, com um suspiro irritado.

– Lisanna, se você quer tanto causar um barraco, deveria ter deixado para outra festa – ele falou, e ela ficou calada, olhando para o chão.

– Você não deveria ser tão carinhoso com uma garota que nem amiga sua é, Natsu – falou, e depois saiu correndo pelo salão até sua irmã. Mirajane deu de ombros com um sorriso despreocupado, e levou a irmã até uma mesa, onde se sentaram e Lisanna começou a chorar.

Então eu percebi que Lucy observava tudo junto com os outros, e caminhou lentamente até Lisanna, sem se sentar à mesa junto com as duas irmãs. Acho que ela não conseguia nem sentar com tanto vestido daquele jeito. Ela falava calmamente, e Mira a encorajava, enquanto Lisanna fazia caras feias, mas logo parou e prestou atenção, colocando-se a chorar novamente.

– Acho que a Lu-chan vai resolver o seu probleminha, priminho – Wendy falou, tomando um gole de um copo d’água. Natsu suspirou, jogando a cabeça para trás.

– Tanto faz pra mim – falou, desinteressado. Seus olhos voltaram ao normal, bem como sua personalidade incrivelmente irritante.

– Natsu, admita – falei. — Você gosta da Lucy, e não é como uma amiga apenas, sempre foi bem mais do que isso, e você sabe disso. É só terminar com a Lisanna.

– As coisas não são tão fáceis como na sua cabeça, tampinha – eu quase retruquei, mas decidi ficar em silêncio. Pelo menos ele não negou que gostava dela.

Lisanna POV

– Nee-san, eu não aguento mais isso – falei, chorando, enquanto me sentava com minha irmã em uma mesa. – Quanto tempo eu vou ter que continuar fingindo que está tudo bem? Ele nem mesmo liga mais para mim.

– Lis, acho que você está exagerando. No fundo, Natsu é um bom garoto que zela pelas pessoas próximas – Mira-nee falou, sorrindo calmamente. – Ele só não sabe como demonstrar isso.

– Eu não estou exagerando, você mesma sabe que ele sempre gostou da...

– Hã... com licença? – então ela parou a nossa frente. Aquela postura reta, os cabelos loiros, os olhos com cor de chocolate, e até mesmo o cheiro de seu perfume me incomodava. – Eu não pude deixar de perceber o que aconteceu...

– E de quem é a culpa por ele ser desse jeito comigo? – perguntei, rispidamente.

– Lisanna, eu sinto muito se te causei alguma má impressão – pode ter certeza que sim, loirinha oxigenada -, mas eu não tenho intenção alguma de ficar com Natsu de alguma forma mais séria do que apenas amizade – ela sorriu, um sorriso mais doce do que o da minha irmã.

– Você deveria ouvi-la, Lis, são os sentimentos dela que falam agora, e você deve conhecê-los – Mira falou, pegando a mão de Lucy e a minha.

– Sei que você gosta muito do Natsu, e eu nunca na minha vida, nem mesmo para o eu pior inimigo, desejaria uma dor tão grande como a dor de não ser correspondido por quem amamos.

– Como você pode entender? Você nunca deve ter passado por isso antes, é você que arrasa os corações dos caras do colégio, todos falam de você – falei, e ela abaixou a cabeça, com um sorriso de canto.

– Acredite, eu sei como é. Eu senti isso na minha pele – ela falou com um sorriso triste. – Mas mesmo que eu ame essa pessoa, eu tenho um compromisso com meu pai, e devo cumpri-lo, casando com quem ele achar melhor parar mim – ela fitou seu pai conversando em meio a uma grande roda de pessoas. – Esse baile não é para comemorar meu aniversário exclusivamente, mas é a única chance que tenho de conhecer meus pretendentes antes que um deles seja escolhido e eu seja obrigada a casar com ele.

Uma lágrima escorreu por sua bochecha, e ela nem mesmo se preocupou em limpá-la. Minha irmã, que sempre sorria, estava com os olhos marejados de lágrimas, e tentava sorrir em vão. Eu não entendia muito bem o que estava acontecendo, mas senti algumas lágrimas escorrerem sem minha permissão.

– Sabe Lisanna, se você tiver a oportunidade de fazer com que Natsu tenha olhos somente para você, você poderá ser feliz, se for o que realmente deseja – falou, levantando o rosto e sorrindo para mim. – Mas você deve seguir o caminho que o seu coração desejar. Lute pela sua felicidade. Se Natsu não vale a pena e sempre te faz chorar, você deve ir atrás de alguém que reconheça o seu valor, e que te ame com sinceridade.

– Lucy, eu... – comecei a falar, mas um garoto da Blue Pegasus, Hibiki, apareceu.

– Lucy-sama, seu pai pediu para que eu iniciasse o baile com uma dança com a moça mais linda da festa – falou, com um tom de voz sedutor, até perceber que ela derramava algumas lágrimas. – Lucy? O que há de errado?

– Nada, nada – ela falou, limpando as lágrimas. – Então vamos começar esse baile, certo? – ela respirou fundo, ao máximo que dava com aquele espartilho pelo que pude perceber, e sorriu, pegando a mão de Hibiki e indo até o centro do salão.

– Lucy é mais sábia e madura do que imaginava, não é mesmo? – Mira falou, olhando a loira com admiração. – Você deveria ouvir suas palavras... Eu concordo plenamente com tudo que foi dito, e você sabe disso.

– Ela falou aquilo para poder ter o Natsu só para ela – falei, fazendo birra. A verdade é que eu não pensava mal a respeito de Lucy agora, ela parecia falar do fundo do seu coração. E ela tinha razão. Eu deveria buscar minha felicidade. Com ou sem Natsu.

