FEITICEIROS
72 Desagravos do Passado
FEITICEIROS
Por Kath Klein & Yoruki Hiiragizawa
Capítulo 72
Desagravos do Passado
‘Bom dia!’ Kasumi cumprimentou os pais que estavam tomando o café da manhã.
Kurogane franziu a testa de leve. ‘Como você está?’
Desde que foram acordados pelos gritos da menina algumas noites atrás, tanto ele como Tomoyo andavam preocupados demais com a filha. Tomoyo já tinha levado a filha ao médico, forçou-a a fazer alguns exames que foram bem relutante para a menina.
Kurogane já estava até tecendo teorias mirabolantes do que poderia estar acontecendo com a filha quando a esposa informou a ele que havia conversado com Kasumi e que ela está sim com alguns problemas, mas tentou minimizá-los, convencendo-o de que eram “coisas de meninas” pois sabia como o marido era cético.
Tomoyo era uma mulher inteligente e sensível, sabia até onde poderia falar com o esposo. Não contou o conteúdo da conversa com a filha até por saber que isso feriria a confiança que a menina teve nela, mas deu a certeza para o marido de que ela não estava doente, como ele estava pensando, ou grávida, como o próprio já tinha confessado para a esposa que andava desconfiado e que mataria o moleque metido a príncipe que “desvirtuou” sua princesinha.
Ela tentou sorrir. ‘Estou bem, tousan.’
‘Não teve mais pesadelos?’ Insistiu.
Ela olhou para a mãe que a fitava de forma profunda. Percebeu que a mãe estava com os lábios contraídos. Não queria preocupá-los daquela forma.
‘Às vezes…’ Ela respondeu e soltou um suspiro. ‘Mas não foram tão intensos… ou talvez, eu que já esteja me acostumando com eles.’ A menina respondeu ajeitando o material na pasta. Sentiu quando a mãe passou a mão na sua cabeça e virou o rosto fitando-a. Tomoyo tinha os olhos suaves, mas Kasumi sabia que ela estava cada vez mais preocupada com o que sabia que a filha sonhava.
Tomoyo se inclinou de leve para dar um beijo demorado na cabeça dela.
‘Lembre-se que nada é real. Se é passado, não é real mais.’ Falou com a voz doce e em tom baixo, abraçando a menina.
Kasumi sorriu e assentiu com a cabeça, informando que tinha entendido.
Tomoyo se sentiu aliviada com a resposta da filha. Ergueu o corpo e sorriu de volta para ela, ainda afagando de leve a cabeça de sua princesa.
‘Shaolin mandou uma mensagem informando que chegou de viagem. Quero vê-lo antes de ir para a escola.’ Kasumi informou. ‘Por isso, eu já vou indo…’
Kurogane esticou o pescoço observando a esposa e a filha, desconfiado. ‘Não vai tomar o café da manhã?’
Ela respirou fundo e soltou o ar devagar. ‘Estou sem fome.’ E como bem imaginou viu tanto o pai quanto a mãe fitaram-na com olhos assustados. A menina forçou um sorriso. ‘Estou ansiosa para revê-lo. Deve ser isso… Como alguma coisa na padaria perto da escola, certo?’ Ela olhou para o relógio e depois para os pais. ‘Tem tempo de sobra.’
Tomoyo e Kurogane se entreolharam preocupados.
‘Hei! Estou bem! Não se preocupem, por favor.’ Ela falou forçando um sorriso na tentativa frustrada de dissipar aquela preocupação que era clara nos rostos dos pais. Arregalou os olhos de leve tendo uma ideia. ‘Vou tomar café com Shaolin. Prometo. Está bem assim?’
Kurogane balançou a cabeça de leve. ‘Está bem… mas cuide-se.’ Ela assentiu com a cabeça. ‘Shaolin vai retornar a escola hoje?’
‘Acho que não. A mensagem que ele mandou é que voltou ontem de viagem e vai se encontrar com os tios que estão fora da cidade.’
Tomoyo olhou para o esposo. ‘Sakura-chan não me contou direito o que está acontecendo com ela.’
‘Acho que agora vai ficar tudo bem, kaasan.’ Kasumi falou fechando a pasta. ‘Daqui a pouco, eles estão de volta a Tomoeda.’
‘Vai ser importante você dar uma ajuda para o Shaolin-kun quando ele voltar. Ele está perdendo muitas aulas e até provas.’ Kurogane falou sério.
‘Sim. Mas Shaolin é inteligente, tenho certeza que logo recuperará as aulas perdidas. Eu também vou ajudá-lo.’
‘Muito bem.’ Ele falou, satisfeito com a resposta da filha.
‘Bem… Eu já vou indo.’ Kasumi falou beijando o rosto da mãe e depois caminhou até o pai para beijá-lo no rosto. ‘Até a noite. Vou fazer Tonkatsu para o senhor, o que acha?’ Como bem imaginou, viu um sorriso largo se desenhar nos lábios do pai. Ele adorava aquele prato, assim como ela.
‘Maravilha!’ Kurogane falou satisfeito e não teve como Tomoyo não sorrir junto com ele ao ver o marido e a filha fitando-se com carinho.
Kasumi afastou para colocar os sapato. Passou em frente ao espelho da sala e sem querer virou-se para ele, tentando ajeitar os cabelos. Estava com um rosto cansado pois havia tido noites péssimas com pesadelos. Antes de sair pela porta, voltou-se para dentro e viu a mãe a olhando com um sorriso suave. Sentiu o rosto esquentar, sabendo o que a mãe estava pensando pois se encontraria com o menino. Forçou um sorriso que saiu completamente sem graça e envergonhado.
Saiu de casa e olhou para o céu. O dia estava bonito, um pouco frio apenas. Estava feliz por se encontrar com Shaolin. Mordeu de leve os lábios e apertou mais forte a pasta escolar na mão, esperava que estivesse tudo bem com o menino.
Caminhou em passos rápidos em direção ao parque do Rei Pinguim que era o local que Shaolin tinha marcado para encontrá-la. Parou de repente conseguindo finalmente perceber alguma coisa estranha. Franziu a testa e olhou em volta, tudo parecia normal, mas sentia uma presença tão forte.
Ainda estava tentando entender melhor o que percebia após o bloqueio de sua magia ter desaparecido por completo. Conseguia perceber a aproximação de Miguel e de Aeon quando os dois se aproximavam dela. Kagami-ba-san também havia visitado-a a pouco tempo. Era fácil encontrar-se com as cartas no templo Tsukimine. Elas sempre lhe davam notícias sobre Sakura-ba-san e Syaoran-ji-san.
Miguel ainda tentou intervir na aproximação dela com as cartas, mas a menina o alertou bem de que ela sempre conviveu com elas, apenas não sabia e não percebia as nuancias mágicas de forma mais clara como agora. Mas ela nunca fora tonta, desconfiava de algo antes, apenas deixava para lá pois percebia que Shaolin não sentia-se confortável para contar para ela sobre aquilo.
Miguel estava se comportando de forma mais possessiva com ela do que Kurogane. Quando a menina falou isso para o arcanjo, percebeu que ele havia ficado sem graça e por fim concordou com os argumentos dela. Apenas não a queria próxima a Aeon, que sabendo que havia provocado seu antigo companheiro no último encontro dos dois, inteligentemente toda vez que sentia a aproximação do ser celeste, partia.
No entanto a presença que percebia agora era muito mais forte do que a dos dois. Na verdade, era forte demais. Sentiu um arrepio percorrer suas costas e os pelos do corpo se arrepiarem. Respirou fundo e voltou a caminhar em direção ao parque e como bem imaginava e temia a presença estava cada vez mais forte.
Assim que parou em frente ao parque, avistou o garoto de cabelos claros parado com as mãos nos bolsos perto do lago. Em torno dele a aura mágica estava tão resplandecente que parecia a cegar se ficasse por mais tempo com os olhos fixos nele. Engoliu em seco. Sabia que agora teriam que conversar de forma aberta e contar para ele o que estava acontecendo com ela. Esperava que ele entendesse que ela não tinha feito isto antes, por telefone, para não preocupá-lo durante a viagem. A missão sempre deveria vir em primeiro lugar.
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Shaolin caminhava de um lado para o outro perto do lago do parque do Rei pinguim. Pegou o celular do bolso, olhando a hora. Estava ansioso em ver Kasumi. Precisava vê-la. Não era apenas saudades, era uma apreensão muito maior que isso.
Ainda estava tentando entender melhor o que tinha passado no escape no estacionamento no méxico e depois no pesadelo que tivera aquela noite. Estava começando a entender o que estava acontecendo com ele. Infelizmente, Nee-san não estava certa quanto a sua teoria de que aquelas imagens eram apenas reflexo do seu medo. Mas sabia que só poderia ter certeza de tudo quando encontrasse com a namorada.
Love is a funny thing
(O amor é uma coisa engraçada)
Whenever I give it, it comes back to me
(Sempre que o dou, ele vem de volta para mim)
Franziu a testa ao perceber uma presença diferente se aproximando. Inicialmente pensou que fosse o irmão ou a prima vindo ao encalço dele e atrapalhariam o seu encontro com a namorada. Será que os dois não poderiam dar um pouco de privacidade para ele? No entanto, logo percebeu que não era a presença de nenhum dos dois. Era diferente.
And it’s wonderful to be
(E é maravilhoso)
Giving with my whole heart
(Estar dando com todo o meu coração)
As my heart receives
(Enquanto meu coração recebe)
Virou-se e franziu a testa observando finalmente Kasumi parada na entrada do parque. Em torno da menina era possível ver de forma clara a aura púrpura. A mesma tonalidade que havia visto em seus pesadelos e escapes. Engoliu em seco e trincou os dentes, confirmando suas suspeitas. Tirou as mãos dos bolsos e caminhou com passos duros em direção a ela.
Your love
(Seu amor)
Reparou que Kasumi soltou um suspiro e começou a caminhar em direção a ele. Pararam alguns passos um do outro e fitaram-se.
Kasumi sentiu um bolo na garganta e os olhos arderem, mas se obrigou a não chorar. Era bom demais vê-lo vivo a sua frente. Estava com alguns machucados pelo corpo, mas o importante era que ele tinha se mantido vivo e tinha voltado para casa, como havia prometido duas vezes para ela. Desviou os olhos dele, sentindo o rosto esquentar.
Oh, ain’t it nice tonight we got each other?
(Oh, não é bom termos um ao outro nesta vida?)
