FEITICEIROS

Por Kath Klein

Colaboração: Yoruki Hiiragizawa

Revisão: Rô Marques & Yoruki Hiiragizawa

Capítulo 18

Bem-vindo ao Inferno

‘Tem certeza?’ Syaoran ouviu a pergunta às suas costas. Virou-se para trás e encontrou o rosto de Wei, fitando-o preocupado. ‘Não acha que é muita loucura?’

‘É a única forma.’ Ele respondeu. Não podia negar que estava com receio do que teria que enfrentar, mas não tinha como ignorar que ele também precisava estar perto de Sakura.

Talvez o fato da jovem estar desequilibrada e aquela balela toda de que o caos atingiria a Terra fosse apenas desculpa para empurrá-lo ao que estava prestes a fazer. Queria voltar à vida que tinha antes de toda aquela loucura criada pelo ex-colega de Clow aparecer. Ele, pela primeira vez, estava verdadeiramente feliz em viver. Depois que passou pelo inferno nas mãos dos anciões do Clã por anos, aqueles meses que conviveu com Sakura tinham sido o verdadeiro paraíso para ele. Fora pouco tempo. Pouquíssimo tempo de felicidade. Queria mais.

‘Você já está ciente de todos os riscos, suponho eu?’ Gabriel perguntou. O anjo estava ao lado do rapaz, olhando para o portal que o levaria do paraíso para o inferno.

‘Sim.’ Ele respondeu decidido. Aquilo precisava ser feito. Estava preocupado apenas com o tempo que levaria para achar uma brecha. Virou-se para a figura celeste ao seu lado. ‘Não vai me dar uma pista de como acho uma brecha?’ Não custava nada perguntar.

Gabriel sorriu de lado. ‘Eu nunca fui para o mundo das trevas. Não tenho a menor ideia.’

Syaoran ponderou que ele estava certo. ‘É… não tem como ser mais complicado.’ Soltou pensando no que faria.

‘Não quero complicar mais a situação, mas preciso ser claro com você. Não tenho como esperar muito tempo. O pilar está cada vez mais corrompido.’

‘Detesto quando você a chama assim.’ Li falou incomodado.

O anjo sorriu, ele tinha razão. ‘Desculpe-me.’ Falou com sinceridade, continuou. ‘Não posso esperar indefinidamente até você encontrar uma brecha. O que vai determinar meu tempo é o nível de corrupção da sua namorada.’

Ele respirou fundo. Também não gostaria de demorar muito tempo no mundo das trevas. ‘Eu vou conseguir. Vai dar tudo certo.’

‘Estarei torcendo por isso.’ Gabriel falou e sorriu de leve. O anjo estendeu a mão para ele, mostrando a esfera negra. ‘Acho que vai precisar disso aqui.’

Ele arregalou os olhos e sorriu. Pegou a esfera negra e a jogou para o alto. ‘Acho que sim. Obrigado.’

‘Não tem de quê.’

Syaoran olhou novamente para o portal e depois para Wei. ‘Eu acho que nunca o agradeci pelo que fez por mim, não é?’

O senhor sorriu para ele, colocando uma das suas mãos no ombro do rapaz. ‘Não há necessidade de tal. Você foi o filho que não tive.’

‘E você, o meu pai.’

‘Estou orgulhoso de você. Tornou-se o homem que eu tinha certeza que seria.’

O rapaz sorriu sem graça, coçando a cabeça, não estava muito acostumado a momentos como aquele.

‘Tenho certeza que conseguirá.’ Wei falou com confiança.

Syaoran voltou-se novamente para o portal. ‘Vamos lá.’ Falou, começando a caminhar em direção a ele. Respirou fundo antes de cruzá-lo. Um clarão o cegou por alguns segundos, mas manteve o passo firme em direção ao seu destino. Quando finalmente conseguiu abrir os olhos, viu a tenebrosa paisagem do inferno.

‘É isso aí, Syaoran Li. Bem vindo ao inferno.’ Falou para si, olhando para os lados.

Li começou a caminhar pelo deserto, olhando para o céu em chamas. O rapaz pensou que o verão em Hong Kong nem se comparava com o calor que fazia. Ao horizonte, podia avistar alguns seres rastejando pelo chão em súplica. Franziu a testa, estranhando se sentir normal ao caminhar naquele lugar. Havia pensado que sofreria horrores, como se o corpo estivesse coberto de chamas, sofrimentos constantes… estas coisas que a literatura sobre o inferno sempre descrevia.

‘Eu não estou sofrendo nada…’ soltou olhando para suas mãos.

‘Isso porque você tem poderes, oras!’ Ouviu por trás de si, assustando-o.

Voltou-se e viu um enorme demônio humanoide. O corpo era revestido por escamas cinzas, suas mãos tinham garras enormes e seu cabelo era negro até a cintura, onde havia um enorme cinto de couro com um medalhão. Syaoran engoliu em seco vendo aquele monstro com, no mínimo, o dobro do seu tamanho. Franziu a testa pensando que seria pedir muito para ter um pouco mais de sorte ao ser recebido no mundo das trevas.

