FEITICEIROS
59 A Chave do Coração
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FEITICEIROS
Por Kath Klein & Yoruki Hiiragizawa
Capítulo 59
A Chave do Coração
Kazuo desviou do ataque de um dos inúmeros adversários. Estreitou os olhos nele, sentindo-se irritado por existirem tantos ao mesmo tempo. Se estivesse sozinho, não se importaria tanto, mas não podia negar que temia pelo irmão e pela ruiva metida. Ela poderia ser toda dona de si daquela forma, mas ela se machucava e não tinha o mesmo recurso que ele para se recuperar. Tinha reparado que ela ainda estava com o curativo no braço que havia sido atingido dois dias atrás quando aqueles malucos resolveram atacar Sakura.
Bloqueou o ataque de outra adversária que se aproximava por trás, tentando acertá-lo com um par de Sais. A garota era até boa de luta, mas não tinha tempo para isso. Sentia a presença do pai por perto e reparou que ela explodiu de tal maneira que chegou a sentir um calafrio percorrer a espinha. Ele, provavelmente, estava bem nervoso e irritado por causa do enfraquecimento da aura de Sakura.
Estava preocupado com a esposa do pai também, que sempre fora muito gentil com ele. No fundo, gostaria que ela fosse sua mãe, assim como era de Shaolin. Ficara muito feliz quando ela o incluiu em sua família ao falar para os anjos lá deixarem-nos em paz. E depois pela maneira que ela tinha se posicionado, defendendo-o da recepção hostil da tal “avó”.
Nunca imaginou pertencer a um grupo, seguia Midoriko porque ela sempre deixou claro que ele devia sua existência a ela, pois como era frágil quando bebê e criança, ela o tinha protegido. Ela e Arthas. Arthas nunca havia lhe cobrado nada, pelo contrário. Sentia até falta do grandalhão, inclusive, quando ele o irritava chamando-o de “Garoto” fazendo clara referência ao pai.
No entanto, morando este tempo com o pai, Sakura e Shaolin sentiu-se pertencendo a algum grupo. E tinha as Cartas que sempre estavam com ele e até mesmo aquela bola de pelo irritante fazia-o sentir-se “em casa”. Sentia-se incrivelmente seguro para dormir, sabendo que estava protegido. Acolhido.
Não queria que aquela confusão toda estivesse acontecendo. Irritava-o profundamente aquele bando de malucos entrarem na vida que ele estava aproveitando agora, e fazerem uma confusão daquelas. Franziu a testa, acertando um soco alto no adversário, seguido de uma joelhada, fazendo-o cair ao chão. Tinha virado a empunhadura da espada para cravá-la no corpo do rapaz quando se reteve. O irmão tinha pedido para não matar. Passou a mão pelo rosto e hesitou. Acabou sentindo aproximação de outro adversário pela direita e só teve tempo de bloquear a lâmina afiada da katana que tentava acertá-lo com sua espada.
Deu um passo para trás, encarando-o. A garota que estava com o par de Sais também veio para cima dele, lutou contra os dois ao mesmo tempo. Sentiu quando a garota tentou, com uma manobra desarmá-lo, mas ele segurou mais firme a empunhadura da espada que havia ganhado do pai e levantou a perna, acertando-a com um chute alto e fazendo-a liberar a arma dela. Virou-se acertando um chute giratório no cara da katana, mas ele segurou sua perna, tentando imobilizá-lo. Flexionou o joelho da perna livre e pulou, aprisionando o homem com uma chave de braço e deslocando o braço dele. Caíram os dois ao chão.
Arregalou os olhos quando reparou a aproximação de uma lança, e levou a espada na altura do rosto para tentar se proteger, mas o rapaz que estava para desferir o golpe nele foi impedido por ramos que o prenderam com mão de ferro, imobilizando-o e impedindo de finalizar o ataque contra Kazuo.
Ainda no chão, virou o rosto e viu Marie olhando para ele com o rosto sério. Ela estava com a espada na mão, lutando contra vários adversário. Tentava se manter próxima a Shaolin. Sorriu de lado, já imaginando que ela caçoaria dele também falando que era babá tanto do pirralho quanto dele.
Levantou-se e ouviu ainda o rapaz gemendo com o braço quebrado. Suspirou e bateu forte no rosto dele, deixando-o desacordado. Ergueu o corpo e logo sentiu a aproximação de outros. Inferno! De onde estavam vindo todos aqueles adversários? Pareciam que se multiplicavam. Franziu a testa de leve. Olhando com atenção para o grupo que os atacava. Eles realmente estavam se multiplicando. Havia magia ali!
Caminhou em direção a Marie e ao irmão, atacando de forma quase mortal qualquer um que se colocasse a sua frente. Parou perto de Shaolin que estava ofegante pelo esforço físico e pelo uso de magia intensa.
‘Existe magia aqui. Eles estão se multiplicando.’ Kazuo falou para o irmão caçula. Shaolin olhou para onde ele apontava. ‘Está vendo aquele cara ali?’ O garoto reparou no rapaz. ‘É igual a aquele lá do outro lado.’ Apontou, fazendo o irmão reparar nisto.
‘Precisamos achar a fonte de magia e anulá-la.’ Shaolin falou.
O garoto pegou um talismã e chamou Marie. Os três agora estavam de costas um para outro.
‘Nee-san…’ Shaolin a chamou novamente. ‘Vamos afastar todos… com vento.’
Ela concordou, fechou os olhos rapidamente. ‘Vento!’ Invocou o poder fazendo um redemoinho circular a todos que foram jogados longe dos três batendo nos móveis luxuosos da mansão.
Shaolin fechou os olhos e tentou relaxar. Tinha feito aquele exercício com o pai inúmeras vezes para encontrar e perceber todas as presenças. O problema era que agora estava nervoso, irritado, dolorido e cansado. Mais do que o normal. Cerrou os punhos e trincou os dentes. Tinha que identificar de onde estava vindo a fonte daquela multiplicação de adversários desenfreada.
‘Anda logo, Shaolin… anda logo.’ Kazuo, sussurrou para o irmão. Reparando que os inimigos já se levantavam, voltando a se aproximar deles.
O garoto abriu os olhos e virou-se para trás. ‘Aquele ali.’ Falou, apontando para um dos adversários. ‘O que está com a espada.’
‘Ótimo.’ Kazuo falou, dirigindo-se a ele. ‘Ele é meu.’
‘Humph.’ Marie murmurou. ‘Este seu irmão é muito metido.’ Ela falou para Shaolin, observando Kazuo já avançando no rapaz apontado pelo garoto.
‘Deixa ele…’ Shaolin falou. ‘A chave… está no segundo andar.’
‘Você tem certeza?’ Ela perguntou, erguendo o escudo em torno dos dois e evitando a aproximação dos inimigos que agora batiam de forma frenética na bolha mágica.
Shaolin confirmou com a cabeça. ‘Eu vou lá pegar e você ajuda o Kazuo.’ Falou, já começando a caminhar, mas bateu na barreira da prima. Voltou-se para trás e a olhou de forma interrogativa.
Marie sorriu de leve. ‘Você acha que vai sozinho, pirralho?’ Caminhou até ele e o fitou rapidamente. ‘Você é minha responsabilidade. Então fica esperto.’
