Notas iniciais
Yo minna-san! Como estão? Para quem acompanhava a fic desde o início, deve se lembrar de um fatídico dia em que eu fui acometida por uma enxaqueca tensa e fui pro hospital ficar no soro bem no dia do meu aniversário. Bem, isso foi há um ano, olha só, é meu aniversário amanhã ~comemora~ hahaha eu realmente espero não acabar passando a manhã do meu aniversário no hospital mais uma vez. Esse capítulo foi um dos que eu mais curti escrever da outra vez e eu tenho quase certeza que eu postei uma das partes dele no dia do meu aniversário ano passado, sinto como se tivesse voltado no tempo. Boa leitura a todos!

Levy POV

Então o sinal finalmente soou pela escola inteira, para a alegria dos alunos. Era sexta-feira, graças a Deus! Todos pareciam cansados, mas combinavam o que fariam no final de semana. Lisanna já entrava e pulava em cima do namorado. Percebi o olhar de Natsu sobre Lucy, que saía da sala junto com Rogue e Sting, que, para a surpresa de muitos, havia aprendido a se controlar e não assediar mais Lucy.

– Então todos vão à festa de hoje? – perguntei, e Erza assentiu.

– Aparentemente sim, não tem como alguém convidado perder isso – respondeu. Essa é uma daquelas festas que raramente acontecem. Digamos que uma garota da realeza de Fiore estaria fazendo 16 anos hoje. Então todos os convidados têm que estar lá. Sem exceção. Saímos pelo portão do colégio, conversando sobre hoje a noite, e vimos Lucy, Sting e Rogue conversando numa rodinha.

– Nat-kun, você não quer ir a minha casa amanhã a noite? Meus pais estão viajando, e meus irmãos voltam tarde – Lisanna perguntou, enquanto os dois saíam grudados do colégio. Ela parecia disposta a levar Natsu de todo jeito para a casa dela, mas Natsu não parecia muito empolgado.

– Eu... – Natsu começou a responder, quando parou e fitou Lucy, que estava com o capacete de Rogue na mão, pronta para colocá-lo. Ótimo momento.

– Ei, Lu-chan! – chamei, e ela olhou para mim. – Você quer sair amanhã à noite? No Ferris as nove!

– Se eu não tiver nada para fazer eu apareço por lá – ela respondeu, e eu sorri. Ela colocou o capacete e subiu na moto, digamos assim, agarrando Rogue. Dava para ver os ciúmes no rosto de Natsu.

– Nat-kun! O que você está olhando? – Lisanna ficava perguntando, mas Natsu não respondia nada. – Nat-kun! – e finalmente ele a fitou indiferente.

– O que foi? – ela abaixou a cabeça. Talvez ele tenha sido um pouco grosso, e eu até senti um pouco de pena.

– Você estava olhando pra ela, não estava?

– Pra quem? – Natsu perguntou, fazendo-se de desentendido.

– Para aquela loira oxigenada! – ela gritou, e todos olharam para os dois.

– Lisanna, acalme-se, você está fazendo uma cena – Erza falou, e a garota de cabelos grisalhos a fitou com raiva.

– Não ouse falar comigo como se tivesse alguma intimidade, ruivinha – então Natsu a empurrou para longe.

– Já chega! Quem você pensa que é para tratar meus amigos assim? – ele estava claramente irritado. – Você que não deveria ousar falar com a Erza desse jeito, e a Lucy não é uma loira oxigenada – e saiu andando em direção à nossa casa. – Que saco! – falou por fim, e Lisanna desabou no chão, chorando. Todos que estavam parados olhando, voltaram a conversar e a andar, como se nada tivesse acontecido. Erza andou até Lisanna e estendeu sua mão.

– Por que você está estendendo sua mão? – Lisanna perguntou, em meio a muitas lágrimas. Por um minuto, eu tive dó daquela garota.

– Porque se eu não fizer isso, ninguém mais o fará – Erza respondeu, ajudando a garota a se levantar. – E eu também faço isso porque considero seus irmãos bons amigos, não quero deixar de ajudar a irmã deles só porque ela é uma...

– Erza, já chega por hoje – Gray falou, tampando a boca da prima. – Até mais Lisanna – ele falou, e a puxou até nós. – Mas você e sua boca grande também, hein?

– Eu não ia falar nada além da verdade – Erza protestou, afastando Gray.

– Você só ia dizer que ela é uma atirada – falei.

– Acho que ela ia falar que é uma vadia – Gajeel completou.

– Eu acho que ela ia falar que a Lisanna era uma sem vergonha, descarada e ciumenta – completou Gray, e todos riram.

– Eu ia dizer que ela é uma inútil que não serve pra nada, mas o de vocês serviria melhor – ela respondeu, e todos começaram a rir. Wendy não tinha aparecido até agora. Estava começando a ficar preocupada, mas então parei pra pensar que ela pode ser mais responsável do que qualquer um de nós do último ano.

Lucy POV

– Obrigada pela carona – sorri para Rogue, que acabara de parar na frente do portão da minha casa.

– Já falei que quando precisar é só chamar – ele falou, sorrindo de volta para mim. — Então... a gente se vê.

– Ah, claro – falei, acenando uma última vez para ele. Era estranho como eu não tinha assunto algum com ele, mas mesmo assim me sentia tão bem ao seu lado.

Apesar de eu não estar muito animada para a festa de hoje a noite, a minha sorte era que meus amigos também estariam lá por serem convidados. E mesmo que não estivessem, eu deveria estar lá, essa era a regra. Sempre fora, mesmo quando minha mãe estava viva. Nós tínhamos um acordo de que eu poderia fazer o que quisesse e teria uma certa liberdade desde que eu comparecesse a compromissos sociais como esses para o bem do nome da família.