‘Então os meus poderes permanecem, aqui?’

O monstro balançou a cabeçorra devagar. ‘Você deve ser um feiticeiro para não sentir a atmosfera daqui. Um feiticeiro das trevas, com certeza. Muitos, mal conseguem se levantar e apenas rastejam.’ Ele estreitou os olhos em Li inclinando-se levemente para frente para que seus rostos ficassem na mesma altura. ‘Sim… seu poder é das trevas. E, pelo visto, é um guerreiro também, pois é bem petulante para me encarar nos olhos desta maneira. Se dará muito bem aqui… assassinos são muito bem-vindos pelo pessoal.’

‘Não me diga.’ Falou em tom sarcástico. Ponderou que realmente havia se tornado um assassino. Não era muito legal constatar isso. Olhou de um lado para o outro, desviando os olhos do monstro que se ergueu, mas que mantinha os olhos fixos nele. ‘Pena que não pretendo ficar muito tempo por aqui.’

‘E para onde pensa que vai, garoto?’

Syaoran voltou a encarar o monstro, não custava perguntar. ‘Já ouviu falar das brechas?’

O monstro ficou um tempo em silêncio observando o rapaz. Inicialmente achou estranho um rapaz com aparência humana encontrar-se tão bem, numa atmosfera como aquela. Quando se aproximou dele percebeu a magia fluindo de seu corpo e, quando o analisou de perto, percebeu quanto poder aquela pequena criatura tinha dentro dela.

‘Quem não as conhece por aqui?’ Finalmente falou. ‘Um tal de Shyrai prometeu que construiria uma enorme para que todos nós pudéssemos atravessar… Besteira… Foi derrotado por um humano e acabou voltando para cá.’

Li pensou que reencontrar Shyrai pudesse ser uma boa agora. Talvez ele pudesse ajudá-lo a encontrar um brecha… corrigindo, talvez ele tivesse que arrancar esta informação dele de uma forma não tão amigável. Respirou fundo e percebeu que o ar era muito mais denso que o da Terra, e muito mais ainda, quando comparado ao de onde tinha vindo. Agora sabia realmente a diferença entre o inferno e o céu.

‘Por que está tão interessado nas brechas?’ O monstro perguntou, tirando-o de seus pensamentos.

‘Já disse que não pretendo ficar aqui por muito tempo.’

O monstro riu. ‘Não seja estúpido, garoto. As brechas são muito bem protegidas por demônios do alto escalão. Não conseguiria durar nem um segundo numa luta contra eles.’

‘Bem… quanto mais rápido melhor… tenho pressa.’

O monstro cruzou os braços com cuidado para não se machucar com suas próprias garras e encarou o rapaz nos olhos, pensando em como um fedelho arrogante parou ali. Não tinha cara de ser realmente um assassino, mas já tinha visto lobos em pele de cordeiro antes. Verdade que parecia estar mais perdido naquele lugar do que qualquer outra coisa.

‘Para Enma Daiyoh tê-lo julgado e condenado a viver aqui, deve ter aprontado muito, não é garoto?’

‘Nem tanto.’ Respondeu. ‘E então… pode me dizer onde eu encontro uma brecha?’ Insistiu.

‘Claro… assim que conseguir me derrotar.’

Li arregalou os olhos. Realmente pensou que as coisas não seriam fáceis, mas também não precisava ser tão difícil assim de cara.

‘E então? Se pretende derrotar um dos demônios superiores, deve começar primeiro comigo.’

‘Tem uma maneira mais fácil? Realmente estou com pressa.’ Ainda tentou negociar.

‘Neste lugar, garoto, só existe esta maneira. O que vale aqui é a lei do mais forte, entendeu?’

Syaoran suspirou, tirando a esfera negra do bolso e materializou a espada, encarando o monstro que descruzou os braços se colocando em posição de luta.

Ele passou a espada de uma mão para a outra e depois segurou o cabo com as duas mãos. ‘Se é assim…’ Falou, já pronto para começar o combate.

A criatura pulou em cima do rapaz que desviou do primeiro ataque. Li pensou que apesar do corpo grande e aparentemente desengonçado, ele era bem ágil. Desviou do segundo ataque, porém, desta vez, as grandes garras atingiram seu ombro fazendo alguns cortes. Li se abaixou para evitar o terceiro e mortal ataque do monstro e, com as pernas, tomou impulso para saltar e começar o contra-ataque. ‘Deus do fogo, vinde a mim!’

A rajada de fogo atingiu em cheio a criatura que se protegeu com os braços.

‘Minha pele aguenta qualquer temperatura, garoto. Péssima escolha.’ Falou, pulando em direção de Li e golpeando-o com fúria. Syaoran tentava desviar e se proteger das garras, mas acabou sendo atingido de novo e foi arremessado longe batendo num rochedo. Abriu os olhos e viu a criatura vindo em sua direção. Pulou para se esquivar do golpe e pôde perceber a força do oponente assim que o viu destruir o rochedo com suas garras.

