FEITICEIROS
74 A Chave da Seriedade
FEITICEIROS
Por Kath Klein & Yoruki Hiiragizawa
Capítulo 74
A Chave da Seriedade
Kazuo respirou fundo olhando para a entrada da pousada Funbari. Estava sentindo a presença de Marie. Esperava que a garota já tivesse acertado as coisas com Sakura, mas ao mesmo tempo receava as consequências dela ter devolvido a tal Carta. E se ela realmente tivesse perdido os sentimentos que tinha por ele?
Shaolin parou ao lado dele e olhou de esguelha para o rapaz. ‘Não adianta ficar com medo desta maneira.’
‘Quem disse que eu estou com medo, pirralho?’ Retrucou incomodado.
Shaolin soltou um suspiro e virou-se para trás. ‘Acho que vou entrar por trás e trocar de roupa antes.’ Falou, abaixando o rosto e vendo suas roupas. ‘Kaasan vai surtar mesmo quando me vir assim.’
Syaoran estava falando com Arthas sobre como estava o mundo das trevas. Não gostava de falar de lá, mas queria saber qual a situação das brechas e ter uma ideia do tamanho do problema que poderia ter que enfrentar mais para frente. Gabriel, pelo jeito, andava bem desatualizado nas informações.
Estranhou os filhos estarem parados, olhando para a entrada da pousada.
Shaolin virou-se para trás e apontou para a lateral da casa. ‘Vou por trás.’ Falou.
Já estava caminhando para lá quando a porta da frente se abriu, de repente, e Sakura apareceu por ela. Arregalou os olhos vendo o estado do filho.
‘O que aconteceu com você, Shaolin?!’ Ela gritou, caminhando até ele. ‘Syaoran!’ Chamou pelo marido, olhando feio para ele.
‘Está tudo bem, kaasan… Tudo bem, mesmo… Estou ótimo.’ O garoto falava enquanto ela levantava a blusa dele para ver os ferimentos, deixando-o constrangido. Tinha a impressão de que ela o deixaria pelado na frente de todo mundo só para ter certeza de que estava tudo bem com ele. Franziu a testa tendo uma sensação de déjà vu.
‘Como assim? O que você fez? Está com a roupa rasgada.’ Olhou para Syaoran. ‘Ele não tem o mesmo poder que Kazuo tem. O que aconteceu?’
Shaolin coçou a cabeça. ‘É difícil de explicar. O Gabriel também não esclareceu muita coisa… Para variar.’
‘Não tem mesmo nenhum ferimento?’ Ela falou, ainda olhando para o filho e depois para Kazuo. ‘E você?’ Perguntou, fazendo o garoto levantar de leve as sobrancelhas. ‘Está com sangue na roupa, também. Onde está ferido? Já cicatrizou? Precisa de um analgésico?’
‘Sakura!’ Syaoran chamou a atenção da esposa que fazia tantas perguntas para os garotos sem lhes dar tempo de responder. Não sabia nem como ela conseguia falar daquele jeito sem fazer pausa para respirar.
Kazuo sorriu, percebendo que ela parecia melhor e no fundo gostando de ver a preocupação da esposa do pai com ele assim como com Shaolin. Ele desviou os olhos dela. ‘Você se sente melhor?’ Perguntou.
Sakura sorriu para ele de forma aberta. ‘Estou melhor. Mas vocês é que estão machucados. Não está sentindo dor?’ Ainda insistiu virando o rapaz e olhando a mancha nas costas dele. ‘Vamos… os dois para dentro agora. Vão tomar um banho… estão imundos!’ Ela falou e depois olhou para o marido. ‘Você também está péssimo.’ Ela observou.
Syaoran abriu um sorriso de forma irônica. ‘Já estive pior.’ Respondeu, fazendo-a estreitar os olhos nele.
‘Mas não com os meus meninos.’ Ela falou. ‘Agora os três para dentro.’ Ela ordenou de forma autoritária.
Estava para se virar, segurando os braços dos garotos quando percebeu a presença de Arthas. Não que ele fosse imperceptível, mas estava tão assustada com a situação dos dois garotos que sua mente só gritava para saber se eles estavam bem. Franziu a testa de leve, observando o grandão que sorria para ela com os olhos brilhantes.
‘Arthas-san…’ Ela sussurrou, encolhendo os ombros de leve. Não é que não gostaria de rever o grandão, mas assim como Syaoran não gostava muito de lembrar do tempo que passou lá. Soltou um suspiro e passou a mão na cabeça do caçula e no ombro de Kazuo. ‘Entrem os dois, façam o que eu mandei.’
Shaolin e Kazuo se entreolharam e deram de ombros. Caminharam em direção a entrada da pousada, deixando Sakura, Syaoran e Arthas sozinhos.
A feiticeira caminhou até ele e logo sentiu ser abraçada por um demônio emocionado, afirmando que havia sentido saudades dela. Sakura sorriu sem graça e olhou para o demônio com o olhar doce.
‘Como veio parar aqui, Arthas?’ Ela perguntou.
‘Vim atrás de Kazuo.’ Ele respondeu.
‘Ela veio atrás dele?’ Sakura perguntou com o rosto duro.
‘Está procurando por ele.’ Ele respondeu.
Sakura olhou para o esposo que também tinha o rosto sério. ‘Ótimo… mal posso esperar para bater um papo com ela.’ Sakura falou de forma irônica.
‘Isso é assunto meu.’ Syaoran falou incomodado.
‘Aí é que você se engana.’ Sakura retrucou o marido. ‘Ela é um demônio feminino… isso é assunto meu.’ Completou, virando-se. ‘Vamos, Arthas-san… você deve estar cansado, também.’
‘Estou é com uma baita dor de barriga.’ Arthas comentou.
‘É apenas fome.’ Ela esclareceu.
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Shaolin soltou um suspiro e fechou os olhos jogando a cabeça para trás. Estava num onsen com o pai e o irmão. Olhou de esguelha para o irmão e percebeu que a aura dele estava agitada. O rapaz entrou como uma flecha pela pousada, não querendo encontrar com Marie. Estava simplesmente postergando o inevitável encontro com a jovem. Balançou a cabeça de leve. Era um cabeça dura.
Fechou novamente os olhos e percebeu a presença agitada da prima num outro canto da pousada, soltou um suspiro notando que a energia da mãe já não estava mais com a prima. Ela devia ter devolvido a carta a quem pertencia. Sorriu de leve, percebendo que a energia dela no entanto não tinha mudado muito. Abriu os olhos e fitou novamente o irmão que estava sério e calado.
‘Isso aqui é quente demais.’ Kazuo reclamou, já saindo do onsen. ‘Deve ter um chuveiro com água gelada nesta pousada, não?’
Syaoran soltou um suspiro. ‘Nos quartos.’ Ele respondeu. Também sentia-se incomodado de ficar tanto tempo naquelas águas geotermais. Já tinha relaxado e as dores do corpo já estavam bem melhores. Observou o filho mais velho, afastando-se. Estava com o semblante triste, talvez o reencontro de Arthas tivesse lhe trazido mais lembranças do mundo das trevas do que ele poderia imaginar.
Estava pronto para sair também, quando estreitou os olhos em Shaolin que pelo jeito era o único que realmente aproveitava o onsen. Era uma ótima oportunidade para arrancar do garoto o que estava acontecendo com ele, já que apenas Sakura havia falado com o garoto durante toda a viagem.
Shaolin evitava falar com ele, tinha percebido isso. No fundo esta atitude do filho era culpa dele. Havia cobrado tanto do garoto em alguns momentos que Shaolin às vezes se tornava reticente em lhe contar as coisas apenas por receio de decepcioná-lo de alguma forma.
Estava orgulhoso pelo garoto ter enfrentado e superado por todos os problemas que Kazuo havia relatado para ele durante a viagem. Shaolin tinha amadurecido neste curto tempo talvez anos, não queria isso para o filho. Tinha sempre procurado proteger o garoto para que tivesse uma vida “normal” como sabia que ele gostaria de ter. Sempre soube que Shaolin escondia seu potencial de combate e força.
Às vezes ele lhe lembrava demais a esposa. A maneira como sempre tentava ser gentil até mesmo com quem era seu adversário na hora. Percebia que ele se deixava vencer em campeonatos apenas para passar despercebido. Não se importava em ser o melhor, pelo contrário.
Soltou um suspiro, agora pelo jeito até namorada o garoto tinha e justo quem? Já estava até imaginando Kurogane lhe enchendo o saco durante o trabalho pelo filho estar namorando a princesinha dele. Apesar de que era tão óbvio que Shaolin gostava de Kasumi de forma bem diferente do que irmãos. Sabia que logo eles descobririam isso, apenas achava que ele eram novos para assumir alguma coisa.
Desviou os olhos do garoto rapidamente, ele havia descoberto que amava Sakura com menos idade e já assumiu um compromisso assim que ela lhe deu uma resposta, confirmando seus sentimentos por ele. Namorariam se não tivessem se separado por causa do clã Li. Voltou a olhar o filho, não gostaria que o filho passasse pelo que passou separado da garota que amava. Kurogane que o perdoasse, mas ficaria ao lado dos dois.
Ele e Sakura sempre desconfiaram sobre a origem da magia do filho. Não é que não tentasse enxergar assim como Eriol. O problema era que sabiam que aquele tipo de magia era peculiar demais e isso no fundo sempre causava um medo enorme em relação a serem afastados de Shaolin.