‘Humph.’ Shaolin murmurou, franzindo a testa. ‘Não preciso de babá.’
Ela passou a mão nos cabelos do primo. ‘Mas eu adoro ser sua babá’ Falou brincando, sabendo que ele ficaria mais emburrado. ‘Vamos. Eu o ajudarei a chegar lá.’ Disse, desfazendo o escudo. ‘Tempestade.’ Solicitou a magia, afastando os inimigos e abrindo caminho para os dois até a escada que os levaria ao segundo andar.
Ela olhou para trás e viu quando Kazuo finalmente deu fim ao rapaz e reparou que a quantidade de adversários caiu pela metade, desaparecendo os que existiam graças a magia do feiticeiro.
‘Você até que anda bem esperto, pirralho.’ Falou em tom orgulhoso para o primo que a olhou rapidamente.
Shaolin suspirou, pensando que poderia ter vinte anos e ela continuaria a chamá-lo por aquele apelido irritante.
‘Quem percebeu que parte dos inimigos não existia de verdade foi Kazuo.’ Ele retrucou. ‘Ele é bem esperto, não?’ Completou, sorrindo de leve para a prima que ergueu uma sobrancelha.
‘Ele é metido, isso sim.’ Ela retrucou. ‘E você não me provoque!’
O garoto subiu a escada pulando os degraus de dois em dois. Marie voltou-se para trás e levantou a mão, invocando disparo para afastar os idiotas que vinham atrás deles.
Kazuo olhou na direção deles e acenou com a cabeça, entendendo que iriam atrás da chave. Colocou-se na frente da escada, voltando a sua atenção aos adversários restantes para impedi-los de seguirem os dois. Preferia que o irmão estivesse fora do local, assim ficaria menos hesitante em seus ataques. Para ele, matar ou não o adversário nunca havia sido uma coisa a se ponderar na hora do combate, mas entendia o posicionamento do irmão humano.
Marie correu atrás de Shaolin que avançava pela casa. Ele parou no meio do longo corredor e olhou para uma das portas. Franziu a testa.
‘A chave está aí dentro?’ Marie perguntou aflita.
‘Não.’ O garoto respondeu. ‘Mas…’ Ele caminhou em direção a porta e a empurrou devagar quando sentiu a prima segurá-lo pelo braço.
‘Baka! O que você pensa que está fazendo?’ Ela perguntou séria. ‘Sua missão é a chave!’
‘Eu sei, mas…’ Ele afastou a mão dela que o segurava. ‘A chave está na segunda porta à esquerda. Você logo a encontrará.’ Ele falou.
‘Você vem comigo.’ Ela disse, mas teve que desviar a sua atenção do primo para uma garota que se aproximava, tentando acertá-la com um par de tessen. Esquivou-se do ataque dos leques mortais que quase a atingiram. ‘Gelo.’ Invocou sua magia congelando o chão e fazendo a garota se desequilibrar e cair. Ela tentou se levantar duas vezes em vão.
Shaolin aproveitou a distração da prima e entrou no quarto escuro. Pegou um dos talismã. ‘Deus do fogo.’ Sussurrou, fazendo as chamas mágicas pairarem sobre o papel sagrado e iluminando o local. Franziu a testa, tentando localizar o que o estava chamando.
‘Ajude-me.’ Ele ouviu um sussurro e arregalou os olhos correndo até uma senhora que estava num dos cantos do quarto. Ela estava sentada no chão com o rosto machucado e as mãos presas.
‘Hei… a senhora está bem?’ O garoto perguntou, deixando o talismã no chão e parando em frente a ela. Usou a espada para cortar as cordas e a viu levantar o rosto, fitando-o.
‘Obrigada, criança.’ Ela agradeceu, tentando sorrir de leve.
‘Venha… vamos tirá-la daqui.’ Ele falou, tentando puxá-la, mas ela não se levantou.
‘Não quero sair daqui.’ Ela respondeu. ‘Tenho certeza que Takeda-kun só está assustado.’
‘Takeda? Quem é Takeda-san?’
‘Meu filho. Meu querido filho.’ Ela sussurrou e sorriu de forma triste.
De repente uma luz iluminou todo o ambiente, fazendo a senhora cobrir o rosto com as mãos. ‘Quem é ela?’ Marie perguntou, aproximando-se do primo que estava à frente da senhora.
Shaolin virou-se para a prima. ‘Não sei.’
‘E por que você veio atrás dela?’ Marie perguntou, erguendo uma sobrancelha.
Shaolin desviou os olhos da prima e voltou a fitar a mulher à sua frente. Franziu a testa. Não soube direito como sentiu a presença dela, ela era humana, mas sentia tanta dor vindo daquela mulher que parecia conseguir até mesmo tocar naquele sentimento tão denso.
Marie olhou para a senhora. ‘Quem é você?’
‘Nara… Nara Yanamoto.’ Ela falou e desviou os olhos, abraçando-se. ‘Esta casa é minha… ou era… antes do meu filho chegar com estes loucos.’
Shaolin levantou a mão e tocou no ombro dela, chamando sua atenção. ‘Ela logo voltará para senhora.’ Falou, tentando sorrir.
Ela voltou-se para ele e o garoto sentiu uma fisgada no peito, era muita dor que ela sentia.
‘Não sei quem enviou você para cá… eu não sei nem se posso pedir que salvem meu filho.’ Ela balançou a cabeça, desviando os olhos dele. ‘Ele não tem mais salvação… assim como Hokuto-sama e Seiya-kun não tiveram.’
‘De quem essa maluca está falando?’ Marie perguntou em tom baixo para o primo e olhando irritada para ele por estar perdendo tempo. Ele tinha que destruir logo a maldita chave.
Shaolin ignorou o comentário da prima. Aproximou-se da mulher e a abraçou.
Nara envolveu o menino nos braços e o apertou contra o peito. Como gostaria de voltar a sentir os dois filhos assim abraçados a ela.
Marie trincou os dentes, puxou as roupas do primo, afastando-o da senhora. ‘Não temos tempo. Sua mãe precisa de você agora, Shaolin-kun.’ Falou com voz assertiva. Olhou para senhora e também sentia pena dela, mas tinha que ser prática e estabelecer prioridades.
Shaolin concordou com a cabeça e levantou-se afastando-se dela. Sorriu de leve para a senhora que ainda estava no chão, olhando para o menino de forma agradecida.
‘Vamos.’ Marie ordenou, já puxando o garoto que a acompanhou, deixando a senhora no quarto.
Shaolin deteve-se em frente a imensa janela. ‘Flores do vento.’ Ele invocou a magia, fazendo a janela abrir e a luz do dia invadir o ambiente que antes estava escuro e macabro. ‘Yanamoto-san! Não há motivos para deixar todas as janelas e portas trancadas. Sempre haverá luz lá fora.’ Ele falou, sorrindo de leve e a viu retribuir o sorriso, finalmente tentando se levantar.
‘Acho… acho que talvez tenha razão.’ Ela falou, acenando com a cabeça.
Shaolin abriu um sorriso e saiu do cômodo junto com Marie. Ele caminhou com a prima até a outra porta, a garota com apenas um movimento fez a porta trancada se abrir.