Conforme a noite chegava, eu já estava praticamente pronta. Em festas como essa, todos devem usar roupas de gala, e como os vestidos eram muito grandes, tornava-se uma complicação para as mulheres. Espartilho, saiotes e mais saiotes. Estava tão quente embaixo daquela coisa. E isso era por baixo. Por cima sempre vinha o vestido em si, de um tecido pesado azul marinho.

Coloquei sapatos pretos, e Virgo arrumou uma trança com meu longo cabelo loiro, e o prendeu com uma fita preta. Eu estava arfando procurando por uma brisa que entrasse pela janela daquela noite que prometia ser fria, mas nada.

– Filha, já está pronta? – meu pai bateu à porta do meu quarto e entrou. – Nós temos que ir ou chegaremos atrasados à festa – eu assenti, juntando-me ao meu pai.

Entramos em uma limusine que logo deu a partida. Eu não gostava muito de ir a festas assim, mas era necessário. Meu pai me deixava fazer o que quiser, eu tinha que pelo menos retribuir de algum jeito, e esse era o único.

– Sr. e Srta. Heartfilia – a porta se abriu em frente a um castelo (sim, um castelo) e meu pai me ajudou a sair de dentro da limusine. Havia um tapete vermelho que levava até a entrada do castelo. Havia alguns fotógrafos, mas creio que eles tivessem sido contratados.

– Lucy-chan, sorria para a câmera – um fotógrafo gritou, e eu olhei em volta com um sorriso tímido no rosto. Fala sério, eu nem sabia quem tinha gritado e ia ficar sorrindo feito uma idiota pra uma foto que eu nem sei se veria depois.

– Vamos Lucy – meu pai estendeu o braço e eu entendi o que deveria fazer. Cruzei meu braço ao do meu pai e subimos a escadaria do castelo, onde uma moça com um vestido roxo e uma prancheta nos olhou dos pés a cabeça.

– Sr. e Srta. Heartfilia – ela anotou algo na prancheta. – Podem entrar e aproveitem a festa – ela sorriu para nós, e então adentramos o castelo.

Era lindo e luxuoso por dentro. O hall de entrada era um salão redondo cheio de janelas com cortinas de veludo vermelho e dourado, com estátuas e colunas como decoração. Bem à nossa frente havia mais uma escadaria enorme, que levava a uma porta antiga de madeira, onde provavelmente ficava o salão que estava tendo a festa.

O salão era magnífico. Havia um enorme candelabro que pendia bem no meio do teto, inteiro dourado. Havia uma espécie de palco onde alguns músicos tocavam uma melodia que lembrava aquele tipo de música que tocava em filmes de princesas durante o baile. A decoração era na maior parte dourada e vermelha, cheia de luxo. Eu sabia que minhas amigas estariam ali em algum lugar, em meio àquela multidão que lotava o lugar. Todas as famílias ricas e nobres de Fiore estavam ali.

Então eu notei um cabelo avermelhado conhecido preso com hashis. Sabia quem era. Meu pai me deu permissão para ir com meus amigos, e eu, com muito cuidado, fui até eles, com medo de que se corresse cairia de cara no chão.

– Erza! – chamei, e ela sorriu para mim. Ela estava com um vestido rosa que ficava estranhamente bem nela. Ao seu lado estava Juvia, com um vestido azul turquesa, quase tão grande quanto o meu. – Juvia!

– Lu-chan! – ela sorriu para mim. – Juvia acha que você está linda – então percebi que não tão longe dali, Natsu, Gray, Gajeel, Wendy e Levy estavam reunidos.

– Você está linda também Juvia. Quer ir comigo até lá? – perguntei, mas ela pareceu apreensiva.

– Juvia não pode, Juvia está com Lyon-sama agora – e assim que ela falou, eu notei a peste conversando com Jellal. – Juvia sente muito.

– Ah, não tem problema, eu vou até lá – avisei, e fui até eles.

Natsu POV

Eu estava ali naquela festa chata, ouvindo mais um dos sermões da minha prima sobre a Lisanna ser isto e aquilo, quando eu olhei para a entrada do salão e vi Lucy. Ela parecia uma princesa vista de longe, só faltava a coroa. Primeiro ela foi conversar com Erza e Juvia, então depois olhou para nós cinco no canto do salão. Ela falou algo para Juvia, que sorriu tristemente, e começou a andar até nós.

– Natsu! –Levy gritou ao meu ouvido, e eu a fitei.

– O que foi? – perguntei, e ela olhou para trás, vendo Lucy próxima a nós.

– Agora que entendi tudo – ela falou. – Eu achei que ficássemos cegos de amor, e não surdos.

– Não enche – falei, quando Lucy finalmente chegou a mim, quer dizer, nós. Ela parecia ainda mais bonita de perto.

– Ah Lu-chan, você está tão bonita! – Levy falou, abraçando a amiga, e Wendy fez o mesmo em seguida.

– Dá até vergonha ficar perto de você – minha prima mais nova reclamou, ainda abraçando a loira, que me fitou por alguns segundos e depois desviou o olhar para Gray.

– Alguém sabe quem é a garota que está fazendo aniversário? – ela perguntou, perdida.

– Eu nunca tinha ouvido falar dessa menina até essa semana – Gajeel respondeu. Justo. Todos recebemos os convites no mesmo dia, mas ninguém sabia quem era a aniversariante, pois nem mesmo o convite falava. Só sabíamos que era uma garota por um boato que surgiu no colégio.

– Não está faltando gente aqui? – Lucy perguntou, e Erza se aproximou com Jellal.

– Por algum motivo a família Strauss não foi convidada – Jellal respondeu. “Graças a Deus”, pensei. Imagina, ter que aguentar a Lisanna a noite inteira pendurada em mim? – E a maioria das pessoas do nosso colégio ainda não chegou – era sempre assim. Era quase como uma confraternização do colégio quando aconteciam festas assim, porque quase todos eram filhos de famílias que eram convidadas.

