FT High School: Where All Began
2 Amar é Complicado
Notas iniciais
Lucy POV
Nosso grupinho de meninas, que contava comigo, Levy, Erza e Juvia, marcamos de sair a noite e ir até uma lanchonete antiga da cidade, Ferris, com tema de anos 50, que frequentávamos com nossos pais desde pequenas, então mesmo o dono e os funcionários mais antigos já nos conheciam. Aquele lugar me trazia tantas lembranças que eu preferia esquecer... Sentamos ao lado de uma janela, e logo começamos o interrogatório.
– Juvia, você fugiu do colégio essa manhã depois do intervalo – Erza falou.
– Você nem tentou atacar o Gray também – Levy falou.
– Juvia não pode mais atacar outros caras... – Juvia falou, envergonhada.
– E isso por...? – perguntei, e ela suspirou, desabafando.
Ela começou a falar do último dia de aula, que Gray dera o provável milésimo fora nela. Chateada, ela foi para casa sozinha, e no meio do caminho encontrou Lyon, também sozinho. Os dois começaram a conversar, e foram para uma sorveteria. Lá eles ficaram até a noite conversando sobre tudo que se possa imaginar, e no dia seguinte, eles se encontraram de novo, quando ele a convidou para ir para a praia junto com o pessoal do colégio dele, e ela aceitou.
Já na praia, os dois ficaram quase todo o tempo juntos, e quando ele percebeu que Juvia ficava triste de vez em quando, sempre que lembrava dos foras que recebeu de Gray, ele falou de eles saírem, e na praia tiveram um encontro que ela considerou perfeito.
Quando voltaram para Magnólia, continuaram se encontrando, praticamente todos os dias, e tiveram seu segundo, terceiro, quarto, e etc, encontros. Então ele falou que gostava muito de passar o tempo com ela, e a pediu em namoro. Ela aceitou, porque já nem lembrava mais de Gray, mas a maior parte do que ela sentia voltou numa lembrança sem fim no primeiro dia de aula, por isso o chamou de “Gray-sama” acidentalmente.
– Quer dizer que você encontra o Lyon há três meses mais ou menos? – Erza perguntou, com um tom de decepção em sua voz.
– Por aí... – Juvia respondeu.
– Por isso a gente tentava te ligar pra sair à noite e você não atendia o celular e nem respondia as mensagens – Levy falou, e Juvia assentiu.
– Vocês iam sair hoje? – Erza parecia um tanto abalada. Ela, assim como eu, torcia para que Gray e Juvia ficassem juntos, mas bem, nem tudo é como queremos que seja. Eu mesma fui forçada a aprender isso.
– Juvia avisou que sairia com vocês, e ele disse que tudo bem – respondeu, e assentimos, entrando num silêncio profundo.
– No final nós não terminamos nossa conversa no colégio – falei, tentando quebrar o gelo, e Levy me encarou.
– Então você começa Lu-chan – falou, e todas me olharam com expectativa.
– Começar por onde? – perguntei confusa.
– De quem você gosta? – elas perguntaram em uníssono.
– Eu não gosto de ninguém – respondi, e elas me olharam com cara de “aham sei”. – É sério!
– Lucy, nós sabemos que...
– Juvia! – todas olhamos para o homem que acabara de parar ao lado da nossa mesa.
– Lyon! – Juvia se levantou imediatamente, um tanto atrapalhada, e sorriu para ele, que passou a mão em seu rosto.
– Eu estava com saudades – falou, depositando um beijo em sua bochecha. Eu sorri. Os dois pareciam mesmo se gostar. Talvez com Lyon ela não sofresse tanto como sofreu com Gray. Olhei pela janela, e vi um grupo conhecido se aproximando da lanchonete, rindo.
– Levy, olha quem está vindo – sussurrei e ela olhou pela janela. Primeiro ela ficou vermelha, depois eu acho que ela entendeu o que eu queria dizer. Gray estava ali. E eu estava louca para ver a reação dele.
Sting pareceu me perceber, porque acenou e mandou um beijo. Depois Natsu olhou e revirou os olhos, acenando para sua prima. Gajeel também olhou para nós, mas logo desviou o olhar, e Levy ficou vermelha de novo. Claro que eu mandei um sorriso malicioso que a fez ficar incomodada. Então Gray entrou na lanchonete e olhou em nossa direção, mas tenho certeza que ele não acreditou que Juvia estava beijando seu “arquiinimigo”.