‘Kasumi.’ Shaolin a chamou e reparou que a menina apertou mais forte com as mãos a alça da pasta escolar que estava a sua frente. Ela levantou o rosto e voltou a fitá-lo. ‘O que aconteceu?’ Perguntou devagar ainda tentando saber que o que percebia em torno dela era verdade ou não.
And I am right beside you
(E estou ao seu lado)
More than just a partner or a lover
(Mais do que apenas um parceiro ou um amante)
Ela encolheu os ombros de leve e voltou a desviar os olhos dele. ‘Acho que precisamos conversar…’ Sussurrou como resposta.
I’m your friend
(Eu sou seu amigo)
Percebeu quando ele se aproximou mais dela e sentiu-se mais nervosa quando a presença dele chegou a envolvê-la por completo. Era forte demais. Não teve nem coragem de voltar a fitá-lo. Não sabia como começaria a contar tudo que estava acontecendo com ela, não sabia se era o melhor contar sobre o que havia se lembrado da sua vida passada, da vida passada dos dois.
When you love someone
(Quando você ama alguém)
Your heartbeat beats so loud
(Seu batimento cardíaco bate tão forte)
Ela arregalou os olhos quando sentiu ele tocando de leve no seu rosto e levantou os olhos fitando o rosto de Shaolin próximo. Ele tirou alguns fios negros que estavam sobre o rosto dela e os colocou atrás da orelha da menina.
Kasumi sentiu o corpo tremer ao toque suave dele. Como estava com saudades dele. Como estava feliz em saber que depois de todo o inferno que viveram, estavam vivos agora. No mesmo plano. Ela soltou a pasta escolar e deu um passo a frente abraçando-o apertado.
Shaolin sorriu de leve e a envolveu em seus braços, apertando-a entre eles também. Fechou os olhos e respirou fundo sentindo o perfume suave floral dos cabelos negros que tanto gostava.
When you love someone
(Quando você ama alguém)
Your feet can’t feel the ground
(Seus pés não podem sentir o chão)
Ficaram abraçados por minutos em silêncio.
‘Estava com saudades.’ Ele sussurrou perto do ouvido dela.
‘Eu também.’ Kasumi respondeu sorrindo de leve e afundou o rosto no pescoço dele, com os olhos fechados. Era bom demais perceber que ele realmente estava com ela. Diferente dos malditos pesadelos que teve, ele estava verdadeiramente com ela. Ela podia sentir o perfume dele, o calor do corpo dele, não estava à frente de um fantasma mais. Além disso, nunca tiveram tantos dias longe um do outro. Nas férias escolares, viajavam juntos, passavam a maior parte do tempo um com o outro.
When you love someone
(Quando você ama alguém)
Your feet can’t feel the ground
(Seus pés não podem sentir o chão)
Shaolin se afastou dela e segurou o rosto de Kasumi entre suas mãos. Novamente voltaram a se fitar de forma intensa. Ele se aproximou e tocou seus lábios sobre os dela, que apenas fechou os olhos retribuindo o beijo carinhoso enquanto segurava-o pelas roupas.
Afastaram-se um do outro ainda com os lábios a centímetros de distância.
‘O importante é que estamos juntos agora…’ Ele falou finalmente.
Ela assentiu com a cabeça e sorriu de leve. ‘Sim. Estamos juntos.’
When you love someone
(Quando você ama alguém)
It comes back to you
(Ele vem de volta para você)
Shaolin sorriu também e percebeu que apesar das auras tão opostas deles, a energia que os circulava. A mesma energia que havia percebido entre o irmão e a prima. E bem como tinha imaginado, era maravilhoso não só perceber como sentir que ela envolvia tanto ele quanto Kasumi, de forma tão intensa e forte. Como se os dois estivessem realmente amarrados e presos de forma inquestionável um ao outro.
And love is a funny thing
(E o amor é uma coisa engraçada)
It’s making my blood flow with energy
(Está fazendo correr energia em meu sangue)
And it’s like an awakened dream
(E é como se eu sonhasse acordado)
As what I've been wishing for, is happening
(Como se tudo o que desejei estivesse acontecendo)
And it's right on time
(E está na hora certa)
‘Sinto-me bem pra caramba apenas em olhar para você.’ Ele falou sorrindo de leve.
Kasumi sorriu lembrando-se da primeira vez que ele lhe falou isso. ‘Verdade?’
Ele assentiu, aumentando o sorriso que sabia ser bobo nos lábios, mas franziu a testa de leve observando que ela desviou os olhos dele. ‘O que foi?’
Kasumi arregalou os olhos de leve e voltou a fitá-lo. Tentou sorrir, queria dizer que não era nada para ele que era apenas bobagem, mas seria mentira. Não queria mentir. Já tinha mentido demais por telefone quando estavam longe um do outro. ‘Hum… Acho que…’ Começou um pouco incerta. Soltou um suspiro frustrada, nem sabendo como iniciar. Na verdade, não sabia se valia a pena relatar para ele tudo que havia se lembrado, ou sonhado… enfim...
Oh, ain't it nice this life we've got each other?
(Oh, não é bom termos um ao outro nesta vida?)
I am right beside you
(E estou ao seu lado)
More than just a partner or a lover
(Mais do que apenas um parceiro ou um amante)
I’m your friend
(Eu sou seu amigo)
Ela abaixou os olhos, mas sentiu quando ele segurou mais firme seu rosto entre as mãos forçando-a a voltar a fitá-lo.
‘Hei… O quê está acontecendo com você?’
Elas mordeu de leve os lábios. ‘Andei… andei tendo alguns pesadelos.’
‘Pesadelos?’
Ela assentiu. ‘Espero que sejam pesadelos… apenas…’
‘Eu também.’
Kasumi arregalou os olhos agora com os olhos inquietos. Engoliu um seco. Não queria que ele lembrasse, primeiro porque isso confirmaria que tudo não eram apenas pesadelos, como ainda tinha esperanças, e sim algo que realmente aconteceu entre eles, e segundo porque não valia a pena lembrar de tanta dor.
When you love someone
(Quando você ama alguém)
Your heartbeat beats so loud
(Seu coração bate tão alto)
Shaolin soltou um suspiro cansado. ‘Não tudo, ainda… Algumas passagens por enquanto.’ Ele respondeu com calma. ‘Mas não importa…
Kasumi franziu a testa, fitando-o sem entender.
When you love someone
(Quando você ama alguém)
Your feet can’t feel the ground
(Seus pés não sentem o chão)
‘Kasumi… Não importa o que quer que tenha acontecido conosco antes… O que ainda é confuso sobre nós dois…’ Ele desviou os olhos dela.
Shining stars all seem
(Parece que todas as estrelas brilhantes)
To congregate around your face
(Se reúnem em torno do seu rosto)
‘Nos conhecemos desde que nascemos. Você sempre esteve ao meu lado e eu quero que sempre esteja. Não quero que isso mude… quero que evolua.’ Engoliu em seco e reteve-se por alguns segundos.
When you love someone
(Quando você ama alguém)
Voltou a encarar a menina de forma intensa e sentiu o rosto esquentar. ‘Eu amo você.’ Declarou-se finalmente de forma plena. ‘Amo Kasumi Kurogane.’
When you love someone
(Quando você ama alguém)
Kasumi arregalou os olhos de leve novamente, sentindo o rosto igualmente esquentar como o do menino. Sorriu de forma tímida para ele. ‘Eu também amo você, Shaolin Li. Meu amigo… Hum…’ Ela franziu a testa de leve. ‘Ex-amigo de infância?’ Perguntou incerta.
‘Nada de amigo.’ Ele assentiu com a cabeça para ela. ‘Você é minha namorada.’
Ela sentiu o rosto esquentar mais ainda se fosse possível, encabulada pela declaração um para o outro. ‘Namorada…’ sussurrou como para confirmar, para fazer finalmente a “ficha cair” sobre ele ser seu namorado.
Ele assentiu com a cabeça, sorrindo. ‘Exatamente e isso é o que importa.’ Falou e a viu concordar com um gesto. ‘E logo voltaremos a ficar juntos como antes e então… não importará o que fomos em outras vidas ou antes de entendermos o que sentíamos um pelo outro… O importante é o que seremos.’
We’re gonna give ourselves to love tonight
(Vamos nos entregar ao amor esta noite)
Lifting up to touch the starlight
(Levantar a mão para tocar o brilho das estrelas)
And we will savor every second
(E vamos saborear cada segundo)
We spend together
(Que passarmos juntos)
You and I will
(Nós vamos)
Kasumi sentiu finalmente as lágrimas brotarem de seus olhos, apesar de lutar de forma tão desesperada para não chorar na frente dele.
‘O que seremos?’
‘Isso…’ Shaolin secou as lágrimas dela com os polegares carinhosamente. ‘Duas pessoas que se amam… apenas isso.’
Kasumi sorriu e percebeu quando ele se inclinou novamente para voltar a beijá-la nos lábios. Fechou os olhos e retribuiu o beijo carinhoso do seu namorado. Do menino que antes havia sido seu amigo de infância que se tratavam como irmãos, mas que descobriram que sentiam muito mais que isso um pelo outro.
You and I will
(Nós vamos)
You and I will
(Nós vamos)
Shaolin sentiu a energia que envolvia os dois pulsava de forma tão ou mais intensa que as próprias batidas do seu coração. Era maravilhoso saber que finalmente estava ao lado dela novamente.
When you love someone
(Quando você ama alguém)
Your heartbeat beats so loud
(Seu coração bate tão alto)
When you love someone
(Quando você ama alguém)
Your feet can’t feel the ground
(Seus pés não sentem o chão)
Ao lado dela seria sempre quando se sentiria bem… Não apenas ao lado dela! Junto a ela, podendo senti-la entre seus braços, sentir o perfume floral suave dos cabelos negros, sentir o quanto era maravilhoso o gosto dos lábios dela. Não importava quem ela tinha sido antes, quem ele havia sido antes. Não importava que os dois se consideravam irmãos até o ano passado. Ele a amava como pensou que nunca seria capaz de amar alguém. A única coisa que queria depois desta confusão toda acabasse era voltar para casa, para voltar a estar sempre ao lado dela.
Shining stars all seem
(Parece que todas as estrelas brilhantes)
To congregate around your face
(Se reúnem em torno do seu rosto)
When you love someone
(Quando você ama alguém)
It comes... back... to you
(Isso vem de volta para você)
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Eriol parou em frente ao sobrado branco da rua do templo Tsukimine. Franziu a testa, observando a construção e respirou fundo para tentar manter a calma e não arrombar a porta de uma vez. Ontem, tarde da noite, reparou que tinha uma presença forte na cidade, mas logo deixou de sentí-la e não deu muita importância. No entanto, hoje pela manhã, assim que acordou, percebeu que a presença mais forte realmente mantinha-se na cidade, estava já para sair atrás dela quando recebeu um recado de Syaoran pelo celular avisando que as crianças estavam em Tomoeda e que o procurariam por causa da chave. Obviamente, a presença forte que percebeu era de Shaolin.