– Você tem a chance de escolher com quem ficar, Lis – falou. – Eu tenho essa chance. E sabe por que choramos quando ela falou? Porque nós sentimos sua dor, tristeza e angústia. Já imaginou se nosso pai decidisse traçar nosso futuro e escolher com quem casaríamos? Lucy está vivendo isso agora. Acha que ela está feliz com isso? Não poder ficar ao lado de quem ama?

Mira se levantou e andou até Laxus e seus amigos. Olhei para Erza e Jellal, tão felizes juntos, rindo. Gajeel e Levy também pareciam felizes, apesar de estarem discutindo. Até mesmo meu irmão Elfma e Evergreen, e Wendy e Romeo, que dançavam desajeitadamente. Ocorreu-me que quando estamos com quem amamos, ficamos felizes sem perceber.

Mas meu olhar parou em Gray, que parecia chateado em seu canto, fitando o salão. Segui seu olhar e percebi Juvia dançando abraçada com Lyon. Ela também não parecia muito feliz, e olhava para Gray de vez em quando, quando o moreno desviava o olhar. Então olhei para Natsu, que fitava Lucy enquanto a mesma dançava com Hibiki. Ela estava sorridente e conversava com o garoto, mas algo em seu olhar dizia que ela não estava feliz com isso. Natsu amava Lucy, e não a mim. Se não estamos com quem amamos, sofremos, e deixamos de ser felizes. Eu sempre soube disso, desde aquela noite de verão em um dos restaurantes do meu pai que passava pelo seu dia de inauguração, dois anos atrás.

Flashback ON

Eu nunca contei isso para o Natsu, e nem para ninguém. É algo que eu guardo apenas para mim. Na noite da inauguração de um dos menores restaurantes de meu pai em Magnólia, um pequeno lugar onde, desde aquele dia, comíamos macarrão. Era verão, e o Sol já havia sumido, deixando a lua brilhar no céu escuro e estrelado, com a costumeira brisa quente que se sentia sempre naquela cidade.

Eu acabara de chegar e estava acabada. Eu amei um garoto por tanto tempo, e quando começamos a namorar, ele me traiu, e quando eu descobri, ele terminou comigo com a desculpa “Se eu te traí, é porque você não é o suficiente”. Eu chorei por noites, até que decidi vir para Magnólia morar com minha irmã em seu apartamento, e estudar na Fairy Tail High School.

Mira dissera para eu ir ao restaurante do papai que inaugurara naquele mesmo dia, com o pretexto de que eu deveria esquecer aquele idiota, e que conheceria pessoas com as quais eu estudaria. Eu fui porque achava que deveria ter algumas experiências que talvez fizessem me esquecer de tudo aquilo pelo que passei.

Quando cheguei em frente ao local, ouvi muitas risadas vindas de lá de dentro. Imediatamente, fiquei animada e curiosa para saber o que se passava, e então tomei coragem para entrar. Estava tudo uma bagunça. Juntaram todas as mesas numa mesa só, bem comprida, e um grupo estava sentado comendo, rindo e conversando.

Mira estava com as pessoas “mais velhas” do grupo, que seriam meu irmão Elfman, um cara loiro com uma cicatriz no rosto, uma garota de cabelos castanhos compridos e óculos, um cara de cabelos verdes, longos e lisos, e um com um capuz que estava de costas para mim.

Entre os mais novos tinha um de cabelo rosa (bem exótico) discutindo com um moreno. Duas de cabelos azuis, sendo que uma torcia pelo moreno na briga, gritando “vai, Gray-sama”, e outra discutia com um mais alto de cabelos pretos e cheio de piercings pelo rosto. A diferença entre elas era óbvia. Uma parecia ser mais velha que a outra, sendo a do “Gray-sama” mais alta e com o cabelo ajeitado, e a outra com jeito de inteligente, com o corpo semelhante ao de uma criança, e os cabelos azuis bagunçados.

Uma garota de cabelos vermelhos conversava com um garoto de cabelos azuis e uma tatuagem estranha no rosto (mas que coisa, todos tem cabelo azul nessa droga?), um loiro que parecia fazer piadinhas sem graça para a garota de cabelos ruivos e um outro de cabelos escuros e pele clara, que não falava nada.

– Ah, Lisanna! – minha irmã me notou, e todos congelaram, fitando-me. – Parem de bagunçar um minuto para eu poder apresentar minha irmã para vocês! – ela sorriu e veio até mim, empurrando-me mais para perto da mesa.

Meus pais frequentaram a Fairy Tail High School, onde se conheceram, e depois casaram. Ainda em Magnólia, eles tiveram Mirajane, e depois Elfman, e então se mudaram para Hargeon, onde eu nasci. Meus irmãos vieram para Magnólia para estudar no mesmo colégio que nossos pais, mas eu não tinha essa vontade. Eu nunca conheci ninguém daqui, mas meus irmãos chegaram a conviver com essas pessoas quando eram pequenos.

– Seja bem vinda, Lisanna – a garota de cabelos ruivos tomou à frente. – Eu sou Erza, e aquele idiota quase sem roupa, é meu primo, Gray – falou, e o “Gray-sama” saiu correndo procurando suas roupas.

– Hã, prazer – falei, meio tímida. A garota de cabelos azuis mais alta se levantou rapidamente.

– Juvia tem agora uma rival no amor – e depois disso grudou em Gray, sempre me encarando.

