Notas iniciais
Yo minna-san! Eu retornei dos mortos, e devo algumas explicações sobre meu desaparecimento. Primeiro de tudo, eu parei de escrever por causa do falecimento do meu único avô, que me deixou em choque. Eu acabei entrando em depressão pouco depois, e eu tive inúmeros problemas com meu namorado por causa disso. Logo, eu já estava em cima do vestibular e não sabia o que queria fazer da vida. Foi, de longe, a pior fase da minha vida e eu espero que não volte mais. A minha sorte foi que eu tinha minha amigas do meu lado num momento tão ruim, e eu me animei quando descobri o que queria realmente fazer da vida, e desde então, as coisas têm melhorado para mim. Eu estou dando um tempo do meu namoro agora, e depois do carnaval minhas aulas começam na faculdade, então não prometo postar toda semana, mas prometo postar sempre que der. Eu não vou abandonar essa fanfic, e nem a outra de FT, juro para vocês. Agradeço a todos que aguardaram pacientemente sem notícia alguma, e aqui está mais um capítulo para vocês. PS.: Esse capítulo tem hentai Gruvia escrito inicialmente pela minha grande amiga Senara-chan.

Levy POV

– Levy — alguém começou a me cutucar sem parar bem quando meu sonho parecia ficar melhor, mas eu me recusava a acordar pra valer. — Levy, pelo amor de Deus, acorda logo — senti um travesseiro acertar minha cabeça várias vezes, e não tinha mais como ignorar o incômodo que isso estava se tornando.

– Que é Wendy? — perguntei irritada, sentando-me na cama.

– É véspera de Natal — respondeu, e eu fiquei na mesma. — Você não ia com Natsu e Lucy até o centro atrás de presentes?

– É verdade, eles já acordaram? — Wendy olhou para o despertador antes de me responder e fez uma pausa.

– Eles saíram já tem mais de uma hora.

– Por que eles não me esperaram? Mas que droga! — levantei com um pulo, procurando por uma roupa bem quente já que estava muito frio lá fora e comecei a me vestir o mais rápido que conseguia.

– Na verdade tanto o Natsu quanto a Lucy vieram te chamar, mas você não quis levantar, então eles falaram pra você encontrá-los no centro.

– Quer dizer que eles foram juntos? Só os dois?

– É.

– Não acha que eles têm passado muito tempo juntos desde o aniversário da Lucy? — perguntei, enquanto escovava os dentes.

– Acho. Mas ao invés de ficar bolando teorias malucas sobre os dois estarem mantendo uma relação secreta, você deveria se apressar para ir logo — Wendy falou. — Eu estou indo encontrar a Meredy e os outros, até a noite.

– Até — respondi, e me fitei no espelho para pentear meus cabelos. Eu não tinha reparado até agora, mas dentro de casa, Lucy e Natsu ficavam sempre juntos conversando e rindo. Mas fora de casa eles se xingavam e discutiam. Eles estavam por acaso querendo manter a impressão de que ainda se odiavam pra ninguém reparar que estavam se dando bem novamente? Em meio a esses pensamentos eu me vesti e desci as escadas correndo, passando direto pela minha tia avisando que estava atrasada pra um compromisso.

Era sábado de manhã, dia 24 de dezembro, véspera de Natal. Um dia para se juntar com a família e amigos. Mas sempre havia os atrasados que não compravam os presentes de Natal antes e acabavam assim, no meio de um calçadão cheio de lojas lotado, com pessoas carregando sacolas e equilibrando caixas para que nada fosse ao chão. Eu tentei procurar por Natsu e Lucy, mas eu era baixinha demais para conseguir distinguir alguma coisa, então decidi ligar para Natsu.

– Levy, você só acordou agora? — ele perguntou, irritado, e quando ia começar a me xingar, Lucy pegou o telefone.

– Levy-chan, nós tínhamos combinado de sair cedo hoje! — ela falou. — Você não deveria ficar acordada até tarde conversando com o Gajeel e nos deixar de lado depois.

– Mas eu não... — antes que pudesse terminar minha frase, Natsu tomou o telefone da mão de Lucy.

– Agora você se vira para achar a gente — e desligou rudemente na minha cara. Enfiei o celular no bolso. Para onde eles teriam ido? Poderiam estar em qualquer lugar! Quando minhas esperanças estavam chegando ao fim, uma voz conhecida surgiu no meio de tantas pessoas.

– Tampinha? — Gajeel chamou, e eu me senti aliviada de alguém conhecido aparecer.

– Gajeel — senti meu rosto esquentar levemente. Eu sempre ficava assim, com o coração batendo forte perto dele. — O que está fazendo aqui?

– Seu primo pode ser um completo tapado insensível, mas me ligou para te procurar — respondeu.

– Ah... Obrigada — falei, e ficamos em silêncio.

– Então... Quer ir numa cafeteria? — perguntou, e eu assenti, então andamos até uma cafeteria de maids não muito longe dali, e pra minha surpresa, Natsu e Lucy estavam lá, conversando e rindo enquanto tomavam chocolate quente juntos.

– Olha só quem resolveu aparecer — Natsu falou e cumprimentou Gajeel. — Obrigado por achar ela pra mim.

– Tudo bem, não foi difícil achar uma tampinha fazendo o maior drama no meio do calçadão lotado na véspera do Natal — respondeu, e eu pude sentir a ironia em sua voz. Esses dois me irritavam. E o pior de tudo é que Lucy ainda riu.

– Bem, nós já vamos indo, até mais tarde Levy-chan — Lucy falou, puxando Natsu pro balcão da cafeteria onde deixou umas moedas e saiu da cafeteria. Poxa Lucy, por que fez isso comigo? Eu conversava muito com Gajeel por mensagem e tudo o mais, mas eu sentia muita vergonha de falar com ele pessoalmente, e sempre ficava um clima pesado entre nós, até que...

– Então, o que você acha do Natsu e da Lucy?