O problema era que Marie estaria com o primo, então, ela também chegou ontem e por que diabos a filha não foi para casa? Arrumou-se correndo e saiu de casa até a casa dos amigos, pois sabia que o garoto pernoitaria lá e ela também. O problema não era Shaolin e, sim, o outro filho de Syaoran.
Correção: o problema era que a filha dele tinha fugido de casa, viajado mundo afora com o primo e um demônio a tiracolo e, quando retornou, em vez de voltar para casa, tinha ainda passado mais uma noite fora.
Caminhou com passos duros até a entrada da casa e bateu na porta com mais força que o necessário. Poderia tocar a campainha, assim como também poderia invocar uma magia e arrombar a porta. Preferiu bater nela, principalmente ao perceber que, dentro da residência, só estavam a filha com o filho-demônio-de-Syaoran.
A porta logo foi aberta e ele se deparou com o rosto pálido de Marie. Tinha já um discurso na ponta da língua para fazer para a garota, mas as palavras simplesmente desapareceram da sua mente quando observou o rosto abatido e de aparência doente da jovem. Os olhos vermelhos denunciavam que ela tinha chorado há pouco. Mas o que tinha acontecido com ela?
‘Marie…’ Ele sussurrou, dando um passo à frente e a abraçando forte. ‘O que aconteceu com você, filha?’ Perguntou com carinho, beijando a cabeça da jovem que afundou o rosto no peito do pai, retribuindo o abraço.
‘Tá tudo bem, tousan.’ Ela sussurrou.
Ele ainda a tinha nos braços quando levantou o rosto e encarou Kazuo que estava na sala, olhando para eles. O olhar do rapaz também não era bom. O que tinha acontecido com os dois? Entre os dois?
Franziu a testa, estreitando os olhos em Kazuo que percebeu e devolveu a encarada, cruzando os braços. Era tão ou mais petulante que Syaoran.
Marie se afastou do pai e levantou o rosto, forçando um sorriso. ‘Está tudo bem.’ Ela repetiu. ‘Não imaginei que conseguiria perceber minha presença.’
‘Percebi a de… a que, pelo jeito, é de Shaolin-san e recebi o recado de Syaoran-san dizendo que vocês chegaram ontem.’ Ele respondeu a filha sem tirar os olhos de Kazuo. ‘Por que não foi para casa?’ Perguntou finalmente abaixando os olhos para a jovem.
Ela desviou os olhos dele e soltou um suspiro. ‘O senhor ainda está uma fera comigo. E vamos ter que viajar ainda para encontrar os tios. Achei que seria melhor voltar apenas quando tudo estivesse finalizado, para que o senhor me colocasse de castigo de uma vez.’
‘Ah, mas você vai ficar de castigo, com certeza, mocinha.’ Ele falou entre os dentes. ‘Onde está Shaolin-san?’
‘Ele saiu.’ Ela respondeu. ‘Daqui a pouco ele está de volta.’
‘E vocês dois estão sozinhos?’ Ele perguntou, franzindo a testa de leve e encarando a filha.
Marie ergueu uma sobrancelha. ‘É óbvio, não? Eu falei para o senhor que estava viajando com Shaolin-kun e Kazuo-kun.’
Eriol desviou os olhos da filha e voltou a fitar o rapaz. Não gostava dele. Não gostava da presença dele. Não gostava da cara dele. Simplesmente não gostara de tê-lo visto com Marie nos braços, fraca e chorando, quando ele tinha chegado sabe-se lá de que parte do inferno. Ele bem poderia voltar logo para o inferno de uma vez e ficar bem longe da filha.
Kazuo soltou um suspiro e rodou os olhos. Já estava de saco cheio da cara feio do pai de Marie para ele. Debruçou-se sobre um dos móveis da sala, esperando que o irmão aparecesse logo de uma vez para irem ao encontro do pai. Olhou rapidamente para o relógio. Já eram nove da manhã. Onde diabos estava o irmão que não aparecia? Arregalou os olhos de leve, lembrando-se de um detalhe. Voltou a fitar Eriol que mantinha o olhar duro para ele.
‘Oyaji falou que você estava tentando achar um jeito de ajudar o Shaolin. Encontrou alguma coisa?’ Kazuo perguntou.
Eriol respirou fundo, estava louco para mandá-lo para o inferno e não responder nada.
‘Achou alguma coisa, tousan?’ Marie reforçou a pergunta do namorado.
Eriol finalmente tirou os olhos do rapaz e fitou a filha. Soltou um suspiro sem saber direito como falar isso para a jovem. ‘Acho… Acho que encontrei alguma coisa que confirma o que está acontecendo com Shaolin-san, mas não encontrei um meio de evitar este aumento de energia.’
‘Confirma?’ Marie repetiu, franzindo a testa. ‘Como assim?’
‘A terceira profecia de Clow… Falava algo sobre… Enfim…’ Ele respirou fundo. ‘Não sei se há muito o que fazer com relação ao que está acontecendo com Shaolin-san.’
‘Peraí…’ Kazuo falou, aproximando-se dele. ‘Você está dizendo que não tem nada que se pode fazer para evitar que…’
‘Provavelmente o corpo dele não vai aguentar.’ Eriol o interrompeu.
‘Não achou nada, tousan?’ Marie perguntou mais uma vez.
‘Não.’ Eriol finalmente respondeu de forma direta. ‘Não consegui encontrar nada. Apenas confirmar o que você está suspeitando.’
‘Merda.’ Kazuo soltou sem se importar com o linguajar. Caminhou até a cozinha para se afastar de Eriol, pois tinha vontade de xingá-lo pela incompetência de não conseguir ajudar o irmão, mas ponderou que, sendo pai da namorada, era melhor tentar se manter frio. E longe! Bem longe dele!
Marie acompanhou o rapaz com os olhos e mordeu os lábios de leve quando o viu cruzar a porta da cozinha. Voltou-se para o pai, era melhor contar a verdade para ele de uma vez. Kazuo não tinha ideia dos protocolos de relacionamentos humanos, então, esperar que ele falasse para o pai que estava namorando com ela, era ridículo. Além disso… Já tinha ideia de qual seria a reação de Eriol.
‘Hum… Tousan…’ Ela chamou a atenção do homem que ainda encarava a porta por onde o rapaz tinha saído das vistas dele. Eriol abaixou os olhos para ela. ‘Preciso lhe contar uma coisa.’ Começou incerta.
‘Você vai comigo para casa.’ Ele a cortou. ‘Está pálida demais, pode estar doente. Precisa se cuidar. Não pode fazer mais nada pelo seu primo.’
Marie franziu a testa, dando um passo para trás e se afastando de Eriol. ‘Não.’ Ela respondeu. ‘Não vou me afastar de Shaolin-kun agora. Preciso encontrar também os tios.’
‘Afastar-se de Shaolin-san?’ Eriol perguntou com o rosto duro. ‘Onde ele está, Marie?’
‘Quando eu acordei ele tinha saído. Ele já deve estar voltando.’
‘E o…’ Eriol apontou de leve para a cozinha. ‘O irmão dele não sabe aonde ele foi?’
‘Quando acordamos, ele já tinha saído.’ Ela respondeu novamente.
‘E vocês dois estão sozinhos?´
Ela soltou um suspiro. O pai não era tonto. ‘Sim… Estamos sozinhos.’ Ela confirmou. ‘E estamos namorando.’ Falou de uma vez.
Eriol arregalou os olhos de leve e depois franziu a testa, trincando os dentes. ‘Namorando?’ Perguntou, querendo confirmar, mas com uma fagulha de esperança de ter ouvido mal.
‘Sim… Namorando. Eu e Kazuo-kun estamos namorando.’
Ele respirou fundo e soltou o ar devagar. Marie reparou que a aura do pai explodiu, chegando a assustá-la. Porém o susto maior foi ele pegá-la pelo braço, puxando-a. ‘Você vem comigo para casa, Marie. Agora!’
‘Hei!’ Marie ainda tentou protestar, firmando o corpo para evitar ser arrastada pelo pai. ‘Força.’ Ela invocou a magia, finalmente impedindo-o de arrastá-la. ‘Fica calmo, tousan!’
‘Ficar calmo?!’ Ele gritou, voltando-se para ela.
Kazuo apareceu na porta da cozinha ao perceber que a aura do homem, mas, principalmente, a da namorada tinha se elevado. Ela não deveria usar magia, cada vez que o fazia, ficava mais fraca e com mais dor.
‘Hei, o que você acha que está fazendo?’ O rapaz falou, já se aproximando dos dois.
Eriol olhou para ele com fúria. ‘Acerto as contas com você depois, demônio!’ Ele gritou. ‘Agora, não se meta nisso!’
‘Tousan! Solte-me! Não adianta isso.’ Marie ainda falou, olhando para o pai que se mostrava transtornado.
‘Você não é mais um demônio! Você é minha filha!’
‘É melhor soltá-la de uma vez.’ Kazuo falou, cerrando os punhos tentando controlar a vontade de simplesmente partir para cima de Eriol.
‘Fica frio, Kazuo-kun! Eu resolvo isso.’ Marie falou, virando-se para ele rapidamente.
‘Vamos para casa. Agora.’ Eriol mais uma vez ordenou, puxando a filha mais uma vez.
Marie soltou um suspiro. ‘Através.’ Ela invocou magia, soltando-se da mão do pai e dando dois passos para trás. ‘O senhor também fica frio. Não adianta isso.’
‘Você tem que me obedecer. Você é humana e é menor de idade. Eu sou seu pai. Você vem comigo agora.’ Eriol falou irredutível.
‘Meu dever é ficar ao lado de Shaolin-kun.’ Ela falou.
‘Mas não ao lado “desse aí”!’ Eriol falou, apontando para Kazuo.
‘“Desse aí” é o caramba…’ Kazuo falou entre os dentes, dando um passo à frente na direção de Eriol, mas Marie estendeu o braço, bloqueando o caminho do namorado.
Marie olhou para o pai e franziu a testa. ‘Eu sou humana e realmente sou menor de idade agora, mas não vou ter esta idade para sempre. E o que o senhor pretende fazer? Vai me selar agora dentro de um quarto escuro em vez de dentro de uma carta para impedir que eu tenha contato com as pessoas?’