– Eu sou a Levy, e esses são os irmãos Lockser, Juvia e Jellal, Gajeel RedFox, os gêmeos Sting e Rogue– ela foi apresentando-nos rapidamente, mas era difícil lembrar tantos nomes. – E por fim, meu primo, Natsu Dragneel – ela chegou à ponta da mesa, onde se sentava o garoto de cabelos rosados.

– E aí? – perguntou, sorrindo, e logo começou a implicar com Gray novamente. Minha irmã me virou onde os amigos dela estavam.

– Lis, esses são Bickslow, Freed, Evergreen e Laxus – ah, então esse era o Laxus. Eles fizeram o ensino médio juntos, e minha irmã sempre me falava desse tal de Laxus. Ela provavelmente era apaixonada por ele desde a primeira vez em que discutiram no colégio.

– Prazer, eu sou a Lisanna – falei, envergonhada, e minha irmã falou para eu me sentar com os mais jovens. Acabei por descobrir que todos ali tinham a mesma idade. Juvia e Jellal eram filhos do mesmo pai apenas, e moravam atualmente com a mãe de Juvia. Sting e Rogue eram mesmo gêmeos, mas não idênticos, pode ter certeza. Erza e Gray eram primos e moravam juntos na casa dos Fullbuster porque Erza perdera seus pais quando criança. Levy morava com sua irmã mais nova, Wendy, na casa de Natsu, porque seus pais viviam viajando por causa do trabalho.

Então chegou a vez de eles me interrogarem. Respondi de tudo, até das perguntas mais simples, como “de onde você é?” e “quantos anos você tem?”, até “você gosta de comer peru na ceia de Natal?”.

– Luce iria gostar de conhecer você, pena que ela não está aqui – Natsu falou e todos concordaram.

– Quem é... Luce? – perguntei, confusa, e Levy de dispôs a responder.

– Lucy Heartfilia – uau, grande nome. Até onde eu sabia, a família Heartfilia era apenas um pai e sua única herdeira, sua amada filha, que perdera a mãe anos atrás. Ela tinha tantas responsabilidades, mesmo sendo uma adolescente, que eu nunca aguentaria carregar nas costas, pelo que eu ouvira. – Ela estuda com a gente, você vai gostar dela, ela é muito legal.

– Sim – Natsu concordou, com um sorriso meio triste que não passou despercebido por ninguém.

– E por que ela não está aqui? – perguntei, e um silêncio mortal pairou juntamente com tensão no ar. Cheguei a pensar o pior, até que...

– Ela tem certas responsabilidades sendo a única herdeira da família Heartfilia que inclui estar presente em todos os eventos que seu pai julga importantes. Hoje é um deles, e por isso ela não pôde vir – Gray respondeu.

– Juvia acha isso triste. Lu-chan parecia tão animada em vir à inauguração do restaurante – Juvia falou, com um tom de voz choroso.

– Que cara é essa gente? Estão agindo como se a Luce tivesse morrido – Natsu se pronunciou. – Ela prometeu que passaria aqui quando chegasse em casa, lembra? Luce nunca quebra uma promessa – eu cheguei a ficar com inveja de Lucy. Ela era uma garota de sorte, Natsu parecia gostar muito dela.

As horas passaram rápido o bastante para eu me esquecer de que estava sofrendo por amor até 24 horas atrás. Todos ali eram muito divertidos. Olhei no relógio do restaurante, e o mesmo marcava 00h30min. Eu nunca ficara tanto tempo rindo em toda a minha vida.

– Está preocupada com o horário? – Natsu perguntou, e eu balancei a cabeça, dando de ombros. – Acostume-se, porque nossas “reuniões” sempre vão longe.

– E seus pais não se importam com o horário? – perguntei, e ele deu de ombros, fitando o relógio.

– Acho que desde que sejamos responsáveis quanto aos estudos e ao futuro profissional, nossos pais nos dão a liberdade que queremos – então um sorriso triste se formou em seu rosto. – Luce é a que mais paga pela sua liberdade, entre todos nós. Ela tem um acordo com seu pai que ela pode fazer o que quiser conosco não importa quando, mas um dia ela deverá se casar com quem seu pai escolher para ela, e nesse tipo de evento que ela foi hoje, ela conhece várias pessoas importantes com as quais ela vai ser obrigada a conviver futuramente.

– Isso é horrível – comentei. Eu talvez não suportaria me casar com alguém que meus pais escolhessem para mim. Um casamento sem amor, por interesse, não faz ninguém feliz.

– Mas há muito tempo ainda, Luce é uma garota... incrível, ela vai dar a volta por cima, e mudar esse acordo algum dia – ele falou, seu sorriso já não tão melancólico. Eu sorri carinhosamente para ele. Era fantástico ver alguém que se importava tanto com outra pessoa. Nós começamos a rir um da cara do outro, quando eu percebi alguém parado na porta do restaurante.

Era uma garota da nossa idade, com curvas bem definidas por um vestido longo e solto branco um tanto sujo na barra, segurando um par de sapatos de salto pretos. Seus cabelos loiros estavam soltos e desajeitados. Estava ofegante, e seus olhos pareciam marejar de lágrimas. Foi então que eu entendi. Natsu amava Lucy, e essa era Lucy. Ela saiu correndo, e ninguém mais pareceu perceber sua presença. Ela olhara em minha direção, e foi aí que eu percebi que estava com um braço entrelaçado com o de Natsu.