Lucy POV

Eu me sentia mal em abandonar a Levy com o Gajeel, mas eles se gostavam e conversavam um monte, menos quando estavam juntos pessoalmente e sozinhos. Era só um empurrãozinho de vingança, mas faria bem a ela. Quanto a mim, bem, a presença de Natsu não me incomoda mais como antes, e ele também parece confortável ao meu lado. Nós caminhávamos pelo calçadão lotado lado a lado, e por impulso acabei segurando seu braço com medo de me perder naquela multidão, mas ele não reclamou.

– O que faremos antes de voltar para casa Luce? – ele perguntou, e eu dei de ombros.

– Bem, eu acho que você poderia me ajudar a achar um vestido para a noite de hoje – respondi, e ele me olhou com um sorriso malicioso. – Não nesse sentido seu tarado, pra usar durante a ceia de Natal.

– Posso tirá-lo depois?

– Quando você ficou pervertido desse jeito? – perguntei, e ele riu.

– Não se preocupe, eu não vou tirar sua roupa...

– Ótimo.

– A menos que você queira – completou, e eu o encarei, com o rosto vermelho.

– Não Natsu, só... não – falei e ele fingiu estar chateado, então começamos a rir no meio da rua.

– Hm, quando foi que começaram a se dar bem assim? – uma voz feminina perguntou, e demos de cara com Erza e Gray, segurando várias sacolas e caixas.

– Nossa Gray, você está perdendo pra Erza? – Natsu perguntou. Enquanto Gray se matava para segurar e equilibrar tudo, Erza parecia carregar o mesmo volume de embalagens com a maior tranquilidade.

– Não tenho culpa que minha prima é um monstro – Gray falou, e Erza olhou feio para ele.

– Eu não sou um monstro – falou. – Eu malho, é diferente – completou, com um sorriso superior. – Nós já vamos indo, temos que correr atrás de mais coisa, até outra hora.

– Até – acenei para os dois que logo se distanciaram. Acho que nossos amigos começariam a estranhar a nossa proximidade repentina, porque eu mesma ainda estranhava muito, mas era bom ter Natsu sempre perto de mim agora, eu conseguiria me acostumar a isso.

Natsu POV

Lucy voltara a ser sempre sorridente. Lembro-me de quando sua mãe morreu e ela se afastou de todos, nem mesmo eu, que vivia grudado com ela consegui animá-la novamente, e por isso nunca mais tentei me aproximar. Agora que estávamos próximos novamente, eu percebia o vazio que existia dentro de mim durante todos esses anos, a saudade que eu sentia de Lucy.

Paramos em frente a uma boutique e Lucy decidiu entrar, desfazendo-se de sua jaqueta branca, das luvas, do gorro e do cachecol. Ela sentia muito frio, disso eu me lembrava desde pequeno. Sentei-me em um dos pufes que estavam dispostos no centro da loja enquanto Lucy começara a analisar peça por peça de roupa, e quando decidia provar, perguntava minha opinião, mas mesmo que eu dissesse que ela estava bem, ela dizia que não estava e ia atrás da próxima. Mulheres.

Olhei em volta e vi três casais, e nos três o cara estava sentado esperando a namorada escolher alguma coisa. Isso fazia de mim e Lucy um casal... e isso não me parecia tão ruim, mas eu namorava Lisanna, e não podia deixar me levar pelo calor do momento. Fiquei pensativo por um minuto e fitei Lucy saindo do provador mais uma vez, sorrindo com um vestido vermelho que a deixara estonteante de tão bonita e eu sorri.

– Eu vou comprar esse – falou, sorrindo, e não demorou muito para estarmos no calçadão novamente. Ela segurou minha mão e eu senti meu rosto esquentar. Olhei-a de canto e pude ver que suas bochechas estavam levemente coradas, mas poderia ser só o frio.

Chegamos em casa pouco depois do almoço e eu acabei não me juntando aos outros, estava com uma forte dor de cabeça aquela tarde, então fui direto para a cama para estar melhor para a ceia de Natal.

Lucy POV

– Natsu – chamei-o. Ele havia chegado em casa com dor de cabeça e nem mesmo almoçara. O mínimo que eu podia fazer era checar como ele estava se sentindo, afinal era véspera de Natal. – Natsu, acorda – ele gemeu baixinho e abriu os olhos.

– Que foi? – perguntou, com os cabelos bagunçados e enrolado num cobertor azul.

– Vim ver como você está algodão doce, reconheça minha boa ação – falei, e ele revirou os olhos. – Quer comer alguma coisa?

– Não, não estou com fome – respondeu, com a voz baixinha. Ele não parecia muito bem.

– Como você está se sentindo? – perguntei preocupada, sentando-me ao seu lado na cama e colocando a mão em seu rosto para ver se ele estava com febre e Deus, ele estava fervendo.

– Eu estou bem, pode deixar – falou, e eu balancei a cabeça.

– Vou chamar a sua mãe, você não está nem um pouco bem – e corri para encontrar Saeko, que subia a escadaria.

– Oh Lucy, vá se arrumar, logo começaremos a ceia – avisou, e eu assenti.

– O Natsu está fervendo de febre – falei, e ela correu para o quarto do filho, parando antes na porta.

– Pode ir se arrumar Lucy, eu cuidarei dele agora.

Entrei no meu quarto e fui direto para a banheira quente cheia de espuma. Natsu ficaria bem, era só uma gripe passageira, deveria parar de pensar nisso, afinal eu nunca me preocupei com esse idiota tarado pervertido pantera cor-de-rosa, por que me preocuparia agora? Depois de algum tempo imersa até o pescoço, decidi me arrumar. Sequei meus cabelos e deixei-os soltos, e coloquei o vestido vermelho que comprara naquela tarde.

Assim que saí do meu quarto, ouvi Natsu tosssir. Parei em frente a sua porta e o vi deitado encolhido com o cobertor. Ele parecia estar com frio. Abri o armário em seu quarto e tirei de dentro mais um cobertor, e estiquei o mesmo sobre ele, que parecia estar dormindo num sono profundo. Essa seria nossa primeira ceia de Natal juntos em anos, e ele fica desse jeito, fala sério. Depois a mulher que é o sexo frágil. Quem é que está morrendo numa cama agora?