Eriol arregalou os olhos de leve, observando a filha. ‘Você… Isso…’ Ele nem sabia o que falar. ‘Não confunda as coisas.’ Falou por fim com a voz séria.
‘Você é quem está confundindo as coisas. Eu sou humana, então tenho direito a fazer minhas próprias decisões ao invés de simplesmente seguir os seus comandos.’
‘Já falei para você desvincular sua vida passada desta!’ Eriol gritou para ela.
‘Como quer que eu faça isso se o senhor age como se fosse meu mestre!’
‘Eu sou seu pai!’ Ele rebateu. ‘Quero o melhor para você. E o melhor para uma humana não é ter um relacionamento com um ser das trevas! Você… Melhor que ninguém, deveria saber que seres das trevas não possuem sentimentos! O que você acha que ele quer com você?’
‘Hei!’ Kazuo chamou a atenção dele novamente, mas Marie segurou o braço do rapaz. ‘Eu gosto dela. Você é que nunca gostou de mim, sei lá por quê. Fica me olhando com essa cara feia desde que me viu pela primeira vez e eu não fiz nada contra você.’
‘Você existir já me causa problemas. Você seduziu a minha filha.’ Eriol o acusou.
‘Tousan! Isso é ridículo!’ Marie argumentou.
‘Ridículo?!’ Eriol perguntou com o tom irônico. ‘Você sabe do que estou falando.’
‘O que está acontecendo aqui?’ Shaolin apareceu na porta de casa, olhando para os três com o rosto sério. ‘Não é hora de vocês estarem discutindo sobre isso.’
Eriol voltou-se para o garoto e franziu a testa. Não era possível uma pessoa ter evoluído tanto na magia daquela forma em tão pouco tempo. Dava para ver a magia circulando o corpo do garoto de forma tão forte que tornava a aura mágica dele resplandecente de forma que chegava a ofuscar os olhos. Só tinha visto uma aura mágica como aquela antes em uma pessoa, Sakura.
A questão era que Shaolin não poderia “herdar” aquela magia. Um feiticeiro teria maiores probabilidades de ter descendentes dotados de magia, mas Shaolin, a menos de um mês, tinha uma magia apoiada na do pai, assim como Marie se apoiava na sua magia no início de seu treinamento em magia. No entanto, aquele tipo de magia, de energia fantástica que o menino possuía agora, não poderia ser herdado.
Não era exatamente a mesma magia que Sakura, mas era algo tão forte quanto. Entendia perfeitamente agora a apreensão da filha com relação à integridade física do primo. Não havia como o corpo humano do garoto aguentar aquela mudança de energia de forma tão rápida e explosiva.
Eriol observou bem o menino se aproximando e olhando para os três com o rosto interrogativo. Ele parou perto do tio e levantou o rosto encarando-o.
‘Ossan…’ Shaolin começou a falar devagar. ‘Acho que está na hora de colocar a sua cabeça no lugar, o senhor percebeu que nee-san não está bem e não tem nada a ver com a magia dela ter origem nas trevas e, sim, com a energia que ela tem no peito que não pertence a ela. Trancá-la em sua casa não resolverá o problema. Pelo contrário, só se agrava. O senhor sabe que ela precisa devolver essa energia a quem pertence, não é?’
Eriol franziu a testa, encarando o garoto. Inferno. Parecia que estava a frente de Sakura, recebendo outra chamada. Pelo jeito, o garoto tinha herdado bem mais que os olhos verdes da mãe. Soltou um suspiro, inconformado.
‘Onde estão seus pais?’
‘Estão na pousada Funbari, em Funbarigaoka, perto de Tokyo. Precisamos ir para lá.’ Ele respondeu. ‘E precisamos da sua parte da chave.’
‘Faltam apenas duas, né?’ Eriol perguntou.
‘Exatamente. A dos Deuses Tengri e Eje e a chave dos Xamãs.’
‘E acaba isso?’
‘Eu realmente espero que sim, ossan.’ O menino respondeu de forma sincera.
‘Eu levo vocês até lá.’ Eriol decidiu, olhou para o menino. ‘Você sabe onde fica?’
‘É fácil perceber a energia de kaasan agora.’ Ele respondeu, encolhendo os ombros levemente.
Eriol franziu a testa. ‘Você consegue perceber a energia de Sakura-san?’
Shaolin confirmou com a cabeça. ‘Ela está…’ Ele desviou os olhos dele rapidamente. ‘Ela está esperando por nós. Melhor a gente não demorar mais.’
O homem concordou com a cabeça. Shaolin sorriu de leve para ele, afastando-se. Olhou para a prima e depois para o irmão. ‘Melhor a gente pegar logo nossas coisas.’ Ele sugeriu.
Kazuo tirou os olhos de Eriol e fitou o irmão. ‘Onde você estava, pirralho?’
‘Depois lhe conto.’ Ele respondeu, caminhando até a escada para ir ao seu quarto pegar a mochila com algumas roupas. Não queria falar sobre isso na frente do tio. ‘Vamos, nii-san?’ Ele insistiu, pedindo para o irmão acompanhá-lo.
O rapaz ainda ficou na dúvida se deixava ou não Marie sozinha com Eriol, franziu a testa e olhou para a namorada que rodou os olhos.
‘Vou pegar minhas coisas, está bem, tousan?’ Ela falou, seguindo atrás do menino para o segundo andar.
‘Rápido.’ Eriol recomendou.
‘Certo. Todos nós estamos com pressa.’ Ela rebateu e olhou para Kazuo, fez um gesto com a cabeça para o rapaz se mover, também. Não queria deixar ele e o pai sozinhos. Era melhor não arriscar daquela forma, os dois estavam no limite da tolerância.
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Sakura abriu os olhos e fitou o rosto sério de Anna a sua frente. A xamã estava ajudando-a ao máximo, mas começava a ficar cada vez mais difícil manter a barreira protetora que havia levantado para ajudá-la a combater aquela influência negativa tão intensa.
‘Sente-se melhor?’ Anna perguntou, observando-a.
Sakura soltou um suspiro cansado. ‘Sim. Obrigada, novamente.’
‘Agora falta pouco.’
‘Eu sei.’ Ela respondeu, sorrindo de leve. ‘Eles já estão vindo para cá.’
‘Sim.’ A xamã respondeu, puxando seu colar de contas que antes estava maior e envolvida o corpo da feiticeira. Anna colocou seu colar no pescoço e fitou Syaoran que estava num dos cantos do cômodo. Ele estava com o semblante mais sério. Sabia que Sakura estava no limite, conhecia a esposa.
Sakura fitou o esposo e tentou sorrir para ele. ‘As crianças já estão chegando. Eriol-san deve estar com eles.’
‘Espero que sim. Precisamos terminar logo com isso.’
‘Eles fizeram da maneira mais rápida que puderam.’ Sakura replicou. ‘Estão muito cansados.’
‘Eu sei…’ Ele falou e soltou um suspiro. Descruzou os braços e caminhou até a esposa, beijando a cabeça dela com carinho. ‘Eles fizeram além do que poderiam.’
‘Estou muito orgulhosa deles.’ Ela falou, fitando Syaoran.
‘Estamos.’ Ele corrigiu, passando a mão de leve na cabeça da esposa e beijando-a novamente. ‘Logo estarão aqui e vamos terminar logo com esta loucura em que Gabriel nos colocou.’
Ela concordou com a cabeça e caminharam devagar até a entrada da pousada onde o carro estacionava.
Eriol olhou o casal de amigos através do parabrisa do carro e soltou um suspiro. Bateu de leve os polegares no volantes e olhou para a filha que estava dormindo no banco de trás com a cabeça apoiada no peito de Kazuo. Estava mais pálida que antes. Tinha passado mal durante a viagem, pedindo para parar o carro. Falou que tinha enjoado. Marie nunca enjoava em viagens. Não sabia se ficava mais preocupado com a filha ou com a atitude dela de ficar o tempo todo abraçada ao rapaz.
Realmente, só se controlou porque Shaolin interveio várias vezes, fazendo-o voltar a razão, inclusive em uma das chamadas o garoto tinha claramente perdido a paciência com ele. Shaolin sabia que a energia que estava fazendo mal à jovem pertencia a mãe dele, embora Eriol ainda não conseguisse entender como a filha a tinha adquirido. O importante agora era devolvê-la para Sakura, de alguma forma. Respirou fundo soltando o ar devagar.
‘Falta pouco, ossan.’ Shaolin assegurou, olhando para o homem.
O garoto estava no banco ao lado do dele. Abriu a porta e saiu do carro, fitando os pais e abrindo um sorriso. Realmente estava com saudades deles. Reparou que o pai franziu a testa quando o viu.
Syaoran não conseguiu disfarçar a apreensão ao ver a aura do garoto. Kazuo já tinha o alertado, mas realmente não imaginava que estivesse tão forte daquela forma.
Sakura se afastou do marido e caminhou devagar, abrindo os braços e sorriu ao vê-lo correndo até ela. Recebe-o com carinho, beijou a cabeça dele, dizendo que estava muito orgulhosa dele e muito feliz por ele estar de volta com o irmão e a prima.
Syaoran sorriu de leve observando-os abraçados. Aproximou-se deles, mas desviou os olhos para o filho mais velho que saía do carro, ajudando Marie. Ela não parecia bem. Franziu a testa, reparando que Eriol foi até eles e os dois se encararam. Que droga estava acontecendo?
Sakura levantou o rosto e observou Kazuo e Eriol. As auras dos dois estavam agitadas e expandidas. Afastou-se de Shaolin. O garoto voltou-se para o irmão e olhou de esguelha para o pai.
‘Aguentei Eriol-ji-san enchendo o saco o tempo todo no caminho para cá. Agora é a vez do senhor.’ O garoto falou impaciente.
Syaoran olhou para ele, passou a mão na cabeça do garoto e sorriu de leve, queria abraçá-lo, mas sabia que tinha alguma coisa acontecendo.
‘O que está acontecendo?’ Ele perguntou.
‘Eles estão namorando e ossan surtou.’ Shaolin já foi avisando.
Sakura estalou a língua e Syaoran fechou os olhos, imaginando o tamanho do problema. Kazuo e Marie também não precisavam ter criado mais esta confusão agora.
Sakura encolheu os ombros e sorriu de leve. ‘Você pediu por problemas assim, não?’
‘Eu?’ Syaoran perguntou, olhando para esposa e erguendo uma sobrancelha.