Flashback OFF

Eu penso até hoje que deveria ter corrido atrás dela, ou mandado Natsu ir atrás dela, mas acabei ficando em silêncio. Tudo seria diferente entre eles se eu tivesse avisado que ela tinha saído correndo. Dias depois, ela não falava com ele, e evitava sair quando o grupo estava todo reunido.

Na época em que perguntei se Natsu queria ser meu namorado, quando o mesmo estava abalado pelo que acontecera entre ele e Lucy, eu descobri que naquela noite em que eu o conheci, ele iria se declarar pra Lucy, e ela faria o mesmo, mas ao me ver junto com ele, nada foi revelado porque ela fugiu.

Eu estraguei a amizade que os dois tinham desde pequenos, e o amor que tinham um pelo outro que duraria para sempre. Eu me arrependia amargamente por isso, mas ela mesma deu o parecer de que não tinha interesse nele. Ela nunca admitiu estar interessada nele. Se for assim, eu lutaria por quem eu amo, mesmo que essa pessoa amasse outra.

Lucy POV

– Eu não vou muito bem nos estudos, mas esse ano eu certamente estou melhor do que ano passado – Hibiki falou, sorrindo. Ele também não parecia nada confortável com a situação de ser um pretendente para se casar comigo.

– Ei Hibiki – falei, e ele passou a ficar com a mesma expressão séria que eu, prestando atenção. – Sinto muito.

– Pelo quê? – ele perguntou, girando-me assim que a música permitiu.

– Por ter que te fazer passar por isso – ele me colou ao seu corpo, e continuamos a dançar lentamente.

– É seu pai que está fazendo isso com você, e não você comigo – falou, fazendo-me encostar a cabeça em seu ombro.

– Ainda assim, sinto muito – falei. – Você não parece o tipo de pessoa que fica satisfeita em se casar com alguém que mal conhece.

– Quer que eu seja sincero? – perguntou, e eu levantei a cabeça, fitando-o. – Quando meu pai falou que eu seria um pretendente de casamento para uma garota que nem conhecia, eu fiquei revoltado. Mas a sua beleza acalmou minha raiva, Lucy-sama.

– Fala sério – falei rindo, e ele riu também.

– Estou falando sério. Mas ainda assim, tanto eu quanto você tivemos nossa liberdade de escolha tirada de nós – falou, pensativo. – Digamos que nos sentimos da mesma maneira.

– Você... ama alguém? – perguntei, e ele suspirou profundamente.

– Sim – respondeu, depois de algum tempo em silêncio. – E pelo jeito, você também.

– Eu? – senti meu rosto esquentar cada vez mais. – Eu não... – e nós giramos. Pude ver Natsu de relance, sentado em sua cadeira, com aquele ar de entediado que sempre teve — ...amo ninguém.

– É o de cabelo rosa? – perguntou, com um sorriso malicioso à la Levy McGarden. – Ele parece bem interessado em nós.

– Como? – meu rosto esquentou mais, e provavelmente estava da cor do meu vestido.

– Seu rosto vermelho entrega tudo, deveria parar de corar tão facilmente.

– Não tenho culpa se todos fazem perguntas inconvenientes que me deixam vermelha – falei, e ele riu.

– Você o ama, não ama? – perguntou mais uma vez, e eu pude olhar para Natsu outra vez. Ele realmente olhava em nossa direção. Meu coração bateu mais rápido.

– Eu não sei – respondi. – Mas não posso demonstrar nenhum sentimento por ele, se é que há algum.

– E por quê?

– Porque... – quase senti uma lágrima querer escapar, mas não ia ser hoje que eu choraria por Natsu. – Porque a vida é complicada, e tudo isso é uma droga.

– Concordo plenamente. Tudo isso é uma droga – e me abraçou. Eu achava que Hibiki era um pegador, sem sentimentos, mas agora minha ideia sobre ele mudara completamente. Ele era uma boa pessoa, que tinha os mesmos sentimentos que eu, aparentemente.

E com o final da música, troquei de parceiro. E troquei mais uma vez. E depois outra. Dancei com tantos garotos desconhecidos que já nem me lembrava muito dos seus rostos e nomes. Gray caminhou até mim, para dançar comigo também. Afinal, eu tinha que dançar com todos os jovens da festa, amigos e desconhecidos.

– Gray? – chamei, e ele me fitou. Juvia e Lyon dançavam juntos, sem trocar uma palavra há um bom tempo. – Por que não admite logo seus sentimentos por ela? Talvez ela volte para você.

– Sentimentos por quem? – ele perguntou, fazendo-se de desentendido.

– Não se faça de idiota, você sabe muito bem do que eu estou falando.

– Eu a maltratei tanto que ela nunca largaria Lyon, não por mim – falou, com a voz triste.

– Desde que você e Lyon se encontraram as coisas entre eles pioraram – comentei, e ele pareceu mais entretido. – Acho que ela ainda gosta de você, Gray-sama.

– Então o que eu faço, Lu? – ele perguntou, esperançoso.

– Faça o que o seu coração mandar – respondi, e mais uma música acabou. Ele voltou para sua mesa, pensativo. Gray, Gray, em certos aspectos, você era tão bom nesses assuntos quanto Natsu.

Natsu POV

Pareceu que uma eternidade se passara enquanto Lucy dançava com todos aqueles caras. Eu quase não pude me controlar quando Lucy dançou abraçada com aquele tal de Hibiki. Eles sorriam e riam um para o outro, e isso me deixava irritado, mas por sorte Levy me lançava aqueles olhares maliciosos que me mantinham petrificado como se nada de mais estivesse acontecendo.