– Juvia? – ele parou, e Juvia olhou de canto para ele. Dava para ver em seus olhos que ela não queria que as coisas fossem assim.
– G-Gray-sama – gaguejou. – Quer dizer, Gray... Juvia não... Juvia... – ela não conseguia nem formar uma frase, até que eu vi um sorriso de canto se formar no rosto de Lyon, e ele se virou.
– Fullbuster, aqui estamos nós novamente – falou, segurando a mão de Juvia, que parecia a ponto de chorar. – Juvia, acho que suas amigas ficariam felizes em te levar para casa, eu cuido das coisas por aqui – lançou-me um olhar preocupado, e eu assenti, colocando-me em pé, e ele deu um beijo em sua namorada.
– Vamos Juvia – Levy se levantou e guiou Juvia para fora da lanchonete, puxando Natsu junto, e eu parei ao lado de Gray.
– Não faça nada estúpido, lembre-se de quem é a culpa por isso ter acontecido – sim, eu fui meio dramática, mas a culpa era mesmo dele. Ele gosta da Juvia. Ele gosta quando ela fica pendurada nele o dia inteiro. Ele gosta quando ela fica preocupada quando ele está de mau humor. Todos já perceberam o quanto ele fica incomodado quando ela não está por perto, só faltava ele admitir.
Andamos em silêncio por um tempo, indo para a casa da Juvia. O bom era que morávamos todos perto uns dos outros, então não ficava difícil para ir de uma casa a outra no meio da noite.
– E a Lisanna? – Levy perguntou, e Natsu suspirou.
– O que tem ela?
– Ora, ela está sempre grudada em você, e agora ela não está.
– Eu pedi para ela me deixar em paz essa noite – Natsu falou, e eu ouvi alguns passos atrás de nós. Eu olhei para trás, mas não tinha ninguém.
– O que foi, Lu-chan? – Levy perguntou, e todos olhamos para trás ao mesmo tempo.
– Nada, eu só tive a impressão de que alguém estava nos seguindo – falei, e Natsu parou.
– Só tem um jeito de saber – ele falou, e me abraçou. Claro que na hora eu fiquei extremamente envergonhada, mas ele só estava me sacaneando. Ou foi o que eu pensei. No mesmo minuto, o celular de Natsu tocou e ele atendeu. – O que foi? Já falei pra você não ficar me seguindo, isso é doentio. Apareça.
E então ele desligou o celular e Lisanna apareceu, como uma assombração. Obrigada Natsu, você acabou de dar a ela mais um motivo pra me perturbar. Levy fez um sinal para continuarmos andando, deixando Natsu para trás com a namorada, e não demorou muito para chegarmos à casa de Juvia.
– Obrigada por trazerem Juvia até aqui, mas não precisava – falou, limpando algumas lágrimas.
– Amigas são para isso – falei, colocando a mão em seu ombro. – E você não precisa chorar.
– Mas Juvia não queria que Gray-sama descobrisse sobre Lyon-sama daquele jeito – ela falou, entre soluços. – Gray-sama nunca mais vai olhar na cara da Juvia!
– Não vai ser assim, não se preocupe – Levy falou, sorrindo. – Tudo vai se resolver em seu próprio momento.
– Você ainda gosta do Gray, não gosta? – perguntei e ela ficou vermelha, mas não parou de chorar.
– Juvia não sabe dizer de quem ela gosta. Lyon-sama sempre cuidou bem da Juvia, diferente do Gray-sama... Isso tudo é muito difícil para a Juvia!
– É difícil para todas nós, e você sabe disso – falei, e ela assentiu. Jellal, seu irmão, viu-nos da janela e saiu correndo de dentro da casa ao ver que Juvia chorava, e ela o abraçou. É importante ressaltar que Jellal é um ano mais novo que nós, mas pulou uma série por ser inteligente, então estudava na nossa sala.
– Nee-chan, o que aconteceu? – perguntou, preocupado.
– Acho que é melhor ela se acalmar antes e depois te explica – Levy falou e ele assentiu, levando a irmã para dentro de casa.