Ela sorriu para ele ainda com as mãos nos ombros de Shaolin. ‘Pensei que quisesse problemas com notas e namoradas.’ Ela comentou, de forma zombeteira, lembrando-o do que havia dito quando Kazuo surgiu nas vidas deles.
Shaolin sentiu o rosto esquentar com o comentário da mãe.
Ela fez um gesto em direção a Eriol e Kazuo. ‘Melhor intervir, Eriol-san não anda muito controlado e é um pai bem ciumento.’ Recomendou ao marido.
Syaoran assentiu com a cabeça, soltou um suspiro cansado e começou a se afastar dos dois.
Sakura abraçou o filho por trás e beijou o rosto dele com carinho. Estava com saudades do seu menino. ‘Por que tenho a impressão de que o mocinho andou aconselhando o irmão mais velho?’
‘Eu?’ Shaolin olhou para o lado o rosto da mãe bem próximo ao dele. ‘Eu não tenho nada a ver com isso. Eles são mais velhos do que eu.’
‘Seu irmão não tem a menor ideia do que é namorar.’ Ela falou reparando que ele desviou os olhos dela.
‘Mas nee-san sabe.’ Shaolin rebateu rapidamente e tentou se afastar da mãe que o apertou mais entre os braços fazendo-o sorrir sem graça.
‘Espero que quando essa confusão com o seu irmão terminar, Você não arrume outra.’
‘Claro que não.’ Shaolin ainda falou vermelho.
‘Yuo-kun é bem mais possessivo que Eriol-san.’ Ela clarificou.
Shaolin respirou fundo e soltou o ar devagar. ‘Acredite kaasan… Não será Yuo-ji-san que me separará de Kasumi.’ Falou em tom baixo.
Sakura sentiu a mudança da aura do menino. Afastou-se dele apenas para parar a sua frente, segurando-o pelos ombros. Estreitou os olhos no filho ao reparar o rosto sério dele. ‘O que mais está acontecendo com você, Shaolin?’
Ele desviou os olhos da mãe. ‘Acho que a senhora já tem ideia sobre mim e Kasumi.’
Sakura engoliu em seco. ‘Você… Você lembrou-se de quê exatamente?’
O menino sorriu de leve para mãe. ‘Está tudo bem, kaasan. Não se preocupe.’ Ele olhou para a confusão do pai com o tio. ‘Acho que é melhor eu tirar Nee-san no meio daquela confusão. Ela não está bem.’ Falou e Sakura concordou com a cabeça, mas sabia que o filho estava usando aquilo para fugir de lhe dar uma resposta.
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Syaoran parou entre Eriol e o filho que ainda se encaravam com Marie no meio dos dois. A menina estava bem pálida, realmente parecia doente. Será que não dava para os dois discutirem em outra hora aquela situação?
‘Será que dá para os dois manterem a calma? Vamos tentar conversar.’ Syaoran falou, reparando que para eles começarem a brigar não faltava muito.
‘Você fala isso porque não é sua filha.’ Eriol falou entre os dentes.
‘É o meu filho.’ Syaoran rebateu.
‘Não tenho nada que conversar com ele.’ Kazuo retrucou e recebeu um olhar sério do pai. Entendeu rapidamente que era melhor manter-se calado, já conhecia bem aquele olhar de reprovação que era bem parecido com o que o irmão lhe lançava quando falava algo que não era para ter falado. Era estranho constatar que apesar de Shaolin e todos comentarem que ele era o que mais parecia com o pai, o irmão mais novo tinha o mesmo olhar de reprovação que o pai.
‘Está tudo bem, ojisan.’ Marie falou, tentando sorrir de leve. Ela tentava se manter firme entre os dois. ‘Tousan veio conosco para trazer a chave, né?’ Ela falou, olhando para Eriol que desviou os olhos de Kazuo e fitou a filha.
‘Sim… A chave.’ Ele falou. ‘Depois vamos embora.’
‘Depois decidimos isso.’ Ela rebateu, forçando um sorriso. Virou o rosto e observou Sakura que estava mais afastada. Precisava falar com a tia o quanto antes. Abriu um sorriso aliviada em vê-la aparentemente bem. Deu um passo para ir ao encontro dela e cambaleou, fazendo Eriol e Kazuo tentarem segurá-la.
‘Solta a minha filha.’ Eriol ordenou entre os dentes.
‘Solta a minha namorada.’ Kazuo falou ao mesmo tempo.
Syaoran rodou os olhos. Como se tudo já não estivesse confuso o suficiente, mais aquela.
Marie tentou se afastar dos dois e agradeceu aos céus quando Shaolin empurrou de leve o pai e parou a frente dela.
‘Está me devendo mais uma.’ O garoto falou, sabendo que a prima literalmente se agarraria a ele para se afastar dos dois.
‘Me tira daqui logo, pirralho. Este dois vão me enlouquecer.’ Ela pediu quase suplicando.
‘Nada disso, Marie. Você fica comigo.’ Eriol ainda tentou argumentar.
‘Eu vou falar com Sakura-ba-san.’ Marie falou de forma firme, olhando para o pai. ‘Não é hora do senhor ficar discutindo isso.’
‘Ela tem razão, Ossan.’ Shaolin reforçou a colocação da prima e começando já a levar a prima para longe da confusão. Ele sabia o que exatamente a jovem precisava para ficar finalmente bem. Olhou para a mãe e a viu com o rosto preocupado se aproximando.
Eriol ajeitou o corpo, incomodado com a chamada que levou da filha e do menino. ‘Vamos resolver tudo de uma vez para ir para casa, então.’ Ele em voz alta para que Marie escutasse. A jovem apenas soltou um suspiro começando a se irritar.
Shaolin olhou de esguelha para a prima. ‘Vai dar tudo certo, nee-san.’ Disse com confiança e percebeu o semblante abatido da prima. ‘E você já deveria saber que eu sempre tenho razão.’
Marie bem que queria dar um cascudo no primo pela petulância, mas no fundo…
‘Espero que esteja certo, Shaolin-kun.’ Falou com a voz fraca e sentiu o menino a segurando mais forte.
‘Eu estou.’ Ele confirmou tentando passar aquela certeza para ela.
Sakura se aproximou do filho e olhou de maneira preocupada para Marie que levantou o rosto fitando-a com um sorriso fraco.
‘Obassan…’
Sakura sorriu para ela rapidamente. ‘Vamos logo conversar, Marie-chan. Fico feliz que tenha voltado bem com meus meninos.’
A jovem aumentou o sorriso para ela, começava a acreditar que o primo estava certo.
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Eriol observou a filha e Shaolin se afastando e falando em tom baixo um com o outro. Gostava do menino e realmente estava muito preocupado com ele. Shaolin de certa forma despertava nele os mesmos sentimentos que tinha para Sakura e Syaoran. Era um garoto incrível, não só por ser o melhor amigo de Marie mas por toda as colocações que o menino sempre fez em relação a magia durante o treinamento que ele fez ministrado por Eriol como também quando conversava com ele sobre literatura. Adorava emprestar livros para o garoto e depois conversar com ele sobre a história quando o menino devolvia o livro para ele e já pedia um próximo.
Gostava de Shaolin, sentia por ele algo bem diferente do que sentia pelo outro filho de Syaoran. Voltou-se para Kazuo com o rosto duro. ‘E você fica longe dela.’
‘Saco.’ Kazuo soltou, incomodado. ‘Não tem porque eu ficar longe dela.’
‘Já falei… Minha filha é humana… Relacione-se com seres da sua espécie.’
‘Hei!’ Syaoran parou na frente do filho, olhando para Eriol com cara de poucos amigos. ‘O que está querendo dizer com isso?’
‘Eu sei me defender sozinho, oyaji.’ Kazuo falou, tentando empurrar o pai, mas arregalou os olhos reparando na aura de Syaoran aumentar e ele afastá-lo.
‘Não se mete nisso agora você.’ Syaoran falou, sem desviar os olhos de Eriol. ‘O que você quis dizer com isso, Hiiragizawa?’
‘Que mantenha o seu filho demônio longe da minha filha. Sei muito bem o que demônios querem com humanas.’
‘Está me ofendendo desta maneira!’ Syaoran falou entre os dentes. ‘Casei com Sakura quando eu era um, então sua teoria está equivocada, como sempre, Hiiragizawa.’
‘Casou?’ Eriol perguntou olhando para Syaoran franzindo a testa. ‘Você foi morar com ela.’
‘Porque meus documentos não estavam acertados. Você sabe muito bem dessa história.’
‘O que eu sei é que o seu filho demônio seduziu a minha filha.’
‘Seduziu?’ Syaoran rebateu. ‘Claro! Porque sua filha é incapaz de tomar decisões sozinha. E você sempre sabe de tudo, não é?’
‘Eu sei o melhor para ela.’
‘E o que pretende fazer, Hiiragizawa? Vai manipular os sentimentos da sua filha para ela deixar de gostar do meu filho?’
Eriol trincou os dentes. ‘Você está levando para o lado pessoal.’
‘É claro que estou! Você está falando do meu filho. Além de estar colocando em questão meu relacionamento com a mulher que eu amo durante o período em que eu fui um demônio.’
Kazuo olhou o pai e Eriol aos berros um com o outro e coçou a cabeça não entendendo muito o que estava acontecendo. Sentiu quando uma mão tocou no seu ombro e virou-se para o lado, fitando Sakura que sorria para ele de forma doce.
‘Venha, Kazuo-kun.’ Ela o chamou, fazendo o rapaz ficar mais perdido ainda.
‘Bem... Eu acho que…’ Soltou um suspiro. ‘Não sei o que faço.’ Falou com sinceridade.
Sakura sorriu para ele e passou o braço nos ombros do rapaz. ‘Seu pai está com algumas coisas entaladas na garganta há bastante tempo. Deixa ele aproveitar esta oportunidade que você deu para ele.’
‘Eu?’ Kazuo perguntou.
‘Sim… Você está fazendo um favor para ele.’ Sakura ainda falou puxando o rapaz, que se mostrava confuso ao observar o pai e o pai de Marie ainda discutindo.
‘Eu realmente estou errado em gostar da Marie?’ Kazuo perguntou para Sakura quase num sussurro, olhando para baixo com a testa franzida. Ele não conseguia entender o porquê o pai da garota era tão contra ao namoro deles.
Sakura sorriu para o rapaz e passou a mão no rosto dele, fazendo-o voltar a fitá-la. ‘Claro que não, querido. Eriol-san é que, infelizmente, ainda não consegue entender direito o que é gostar de alguém. Ele acha que gostar ou amar é manter o controle. Não conseguiu ainda entender o que realmente é gostar de alguém.’