Quando Sakura estava grávida e passaram por tantos sustos, nunca havia visto a esposa tão desesperada e em pânico com medo de perder o bebê. Lembrava-se como se fosse ontem o dia que viu a esposa com Shaolin no colo e o rosto molhado de lágrimas de alegria pelo filho ter nascido saudável como muitos médicos tinham deixado dúvidas e medos durante a gestação.
O problema era que agora desconfia, na verdade, tinha quase certeza de que o filho já sabia exatamente da onde vinha sua magia. Aquela missão realmente nunca havia sido dele e sim do filho. Shaolin tinha vindo a Terra para enfrentar aquilo, porquê? Ainda não sabia ao certo.
Era estranho constatar que tinha um filho com a natureza demoníaca e outro celestial. Ele só queria os dois filhos humanos, só isso? Será que era pedir demais?
Franziu a testa de leve lembrando-se de Kasumi, e da oscilação de energia que envolvia a menina desde o incidente com Retorno. Estreitou os olhos no filho, perguntando-se se ele já tinha conseguido perceber isso em volta da menina uma vez que a magia dele estava agora num nível muito elevado.
Respirou fundo e estava pronto para perguntar como o garoto estava quando o menino abriu os olhos e virou-se para ele.
‘Está tudo bem, tousan.’ Ele respondeu a pergunta antes mesmo do homem a fazer.
‘Anda lendo mentes agora?’ Perguntou incomodado.
Shaolin desviou os olhos dele e não respondeu, Syaoran franziu a testa e estreitou os olhos no caçula. A pergunta tinha sido feita de forma irônica mas pela reação do filho tinha alguma coisa errada.
‘Está na hora de me falar o que está acontecendo com você.’ Disse de forma séria sem desviar os olhos do garoto.
‘Eu não sei direito.’ Shaolin respondeu com sinceridade.
‘Consegue ler a mente das pessoas agora?’ Repetiu a pergunta de forma séria e pausada.
‘Sim.’ Foi sincero com o pai que arregalou os olhos de leve surpreso com a resposta. ‘Principalmente quando encosto nas pessoas.’ Soltou um suspiro. ‘Não li a sua, tousan. Só percebi que estava há tempo demais olhando para mim e deduzi que perguntaria como eu estou.’
‘Você leu a do seu irmão?’
‘Foi… Foi sem querer.’ Ele falou rapidamente. ‘Eu não sabia controlar isso ainda. Agora consigo. Só que não é só ler a mente… É um pouco mais dolorido que isso.’ Explicou e olhou para a água a sua frente, sem querer, levou a mão ao rosto onde tantas vezes sentiu as bofetadas de Midoriko. Foram tantas que, quando voltou, mal sentia a face.
‘Revive lembranças?’
‘Exatamente.’ Respondeu encolhendo os ombros e fitando um canto qualquer do onsen.
‘E o que você… reviveu?
‘Não está certo eu contar. Melhor perguntar para ele.’
‘Justo.’ Respondeu. ‘Isso é lealdade. É importante entre irmãos.’
‘Acho que eu já vou indo…’ Ele falou, já pronto para sair.
Syaoran sorriu de forma triste, já esperava esta reação do filho mas agora não dava mais para tentar entender o que estava acontecendo com o garoto, estava preocupado demais com ele para não ter as respostas que precisava.
‘Não. Você fica. Ainda não terminamos.’ Syaoran falou de maneira assertiva, fazendo o garoto voltar-se com o rosto contrariado.
‘Não quero falar sobre isso.’ Shaolin resmungou.
‘Sou seu pai. Precisa falar o que está acontecendo com você.’ Repetiu de forma firme e não gostou do silêncio do filho. ‘Fala logo, Shaolin.’
‘Eu não sei…’ Ele falou entre os dentes, incomodado. Olhou para o pai e depois desviou novamente os olhos. ‘Cada vez que volto das tais chaves, tem uma novidade. Agora estou vendo espíritos. Tem um monte aqui nesta pousada.’ Falou olhando em volta. ‘Pelo menos uns três só aqui.’
‘Espíritos?’ Ele perguntou erguendo uma sobrancelha.
‘É… O protetor da última chave, falou que eu tinha que controlar melhor isso, mas eu sei que o senhor não gosta deste dom.’
‘Não é que eu não goste…’ Syaoran tentou esclarecer. ‘Eu tinha receio porque não o tenho. Sempre temos receio do que desconhecemos. Mas se você agora o tem, realmente o certo é entender.’ Soltou um suspiro. ‘Pode pedir para os Asakuras lhe ajudarem a entender melhor isso.’
‘É, pode ser… Mas acho que nem vale a pena perder tempo com isso.’
‘Do que está falando?’
O garoto virou-se para o pai e o encarou. ‘Eu sei o que está acontecendo comigo, tousan. Não tem como eu voltar da última chave.’
Syaoran franziu a testa. ‘De que merda você está falando, Shaolin?’
‘Na magia tudo é gradual, não? Foi uma das primeiras lições que Erio-ji-san me deu. Não é o que está acontecendo comigo… E, sinceramente…’ Ele soltou um suspiro. ‘Não é legal saber o que está acontecendo com tantas pessoas. Não quero saber da vida de ninguém. Esses dons me incomodam.’
Syaoran sorriu de leve. ‘O Poder sempre é dado para quem não os quer.’
‘Acho que sim. Ironia, não?’
‘Sim… A vida é bem irônica.’
‘Então… Acho que é melhor… Não me preocupar com isso.’ Ele falou. ‘Nii-san está tão preocupado quanto a nee-san ter perdido os sentimentos dela por ele que não quer encontrá-la.’ Disse balançando a cabeça de leve. ‘É melhor enfrentar de uma vez o problema, né? Ficar postergando é apenas arrastar-se em sofrimento muitas vezes desnecessário.’
‘Da onde anda tirando estas ideias, Shaolin?’
O garoto encolheu os ombros. ‘Oras, foi o senhor que sempre ensinou que temos que enfrentar os problemas de frente em vez de fingir que eles não existem.’
Syaoran sorriu de leve. Realmente tinha falado para o filho isso uma vez quando estava com receio de entrar na escola. Não sabia que ele ainda lembrava deste conselho.
‘Tousan… Eu não queria partir. Eu prometi para Kasumi que voltava e quero cumprir desta vez. Eu quero voltar para casa. Para ela.’ O menino falou de maneira firme.
Syaoran olhou para o filho com o rosto preocupado agora. ‘Você a encontrou antes de vir para cá, não foi?’
Shaolin assentiu com a cabeça, confirmando.
Syaoran pigarreou. ‘E percebeu… hum… alguma coisa es-’
‘Eu percebi.’ O menino respondeu, cortando o pai. Fitou-o com o rosto sério. ‘Agora não oscila como antes. É constante.’
Syaoran franziu a testa. ‘Ela explicou ou sabe o que está acontecendo?’
Shaolin soltou um suspiro e desviou os olhos do pai. ‘Retorno quebrou o bloqueio que o chefe do Gabriel tinha feito na magia dela.’
Syaoran franziu a testa, a esposa já tinha comentado com ele sobre isso. ‘O tal Miguel?’
‘Isso.’ O menino respondeu. ‘Ele é quem está cuidando de Kasumi enquanto estou afastada dela.’ Shaolin fitou a água a sua frente. ‘Kaasan deve ter lhe contado sobre o velho que ameaçou ela.’ Balançou a cabeça de leve. ‘Ele deveria saber sobre a magia dela… provavelmente tentariam algo contra ela…’ Trincou os dentes de leve. ‘E eu não podia fazer nada porque estava longe dela, não sabia o que estava acontecendo com ela porque ela não me contava… inferno...’
‘Hei!’ Syaoran chamou o filho que voltou-se para ele. ‘Não adianta nada sentir raiva de si mesmo por estar longe dela. Isso não resolve o problema. Não cometa o mesmo erro que eu. Tanto Kasumi quanto sua mãe não são indefesas. Entendeu?’
Shaolin fitou o pai em silêncio por alguns segundos. ‘O senhor não entende…’
‘Você é que precisa entender que não adianta pensar assim.’ Syaoran o cortou com o rosto sério. ‘Demorei tempo demais, escondendo tempo demais coisas da sua mãe achando que ela não poderia saber, que ela não seria capaz de combater ou de superar.’ Estreitou os olhos no filho que não desviou os olhos dele. ‘Não cometa o mesmo erro que eu, Shaolin.’ Repetiu.
Permaneceram em silêncio se encarando. ‘Sua mãe me falou que Retorno fez isso para verificar a sua ligação com ela.’
Shaolin assentiu com a cabeça. ‘Acho que sim… Miguel não conseguiu reestruturar o bloqueio e isso…’ Ele engoliu em seco e desviou os olhos do pai. ‘Está fazendo ela ter as lembranças da merda que foram nossas vidas antes… antes de estar aqui.’
‘Você também tem essas lembranças?’
‘Algumas…’ Ele respondeu de forma vaga.
‘E do que se lembra exatamente?’ Fez a pergunta devagar, e não pode negar que temia pela resposta.
Shaolin ficou em silêncio alguns segundos. Até soltar um suspiro. ‘Eu e ela… eu…’ Fechou os olhos lembrando-se de quando tentou tocá-la e sua mão passou por ela como um fantasma. Havia aceitado a teoria de Marie que havia sido uma ilusão na ocasião, mas depois que conversou com Kasumi, se deu conta que não era. ‘Eu… eu era um maldito fantasma na vida dela.’
‘Fantasma?’ Syaoran não entendeu.