Meu celular então vibrou no meu bolso e eu o peguei. Era uma mensagem de Erza que dizia “Lucy, se não for incomodar demais, você pode vir aqui em casa?”. Acho que essa seria uma longa e exaustiva noite por conta dos recentes acontecimentos.
– Eu vou até a casa da Erza – falei para Levy, e ela suspirou.
– Eu vou junto.
– Você só quer ver o circo pegando fogo, não é mesmo?
– Você me conhece muito bem Lu-chan – ela sorriu para mim, e nós seguimos caminho até a casa dos Fullbuster, que eram quase meus vizinhos.
Natsu POV
Depois de a Lisanna aparecer, Levy e Lucy levaram Juvia para casa e eu consegui convencer a minha namorada de que ela deveria me deixar em paz por apenas uma noite. Desde que nós nos conhecemos ela fica pendurada em mim. Sinceramente, ela é pior que a Juvia nesse caso. Quando ela finalmente foi embora, eu encontrei Erza e Gray voltando para casa. E eu nunca pensei que o veria com um olhar tão vago na vida. Ele era meu melhor amigo, e eu sempre soube que ele gostava da Juvia mesmo que ele nunca admitisse, e eu imaginava como ele reagiria se algo como o que aconteceu hoje acontecesse de verdade.
Erza me chamou para ir até a casa deles e mandou uma mensagem para Lucy dizendo para ela ir até lá. Claro que ela chamou a Lucy, afinal Lucy e Gray eram muito amigos. Não que eu me incomodasse com a amizade deles. A verdade é que eu queria muito ir para casa, mas não iria porque era um amigo meu em dificuldades, e mesmo que eu não conseguisse ajudar amigos quando ficam assim, eu não negaria estar ao lado deles.
Não demorou para que Lucy chegasse e corresse para dentro da sala de estar, sentando-se ao lado de Gray e o abraçando. Ela começou a sussurrar coisas que eu não conseguia entender em seu ouvido, e Levy entrou com Erza, conversando aos murmúrios, então minha prima se sentou no braço da poltrona onde eu estava.
Erza se encostou ao batente da porta, aflita. Seus pais faleceram em um acidente de trem quando ela tinha uns três anos, e desde então ela fora criada com Gray, e eles eram como irmãos. Por um segundo em que eu desviei minha atenção, Gray abraçou Lucy. Eu realmente gostaria de saber quando foi que eles ficaram desse jeito. Não, eu não estou com ciúmes dos dois.
Lucy POV
Assim que cheguei à casa de Erza, eu corri para dentro. Eu até entendo mais ou menos o que Gray estava sentindo. Um aperto no coração, como se alguém o cutucasse com um espeto de ferro. Sentei ao seu lado e o abracei, sussurrando coisas como que tudo ficaria bem mesmo sem ter certeza disso, e ele acabou me abraçando, mas não derramou uma lágrima sequer, coisa que eu achei que fosse acontecer.
– Se você quiser chorar, você pode chorar sabia? – falei e ele suspirou.
– Eu não vou chorar, homens não choram – ele respondeu e eu revirei os olhos.
– Se for preciso, eu choro por você – Gray levantou o rosto e sorriu para mim, dando-me um beijo na bochecha.
– Essa frase é minha – ele falou. E era mesmo. Há cinco anos, no meu aniversário – o primeiro aniversário em que minha mãe já não estava mais entre nós –, eu jurei que nunca mais choraria e ele me falou isso, porque sabia o quanto eu estava triste em dizer aquilo. Naquela mesma noite eu chorei como se não existisse amanhã.
– Bom, eu vou indo para casa, vamos Levy – Natsu levantou de repente, puxando Levy para fora da sala.
– Se eles já vão indo, eu vou também – falei e sorri para Gray, que ficou meio sem jeito depois de ter me abraçado. – Até amanhã – levantei-me e fui com Erza até a entrada da casa, que estava aberta. Natsu e Levy tinham acabado de sair.
– Muito obrigada Lucy, por ajudar meu primo nessas horas... – Erza sorriu triste.
– É que... nós já estivemos em situações parecidas, e eu fico feliz de poder ajudá-lo como ele me ajudou quando precisei...
