FT High School: Where All Began
6 Gostosuras ou Travessuras
Notas iniciais
Lucy POV
Para ser sincera, esse ano eu não estava com vontade de ir a uma festa de Halloween. Alguma coisa me dizia que eu deveria ficar em casa e eu passei o mês de outubro inteiro falando para Levy que não ia, mas a tampinha não quis me ouvir de jeito algum, então me arranjou uma fantasia de Alice no País das Maravilhas e fez questão de me ameaçar de ser atormentada por ela por um bom tempo para que eu vestisse a fantasia e aparecesse na festa.
Mas eu não conseguia acreditar no que via no espelho. Pelo amor de Deus Levy-chan, que roupa é essa que você me arrumou? Era tão curta e reveladora que eu tinha me arrependido de topar usá-la, parecia ter saído de um Sex Shop e eu não duvidava nada de que não fosse mesmo. Meu celular não parava de vibrar com mensagens, afinal eu estava atrasada, mas como eu ia sair de casa daquele jeito?
Virgo aconselhou que eu pegasse meu carro para ir, porque sair andando na rua daquele jeito, mesmo no Halloween, poderia ser meio perigoso, e eu assenti. Mesmo não tendo carteira de motorista, eu já tinha um carro, e já havia aprendido a dirigi-lo. Por sorte meu pai já havia saído para jantar na casa dos Dragneel quando saí do meu quarto.
Suspirei pesadamente quando liguei o carro. Levy-chan, você ainda ia me pagar caro por todas as suas chantagens. Dei ré cuidadosamente para não bater nos outros carros na garagem e saí da mesma, entrando na rua e indo em direção à casa de Sting e Rogue, que era a mais afastada de todos do nosso grupo.
Conforme eu passava as ruas, eu olhava as pegadinhas pela janela. Esse ano eles capricharam. Havia um tipo de gosma verde jogada em alguns lugares, papel higiênico por tudo, e tenho certeza que muitas bombinhas espalhadas por aí. Só esperava que esse ano não tivessem tido a ideia de colocar tachinhas na rua para furar os pneus dos carros. Ano passado várias pessoas foram pegas cobertas de ovos por simplesmente terem descido de seus carros para dar uma olhada no pneu furado. Eu optaria por ficar dentro do carro até amanhecer.
Ao estacionar o carro no único lugar que encontrei a uma quadra da casa, eu corri para encontrar o pessoal e não ser pega por armadilhas. Erza estava vestida de diabinho com uma roupa de couro vermelha colada e um tridente, Levy de Chapeuzinho Vermelho, o que eu achei inocente demais para ela, Natsu estava com um terno preto e um óculos de sol, e Gray estava com uma capa negra com um capuz cobrindo seu rosto. Mira estava com asinhas brancas e um vestido branco, provavelmente vestida de anjo, junto com Laxus, com uma fantasia que eu não sabia distinguir. Talvez ele nem estivesse fantasiado. Os dois sempre andavam juntos, mas nunca realmente assumiram namoro.
E claro que Lisanna também estava lá, em sua fantasia de prostituta de quinta categoria que usou ano passado, pendurada em Natsu, que estava com a cara fechada de sempre. Gray olhava em volta, talvez procurando por Juvia, mas se Lyon não fosse à festa, ela também não apareceria.
– Onde a Lucy se meteu? Ela está demorando muito dessa vez – ouvi Levy resmungar de longe, olhando o horário no celular de Erza.
– Eu sou obrigada a vir, e ainda tenho que chegar na hora que você manda, baixinha? – perguntei, parando atrás dela. Engraçado que ela continuava baixinha mesmo de salto. Gajeel apareceu, e parecia vestido de algo como um lobisomem, o que combinava com o tamanho dele, e Jellal logo atrás dele, de mágico talvez, com uma cartola e uma varinha preta e branca.
– Vamos logo – Gajeel falou, e entramos na casa, que estava toda decorada com abóboras, teias gigantes de aranhas, túmulos com terra, e mãos esqueléticas saindo do chão. As cortinas do hall estavam todas rasgadas, e uma luz fraca e fantasmagórica iluminava o local. O gelo seco se espalhava pelo chão, alcançando até o meu tornozelo.