– Mas é claro que a Lucy quer saber de alguém específico, não é Lucy? – Levy e seu amaldiçoado olhar malicioso.

– Hã?

– “Rogue-kun, onde está você?” – Levy tentou em vão imitar a voz da Lucy que acabou corando mais do que deveria.

– Ah Levy, mas que coisa – ela falou, indo para perto de Gray.

– A Juvia-chan não vai vir aqui? – Wendy perguntou, e Erza suspirou. Todos fitamos Juvia, que estava há um dez metros de nós, presa a seu namorado.

– Ela falou que não pode sair de perto de Lyon até que ele diga que pode – Erza respondeu, e então eu percebi o olhar triste de Juvia. Ela nem mesmo sorria quando todos na roda em que ela estava começavam a rir.

– Aquele canalha – Gray falou, cerrando os punhos. – Eu vou acabar com ele.

– Ei, ei, ei, pode ir parando aí – Lucy falou, segurando Gray. Na minha opinião os dois estavam perto demais um do outro.

– Agora você vai me segurar, Lu? – ele perguntou, indignado. Eu que devia estar indignado. Lu? LU? Agora eles chegaram ao estágio de troca de apelidos carinhosos?

– Pra começo de conversa, se você não tivesse dado o milésimo fora nela, ela estaria aqui conosco, porque foi depois disso que ela conheceu Lyon – Lucy falou. – A culpa é sua, eu já falei. Era só ter admitido seus sentimentos por ela e vocês estariam juntos e felizes como a Erza e o Jellal.

– O QUE? — Erza e Jellal coraram até ficar da cor dos cabelos da Erza.

– Desculpa, saiu sem querer – Lucy se desculpou, e Gray suspirou voltando ao normal.

– Eu não vou fazer nada – ele falou, encostando-se a um pilar e cruzando os braços. – Ainda.

– Você não tem jeito mesmo – Gajeel falou, e ficamos em silêncio.

De longe, eu pude ver meus pais e o pai de Lucy conversando. Eles pareciam se divertir. Então um cara alto, de cabelos alaranjados chegou e cumprimentou o pai de Lucy. Os dois começaram a conversar seriamente e eu pude ver a cara de desespero da minha mãe, que apontava para Lucy e para a porta. O que raios ela queria dizer? Dei de ombros sem entender nada, e minha mãe pareceu ficar nervosa. O pai de Lucy se virou e chamou Lucy para ir até eles.

– Já volto – ela falou com um doce sorriso e caminhou até seu pai. Percebi que o pai de Lucy falava algo sobre o outro cara, até que o mesmo, ao cumprimentar Lucy, beijou-lhe a mão. Por algum motivo aquilo me deixou pegando fogo por dentro.

– Isso é mau – Erza comentou enquanto todos nós observávamos Lucy. Ela tinha o olhar um tanto triste e assustado, mas o sorriso ainda estava ali.

– O que é mau? – Gray perguntou, e Levy fez um olhar preocupado.

– Ele é um pretendente que o pai dela arrumou – Juvia apareceu atrás de nós.

– Juvia- chan! – Wendy a abraçou.

– Lyon-sama permitiu que Juvia ficasse com seus amigos – ela sorriu tristemente.

– O que você disse Juvia? – agora era eu perguntando. Todos me fitaram. – Não que eu me importe, mas você poderia repetir o que disse por favor? – ela assentiu, respirando fundo.

– Juvia estava atrás do Sr. Heartfilia e do garoto ruivo. Juvia ouviu o pai de Lucy falar sobre o garoto pedir Lucy em casamento assim que o próximo ano começar – Juvia explicou. – O pai de Lucy quer aproximar os dois.

– Isso é realmente mau – Levy falou, fitando-me – A Lucy provavelmente vai ser forçada a sair com ele, e se ela gostar dele, ela vai ter que aceitar o pedido de casamento. Ela teria que amar alguém e estar com esse alguém para que o pai dela desistisse dessa ideia – o que ela queria que eu fizesse? Que eu me declarasse para Lucy naquele minuto? E pagar mico na frente de todo esse povo? Pra quê?

Lucy POV

Meu pai me chamou e na hora eu já sabia pra quê. Um pretendente. Ele jurou que iria parar com isso. Bom, ele conversava com um jovem alto, com cabelos rebeldes e alaranjados. Eu não posso dizer que não o achei bonito, mas alguma coisa parecia errada. Aqueles cabelos me traziam uma sensação familiar que eu não sabia reconhecer.

– Filha, venha logo – meu pai me chamou novamente, quando eu já estava mais próxima aos dois. – Esse é Loke...

– Apenas Loke, Srta. Heartfilia – ele interrompeu meu pai, que não pareceu se preocupar muito com isso.

– Pode me chamar de Lucy – falei, e ele pegou minha mão, depositando-lhe um beijo. Nunca achei que isso realmente fosse acontecer, era tão galanteador que eu até me senti envergonhada.

Meu pai e o tal de Loke começaram a discutir coisas que eu não entendia muito bem. Olhei para os meus amigos, que conversavam animados. Até mesmo Juvia estava ali agora. Natsu, porém, estava sério. Deveria estar com saudades da namoradinha, Lisvadia. Quer dizer, Lisanna.

Não pude deixar de me lembrar do que acontecera noite passada. Foi meio assustador quando ele me segurou e me jogou na cama, mas eu não pude deixar de sorrir com a lembrança. Passei a mão em meu pulso, que até eu pegar no sono, ainda estava vermelho, mas agora estava normal. A sensação de seu beijo ainda estava em minha boca, e eu não conseguia parar de desejar pelo menos mais um por mais errado que fosse.

– Lucy – meu pai chamou minha atenção, irritado.

– Sim? – olhei para ele, perdida.