Havia dois feiticeiros guardando a chave. Marie atacou os dois, invocando duas flechas que acertaram-nos ao mesmo tempo, deixando-os desnorteados.
Shaolin entrou no quarto, passando pelos dois rapazes que começaram a se recuperar. Um tentou ir atrás dele, mas Marie o aprisionou com bosque enquanto lutava com o outro usando sua espada. O garoto aproximou-se do móvel e viu uma caixa de madeira.
Franziu a testa e estendeu a mão em direção a ela, sentindo que havia magia protegendo-a e que lhe dava choques ao se aproximar. Respirou fundo e trincou os dentes, estendendo a mão e, apesar de sentir a descarga elétrica da magia, abriu a caixa pegando, finalmente, o artefato. Um forte clarão o forçou a fechar os olhos com força.
Quando a luminosidade diminuiu, voltou-se para a prima, sentindo-se satisfeito. ‘Pronto. Já a peguei!’
Ele arregalou os olhos, vendo um imenso homem de duas faces à sua frente.
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Eriol encarava Smith a sua frente.
Smith estendeu o braço direito para o lado do corpo e um báculo cuja base era um espesso prisma feito de metal e a haste era toda envolvida por uma fita lisa com símbolos incandescentes gravados apareceu entre os seus dedos.
‘Estava com vontade de tirar nossas diferenças há muito tempo, caro Hiiraguizawa.’ Smith falou, encarando-o.
‘Digo o mesmo. Arrependo-me de ter ainda sido “político” com você.’
Smith desviou os olhos de Eriol e fitou Sakura. Ela estava fraca, teria uma ótima oportunidade agora para tentar entrar na mente dela já que o Guardião estava lutando contra parte de seu exército. Desviou os olhos dela rapidamente para ver Syaoran lutando contra o grupo. Reyume e Takeda tentavam também atacá-lo.
Franziu a testa, percebendo que o guardião, mesmo com a presença humana e não mais a de demônio, continuava muito forte. Tinha que aproveitar aquela chance. Voltou a fitar Eriol e trincou os dentes. Levantou o báculo na mão e girou a frente do corpo concentrando a energia destrutiva.
‘Hufel mhellen!’ (Bola de Fogo) Smith gritou, lançando uma gigantesca bola de fogo contra Eriol, que arregalou os olhos de leve.
A reencarnação de Clow colocou seu báculo de sol a frente do corpo criando assim uma barreira mágica para protegê-lo do primeiro ataque. A energia se chocou na proteção do mago que precisou dar um passo para trás pelo impacto. Ele franziu a testa e apertou o báculo mais forte entre os dedos.
‘Uisge fhearg!’ (Fúria elétrica) Eriol invocou sua magia fazendo com que a energia descesse dos céus e atingisse o emblema do sol de seu báculo, convertendo-se em uma tempestade elétrica que atingiu Smith com fúria.
Smith tentou repelir o ataque, mas acabou sentindo o golpe conforme a descarga elétrica mágica circulava por seu báculo e queimava suas mãos. Trincou os dentes.
‘Iomghaoth!’ (Tornado) Eriol novamente o atacou, rodando o báculo na mão e fazendo uma rajada de vento atingir o adversário, arremessando-o longe.
Smith bateu com as costas contra o tronco de uma árvore e olhou irado para o ex-companheiro do Círculo. ‘Você me paga, Hiiraguizawa.’ Sussurrou, franzindo a testa e novamente concentrando a energia no prisma de seu báculo mágico. ‘Rhewlif!’ (Geleira!) A energia acumulada avançou, congelando tudo no seu caminho e envolveu Eriol.
Eriol olhou ao seu redor e percebeu que o próprio ar que o envolvia estava solidificando e comprimindo seu corpo, como uma mão glacial, de forma que se mexer e até mesmo respirar tornava-se uma batalha em si.
Concentrou sua energia, fazendo a sua mandala aparecer sobre seus pés e sua aura expandir. ‘Theine thonn.’ (Onda de fogo) Invocou uma onda de chamas mágicas que se expandiram em todas as direções a partir de seu báculo a fim de anular a magia do inimigo. Estreitou os olhos em Smith. ‘Nathair uisgeach!’ (Serpente aquática!) Levantou o báculo e cortou o ar, fazendo surgir um poderoso raio mágico que atingiu Smith, envolvendo-o por uma serpente aquática que o impedia de respirar.
Balthazar levou uma das mãos ao pescoço, sentindo-se sufocar e cravou o báculo no chão, tentando manter-se em pé. Concentrou toda sua energia, mas não conseguiu anular suficientemente o ataque mágico de Eriol. Teria morrido se Takeda não percebesse a fraqueza de seu mestre.
O rapaz abandonou a luta de Syaoran e avançou sobre Hiiraguizawa com sua espada.
Eriol cessou sua magia e moveu seu báculo criando um escudo para se proteger da arma mágica de Takeda, que ao ser repelido pela energia do mago, saltou para trás, encarando-o.
Spinel Sun parou a frente de seu mestre, mas este ordenou que ficasse perto de Sakura e a protegesse de qualquer um que se aproximasse, assim como tinha ordenado a Ruby Moon.
Takeda voltou a tentar atacar Eriol enquanto Smith recuperava o fôlego. O rapaz concentrou a energia em uma das mãos e tentou desferi-la contra Eriol que rebateu o ataque mágico, repelindo-o e fazendo a energia explodir perto de si sem atingi-lo.
Syaoran olhou rapidamente para trás, ouvindo o barulho da explosão e franzindo a testa ao cravar seus olhos em Smith. Trincou os dentes. Um dos jovens feiticeiros tentou atacá-lo com uma lança mágica, mas Syaoran desviou do ataque e segurou o pulso do rapaz com a mão, encarando-o.
‘Melhor a gente terminar logo com isso.’ Sussurrou, encarando o adversário que arregalou os olhos, ao sentir-se puxado. Girou, ainda segurando o jovem, soltando-o no meio do giro, lançando-o contra uma árvore.
Syaoran tentou avançar sobre Smith, apenas para ser impedido por mais dois que se colocaram a sua frente. Ele estava tentando ser legal com aqueles garotos, mas já estava desperdiçando um tempo ao qual não podia se dar ao luxo de perder. Apertou a empunhadura da espada nas mãos e estava pronto para atacar para valer quando sentiu a aura de Sakura o chamando. Virou-se para trás e seus olhos se encontraram com os da esposa que tremiam. Trincou os dentes.
Percebeu a aproximação das cartas e sorriu de lado. Elas tinham chegado bem na hora. Syaoran as viu circulando o seu corpo como anos atrás e olhou para os jovens que se mostraram surpresos ao ver as lâminas mágicas.
‘Bosque!’ Syaoran solicitou a carta, fazendo parte dos atacantes serem imobilizados por fortes ramos de plantas.
Pressentiu quando uma explosão de energia mágica se aproximou rapidamente, mas levantou o Escudo para circulava o seu corpo, protegendo-o.
Nem mesmo precisou chamar Disparo que agia livremente contra dois feiticeiros tentando, em vão, bloquear suas investidas mágicas.
Syaoran sorriu de lado. Elas agiam de forma livre, mas todas estavam ali para proteger tanto ele quanto Sakura. Olhou para a esposa novamente e viu Kerberus ao lado dela em sua forma original.