Lisanna não viera falar comigo mais depois de conversar com Lucy, e logo depois foi embora com o pretexto de que não estava se sentindo muito bem. Meus amigos conversavam animadamente, com exceção de Gray, que parecia pensativo sentado ao meu lado. Lançava olhares significativos, porém tristes para a pista de dança, que me faziam imaginar o que tanto lhe distraía.

Então Rogue trocou com seu irmão e começara a dançar com Lucy. Eu ia me levantar, mas Levy me lançou um super olhar malicioso pior do que os outros, e murmurou “vai lá, vai”, o que me deixou irritado e então decidi ficar ali mesmo.

Um minuto se passou, e eles ainda se olhavam, sorrindo e dançando lentamente. Dois minutos. Três minutos, e a música parecia estar chegando ao fim, e o clima pareceu ficar mais pesado enquanto eu os olhava, e eu juro que tive o pressentimento de que eles iriam se beijar. Se isso acontecesse, na frente de todas aquelas pessoas, as coisas poderiam ficar mais sérias, especialmente pelos pais de Rogue e Sting estarem ali, e os dois serem considerados pretendentes de Lucy.

– Natsu, vai logo – Levy falou, desesperada, puxando-me da cadeira.

– Ir aonde? – perguntei, fazendo-me de desentendido. Ela parecia preocupada de verdade com Rogue e Lucy.

– Se você não se apressar, RoLu vai ser real – ela falou, nervosa. RoLu? Ah, Rogue e Lucy. Só por cima do meu cadáver RoLu seria real.

– Tudo depende de você Natsu – Erza falou, largando Jellal. – Vocês dois são orgulhosos demais pra admitir que se gostam. Você deve ceder para que NaLu seja real, para a felicidade de todos!

– NaLu? – perguntei, envergonhado. De onde eles tiravam isso? Gray começou a rir, e Erza lhe deu um tapa na cabeça.

– Não ria, você também tem que fazer Gruvia ser real – falou, e Gray corou tanto que a cor do seu rosto combinava com os cabelos vermelhos de Erza. – E coloque uma camisa, pelo amor de Deus! Que mania de ficar se despindo na frente dos outros.

Depois disso, meus amigos me empurraram para a pista de dança, e os rostos de Lucy e Rogue começavam a se aproximar. Eu entendi porque Levy me mandou até ali. Meu coração começou a bater mais rápido, e eu puxei Lucy de perto dele. Todo mundo nos olhou. Vi Levy e Erza batendo as mãos, sorrindo.

–Hã – agora eu estava com vergonha mesmo. Não sei o que era pior: Erza falando de “NaLu” ou “NaLu” parecendo real. – Se me der lincença, eu gostaria de dançar com a aniversariante.

Eu puxei Lucy mais para o canto, e todos voltaram ao normal. Rogue estava meio perdido, então logo voltou para sua mesa. Lucy era a que estava mais confusa, sem dúvida. Ela me fitava com aquele olhar estranho de quem não entendia nada. Juntei uma de suas mãos com a minha e pousei a outra sobre sua cintura. Imediatamente, ela colocou sua mão livre sobre meu ombro, e começamos a nos mover no ritmo da música. Sem dúvida, eu devia estar vermelho.

– Er... Natsu? – ela chamou, e eu a fitei. Agora ela também estava levemente corada, então devia ter percebido o que acabara de acontecer. – Aquilo foi muito rude de sua parte.

– Pelo menos não era eu que ia beijar um cara qualquer – provoquei, e ela fez uma careta irritada.

– Você não tem jeito mesmo, não é? Que coisa – falou, ficando em silêncio. Eu acho que tinha conseguido irritá-la com aquela frase.

– Desculpa – quebrei o silêncio entre nós que durara um minuto. Ela suspirou e olhou nos meus olhos. – O que foi?

– É que... nada – suas pupilas estavam meio dilatadas, o que deixava seus olhos ainda mais bonitos, só que ela desviou o olhar rapidamente, e suas bochechas coraram.

Lucy POV

Eu senti minhas bochechas começarem a esquentar, então decidi desviar o olhar. Meu coração batia tão rápido que parecia querer escapar de dentro de mim. Eu não tinha a intenção de querer beijar Rogue, mas eu sei que isso quase aconteceu. Se meu pai visse, eu estaria acabada. Com certeza ele fecharia o “acordo” com os Cheney, e eu estaria prometida para Rogue. Ou pior, ele poderia tirar a minha liberdade para dar opinião nesse assunto.

– Luce? – Natsu me chamou com sua voz meio rouca. Eu engoli em seco, e levantei meu rosto. Sua expressão era completamente diferente de todas as outras que eu já tinha visto até então. Ele não falou uma palavra sequer. Eu sentia meu corpo se movendo sozinho junto ao dele, e a música e as conversas cada vez mais longe.

Nossos corpos ficaram a pouquíssimos centímetros de distância. Não me parecia a maneira mais apropriada de uma garota dançar em um baile para conhecer seus pretendentes de casamento, mas meu corpo não queria responder aos meus pensamentos, e se distanciar. Pelo contrário. Nossos corpos pareciam opostos querendo se atrair.

– Com licença – Igneel apareceu e nós paramos, fitando-o. – Desculpe atrapalhar a dança, Srta. Aniversariante, mas eu preciso do meu filho por algum tempo.

– Ah, não há problema — sorri, mas sentia que minha mão não queria soltar a de Natsu, e me senti incrivelmente solitária quando ele, seu pai, e até meu pai saíram do salão rapidamente. Fiquei parada no meio do salão, sentindo-me perdida, sem saber o que fazer.