– Como você consegue ficar tão distraída? – ele perguntou, e eu mordi meu lábio inferior. Lá vinha bronca por eu não prestar atenção na conversa chata sobre negócios.

– Por favor meu caro Jude, Lucy ainda é jovem, nunca vai se interessar pela nossa conversa – Loke falou. – Pode ir com seus amigos, é lá que você ficará mais a vontade, não estou certo?

– Obrigada – agradeci. Meu pai não teve como discutir. Até que esse tal de Loke não era tão ruim assim, eu devia uma a ele.

Assim que Loke me deu a brecha para sair dali, eu corri para me juntar aos meus amigos, mas uma multidão se formou. Três holofotes foram acesos em direção à entrada do salão, assim que todas as luzes se apagaram. Tudo estava escuro mais para o fundo, então eu não enxergava muita coisa. Os violinistas começaram a tocar, então algo muito brilhante apareceu na porta.

Uma garota de cabelos cor-de-rosa, que usava um vestido prateado, entrou no salão e todos a reverenciaram e a aplaudiram em seguida. Ela usava uma coroa fina cheia de diamantes. Ela tinha um sorriso doce, mas parecia não querer estar ali. Um homem e uma mulher entraram ao seu lado. O homem tinha cabelos brancos, e uma barba longa. Já a mulher, era alta e esguia, e estava com um vestido vermelho.

Eu ia me reverenciar como todos estavam fazendo para o meu pai não ficar bravo, quando alguém segurou a mão e me puxou. Eu não conseguia ver quem era. E essa mesma pessoa me arrastou entre os outros convidados, até uma sacada de pedra que havia ali. Quando a luz da lua iluminou seu rosto, eu não sei como eu não fiquei surpresa.

– Que foi agora Natsu? – perguntei, não tão alto. As luzes ali ainda não haviam sido acesas até agora. Era possível ouvir pessoas falando lá dentro, como se estivessem fazendo um discurso, provavelmente os pais da aniversariante que entraram na festa há pouco. Suspirei, andando até a ponta da sacada, olhando para a floresta escura logo ali embaixo e depois para a lua cheia e brilhante que tomava o maior destaque no céu estrelado.

– Luce – Natsu chamou, e logo senti sua respiração próxima ao meu ouvido. Luce? Desde quando ele me chama de Luce? Eu me virei e o fitei. Ele estava com o mesmo olhar estranho de ontem. “Lá vamos nós de novo”, pensei.

– Se você tem algo a dizer Natsu, diga logo – arrependi-me de ter falado aquilo. Ele foi se aproximando cada vez mais de mim e não tinha como ir mais para trás, afinal, já estava com as costas no corrimão que cercava todo o lado de fora. – N-Natsu – gaguejei. Agora ele estava perto. Bem perto.

Ele passou sua mão em meu braço, e colocou a outra em minha cintura. E então ele me beijou sem que eu pudesse dizer qualquer coisa. E eu não conseguia me soltar nem que eu quisesse. Ah, que vergonha, detesto admitir, mas naquele momento eu não queria fugir. Eu coloquei uma das minhas mãos em seu pescoço, trazendo-o mais perto de mim se é que era possível, e cada vez o beijo demonstrava mais... desejo. Era isso. Eu desejava os lábios de Natsu junto aos meus mais que tudo naquele momento.

Eu estava cada vez mais inclinada sobre o corrimão. Ocorreu-me que se o corrimão cedesse, nós cairíamos em cima daquelas árvores e arbustos. Mas isso não podia acontecer. Podia? Foi então que eu ouvi o som de concreto trincando. Não era um barulho alto, mas eu ainda podia ouvir.

– Natsu, calma – tentei interromper, mas não adiantou. Eu também não queria parar. Foi então que o corrimão cedeu, e caímos juntos no meio daquelas árvores. Nem sei como eu e meu vestido enorme conseguimos passar pelas árvores, já que não havia uma fresta sequer que dava para ver o que acontecia ali na sacada. Eu apenas pude ouvir vozes.

– O que houve? – um homem perguntou.

– A sacada cedeu nesse pedaço aqui Senhor – o outro respondeu.

– Havia alguém aqui?

– Não Senhor.

– Melhor assim. Interditem essa parte da sacada e daremos continuação à festa da minha filhinha – esse cara deveria ser o da barba branca que estava ao lado da garota antes. O dono da festa. E parecia muito com o meu pai, no modo de falar. Suspirei. Um clarão veio de onde fica a sacada, que iluminava um pouco ali onde eu estava. Ah é, quase me esqueci do Natsu.

– Natsu? – chamei, tentando me colocar de pé. Caí algumas vezes, até que me apoiei em uma árvore e consegui equilibrar todo aquele peso.

– Lucy? – ele apareceu, com a mão na cabeça. – Você está bem?

– Estou, o vestido amorteceu a queda – respondi, e passei a mão em meu cabelo, que havia soltado. Olhei para cima, e vi uma fita preta presa em um galho. “Ah, que ótimo”, pensei. Se meu pai me visse bagunçada daquele jeito, eu iria ficar uma semana sem sair de casa por envergonhá-lo na frente de tantas pessoas.

– Então – Natsu me abraçou por trás, enquanto eu estava distraída olhando para a fita que uma vez esteve em meus cabelos –, quer continuar o que começamos ali em cima? – ele estava de brincadeira, certo? Eu havia acabado de cair uns três ou quatro metros em uma floresta escura e ele queria continuar me pegando? Ah.

Ele beijou meu pescoço e por um segundo eu fiquei tentada. Mas que droga era aquela? Nós passamos uns cinco anos sem se falar direito e agora ele queria me beijar? Francamente...

– Vamos sair logo daqui – falei, soltando-o. Bati algumas vezes em meu vestido para tirar as folhas, e passei as mãos em meus cabelos loiros para checar como estava. Pelo menos não tinha nenhuma folha.