Franziu a testa. Tinha que pensar em alguma forma de fazer aqueles jovens pararem. Sabia que eles estavam sendo manipulados por Smith e Reyume de alguma forma. Arregalou os olhos de leve.
‘Acho que vou precisar de você, Apagar.’ Ele falou e o ser mágico apareceu ao seu lado em sua forma original.
‘O que quer, mestre?’ Ela perguntou, olhando para ele.
‘Acha que consegue anular os conhecimentos de magia de todos eles?’
‘Quando tinha apoio da magia da Mestra consegui apagar memórias de uma cidade inteira.’ Apagar franziu a testa de leve e suspirou. ‘Podemos tentar, mas são muitos.’
‘Ótimo. Conseguiria fazer isso, apoiando-se na minha magia?’ Ele perguntou.
Ela sorriu para ele. ‘Será a primeira vez.’ Falou com sinceridade, voltando à forma de lâmina e pairando diante de Syaoran que a pegou com a mão direita.
Ele olhou para os jovens que estavam sendo atacados por cartas como Flecha, Disparo, Trovão e franziu a testa. Concentrou sua magia, expandindo-a e sua mandala octogonal do baguá com o símbolo do Yin-Yang ao centro apareceu, brilhando de forma esplendorosa. Jogou a carta para cima, voltando a libertá-la, agora unida a sua magia. A energia mágica envolveu os jovens, assustando-os. Logo todas as suas armas mágicas desapareceram devido a perda do controle de suas magias.
‘Sono!’ Syaoran pediu para a Carta que, assim como Apagar, uniu-se à magia do seu mestre e envolveu-os, fazendo-os caírem desacordados no chão.
Syaoran sorriu agradecido pela ajuda delas. Voltou-se para Sakura que agora conseguia ficar de pé, devido a influência de Libra que agia, repelindo parte da energia negativa que tentava corromper sua aura mágica.
Smith olhou com fúria para o numeroso grupo de jovens desacordados no chão. Virou-se rapidamente para a mansão Yanamoto e franziu a testa, percebendo do que grupo menor que ficara lá dentro também havia se reduzido. Além disso, sentiu que o feitiço de proteção que lançara sobre a chave havia sido rompido. Eles não teriam chance agora. Precisariam recuar novamente.
Takeda encarou Syaoran e já estava pronto para voltar a atacar tanto ele quanto Eriol, quando Smith o chamou. O inglês invocou, então, uma magia com suas últimas forças e desapareceu com o rapaz.
Syaoran trincou os dentes, percebendo que, novamente, o rato tinha fugido. Caminhou com passos duros até Reyume e o segurou pelas roupas, levantando-o do chão e o encarando.
‘Agora, Reyume… você vai me contar exatamente o que está acontecendo.’
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Shaolin piscou os olhos e apertou o artefato na sua mão direita, sentindo-o esquentar.
O gigante a sua frente tinha uma cabeça com dois rostos, um de cada lado. De repente, os rostos mudaram para o de uma mulher e de um homem e, logo depois, para de um velho e de um jovem.
‘Que merda é essa?’ Perguntou atordoado, vendo-se sozinho com aquele ser a sua frente.
Ele olhou para os lados, procurando a prima, mas não a encontrou. Não estava mais na mansão da senhora Yanamoto, mas num ambiente completamente vazio e branco.
‘Nee-san?!’ Chamou, preocupado, e voltou-se para o gigante, encarando-o. ‘Onde eu estou?’
‘No vácuo.’ Os dois rostos responderam, como se fossem um. ‘Em lugar nenhum.’ Respondeu um deles. ‘Em todo lugar.’ Disse o outro.
O menino olhou desconfiado para as duas faces e franziu a testa de leve. As duas respostas não combinavam. Uma era o contrário da outra.
‘Isso não faz sentido.’ Ele falou, olhando em volta. ‘Aqui não tem nada.’ Completou, reparando nos arredores.
‘O que é o “nada”?’ Perguntaram as duas vozes juntas.
Ele olhou novamente em volta e depois para o gigante. ‘O que eu estou fazendo aqui?’ Ele rebateu a pergunta, sentindo-se cada vez mais nervoso.
‘Você está aqui para cumprir seu dever.’ Respondeu uma das faces.
‘Você está aqui para realizar seu objetivo.’ Disse a outra.
‘E isso não é a mesma coisa?’ Shaolin perguntou, sem entender.
‘Seu dever é proteger o mundo.’ Falou o velho.
‘Seu objetivo é proteger sua família.’ Completou o jovem.
‘Por que você está aqui?’ Perguntaram ambas.
O menino apertou mais forte a chave que tinha na mão e desviou os olhos do gigante. Voltou a fitá-lo. ‘Proteger o mundo?’ Ele perguntou, com um toque de ironia. ‘Como posso proteger o mundo se não conseguir proteger nem a minha família?’
As duas faces sorriram para ele. ‘É uma boa pergunta. Qual seria a resposta?’
Ele balançou a cabeça de leve. ‘Eu não tenho tempo para isso! Preciso saber como destruir esta chave!’ Falou, levantando a mão.
‘Aqui você tem todo o tempo.’ O velho respondeu.
‘Você não tem mais tempo algum.’ Completou o jovem.
‘Isso não faz sentido novamente!’ Ele levantou o tom de voz. ‘Vocês falam coisas opostas. Quem está mentindo?’
‘Quem você acha que está?’ Perguntaram as duas juntas.
‘Talvez as duas estejam mentindo.’
‘Ou apenas uma falando a verdade.’
Shaolin levou as mãos à cabeça. Não tinha tempo a perder com aquela loucura. Sentia-se diante dos irmãos gêmeos de “Alice no País das Maravilhas”. Sua mãe estava sofrendo. Seu pai também. Kazuo, Marie… todos estavam esperando por ele. Kasumi estava esperando por ele. Ele tinha que terminar logo aquilo.
Shaolin respirou fundo e os encarou. ‘É meu dever destruir esta chave. Preciso fazer isso pela minha família e por todos. Gabriel me falou que esta chave pode ligar os vários universos e, se cair nas mãos de pessoas mal intencionadas e imprudentes, pode ameaçar o equilíbrio que hoje existe, embora já esteja sendo ameaçado. Estou, sim, agindo pela minha família, mas não adianta apenas pensar nela. Se eu apenas conseguir salvá-la, como poderei viver num lugar onde há o caos? Agora… se eu evitar o caos e não salvar a minha família, o que será de mim? O meu dever é o meu objetivo.’
‘Humph.’ As cabeças murmuraram. ‘Você sacrificaria a sua família para salvar o mundo?’
‘Eu só posso falar de mim mesmo. Eu me sacrificaria pela minha família e pelas pessoas que amo. Eu me sacrificaria para salvar o mundo. Não posso responder esta pergunta pelo meu pai, minha mãe ou por Kazuo. Não cabe a mim decidir por eles.’
‘Sábias palavras.’
‘Tudo besteira!’
‘E você acha que está se sacrificando o suficiente?’ Elas perguntaram juntas.
Ele arregalou os olhos de leve. Deu um passo à frente e encarou a face que agora estava de frente para ele. ‘Eu só saio daqui depois que você me falar como eu posso destruir isto.’ Declarou, levantando a chave.