Levy e Wendy se juntaram à Saeko e Loke, e eu senti que deveria ir até eles. Atravessei os casais que dançavam quase correndo. Saeko tinha uma expressão preocupada, e tentava explicar algo para as duas garotas.

– O que houve? – perguntei, curiosa, e Saeko cruzou os braços, nervosa.

– Algo aconteceu – ela respondeu. Uma resposta vaga demais, considerando que meu nível de preocupação aumentou.

– Jude comentou comigo que tinha que sair porque algo aconteceu com a casa dos Dragneel, e que iria junto ao seu amigo até lá – Loke se pronunciou. – E pareceu algo sério.

– Agora fiquei curiosa – Wendy falou, e uma ideia “perigosa” surgiu em minha mente.

– Vamos atrás deles – falei, correndo para a saída.

– Lu-chan, é seu aniversário, você deve ficar em sua festa – Levy falou, e eu olhei em volta, vendo um garçom passar.

– Com licença – chamei, e ele andou rápido até mim.

– Sim, Srta. Heartfilia?

– O jantar já está pronto para ser servido? – perguntei, e ele assentiu. – Ótimo, preparem-se para servir agora mesmo, eu terei que sair por algum tempo.

– Sim, é pra já – ele fez uma leve referência e correu até uma porta, onde eu julgava levar até a cozinha no andar debaixo.

– Vão chamando um carro – falei para Saeko, que assentiu. Ela estava tão nervosa e preocupada que não pensou duas vezes e saiu correndo, com Wendy e Levy seguindo-a.

– Lucy, o que você vai fazer? – Loke questionou, e eu pedi que parassem a música, o que chamou a atenção de todos ao tablado onde os músicos estavam.

– Um minuto de sua atenção, por favor – pedi, e alguém bateu em uma taça, fazendo todos no salão se calarem para me ouvir. – O jantar será servido agora, então eu peço a todos que se sentem em suas mesas para apreciá-lo — todos então começaram a se mover até suas mesas, e eu respirei fundo, correndo para a escadaria, onde Loke me parou.

– Lucy – ele chamou, e eu balancei a cabeça. Estava preocupada demais para esperar que os três voltassem.

– Fique e coordene tudo para mim, por favor – pedi, e ele se recusou, chamando uma moça e falando algo para a mesma.

– Vamos então – revirou os olhos e sorri para ele. Melhor primo do mundo. Segurei a saia de meu vestido para poder andar mais rápido e desci a escadaria, indo ao encontro de Levy, Wendy e Saeko, que entravam em uma limusine. Elas me ajudaram a entrar, e Loke se sentou ao meu lado.

– Para a casa dos Dragneel – Saeko ordenou, e o mordomo assentiu. – Rápido, por favor, é uma emergência – e disparamos na rodovia. Na velocidade em que ele estava, chegaríamos rapidamente.

A limusine quase chegava ao seu destino, faltava apenas virar uma esquina, quando eu vi dois homens falando com um cara de uniforme que parecia ser um bombeiro e três homens vestidos de preto. Então um clarão surgiu, e eu vi uma grande construção em chamas. Saeko começou a chorar, assim como Levy e Wendy, e elas fizeram o motorista parar ali mesmo, e saíram correndo do carro.

Loke me ajudou a descer ali mesmo também, e corri atrás das três que iam de encontro com o grupo em frente à casa em chamas. Era uma visão realmente perturbadora, até para mim. Igneel abraçara sua esposa, e Levy correra até um garoto de cabelos rosados parado há alguns metros da casa. Olhei para Loke, que segurou meu braço, e apontou para meu pai, que tinha uma expressão triste em seu rosto também. Ele virou levemente seu rosto, e quando me viu, pareceu ficar bravo.

– Lucy! Era para você ficar na festa – falou, bravo, e eu suspirei.

– Desculpe papai, mas está tudo sob controle, acredite em mim – falei, e ele respirou fundo, voltando a conversar com os homens de preto. Levy chorava ao lado de Natsu, que permanecera imóvel desde que eu chegara. Decidi andar até eles, e pousei minha mão sobre o ombro de Levy. Ela se virou e me abraçou, chorando, e Loke a puxou até Saeko, deixando Natsu e eu a sós.

– Você deveria estar na sua festa – falou, depois de algum tempo, com um sorriso triste. Um calor incrível vinha da casa que ainda ardia em chamas.

– Sinto muito – falei, deixando algumas lágrimas escaparem. Ele me olhou curioso.

– Está chorando por quê? – perguntou, e eu dei de ombros.

– Eu estou chorando o que você deveria estar chorando, Dragneel – respondi, e ele me puxou para um abraço, e foi quando mais lágrimas insistiram em escapar. Consegui ouvir os batimentos cardíacos de Natsu, tão rápidos quanto os meus. Até hoje eu não entendo como ele conseguiu não derramar uma lágrima naquela noite.

Acabamos tendo que voltar para a festa, que não demorou a acabar, então nos juntamos todos na minha casa, onde os Dragneel, Levy e Wendy ficariam enquanto as coisas não se resolvessem. Saeko e Igneel estavam no escritório decidindo o que fariam, e optaram por reconstruir sua casa, uma vez que Saeko se recusava a sair do bairro.

Meu pai chamou Virgo para arrumar os quartos para os novos moradores. Igneel e Saeko em um, Levy e Wendy em outro, e Natsu no quarto ao lado do meu. Isso parecia até sacanagem. Ainda nem mesmo tínhamos tirado as roupas da festa, quando um detetive e um policial apareceram para falar sobre a casa e o que restara dela.