‘Deuses dos relâmpagos e das tempestades elétricas que dominam os cinco elementos, eu invoco com a máxima urgência o supremo Imperador dos Trovões. Ataque relâmpago!’

O ataque atingiu o monstro que urrou de dor, porém não se deu por vencido e foi ao encontro de Li, ainda envolto pela eletricidade do golpe do rapaz. Syaoran não sabia mais que golpe usar. Não tinha jeito, teria que ser um confronto corpo a corpo mesmo. Empunhou assim sua espada e correu na direção da besta, golpeando-o. O combate durou horas, talvez dias, Li não soube dizer ao certo. Era fácil perder a noção de tempo naquele universo. Sentia-se extremamente irritado por estar perdendo tempo daquela maneira. Ele precisava achar uma brecha rápido para voltar para Sakura. Os dois oponentes estavam cansados com o combate que não terminava. Já apresentavam inúmeros ferimentos pelos corpos.

‘Deveria desistir de uma vez e aceitar a minha vitória.’ O monstro falou.

‘Está numa situação tão ruim quanto a minha.’ Ele retrucou apertando o cabo da espada. ‘Mas tem razão, precisamos dar um fim nisto. Preciso achar a droga de uma brecha rápido.’

O rapaz empunhou a espada e correu na direção do cansado monstro que sorriu, pensando em como o outro era tolo em continuar atacando-o de frente. Era óbvia a diferença de tamanho e força entre os dois. O monstro já estava pronto para desferir um poderoso golpe no rapaz, quando este desapareceu da sua frente, deixando-o perturbado. Só pôde perceber o que aconteceu quando sentiu ser atingido com toda força pelas costas, caindo de joelhos na areia. Li puxou sua espada do corpo da criatura e deu uns passos para trás sem desviar os olhos do inimigo, que uivava de dor. Este virou-se para ele ainda de joelhos.

‘Ele venceu, Arthas! A luta acabou.’ Li ouviu, estranhando a presença de outra pessoa, ou criatura, ou qualquer coisa que existisse naquele inferno.

Olhou na direção de onde ouvira a voz e encarou uma criatura pequena um pouco mais nojenta, se fosse possível, que o primeiro monstro que o recepcionara. Tinha os olhos brilhantes que piscavam o tempo inteiro. Estava sobre uma pedra observando os dois.

‘Ainda não…’ O monstro gemeu tentando se levantar, mas caindo novamente de joelhos. ‘Eu ainda posso…’

‘Você não pode mais nada.’ A criaturinha falou. ‘O humano venceu.’

‘Por favor, Luthor. Eu ainda posso derrotá-lo.’

‘Não seja estúpido. Aceite a derrota como o guerreiro que é.’

Arthas abaixou a cabeça, encarando com pesar a areia quente do deserto, mostrando assim que se encerraria o confronto. Syaoran estranhou inicialmente que um monstro de quase 3 metros de altura tenha acatado a decisão de um outro que não devia ser nem maior que Sakura, mas considerando tudo que já tinha vivido e aprendido, deveria lembrar que aparência frágil não era sinônimo de fraqueza.

Sorriu de lado lembrando da namorada e do poder estrondoso que a pequena feiticeira tinha. Realmente, estava com muitas saudades da sua pequena flor. Soltou um suspiro cansado, na verdade, estava exausto demais para continuar também.

‘Deve estar bem cansado, não?’ Luthor perguntou encarando o rapaz.

Syaoran tentava regular sua respiração. Não sabia o que viria a seguir. Ainda estava em estado de alerta. Achou melhor não responder.

‘Eu ia derrotá-lo.’ Arthas falou.

‘Não seja tolo. Acabaria morrendo e sabe muito bem o destino daqueles que morrem neste universo.'

Arthas se levantou com uma imensa força e tentou ficar em pé. Li empunhou novamente a espada esperando um novo ataque.

'A batalha terminou.’ O grande monstro falou com pesar. ‘Ainda não acredito que fui derrotado por um garoto.’

Luthor esfregou as mãos encarando Syaoran. ‘Mas ele não é um simples garoto, Arthas.’

‘Não me interessa quem ele é. Assim que eu puder, quero uma revanche.’

Luthor pulou da pedra na qual estava em pé e foi até Li, que tinha abaixado a espada e o encarava.

‘Acho que deve cuidar desses ferimentos. Se pretende realmente derrotar um demônio superior, terá que ser muito melhor que isso.’

‘É verdade.’ Arthas concordou. ‘Venha conosco, sabemos de um lugar para se recuperar.’

Syaoran olhou desconfiado para os dois. ‘Como posso…’

‘Confiar em nós?’ Luthor o interrompeu. ‘Aprenda uma coisa, garoto. Não pode confiar em ninguém aqui. Às vezes, não se deve confiar nem em si mesmo.’

Arthas e Luthor começaram a caminhar pelo deserto. Li correu até eles.

‘Hei, você disse que se eu o vencesse me diria onde posso encontrar uma brecha’. Lembrou ao grandalhão.