– Eles capricharam esse ano – Natsu comentou, e Gray assentiu, tocando em uma das teias de aranha que se prendeu em seu dedo.
– Não estrague a decoração, panaca – Erza falou, fazendo pose com seu tridente.
– Isso mesmo, mantenha as mãos longe da decoração, panaca – Natsu enfatizou o panaca de Erza com uma risadinha, e uma das vassouras de bruxa da decoração acertou-lhe a barriga.
– Quem você está chamando de panaca, olhos puxados?
– Seu striper de gelo – Natsu pegou algo próximo a ele e jogou em Gray, que conseguiu desviar. Um dos pedaços que voara próximo a mim me fez perceber que era uma abóbora pequenininha que explodira como uma bombinha na parede.
– Vocês dois, é melhor pararem – falei, tentando acalmá-los. Erza sempre os parava, e eles nem mesmo começavam a discutir quando ela estava por perto. Bom, a aura malvada de Erza estava começando a surgir. E apesar de não ser a primeira vez que eles apanhavam dela, eu ainda achava que era melhor maneirar. Pelos menos uma vez na vida.
– Ele que começou! – Gray gritou, apontando para Natsu.
– A culpa não é minha que você é um panaca – Natsu protestou. – Eu só concordei com a Erza! – todos congelaram quando o barulho de algo se quebrando ecoou no meio do hall. Alguns convidados que chegavam pararam também. Eu suspirei, e olhei vagarosamente para trás. Erza segurava seu tridente enfiado em um dos túmulos de enfeite de pedra que jazia em pedaços no chão.
– Parem com isso agora – ela avisou, a voz num sussurro leve que fazia um arrepio percorrer meu corpo inteiro. Os dois se afastaram assustados, e ela voltou a ficar calma assim que Jellal a encarou, e ela sorriu docemente para ele como se ela não tivesse acabado de quebrar um negócio de pedra com um tridente de plástico.
– Maldita ruiva bipolar – Gray resmungou. – Não sei quando tenho mais medo dela, quando ela está com aquela aura demoníaca ou quando ela fica toda meiga com o Jellal – ele fez cara de nojo e todos concordaram.
– Taí um cara corajoso só por ficar de boa com a Erza sabendo de como ela é – Levy comentou, e eu assenti. Nós entramos no salão que seguia a decoração do Hall, um DJ tocava em um canto do salão em frente a uma pista de dança com uma cabeça de abóbora, e várias mesas estavam dispostas com garçons circulando pelo lugar. Parei ao lado de uma mesa junto com Gray, discutindo que devíamos juntar duas mesas para todos se sentarem.
Levy POV
Parada longe de Lucy pude analisar a bela escolha de fantasia que eu tinha feito. Natsu estava com Lisanna não tão afastado de nós, e estava olhando para Lucy com um olhar nada decente. Já a namorada biscate dele com aquela fantasia de gata puta dela, começou a se remoer de ciúmes, tentando chamar a atenção de Natsu para ela. E meu primo não pareceu muito feliz ao ouvir Gray elogiar a roupa de Lucy.
– O que há tampinha? – Gajeel apareceu logo ao meu lado, curioso.
– Nada ora, por que a pergunta?
– Você está com o sorriso maligno de quem está aprontando alguma coisa – ele respondeu, e eu dei uma risadinha de inocência como se não soubesse do que ele estava falando.
– Eu? Aprontando alguma coisa? Claro que não – falei, e ele cruzou os braços, com aquela risadinha de sempre.
– Seja o que for eu quero participar – ele falou, e eu o fitei. – Coisa boa não é com certeza.
– Não estou aprontando nada, e mesmo que eu estivesse, eu não precisaria da sua ajuda porque está tudo sob controle.
– Então, hipoteticamente falando, se algo der errado, e precisar de ajuda, eu quero ajudar – falou, e eu suspirei. Estava com a impressão de que ele sabia o que eu estava tentando fazer.