Levy e Wendy estavam nervosas, portanto Virgo as levou para o quarto em que ficariam e lhes deu água com açúcar, e eu e Natsu ficamos na sala de estar em silêncio, ele sentado no sofá branco e eu em pé. Um detetive apareceu, e depois de me elogiar, dirigiu-se ao escritório. Natsu pareceu ficar desconfortável com o elogio repentino, e eu decerto estava só o pó depois da noite que tive, então não concordei com o elogio, mas o agradeci da mesma maneira.

– Dá pra se sentar e parar de andar de um lado para o outro? – Natsu perguntou, e eu parei para encará-lo. – Ah é, você não deve estar conseguindo se sentar, por que não tira o vestido?

– Você é muito descarado mesmo, não é? Seu tarado – falei, e ele suspirou.

– Estou falando que você deveria tirar esse negócio que não te deixar sentar nem respirar, não estou sendo tarado – falou, e eu pensei a respeito. Sentar realmente não era uma má ideia.

– Então me ajude com isso – virei-me de costas para ele e puxei meu cabelo para frente. Ele desfez o laço do meu vestido, desabotoou alguns dos botões e puxou os fios que apertavam minha barriga e seguravam o saiote por baixo do vestido. Fiquei surpresa por ele saber o que fazer. Senti sua mão quente tocar minha pele fria, mas ele a afastou.

– Pronto – falou, e eu desabei no chão, aliviada.

– Você deve ter adorado isso, não deve? – virei-me de repente, e dei de cara com Natsu que tinha a pior das expressões de perversão que já tinha visto. – Idiota – falei, levantando a saia do meu vestido. Imediatamente ele ficou vermelho e desviou o olhar. Ouvimos uma discussão se iniciar no escritório e trocamos olhares. Levantamos e corremos até a porta do escritório e nos abaixamos ali para que não nos vissem enquanto ouvíssemos tudo.

– Então foi um incêndio proposital? – Saeko perguntou com a voz trêmula.

– E quem fez isso? – Igneel perguntou, com a voz firme e cheia de ódio. Troquei olhares com Natsu novamente, e continuamos a ouvir.

– Seja quem for não tirou nada dentro da casa, então conseguimos recuperar alguns objetos de valor – o detetive falou, colocando uma caixa de papelão sobre a mesa. Senti um olhar estranho em nossa direção e puxei Natsu rapidamente para o armário de casacos, que era de frente para o escritório, e deixei uma fresta aberta para podermos enxergar do lado de fora.

Vimos Saeko mexendo na caixa em desespero e chorando, então senti aquele estranho olhar fixo sobre nós novamente, e vinha de um cara ao lado do detetive, que encarava a porta do armário de casacos, então Natsu me puxou para dentro e fechou a porta. Eu fiquei sem ar por conta da maneira como ele me segurava, mas não pareceu reparar em como estávamos, pois continuou atento a conversa.

– A pessoa não parecia querer matar ou ferir alguém, ele soltou uma bomba de gás para os seguranças da parte de trás da casa desmaiarem e os da frente não perceberam movimentação alguma até que repararam no incêndio, quando já tomava conta do segundo andar. Se tivesse alguém dormindo em um dos quartos, eu receio que... – e o silêncio tomou conta do cômodo. Eu sentia a respiração de Natsu em meu pescoço, e quando eu pensei que as coisas não podiam ficar mais estranhas, ele me agarrou, virando-me para ele.

– Com toda essa roupa fica difícil fazer alguma coisa, não acha Luce? – perguntou, e eu senti meu rosto esquentar e arrepios percorrerem meu corpo quando ele tocou minha coxa por baixo do vestido. – Francamente, como você consegue sentar desse jeito com esse vestido enorme? – ele saiu de cima de mim. Tentei sentar de uma maneira confortável, mas não consegui.

– Natsu? – chamei.

– Oi?

– Você pode ver alguma coisa? – perguntei, corando. Não acreditei que faria aquilo, mas...

– Não, por quê? – ele deveria estar confuso agora, mas pelo menos eu poderia não me sentir tão culpada. A vantagem é que eu tinha alguma prática com vestidos como aquele, mas não conseguia tirá-lo até então porque sabia que Natsu estaria me vendo. O maior saiote ficava preso junto com o espartilho que ele soltou pra eu poder respirar melhor, e se eu o tirasse, todos sairiam também. Comecei a retirá-los com cuidado, já que estavam todos presos uns nos outros, e senti uma enorme sensação de alívio quando escorregaram pela minha perna e o vestido perdeu seu volume.

– Não sabia que você era dessas, Luce – Natsu segurou minhas mãos para que eu não fechasse todos os botões que haviam se desabotoado sozinhos por causa da maneira como me movimentava, já que a maioria já estava desabotoada. Ele afastou meus cabelos, jogando-os para frente, e depositou um beijo atrás da minha orelha, fazendo-me estremecer. Ele me virou e beijou minha boca. Primeiro um beijo calmo, que começou a ficar mais quente a cada segundo.

Sua mão escorregou pelas minhas costas, fazendo o vestido aberto descer cada vez mais, até que eu não consegui mais segurá-lo, mas por sorte, Igneel gritou algo e bateu a mão na mesa fazendo um estrondo, que nos acordou.

– Melhor sairmos daqui... – Natsu falou, e então parou e me encarou. Bem, eu não conseguia ver seu rosto direito, mas sabia que ele estava me encarando. Sua mão tocou meu pescoço e começou a descer, então eu percebi que meu vestido quase revelara a parte de cima do meu corpo por completo.