Arthas virou-se para ele. ‘Vou lhe mostrar onde pode encontrar uma.’

Os três começaram a caminhar pelo deserto, passando pelo meio de almas que suplicavam por misericórdia, enquanto demônios maiores os chicoteavam. Li olhava para aquilo com um terrível incômodo, sua vontade era de acabar com alguns deles e terminar com o suplício daquelas almas.

Luthor percebeu o incômodo do rapaz. ‘Não tenha pena, provavelmente são assassinos covardes e estupradores, ou pior.... Se soubesse o que cada alma que está aqui fez, teria vontade de fazê-los sofrerem mais.’

‘Não estou aqui para julgar ninguém.’ Syaoran retrucou.

‘Mas aqui ninguém julga ninguém. Apenas Enma Daiyoh tem este direito. Aqui só os mais fortes sobrevivem, ou pelo menos tentam.’ Luthor explicou.

Arthas soltou um gemido. ‘Estamos chegando? Eu não aguento mais.’

Luthor gargalhou. ‘O garoto realmente lhe deu uma surra, não?’

‘Ah, cala a boca!’

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Em suas pesquisas, Sakura havia descoberto que a residência oficial dos Taos ficava próxima à nascente do rio Yangtzé, na província de Quinghai em meio ao monte Kunlun, ao noroeste da China.

Pesquisou pela internet a localização e pensou na melhor maneira de fazer a viagem. Tinha até pensando em comprar passagens e ir de avião, o problema é que poderiam desconfiar e ela também tinha pressa. Acordou de madrugada, pegou suas cartas e invocou Alada. Faria a viagem usando sua magia e parando em alguns lugares apenas para descansar o mínimo possível e comer algo. Sabia que seria arriscado usar a carta por tanto tempo, mas teria que ultrapassar sua zona de conforto.

Levou quase o dia inteiro até chegar a província. Parou em uma pequena hospedaria onde comeu algo e descansou um pouco. Começava a sentir uma energia diferente. Não era algo vindo das trevas, não parecia de nenhum outro feiticeiro que havia conhecido anteriormente. Sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Ao mesmo tempo em que a temia, sentia-se incrivelmente curiosa e atraída para ela.

Voltou a invocar Alada e começou a sobrevoar os montes Kunlun. Sorriu de leve, observando a maravilhosa paisagem a qual sobrevoava. Havia pesquisado muito para tentar se localizar. Sabia que as montanhas Kunlun eram muito conhecidas na mitologia chinesa, e era considerado o paraíso taoista.

Segundo uma lenda, o primeiro a visitar esse paraíso foi o rei Mu, da dinastia Zhou, que supostamente descobriu o Palácio de Jade de Huangdi, o mítico Imperador Amarelo, e encontrou Xiwangmu, a Rainha Mãe do Oeste, que também tem o seu mítico refúgio nestas montanhas. Não era à toa que tudo naquele lugar emanava tanta energia a ponto de deixá-la um pouco entusiasmada.

Sobrevoou os montes, reparando nas cachoeiras naturais e conseguiu dar um fraco sorriso ao passar a mão de leve na água gelada que caía de uma delas. O vapor d’água refrescando seu rosto, pareceu lhe dar forças para continuar a viagem. Rodopiou nos ares extasiada com tanta beleza e não pôde deixar de pensar que parecia realmente um paraíso. Syaoran, com certeza, acharia lindo aquele lugar. Será que ele já estivera ali algum dia? Provavelmente não, devida a rivalidade acirrada que seu clã tinha com a família Tao.

Logo avistou as construções que surgiam no meio daquele paraíso. Era uma fortaleza enorme e mais parecia uma cidadela. Plainou no ar observando-as e tentou identificar onde encontraria os membros do clã com quem poderia negociar. Eram tantas construções, sobrevoou devagar, observando-as atentamente, seguindo agora sua intuição. Havia uma presença mais forte e guiou-se por ela. Pousou em frente a construção onde sentia a energia mais poderosa.

Assim que seus pés tocaram o chão, Alada se desativou, voltando a forma de carta e flutuou em frente a sua mestra brilhando fracamente. Sakura sabia que havia exigido demais de sua querida amiga. Pegou com carinho a lâmina mágica e a apertou contra o peito, agradecendo-a pelo esforço. Fechou os olhos, respirando fundo. Suas cartas estavam sendo sua maior fonte de consolo e apoio nestes últimos meses. Sem elas, provavelmente, teria enlouquecido de saudades do namorado.

A jovem sentiu um calafrio percorrer sua coluna e abriu os olhos. Então ali estavam os maiores inimigos do clã Li. Ótimo. Pensou para si. Yelan que a desculpasse, mas tinha que fazer aquilo. A senhora andava cercando-a o tempo todo. Desde a visita ao cemitério, dois dias atrás, tinha a impressão de que ela estava sempre às suas costas, não importando onde estivesse. Fora obrigada a usar Apagar para camuflar sua presença mágica e poder sair sem ser seguida.