‘Mas ele é o pai dela, não é?’ Kazuo argumentou.
‘Mas não é dono dos sentimentos dela e nem dos seus.’ Sakura respondeu com doçura. ‘O importante é você e Marie-chan gostarem um do outro. O resto…’ Ela falou olhando para os dois homens discutindo e soltou um suspiro. ‘Não é o que importa. Venha… Esta discussão ainda vai longe. É muita coisa que os dois têm que resolver entre eles.’
‘Não queria colocar oyaji numa situação assim.’ Ele ainda falou, sendo levado pela esposa do pai pelos ombros para se afastar da confusão.
Sakura soltou uma risadinha. ‘Como eu falei… Você deu uma ótima oportunidade para o seu pai tirar algumas coisas do passado a limpo com Eriol-san.’
Kazuo olhou para a esposa do pai e sorriu para ela de leve. Sakura era sempre muito gentil com ele. Estava feliz em revê-la e saber que ela estava aparentemente bem.
Os dois arregalaram os olhos e se afastaram, reparando que, finalmente, Eriol e Syaoran trocaram os primeiros socos. Sakura franziu a testa, sabia que o marido estava no limite da paciência. Estava há tempo demais com ela tentando controlar a vontade de realmente socar alguma coisa, mas Eriol não era um adversário à altura para ele, não seria uma luta justa, mesmo vendo que quem havia partido para agressão física primeiro fora a reencarnação de Clow.
Syaoran segurou o punho de Eriol e franziu a testa encarando-o. Eriol estava brincando com o perigo em levar aquela discussão para a agressão física.
‘Estou com você entalado na minha garganta a muito tempo, Hiiragizawa.’ Ele falou entre os dentes.
‘E está usando aquele demônio para seduzir minha filha e me atingir?’
‘Você está maluco? Você acha mesmo que eu faria uma merda dessa?’ Syaoran rebateu. ‘Quem usa os outros, os sentimentos dos outros para atingir objetivos é você, não eu.’
‘Você sabe muito bem quais foram os meus motivos.’
‘Eu não quero nem saber quais foram os seus motivos. Não me encha o saco agora falando esse monte de merda.’
‘Queria ver se fosse uma filha sua?’
‘Primeiro! Ele é meu filho. Estamos falando do meu filho. E segundo… quem andava em cima do muro não era eu quando era um demônio e, sim, outra pessoa.’ Syaoran falou, olhando sério para Eriol que arregalou os olhos entendendo exatamente a que ele estava se referindo. ‘Então presta atenção no que eu vou falar só dessa vez. A natureza de um indivíduo não determina caráter, nem o bem ou mal que ele faz àqueles ao seu redor. Se fosse assim, os humanos não fariam tanto mal uns aos outros. A natureza apenas determina a dificuldade que se tem de controlar a própria energia negativa, os próprios demônios. Meu filho é um bom garoto! Ele ser um demônio não diminui em nada o mérito dessa questão. Pelo contrário! Isso apenas torna o fato mais extraordinário devido ao esforço que ele precisa fazer para não ceder aos instintos mais básicos que todos nós trazemos dentro de nós. Se você tem alguma objeção ao namoro dos dois, é melhor que seja por um motivo melhor que “ele é um demônio”. Entendeu?’ Falou, empurrando o homem que deu uns passos para trás, observando-o.
Encararam-se de forma arisca por alguns segundos. Eriol ajeitou os óculos no rosto e cruzou os braços incomodado.
‘Se o seu filho… Magoar a minha filha…’
‘Se ele fizer isso… Pode ter certeza que quem vai dar um corretivo nele sou eu.’ Syaoran o interrompeu.
Eriol desviou os olhos de Syaoran e respirou fundo, tentando controlar a raiva.
Syaoran soltou um suspiro. ‘Você sabe muito bem o quanto gosto de sua filha. Não permitiria que alguém a magoasse, mas este seu discurso já está me enchendo o saco há muito tempo.’ Ele falou de forma sincera. ‘Não pense que eu não percebia o quanto você estava nervoso quando voltei do mundo das trevas pela primeira vez. Estava todo preocupado por eu acabar prejudicando Sakura, mas quem quase a matou foi um humano. E agora, outra vez, quem está quase provocando o Caos é um humano, não um demônio.’
Eriol fechou os olhos e levou uma mão no rosto. ‘Você tem razão.’ Falou por fim.
‘Ótimo que entendeu.’
O inglês encarou-o novamente. ‘Mas isso não quer dizer que eu permito o namoro dos dois.’
‘E vai fazer o quê, Hiiragizawa?’
‘Pelo jeito… Vou ter que engolir, não é?’
‘Assim como engoli a história que você criou de Pilar e Guardião. Engole e aceita que dói menos.’
‘Você está mais irritante do que quando era garoto ou demônio.’
‘E você mais arrogante.’
‘Ótimo!’ Sakura falou, parando entre os dois. ‘Os meninos já se acertaram também! Estão até trocando elogios!’ Falou de maneira irônica. Ela olhou de um para o outro. ‘Será que podemos agora falar de coisas sérias ou vocês dois ainda querem fazer o mano-a-mano de basquete para decidir as coisas?’
Syaoran soltou um suspiro e tentou relaxar os ombros tensos. Desviou os olhos de Sakura e fitou o Kazuo que estava mais afastado, sorriu de leve, pensando que, apesar da confusão e da situação delicada que ele tinha colocado a todos com o namoro com Marie, mostrava que o filho tinha sentimentos e isso já o tornava especial, principalmente pela natureza dele. Sakura tinha razão, era realmente um bom menino.
Shaolin apareceu na porta da pousada com o rosto sério, o menino tinha deixado Marie dentro da pousada para descansar. O garoto olhou para além de onde o pai estava com a mãe. Caminhou, parando ao lado de Kazuo que percebeu a aura do irmão agitada.
‘O que foi, Shaolin?’ Kazuo perguntou, virando-se para o irmão.
‘Gabriel e o outro estão vindo.’ Ele respondeu e logo uma forte luz explodiu, chamando a atenção de todos.
Gabriel e Raziel surgiram acompanhados de um casal de humanos que pareciam bem cansados, esgotados. Roupas sujas de sangue e rasgadas. Pareciam que estavam vindo de uma guerra.
Syaoran virou-se para trás, assim como Sakura, e reconheceu Logan. Franziu a testa, caminhando até eles devagar. Levou a mão até a cabeça e balançou de leve, voltando a sentir aquele zunido chato. Fitou Logan, cumprimentando-o com um gesto com a cabeça. Reparou que o caçador sorriu de leve, provavelmente percebendo que a presença dele não era a mesma de quando eles se encontraram pela primeira vez.
Syaoran voltou-se para Gabriel com o olhar duro. ‘Que merda está acontecendo, Gabriel?’
O Anjo soltou um suspiro. ‘O grupo que está atacando o Pilar no universo do senhor Väktare vendo que estavam perdendo o controle.’ Ele sorriu rapidamente olhando para Sakura. Ela realmente era incrível. Voltou-se para Syaoran que o fitava ainda com o rosto duro. ‘Sua esposa conseguiu controlar de forma incrível a corrupção e a carga negativa que o outro pilar estava sendo atacado.’
Syaoran fez um gesto com a cabeça sentindo-se orgulhoso. Sabia do potencial infinito da esposa. No entanto, franziu a testa observando semblante preocupado do arcanjo a sua frente. ‘O que está pegando?’
Gabriel desviou os olhos do seu alter-ego, sabendo que a informação que forneceria irritaria-o. ‘Eles requisitaram um nova ajuda. Estamos preocupados.’
‘Ajuda?’ Syaoran perguntou, realmente começando a se irritar.
‘Sim.’ Raziel tomou a palavra. ‘Acreditamos que além de Feiticeiros… temos um demônio ajudando-os agora.’
Syaoran olhou para Logan. ‘Eu avisei que deveria desenvolver melhor seu dom.’
Logan assentiu com a cabeça. ‘Verdade.’ Respondeu. ‘Mas não imaginamos que seríamos atacados por tantos feiticeiros tão fortes e de uma vez só. Além disso, tenho a parcela de culpa pelo preconceito com relação aos feiticeiros e seres das trevas.’ Falou de forma sincera.
‘Isso está afetando minha esposa.’ Syaoran comentou entre os dentes, fazendo Logan tirar os olhos dele e fitou Sakura que se aproximava devagar.
O homem sorriu de leve, observando a energia da Grande Mãe em volta da feiticeira. Ele olhou para a mulher que estava ao seu lado e fez um gesto de leve com a cabeça para que ela observasse Sakura se aproximando.
Sakura reconheceu Katrina e sorriu para eles. Lembrava-se claramente de quando observou os dois se abraçando, logo depois que Logan atravessou o portal que ela tinha aberto para ele. Fora justamente no mesmo dia que Syaoran tinha sido intimado a voltar para o mundo das trevas pelos mesmo dois anjos que agora estavam à frente deles. Ela parou ao lado do esposo, se entreolharam rapidamente.
‘Qual sua ideia?’ Sakura falou olhando para o anjo. ‘Ou vai ter que consultar seu supervisor… Ou o supervisor de vocês dois?’ Ela falou, olhando para os dois seres celestes.
Raziel franziu a testa e olhou para Gabriel. ‘Do que ela está falando?’
‘Miguel.’ Gabriel respondeu baixo e encolheu os ombros.
‘Eu não acredito que você pediu ajuda para ele?’
‘Ele quem se meteu sem me avisar.’
‘Hei…’ Syaoran chamou atenção novamente deles. ‘Depois vocês discutem isso… Agora é melhor falarem de uma vez qual o plano de vocês para arrumar essa confusão.’
‘Precisamos de ajuda.’ Logan foi direto, encarando Syaoran. ‘Os caçadores sozinhos não possuem força suficiente para derrotar o grupo de feiticeiros e principalmente o demônio superior que estão atacando a Grande Mãe. Tivemos muitas baixas. Nosso grupo foi reduzido pela metade e eles continuam tão ou mais fortes.’
Syaoran olhou para Gabriel. ‘Vocês não podem ajudá-los?’
‘Não podemos agir nos planos inferiores.’ Raziel respondeu.
‘Tem certeza disso?’ Syaoran perguntou. Realmente começava a duvidar com relação a situação dos arcanjos, principalmente depois de conversar com a esposa sobre Shaolin e a suspeita e deduções que os dois tiraram.
Gabriel e Raziel entreolharam-se sem graça.