– Natsu – afastei-me com pressa e senti minha mão acertar algo duro e pontudo no chão. O que aconteceu a seguir eu não sei explicar direito, mas um alçapão se abriu e nós escorregamos para dentro dele, bem a tempo de o mesmo se fechar e escutarmos a porta do armário se abrir violentamente.

– Podia jurar que havia duas pessoas aqui – uma voz falou.

– Acho que está vendo coisas, Sr. Luther – outra voz, talvez a do meu pai, falou, e a porta do armário se fechou.

– Onde estamos? – Natsu perguntou, enquanto eu tentava em vão colocar meu vestido no lugar.

– Eu acho que... no subterrâneo da minha casa – respondi, pegando sua mãe. O escuro costumava me incomodar um pouco, e tinha medo de me perder ali.

– E como saímos daqui?

– Não faço a mínima ideia – respondi. – Talvez exista outro alçapão na biblioteca – falei, tentando encontrar a direção que a biblioteca ficava. Eu não queria correr o risco de ser vista com Natsu naquela situação, então optei por encontrar a biblioteca, onde havia uma escada que levava para o segundo andar.

Não demorou para que eu me localizasse sob a biblioteca e achasse um outro alçapão. Saímos daquele lugar escuro para entrar em um menos escuro, e subimos para o segundo andar. Ouvimos passos atrás de nós e rapidamente empurrei Natsu para dentro do meu quarto e tranquei a porta, mas como eu não podia ser menos desastrada, eu tropecei na barra do meu vestido e acabei caindo sobre ele.

– Ei Luce... – ele me fitou e eu pude enxergar um fraco brilho em seus olhos. – Eu acho que eu talvez não tenha fechado seu vestido direito.

– Você acha?

– Eu tenho certeza – ele falou, e eu senti que o vestido quase todo descera. Então eu estava praticamente só de calcinha em cima do Natsu. Meu rosto esquentou como nunca antes. Agora eu agradecia por estar tudo escuro, assim ele não enxergaria muita coisa.

– Você não fechou de propósito, seu tarado pervertido – choraminguei. Minha vergonha estava alcançando níveis astronômicos e Natsu parecia estar se divertindo com a cena. Achei que ele fosse me sacanear ou qualquer coisa do tipo, mas ele me beijou. Era um beijo lento e suave de início, então começou a se tornar mais feroz como se Natsu precisasse de mim tanto quanto eu sentia que precisava dele naquele momento. Uma de suas mãos escorregou pelas minhas costas abaixando ainda mais o vestido e a outra tocou meu rosto. Todas as vezes que Natsu me tocava sua pele estava sempre tão quente e a minha tão fria.

– Lu-chan? – alguém bateu à porta do meu quarto e eu pude ver a sombra por baixo da mesma. – Lu-chan, você está aí? – era Levy, e ela começou a bater mais vezes.

– Eles sumiram de vez, onde será que se enfiaram? – Wendy perguntou, e eu percebi a posição que estava com Natsu. A vergonha tomou conta do meu ser, mas eu não podia levantar.

– Nós podemos ser pegos, se você quiser isso – Natsu me jogou um olhar malicioso, e eu balancei a cabeça em desaprovação. Tarado.

– Vem cá – ignorei a vergonha que estava sentindo e o puxei até o banheiro, colocando meu roupão antes que ele acendesse a luz.

– Mas ah... – murmurou, chateado. – Achei que você queria me seduzir com seu corpo, mas ainda assim acho que não seria o suficiente.

– Cale a boca – falei, irritada, e abri a torneira para encher a banheira.

– Lu-chan? – Levy chamou.

– Levy? – perguntei.

– Ah, você está aí? – não, minha mãe que está aqui, eu estou dando um passeio pela cidade.

– Quem mais estaria? – dei uma risada nervosa, saindo do banheiro e empurrando Natsu para dentro, já que o mesmo me seguia. – Não. Saia – avisei, fechando a porta.

– Ah Lu-chan, você estava no banho? – perguntou, e eu assenti. – Bem, Virgo recolheu suas roupas que ficaram espalhadas pela casa e pediu para te entregar.

– Obrigada – peguei minhas coisas e quando ia fechar a porta, Levy me impediu.

– Por acaso não sabe onde o Natsu está, sabe? – perguntou, com um olhar indiscreto e eu dei de ombros.

– E eu vou saber onde aquele tapado se enfiou?

– Tudo bem então, já vou dormir, boa noite – falou, seguindo pelo corredor até seu quarto. Fechei a porta e a tranquei, aliviada mais uma vez, e Natsu saiu do banheiro, com o cabelo bagunçado meio úmido.

– Essa foi por pouco – murmurei, e ele me puxou para a cama. — Natsu, não vai começar com isso de novo.

– Francamente, Luce, como você quer que eu me controle enquanto você anda só com isso cobrindo seu corpo na minha frente? — perguntou, e eu suspirei irritada.

– Francamente, Natsu, como você quer que eu me vista quando você está dentro do meu quarto e não vai embora?

– Isso magoou – falou, fazendo uma careta, mas sorriu e se colocou em pé, saindo do quarto. Levantei-me e entrei na banheira para tentar relaxar, era emoção demais pra um dia só.

Notas finais
Hehe adoraria fazer um suspense agora do tipo "o que será que vai acontecer com entre o Natsu e a Lucy agora que eles vivem debaixo do mesmo teto" mas a maioria que lê já sabe né. Bem, dois avisos: o próximo capítulo é o primeiro hentai da fic, e o seguinte, vejam só, também é hentai, depois eles param por um tempinho. Até o próximo, minna-san! :3