– Hm, hipoteticamente falando, se algo desse errado apesar de eu não estar aprontando nada, eu deixo você me ajudar – falei, e ele sorriu para mim, o que me fez corar, mas ninguém pareceu notar.
Natsu POV
Era pouco mais de meia noite. Todos dançavam na pista de dança, cheia de gelo seco e luzes. Eu definitivamente não queria estar ali. Eu devia ser um dos poucos sóbrios e conscientes daquela festa. Até mesmo Lisanna estava bêbada, pelo amor de Deus. Não que ela não ficasse bêbada direto, o que ela ficava, mas dessa vez ela estava caindo de tanto que bebeu.
Agora ela dançava junto com as amigas que ela encontrou no meio da pista de dança. Finalmente, devo dizer. Nunca foi tão difícil convencê-la de fazer algo sem mim, ela sempre ficava muito persistente quando estava bêbada. Levy conversava com Gajeel e Gray num canto sentados em uma mesa, Erza e Jellal haviam sumido fazia algum tempo (se é que me entendem), Mira e Laxus conversavam num outro canto. Cana estava com um cara que eu não conhecia enchendo a cara no bar e rindo.
Mas a minha atenção não era em nenhum deles, e sim numa certa loira que estava rodeada de homens na pista de dança. Lucy parecia um tanto desconfortável com tantos caras à sua volta, mas ao mesmo tempo ela parecia não ligar, por isso eu pensava que ela estava bêbada. Alguma coisa nela estava me deixando completamente doido. Eu normalmente me sentia assim perto de Lucy, mas hoje estava pior.
Ela provavelmente foi obrigada por uma certa tampinha de cabelos azuis a vestir aquele vestido curto que não chegava à metade da coxa, azul, com um avental branco. Usava uma meia branca que ia até acima do joelho e um sapato com um salto baixo preto, e seu cabelo já estava bagunçado, mas no começo da festa havia uma faixa preta em meio aos cabelos loiros. Acho que já deu pra entender que ela estava vestida de Alice, de Alice no País das Maravilhas. Na verdade, se a Alice da história fosse como Lucy, eu teria me interessado, afinal, ela conseguia ser a Alice mais sexy já vista na Terra.
E então eu vi. O irmão “gêmeo” de Sting apareceu, e chamou Lucy para sair da pista de dança. Rogue devia estar vestido de algo como um vampiro, era difícil dizer, já que ele se vestia inteiro de preto todos os dias, só que sem a capa. Ele aparecia e desaparecia da festa, e quando aparecia, ficava em cima de Lucy. Ele não parecia estar interessado nela até esse ano começar, então qual era a dele? Os dois sentaram em uma mesa não tão longe de mim e começaram a conversar, rindo e bebendo. E então eles começaram a se aproximar mais e mais. E seus rostos estavam a alguns poucos centímetros de distância.
Por impulso, olhei Levy de relance, que me fitava. Sua tampinha irritante, agora eu percebi o que ela estava tentando fazer. Eu não ia entrar no jogo. E eu pensava assim até que eu olhei novamente e os dois se beijaram. Senti a raiva percorrer meu corpo, e eu me levantei, sem saber o que fazer, sendo guiado pelo meu instinto. Então eu senti uma mão forçando a me sentar novamente.
– Como você veio até aqui tão rápido? – perguntei. Ela balançou a cabeça, e se sentou ao meu lado. – Qual o seu problema? – ela não iria me deixar impedi-los de maneira alguma.
– Essa é a punição que você recebe por não admitir seus sentimentos pela Lucy e namorar aquela vadia – Levy falou com um tom de voz irritado, mirando Lisanna com os olhos.
– Eu não tenho sentimentos pela Lucy! – protestei, e ela soltou uma risadinha maligna.
– Claro que não – dava pra perceber a ironia em sua voz. – Então você ia levantar para fazer o que?
– Eu ia... Eu ia... – e desisti de tentar encontrar uma resposta. A verdade é que eu estava irritado em ver Lucy beijando aquele gótico. E eu estava cansado de ter que aguentar Lisanna no meu pé o tempo inteiro.