Estava com medo, claro, mas se pudesse encontrar ali uma chance de ter Syaoran de volta, ela enfrentaria qualquer coisa. Tirou o pingente do pescoço e o apertou na mão esquerda com força. Passou a mão direita pelo bolso da calça jeans sentindo suas cartas, era bem possível que precisasse delas.

Começou a caminhar devagar em direção a sinistra residência. O ar estava pesado e frio; uma estranha neblina cercava os arredores, deixando apenas o topo da construção a vista.

Tinha pesquisado que o Clã Tao: era antagonista direto do Clã Li na disputa de poder e influência na República Popular da China. Os membros de ambos estavam em vários seguimentos do governo, sempre numa disputa velada e que, nos últimos tempos, estavam com forças equilibradas. Os dois clãs eram de guerreiros e magos chineses, mas, enquanto no Clã Li alguns ainda se mantinham, oficialmente, na linha branca, os Taos estavam até o pescoço numa vertente negra. Trabalhavam com vida e morte. Era por isso que ela estava ali.

Confirmando que ainda existia o corpo de Syaoran, então, agora só precisava fazer o espírito dele voltar a ocupar o corpo e pronto! Simples assim! Ela teria seu amado de volta e todos estariam felizes. Tinha estudado sobre os Kyonshis, mortos vivos. Os Taos eram os mestres desta arte em todo o mundo. Não era de todo estúpida, sabia que eles pediam um preço alto para isso, mas estava disposta a pagar, só precisava saber qual seria.

Era provável que eles também não concordassem de primeira, já que pediria para ressuscitar um membro do clã rival, mas ela pensaria sobre como convencê-los na hora. Tinha dinheiro guardado e estava disposta a gastar tudo que tinha e o que não tinha para ter o namorado de volta. Talvez devesse ter ouvido a proposta de Seiya Yanamoto, mas com certeza seria repugnante para a garota. Dependendo do valor que os Taos colocassem, talvez valesse a pena. Os meios justificam os fins, pensou para si decidida.

Subiu os degraus e levantou o braço para bater na porta quando ela se abriu de repente. Levou a mão na altura do peito e quase gritou de susto. Engoliu em seco e deu um passo a frente, entrando. Deu alguns passos e a porta se fechou com força, fazendo-a dar um pulo para frente. Estava começando a ficar apavorada.

Observou o ambiente praticamente vazio. Havia poucos móveis, a luz era fraca e o cheiro era de incenso forte. Sentiu novamente um arrepio pelas costas e apertou mais forte a chave, pronta para invocar seus poderes. Uma gota de suor desceu pelo seu rosto.

Ouviu algumas frases em mandarim e se assustou, por um momento pensou que tinha escutado a voz de Syaoran. Lembrava-se da melodia do namorado falando mandarim ao seu ouvido antes deles voltarem da viagem ao passado. Talvez estivesse pensando tanto no rapaz que sua mente já estivesse lhe pregando peças.

‘Quem é?!’ Perguntou, tentando identificar de onde vinha a voz.

‘Ah… japonês’. Realmente a voz era muito parecida com a de Syaoran. ‘Pergunto-me o que trás uma feiticeira japonesa como você até aqui?’ Ouviu perguntarem.

Virou o rosto e viu um vulto se aproximar devagar, a fraca iluminação não ajudava muito. Semicerrou os olhos tentando identificar quem vinha. Estava tensa. A silhueta de um rapaz apareceu. Era alto, tinha o corpo bem feito, cabelos tão negros que pareciam azulados e olhos dourados como os de um gato. Tinha uma presença estranha, não era bem um feiticeiro. Vestia uma roupa tradicional chinesa em tons escuros. Ele parou a pouco mais de um metro dela, encarando-a.

‘Ainda estou esperando uma resposta, garota.’ Insistiu, mostrando impaciência.

‘G-Gostaria de falar com os Taos.’ Ela respondeu finalmente. Observou-o sorrindo de forma irônica.

‘E o que quer falar com os Taos?’

Ela franziu a testa. ‘Quem é você?’

‘A pergunta certa é quem é você, garota?’

Ela ponderou que realmente ele tinha razão. Ela era a invasora daquela casa. ‘Sou Sakura Kinomoto.’

‘Hum…’ Ele murmurou, fitando-a de cima a baixo. ‘A mestra das cartas. Ouvi falar de você. Mas acho que está no Clã errado. Pelo que eu saiba os Li é que gostam do seu tipo de magia.’

‘Eu vim aqui para…’ Ela fez uma pausa e mordeu o lábio inferior rapidamente. ‘Eu quero um kyonshi.’

Ele franziu a testa e estreitou os olhos nela.

‘Preciso que tragam uma pessoa de volta a vida.’ Completou.

‘Uma pessoa…’ Ele repetiu devagar. ‘Quem?’

‘Isso não interessa.’ Ela falou. Se falasse que seria um dos membros do clã rival era capaz de ele não aceitar sua proposta. ‘Eu pago o que for preciso.’

‘Dinheiro não nos interessa.’

Ela franziu a testa. ‘E o que vocês querem para fazer isso para mim?’