– Eu sei, eu me lembro – falou, e eu sorri pra ela.
– Pelo menos você tem uma desculpa para falar com o Jellal amanhã, então sorria – falei e ela ficou vermelha, mas sorriu.
– Só você mesmo... boa noite Lucy.
– Boa noite – respondi, correndo para fora da casa. Levy já tinha sumido, então presumi que ela e Natsu já deviam ter chegado em casa, então andei até a minha. No portão, eu parei e fitei o céu estrelado. Suspirei. Por que tudo é mais difícil quando amamos alguém? Queria que alguém me respondesse isso algum dia. Não demorei a entrar, pensando que Juvia e Gray ainda ficariam juntos e eu tinha certeza disso, eu sabia que superariam tudo pelo simples fato de se amarem.
Levy POV
– Então, Natsu... – comecei falando. Eu adoro provocar meu primo, ainda mais quando fica na cara que ele está incomodado com algo e esse algo é na verdade alguém que é a Lucy. – Você levantou de repente, estava com ciúmes da Lucy com o Gray? – perguntei com um sorriso malicioso, e eu percebi suas bochechas corando levemente. Há! Entregou babaca.
– Eu não estava com ciúmes de ninguém. Aliás, por que eu sentiria ciúmes da Heartfilia? – ele falou, colocando as mãos no bolso. – Eu só estou cansado e queria sair dali para ir para casa, não há nada a mais.
– Cansado, sei... – falei, e ele suspirou, revirando os olhos. – Você é muito tapado Natsu.
– E você é muito irritante, Levy – ele respondeu, e eu ri. Esse era o meu primo, o maior idiota de todos.
Lucy POV
Na manhã seguinte nós nos reunimos no jardim do colégio no intervalo para conversar sobre o último acontecimento. Aparentemente, depois que saímos da lanchonete, nada de especial teria acontecido, afinal Erza conteve o primo, impedindo uma briga. Logo depois de eu sair da casa dos Fullbuster, Gray foi direto para o seu quarto sem dizer uma palavra, mas Erza não sabia dizer se ele acabou chorando durante a noite, o que deixou Juvia com uma expressão triste no rosto.
– Então, vamos continuar o que não pudemos terminar ontem – Cana falou.
– Ah, vai começar com isso de novo? – perguntei, ameaçando sair dali. – Eu não vou participar disso.
– Você não quer que ninguém saiba que você gosta de Natsu, não é? – Levy falou, e todas sorriram maliciosamente.
– Eu não gosto do Natsu. A gente se odeia, lembram disso? – falei, tentando ignorar as risadinhas.
– Ah, ela não gostou da brincadeira – Erza falou. – Acho que vocês pegam muito pesado com ela.
– Mas ela gosta dele, eu tenho certeza – Levy falou e Wendy e Juvia assentiram.
– Dá pra vocês pararem de insistir nisso? – perguntei com cara de choro, e Levy me encarou.
– Eu paro – falou. Aleluia, pensei. – Mas só quando vocês se casarem.
– Levy-chan.
– E quando tiverem filhos – completou.
– Levy-chan! – senti meu rosto ferver. – De onde você tira essas coisas, pelo amor de Deus?
– Eu concordo com a minha irmã – Wendy comentou.
– Já que a Wendy entrou na conversa, ela é quem deve responder agora – falei, e Wendy ficou vermelha.
– Isso mesmo – Erza assentiu. – Wendy, você gosta de quem?
– Disso eu quero saber também – Levy falou.
– C-Como assim? E-Eu não gosto de ninguém – Wendy gaguejou e eu ri. Coitada dela, tão nova pra sofrer interrogatórios.
– Ela gosta do Ro... – Meredy, amiga de Wendy, começou a falar, mas foi interrompida pela interrogada.
– Eu não gosto de ninguém! – gritou desesperada.
– Ro... Ro... – Erza começou a pensar.
– Eu não gosto de ninguém, parem de pensar sobre isso!
– Já sei, é do... – Levy começou a falar, mas então o sinal bateu. Wendy fora salva pelo gongo. Todas voltamos para a sala discutindo sobre isso, mas como não chegamos a conclusão alguma, o assunto foi dispersado.
Fale com o autor