O gigante passou a caminhar em volta do menino. ‘Você acha que destruir esta chave será a solução. Por quê?’
‘Gabriel me falou. Ele me contou que preciso fazer isso. E meus sonhos me alertaram. Eu simplesmente sei que é isso que preciso fazer.’ Respondeu irritado.
‘Quer destruir a chave para salvar o mundo. Para quê? Se está perdendo o mundo...’
‘Como?’ Shaolin perguntou, franzindo a testa e não entendendo a colocação o gigante.
‘Responda-nos, Shaolin, o que importa ganhar o mundo inteiro, proteger o mundo inteiro, e ficar perdido?’
‘Não estou perdido.’ Ele respondeu e olhou para os lados. ‘Quer dizer, estou perdido porque não sei onde estou agora, mas…’ Balançou a cabeça, percebendo que estava saindo do assunto. ‘Você poderia simplesmente me falar a verdade.’
‘Não há verdades absolutas.’ O gigante falou com suas duas vozes, rindo-se e se aproximou dele. Abaixou-se e levantou a mão, tocando o enorme dedo no peito do garoto.
‘Você sabe exatamente onde está.’ O jovem comentou. ‘Apenas a sua força e sua vontade o levarão para a vitória.’
‘Você está perdido dentro de si mesmo.’ O velho retrucou. ‘Aquilo que se faz por amor está sempre além do bem e do mal.’ E com isso o gigante se afastou, olhando para o menino.
‘Isso é loucura…’ Shaolin sussurrou.
Shaolin fechou os olhos e respirou fundo. Tinha que manter a calma. Não conseguiria nada estando nervoso. Seu pai sempre o ensinou que conhecer o inimigo era ter metade da batalha ganha, precisava conhecer quem estava enfrentando. Abriu os olhos novamente e fitou o gigante. ‘Quem é você afinal?’
As duas faces do gigante sorriram juntas. ‘Sou Janus. Criador desta chave que está em suas mãos.’
‘Foi criada por mim.’
‘Foi criada pelos homens.’
‘É uma chave criada pelos homens, seguindo sua orientação.’ Shaolin deduziu. ‘Não há verdade absoluta.’
Janus gargalhou, retumbante. ‘Você aprende rápido.’ Uma face respondeu.
‘Está tirando conclusões precipitadas.’
‘Que verdades carrega em seu coração, Shaolin?’ As duas perguntaram ao mesmo tempo.
‘Será que esconde o seu coração com medo de não ferir alguém que ama?’
‘Ou será que tem medo de nunca conseguir amar como seus pais se amam?’
O menino sentiu como se tivesse levado um soco. Encolheu os ombros e desviou os olhos para o nada onde estava.
‘Você já é um homem.’ O jovem continuou.
‘Você ainda é um menino.’ O velho contradisse.
‘O que você se considera?’ Perguntaram as duas juntas. ‘Um homem assume seus sentimentos, mas um menino se esconde em ilusões infantis. Em qual estágio você está, Shaolin?’
‘Do que diabos vocês estão falando?’ Ele perguntou, irritado.
‘Da garota que você quer proteger.’
‘Da garota que sempre o protegeu.’
Ele deu um passo para trás, arregalando os olhos. De Kasumi? O que ela tinha a ver com tudo aquilo? Com a missão dele? Desviou o olhar, franzindo a testa.
Sabia que alguma coisa tinha mudado quanto aos seus sentimentos por quem antes sempre havia considerado como irmã. Tinha dúvidas com relação ao que sentia por ela e sabia que ela também o vinha olhando diferente. O problema era que as coisas na vida dele nunca seriam simples e, para complicar tudo, ela não tinha magia. Era muito arriscado e ela poderia se machucar.
Mas não podia negar que morria de ciúmes da relação que ela tinha com Kazuo. Morria de ciúmes de qualquer um que chegava perto dela. Pensou que poderia ser apenas ciúmes de irmão mais velho ou algo assim, mas no fundo sabia que não era nada disso, pois não suportaria ouvi-la chamando-o de “onii-san”, mesmo ele sendo alguns meses mais velho que ela.
Tinha ouvido toda a narrativa de Marie sobre o que acontecera com os pais na outra existência deles, sobre como o pai havia morrido e voltado como um demônio, sobre a ida dos dois para o mundo das trevas. E se ele tivesse que se afastar dela, como estava acontecendo agora, outras vezes? O que adiantaria ela gostar dele e ele gostar dela se acabariam separados porque ele tinha magia? Ela sofreria. Sofreria tanto quanto a mãe havia sofrido naquelas ocasiões. Ou mais porque não seria capaz de ajudá-lo como a mãe ajudou o pai.
Lembrava-se claramente de tê-la visto mais velha com uma katana nas mãos em seu sonho. Sentiu um arrepio correr sua espinha quando recordava o olhar frio e sério dela ao fitá-lo. Era como se fosse outra pessoa. Kasumi falou que a postura dele na luta tinha melhorado, como ela sabia disso? O que estava acontecendo com ela por culpa dele?
O sonho dele o estava alertando que ela mudaria, não queria voltar a ver aquele olhar assassino dela. Não queria voltar a vê-lo nunca mais. Passou a mão no rosto e fechou os olhos, lembrando-se de quando a abraçou e sentia o corpo dela frágil e frio depois de ter passado mal no episódio com Retorno. Como havia se sentido culpado por tê-la visto daquela forma. Como lhe doeu o peito, vê-la tão fragilizada.
Kasumi era uma menina normal. Ele é que era o anormal. Seria justo arrastá-la para aquela loucura toda?
‘O que é “justo”, Shaolin?’ As duas faces perguntaram, assustando o menino que abriu os olhos e levantou o rosto. ‘O que é o normal? O que aconteceu com “não cabe a mim decidir por eles”?
Ele encolheu mais os ombros. ‘Não posso ser egoísta. Não posso envolvê-la.’
‘A decisão deve ser dela.’
‘A decisão é sua, com certeza.’
‘Ou a decisão pertence ao dois?’ Janus perguntou com as duas vozes.
O menino permaneceu em silêncio. Não sabia o que responder.
‘Amar em segredo é como ter asas e não poder voar.’ O gigante declarou.
Ele balançou a cabeça de leve. ‘Amar também é saber se sacrificar para que a pessoa amada seja feliz. Não preciso tê-la ao meu lado para ser feliz. Saber que ela é feliz já me é suficiente.’
O gigante deu um sorriso irônico. ‘Você tem certeza disto?’ Uma das faces falou estreitando os olhos no menino. Logo depois girou rapidamente para a face mais velha fitá-lo bem nos olhos.
‘Tem certeza absoluta que é capaz de vê-la feliz com outra pessoa, já que você não pode estar ao lado dela? É suficiente para você?’ Perguntou em tom baixo e perigoso.
Shaolin engoliu em seco. Não dava para mentir para si mesmo daquela forma, não suportaria ver Kasumi com outra pessoa. Sentiu o bolo se formar na garganta. Uma sensação amarga, como se, de alguma forma, já a tivesse experimentado antes e sabia o quanto era ruim.