– Obrigado – ele murmurou, antes que eu fechasse a porta, e eu sorri de canto, sem responder.

Mais tarde naquela noite eu, meu pai, Levy, Wendy e os pais de Natsu nos sentamos na sala de jantar para a ceia de Natal. Todos conversavam e riam alto, divertindo-se. Eu não conseguia deixar de ficar feliz, depois de ano sendo só eu e meu pai, era tão bom ter pessoas para alegrar a casa. Só que faltava Natsu, que estava morrendo sozinho em seu quarto. Saeko havia levado comida para ele, mas ela falou que ele não quis comer.

– Feliz Natal Lu-chan! – Wendy e Levy me abraçaram assim que o relógio deu meia-noite. Abracei Igneel e meu pai, até que Saeko veio com um sorriso triste até mim.

– Feliz Natal Lucy – falou. – Sabe Lu, eu andei observando você e Natsu. Vocês voltaram a se dar bem?

– Ah eu acredito que sim... – respondi envergonhada.

– Creio que Natsu se sinta bem perto de você, será que não poderia subir e conversar com ele um pouco? Ele não quer sair do quarto.

– Tudo bem, eu vou.

– Leve isso – ela me entregou uma taça de sorvete. – Talvez o ajude a se sentir melhor – falou, e eu assenti, pegando a taça. Enquanto subia a escadaria até o segundo andar, lembrei-me de que Natsu costumava tomar sorvete sempre que se sentia mal quando era pequeno, era sua sobremesa favorita naquela época.

– Natsu? – perguntei, batendo à porta, mas ele não falou nada e eu entrei.

O quarto estava mergulhado na escuridão, mas eu consegui chegar até sua cama sem problemas, tropeçando apenas uma vez em algo jogado no chão. Coloquei a taça em cima do criado mudo e me sentei ao lado de Natsu, observando o contorno de seu rosto. Não me contive em tirar alguns fios de seu cabelo que caiam sobre seu rosto e sem querer senti sua pele quente, tão natural dele, estivesse ou não com febre.

– Planeja começar assim e depois me estuprar, Luce? – perguntou de repente, dando-me um susto.

– Dá pra avisar que está acordado ou é pedir demais?

– É pedir demais, afinal eu estou na minha cama, no meu quarto.

– Na minha casa. Não faça mais isso – falei, e pude perceber que ele sorriu para mim. – Por que não desceu para jantar?

– Não estou com fome. O que você trouxe? – perguntou interessado.

– Sorvete.

– Eu quero.

– Não.

– Não?

– Não – respondi, acendendo o abajur que iluminou seu rosto que estava com uma expressão de dor e angústia, e eu não consegui segurar o riso.

– Não ria de mim, como você pode me negar uma taça de sorvete?

– Negando assim ó – então peguei uma colher de sorvete e coloquei na boca.

– Luce! – choramingou.

– Nossa que delícia esse sorvete de chocolate, meu Deus – falei, colocando mais sorvete na boca e rindo.

– Má – falou, e na hora que abriu a boca eu enfiei sorvete em sua boca com tudo. – Por que fez isso?

– Ué, você queria sorvete, não queria?

– Não com toda essa sua agressividade.

– Sorvete sem agressividade pra você? Não dá.

– Chata – reclamou, mas acabei diminuindo a agressividade enquanto dava sorvete na boca dele, como se ele não conseguisse se mexer pra comer sozinho. – Por que você está rindo? – perguntou, e eu balancei a cabeça.

– Nada... – respondi, com vontade de rir. Eu não entendia por que meu coração batia daquele jeito, nem por que meu rosto insistia em esquentar. – Abre a boca – falei, levantando a colher e Natsu deu de ombros, fazendo o que eu disse.

Narradora POV

Como descrever um sentimento de amor não correspondido? Era sombrio, torturante, atroz e fazia com que você se questionasse o verdadeiro motivo de tentar amar alguém. Para que tentar se você sabe que não conseguira nada além de sofrimento? Juvia entendia bem esse terrível sentimento por causa de um moreno que tinha o péssimo hábito de arrancar suas roupas sem perceber. Mas ela namorava Lyon Vastia, aquele garoto bonito e sedutor do colégio concorrente à Fairy Tail. E ela sabia, ela sentia no fundo de seu coração que já não podia mais continuar esse namoro. Ela gostava de Lyon, não podia mentir e dizer que ele não tinha conquistado uma pequena parte de seu coração com todos aqueles galanteios, elogios e declarações de amor. Só que isso tinha que acabar, e essa era outra coisa que ela não podia negar.

– Juvia! – ela checou o horário em seu celular ao ouvir seu nome sendo chamado. Lyon, Lyon, sempre tão pontual.

– Lyon... – murmurou. Lyon tocou seu ombro.

– Está tudo bem? – perguntou preocupado. É claro que não estava. Ela não queria ter que fazer aquilo, ela não queria magoar Lyon como Gray a magoara centenas de vezes. Era véspera de Natal, uma data tão especial, não queria ter que fazer aquilo logo naquele dia, mas ela não aguentava mais, tinha que fazer o que sentia ser certo.

– Lyon, Juvia... Juvia não... – não pareciam existir palavras certas para aquele momento.

– Não se preocupe Juvia, eu já sabia, vá em frente – falou, com um tom de dor em sua voz. Lyon certamente era uma ótima pessoa por aceitar aquilo tudo melhor que a própria Juvia. – Você quer que eu faça isso pra você? – Juvia assentiu, com lágrimas escorrendo de seus olhos. – Juvia, nós temos que terminar. Ambos sabemos que isso não está certo, você ama o Gray e isso não é segredo pra ninguém. E eu...eu conheci uma pessoa.

– U-Uma pessoa? – Juvia não acreditou. Seria uma mentira ou o quê? Ele estava tentando ignorar a dor que sentia em pronunciar tais palavras ou estaria falando a verdade? Se bem que ele andava tão distante ultimamente...

– Você a conhece. Ela é um pouco mais nova que eu, mas é uma ótima garota, a Chelia.

– Chelia? – repetiu. Chelia, a menina boazinha dona do castelo que Lucy e Natsu quebraram a sacada? Mas como e quando isso aconteceu?