O rapaz inclinou a cabeça, observando a garota. Começou a caminhar, fazendo a jovem sentir-se ainda mais tensa. Ele deu a volta em torno dela, observando-a, e parou a sua frente. ‘Os Li estavam loucos atrás daquelas suas cartas, admira-me que não tenham conseguido tirar de uma garota como você.’

Ela rodou os olhos. Pelo jeito, todo mundo achava a mesma coisa. ‘A não ser…’ Ele falou, inclinando o corpo a frente e a fitando de perto enquanto estreitava seus olhos. ‘Você tem mais poder do que esta sua carinha bonita demonstra.’

Ela deu um passo para trás. Não gostou da aproximação, a energia dele era forte demais.

‘Quero aquelas cartas, então.’ Ele falou por fim.

‘As cartas?’ Ela perguntou arregalando os olhos. ‘Mas você acabou de dizer que elas não interessavam a vocês. Que era coisa dos Li!’

Ele meneou a cabeça. ‘Sim… mas eles saberem que agora as cartas são dos Tao será um golpe bem dado no orgulho deles. Será ótimo saber que eu tenho as cartas que aquele arrogante do Xiao Lang não conseguiu.’

Ela sentiu o coração acelerar, reconhecendo o nome do amado em chinês. Se ele descobrisse que era justamente o mesmo que ela estava pensando em trazer a vida, não aceitaria a proposta.

‘Apesar de que ele agora está morto, então não vai ter graça eu…’ Ele silenciou e franziu a testa, voltando a fitá-la com mais cuidado. ‘É ele quem você quer que eu traga à vida?’

Ela arregalou os olhos, o coração batia de forma acelerada parecendo que queria sair bela boca. ‘Isso não interessa.’ Falou por fim, desesperada. ‘Eu lhe darei as cartas e você faz o que tem que ser feito para trazer quem eu quero de volta.’

O rapaz ficou em silêncio novamente apenas observando-a, analisando-a. Sakura desviou os olhos dos dele e fitou um canto qualquer do imenso salão.

‘Ah… Agora tudo faz sentido…’ Ele falou, desviando os olhos dela e fitando o lustre acima dos dois. Sorriu de lado. ‘Você e ele… hum… isso é patético.’ Falou por fim.

Ela o fitou com fúria. Deu um passo na direção dele, encarando-o de frente pela primeira vez. ‘Olha aqui! Você vai fazer o que eu estou propondo ou não?’

‘Não.’ Respondeu por fim.

‘Não?!’ Ela arregalou os olhos, empalidecendo.

‘Não.’ Ele repetiu. ‘O que você quer não pode ser feito.’ Respondeu com sinceridade.

‘Como assim?’ Ela começou a sentir o sangue correr rápido por suas veias. Como assim ele não poderia fazer? Ela já tinha pesquisado tudo a respeito dos kyonshis. Eles só precisavam de um corpo e isso já tinha verificado que existia. ‘Eu entrego as cartas e você o traz de volta!’

‘Eu não posso trazê-lo de volta da maneira que você quer.’

‘Claro que pode! Só precisa de um corpo e eu já verifiquei que existe. Ele não foi cremado.’

‘Você não está entendendo, garota.’ Ele segurou o braço dela com força. Estavam a centímetros um do outro, gritando. ‘Mesmo que eu coloque a alma dele de volta no corpo, não será ele. Vai ser apenas um boneco.’

‘Não me interessa, eu o quero de volta.’ Falou, empurrando-o com força.

Fitaram-se novamente de forma arisca.

‘Ren?!’ Ouviram uma voz feminina. ‘Com quem você está gritando?’

Afastaram-se um do outro ainda se encarando.

‘Isso é assunto meu, Jun. Melhor ficar fora disto.’ Ele respondeu para a mulher que se aproximava. Ela tinha os olhos cravados em Sakura, estava imensamente curiosa para saber o que uma garota estava fazendo ali discutindo com o rapaz.

Sakura reparou que ela a estava analisando, depois voltou-se para ele e sorriu. ‘Trouxe uma garota para casa e não vai apresentar para sua irmã, Ren?’

‘Eu não a trouxe. Ela é quem veio aqui atrás de ideias loucas.’ Ele falou irritado.

‘Hei, hei… eu vim aqui contratar um serviço de vocês e estou disposta a pagar por ele.’ Ela falou rapidamente. Voltou-se para a mulher e a encarou. ‘Quero um kyonshi.’

Jun ergueu uma sobrancelha. ‘Não é comum uma jovem nos procurar pedindo por um.’ Ela fez uma pausa. ‘Principalmente uma feiticeira japonesa.’

‘Ela é a mestra das cartas.’ Ren colocou a irmã a par.

‘Ah!’ Ela exclamou. ‘A jovem namorada de Xiao Lang Li.’

Sakura arregalou os olhos. A mulher sabia da história dela e Syaoran. Como?

‘Ela quer que tragamos o namoradinho dela de volta. Isso é patético.’ Ren repetiu.