Lucy POV
Abri meus olhos e me separei de Rogue, que não me olhava de vergonha. Eu sentia algo pressionando meu coração. Não podia dizer que não tinha gostado, mas alguma coisa me incomodava naquilo, era como se eu me sentisse culpada por ter correspondido ao seu beijo.
Pedi desculpas e saí do salão, e logo me encontrava fora da casa, na rua vazia, com aquele vento gelado da madrugada batendo em meu rosto, em minhas pernas, e bom, no meu corpo todo, eu estava só com aquela fantasia super curta que Levy arrumara para mim. Sentia meu rosto queimar de vergonha. Não deveria tê-lo beijado, mas eu não sou compromissada para me sentir mal em beijar um cara.
Estava me sentindo meio tonta, e tentei me lembrar onde parara meu carro. Era mais para cima ou mais para baixo da rua? Certamente era um local afastado da casa. Resolvi usar a minha intuição e andei para a esquerda, na esperança de encontrar meu carro em algum lugar.
A rua estava deserta, a lua brilhava alta no céu cheio de nuvens baixas. Eu podia ver minha respiração no ar, de tão gelado o mesmo estava. Não conseguia encontrar meu carro em meio aos outros, afinal, muitos eram parecidos com o meu. Apoiei-me em um poste. Estava com a cabeça girando, e cansara muito fácil até ali.
– E aí, loirinha? – uma voz gélida chegou até mim, e um arrepio percorreu meu corpo.
– O que faz por aqui, sozinha, há essa hora? – outra voz perguntou, e algo me dizia para correr, mas minhas pernas não quiseram me ouvir.
– Você por acaso estava em uma festa de Halloween? – uma terceira voz, que parecia ser a do mais jovem do grupo, e mais próxima a mim, chegou aos meus ouvidos. – Que Deus abençoe o Halloween! Eu gostaria que garotas bonitas como você se vestissem assim todos os dias.
–Eu não posso discordar – o segundo cara falou. – E qual é o seu nome, loirinha?
– Você pode falar, não vamos fazer mal a você – o terceiro cara falou, pegando meu braço e passando a mão por ele, do meu ombro até as pontas dos meus dedos.
– Eu... — um branco total tingiu a minha mente. Não sabia o que dizer, nem o que fazer. Se eu dissesse ou não, que diferença faria? Eu estava com medo do que aconteceria a seguir. Senti uma lágrima escorrer pelo meu rosto.
– Acho que ela está com medo – o segundo falou, e o primeiro riu.
– E deveria mesmo, depois do que faremos a ela – falou, sua voz me assustava ainda mais, pode acreditar.
– Vocês não irão fazer nada a ela – uma voz conhecida apareceu, e o terceiro cara soltou meu braço, tremendo. – Lucy, abaixe-se – e se nem mesmo ver quem era, eu me abaixei.
– Ele não teria coragem de atirar, teria? – o segundo cara perguntou.
– Mas é claro que não teria – o primeiro falou, rindo.
– Eu teria e vou se não saírem daqui imediatamente.
– Chefe, ele não vai dar pra trás, é melhor sairmos daqui – o terceiro falou.
– Não seja medroso, ele... – o primeiro parou de falar de repente. – Você teria, não teria? Então fazemos do seu jeito. Vamos – e eu ouvi os três caras saírem correndo, seus passos ficando mais e mais distantes.
– Você não precisa chorar – uma mão quente tocou meu ombro, e só então percebi quem era.
Natsu POV
Agora Levy, Gajeel e Gray estavam sentados junto comigo, assistindo Lucy sair cambaleando do salão e Rogue nem mesmo se mexer onde estava sentado. Suspirei com a cena, ver Lucy beijando aquele cara realmente me irritou, então os três me fitaram.
– O que foi? – perguntei, e Levy suspirou.
– Larga de ser idiota e vai logo atrás dela, ela passou da conta hoje, pode acontecer algo com ela – falou irritada, e eu revirei os olhos.