– Ela entrou no meu colégio e ficamos amigos. E eu andei pensando que eu gosto dela. Não como eu gosto de você Juvia, mas eu sei que você não deve ferir seu coração por mim, não é o que você quer.

– Lyon... obrigada – falou. Ele a entendia bem melhor que o próprio Gray, mas não era a ele todo aquele amor que ela sentia.

– Eu tenho que ir agora Juvia, meus pais estão me esperando para a ceia de Natal – abraçou Juvia e beijou sua bochecha branca e gelada. – Eu espero que você seja imensamente feliz mesmo que não seja eu a te fazer feliz, você é uma mulher incrível Juvia. Feliz Natal.

– Lyon! – gritou de repente, quando o garoto já estava alguns metros distante dela. – Você é um homem incrível também, eu espero que você e Chelia sejam felizes juntos! – falou, e ele sorriu de canto, com o rosto avermelhado, e com um aceno, atravessou a rua para seguir sua vida. Suspirou profundamente, sentando-se com a cabeça baixa num banco da praça principal. Voltara à estaca zero: a espera de um milagre que faça Gray-sama se interessar por ela. Mas o que fazer? Como agir?

Ela fitou o céu escuro daquela noite, desejando por algum sinal para que pudesse decidir o que fazer. Se ela continuasse investindo em Gray, bem, ela queria ter certeza de que todos aqueles anos não teriam sido em vão.

– Juvia? – aquela voz. Ela se levantou rapidamente.

– Gray-sama! – gritou sem querer, completamente surpresa. Aquela noite estava fria, muito fria, mais fria que as últimas vésperas de Natal, mas ainda assim a temperatura de seu corpo subiu a um nível que ela queria arrancar seu casaco de calor, só que ela estava paralisada olhando para Gray, que vestia seu casaco. Nesse minuto, algumas gotas de água começaram a cair do céu e aumentaram a intensidade, tornando-se uma chuva suspeita de inverno. Não sabia o que dizer. Ele a fitava com uma expressão fechada como sempre, já estava acostumada com aquele olhar.

– Você vai ficar doente desse jeito – falou de repente, abrindo um guarda-chuva e puxando-a para baixo do mesmo para protegê-la da chuva. Seria esse o sinal? De repente ouviu um estouro próximo e a praça se iluminou com luzes de Natal que envolviam as árvores cheias de enfeites natalinos que refletiam as luzes junto com a chuva que caía, dando um ar maravilhosamente romântico. O coração de Juvia disparou por conta da proximidade com Gray, mas ainda assim não conseguia encará-lo.

– N-Não precisa se preocupar com Juvia... – murmurou nervosa.

– E-Então...o que faz sozinha na noite da véspera de Natal? – perguntou. Gray também estava nervoso, já tinha um tempo que não falava normalmente com Juvia, se algum dia já tivesse conversado normalmente com sua stalker número um. Ainda mais depois de assistir de longe o término dela com Lyon.

– Jellal saiu com Erza-chan, e os pais de Juvia queriam um encontro romântico então Juvia disse que encontraria Lyon...

– E planejava ficar sozinha o resto da noite depois de terminar com aquele babaca – falou rudemente, mas Juvia não pode deixar de sorrir timidamente dos ciúmes de Gray. – Algum motivo especial para terem terminado logo hoje?

– Juvia e Lyon só...não era pra ser. Nunca daria certo porque... – a garota hesitou.

– Porque... – Gray a forçou a continuar.

– Porque ambos os corações de Juvia e Lyon pertencem a pessoas diferentes – seu rosto queimou naquele momento, tamanha a vergonha que sentia ao falar aquilo. Gray sorriu de canto, com o rosto vermelho. Isso queria dizer que Juvia ainda seria sua stalker número um, e isso o deixava feliz mesmo que não dissesse isso.

– Que tal sairmos de debaixo dessa chuva? – perguntou, abraçando Juvia e a puxando mais para perto de si, para que o guarda-chuva desse para os dois. Os dois estavam com seus rostos avermelhados, completamente embaraçados pela situação, mas secretamente felizes pelo acontecimento, pela coincidência que o destino causara colocando-lhes naquela situação. Eles caminharam por um tempo em uma rua vazia com todas as lojas fechadas brilhando com suas decorações natalinas, até pararem embaixo de um toldo de uma padaria.

– Juvia deveria voltar para casa... – murmurou, passando a mal pela roupa encharcada, e Gray tirou alguns fios de cabelo molhado que caiam sobre seu rosto.

– Eu te levo até lá, não vou te deixar voltar sozinha – falou, e Juvia balançou a cabeça.

– Não precisa se incomodar, Gray-sama.

– Não é incômodo algum. Eu saí para dar uma volta porque bem, Erza está com seu irmão, e minha mãe saiu com minha irmã para jantar. Eu estava indo encontrá-las, mas uma coisa melhor apareceu no meu caminho – ele desviou o olhar ao falar, e Juvia o fitou com o rosto vermelho. Meu Deus, pensou. – Vamos.

– Ah, obrigada – agradeceu, sendo puxada para baixo do guarda-chuva mais uma vez. Passaram em frente à casa dos Heartfilia, e viram de longe várias luzes acesas pela casa, devia estar sendo um Natal animado ali. A casa dos Fullbuster era praticamente ao lado, e todas as luzes estavam apagadas, a casa totalmente trancada. Duas quadras depois lá estava a casa dos Lockser, onde Juvia morava.

Ela parou e abaixou a cabeça, sem saber como continuar. Gray estava tão ensopado como ela, e ele a trouxera em casa, ela devia ao menos convidá-lo para entrar. Mas como fazer isso? Só de imaginar a vergonha tomava todo seu corpo.

– Bem, está entregue – Gray deu uma risadinha.

– Para onde vai agora? – perguntou sem querer, tampando a boca logo em seguida. Juvia, no que estava pensando?

– Acho que vou ir encontrar minha mãe e a Ultear, por quê?

– Gray-sama, gostaria de...de entrar pra se secar? – ela se virou para a casa, esperando a resposta negativa, mas ela se surpreendeu.