A face mais velha sorriu agora de forma suave, sem desviar os olhos dos dele. ‘Exatamente isso, Shaolin… Você já tentou este seu discurso altruísta antes, mas não conseguiu… Para um ser criado da forma como você foi… Amar sempre será um pecado…’
A cabeça girou, e agora o rosto jovial o encarava. ‘Desejar ter o que ao primeiro momento é inalcançável pode ser considerado heresia… luxúria… ou coragem para amar verdadeiramente, Shaolin?’ Ele sorriu de lado. ‘Corrigindo, amar de forma egoísta e possessiva… Aceitaria mesmo ver quem você ama ser cortejada por outro, mesmo sabendo que tem boas intenções com ela? Você aceitaria?’ Ele aproximou-se mais do menino. Shaolin sentiu o corpo tremendo, não sabia se de raiva, confusão, dúvida, nervosos ou… medo.
‘Você aceitou?’ Perguntou devagar, o gigante ergueu o corpo e ficando com a postura correta, apenas observando as reações do menino e sabendo o que se passava tanto na mente quanto no coração dele.
O menino desviou os olhos dos do gigante. ‘Não.’ A resposta foi franca, mais até do que admitiria a si mesmo. ‘Não consegui… não conseguiria.’ Balançou a cabeça de leve e fechou os olhos. ‘Não sou capaz disto… Vou viver num inferno.’ Abriu os olhos, mas ainda tinha o olhar vago, como se de alguma forma conhecesse exatamente aquele tipo de dor. ‘Uma merda de existência… como um fantasma.’ Completou.
Janus soltou um suspiro e cruzou os braços. ‘Então você destruirá o seu mundo interior para salvar o mundo exterior, Shaolin?’
‘Eu aceito. Eu já aceitei isso.’ Ele falou sério, mas sentiu que sua voz havia falhado. Levantou o rosto voltando a fitar Janus.
‘Mesmo que o mundo interior dela também seja destruído para que você salve o mundo exterior de todos?’ O gigante declarou com a voz dupla e se abaixou novamente até que a face do velho o fitasse nos olhos.
Shaolin fora pego de surpresa pela pergunta. Verdade, não tinha pensado pelo ponto de vista dela.
‘Ela também aceitou se sacrificar? Será que ela já não se sacrificou por você? Para estar com você?’
A cabeça girou sobre os ombros da criatura e o rosto jovem agora o encarava. ‘Você a deixou decidir? Ou está impondo a sua decisão?’
Ele sentia o corpo tremendo. Apertou a chave na mão, chegando a machucar a palma. Trincou os dentes sem conseguir responder àquela pergunta de forma direta. Sempre esteve convicto que ninguém conseguiria entrar em seu coração, pois, verdade seja dita, viver com os pais e testemunhar tanto amor... sabia que nunca viveria um amor como aquele com alguém. Acreditava ser imune àquele sentimento. O problema é que estava errado e perceber que Kasumi, de alguma forma, também tinha sentimentos por ele fez com que tudo ficasse muito mais complicado.
Sempre manteve parte de si, a parte sobre magia, escondida da menina e apenas contou quando percebeu que, se não o fizesse, perderia, inclusive, a amizade que tinham. Pensou que ela se assustaria com tudo o que estava acontecendo e se afastaria naturalmente, com medo, mas não.
Contou para ela sobre a natureza do irmão, achando que ela o temeria, mas novamente Kasumi o surpreendeu, inclusive se dando muito bem com Kazuo. Tratava Kazuo agora por “nii-san” com tanta facilidade, com tanta naturalidade, com o coração tão aberto, muito mais que ele próprio que ainda não conseguia aceitá-lo como irmão completamente. Sorriu de leve e de forma triste. No final, encantou-se mais ainda por ela. Sentia-se feliz por saber que a menina não temia Kazuo, não o temia então… ela não o rejeitaria por ser “diferente”, certo?
‘Quem tem medo então, Shaolin?’ Janus perguntou com a voz dupla. ‘Quem realmente tem medo?’
‘Eu.’ Ele respondeu sinceramente. ‘Eu quem tenho medo. Eu que tive medo de contar a verdade e ela achar que eu não era “normal”. Eu quem tenho medo de envolvê-la em tudo isso e ela sair machucada. Eu quem tenho medo de perdê-la.’ Desviou os olhos e balançou a cabeça de leve. ‘Prefiro ficar apenas com a amizade dela e o amor que ela tem por mim como irmão do que perder tudo.’
‘Então, não está pronto para sacrificar o que já tem, não é?’ Janus falou. ‘Tem medo de sacrificar o certo para tentar ir atrás do duvidoso.’
‘Acho que sim.’ Respondeu entre os dentes.
‘E acha que assim será feliz até quando, Shaolin?’ O gigante perguntou. ‘Você é um homem ou é um menino? Você está pronto para enfrentar seus desafios e cumprir sua missão? Será que tudo realmente dará certo só porque você tem o apoio de seu irmão e sua prima? Você não consegue nem mesmo enfrentar o que está dentro de você.’
Shaolin respirou fundo, fechando os olhos. O gigante de duas faces estava certo. Ele tinha tanto medo de sair da zona de conforto de seus sentimentos que achou melhor continuar escondido naquela amizade fraterna com Kasumi e naquela imagem ideal do sentimento dos pais. Mas agora não tinha mais como se esconder, não poderia continuar se convencendo que era apenas isso que sentia por ela.
Entendeu que não seria uma atitude correta com ela e, principalmente, com ele mesmo. Deu um longo suspiro, finalmente conseguindo entender... conseguindo admitir o que se passava dentro de si. Finalmente se encontrando.
‘Eu… Eu a amo.’ Ele confessou para si mesmo e abriu os olhos.
‘Quem é que você ama, pirralho?!’ Ele ouviu a voz séria da prima. ‘Eu, aqui, morrendo de preocupação e você sonhando?’
Ele piscou os olhos e balançou a cabeça, vendo o rosto apreensivo da prima, que estava ajoelhada a sua frente, entrar em foco. Kazuo estava atrás dela.
‘Nee-san…’ Shaolin murmurou, levando uma mão a cabeça dolorida. ‘O-o que aconteceu?’
‘Droga, Shaolin-kun! Você me deu um susto enorme!’ Marie respondeu e abraçou o primo. ‘Não faça mais isso, está me ouvindo?!’
‘Mas… mas o que eu fiz?’ Ele perguntou, sem entender.
Marie afastou-se dele, segurando seus braços. Ele estava sentado com as costas apoiadas na parede. Desviou os olhos do rosto apreensivo da prima e olhou para a mão em que antes segurava a chave de Janus e apenas viu um pó dourado nela.
Tinha conseguido destruir a tal chave. Como? Não tinha certeza, ainda. Mas sabia que tinha alguma coisa a ver com finalmente ter aceitado o que estava dentro dele. Finalmente ter aceitado e encarado os seus sentimentos verdadeiros. Sorriu, sentindo-se aliviado por ter entendido algo que sempre deixou trancado no fundo da alma.
‘Não é para rir.’ Marie falou séria. ‘Você ficou desacordado por quase dez minutos! Eu quase enlouqueci porque eu não estava achando seu pulso e sua respiração estava tão fraca que eu confesso que pensei que tinha parado. A única coisa que me deu a certeza que você ainda estava vivo era a sua presença não ter sumido. Você enlouqueceu em me dar um susto desses, pirralho?!’ Ela quase gritava nervosa e voltou a abraçá-lo.