‘Podia vê-la, mas ela não me via, não me escutava… não podia tocá-la… Senti-la…’ Ele levou uma mão no rosto e balançou a cabeça de leve. ‘Era um inferno… Estar ao lado dela daquela forma… e quando permitiam que nos encontrassemos… Quer dizer, quando ela podia me ver... Era dolorido demais…’ Tentou falar para o pai o que sentia, mas não encontrava as palavras para descrever tanta dor.
Syaoran observou o filho em silêncio. A aura dele estava agitada e o conhecia bem o suficiente para saber que ele estava sofrendo. Sorriu de forma triste, ao constatar que não fora apenas ele que havia sofrido tanto por ter sido separado da mulher que amava, pensou que a situação que o filho deveria ter estado deveria ter sido tão ou pior que a que ele passou.
Respirou fundo e soltou o ar devagar. ‘Não importa quem você ou Kasumi foram antes… o importante é que hoje são Shaolin Li e Kasumi Kurogane. Você é meu filho e de Sakura e Kasumi é filha de Tomoyo e Kurogane. Ela é uma menina adorável… independente da magia que tenha agora…’
Shaolin virou-se para o pai e sorriu de leve, confirmando com a cabeça.
‘Não viva no passado, Shaolin… Ele não importa mais…’
O menino confirmou com a cabeça, mas fechou o sorriso leve que tinha nos lábios e desviou novamente os olhos do pai.
‘Mas eu também não posso ignorar o fato de que não sei como vou voltar da última chave.’ Ele falou olhando para Syaoran. ‘Na verdade, não vejo uma solução até agora para isso.’
‘Não é bem assim.’ Ele falou engolindo em seco. ‘Gabriel falou que no final vai dar tudo certo.’
‘E vai.’ Shaolin replicou. ‘Tudo ficará bem. De uma maneira ou de outra.’
‘Só tem uma maneira de tudo terminar bem, Shaolin.’ Syaoran retrucou, com semblante sério. ‘Qualquer outra possibilidade é inaceitável. Você é nosso filho, sua mãe e eu não vamos simplesmente aceitar que você não volte.’
O menino desviou os olhos do pai e sentiu-se incomodado. ‘É perigoso, tousan... Com a posição de kaasan no nosso universo, é perigoso ela não aceitar o que pode acontecer.’
‘Então... Faça a sua parte. E volte da maldita última chave.’ Syaoran falou sério para o filho.
‘Eu… Eu vou tentar.’
‘Não é tentar’. Syaoran replicou. ‘É conseguir, ou então eu e ela vamos atrás de você, não importa em que plano você vai estar, entendeu?’
Shaolin soltou um suspiro incomodado ainda.
Syaoran tentou sorrir de leve. ‘E acredite… Não é muito legal ter seus pais indo atrás de você para trazê-lo para casa e fazer passar vergonha.’
O menino olhou para o pai e sorriu de leve. ‘É… Não vai ser legal mesmo.’
‘Então… Está avisado.’
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Kazuo caminhou pela parte de trás da pousada. Arthas dormia e roncava como um porco no quarto que estava. A senhora Asakura foi bem legal em ter aceitado que o grandão ficasse. Apesar de ter rodado os olhos, reclamando que agora era só mesmo o que lhe faltava ter hóspedes esquisitos na pousada dela. Ela parecia preocupada também com alguma outra coisa que nem questionou muito a permanência de Arthas. Só deixou bem claro que a diária dele valeria por dois porque ele comia por três.
Tentou relaxar um pouco, mas não podia negar que a presença de Arthas apenas tinha confirmado suas suspeitas de que Midoriko estava furiosa com ele e principalmente, atrás dele. Passou a mão pelo rosto e depois pelos cabelos bagunçando-os mais ainda. Não queria reencontrá-la. Não queria ela perto do pai, de Sakura e de Shaolin.
Soltou um suspiro. Talvez fosse melhor realmente voltar com ela para o mundo das trevas. Só estava esperando o irmão destruir logo a maldita sétima chave e agora que tudo estava controlado no outro universo então a esposa do pai ficaria bem. Sorriu de leve. Estava feliz por saber que agora ela não sentia mais nenhuma dor, embora a aura dela ainda tivesse algumas manchas negras. Mas o pai disse que ela daria um jeito, então estava tudo bem.
Sentiu a presença de Marie se aproximando por trás e soltou um suspiro. Era verdade que tinha realmente fugido de encontrá-la, ainda mais quando Shaolin confirmou que a presença dela já não estava mais com aquela que pertencia a Sakura. Ponderou que, se fosse realmente voltar para o mundo das trevas, ela ter perdido os sentimentos por ele seria o melhor para ela. Só que seria doloroso demais para ele encontrá-la.
Marie parou ao lado dele. ‘Otousan está cuidado do pessoal que vocês trouxeram do outro universo.’ Ela falou. ‘Está falando com os membros do Círculo para ver como tudo poderá ser resolvido para eles.’
Kazuo assentiu com a cabeça, sem olhar para ela. ‘Eles foram manipulados pelo velho mijão, como o Shaolin gosta de chamá-lo.’
‘Exatamente.’ Ela falou. ‘O pirralho anda muito desbocado.’ Ela comentou.
‘Agora, com a Sakura por perto, ela vai controlar a língua dele.’
‘Acho que sim.’ Marie confirmou. ‘Eu vou ficar aqui até ele voltar da última chave.’
‘Eu também.’ Respondeu, balançando o corpo de leve. ‘Seu… Seu pai concordou?’
‘Sim.’ Ela respondeu. ‘Ele disse que depois me colocará de castigo por anos por ter fugido de casa.’
‘Hum…’ Kazuo murmurou.
‘Além disso…’ Ela falou olhando para ele. ‘Otousan falou que você tem que ir lá em casa para ser apresentado à família como meu namorado de forma oficial…’ Ela brincava com as mãos, mostrando-se constrangida em pedir isso para ele. ‘Ele é meio conservador nestas coisas.’ Justificou sem graça.
Kazuo franziu a testa e finalmente virou-se para ela. ‘Apresentado como seu namorado?’
‘É, oras…’ Ela falou, arregalando de leve os olhos. ‘Mas eu prometo que não vai ser nada demais…’ Estava encabulada em pedir isso para Kazuo, mas tinha sido um pedido do pai e ele de alguma forma ter aceitado o namoro deles já tinha sido uma vitória. ‘Vou pedir para okaasan me ajudar a controlar otousan. Talvez só um jantar ou coisa assim. Vai ser um pouco constrangedor, mas otousan já ter aceitado é um passo importante…’ Continuou falando sentindo que suas faces estavam vermelhas de vergonha. ‘Okaasan você conhece… Ela é tranquila. A Nakuru-chan e o Suppy-chan são… Eles são da maneira que você já os conhece...’ Ela falava sem parar, enquanto mexia as mãos, tentando convencer o rapaz de que a situação seria chata, mas seria importante para ela e principalmente para o pai.
Kazuo segurou-a pelos ombros, fazendo-a arregalar os olhos de leve e abaixou o rosto, tocando os seus lábios nos da jovem. Marie logo fechou os olhos e abraçou a cintura do rapaz, entreabrindo os lábios e retribuindo o beijo.
Ele se afastou dela e contemplou o rosto bonito da jovem a sua frente. Sorriu observando ela abrir os olhos devagar e fitá-lo. Marie sorriu de volta.
‘Você devolveu?’ Ele perguntou finalmente.
Ela confirmou com a cabeça, sem fechar o sorriso. ‘O Pirralho vai ficar insuportável quando souber que estava certo sobre meus sentimentos.’
‘Vai mesmo, mas não tem problema.’ Kazuo replicou, passando a mão no rosto dela que fechou os olhos sentindo o carinho.
‘Eu amo você, Kazuo.’ Ela falou, voltando a abrir os olhos e fitá-lo.
Kazuo franziu a testa, olhando para Marie em silêncio. Ele gostava de Marie, mas será que a amava? Lembrou-se de quando o pai conversou com ele sobre como tinha conhecido a esposa e como eles haviam capturado as cartas Clow, como eles eram rivais e depois viraram amigos até ele descobrir que gostava dela.
Marie se aproximou dele e encostou o seu rosto no peito do rapaz abraçando-o mais forte pela cintura. Kazuo a envolveu em seus braços e encostou seu queixo na cabeça dela, respirou fundo sentindo o perfume suave dos cabelos ruivos. Passou a mão pelos fios longos e sedosos dela. Adorava fazer isso.
Lembrou-se do pai comentando sobre a sensação de vazio e como sentia saudades de Sakura. Como ele sofreu antes de se declarar a ela, pensando que ela gostava de outro rapaz. E, principalmente, do enorme medo que ele sentiu quando ela teria que abrir mão dos sentimentos dela para capturar a última carta Clow. De como o pai decidira entregar os próprios sentimentos para que ela não tivesse algo tão precioso tirado dela. Ele disse que a amava. Que sabia que a amava tanto que, se fosse perder aquele sentimento, voltaria a amá-la, com certeza. E ele mesmo dissera a Marie que preferia que ela perdesse aquele sentimento a continuar sofrendo. Era um tipo diferente de sacrifício, mas era válido, não era?
Mas, no fundo, estava com muito medo que ela realmente esquecesse o que sentia por ele e que não pudesse novamente tê-la em seus braços daquela forma. Chegava a lhe doer de forma física no peito. Abriu os olhos, lembrando-se que o pai havia comentado a mesma coisa. Que sentia tanta falta da esposa que chegava a lhe doer fisicamente a separação dela ou o medo de se afastar de Sakura. Abriu um tímido sorriso, conseguindo entender exatamente o que sentia por Marie.