Jun sorriu de forma meiga e caminhou até Sakura pousando suas mãos nos ombros da jovem. Fitaram-se por um tempo até a chinesa começar a falar. ‘Não tem como trazê-lo de volta da maneira que você quer.’

‘Já tentei explicar isso para esta tonta. Mas ela é muito burra para entender.’ Ren falou irritado.

‘Hei! Eu não ofendi você, idiota!’ Ela falou, desviando os olhos da mulher e encarando-o por cima do ombro direito de Jun.

‘Ela é só uma garota apaixonada, não?’ Jun falou suavemente, fazendo a jovem voltar a fitá-la.

‘Eu entrego as cartas. Não me interessa a maneira que vocês vão trazê-lo de volta. Eu o quero assim mesmo.’ Falou decidida.

‘Você não vai desistir, não é?’ A chinesa perguntou.

‘Não.’

Jun afastou-se dela e manteve-se em silêncio por algum tempo.

‘Por que não luta com ela, Ren?’ Falou por fim.

‘Eu?!’ O rapaz soltou irritado. ‘Eu não luto contra mulheres.’

‘Ela não vai desistir. Se não a ajudarmos ela vai procurar outra pessoa que faça isso.’

‘Eu… eu não tenho nada a ver com isso.’

Jun encarou Sakura novamente. ‘Ele vai lutar com você. Se você ganhar, faremos o seu kyonshi, mas se perder, vai desistir desta ideia absurda. Certo?’

‘Eu?!’ Ren falou irritado. ‘Você ouviu o que eu disse, Jun?! Eu não luto contra mulheres!’

Jun parecia não ouvir o que o irmão gritava, ainda encarava Sakura. ‘E então? Você aceita?’

Sakura franziu a testa. ‘Se eu ganhar… vocês o trazem de volta?’

‘Sim. Faremos o seu kyonshi. Agora se perder… não procurará mais este tipo de magia.’

‘E as cartas?’

‘Elas não nos interessam.’ A mulher respondeu sorrindo de leve.

‘Está certo.’ Sakura concordou.

‘Jun!’ Ren gritou irritadíssimo. ‘Por que não pede para Pailong lutar contra ela?’ Completou.

‘Deixe-o fora disso, Ren.’ Ela falou, voltando-se para o irmão. ‘Já temos um trato. Agora faça a sua parte. Não perca para esta garota.’ Falou encaminhando-se até o rapaz e batendo de leve no seu ombro. Sorriu para ele e Sakura o viu trincar os dentes e fechar os olhos.

‘Está bem.’ Sussurrou. ‘Droga! Só você para me obrigar a isso.’

Jun alargou o sorriso e deu um beijo no rosto sério do irmão. ‘Será bom você se divertir, pelo menos assim, com uma garota, irmãozinho. Você precisa quebrar sua rotina.’ Falou, afastando-se deles e caminhando em direção a uma poltrona para se sentar e observar o embate dos dois.

Sakura desviou os olhos dela e fitou novamente o rapaz a sua frente. Engoliu em seco. Só podia estar mesmo muito louca para aceitar uma proposta daquelas, mas se fosse para trazer Syaoran de volta, ela tinha que tentar. O rapaz estava com o rosto abaixado, mostrando-se claramente irritado por ter sido manipulado pela irmã.

‘Bason.’ Ele falou do nada, assustando a jovem. ‘Vamos desenferrujar um pouco.’

‘Com quem está falando? Quem é este?’ Ela perguntou desviando os olhos do rapaz e procurando o tal do Bason.

‘Você não consegue vê-lo. É o meu espirito guardião.’ Ele apontou para trás de si com o polegar. ‘Está bem aqui encarando você. Não está muito feliz em lutar contra uma mulher, muito menos contra uma feiticeira em vez de uma xamã.’

Ela franziu a testa, observando o vazio por trás do ombro esquerdo do rapaz. Reparou que ele murmurou alguma coisa e depois a encarou com um sorriso nos lábios. ‘Ele achou você muito bonita.’

‘Hum…’ Ela murmurou. ‘Você só fala.’

‘Então acho melhor começarmos, não?’ Ele comentou e estendeu a mão para o lado onde uma poderosa lança apareceu. Sakura arregalou os olhos, observando a mortal arma envolta pela magia xamã. Engoliu em seco, começando a perceber o acúmulo e expansão do poder do rapaz.

‘Chave que guarda o poder da minha estrela, mostre seus verdadeiros poderes sobre nós e ofereça-os a valente Sakura que aceitou esta missão. Liberte-se!’ A magia rodeava o corpo da garota fazendo o ar circular no enorme ambiente.

Ren franziu a testa e depois abriu um sorriso enquanto a observava girando o báculo. Ela levou a mão até as cartas, pronta para usar a primeira contra o oponente. Era a primeira vez que lutava com sua magia por algum propósito que não fosse simplesmente seu dever. Estava ansiosa.

Jun cruzou as pernas. ‘Isso vai ser muito interessante.’ Ela fez uma pausa, semicerrando os olhos. ‘Melhor Ren ficar atento em vez de ficar fascinado pelos belos olhos verdes dela.’