‘Se intervirmos… colocamos nossa existência em risco.’ Gabriel falou de forma sincera finalmente.
Syaoran franziu a testa. ‘Como assim?’
‘Anjos e demônios estão nos dois extremos do ciclo evolutivo de uma alma. Demônios e anjos deixam de existir se forem eliminados.’
‘Deixam de existir?’ Logan perguntou, olhando desconfiado para Raziel.
Os dois estavam incomodados. ‘Exatamente. A intervenção nos planos inferiores é altamente perigosa a nossa existência. Diferente de humanos que por possuirem um “corpo”, a alma apenas se desprende do material. Nós não possuímos o “material”.’
Logan franziu a testa olhando de Raziel para Gabriel, e mostrando-se contrariado. ‘Estão com medo de colocar a existência de vocês em jogo, então?’
Os dois arcanjo voltaram a se entreolhar. ‘Alguns de nós sempre interviram... mesmo colocando nossa existência em jogo…’
‘Provavelmente os mais corajosos e menos preguiçosos, não?’ Syaoran olhou contrariado para Raziel que encolheu os ombros constrangido.
‘Não é tão fácil assim. Os mais inconsequentes fazem isso.’ Rebateu.
Sakura repousou uma mão no braço do esposo, pedindo para que ele mantivesse a calma. Ele soltou um suspiro. ‘O que realmente querem?’
‘Precisamos de sua ajuda novamente, senhor Li.’ Raziel respondeu. ‘O senhor é feiticeiro, poderá combater de forma mais eficaz contra o inimigo.’
Syaoran trincou os dentes. ‘Como posso fazer isso? Preciso permanecer ao lado de Sakura. As coisas estão resvalando de forma muito perigosa para este universo também.’
Logan concordou com a cabeça. ‘Eu imagino. Agradecemos pela ajuda que está nos dando de forma indireta.’ Ele falou, olhando para Sakura que sorriu de leve. ‘Raziel nos explicou sobre você e a Grande Mãe.’
‘Estou tentando fazer o meu melhor para ajudá-los, Väktare-san.’ Ela respondeu, tentando sorrir de leve.
Logan tirou os olhos dela e fitou Shaolin e Kazuo que estavam um pouco mais atrás deles, franziu a testa de leve e voltou a fitar Sakura e Syaoran. ‘São seus filhos?’
Syaoran olhou sobre os ombros os dois e sorriu de leve. ‘Sim. São meus filhos.’ Respondeu, voltando a olhar o caçador. ‘Acho que eles podem nos ajudar. Foram treinados tanto em lutas quanto magia.’
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Logan ainda tinha os olhos cravados nos dois. ‘Como pode ter filhos com naturezas tão opostas?’
‘São dois ótimos meninos.’ Sakura respondeu. ‘Não importa a natureza de cada um deles.’
‘Mas o mais novo… Ele tem…’ Reteve-se e olhou para Gabriel e Raziel que estava ao lado dele. ‘Aquele garoto… Ele é um de vocês? Um dos “inconsequentes”?’ Não teve como não evitar a pergunta irônica.
Syaoran riu, não pode negar que adorou a colocação de Logan para constranger os dois arcanjos. Porém, Sakura ainda estava séria. Verdade que tinha e muito medo do que constatava quando observava a magia de Shaolin.
‘Não!’ Sakura respondeu dando um passo a frente com o rosto duro e de forma assertiva. ‘Ele não é um deles. Ele é nosso filho.’ Os anjos se entreolharam fazendo ela ficar mais furiosa. ‘E espero que isso esteja bem claro para vocês.’ Sentiu quando Syaoran segurou seu braço, pedindo agora para ela se manter a calma.
Gabriel engoliu em seco. ‘Existem seres com a natureza humana, natureza demoníaca, assim como existem os seres de natureza celestial, senhora Li. Shaolin nunca pertenceu a este plano, veio apenas para cumprir uma tarefa.’
Syaoran segurou mais forte o braço da esposa, pois sentiu que ela estava pronta para avançar em cima de Gabriel.
‘Ele é meu filho…’ Repetiu entre os dentes. ‘Se você pensar em tirá-lo de mim como tentou fazer com Syaoran, Gabriel-san... Eu juro, que não importa a sua natureza, eu acabo com você… Com vocês.’ Ela falou, olhando de Gabriel para Raziel que se entreolharam incomodados.
Syaoran franziu a testa e olhou para trás observando os dois filhos que agora trocavam olhares apreensivos. Sabiam que estavam falando deles. Eram curiosos. Como imaginou os dois já começaram a se aproximar para saber o que estava acontecendo. Eriol passou por eles e Shaolin avisou que Marie estava dentro da pousada com a senhora Asakura.
Os garotos pararam ao lado de Syaoran e Sakura, encarando os anjos. Gabriel sorriu de leve para o menino.
‘Não pensei que o veria novamente.’ O garoto falou de forma sincera. ‘Só faltam as duas últimas chaves agora e já sabemos onde elas estão.’ Ele desviou os olhos para Logan e franziu a testa de leve, virando-se para o pai e depois para Logan. ‘Que merda é essa? Quem é ele?’ Falou, fazendo um gesto em direção ao caçador que sorriu de leve, balançando a cabeça. Sakura tinha razão, o garoto era direto demais para ser um arcanjo.
‘Olha o linguajar, Shaolin!’ Sakura repreendeu o filho que encolheu os ombros e se desculpou entre os dentes.
‘O Shaolin tem razão…’ Kazuo interveio. ‘Ele tem a mesma presença do oyaji, por quê? O que vocês dois andaram aprontando errado desta vez?’ Perguntou para os anjos.
‘Väktare é o guardião do universo que está sendo atacado.’ Raziel clarificou novamente.
‘Vamos ajudá-lo.’ Syaoran falou. ‘Vocês dois vão comigo.’ Ele falou apontando para os filhos. ‘Assim resolveremos a questão mais rápido. Não posso me manter afastado de Sakura por muito tempo.’
Raziel soltou um suspiro. ‘Talvez seja o melhor… Como falamos, acreditamos que alguns demônios também tenham passado para o universo do senhor Väktare. Será importante a espada celestial.’
‘Que espada é esta?’ Syaoran falou erguendo uma sobrancelha.
Gabriel coçou a cabeça sem graça. ‘A espada que deveria pertencer ao guardião, mas… Agora está com Shaolin.’
Syaoran olhou para o filho que desviou os olhos dele. Não queria contar para o pai o que tinha acontecido com ele no Vaticano, sentia-se extremamente envergonhado do que tinha feito. Endireitou o corpo e sentiu a mão de Kazuo, bagunçando os cabelos dele.
‘Vai ser moleza pra gente, não é, pirralho?’ Ele falou sorrindo de leve para o irmão.
Shaolin tentou tirar a mão do irmão da cabeça. ‘Não me chame de pirralho.’ Retrucou.
Syaoran olhou para os dois e sorriu de leve, observando que eles andavam se dando muito bem. Sempre quis filhos com idades próximas para exatamente isso que estava vendo agora. Reparou que Sakura olhava para ele sorrindo de leve também. Ela tinha razão. Quando essa loucura toda estivesse finalizada, deveriam acertar a situação de Kazuo e fazer ele oficialmente parte da família, era questão apenas de papéis agora.
Logan olhou para os dois garotos e franziu a testa, reparou que Katrina observava os dois sorrindo. Provavelmente estava lembrando dos filhos de quem eles tiveram que se separar durante aquela guerra que estavam travando. ‘Vamos? O tempo é curto.’
‘Sim.’ Gabriel falou, soltou um suspiro. ‘Os universos estão tão inconstantes, que acho que conseguirá abrir um portal sem grandes problemas, Shaolin.’
‘Eu? Por que eu?’ O garoto perguntou.
‘Porque sim e pronto. Sem perguntas, Shaolin.’ Sakura cortou o menino que olhou para a mãe sem entender aquela apreensão toda. Ela olhou para Gabriel com o rosto duro. ‘Nem pense em fazer o que você me ameaçou daquela vez, Gabriel. Você já sabe o que eu sou capaz de fazer. Quero os três de volta. Os três, entendeu?’
O anjo confirmou com a cabeça. E olhou para o garoto, coçou a cabeça de leve. ‘Vou ensinar como você cria um rasgo entre os universos com sua espada, certo?’
Ele endireitou o corpo. ‘Ah! Aquele lance de cortar as cordas?’
Gabriel ergueu uma sobrancelha para ele e depois fechou o rosto, deduzindo que pelo visto Miguel já havia explicado algumas coisas para o garoto. ‘Miguel é muito metido mesmo. Não é porque ele é o supervisor pode ficar passando por cima da gente. Isso está errado.’ Falou para Raziel incomodado.
Raziel deu de ombros. ‘Vai você lá reclamar com ele.’
‘Você é um covarde também.’ Gabriel rebateu. ‘Vou levar isso para a ouvidoria.’ Resmungou.
Shaolin olhou de um anjo para o outro. ‘Hei! Eu apenas sei disso… Não foi Miguel quem me falou.’ O garoto coçou a bochecha sem graça. ‘Na verdade, não lembro direito da onde tirei isso.’
Os dois anjos se entreolharam apreensivos. Gabriel olhou em direção a Sakura que olhava séria para o filho, ela cerrou os punhos e o marido percebeu a agitação da aura dele. Isso poderia ser perigoso. Sakura estava novamente se sentindo encurralada ao começar a temer perder o filho. Tinha que intervir.
‘Vamos logo com isso.’ Syaoran falou irritado com os dois anjos. ‘Este zunido está me irritando novamente. Quanto antes a gente voltar melhor.’
O menino desviou os olhos do anjo e fitou o pai que fez um gesto autorizando. O garoto respirou fundo e olhou para a mãe que sorriu para ele para passar confiança. Pegou a esfera de dentro do bolso e Syaoran observou que ela tinha mudado de cor. Entendeu o que o Kazuo falou quando disse que o garoto tinha fundido a espada dele com a outra do exorcista.
A mandala surgiu aos pés do garoto e Sakura inclinou a cabeça de leve observando a nova modificação dela, trincou os dentes de leve e abaixou os olhos. Não importava o plano de origem do filho, Shaolin era seu filho agora e era assim que ele deveria continuar. Olhou para Kazuo e pensou que o queria como filho também.
A espada se formou nas mãos do garoto e ele sentiu-se envergonhado por todos estarem olhando para ele. Não gostava de ser o centro das atenções. Era melhor fazer as coisas de forma rápida. Fechou os olhos e conseguia ver o universo em que estava agora tornar-se como fitas e logo depois como linhas que com o soprar de leve do vento balançavam e faziam com que fosse possível ver outro universo através delas devido ao movimento das fitas que estavam à sua frente.