‘Eu… Eu também amo você.’ Respondeu baixinho.
Marie abriu os olhos, não esperava uma resposta dele quando se declarou. Talvez Kazuo não soubesse do que estivesse falando.
‘Tive medo de você perder seus sentimentos por mim.’ Ela o ouviu falar. ‘Tanto medo, que cheguei a pensar que estava sendo machucado de verdade.’
Ela abriu um sorriso enorme e afastou o rosto do peito dele, levantando o rosto. Ficou na ponta dos pés e encostou seus lábios nos dele. Kazuo tinha acabado de descrever exatamente o que ela estava sentindo antes de entregar a carta para a tia. Kazuo sabia exatamente do que estava falando.
Parece que o pai… Não, que Clow, realmente, não acertava uma. Dizer que demônios não tinham sentimentos. Ela devia saber desde o princípio que aquilo era besteira.
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Sakura observava Shaolin que estava sentado no pátio da pousada, conversando com Anna Asakura.
Syaoran havia conversado com ela sobre o que Shaolin falou para ele, os dois sabiam que aquilo era apenas parte. Sabiam que o filho tinha dificuldade enorme de se abrir. Estava preocupada com Kasumi e sinceramente os dois não conseguiam compreender como Shaolin e Kasumi eram tão ligados pelo passado sendo que possuíam magias opostas. Quem realmente havia sido Kasumi? Como ela e o filho haviam se conhecido antes e como ligaram-se tanto um no outro daquela forma de reencarnarem próximos?
Havia flagrado o filho pela manhã olhando para o celular na mão. Reparou que ele soltou um suspiro e logo depois um palavrão colocando o aparelho em cima de um móvel qualquer. Quando Shaolin percebeu a presença dela, desculpou-se rapidamente pelo linguajar, já imaginando que ela o repreenderia como sempre. E talvez fosse realmente o que ela faria se não sentisse o peito doer tanto ao reparar os olhos tristes dele.
Ela perguntou o que tinha acontecido, mas o menino falou que não era nada. Não tinha como ela acreditar naquilo sendo que os olhos verdes do filho conseguiam transmitir tudo para ela, e Sakura sabia que o filho estava triste, muito triste. Fez o que seu coração materno mandou, se aproximou dele e o abraçou com carinho, beijando a cabeça do filho. Shaolin não se esquivou, pelo contrário, a abraçou forte pela cintura e ficaram assim por minutos.
Franziu a testa de leve vendo que Anna havia perguntado alguma coisa e o menino apontou para dois lugares. Desviou os olhos para onde o filho apontava e reparou nos dois espíritos que estavam um pouco mais distantes dos dois. Shaolin agora estava conseguindo ver espíritos?
Reparou que ele olhou para ela e acenou de leve. Ele tentou sorrir, mas Sakura percebeu que o sorriso era triste, forçado. Conhecia o filho. Syaoran parou ao lado dela e observou o garoto com a xamã.
‘Foi você quem sugeriu ele conversar com Asakura-san?’ Sakura perguntou sem desviar os olhos do menino.
‘Sim. Ontem quando ele conversou comigo e contou o que estava acontecendo com ele. Ou pelo menos… Contou parte do que está acontecendo.’
‘A aura dele está muito forte. Forte demais.’ Ela comentou.
Syaoran confirmou com a cabeça.
‘Estou com medo, Syaoran.’ Sakura falou. ‘Não quero perdê-lo. Quando estava grávida e passamos por tantos sustos… Eu nunca tive tanto medo, nem quando estava morrendo no mundo das trevas.’
Syaoran passou o braço pelos ombros da esposa e a puxou para perto dele. Beijou a cabeça da esposa de forma demorada.
‘Não vamos perdê-lo.’ Ele falou, tentando passar confiança para a esposa.
‘Parece que isso nunca termina. Parece que estamos sempre com uma espada no pescoço.’ Ela comentou.
‘Faltam apenas duas chaves… Ele vai conseguir.’
‘O que Gabriel-san confirmou… Sobre ele não pertencer a este plano…’
‘Kazuo também não pertence, teoricamente, a este plano e está conosco. Ficará conosco. O mesmo se aplica para Shaolin.’
Ela concordou com a cabeça.
‘Será que é realmente necessário ele destruir as duas chaves que faltam? Vocês já interromperam os ataques ao outro Pilar. Tudo deverá voltar ao normal.’ Sakura ainda argumentou.
Syaoran soltou um suspiro. ‘Eu realmente não sei. Mas… É como o próprio Shaolin falou quando conversava comigo, é melhor enfrentar o problema de uma vez. Postergar não vai resolvê-lo.’
‘Humph.’ Sakura murmurou ainda incomodada. ‘Isso é fácil para quem não tem nada a perder como Gabriel-san. É fácil para ele aparecer e encher o nosso saco, colocar nossas vidas em risco e depois voltar lá para o plano a que ele pertence e pronto.’ Ela trincou os dentes. ‘E ainda querer levar o nosso filho.’
Syaoran olhou de esguelha para Sakura. A aura dela ainda estava com manchas e, agora que ela estava nitidamente agitada e com medo, as manchas ficavam mais perceptíveis. ‘Precisa ficar calma. Ainda não conseguiu se recuperar totalmente. Sua aura ainda está com manchas.’ Ele a alertou.
‘Não dá para ficar calma com um anjo idiota ameaçando tirar o nosso filho da gente.’ Ela retrucou e soltou um suspiro.
‘Hei! Eu já falei que isso não vai acontecer.’ Syaoran falou de forma firme para a esposa que o fitou de forma profunda.
‘Também estou preocupada com Kazuo-kun.’ Ela falou, fazendo o marido erguer de leve as sobrancelhas. ‘Ele ficou balançado com a confirmação de que aquela…’ Ela reteve-se, fechando os olhos brevemente e mordeu os lábios para não soltar um palavrão. ‘Aquela víbora está atrás dele.’
‘Sinceramente… Midoriko é covarde. Ela não vai ter coragem de aparecer atrás dele assim que sentir que nossas presenças estão perto do rapaz.’
‘Ela vai esperar até ele ficar sozinho.’ Sakura comentou. ‘Ela sabe que tem influência sobre ele.’
‘Estaremos atentos. As Cartas estarão atentas. Ela não vai tirá-lo de nós.’
‘Não vai mesmo.’ Sakura confirmou. Soltou um suspiro e fechou os olhos apoiando a cabeça no peito do esposo. ‘Estou cansada.’
‘Seria melhor descansar.’ Ele sugeriu.
‘Não estou cansada fisicamente. Estou cansada de tanta gente, demônio, anjo, feiticeiros e sei lá o que mais enchendo o nosso saco.’
Syaoran sorriu de leve. ‘Também estou. Mas depois que terminar esta história de chaves, tudo voltará ao normal. Tenho certeza disso.’
‘Espero que sim.’ Ela falou de forma sincera.
Shaolin cumprimentou a senhora Asakura, agradecendo a ela pelos esclarecimentos. Anna sorriu de leve para ele e soltou um longo suspiro, observando o menino se afastando para falar com os pais que estavam observando-os a algum tempo.
Shaolin parou em frente dos pais e tentou sorrir para eles. ‘Acho que já dá para tentar ir para as próximas duas chaves. Estou bem.’
Sakura franziu a testa de leve. ‘Não acha melhor descansar um pouco mais. Você tem alguns ferimentos que ainda estão feios. Precisa esperar seu corpo se recuperar.’
Ele balançou a cabeça de leve. ‘Estou bem, kaasan. Quanto antes terminarmos com isso, mais rápido poderemos ir para casa.’
Sakura e Syaoran se entreolharam apreensivos. Shaolin balançou o corpo de leve.
‘Eriol-ji-san deixou a chave com você, né?’ Shaolin insistiu.
Sakura soltou um suspiro. ‘Sim.’ Respondeu, contrariada. ‘Quanto tempo você demora para destruí-la?’
‘Hum… Depende. Mas não se preocupe, kaasan. Como eu falei… É só… Uma conversa com o dono da chave. Tranquilo.’
‘Humph… Se isso não o obrigasse a se desconectar do seu corpo não teria problema nenhum.’ Ela rebateu ainda injuriada.
Syaoran olhou para a esposa. ‘Ele tem razão… Melhor terminarmos com isso de uma vez.’ Falou com a voz suave.
Sakura soltou um suspiro e se afastou. ‘Vou pegar então as duas chaves.’ Falou, caminhando até o quarto onde as tinha deixado.
Eriol tinha recebido um grupo do Círculo na noite anterior para levar os feiticeiros que faziam parte do grupo de Smith. Balthazar ainda estava desaparecido, não se tinha idéia de onde ele poderia estar, mas, pela estabilidade dos universos, com certeza percebeu que seus planos tinham sido frustrados.
Devia estar escondido em algum canto qualquer do mundo morrendo de medo. Era questão de tempo até encontrá-lo. Rosas tinha sido encontrado morto na praça do Vaticano e agora havia dúvida quanto a participação dos exorcistas nas próximas reuniões do Círculo. Sakura não repassou a informação para o filho. Sabia que Shaolin ainda estava abalado pelo seu descontrole com o exorcista e, ao confirmar que o homem estava morto, poderia sentir-se culpado. Não queria que o menino carregasse esse peso.