– Agora você não quer nada comigo? – Natsu perguntou indignado, seguindo-me.

– Eu tenho cara de Lisanna para você poder me pegar quando quiser? – perguntei, e senti que ele havia parado.

– O que a Lisanna tem a ver com isso?

– Tem a ver que ela é sua namorada e eu não estou a fim de ficar colocando chifre nela – respondi, e ele bufou irritado, mas pelo menos ficou quieto.

– Admita que você gosta de me beijar.

– E daí que eu goste?

– Você também deve adorar chifrar a Lisanna.

– E daí que eu adore? – perguntei, e ele riu baixinho, puxando minha mão e me abraçando. – Hã, Natsu? – chamei, mas ele ignorou, beijando minha bochecha, depois continuou andando. Eu não pude deixar de sorrir, mas conforme ele se afastou, eu corri atrás para não me perder.

Andamos por algum tempo, e acabamos chegando aos jardins do fundo do castelo. Era lindo demais para ser verdade. Tinha um labirinto de arbustos, fontes de pedra e rosas vermelhas e brancas por todos os lados. Meus olhos deveriam estar brilhando agora. Deveria haver uma entrada no lado sul, norte, leste e oeste do labirinto. O castelo se erguia do outro lado. Ótimo. Andei a floresta inteira e acabei longe do castelo.

– Aonde você vai? – Natsu perguntou, quando eu comecei a entrar no labirinto pelo lado norte.

– Eu já estou aqui mesmo ora, vou pelo labirinto até o outro lado – respondi, e ele revirou os olhos. Agora que havia luz, eu podia ver que seu rosto tinha um corte que sangrava levemente. Eu nem havia sentido, mas quando olhei, havia um corte em meu braço e um pequeno rasgo em meu vestido. Eu já ia entrando no labirinto, quando ele segurou a minha mão.

– Você vai mesmo entrar aí? – perguntou mais uma vez, e eu assenti com um sorriso. Parecia ser divertido. Ele me soltou e eu entrei. Cerca de dois minutos depois, dentro do labirinto, percebi que ele ainda me seguia.

– Por acaso você está perdido? – perguntei, virando de repente, e ele, que estava distraído, trombou em mim.

– Qual o seu problema? – perguntou, ajudando-me a ficar em pé. Eu já falei como é difícil se equilibrar com algo tão pesado?

– Eu que deveria perguntar ameba rosa – falei, e ele revirou os olhos.

– Só continua andando, loirinha, eu quero sair daqui logo – falou. Eu fiquei surpresa. Ele esperava que eu conseguisse sair dali? Eu comecei a rir. – O que foi?

– Bom – falei com calma –, isso aqui é que nem João e Maria.

– Como?

– Estamos completamente perdidos – ri ainda mais da cara que ele fazia. – Só falta a casinha de doces.

– Era só o que me faltava – ele me ultrapassou, e continuou seguindo o caminho reto.

– Ei, Natsu! É por aqui! – avisei, e ele provavelmente não escutou. Eu tinha conseguido deixar ele irritado. E era tudo o que eu queria. Agora estávamos quites por ele ter me derrubado da sacada do castelo.

Lisanna POV

Eu não acreditava no que tinha acabado de ver. Meu Natsu e aquela... aquela... loira oxigenada se beijando na sacada da festa... Mas por quê? Eu não estava entendendo muito bem, quando eu ouvi o barulho de algo trincando, e então eles desabaram. Eu queria correr para ver como meu Nat-kun estava, mas com aquela loira por perto eu não podia fazer isso.

E eu estava ali porque tudo o que eu queria era que Natsu me visse num vestido como uma princesa, mas não me deixaram entrar porque “a família Strauss não foi convidada”. Então eu tinha que arrumar outro jeito de entrar. Eu acabei na floresta, e vendo tudo que aconteceu. Eu sabia que ele sentia atração por aquela loira, mas eles estavam quase se comendo agora pouco, pelo amor de Deus. Que ódio.

– Então – Natsu a abraçou por trás, enquanto a Heartfilia olhava para cima. Segurei-me na hora. “Não Lisanna, você não pode”, pensei. – Quer continuar o que começamos ali em cima? – eu não acreditei. Ele estava dando em cima da loira azeda. Senti algumas lágrimas escorrerem pelo meu rosto.

– Vamos sair logo daqui – ela falou soltando os braços dele, e começou a andar. Eu os segui de longe para ter certeza de que nada mais aconteceria.

– Agora você não quer nada comigo? – ele perguntou indignado.

– Eu tenho cara de Lisanna para você poder me pegar quando quiser? – ela falou, e ele parou. “O que você quis dizer com isso, vadia?”, gritei em meus pensamentos.

– O que a Lisanna tem a ver com isso?

– Tem a ver que ela é sua namorada e eu não estou a fim de ficar colocando chifre nela – ela respondeu, e ele pareceu ficar bravo. Pelo menos uma vez eu fui com a cara dessa aí. Mas eu não acreditei no que o meu Natsu estava fazendo. Por que ele ficava insistindo?

– Admita que você gosta de me beijar – Natsu falou, e eu vi um sorrisinho de canto no rosto dela.

– E daí que eu goste?

– Você também deve adorar chifrar a Lisanna – por que ele estava dizendo essas coisas? Eu comecei a chorar em silêncio no meu canto.

– E daí que eu adore? – Natsu a puxou. — Hã, Natsu? – e então ele a abraçou e deu um beijo em sua bochecha. Ele... nunca tinha agido comigo daquela maneira, com um jeito tão doce e protetor. Talvez ele devesse ficar com aquela loira, mas eu não podia deixá-lo. Eu desisti de continuar atrás deles, era uma ideia idiota e acabei descobrindo a pior coisa que já me aconteceu até então. Natsu idiota!