– Acho que viria a calhar – respondeu, e ela o fitou. “Oh meu Deus, oh meu Deus, oh meu Deus”, repetia em sua cabeça, enquanto subia as escadas da frente e abria a porta. Acendeu as luzes do hall, tremendo.

– Juvia vai pegar algumas roupas do Jellal para o Gray-sama, pode subir e esperar se quiser – falou, com todos aqueles tipos de pensamentos em sua cabeça. Talvez lesse muitos romances e começasse a crer em coisas que não aconteceriam nunca. Abriu o armário do irmão por parte de pai e pegou algumas roupas parecidas com as que Gray estava vestindo e as entregou. – Juvia vai fazer chá para nos esquentarmos então...fique à vontade.

Desceu as escadas correndo até a cozinha e se apoiou no balcão, jogando água no rosto. Não conseguia acreditar no que estava acontecendo, Gray estava em sua casa se trocando e esperando pelo chá que ela começava a fazer. Ela não tinha palavras pra descrever no quanto sempre sonhou em fazer algo tão simples como isso só para os dois. Retirou seu casaco encharcado e o colocou sobre uma cadeira ali da cozinha, ficando apenas com um vestido de alcinha azul com bolinhas brancas. Raios e trovões desciam com ferocidade do céu, retumbando com seu som estridente.

– Está caindo uma verdadeira tempestade lá fora, nada típico do inverno – Gray comentou, aparecendo atrás de Juvia, mas ela não se virou para encará-lo por sentir sua respiração próxima ao seu pescoço. Seu coração voltava a bater mais rápido, e sentia seu rosto voltar a esquentar. Ao virar para pegar um bule, deu de cara com um Gray de cabelos molhados vestindo apenas uma calça.

– Juvia deu roupas para Gray-sama vestir – falou baixinho, rindo.

– Mas o... Ah! Quando foi que eu tirei? – falou, olhando em volta atrás de uma camiseta, mas acabou ficando daquela maneira. Observava Juvia atentamente enquanto ela colocava o chá em um bule branco de porcelana e pegava duas xícaras do mesmo jogo. Como não percebera o quanto ela era bonita? Aliás, ela era estonteantemente bela. Aquele vestido acentuava suas curvas, e o cabelo molhado caia sobre seus ombros e sobre suas costas.

– Venha – chamou, apontando para uma sala de estar. Colocou o bule e as xícaras sobre a mesa de vidro de centro e se sentou em um sofá vermelho, fazendo um sinal para que Gray se sentasse ao seu lado, o que ele fez. Ficaram em silêncio enquanto bebiam o chá que Juvia preparara, mas Gray não se concentrava no que bebia, e sim na garota ao seu lado. Ela o seguira durante anos, provando e declarando seu amor por ele tantas e tantas vezes, mas ele nunca a olhara com outros olhos, estes olhos que a observavam atentamente. Ele sorriu de canto, lembrando de Lucy dizendo sempre, desde pequenos, que Juvia e Gray ficariam juntos.

– Então... – tentou puxar assunto, mas não o encontrava. Juvia se levantou abruptamente, segurando a xícara de porcelana com todo o cuidado do mundo, mas acabou escorregando, e por instinto Gray, que acabara de coloca sua xícara na mesa, segurou-a para ela cair em seu colo. – Você está bem? – perguntou preocupado, colocando a xícara de Juvia ao lado da sua.

– S-Sim – gaguejou, tremendo de nervoso com a distância que seus lábios estavam dos de Gray. Suspirou profundamente, sem se mexer. A alça do vestido de Juvia deslizou por seu ombro com o impacto, o que chamou a atenção de Gray.

– Juvia, você é tão... – tão bonita, tão sexy, mas segurou seus pensamentos indevidos. Recusara o amor de Juvia por ele por tantos anos e de repente ele presta atenção nela só porque ela está em seu colo? Se Lucy e Erza soubessem disso era capaz de ele levar um murro bem no nariz.

– Gray-sama... – ela sussurrou, assustada por não saber como agir naquela situação. – Juvia devia...devia... – não conseguia se concentrar para formar uma frase, estavam tão próximos um do outro que não sabia o que falar.

Gray aproximou suas bocas, selando-as com um beijo. Juvia teve vontade de chorar por não acreditar ou tampouco entender o que estava se passando ali. Era um sonho, só podia, como todos os outros que sempre tivera. Um sonho apenas.

– Gray-sama...

– Juvia, pare de tentar encontrar palavras pra atrapalhar o momento.

– C-Como? – perguntou, quando Gray a beijou novamente. Ainda desconfiada, beliscou sua mão, imaginando se aquilo poderia ser realidade, mas seu corpo estava tão tenso que não sabia se estava sentindo dor. Poucos segundos depois, correspondeu ao beijo com paixão. Afinal, o que tinha a perder? Gray a segurou com força no colo, sem parar de beijá-la, e sem dificuldade alguma subiu a escadaria e entrou no quarto de Juvia, fechando a porta e a deitando na cama com o cobertor azul.

– Juvia sempre se confessou tantas vezes para que todos vissem o que sentia, então por que Gray-sama só correspondeu agora? – perguntou, deixando uma lágrima escapar sem querer, que Gray limpou com a mão.

– Dizem que só damos valor ao que temos quando perdemos – respondeu. Juvia não segurou o sorriso que se formou, um turbilhão de sentimentos invadiu seu corpo e ela colou seus lábios no de Gray novamente, enlaçando suas pernas na cintura de Gray e juntando seus corpos com a intenção de provocá-lo de alguma forma. Ele segurou sua cintura, e passou a deslizar as mãos pelas curvas de Juvia, sua intimidade já pedia pelo prazer que queria receber. Ele se sentou com ela em seu colo. Juvia parou de beijá-lo e passou a analisar o peitoral desnudo de Gray. Era tão bom estar daquela maneira com ele que sua ficha ainda não havia caído.