Antes de ir junto com os outros membros do Círculo, Eriol deixou a chave com Sakura e pediu para que ela ficasse de olho na filha por ele. Eriol, no final, tinha baixado a guarda com relação a Kazuo depois de perceber o quanto Marie gostava do rapaz. Talvez ainda precisasse de mais um tempo para se acostumar com a ideia, mas Sakura sabia que Kazuo era um ser tão doce que logo o homem se renderia ao carisma dele, independente da natureza que o rapaz tinha.
Entrou no quarto e pegou as duas chaves, apertando-as de leve na mão direita. Olhou para o livro, vendo Kero dormindo sobre ele, roliço depois de um jantar reforçado. As Cartas ainda estavam quietinhas. Elas continuavam se poupando ainda, por algum motivo. Não haviam se manifestado e isso a estava intrigando. Talvez por sua aura ainda ter manchas. Sorriu de leve, pensando que assim que o filho finalizasse aquela tarefa, voltariam todos para casa.
Caminhou com o passo arrastado até Shaolin, apertando as duas chaves com força, tinha vontade de invocar magia e destruí-las sozinha, mas sabia que não era assim que o mundo da magia funcionava. Tudo era sempre mais dolorido.
Encontrou Syaoran com as mãos no ombro do filho, inclinado um pouco a frente para ficar com o rosto na altura do rosto do garoto. Falava com ele em voz baixa. Sabia que eles estavam escondendo alguma coisa dela. Quando se aproximou, viu o marido dar um beijo na cabeça de Shaolin, erguer o corpo e se afastar ainda passando a mão na cabeça dele. Estava com o rosto sério. Sério demais.
Sakura parou a frente deles, observando Shaolin. Mordeu de leve o lábio inferior. ‘Seu irmão falou que fica em transe, não é?’
Ele confirmou com a cabeça, franziu a testa. ‘A senhora também não vai me cobrar ser rápido, né?’
‘Quanto mais tempo desconectado ao corpo, mais perigoso.’ Ela retrucou.
‘Não tire as chaves da minha mão, kaasan. É mais complicado depois para eu voltar e não vai adiantar nada.’
Ela concordou com a cabeça, mas ainda apertava as chaves na mão nem um pouco disposta a dá-las para o filho. Shaolin franziu a testa. A aura dela estava agitada, assim como a do pai.
‘Hei… Não precisa desse drama todo.’ Ele falou sorrindo de leve. ‘Eu vou voltar… Ainda tem a sétima chave.’
Sakura estreitou os olhos nele. ‘Não demore. Por favor.’
‘Vou fazer o meu melhor.’ Shaolin respondeu.
Sakura olhou para o esposo que fez um gesto para que ela desse logo as malditas chaves para o garoto. Balançou a cabeça de leve e estendeu os artefatos mágicos para o filho a contra gosto.
Shaolin estendeu a mão para pegar as chave, olhou para o rosto apreensivo da mãe e detestou ver o quanto ela estava preocupada com ele. Desviou os olhos para o pai que também estava sério.
Percebeu quando Kazuo e Marie apareceram pela porta da pousada. Os dois provavelmente perceberam a agitação das auras dos pais e foram verificar o que estava acontecendo. Viu o irmão balançando a cabeça de leve com o mesmo rosto contrariado que Sakura ao perceber o que estava acontecendo.
Kazuo sempre deixou claro que detestava quando ele entrava em transe, principalmente depois da última chave, era normal o irmão agir daquela forma. Tinha realmente dado um susto grande nele e na prima.
Shaolin respirou fundo. Era melhor enfrentar o problema de frente, pegou as chaves da mão da mãe e, como das outras vezes, foi obrigado a fechar os olhos pela forte luminosidade que era emitida pelos objetos.
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Shaolin abriu os olhos devagar assim que sentiu a luminosidade diminuir. Arregalou os olhos, surpreso ao ver o pai e a mãe a sua frente. Olhou para os lados, vendo-se, novamente, no meio do nada onde costumava encontrar com os “donos” das chaves. Voltou a encarar o casal com a testa franzida.
‘Como vieram parar aqui?’ Perguntou, sem conseguir esconder a surpresa e apreensão.
Sakura sorriu para o menino e caminhou até ele, pegando o rosto entre as mãos. ‘Como você é bonitinho.’ Falou, apertando as bochechas dele e fazendo o garoto dar alguns passos para trás.
‘Que merda está acontecendo aqui?’ Ele falou. ‘Vocês não são os meus pais.’
Syaoran cruzou os braços com o rosto duro. ‘E por que acha isso? Você melhor que ninguém sabe reconhecer nossas presenças, não?’
‘Sim… Mas vocês não deveriam estar aqui.’ Ele falou, dando uma volta em torno de si sem encontrar mais ninguém. Voltou-se para o casal. Sakura sorria para ele de forma doce enquanto Syaoran ainda tinha o rosto duro. ‘Vocês são os Tengri e Eje… Estão nas formas dos meus pais, sei lá porque. Mas isso… É golpe baixo.’ Falou, incomodado.
Syaoran abriu um sorriso irônico. ‘Você é esperto. Então me responda, como engoliu aquela história melosa que lhe contaram sobre a vida de seus pais?’
‘História melosa?’ Shaolin perguntou, erguendo uma sobrancelha.
‘Exatamente.’ Syaoran respondeu e começou a caminhar em volta do garoto. ‘Aquela de amor desde os dez anos de idade. Separação forçada por causa de um treinamento do Clã, seguido de um retorno com juras de amor. Luta contra o Caos, minha morte, ida para o inferno…’ Ele reteve-se e encarou o garoto. ‘Ah! Sabia que sua mãe tentou se matar, depois que eu morri?’
Shaolin virou-se para a mãe que acenou com a cabeça, confirmando.
Ela olhou para o marido e soltou um suspiro, apertando as mãos contra o peito. ‘Estava tão desesperada, com tanta dor e tanta tristeza que simplesmente queria que aquilo terminasse de uma vez. Que aquele sofrimento terminasse.’
‘Kaasan não seria covarde desta maneira.’ Shaolin retrucou. ‘Ela… Ela não tentaria se matar por conta disso.’ Ele arregalou os olhos de leve. ‘Ela foi atrás de Tao-san. Estava tentando trazer tousan de volta de alguma forma.’ Falou olhando para Syaoran.
‘E você acreditou nisso?’ Ele retrucou, balançando a cabeça de leve. ‘Sua mãe é frágil como uma flor, não?’ Syaoran falou, olhando para a esposa que sorria de forma doce enquanto balançava de leve o corpo.
Ela usava um vestido claro com o tecido leve que, conforme ela mexia o corpo, balançava de forma belíssima como se fosse fluido. Parecia uma princesa. Linda.
Shaolin olhou para o pai decidido. ‘Ela é linda, mas tem mais força do que aparenta. Kaasan não optaria por uma saída covarde dessas.’
Sakura balançou a cabeça de leve e foi até o menino, beijando o rosto dele de forma demorada. ‘Às vezes chegamos ao nosso limite, é normal.’
‘Sim… Mas o limite de kaasan se manifesta em continuar lutando. Não em se entregar dessa forma.’
Ela soltou um suspiro e olhou para Syaoran. ‘Mas foi o que eu fiz… Depois disto, Syaoran resolveu ir para o Mundo das Trevas para voltar para mim, não foi, meu amor?’
O homem confirmou com a cabeça. ‘Eu sabia que eu daria conta. Eu sou forte e fui treinado para aguentar qualquer coisa. Foi moleza.’
Shaolin ergueu uma sobrancelha. ‘Olha, tousan é forte… Mas você está arrogante demais para ser ele. Melhor não forçar muito a barra, Tengri.’ O garoto falou, vendo o homem soltar uma gargalhada.
‘Oras, garoto… Eu sou o guardião das trevas. Passei por um treinamento de cinco anos no qual fui espancado praticamente todos os dias por ter ajudado a tonta da sua mãe a capturar e converter as cartas. Enfrentei uma guerra medieval quando atravessei uma brecha porque, novamente, a tonta da sua mãe resolveu atravessá-la do nada. E é claro que eu tive que ir atrás dela por ser responsável de protegê-la, já que ela é o Pilar da Vida do nosso universo. Minha obrigação era estar perto dela e eu sabia que um bando de demoniozinhos não seriam páreo para mim.’
Shaolin balançou a cabeça de leve. ‘Tousan nunca chamaria kaasan de tonta, principalmente, na minha frente. Até porque ele sabe que ela não é tonta coisa nenhuma.’
‘Mas é claro que ela é.’ O homem retrucou. ‘Ela contou que ficou noiva enquanto eu ainda estava lutando para voltar?’
‘Noiva?’ Shaolin olhou para a mãe que sorriu de leve sem graça.
‘Todos falavam que eu tinha que tocar a vida para frente e o Yanamoto-kun era um rapaz tão interessante. Achei que seria um bom marido.’
Shaolin balançou a cabeça de leve. ‘Isso só pode ser sacanagem… Que brincadeira de mau gosto é esta que vocês estão fazendo? Está na cara que vocês não podem ser meus pais. Eles se amam… Amam-se de verdade.’ O garoto retrucou.
Sakura e Syaoran se entreolharam e depois fitaram o menino.
Sakura caminhou até ele e abriu um sorriso. ‘Mas seu pai conseguiu passar por uma brecha de volta para o nosso universo.’
‘Porém achei melhor ficar afastado. Sua mãe parecia ter me esquecido e eu também não queria ficar me humilhando. Se ela já estava noiva que se casasse com outro.’