Levantou a espada a frente e apenas separou estas linhas em um ponto afastando-as como se abrisse uma cortina. Abriu os olhos e viu formado a sua frente, através da luz, o portal para o universo de Logan.
‘Vamos.’ Syaoran falou, batendo de leve no ombro de Kazuo. Olhou rapidamente para Sakura e acenou com a cabeça. ‘Voltamos logo.’ Ela sorriu para ele concordando.
Logan e Katrina passaram pela brecha e os anjos desapareceram. Shaolin olhou para a mãe e sorriu para ela de leve.
‘Kaasan.’ Ele a chamou fazendo-a sorrir para ele. ‘Nee-san… Ela precisa lhe devolver algo.’
Sakura franziu a testa de leve pensando em como Shaolin poderia saber sobre aquilo, mas apenas assentiu com a cabeça. ‘Vou conversar com ela.’
‘Ela e Kazuo… não é só por causa da carta.’
‘Eu sei.’ Ela falou e sorriu de forma triste. ‘Só que ela é quem precisa acreditar nisto.’
O menino concordou com a cabeça. ‘Voltamos logo, kaasan.’
‘Eu estarei esperando vocês.’ Ela falou e observou o menino passar pelo rasgo dentre os universos e depois ele se fechar. Soltou um suspiro e balançou a cabeça de leve. Três das pessoas mais importantes da sua vida estavam novamente longe dela. Esperava que eles fossem rápidos. Levou uma das mãos ao peito e fechou os olhos de leve. Franziu a testa e abriu-os decidida. Estava na hora de conversar com Marie.
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Syaoran caminhava pela mata fechada olhando em volta, franziu a testa observando as copas das árvores altíssimas, era estranho Logan não se desenvolver em magia num lugar que emanava tanta magia em volta. Não tinha sido à toa que os dois universos no final eram os mais próximos, qualquer invocação de magia ou ritual que algum feiticeiro fizesse naturalmente chamaria aquele universo por questão de afinidade.
Olhou para trás, observando os dois filhos que caminhavam devagar atrás dele. Estavam conversando sobre Eriol. Kazuo estava questionando o irmão do porquê o mago não gostar dele e Shaolin pelo jeito tinha perdido um pouco a paciência com o tio, pois já estava chamando-o de “mente limitada”.
‘Hum… onde você se meteu hoje pela manhã? Podia ter avisado a gente onde iria para não nos preocupar.’ Kazuo repreendeu o irmão.
O garoto respirou fundo. ‘Fui ver Kasumi. Estava com saudades.’
Kazuo sorriu de lado e balançou a cabeça. Era até óbvio o que o irmão tinha ido fazer pela manhã, até pela pressa dele que deixou o café pela metade. Shaolin estava morrendo de saudades de Kasumi.
‘Queria ter ido com você. Estou com saudades da pirralha gulosa.’
Shaolin endireitou o corpo. ‘Não tinha cabimento você ir comigo. Como é que eu posso namorar em paz com você me atazanando.’
Syaoran arregalou os olhos e estaqueou. Peraí! Namorar? Kurogane arrancaria o fígado do filho e por tabela o dele também. Não era tonto, sabia dos sentimentos do filho pela menina, mas eles eram novos ainda. Correção: a princesinha Kurogane era muito nova para namorar qualquer gaki metido a príncipe encantado.
‘Você está de sacanagem comigo?’ Ele falou, olhando sério para o garoto. ‘Vocês dois estão de sacanagem comigo, é isso?’ Syaoran perguntou, olhando de um para outro. ‘Não dava para arranjar namoradas na escola? No clube? Sei lá onde! Tinham que ser logo as filhas dos caras mais chatos da face da Terra?!’
Os dois se entreolharam e soltaram um suspiro. ‘Eu resolvo a parada sozinho.’ Shaolin falou contrariado.
‘Eu também resolveria a parada sozinho.’ Kazuo replicou.
Syaoran olhou para os dois. ‘Vamos ter que conversar sério quando terminar isso daqui. Vocês dois!’ Ele falou e voltou a caminhar atrás de Logan que já tinha aberto uma distância entre eles. Soltou um suspiro. ‘Não tô afim de ser avô tão cedo.’ Esclareceu contrariado, já prevendo a confusão que seria quando voltassem e o amigo descobrisse que sua princesinha estava namorando justamente com o seu caçula.
‘Eu não tenho idade para isso.’ Shaolin rebateu.
‘Deixa-me mais tranquilo saber que tem conhecimento disso.’ Syaoran retrucou. ‘Considerando quem é o pai da sua namorada.’
‘Ainda não tenho idade.’ Ele completou. Levando em seguida um cascudo do pai.
‘Você anda bem assanhado.’ Retrucou.
‘Eu não falei nada demais.’ O menino retrucou incomodado.
‘Vocês estão falando do quê?’ Kazuo olhou de um para o outro. ‘Ah! Do tal contato especial?’
Shaolin bateu a mão no rosto. ‘Melhor você explicar melhor isso para ele, tousan.’
‘Eu não quero me unir com ninguém e depois dar o azar de não conseguir desunir de forma correta.’ Ele resmungou. ‘Isso é perigoso.’
‘Unir?’ Syaoran perguntou olhando para o filho. ‘Do que diabos você está falando?’
‘Foi o Shaolin quem falou.’ Kazuo respondeu e o homem olhou para o caçula que estava mais vermelho que nem um tomate maduro.
‘Ah! Agora tudo faz sentido. Foi sua esta ideia de namoro entre Marie e o seu irmão, não foi Shaolin?’
‘Eu?’ O garoto replicou incomodado. ‘Agora Kazuo que namora e eu é que sou culpado? Ele que é assanhado, não eu!’
‘Mas você quem disse que se namora primeiro e depois tem o tal contato especial.’ Kazuo falou, pulando um obstáculo e seguido logo pelo pai e o irmão. ‘Inclusive, disse que depois você teria com a Kasumi.’
‘Eu não falei nada disso!’ O garoto quase gritou. ‘Você está confundindo tudo.’
‘Você está de sacanagem comigo mesmo, não é, Shaolin?! Kurogane vai arrancar o seu fígado!’
O garoto se tremeu todo. ‘Ele não é tão ruim assim.’
‘Pior que ele vai querer arrancar o meu por tabela.’ Syaoran ainda completou incomodado.
‘Eu vou arrumar tudo quando voltar.’ Shaolin falou e olhou para Kazuo. ‘E você para de falar… Cada vez que fala me compromete mais! Eu não deveria ter me metido mesmo entre você e nee-san. Maldita hora que resolvi falar com você.’
‘Ah, que isso… Você tinha razão! Aquele negócio de beijar é muito bom.’
‘Nii-san! Para de falar sobre isso… Pelo amor de Deus!’
Syaoran parou novamente de caminhar e olhou para o caçula. ‘Você não tem idade para isso e ainda atiçou o seu irmão?! Eu não acredito nisso!’ Falou com uma mão no rosto. ‘De onde você aprendeu isso, Shaolin?’
O garoto coçou a bochecha sem graça. ‘Maratonas de filmes românticos com kaasan, nee-san e a Kasumi.’ Falou. ‘Você me obrigava a ficar com elas enquanto fugia. Foi fácil. Pensando bem… a culpa também foi do Kurogane-ji-san, porque Tomoyo-ba-san também adorava fazer aquelas maratonas melosas.’
‘Eu deveria ter carregado você mais vezes para o dojo.’ Syaoran se recriminou. ‘Sabia que ficar debaixo da saia de Sakura não daria certo.’
‘E também era bem fácil ver você e kaasan se beijando em casa.’ Shaolin falou sorrindo de lado e achando mais graça quando viu o pai vermelho.
‘Ah, sim… O tal do agarramento.’ Kazuo completou, deixando o homem numa situação pior. ‘Eu também vi.’
‘Vocês dois têm mentes maliciosas demais. Não sei de onde puxaram isso.’
Os dois se entreolharam e sorriram um para o outro. ‘Hei… hei…’ Syaoran falou olhando de um para o outro. ‘O que esta troca de olhares está querendo dizer? Eu sou o pai de vocês!’
Shaolin cruzou os braços e encarou o pai. ‘Com quantos anos você beijou kaasan pela primeira vez, tousan?’
Syaoran teve uma crise de tosse fazendo os dois olharem para ele desconfiados.
‘O que você acha, nii-san?’ Shaolin perguntou para o irmão enquanto o pai ainda tossia. ‘Eu acho que foi com menos idade que eu.’
‘Será? Talvez… Quantos anos você tem mesmo?’
‘Treze.’ Shaolin respondeu.
‘Vocês dois... parem!’ Syaoran respondeu irritado.
‘Oyaji falou que conheceu sua mãe com dez anos. Caçando as cartas.’ Kazuo respondeu, lembrando-se da história que o pai contou.
‘Isso mesmo.’
‘Com dez anos já pode beijar?’ Kazuo perguntou.
Shaolin estreitou os olhos no pai que levantou as sobrancelhas. ‘Já podia, tousan?’
‘Hei!’ Syaoran falou olhando sério para eles. ‘Que falta de respeito é esta? Claro que não! Com dez anos éramos crianças. Assim como você também é só uma criança.’ Ele falou olhando para Shaolin.
‘Ah, sim… Kaasan contou que só falou que gostava do senhor quando tinha doze anos, não é?’
‘Então eu aposto em doze anos.’ Kazuo falou.
‘Isso é um ano mais novo do que eu.’ Shaolin comentou.
‘Vocês dois estão querendo me enlouquecer!’ Syaoran falou voltando a caminhar contrariado. ‘Vão ficar os dois de castigo… Por anos!’
Shaolin e Kazuo riram um para o outro e caminharam atrás do pai que pisava duro. Inferno, ele pensou. Tinha se arrependido de ter pensado que só tinha pedido aos céus problemas como aquele com os filhos. Nunca pensou o quão constrangedora seria a situação.
‘Ah, e o contato especial?!’ Kazuo lembrou.
‘Pergunta para tousan. Ele vai explicar direitinho para você.’ Shaolin replicou. ‘Eu não tenho idade ainda para isso.’
Syaoran olhou para os dois. Correção: Ele não tinha ideia do quanto constrangedora poderia ser a situação ainda.
‘Outra hora… Outra hora.’ Syaoran respondeu por fim.
Continua.
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