– Vai logo, cara – Gray falou, tomando um gole de uma bebida roxa. Gajeel parecia indiferente na história toda, mas fez um aceno com a cabeça que eu deveria ir atrás dela, mas permaneci sentado. Levy balançou a cabeça em desaprovação, e então eu tive um péssimo pressentimento quanto à Lucy.
– Tudo bem, eu vou – falei, e saí andando mais rápido que o normal. Estava quase na porta, quando senti algo pesar em meu braço direito.
– Ah, querido, aonde você vai? Vamos dançar um pouco, você anda muito sério – Lisanna falou, tentando me puxar para a pista de dança, mas eu mal me mexi.
– Eu preciso avisar uma coisa pra Lucy, Lisanna – ela fez um bico enorme com minha explicação.
– Quando foi que você começou a chamá-la pelo nome, Natsu? – perguntou. Ela provavelmente estava com ciúmes. – E por que tem que ser você?
– Lisanna, por favor, isso é hora de ficar ciumenta desse jeito? – então ela fez algo que me surpreendeu. Pela primeira vez, ela levantou a voz comigo, mas acho que quase ninguém ouviu, afinal, a música alta ecoava pelo salão.
– Com aquela loira vadia por perto eu tenho que ficar de olho em você, Natsu Dragneel. Pensa que eu não sei que foram vocês que quebraram a sacada daquele castelo velho? Pensa que eu não vi você indo pra cima dela? – ela falou, e eu gelei. Percebi que meus amigos agora nos fitavam, com exceção dos que estavam na pista de dança. – Só que eu devo admitir que fiquei surpresa quando ela te rejeitou, realmente, naquela hora ela não foi tão vadia como eu pensava que ela era.
– Do que você está falando? Você nem mesmo estava no castelo naquela noite – perguntei, tentando desviar a atenção dela, mas ela parecia estar focada naquilo. Caramba, ela estava guardando aquilo tudo há um mês e eu nem desconfiei. É claro que ela tentaria entrar naquele castelo a todo custo, como eu não pensei nisso?
– Não tente me confundir, é claro que eu estava lá e eu vi tudo, seu idiota – falou. Ela nunca tinha falado comigo desse jeito até hoje. – Mas se o que você quer é ir atrás dela, eu não vou te impedir, pode ir.
– Lis, querida, eu só vou falar com ela rapidinho, não se preocupe – falei, beijando-lhe na testa. Conforme o tempo em que estávamos juntos passava, eu percebi que ela ficava mansinha quando eu a beijava na testa. – Nada a mais vai acontecer, eu prometo.
– Promete mesmo? – ela perguntou, com os olhos brilhando.
– Prometo – e ela me abraçou, sorrindo, e logo depois pegou um copo com uma bebida rosa que tinha um forte cheiro de morango, e voltou a dançar com as amigas. Suspirei. Olhei para Levy, que me mandou continuar o que estava fazendo o mais rápido possível. É verdade, eu ainda estava com aquele pressentimento de que algo ruim estava para acontecer.
Certo, e pra que lado Lucy teria ido? Se eu a conheço bem, ela nem deve se lembrar onde estacionou o carro, mas havia 50% de chances de ela ter ido para o lado certo, então andei para a esquerda.
A cada passo que eu dava, a sensação de algo ruim piorava. Foi aí que eu ouvi as vozes de três caras, e eu parei onde estava. Pude ver um cada vez mais perto de Lucy, e ela estava mais pálida que o normal,e apesar da luz fraca, eu vi uma lágrima escorrer por seu rosto. Devia estar apavorada.
– Acho que ela está com medo – um dos caras falou, e o outro riu. Esse que riu parecia ser o mais jovem, e segurava o braço de Lucy. Como ele ousa tocar nela?
– E deveria mesmo, depois do que faremos a ela – falou, sua voz era gélida e me dava arrepios. Eu tinha que fazer alguma coisa, até que me lembrei de uma coisa.
– Vocês não irão fazer nada a ela – falei, aparecendo em frente a eles, e o cara que segurava Lucy a soltou. – Lucy, abaixe-se – e ela se abaixou no mesmo segundo.
– Ele não teria coragem de atirar, teria? – um dos caras perguntou, e eu me esforcei para fazer o meu melhor sorriso malvado.