‘Ah…’ Sakura falou, pulando no pescoço do homem e beijando o rosto dele. ‘Você é muito orgulhoso. Ainda bem que eu percebi a presença de um demônio e fui atrás dele para tentar matá-lo.’ Ela virou-se para Shaolin que olhava boquiaberto para os dois. ‘Eu pensei que ele fosse um demônio que estivesse na forma do seu pai. Foi só por isso que eu tentei matá-lo.’
‘Vo-você… Você tentou matá-lo?’ Shaolin perguntou apontando para a figura paterna. Estava cada vez mais assustado.
Ela balançou o corpo e desviou os olhos, envergonhada. ‘A presença dele estava tão diferente. Eu não conseguia acreditar e aceitar que ele tinha se tornado um demônio. Bem… Mas bastou ele me beijar… Para eu reconhecê-lo.’
‘Você o reconheceu porque ele a beijou? Só por causa disso?’ Perguntou, abismado para a mãe.
‘Bem… E como ele me agarrou, também.’ Ela sorriu de forma lasciva, olhando para Syaoran que sorriu de volta de forma maliciosa.
‘Eu não acredito nisto.’ Shaolin falou, olhando para baixo. Sabia que estava vermelho. ‘Não quero saber disso…’
Sakura olhou para ele e passou a mão na cabeça do menino. ‘Não seja tão tímido, você sabe muito bem como é prazeroso beijar, não?’
O garoto sentiu o rosto esquentar mais ainda e encolheu os ombros. ‘Eu… Eu não quero falar sobre isso.’
‘Oh! Olha só como o nosso menino é tímido, Syaoran.’ Ela falou, abraçando o garoto que estava mais sem graça ainda. ‘Depois que você beijar outras meninas vai saber como diferenciar cada beijo.’
Shaolin arregalou os olhos para a mãe e endireitou o corpo. Sakura soltou uma risadinha.
‘Você realmente não acredita que eu só tenha beijado e me entregado para o seu pai em toda a minha vida, né?’
‘Eu não quero saber disso!’
Syaoran passou a mão na cabeça do garoto. ‘Precisa ter outras experiência e não ficar preso a uma só pessoa.’
‘Eu já disse que não quero saber disso.’ Ele repetiu, entre os dentes.
Sakura soltou um suspiro e franziu a testa, pegando o rosto do menino entre as mãos e o forçando a olhar para ela. ‘Querido… Daqui a pouco você será um rapazinho. Precisa namorar outras meninas… Não tem nada demais nisto.’
‘Não tem, desde que você já não esteja comprometido com uma pessoa. Isso é respeito. E os meus pais se respeitam muito. Eles confiam um no outro.’
Syaoran balançou a cabeça de leve. ‘Shaolin… Eu voltei do mundo das trevas como um demônio. Você sabe dessa parte da história.’
‘E daí? Não era por ser um demônio que desrespeitaria e mentiria para mulher que ama.’
Syaoran soltou um suspiro. ‘Eu estava me adaptando à minha nova natureza… Não seja ingênuo! Você deve saber que demônios são propensos a atitudes lascivas. Eu queria testar minha força, saber o quão bom eu era e até onde ia minha magia na época. Além disso, a carne é fraca… Eu amava sua mãe, mas isso não quer dizer que eu não poderia, por exemplo, beijar outra garota. Beijo não é exatamente traição.’
‘Como é que é?’ Shaolin olhava para a imagem do pai, sentindo-se irritado. Aquele ali não era o homem que ele conhecia e que o educara. ‘Você está de sacanagem comigo, né?’ Ele perguntou. ‘Olha… Essa conversa está me incomodando demais… Como eu faço para destruir logo chave para ir embora? Isso aqui está muito surreal para mim.’
‘Bobinho…’ Sakura falou, balançando a cabeça de leve. ‘Você acha mesmo que só seu pai andou escondendo as coisas?’
Shaolin levantou o rosto, fitando a mãe que estava com o rosto corado.
‘Bem… Você conheceu o Logan, né? Ele é um homem muito bonito e tem a mesma presença do seu pai.’ Shaolin teve que pegar o queixo que tinha caído no chão. ‘Seu pai estava com a presença de um demônio, nossa intimidade tinha se tornado… Diferente. Você um dia vai entender melhor o que-…’
‘Eu não quero saber disso.’ O garoto a interrompeu, irritado. ‘Como eu faço para ir embora deste pesadelo?’
Sakura soltou um suspiro. ‘Shaolin!’ Ela o chamou de forma mais séria, fazendo o menino voltar-se para ela. ‘Eu sou humana. Era fácil me deixar envolver por um homem com a mesma presença do guardião. Eu sou o Pilar. O Guardião sempre está ligado ao pilar. Era normal e natural me deixar envolver pelo Logan.’
‘Väktare-san!’ O garoto falou entre os dentes. ‘Kaasan sempre o chamou de Väktare-san.’
Ela soltou uma risadinha. ‘Ah… Ele é um guardião e eu o Pilar. Temos intimidade para nos tratarmos pelo primeiro nome.’ Ela esclareceu. ‘Além disso, seu pai andou mentindo para mim. E, com os assassinatos que estavam acontecendo em Tomoeda, eu assumi, com motivo, que ele fosse o culpado. Então tive que detê-lo.’
‘Deter Väktare-san?’ Shaolin perguntou.
‘Não… O seu pai.’ Ela esclareceu. ‘Eu pensei que ele fosse o demônio que estava matando pela cidade. E eu o encontrei carregando a Tomoyo-chan, toda ensanguentada. Além disso…’ Ela falou, fechando os olhos rapidamente. ‘Eu o vi na forma de demônio… Com asas, garras… Ai! Era uma coisa horrorosa! Não tive dúvidas de que ele é quem estava matando e eu me senti obrigada a impedi-lo.’
Shaolin olhou para a figura da mãe e franziu a testa novamente. ‘Você tentou matá-lo?’ Perguntou, apontando para o pai. ‘É isso?’
‘Oras… Completamente compreensível, não?’ Ela retrucou.
‘Eu quero ir embora. Agora!’ O garoto falou, começando a andar de um lado para o outro. ‘Onde é que está a saída? Vamos lá… Onde estão as perguntas chatas e as lições de moral?’ Ele voltou-se para os dois que foram no encalço dele. ‘Vocês dois não são meus pais… E os estão interpretando muito mal. A história de vocês é louca… Sem sentido… E… Ah! Já esgotou minha paciência. Quero ir embora.’
‘Acho que ele puxou a você… Tão irritadinho…’ Sakura falou, soltando um suspiro.
‘Claro que não. Deve ter puxado você que é uma tonta e fica de “mimimi”. Olha, garoto!’ Ele falou, chamando a atenção de Shaolin. ‘Nós homens somos diferentes, entendeu? Não teve problema nenhum sua mãe tentar me matar… Ela tinha razão. Eu fui um canalha mesmo, andava dando uns amassos com uma estagiária da firma onde eu trabalhava. E isso era muito bom, pois, quando eu beijava a outra, tinha certeza que eu preferia beijar a sua mãe.’ Falou, sorrindo para Sakura que retribuiu o sorriso de forma apaixonada.
‘Você está de sacanagem mesmo comigo?’ O garoto perguntou. ‘E o que você vai me falar agora? Que realmente traiu a minha mãe com a tal da Midoriko?’
‘E você acha que seu irmão nasceu mesmo porque ela invadiu um sonho meu?’ Syaoran perguntou e soltou uma gargalhada. ‘Realmente é seu filho, Sakura. É muito idiota.’
‘Isso não está acontecendo… Isso não está acontecendo.’ Shaolin soltou inconformado, ao mesmo tempo que olhava para os lados tentando achar uma saída daquele pesadelo.
‘Não teve aula de biologia, não?’ Syaoran perguntou, olhando para o garoto. ‘Sua mãe me viu com ela… Se bem que, como eu amava sua mãe, sempre pedia para Midoriko mudar de forma e ficar com aparência dela.’
Shaolin olhou para ele e depois para a mãe. ‘Pedia para ficar na forma dela?’ Ele perguntou devagar. ‘Mas sabia que não era ela?’
‘Claro! Não sou tonto como você. Sabia que não era ela, mas pedia para ela ficar naquela forma para eu poder… Desestressar. Era muita competição no mundo das trevas. Eu tinha que ter um divertimento.’
‘Ah… Para você, dormir com uma mulher que você dizia que amava era um divertimento? Dormir com alguém era apenas divertimento?’
‘Claro! E você acha que era mais o quê?’
Shaolin virou-se para Sakura. ‘E você os viu fazendo… Hum… E tudo bem?’
‘Seu pai estava chateado comigo… Eu tentei matá-lo. Foi compreensível.’
‘Na boa… E você dizem se amar?’ Ele falou, olhando de um para o outro.
Sakura e Syaoran se entreolharam e sorriram um para o outro. ‘Claro que sim… Depois disto tudo que passamos, tivemos a certeza que gostaríamos de ficar um com o outro.’ Sakura respondeu, ela fechou o sorriso e ficou séria por um momento. ‘É claro que, de vez em quando, a gente dá uma surtada por causa de ciúmes. Seu pai é um homem bonito… E bem… Hum… Sabe satisfazer uma mulher, então é normal humanas e até a Midoriko, que é um demônio feminino, interessarem-se por ele.’ Ela falou, olhando para Syaoran que sorria de lado. ‘Mas o importante é que, depois que eu resolvi as coisas dentro de mim, e descontei um pouco da minha raiva nele as coisas ficaram bem melhores.’