Natsu POV

Aquela desmiolada. Como assim “estamos completamente perdidos”? E ainda diz isso sorrindo. Enfim, numa tentativa de encontrar uma saída daquele lugar, eu fui parar duas ou três vezes no lugar no qual eu vi Lucy pela última vez. Onde será que ela estava? Eu já nem fazia mais ideia de onde eu estava.

– Ai! – então eu trombei novamente com Lucy. Não que eu tenha ficado feliz, mas era um alívio ter companhia de novo. – Ah, ameba rosa, é você. Não olha por onde anda não? – ela perguntou, e eu mostrei a língua para ela, sem dizer mais nenhuma palavra. – Natsu, isso é hora para querer ficar bravo comigo? Eu achei a saída, mas se continuar com essa cara eu não te conto onde é.

– Como? Você achou? – perguntei surpreso. – Finalmente você foi útil.

– E já fui útil pra você mais de uma vez hoje, não fui? – ela perguntou, andando mais a frente.

– O que? – eu queria que ela tivesse repetido aquilo, mas ela apenas ficou em silêncio me guiando até a saída. Era só o que me faltava, agora ela ia começar a me incomodar desse jeito? Tudo bem que quem estava errado era eu, mantendo dois tipos de relações “amorosas”, mas ainda assim...

Caminhamos por algum tempo. Eu cheguei a achar que ela não sabia por onde estava indo, até que paramos no centro do labirinto. Ali havia uma fonte enorme, e inúmeras rosas cor-de-rosa. Lucy parecia encantada com aquilo. Vários vaga-lumes flutuavam acima de nós, fazendo com que o lugar ficasse iluminado de uma maneira diferente porém bonita.

– Vamos logo Natsu – Lucy pegou minha mão e começou a me puxar mais para o centro do labirinto. Por um minuto, eu nem prestei atenção onde estava indo. Ela corria com um pouco de dificuldade, provavelmente por causa do salto. Seu braço estava com um corte que parara de sangrar a pouco, seu cabelo estava um tanto bagunçado, mas ela estava linda. Peraí, o que raios eu estou pensando?

Levy POV

No começo eu não liguei tanto que Natsu e Lucy tivessem desaparecido. Provavelmente estavam discutindo em algum lugar, ou vai saber o quê. Mas então passou uma hora e meia que eles haviam sumido. Nós olhamos pelo castelo inteiro, em cada quarto, com a permissão de Cheria, a aniversariante, que estava se divertindo ao nosso lado, mas nada desses dois.

Voltamos ao salão, e o pai de Lucy veio me perguntar onde ela estava. Ele parecia preocupado, até falou “eu não deveria ficar bravo com ela a toa, ela é sempre uma garota tão boa. E se tiverem raptado minha filhinha? O que eu faço? Não posso perdê-la também” e um tal de Loke teve que distraí-lo.

Eu fitava o céu escuro da sacada. Ainda achava curioso que aquele pedaço da sacada tenha se quebrado sozinho, do nada. Meu pensamento voou longe. E se eles estivessem apoiados ali e tivesse quebrado? Então os dois cairiam nas árvores logo abaixo. Mas os seguranças disseram não ter visto ninguém ir até a sacada. Mas poderia ter sido quando apagaram todas as luzes, e os seguranças estavam prestando atenção na princesa.

Suspirei. Até que fazia sentido pensando assim. Mas por que eles teriam saído escondidos? Eles estavam tendo um caso? Com toda aquela luz batendo no topo das árvores, eu pude ver algo de uma cor diferente. Estava pendurada em uma árvore bem ali embaixo, uma fita preta de cetim. Fita preta... fita preta... Lu-chan estava usando uma fita preta para prender sua trança. Reparando bem, as árvores estavam um pouco amassadas bem ali. Se eles tivessem caído ali, o mistério se resolvia.

– Levy? – Erza apareceu, e Wendy logo atrás. – Os outros ainda estão procurando os dois pelo castelo.

– Erza, olhe aquilo – apontei para a árvore amassada, e Erza franziu o cenho.

– Aquela não é a fita que estava no cabelo da Lucy mais cedo? – Wendy perguntou. Agora faziam duas horas que os dois tinham sumido.

– E se você reparar bem, as árvores parecem estar amassadas ali embaixo de onde a sacada quebrou – falei, e Erza assentiu.

– Os dois devem ter caído quando a sacada quebrou. Isso explicaria como a sacada quebrou, como as árvores ficaram amassadas, e o porquê de a fita da Lucy estar ali – falou. Nós trocamos olhares e saímos correndo. Se tiver sido assim, os dois caíram na hora do discurso. Para não terem voltado até agora, deviam estar perdidos.

Lucy POV

Tenho que admitir que aquele labirinto era longo, deu algum trabalho, mas logo já estávamos saindo do mesmo, dando de cara com os fundos do castelo. Sorri para Natsu, que pareceu corar um pouco. Ele estava estranho desde que nos encontramos de novo dentro do labirinto. O que tinha acontecido eu nunca vou saber.

– Vamos – falei, ajeitando meu vestido e meu cabelo, e seguia para uma grande porta de madeira ao fundo do castelo. Natsu permaneceu parado, e eu só percebi isso quando eu já estava dentro do castelo sozinha.

– Lucy! – Levy, Erza e Wendy apareceram correndo e me abraçaram. – Você está bem? – perguntaram, e eu assenti.

– Que corte enorme, como conseguiu? – Wendy perguntou, segurando meu braço.

– E seu vestido também está meio rasgado em alguns lugares – Erza falou, olhando para mim da cabeça aos pés.

– E o que houve com o seu cabelo? – Levy perguntou. – Cadê a fita que... – e elas me olharam com olhares maliciosos. Essa não, elas deduziram tudo.

– Onde está o Natsu, Lucy? – Erza perguntou, e eu engoli em seco.