‘Hei… Eu estou bem.’ Shaolin falou. ‘E destruí a tal chave… Olha!’ Disse, tentando afastar-se da prima para mostrar a mão em que antes segurava o artefato.
Marie se afastou dele novamente, Shaolin desviou os olhos dela e viu o irmão se abaixar, tocando um joelho no chão. Ele estava com o rosto machucado e com algumas outras escoriações pelo corpo.
‘Você realmente deu um susto na gente, Shaolin.’ Kazuo falou sério. ‘Não faça mais isso.’
‘Eu tenho mais seis chaves para destruir ainda…’ Ele respondeu, tentando se levantar, mas sentiu-se fraco. Kazuo segurou o braço dele e o ajudou.
Marie franziu a testa. ‘Sua presença está forte, mas seu corpo está fraco.’ Ela comentou. ‘Você vai ter que nos contar direitinho o que aconteceu.’
Shaolin concordou com a cabeça. ‘Eu vou contar… o que eu entendi.’ E depois desviou os olhos dos dois, sentindo o rosto corar. Não contaria tudo para eles. Precisava conversar com outra pessoa primeiro.
‘Isso… já é um começo.’ Kazuo falou, olhando sério para o irmão.
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‘Começa a falar de uma vez, Reyume!’ Syaoran ordenou, olhando com fúria para o homem.
‘O que você quer saber, Xiao Lang?’ O chinês rebateu segurando os punhos de Syaoran que o prendiam pelo colarinho. O homem engoliu em seco, observando os olhos do seu inquisidor mirando-o tal qual duas labaredas.
‘Você treinou estes jovens! Para quê?’
Reyume hesitou, tentou ainda se livrar das mãos de Syaoran. Porém quanto mais ele tentava se libertar, mas sentia o ar lhe faltar nos pulmões.
‘Fala!’ Syaoran gritou irritadíssimo.
‘Smith me contratou! Pagou-me para treinar um grupo enorme de jovens talentosos. Um exército do que ele chamou de guardiões. Eles tinham anotações de um tal Mago Reed Clow! E o treinamento recomendado era parecido com o treinamento a que o clã Li submete os jovens! Eu só segui as instruções e as aprimorei!’ Reyume falou.
‘Smith organizou um exercito de guardiões, é isso?’ Syaoran perguntou incrédulo.
‘Era assim que ele os chamava. Ele me pediu para selecionar os 50 melhores para passar por um portal.’
Syaoran franziu a testa e olhou rapidamente para Eriol que se aproximava deles encarando Reyume. Os dois se entreolharam apreensivos.
‘Qual o total de jovens deste exército?’ Eriol perguntou em mandarim.
Reyume tirou os olhos de Syaoran e encarou Eriol.
‘Responde a pergunta!’ O chinês ordenou quase chacoalhando Reyume.
‘Quase 500 jovens.’ Ele respondeu.
Syaoran soltou Reyume que caiu sentado no chão com as mãos no pescoço que fora apertado durante o interrogatório.
‘São muitos.’ Eriol comentou com Syaoran. ‘Mesmo que nem todos tenham realmente atingido o nível de um guardião, eles, ainda assim, seriam inimigos perigosos para as crianças.’
Syaoran concordou com um gesto.
Sakura se aproximou dos dois. ‘A presença do Shaolin aumentou… mas…’ Ela deteve-se por um momento e fitou o esposo. ‘Não estou com um bom pressentimento.’
‘Eu também não.’ Syaoran respondeu. ‘Vamos atrás deles.’ Falou, caminhando em direção à mansão.
Sakura entrou na residência e arregalou os olhos de leve, vendo a quantidade jovens caídos no chão. Não sabia direito se estavam mortos ou apenas desacordados. Olhou para o alto da escada e viu uma senhora descer os degraus devagar, olhando também desolada para a verdadeira cena de batalha que estava o salão. As duas se fitaram de forma profunda por alguns segundos.
Nara sorriu de leve para ela e caminhou devagar até parar a poucos metros de Sakura. ‘Seus olhos são muito parecidos com os daquele menino.’ Ela comentou.
Sakura arregalou os olhos. ‘Shaolin?’
‘Este é o nome dele? Ele é um menino muito especial. Você tem sorte de ter um filho assim. Não o deixe se perder… como eu perdi os meus.’
‘Quem é a senhora?’ Sakura perguntou aflita.
‘Nara Yanamoto.’
Sakura engoliu em seco. ‘Yanamoto?’ Ela repetiu e olhou de esguelha para o marido que estava ao seu lado.
Syaoran encarou a senhora. ‘É a mãe de Seiya e Takeda Yanamoto, não?’
Tinha entendido quem era o homem que tentara matá-los quando eram mais jovens, obrigando-os a ir até o passado.
Nara confirmou com a cabeça. Soltou um longo suspiro e olhou para a quantidade de jovens ao chão. Sangue, sujeira e bagunça por todos os lados. Balançou a cabeça de leve e virou-se, caminhando em direção a uma das saídas do salão que levaria a outro cômodo.
Sakura ainda ficou observando com pesar enquanto a senhora se afastava.
Syaoran passou o braço pelos ombros dela e a puxou, dando um beijo em sua cabeça. ‘Não é sua culpa, Sakura.’ Sussurrou, percebendo os olhos tristes da esposa que miravam a senhora Yanamoto.
Ela deu um longo suspiro e o fitou com carinho, tentando sorriu de leve. Percebeu a aproximação de Shaolin, Kazuo e Marie que desciam as escadas também. Franziu a testa, observando que Kazuo ajudava o irmão mais novo a caminhar. Foi até eles mal, conseguindo esconder o nervosismo. Parou a frente do filho.
‘O que aconteceu?’ Perguntou em tom de urgência, reparando como menino parecia fraco.
‘Não sabemos, Sakura.’ Kazuo respondeu, ainda segurando o irmão.
Ela levantou o rosto do filho para que ele a fitasse. ‘O que sente, querido?’
‘Sono, kaasan… Só estou com sono. Não se preocupe.’ Ele respondeu, minimizando a situação. Levantou o rosto e sorriu de leve. ‘Destruímos uma chave já, kaasan. O Rashinban que obaa-sama trouxe funcionou.’
Sakura sorriu para o menino e balançou a cabeça. ‘Que bom, Shaolin.’ Forçou-se a falar.
Syaoran olhou preocupado para Shaolin e depois fitou Kazuo. Pelo rosto preocupado do rapaz, estava na cara que não era só sono.
‘Melhor o levarmos para casa.’ Marie falou. ‘Ele realmente precisa descansar…’
‘O que aconteceu com ele, Marie-chan?’ Sakura perguntou, ainda com o rosto do filho entre as mãos.
Marie balançou a cabeça de leve. ‘Eu não sei direito, obasan. Mas acho que Gabriel-baka não nos contou toda a verdade sobre o processo de destruição das chaves.’
‘Como assim?’ Sakura falou franziu a testa.
Marie comprimiu os lábios de leve. ‘Não sei… mas Shaolin-kun nos deu um susto enorme.’ Não mentiu.