‘Você bateu nele?’ Shaolin perguntou e a viu assentindo com a cabeça.
‘Mas eu o amava, só estava chateada e vendo tudo vermelho na minha frente… Você sabe como é… Também perdeu o controle, quase matou uma pessoa, quase matou aquele seu irmão demônio idiota.’ Ela falou. ‘Deveria tê-lo matado de uma vez. Aquele garoto só me traz lembranças ruins da época que seu pai estava me traindo com a Midoriko.’
Syaoran passou os braços sobre os ombros de Sakura. ‘Mas no fundo… Você sabe que eu a amo, não é?’
‘Não tenho dúvidas.’ Ela respondeu, sorrindo. ‘Quer dizer, um pouco… Mas a gente supera.’
‘CHEGA!’ O garoto gritou. ‘Você não o ama e ele não ama você!’ Shaolin continuou gritando, olhando para a mulher. Ela não era a sua mãe mesmo. ‘Olha, eu não sei porque vocês resolveram ficar com as aparências dos meus pais e nem quero saber. Mas a história que me contaram agora é surreal demais para que qualquer pessoa sã acredite que vocês dois se amam! Na boa, vão ser felizes com outras pessoas. Vão procurar alguém que vocês dois realmente amem e parem de insistir nesse relacionamento idiota.’ Shaolin falou, com o tom irritado. ‘Vocês sentem, sei lá, tesão, atração, desejo, sentimento de posse, vocês são doentes um pelo outro, mas estão completamente longe de qualquer relacionamento saudável.’
‘Humph’. Syaoran murmurou. ‘E você acha que o casamento e a vida a dois é assim fácil? Um mar de rosas sem espinhos, garoto?’
‘Não!’ Ele respondeu rapidamente. ‘Eu sei que existem espinhos, mas, justamente por você estar com a pessoa que ama, confia e respeita ao seu lado, o relacionamento se torna algo que o apoia e não que o empurra para baixo. Eu amo a Kasumi. Ela está esperando por mim e eu estou louco para voltar a vê-la. Eu a respeito e sei que ela me respeita. Eu quero…’ Ele abaixou os olhos e respirou fundo. ‘Eu quero voltar a senti-la nos meus braços, não a imagem dela, não apenas o corpo dela, mas olhar para os olhos dela e conseguir perceber todo o amor que eu sei que ela sente por mim.’
‘Humph… E você acha que quando terminar tudo isso aqui, você vai conseguir voltar para ela?’ Syaoran perguntou.
‘Eu não sei… E é isso que me faz… Me faz sentir esta dor imensa no peito.’
‘Você sabe que não vai voltar e ela vai ficar sozinha como eu fiquei.’ Sakura falou com a voz suave e pegando o rosto do menino entre as mãos. ‘Ela com o tempo vai esquecê-lo. Encontrará outro menino ou até um rapaz que a fará feliz.’
Ele começou a sentir o bolo na garganta. Sabia que agora a mulher com a imagem da mãe estava falando uma verdade. Se realmente não conseguisse voltar, Kasumi tocaria a vida dela para frente. Sofreria um tempo, mas ele sabia que ela era corajosa e forte. Superaria a ausência dele, e poderia… Inferno!
Shaolin deu um passo para trás tentando se afastar de Sakura e sentindo-se incomodado. Colocou uma das mãos no rosto. Ele não conseguia nem pensar em outro a abraçando, beijando-a. Convivendo com ela. Eles tinham muito o que viver ainda juntos. Fora muito pouco tempo juntos. Aqueles 13 anos não foi tempo suficiente...
A mulher sorriu de forma meiga. ‘Ela é uma menina linda, não é? Um dia se tornará uma moça e depois uma mulher linda. Você sabe disso, na verdade, você tem certeza do quanto ela ficará mais linda daqui alguns anos. Ela sofrerá agora, mas não se sinta tão mal, conseguirá superar a sua ausência. Além disso, daqui a alguns anos… Bem… Ela vai sentir necessidade de estar nos braços de alguém, amar alguém…’ Sakura inclinou o corpo e ficou com o rosto à frente do menino que voltou a encará-la. ‘Ela precisará se sentir amada e que alguém a faça mulher. Se você não existir, terá que ser outra pessoa, outro homem. É a vida. Ou você acha que ela seria capaz de esperar por você… Esperar por anos, décadas…’
Shaolin cerrou os punhos e trincou os dentes, desviando os olhos do rosto da mãe. ‘Cala a boca.’ Ele falou entre os dentes. ‘O que está me falando talvez seja verdade, mas eu não quero ouvir.’ Afastou-se novamente dela.
A mulher ergueu o corpo e parou ao lado de Syaoran.
Shaolin olhou para os dois. ‘Eu a amo e quero que ela seja feliz. Eu juro que vou fazer de tudo para tentar voltar, para voltar para ela… Para que a gente possa viver tudo que estão tentando tirar da gente… De novo…’
‘De novo?’ Syaoran perguntou.
‘Exatamente…’ Ele falou com o rosto sério. ‘Não tenho todas as malditas lembranças, mas sei o suficiente para lembrar do inferno que vivemos.’
Syaoran e Sakura se entreolharam.
‘Acredita que ela o esperará?’ Sakura perguntou. ‘Realmente acredita que ela viverá apenas com as lembranças do pouco que viveram juntos?’ Ela estreitou os olhos no menino de forma perigosa. ‘Acredita mesmo que ela viveu este inferno com você ou será que não foi apenas você a viver nele?’
Syaoran sorriu de forma maldosa. ‘Principalmente... você sabendo da natureza dela… Como lhe falei… a natureza de um demônio é lasciva… Acha que ela realmente vai simplesmente viver ignorando a vontade e os desejos carnais… por pura fantasia romântica com alguém que não existe mais? Acredita mesmo que ela… Quando era jovem…’ Ele inclinou o corpo a frente ficando com o rosto na altura do garoto e encarando-o com o rosto zombeteiro. ‘Com uma natureza demoníaca… linda… despertando o desejo de qualquer homem… acredita realmente que ela lhe esperou? Que ela irá lhe esperar?’
O menino ainda tinha os punhos cerrados. ‘E-eu não… Eu não vou suportar voltar a ser apenas um fantasma na vida dela.’
‘Exatamente, garoto. Você voltará a ser apenas um fantasma… Depois que sai deste plano, é apenas isso que lhe resta.’ Syaoran falou com a voz calma e erguendo o corpo. ‘Ela continuará viva… Próxima a qualquer um… e muito, muito longe de você.’
Shaolin apertou mais forte os punhos até sentir as chaves que estavam na sua mão direita cortarem sua pele.
‘Acredita num amor que ultrapassa inclusive a natureza primária de cada ser, Shaolin?’ Sakura perguntou com a voz baixa. ‘Acredita num amor que se mantém tão forte por tanto tempo… acredita realmente…’ Ela deu uma risadinha. ‘Que ela se manteria em castidade?’ Balançou a cabeça, ainda rindo. ‘Como você é tolo.’
O menino arregalou os olhos com o que ouviu. Trincou os dentes com o ar zombeteiro dos dois. Eles não tinham ideia do que era amor… Amor verdadeiro e não apenas desejo e luxúria. Sentiu que a palma da sua mão sangrava devido ao corte que havia resultado de tamanha raiva que sentia deles e do monte de merda que falavam e tentavam colocar na cabeça dele. Fechou os olhos e conseguiu relembrar todas as vezes que viu os pais se tratarem com carinho e respeito. Os olhares doces que um lançava ao outro. A cumplicidade deles no dia a dia. Verdade que havia já flagrado os dois em situação embaraçosa, mas eles sempre eram amorosos. Além disso… balançou a cabeça de leve, nunca falariam aquele monte de merda para ele. Abriu os olhos e levantou o rosto encarando o casal novamente.
‘Kaasan não se importou de tousan voltar como demônio. Nee-san se apaixonou por nii-san mesmo ele sendo um demônio. Nii-san se apaixonou por ela, mesmo com todos os babacas que rotulam tudo enchendo o saco e falando que demônios não são capazes de amar…’ Ele falava com o rosto sério, mostrando que não tinha um pingo de dúvidas no que dizia para os dois. ‘Tousan, inclusive, indiferente da natureza com que voltou depois da primeira ida ao mundo das trevas não teve seu sentimento por kaasan abalado, muito pelo contrário! O sentimento dele era mais forte, os sentimentos dos dois tornaram-se mais fortes ao ponto de voltarem para aquele inferno e juntos conseguirem sair de lá. Acho que tenho exemplos bastante sólidos que me confirmam que isso tudo é balela. Que um sentimento tão forte quanto o amor, que é a essência da vida, é completamente independente e acima de qualquer natureza dos seres.’
O casal novamente se entreolhou. Syaoran olhou para o garoto com o rosto sério. ‘A natureza humana ainda é muito próxima à animalesca. Alguns humanos comportam-se de forma mais desumana que demônios. É muito fácil atravessar esta linha tênue entre os universos alternativos e o plano inferior.’
‘E no caso de seres celestes?’ Sakura chamou a atenção, fazendo o menino fitá-la. ‘Seria possível um amor entre seres celestiais e demoníacos?’
Shaolin franziu a testa e estreitou os olhos na imagem da mãe que o encarava.
‘Exatamente isso que você está pensando...’ Sakura falou devagar.
‘Acha possível um amor assim? Com seres de energias opostas?’ Syaoran perguntou chamando a atenção do garoto.