Ela distribuiu beijos pelo pescoço dele, descendo pelo peito e se concentrando lá, Gray já começava a resmungar pequenos gemidos, o que a deixou ainda mais feliz. Ele a puxou para cima e chupou de leve seu pescoço, sem intenção de deixar qualquer marca. Desceu mais um pouco e chegou aos seios da garota, fitando-os com um olhar extremamente pervertido. Passou a mão em seu ombro, deixando a alça que sobrara cair, fazendo com que o vestido despencasse, revelando toda a parte de cima do corpo de Juvia.

– Caramba hein – murmurou com um sorrisinho que fez o rosto de Juvia esquentar. – Você é linda, Juvia – ela não estava com medo do que aconteceria a seguir porque infelizmente essa não seria sua primeira vez, esse lugar fora tomado por Lyon. Não que ela sentisse algum arrependimento, mas percebeu o quanto amava Gray naquele momento, e o quanto gostaria que aquele momento tivesse sido entre eles. Ele agarrou um de seus seios e chupo o outro com vontade. Juvia deixava gemidos baixos escaparem seguidamente, demasiada de prazer. Era tão magnífico, os dois entretidos naquele jogo de pura sedução e satisfação. Gray a deitou na cama e começou a lamber o outro mamilo. Parou e levantou seu vestido, deixando sua calcinha banca exposta. Colocou um dedo e começou a estimulá-la. Ela soltava gemidos altos, ele orquestrava os dedos tão bem que era possível senti-los com perfeição.

Juvia não achou que era justo que só ela sentisse todo o prazer, então o forçou a trocar de posição e ficou de frente com o orgão dele. Puxou a calça e fitou sua cueca azul-marinho, e podia perceber, mesmo sob o tecido, que o membro de Gray já estava ficando rígido. Ela se divertiu com a ideia e distribuiu beijos por toda aquela região, enquanto Gray apertava os olhos com força, sedento por aquilo. Ela abaixou a cueca e a intimidade dele pulou para fora, pulsando de desejo.

– Gray-sama, você se importa? – perguntou, e ele balançou a cabeça.

– Não mesmo – respondeu. Ela sorriu e encostou a língua suavemente no pênis dele, o que fez com que ele se retraísse. Percebendo o efeito que produzia, Juvia envolveu-o com a boca e começou a fazer movimentos de vai e vem, fazendo com que Gray gemesse loucamente. Ainda não satisfeita, Juvia colocou o membro rígido de Gray entre os seios, e tornou a fazer os movimentos. Ela estava louca, perdida em meio a tanto prazer.

Retirou o vestido e o jogou para o lado, voltando a beijar Gray com uma paixão nunca sentida antes. Ele era tudo pra ela. Separou-se dele e o fitou nos olhos, sentindo todo o amor que ela desejava ter sentido antes. Isso teria a poupado, poupado Gray e também Lyon, aquele que lhe dera tanto amor quando não tinha ninguém e havia desistido. Hesitou por um segundo, não era nobre pensar em Lyon num momento como aquele e tentou excluí-lo de sua mente.

Segurou o membro firme de Gray e o posicionou na entrada de sua intimidade. Ele forçou o orgão para dentro e ela gemeu de dor e prazer. Ele dava estocadas longas, rápidas e profundas, enquanto Juvia se derretia com toda a paixão e o prazer. Era com certeza a melhor sensação do mundo para ela. Os dois gemiam juntos em puro êxtase, Juvia quicava e rebolava enquanto ele forçava para dentro com toda a força do mundo. Ele gemeu mais alto e aumentou a velocidade, e então Juvia percebeu que ele estava chegando ao clímax.

– Juvia... Ahn... – gemeu. E como se tudo estivesse a favor deles, um raio retumbou alto o suficiente para ser ouvido em toda a região, colaborando para que tudo ficasse mais emocionante.

– Gray-sama... Mais rápido... – Juvia prolongou os miados, porque sabia que essa era a maior parte. E ele gozou, o fluxo todo para dentro dela. Mas ela ainda não estava satisfeita, rolou para trocarem de posição mais uma vez, deixando-o por cima. – Ainda não, Juvia quer mais – falou, e ele a penetrou mais uma vez, porém mais fundo e com mais vontade. Ela ficava cada vez mais excitada. Era tão deliciosamente maravilhoso que parecia cada vez mais e mais com um mero conto de fadas.

Olhou para o rosto de Gray, torto e contorcido pelo imenso gosto que lhe era proporcionado, soube que chegaria a um orgasmo. Eram dois corações apaixonados que nunca deixariam de sentir o que sentiam um pelo outro, uma história que ganhava de Romeu e Julieta porque ninguém morreria no final. Pensando assim, ela gozou junto com Gray, que caiu cansado ao seu lado. Eles se olharam nos olhos e Gray a beijou novamente, de maneira lenta e apaixonada. Era tudo tão bom que ela não sabia se estava no céu, mas felizmente era real. Acabou por cair no sono em seus braços, ouvindo a tempestade que caía do lado de fora. Realmente, nenhuma véspera de Natal seria melhor do que aquela.

Poucas horas depois, Gray a chacoalhou de leve e ela abriu os olhos devagar, preguiçosa. Ainda chovia, mas agora mais fraco, o som da chuva batendo no telhado, na janela, uma melodia lenta que a fazia querer fechar os olhos e dormir novamente.

– Adivinha que horas são – falou, sorrindo carinhosamente para ela, abraçando-a. Ela ficou confusa. O que Gray estava fazendo ali? Espera, não tinha sido um sonho? A ficha caiu como um tijolo em sua cabeça, lembrando de tudo o que acontecera.

– Hã... que horas são? – perguntou por fim, depois de algum tempo.

– Meia noite e um – respondeu, e ela o fitou, esfregando os olhos com as mãos e bocejando. Tudo bem que era o Gray ali e tudo o mais, mas por que acordá-la naquele horário? Ah. – Feliz Natal Juvia – a cada palavra ele dava um selinho nos lábios de Juvia, o que a fez sorrir envergonhada.

– Gray-sama! – ela pulou em cima dele, abraçando-o e dando-lhe um beijo na bochecha. – Desculpa por não comprar nada para você.

– Você é a melhor coisa que eu poderia ganhar no Natal, Juvia – falou envergonhado, e ela o agarrou mais forte. – Só não me mate por asfixia, por favor.