– Como eu vou saber? Deve estar por aí – respondi, seguindo pelo corredor a procura de um espelho.

– É que vocês desapareceram há duas horas – Wendy falou, agora ela me guiava para algum lugar. Arregalei os olhos. Duas horas? Como assim?

– Ah, que coincidência – falei sorrindo, e entramos num grande quarto branco. Wendy fez com que eu me sentasse em uma poltrona e começou a fazer um curativo em meu braço.

– Eu vou procurar a Cheria pra ver se ela tem um vestido para Lucy – a mais nova correu para fora do quarto me deixando apenas com Levy e Erza. Valeu aí, Wendy.

– Começa a falar tudo. Desde o começo – Levy falou sentando ao meu lado.

– Falar o quê? – perguntei, fazendo-me de desentendida, e Erza me encarou.

– Tudo, Lucy – ela sentou do outro lado, séria e curiosa ao mesmo tempo. Não tive escolha senão contar tudo que tinha acontecido, o que não era muita coisa, mas era melhor esclarecer tudo de uma vez. Contei que Natsu havia me beijado na casa dele, e Levy falou “Então é por isso que ele estava estranho”, e elas começaram a discutir por alguma coisa a ver com “minha teoria também estava certa”, mas vai saber do que estavam falando. Depois que elas terminaram a discussão sobre sei-lá-o-quê, eu contei da sacada e de quando eu caí na floresta, e também do labirinto.

– E foi isso, nada de mais – falei, e elas sorriram para mim.

– E esse seu “nada de mais” é bem significativo aqui, não é? – Levy apontou na direção do meu coração, que começou a bater mais rápido.

– O que você quer dizer com isso? – perguntei, confusa.

– Ora Lu-chan, você... – e a garota de cabelos rosas entrou no quarto com Wendy.

– Prazer, eu sou a Cheria – ela se apresentou, com um sorriso, e eu o devolvi.

– Eu sou a Lucy, prazer – falei, e ela abriu uma porta, entrando em outro cômodo. Logo ela saiu com um vestido parecido com o meu, mas muito mais... fabuloso. Erza me ajudou a tirar o vestido todo rasgado, e depois me ajudou a colocar o outro, que serviu com uma luva. Elas também ajudaram a tirar o restante das folhas no meu cabelo, e refizeram a minha trança.

– Você é tão linda, Lu-chan – Cheria falou, sorrindo para mim. – Quase como uma princesa!

– Melhor voltarmos para o salão – Levy falou, olhando um relógio do quarto. – Seu pai estava ficando louco a última vez que o vimos – ela completou, e aí eu me toquei. Meu pai. Mas que droga. Nem mesmo tinha pensado nele depois de cair da sacada. Ouch.

Corremos até o salão o mais rápido que podíamos, e eu vi meu pai conversando com os pais de Natsu, e todos pareciam preocupados com algo. Estremeci só de pensar no que haveria a seguir. Acho que eu não ia sair de casa por um bom tempo. Entrei no salão, e senti alguns olhares sobre mim.

– Filhinha! – ele exclamou, assim que percebeu que eu caminhava em sua direção.

– Papai – sorri para ele, que me abraçou (correção: me esmagou) e depois me soltou.

– Onde você estava esse tempo todo? Por que seu braço está enfaixado? — perguntou preocupado.

– Bem, é que... é que... – pensa rápido Lucy! – Ah! Sabe a parte quebrada da sacada? – perguntei, e meu pai assentiu. – Eu estava lá apoiada olhando para a lua e ela cedeu, aí eu caí na floresta que tem ao lado do castelo.

– E o Natsu, onde ele está? – Saeko perguntou, aflita.

– Ele ainda não voltou? – perguntei, e senti alguém surgir atrás de mim.

– Quando a Lucy ia cair eu tentei segurá-la, mas acabei caindo também. Só demoramos a voltar porque ficamos perdidos na floresta – Natsu completou. “Obrigada Natsu”, pensei.

– Isso é verdade mesmo? – os três adultos me fitaram, e eu assenti com naturalidade. Só isso aconteceu, nada mais. Eu caí, ele tentou me segurar, nós caímos juntos, e nos perdemos lá embaixo. Agora até mesmo eu estava convencida de que nada mais acontecera.

Lucy POV

O dia seguinte era um daqueles sábados em que eu estava tão cansada que tinha vontade de fazer absolutamente nada. Depois da festa da noite anterior, tudo o que eu era capaz de sentir era dor no corpo e no corte que eu recebera no braço que estava enfaixado. Assim que o sol começou a se pôr, eu fui para a lanchonete Ferris, encontrar as garotas como tínhamos combinado, mesmo que não estive em boas condições físicas.

Como fui a primeira a chegar, decidi me sentar na praça em frente à lanchonete, cuja mesma era um ponto de encontro entre amigos e também casais. Fiquei sentada em um banco de pedra durante dez minutos e pude contar cerca de 15 casais passando por ali enquanto as folhas alaranjadas e avermelhadas se desprendiam das árvores e cobriam o chão.

– Hm, que cara é essa, Lu-chan? Está pensando em alguém especial enquanto olha pros casaizinhos felizes? – Levy apareceu inconvenientemente enquanto eu, sem querer, pensava em mim e Natsu no castelo noite passada.

– Até parece né, Levy-chan, em quem eu pensaria? – perguntei rindo, disfarçando a vergonha que estava sentindo.

– Olha, você poderia estar pensando no Rogue – Cana falou. – Pois é Lucy, estou sabendo de tudo e nem estava lá ontem – ela começou a rir da minha cara e me abraçou.

– Ou pode ser, obviamente falando, no Natsu – Erza comentou, chegando atrás de mim e me abraçando também.