O menino olhou para o casal e balançou a cabeça de leve. ‘Vocês dois realmente são bem limitados. Não ouviram o que eu acabei de dizer?! O amor é um sentimento superior a este tipo de questão como a natureza dos seres. Lyra me falou que eu era um anjo ou algo assim que eu tenho uma vaga lembrança a qual não sei nem se é fantasia da minha cabeça ou não e… Sinceramente, isso não importa. Sou Shaolin. Meu irmão é Kazuo. Que é um demônio, vindo do mundo das trevas, mas que tem sentimentos mais puros e verdadeiros que muitos humanos como o Rosas e o velho mijão. Realmente, o que vocês estão me falando, é tudo balela. Vocês precisam abrir os horizontes de vocês. Não é à toa que estão nesta relação doentia.’
Sakura inclinou o corpo a frente de leve e voltou a fitar o menino com o rosto sério. ‘Você fala de amor, você considera apenas este sentimento sublime e altruísta. Mas o que sente pela garota que gosta não é apenas isso, não é?’
Shaolin franziu a testa, encarando o rosto da mãe a centímetros do dele. Engoliu em seco, fitando as duas esferas esverdeadas que o fitavam com intensidade.
‘Não aceita que se você deixar de existir, se você se tornar apenas um fantasma ou uma lembrança, ela será feliz com outra pessoa, não é? Você continuará a segui-la, mesmo sabendo que ela não pode vê-lo. Continuará a sentir desejo por ela. Ciúmes por qualquer outro poder tocá-la e você não.’ Ela abriu um sorriso maldoso, vendo os olhos do garoto tremendo. ‘Você sentiu ciúmes daquele demônio que se diz seu irmão por se aproximar dela, sente ciúmes de qualquer colega da sua escola que se aproxima dela. Brigou com ela, discutiu, obrigou-a a se afastar daquele demônio…’
‘Quem realmente está numa relação doentia, Shaolin?’ Ele ouviu a voz de Syaoran, fazendo-o finalmente desviar os olhos de Sakura para fitar o rosto do pai. ‘Você recrimina nossa história, concluindo que nossa relação não é normal, que somos obcecados um pelo outro. E você?’
‘E-eu a amo.’ Ele balbuciou.
‘Ama?’ Syaoran perguntou em tom irônico. ‘Nós também nos amamos. Por que duvida do nosso amor se os seus sentimentos são tão parecidos?’
O garoto deu um passo para trás, sem desviar os olhos da figura paterna. Sentiu a garganta seca e o peito a ser comprimido.
‘Ama ou tem desejo por ela? Sentimento de posse? Você acha certo ela ser feliz apenas com você.’ Sakura voltou a falar com a voz suave. ‘Não será este o seu maior pecado? A sua obsessão por ela, fazendo-o até mesmo aceitar regredir em seu ciclo evolutivo?’
O menino fechou os olhos e balançou a cabeça de leve, tentando digerir o que ouvia e o que no fundo constatava de forma dolorida que era verdade. Cerrou os punhos novamente com força.
‘Eu a amo.’ Repetiu com a voz mais firme. Sentiu os olhos arderem e o bolo se formar na sua garganta. ‘Eu só quero estar com ela. Ter a chance de estar ao lado dela. Conviver, rir, conversar… ao lado dela.’
‘E porque só você tem direito a isso? Por que ela não pode fazer isso tudo com outra pessoa?’ Syaoran perguntou para o garoto com a voz dura. ‘Você mentiu para ela, escondeu parte da sua vida dela…’
Shaolin levantou o rosto, olhando feio para Syaoran. ‘Eu sempre quis contar! Sempre quis que ela soubesse!’
‘Mentira!’ O homem rebateu, estreitando os olhos nele. ‘Você se arrependeu de ter contado para ela. Não queria que ela soubesse que seu irmão era um demônio. Ficou morrendo de medo dela sentir medo de você.’
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!‘Sim! Fiquei, sim, com medo! Fiquei com medo dela me rejeitar por eu ter magia e por todas as confusões que poderiam acontecer na minha vida. Fiquei com medo de algo acontecer com ela! Dela se machucar.’
Sakura soltou uma risadinha irônica. ‘Como é parecido com você…’ Falou olhando para Syaoran. ‘Somos princesas indefesas, não é?’ O homem concordou com um gesto, sorrindo de lado.
Shaolin olhou para os dois a sua frente e sentiu o corpo tremendo. Eles tinham razão, ele no fundo gostaria de colocar Kasumi numa redoma protegida e que apenas ele pudesse se aproximar dela. Assim ela não se machucaria, estaria sempre protegida, sempre salva e sempre a espera dele.
Desviou os olhos para a figura do pai e pensou que não era assim que gostaria de ser, não era assim que seu pai era. Ele respeitava sua mãe. Amava-a. Os dois decidiram juntos levar Kazuo para casa, os dois decidiram juntos treiná-lo em magia. O pai, inicialmente, tinha decidido que ele partiria sozinho para a missão, mas não o deixou sair de casa antes de conversar com a mãe e fazê-la entender que era a única solução na hora. Ele não impôs a vontade dele, ele conversou com ela antes… Saiu de casa abraçando os dois ao mesmo tempo.
Passou a mão no rosto, secando-o e engoliu em seco. Levantou o rosto encarando-os. ‘Kasumi me ama. E eu a amo. Não quero viver com ela o que vocês viveram. Estão certos em me alertarem quanto ao meu comportamento. Quero ser feliz. Quero que o amor que eu sinto por ela nos traga felicidade. Confio no amor dela por mim e sendo assim, estou sendo um idiota em me comportar de forma ciumenta. Obrigado por me alertarem para que eu não aja como vocês. Minha vida e a dela seria o mesmo inferno que foi antes e o mesmo inferno que é a de vocês.’ Falou de forma firme e segura olhando para o casal.
Sakura e Syaoran se entreolharam e sorriram pela primeira vez de forma sincera e doce para Shaolin. Uma névoa envolveu os dois e, logo depois, envolveu o garoto que não conseguia ver nada a sua frente. Fechou os olhos, incomodado, e quando os abriu viu o rosto da mãe a sua frente, segurando-o pelos ombros.
Ela o abraçou apertado. ‘Ah, Graças a Deus, você voltou!’
‘Está tudo bem, kaasan.’ Ele falou, mas sentiu o corpo dela estremecer. Voltou a fechar os olhos. Respirou fundo e soltou o ar devagar, de todos os malditos testes que teve que ser submetido, mesmo o último que havia voltado não diretamente ao seu corpo, aquele com certeza havia sido o mais doloroso.
Ainda sentia o peito doendo e um bolo enorme na garganta que não descia. Não tinha vontade nem de abrir os olhos ainda. Percebia que a aura da mãe tentava envolvê-lo mas ainda estava com resíduos negativos que sua própria aura repeliam.
Ouviu a voz dela lhe chamando de novo e a do pai. Mas não tinha vontade nenhuma de abrir os olhos ainda. Sentia um gosto metálico na boca, ou talvez amargo ainda com as reminiscências de tudo que ouviu.
Tinha certeza… De todos os pecados… de todas as provas de virtudes que Heimdall havia lhe explicado, aquele seria o mais difícil. Foi por causa dele que tinha caído…
‘Shaolin!’ Ouviu a mãe gritar e ser sacudido pelos ombros. ‘Syaoran! Ele está sangrando!’
Shaolin finalmente abriu os olhos e fitou o rosto da mãe pálido a sua frente. Sentiu ela passar a mão pelo rosto dele e limpar o sangue que escorria pelo canto da sua boca.
‘Está tudo bem, kaasan.’ O menino repetiu com a voz fraca.
Syaoran empurrou de leve Sakura e olhou para o rosto do filho. Ele estava pálido demais. Gelado demais. Voltou-se para Kazuo que se aproximou com o semblante igualmente sério como o do pai. ‘É assim mesmo?!’
Kazuo franziu a testa olhando para o irmão. Desviou os olhos do rosto pálido de Shaolin e reparou na mancha de sangue que escorria da mão do garoto. Tirando a vez daquela cápsula com cravos, o irmão não havia voltado machucado das outras chaves. Fraco, gelado e pálido, mas não machucado e sangrando daquela forma.
O rapaz se abaixou ao lado do pai enquanto Marie parou ao lado de Sakura tentando apoiá-la.
Kazuo observou o semblante do irmão, Shaolin quando voltava sempre tinha pelo menos um sorriso vitorioso nos lábios por ter conseguido destruir a tais das malditas chaves. Apesar de ter acordado em pânico depois de ter destruído a quarta chave, lembrava-se bem do semblante tranquilo e satisfeito do irmão quando o pegou no colo assim que caiu no chão depois da tal chave de Pedro virar pó. Nunca havia visto o irmão voltar daquela forma, com o olhar vago e o semblante apático e triste.
O rapaz pegou o pulso do garoto e abriu a mão dele constatando o imenso corte que tinha na palma da mão. Havia também o esperado pó dourado, no entanto não era só isso.
Manchado de sangue ainda estava o pingente em forma de estrela de cinco pontas de Sakura.
‘Isso não deveria ter virado pó?!’ Kazuo perguntou aflito e chamando a atenção de todos para a palma da mão do menino.
Shaolin soltou um suspiro. ‘Acho que não deu para passar neste teste…’ Falou com a voz fraca, fazendo todos olharem assustados para ele. ‘Amá-la… Este será sempre o meu pecado…’
Continua.
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