– Mas é claro que não teria – o mais velho, o da voz que causa arrepios em qualquer um, riu.
– Eu teria e vou se não saírem daqui imediatamente – falei, tentando parecer corajoso. A verdade é que eu tinha medo que eles desconfiassem e fizessem algo à Lucy.
– Chefe, ele não vai dar pra trás, é melhor sairmos daqui – o mais novo falou.
– Não seja medroso, ele... – o “chefe” parou de falar de repente. – Você teria, não teria? Então fazemos do seu jeito. Vamos – e os três foram embora. Eu suspirei, aliviado, e me virei para Lucy, que tremia e deixava algumas lágrimas escaparem.
– Você não precisa chorar – falei, tocando seu ombro, e senti sua pele fria. Ela se virou, encarou-me rapidamente e me abraçou, tremendo.
– Obrigada – ela murmurou, e eu sorri de canto. Era estranho estar abraçando Lucy depois de tanto tempo sem uma demonstração real de afeto, e ela me agradecendo por algo. Eu sentia que não queria parar de abraçá-la nunca mais. Eu poderia ficar daquele jeito que estávamos agora para sempre e eu não me importaria. Mas não era assim que funcionava, afinal eu tinha uma namorada.
– Como você está se sentindo agora? – perguntei, quando ela se separou de mim.
– Você não precisa se preocupar comigo Natsu, você deveria estar com a sua namorada agora – ela falou, sorrindo fraco. Ela dizia aquilo, mas ainda assim parecia abatida com o que acontecera.
– Se eu estivesse com a Lisanna agora, coisas ruins poderiam ter acontecido com você, já imaginou? – falei, e ela desfez o sorriso de canto.
– Eu fiquei com tanto medo quando aqueles caras apareceram – ela abaixou a cabeça e a franja loira cobriu seus olhos, mas pude perceber uma lágrima escorrer por seu rosto. Eu passei a mão tirando a lágrima dali, e eu percebi ela dar outro sorrisinho de canto. – Eles falaram de atirar. Por acaso você carrega uma arma por aí? – ela perguntou, e eu soltei uma risada, mostrando uma réplica fiel de um revólver que, apesar de tudo, era um brinquedo.
– Eles caíram certinho – sorri para ela, e ela deu uma risada abafada, pegando o revólver da minha mão.
– Por que você está carregando um revólver de brinquedo por aí? – ela perguntou, e eu dei de ombros. A verdade é que, como eu não queria ir à festa, eu não arranjei nada pra vestir, então eu peguei um revólver de brinquedo para fazer de conta que eu era algo como um espião. Pelo menos essa foi a ideia da Levy, que queria porque queria que eu viesse na festa. Eu não ficaria surpreso se ela tivesse armado tudo para eu “proteger” a Lucy.
– Ah, isso faz parte da minha fantasia de espião – respondi, e ela arqueou uma sobrancelha.
– Espião? – perguntou, e eu assenti. – Isso explica o terno.
–É claro, já viu um espião que não estivesse bem vestido? – falei, e começamos a rir. Eu tinha me esquecido como era divertido ficar com ela assim, rindo. Parecia que eu tinha voltado no tempo, para a época em que éramos crianças e fazíamos tudo juntos. – Venha, eu te levo até seu carro.
– Obrigada – ela falou, apoiando-se em mim e levantando, meio tonta. Devia ser efeito da bebida, então ela mal conseguia ficar em pé em cima do salto, mas a tremedeira em suas pernas ainda devia ser o susto que levara com os três caras.
– Você consegue dirigir nesse estado? – perguntei, quando encontramos seu carro e ela se sentou no banco do motorista.
– Claro, não se preocupe comigo – respondeu, sorrindo.
– Então me dê uma carona – falei, e ela me fitou, desconfiada. – O que foi? Eu quero só uma carona até em casa, eu vim a pé sabia? – no fim ela acabou me dando a carona, apesar de quase ter nos matado quando passou perto de uma árvore enorme na calçada. Mas eu cheguei vivo em casa e ela estava melhor agora, isso que importava.
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