– Por que eu estaria pensando no Natsu? – eu senti meu rosto esquentar violentamente e meu coração bater mais rápido. Por quê? Por que eu estava daquele jeito? Já tinham anos que Natsu não mexia comigo daquele jeito, então por que eu estava assim de novo? E todas as circunstâncias que nos impedem de ficar juntos? Por que eu tenho que me sentir dessa forma mais uma vez?

– Relaxa Lu-chan, esquece o Natsu por uma noite, certo? – Levy falou, e logo Juvia apareceu.

– Lu-chan, você está melhor? – perguntou, e eu assenti. Não demoramos a entrar e sentar em uma mesa com vista para o lago de Magnólia e Cana já começar a se embebedar.

– Gostariam de... Vocês – Mira sorriu ao nos ver e nos cumprimentou. Ela era muito amiga nossa, e era a irmã mais velha de Lisanna. Elas também tinham um irmão, mas ele raramente dava as caras na cidade. – Como posso servir-lhes esta noite meninas?

– O de sempre Mira – Levy falou, e ela assentiu, indo preparar uma porção gigante de batatas fritas como sempre para nós. Evergreen, uma amiga do irmão de Mira, também trabalhava no Ferris de sábado a noite e não demorou a vir falar conosco.

Logo começamos a discutir sobre a festa no castelo para colocar Cana a par de tudo, já que ela não pode comparecer. E claro, eu fui interrogada mais uma vez sobre o caso da sacada quebrada e das duas horas sumidas com Natsu. Eu não pude deixar de me sentir feliz com o que acontecera, mas eu não deveria. Natsu tinha Lisanna, e eu tinha um acordo com meu pai.

Já passava das onze quando nos despedimos e cada uma seguiu seu caminho, mas eu acabei ficando na praça, queria ficar sozinha e pensar um pouco. As noites começavam a esfriar conforme o outono passava, mas o pouco frio que eu sentia não me incomodava de ficar ali.

Tinha medo de voltar para casa e meu pai querer falar sobre Loke, o meu possível pretendente. Não me levem a mal, ele era bonito, simpático, e conseguiu me livrar na festa de Cheria para que eu pudesse ficar com meus amigos, mesmo que eu nem tenha ficado com ninguém além do Natsu. Eu mesma adoro um bom romance e acredito que o amor pode nascer a qualquer momento entre duas pessoas que estão destinadas a ficarem juntas, mas Loke não conseguiria nada além de ser meu amigo.

– Lucy? – uma voz familiar chamou por mim e eu olhei em volta. – Que coincidência te encontrar por aqui – Loke falou, sorrindo para mim e parando à minha frente.

– Ah claro, digo o mesmo – devo ter sorrido de uma maneira estranha, pois naquele exato momento eu estava com vontade de chorar por não saber o que fazer e como agir.

– Você não está sorrindo como sempre sorriu Lucy. Aconteceu alguma coisa? – sorrindo como sempre sorriu? Hã?

– Eu estou bem, Loke, de verdade, não precisa se preocupar – respondi, e ele me fitou. – Eu só estou um pouco confusa, e...

– Seja o que for, tenho certeza que você vai dar a volta por cima.

– Você tem muita confiança na minha capacidade, não é? Como pode isso? – perguntei, e ele se sentou ao meu lado.

– Lucy, quero que seja sincera comigo. Quem você acha que eu sou?

– Sinceramente? – perguntei apreensiva, e ele assentiu. – Um pretendente que meu pai arrumou para mim mesmo que eu não tenha idade para me casar – respondi, e ele suspirou, com uma risadinha no final.

– Sério mesmo? – ele perguntou, e eu hesitei, fitando-o. Por um segundo pensei que estivesse errada, mas essa parecia a resposta mais coerente. – Por mais que eu quisesse me casar com você, Srta. Heartfilia, não é por isso que eu estou aqui.

– Como? Você não vai se casar comigo? – sim, eu estava com um ar completamente confuso.

– Eu até me casaria, mas seu coração não pertence a mim – respondeu, e eu senti meu rosto esquentar. – A verdade é que...

– Lucy? – olhei para o vulto que parou à nossa frente.

– Natsu? O que faz aqui? – perguntei. Agora que eu ia descobrir a verdade, ele aparece?

– Eu que pergunto. Você sabe que horas são? – rapidamente procurei meu celular no bolso, e o mesmo estava sem bateria. – Você parece ser mais velho, não devia cuidar do horário dela? Ela não devia estar na rua há essa hora.

– Não seja por isso. Justamente por ser mais velho eu poderia cuidar dela sem problema algum – Loke respondeu, checando seu celular.

– Vamos Lucy, eu te levo para casa – Natsu pegou minha mão e me puxou para cada vez mais longe, dando tempo apenas de ver Loke acenando para mim.

– Natsu! Isso foi muito rude – falei, e ele soltou minha mão, dando de ombros. Pergunto-me por que eu me senti incomodada de ele soltar a minha mão.

– Você não deveria ficar por aí à toa a essa hora, é perigoso – advertiu-me.

– Mas você também está à toa por aí há essa hora – protestei, e ele suspirou.

– Eu não confio nesse cara, você deveria tomar mais cuidado – continuou, ignorando-me por completo. – Ele poderia ter abusado de você, já pensou nisso?

– E desde quando você liga para o que pode e o que não pode acontecer comigo? – questionei, mas na verdade me sentia feliz de ele ter se importado comigo. Ele não me respondeu, e seguimos em silêncio. Murmurou algo como “se cuida”, e foi embora, deixando-me sozinha em frente à minha casa. Esse Natsu era uma incógnita para mim. Em um momento ele não dava a mínima para mim, e em outro ele me “salvava” de alguém. Vai entender.

Notas finais
Então, quaisquer erros de português e/ou de concordância passaram despercebidos por mim na revisão. Eu achava que era o próximo capítulo que passava de 10000 palavras, mas é só o sétimo, que pena haha Até o próximo minna-san! :3