Sakura desviou os olhos de Marie e observou Kazuo que também estava com o rosto tenso. ‘Que diabos aconteceu?’
Kazuo e Marie se entreolharam apreensivos. O rapaz não tinha coragem de falar para Sakura o que aconteceu com o irmão mais novo.
‘Kazuo-kun!’ Ela o chamou com a voz assertiva. ‘O que aconteceu?’ Perguntou encarando o rapaz que engoliu em seco.
‘Não sabemos… Sinceramente, não sabemos o que aconteceu. Mas ele ficou num tipo de transe quando pegou a chave e não conseguíamos acordá-lo.’
‘Está tudo bem, kaasan.’ Shaolin interrompeu. ‘Eu voltei.’
‘Voltou de onde?’ Sakura perguntou, apertando mais forte o rosto do filho entre as mãos.
‘Do encontro que eu tive com Janus.’ Ele respondeu. ‘Foi só uma conversa. Tudo tranquilo.’
Kazuo e Marie se entreolharam novamente. Sakura reparou isso. Tinha algo mais. Voltou a fitar o filho mais novo.
‘Vamos para casa, meu bem. E depois…’ Ela fitou Kazuo e depois Marie. ‘Vamos descobrir o que realmente houve.’
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Sakura desceu as escada de casa com o rosto cansado. Colocou uma das mãos no peito sentindo aquela maldita dor permanente. Era como se estivesse sempre lutando e buscando forças para que seu coração não parasse de bater. Segurou mais firme no corrimão da escada e, assim que chegou à sala, ouviu Kazuo e Syaoran conversando na cozinha.
O rapaz, assim que chegou, tomou um banho e já começava a apresentar melhoras dos seus ferimentos e escoriações. Shaolin estava dormindo. Estava, justamente, vindo do quarto do filho. O menino estava esgotado. Pálido demais. A temperatura do corpo estava baixa. Sakura pediu para que Kero ficasse com o filho, cuidando dele. E é claro que Espelho também havia ficado ao lado do menino.
Chegou à porta da cozinha e reparou que os dois pararam de falar, observando-a.
‘Espero que não estejam pensando em me esconder nada.’ Ela falou com o rosto sério para os dois.
Syaoran soltou um suspiro e fitou a esposa. ‘Não pretendemos esconder. Estamos tentando entender o que aconteceu ainda.’ Ele clarificou para a esposa.
‘Eu gostaria que Marie-chan ficasse para esclarecer o que aconteceu, mas Eriol-san estava uma pilha de nervos.’ Sakura falou, sentando-se numa cadeira e fitou Kazuo. ‘Mas acho que você pode explicar exatamente o que aconteceu com Shaolin. Não é possível a presença dele estar tão forte e o corpo tão esgotado desta forma. Não faz sentido.’
Kazuo apertou um pouco mais forte o copo de água que tinha nas mãos. Não queria ser ele a contar o que realmente achava que tinha acontecido com o garoto, mas também não achava certo esconder.
‘Ele entrou num transe quando pegou a chave.’ Começou.
‘Esta parte você já falou.’ Sakura disse.
Kazuo comprimiu os lábios. ‘Não achávamos o pulso dele. A respiração estava fraca. A Marie quase enlouqueceu.’ Ele finalmente falou e sentiu tanto a presença do pai quanto de Sakura começar a se agitar. ‘Ele ficou assim por… sei lá… a Marie disse que foram quase 10 minutos. Quando eu cheguei no quarto em que eles estavam, eu só a vi tentando chamá-lo, e o Shaolin não respondia. Era como… não sei…’ Ele desviou os olhos, fitando o copo nas suas mãos. ‘Era como se só o corpo dele estivesse ali, mas ele estivesse fora.’
Sakura desviou os olhos do rapaz e fitou o esposo.
‘Eu sinto muito…’ Kazuo falou, chamando a atenção de Sakura. ‘A gente não conseguia fazer nada. Nem eu e nem a Marie.’
‘Não…’ Syaoran falou, colocando uma mão no ombro do filho. ‘Vocês não poderiam fazer nada.’ Ele afirmou. ‘Ninguém poderia.’ Tirou a mão do ombro do filho e passou no rosto. ‘A alma dele… provavelmente se desconectou do corpo para… fazer a conexão com o responsável pela chave e, então, destruí-la. Por isso tinha que ser alguém sem ligação com as trevas.’
‘É…’ Kazuo falou em tom chateado. ‘Acho que sim.’ Ele encolheu os ombros. ‘No final… nem eu nem a Marie podemos ajudá-lo a fazer isso.’
Sakura sorriu de leve e repousou a mão no braço do rapaz que ainda segurava o copo. ‘Você e ela o ajudaram a chegar até a chave. E eu tenho certeza que fizeram de tudo para que ele chegasse até ela em segurança.’
‘E o que adianta?’ Kazuo falou ainda com a voz chateada. ‘E se ele não voltasse? Se não conseguisse destruir a chave?’ Ele levantou os olhos para ela e engoliu em seco. ‘O que vai acontecer com ele se não conseguir voltar?’
Sakura segurou mais forte o braço dele e se forçou a dar um fraco sorriso. ‘Ele sempre vai conseguir voltar porque sabe que estaremos esperando.’
‘Não se sinta responsável, Kazuo.’ Syaoran falou chamando a atenção do rapaz. ‘Se tem algum responsável aqui… é aquele velho maluco e os guardiões que não conseguiram cumprir seu dever corretamente. Isso inclui a mim, não a você.’
Sakura franziu a testa e deu um longo suspiro. ‘Tal pai…. tal filhos.’ Falou irritada. ‘Vocês dois agora vão ficar disputando quem é o culpado. Inferno.’ Ela se levantou e caminhou até a geladeira para pegar um copo de água. ‘Ninguém é culpado. Vamos resolver isso juntos porque somos uma família.’ Ela deu um suspiro. ‘Encarem as coisas de forma mais simples.’
Kazuo sorriu de leve ao ouviu aquilo. Encarar as coisas de forma simples? Para ele aquele conceito de família era algo tão complexo. Olhou para o pai que tinha o rosto tenso e preocupado, a aura dele estava a ponto de explodir de irritação, mas ele tentava se controlar. Virou o rosto, observando Sakura sobre o ombro direito, ela estava também tentando controlar sua presença, lutando contra a influência externa na sua aura e a influência de sua preocupação com Shaolin. Eles poderiam simplesmente culpá-lo por tudo e descontar a raiva deles nele, não? Era assim que Midoriko fazia quando se sentia contrariada.
Balançou a cabeça de leve e respirou fundo antes de, finalmente, beber um gole de água. Fechou os olhos por um breve momento e foi quando se deu conta de algo sutil que acontecia. Eles se apoiavam. A aura do pai apoiava a de Sakura que tentava ajudar na recuperação de Shaolin, assim como a do pai também interagia com a aura do filho mais novo.
Abriu o sorriso um pouco mais ao perceber que, entre aquela interação, sua própria aura agia também. Assim como recebia apoio do pai e de Sakura para que sua cicatrização fosse mais rápida e menos dolorida. Ele tentava ajudar o irmão a se recuperar. Ele realmente não queria deixar de fazer parte daquilo e lutaria ao máximo para evitar que lhe tirassem aquela sensação de pertencer a uma família.
Continua.
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