– Desculpa... – ela se retesou e o fitou, com um sorriso tímido no rosto.

– Vem cá – puxou-a para um abraço quente e acolhedor que ela aceitou sem pensar duas vezes, beijando-o com carinho. Mal podia conter sua felicidade, finalmente, Juvia Lockser estava com seu amado Gray-sama.

Wendy POV

– Levy, acorda pelo amor de Deus! – gritei, espancando minha irmã com uma almofada mesmo que parecesse não surtir efeito algum. – Caramba, Gajeel vai ter muito trabalho contigo.

– Por que você falou do Gajeel? – perguntou, ainda com os olhos fechados, mas com o rosto vermelho.

– Só verdades. Levanta pra ver uma coisa logo! – puxei-a para fora da cama, mas o fato de ela ter caído de cara no chão não faz diferença. Ela pegou o celular para responder algumas mensagens de Feliz Natal, mas eu continuei a levando até a sala de televisão. Era uma sala bem grande e arejada, cheia de janelas compridas com cortinas brancas com detalhes dourados. A lareira de pedra queimava para esquentar o lugar. Na parede onde não havia nenhuma janela ficava uma televisão bem grande e um sofá de veludo branco comprido de frente para a mesma. Vários vasos ficavam espalhados pela sala, e eram os únicos objetos que possuíam cor. Segundo Lucy, um ambiente mergulhado no branco trazia mais paz a quem quisesse descansar ali.

– E então? – Levy perguntou, até reparar em algo fora do comum ali. No grande sofá branco, ao invés de almofadas, estava Natsu dormindo abraçado com Lucy. Minha irmã adentrou a sala com um sorriso malicioso, posicionando a câmera de seu celular.

– Você vai acordá-los desse jeito e sabe disso – avisei, e ela levantou a mão para que eu me calasse. Ela estava bem próxima aos dois, e eu ouvi um clique da câmera. Lucy se mexeu de repente, agarrando-se ainda mais à Natsu, que a abraçou mais forte pela cintura.

– O que vocês estão aprontando logo cedo? – Saeko apareceu, e quando percebeu o que “nós” estávamos aprontando, seus olhos brilharam. – Daqui Levy, daqui – falou, quase em cima dos dois também, e Levy aproximou mais, tirando mais quinhentas fotos.

– Gente, isso não vai prestar... – falei enquanto elas riam animadas. Quase foi dito e feito. Elas se assustaram e se esconderam atrás do sofá quando os dois se mexeram, mas continuaram dormindo. Suspirei aliviada, saindo de trás do batente da porta, afinal não queria ser culpada por nada ali. – Eu não sei o que vocês planejam, mas eles não vão gostar nem um pouco.

Lucy POV

Abri os olhos e olhei em volta, em dúvida de onde estava. Não era o meu quarto, era pouco rosa demais para ser meu quarto. Eu me sentia no céu, naquele cômodo completamente branco. Como eu tinha parado ali? Era a sala. As cortinas balançavam por conta da janela aberta e eu estremeci com o vento gelado. Quando percebi onde estava apoiada, arregalei os olhos. Natsu dormia como um anjo, sem nem perceber onde estava.

– Ah. Meu. Deus – falei meio alto, e Natsu se espreguiçou, abrindo os olhos.

– Oh, bom dia Luce – falou, mandando um beijo enquanto eu o fitava com uma cara confusa, tentando me lembrar como fui parar ali. Vejamos...

Depois que todos foram dormir, Natsu não conseguia dormir, e nem eu, então eu coloquei meu pijama e nós dois fomos para a sala. Lisanna não estava na cidade, tinha ido com seus irmãos para a cidade onde seus pais moravam. Os empregados já tinham ido embora, mas ainda assim eu fui até a cozinha e fiz chocolate-quente para nós dois, e depois nos juntamos na sala para assistir algum filme. Eu lembro de sentir muito sono e me encostar em Natsu, depois acabar apagando.

– Ah, nós não fizemos nada de mais, que alívio – falei, caminhando até a porta de vidro e a abrindo. Podia ter 18 anos, mas eu amava neve até hoje, e eu me empolguei ao ver tanta neve cobrindo todo o chão, as árvores, as casas, tudo. Era uma imensidão branca que dava continuidade a sala de casa.

– Você não devia sair com um shortinho e uma blusinha nesse frio Luce – Natsu falou, abraçando-me por trás. Eu estava congelando, mas com ele ali a sensação de frio era menos pior. Ele depositou um beijo em minha bochecha e depois ficou ali parado, sua respiração quente tocando meu pescoço. Sempre que nos envolvíamos em um momento como aquele eu imaginava como seria se Lisanna nunca tivesse aparecido em nossas vidas. Eu queria que aquele momento durasse para sempre, mas infelizmente uma Levy poderia aparecer e poderia não ser tão bom assim.

– Vamos para dentro – falei, e ele me puxou para um beijo rápido que me deixou estupefata.

– Feliz Natal Luce – sorriu para mim, dando mais um beijo em minha bochecha, e eu sorri para ele.

– Feliz Natal Natsu – respondi. Ele me abraçou forte e não me soltou mais. Eu não resisti em abraçá-lo de volta. O pensamento de que cedo ou tarde alguém apareceria ecoava em minha mente mesmo que meu corpo ansiasse por ficar daquela maneira pelo resto do dia. Ele me soltou e nós percorremos o caminho de volta para nossos quartos, que eram lado a lado, o que tornava o silêncio entre nós ainda pior, e eu entrei no meu quarto sem olhá-lo, porque sei que ele me encarou antes de eu entrar.

Como estava nevando, não seria eu a me impedir de sair e brincar na neve como uma criança feliz. Era Natal afinal, eu tinha o direito de aproveitar o dia. Entrei na banheira com água fervendo cheia de espumas e emergi a cabeça na esperança de Natsu sair da minha mente por alguns segundos só que não deu muito certo, então enrolei meu cabelo em uma toalha e meu corpo em outra, e saí em direção ao closet para me vestir e sair logo de casa. No meio do caminho, notei algo estranho sobre meu travesseiro e me aproximei lentamente para ver o que era.