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Li estava lutando contra um grupo numeroso de demônios. Depois que derrotou Arthas na sua primeira luta no mundo das trevas, ele e os dois demônios que conheceu naquela ocasião começaram uma jornada até o extremo daquele mundo em busca de um portal. Luthor e Arthas, apesar de suas aparências assustadoras, mostraram-se bons companheiros mesmo que provavelmente fossem traiçoeiros.

‘Essa foi por pouco.' Li falou tirando sua espada do corpo de um demônio que acabara de derrotar.

Arthas parou ao seu lado vendo o monstro tornar-se pó. 'Eles não eram tão fortes.'

'Mas eram muitos. Demais até. Nunca enfrentamos tantos, Arthas.'. Luthor falou entre gemidos. Estava muito machucado.

Syaoran foi até ele para oferecer ajuda. 'Você está bem?'

Luthor se esticou e cerrou os olhos, Li observou o ferimento do companheiro aos poucos se fechando. Depois que estava completamente curado o demônio abriu os olhos e encarou os dois.

'Não sabia que tinha este poder.'

Arthas riu. 'Se quer chegar ao portal, enfrentará demônios com inúmeras magias e poderes.'

'Deu para ver.'

'Vamos, ainda estamos longe.' Arthas esclareceu.

‘Cara, a gente tá caminhando há muito tempo. Eu disse que estava com pressa para achar uma brecha.’

‘Infelizmente, aqui não existem aqueles negócios que vocês chamam de aviões, senhor Li. As viagens devem ser feitas a pé.' Luthor explicou.

'Se me disserem para onde estamos indo poderíamos ir voando.'

'Assim gastaria rapidamente sua magia e, quando tivesse que enfrentar novamente algum inimigo, morreria em uma fração de segundos.'

'E daí? Já estou morto mesmo.'

Luthor rodou os olhos. Pelo jeito o garotão ainda não tinha entendido a situação dele. 'E daí que, se você morrer neste lugar, você desaparece. Sua alma voltará a ser energia pura e retornará para a Criadora.'

Syaoran franziu a testa. 'Eu preciso voltar para o meu mundo.'

Arthas cerrou os olhos no rapaz com curiosidade. 'Por que quer tanto assim voltar? Por acaso tem alguma dívida?'

'Aposto que quer se vingar daquele que o mandou para cá.' Luthor concluiu.

'Não é por isso. Preciso voltar para uma pessoa.'

Os dois riram com gosto, irritando o rapaz.

Arthas tentava se controlar. 'Realmente eu já ouvi desta história de amor.'

'Pensei que todos que vinham para este lugar fossem isentos deste sentimento. Você me surpreendeu agora, garoto.'

'Não importa o que sou. Só preciso achar esta droga de portal.' Syaoran declarou, tentando finalizar o assunto.

Arthas apressou o passo para ficar ao lado dele. 'Calma, garoto. Não precisa ficar tão irritado.'

'Falta muito?'

'Bastante.' Luthor esclareceu.

Syaoran respirou fundo, estava muito preocupado com o tempo que estava ali. 'Não poderia ser pior.'

'Pois vai ser muito pior quando tiver que enfrentar Tichondrius.' Arthas comunicou a ele.

Syaoran ergueu uma sobrancelha. ‘Quem é este aí?’

'É o demônio protetor do portal. Enma Daiyoh fez um acordo com ele para que o protegesse de qualquer alma que quisesse atravessá-lo.' Luthor novamente esclareceu ao rapaz.

'E é tão poderoso assim?'

‘É o pior de todos.' Arthas falou com a voz falhada.

'Quietos!’ Luthor ordenou. ‘Vamos atravessar mais uma zona de almas perdidas. Eu odeio quando eles ficam implorando ajuda para a gente.'

Arthas repousou uma mão no ombro de Syaoran, chamando sua atenção. 'Nem tente ajudar algum deles. Se fizer isso entraremos em uma enrascada com os demônios superiores responsáveis pelas almas.'

O rapaz concordou com a cabeça. Estava se tornando cada vez mais fácil ignorar o sofrimento dos outros. Começava a desaprender tudo que havia descoberto com sua doce Sakura.

Continua.

Notas finais
Notas Específicas: Ren Tao e Jun Tao são personagem do Anime Shaman King. A história de Feiticeiros acabou tomando um caminho inesperado ao longo dessa releitura e, entre nossas muitas leituras e pesquisas para completar o mundo onde a história se passa, a quantidade de informações cruzadas relativas ao universo de Shaman King acabou nos levando a inserir mais elementos de SK do que o inicialmente planejado à história. Ainda assim, não consideramos a história como exatamente um crossover, apesar das referências cruzadas. Seria, talvez, um crossover muito sútil, no máximo. Todas as informações de Shaman King inseridas na história estão muito bem diluídas e explicadas em momentos pertinentes e adequados, de forma que não conhecer SK não atrapalha a compreensão da trama.