– Mas que droga Levy – murmurei irritada, pegando uma folha de papel com uma imagem minha e do Natsu dormindo juntos impressa. Saí do meu quarto apressadamente e encontrei Natsu saindo do quarto ao lado com a mesma foto em mãos. Demorou um pouco para eu me tocar que ele estava só com uma calça, diferente dele é claro, que reparou logo de cara que eu estava com o corpo enrolado em uma toalha.

– Que visão maravilhosamente agradável logo cedo – ignorei sua expressão maliciosa no rosto e eu revirei os olhos. Idiota. – Hã, isso é coisa da...

– Da Levy com toda certeza – falei, e ele assentiu vagarosamente, secando meu corpo. – Natsu!

– Acho que...sabe...você deveria ir...colocar alguma...roupa... – falou pausadamente. – Ou não...você quem sabe... – conclui depois de algum tempo. Sério mesmo Natsu?

– Se quer saber é uma ótima ideia, eu vou mesmo vestir alguma coisa antes que você me devore com os olhos.

– Eu te devoraria de outro jeito se você deixasse.

– Não sei se te chamo de canibal ou de pervertido depois dessa frase ridícula, Natsu.

– A culpa não é minha por você ter todas essas curvas Luce, e sim da genética – falou, e eu entrei no meu quarto, fechando a porta com tudo. Idiota.

– Primeira coisa, você tem uma namorada. Segunda coisa, você devia vestir alguma coisa antes que alguém te confunda com o Gray de peruca rosa, assim eu me visto também.

– Quer dizer que se eu não vestir nada você também não veste? – perguntou, encostado à minha porta.

– Para de ser tão retardado Natsu, isso cansa – falei, virando a chave para me assegurar que ele não fosse entrar. Fiquei algum tempo ali, naquela mesma posição, esperando que ele dissesse algo a mais, mas eu ouvia apenas sua respiração do outro lado.

– Luce – chamou de repente e um arrepio percorreu meu corpo. – Você ainda está aí? Posso te contar uma coisa?

– P-Pode... – respondi.

– Eu acho que vou terminar com a Lisanna – falou. Como assim? Eu não conseguia acreditar no que estava ouvindo. Virei a chave e abri a porta, encontrando um Natsu sentado encostado ao batente da porta, com uma expressão séria no rosto.

– Por que você vai terminar com a Lisanna? – perguntei, encarando-o. Ele deu de ombros, suspirando.

– Acho que...não era pra ser – respondeu, fitando o chão. – Aliás, nunca foi.

– Você por acaso quer conversar sobre isso? – nunca que eu pensei que algum dia você perguntar ao Natsu se ele queria contar seus problemas amorosos para mim, mas ele estava diferente de sempre, o que me preocupou.

– Vou aceitar dessa vez – falou, levantando-se e entrando no quarto para se jogar na minha cama. Fechei a porta e fui direto para o meu closet, à procura do que vestir o mais rápido possível antes que uma ameba rosa tarada viesse me espiar. Notei que ainda estava segurando a foto que Levy colocara sobre meu travesseiro, e ao olhá-la melhor, pensei no quão bonita aquela foto era. Olhei discretamente para fora do closet e vi Natsu analisando a cópia dele da foto.

– E então? Veio aqui para desabafar ou pra me ver sem roupa? – quebrei o silêncio, rindo no final.

– Lógico que eu vim aqui para te ver sem roupa, Luce – sério, que tipo de sinceridade é essa? – Mas sobre a Lisanna... Nunca vai dar certo. Eu sempre soube disso, eu sou um idiota de ter ficado com ela. Ela é insuportável, fazia tempo que não ficava feliz de ouvir notícias sobre alguém saindo da cidade e me deixando em... – seu celular tocou e ele o jogou de lado — ...lá se vai a paz.

– Sabe Natsu, ela gosta mesmo de você, e muito. Deveria atender – falei, e ele suspirou.

– Não. Luce, você acha que a gente deve se esforçar para ficar ao lado de quem gosta independente das consequências?

– Que tipo de consequências? – eu mexia nas gavetas o mais rápido possível atrás de uma roupa quente, mas não conseguia encontrar nada pelo simples fato de eu saber que Natsu estava ali e podia aparecer atrás de mim em questão de segundos.

– Quebrar o coração de alguém que goste muito de você.

– Essa foi uma frase forte... – comecei a vestir uma calça e uma blusa qualquer, e depois me sentei para vestir uma bota. – Coloque uma situação.

– Um cara gosta muito de uma garota, talvez até a ame, só que ele não consegue se livrar de outra garota que ele não gosta. O que ele deveria fazer? – congelei antes de sair do closet. Talvez até amar? Era possível que...? Não, Natsu não me ama, impossível.

– Acho que ele deveria ser sincero com a garota que ele não gosta e com a garota que ele gosta, sabe, para tentar resolver as coisas e ele poder ficar ao lado de quem ama – falei, saindo do closet e tirando das mãos dele um diário antigo que eu guardava na gaveta do meu criado mudo. – Você deveria pedir permissão antes de mexer nas coisas dos outros.

– Você sempre sabe o que dizer... – ignorou-me, puxando-me pela mão para me sentar na cama. Por um momento achei que ele fosse me beijar, mas pegou uma escova e começou a pentear meu cabelo.

– O que você está fazendo? – perguntei, meu rosto fervendo de vergonha.

– Penteando seu cabelo enquanto penso na vida – respondeu, tirando os nós que se formaram entre os fios com facilidade. – Pronto – entregou-me a escova de repente e se levantou da cama.

– Já decidiu o que fazer da vida?

– Claro que não – sorriu e estendeu a mão para me ajudar a levantar. Descemos em silêncio para tomar o café da manhã, meu coração ainda batendo rápido depois de suas palavras que me surpreenderam a ponto de me congelarem.

Notas finais
Eu acabei de me sentir muito mal comigo mesma, porque eu postei o capítulo 9, e descobri depois que eu ainda não tinha nem mesmo postado o 8 aqui, então estou consertando o erro. Desculpem a demora a postar >