FEITICEIROS
61 A Chave da Justiça
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FEITICEIROS
Por Kath Klein & Yoruki Hiiragizawa
Capítulo 61
A Chave da Justiça
Syaoran fechou os olhos por alguns segundos. Respirou fundo e voltou a abri-los. Olhou para os filhos e depois para a esposa. Fitou rapidamente Ren Tao e pensou que, realmente, a vida vivia lhe pregando grandes peças. Passou a mão no rosto e depois pelos cabelos. Tinha que ser racional agora e não resolveria nada ser cabeça dura.
Por alguns instantes, pensou na mãe e na decisão que ela tomou ao obrigá-lo a sair de Hong Kong para caçar as Cartas Clow quanto tinha 10 anos de idade. Yelan confiava que ele conseguiria as Cartas, o que não foi bem o que aconteceu, mas ela confiou que ele sobreviveria a tudo pelo que passou. Ela simplesmente confiou nele. Olhou novamente para Shaolin e engoliu em seco, teria que tomar a mesma decisão.
‘Precisamos conversar, Sakura.’ Ele falou, fitando a esposa sério.
Ela franziu a testa. ‘Sobre?’
‘Vamos para nosso quarto.’ Ele falou já subindo as escadas. ‘Shaolin, Kazuo… arrumem suas coisas. Rápido.’ Ordenou. ‘E liguem para Marie, avisando-a do que está acontecendo, para ela se preparar também.’ Falou, pegando o celular e o colocando na mão de Shaolin.
‘Hei, hei…’ Sakura o interrompeu, irritada. ‘O que pensa que está fazendo?’
‘Vamos conversar.’ Ele falou novamente, pedindo com um gesto que ela o acompanhasse. Olhou para Ren e respirou fundo. ‘Por favor, dê-nos 15 minutos.’
Ele concordou com a cabeça e sorriu fracamente. Já tinha ideia do que o conterrâneo tinha decidido, agora o problema seria convencer a esposa. Sabia o quanto a feiticeira era teimosa.
Sakura olhou de um para o outro e fechou mais o rosto. Viu Shaolin e Kazuo subindo as escadas para obedecerem o pai. O filho já estava ligando para Marie. Trincou os dentes e subiu com passos duros atrás do marido e, assim que entrou no quarto, bateu a porta, encarando-o.
‘O que pensa que está fazendo?’ Ela quase gritou.
Syaoran cruzou os braços e tentou relaxar o pescoço. ‘Não podemos estar em dois lugares ao mesmo tempo.’ Falou. ‘Treinamos Shaolin por mais de cinco anos para ele estar preparado para isso e ele está. Kazuo o ajudará e Marie também. Precisamos confiar neles.’
Sakura olhou perplexa para o marido. ‘Você não ouviu o que Kazuo-kun falou? Shaolin entrou em transe! Se ele não conseguir voltar, ele morre! Você não entendeu isso?!’
‘E o que você acha que pode fazer estando ao lado dele quando ele estiver em transe, Sakura?’
Ela arregalou os olhos e abriu a boca mas nada saía por ela. Ficou um tempo em silêncio e depois balançou a cabeça. ‘Estando ao lado dele… Talvez, eu… Nós poderíamos ajudá-lo a voltar.’
‘Seus poderes estão instáveis.’ Ele falou de maneira firme. ‘Está lutando o tempo todo e está se fazendo de forte, mas eu sei que volta e meia mal consegue ficar de pé. Não tente me enganar porque eu a conheço bem.’
‘Isso passa. É só de vez em quando.’ Ela rebateu.
‘Até quando será assim?’ Ele perguntou e viu que ela fechou os olhos, trincando os dentes. ‘Exatamente, você não sabe. Eu não sei. Talvez Asakura nos ajude.’ Ele falou se aproximando dela. ‘Precisamos confiar no que ensinamos para Shaolin, precisamos confiar no treinamento que demos para ele. Precisamos fazer isso.’ Disse devagar, segurando os braços dela.
Sakura abriu os olhos e fitou o rosto do esposo. ‘Ele… Ele é só um menino, Syaoran…’ Disse balançando a cabeça. ‘Os três são…’
‘Você também era quando capturou as Cartas. Nós dois éramos crianças quando saíamos atrás delas. Você enfrentou Madoushi sozinha. Passou pelas provações criadas por Hiiraguizawa para transformar as cartas. Capturou a última carta sozinha e a transformou… Sakura, se você realizou tanto, superou tanto, por que acha que Shaolin e os outros não conseguiriam?’
Ela engoliu em seco. ‘Eu… Eu tenho medo.’ Admitiu, sentindo os olhos arderem. ‘Eu tenho medo por Shaolin, por Kazuo-kun e Marie-chan. E se acontecer alguma coisa com eles?’
Syaoran passou o polegar no rosto da esposa, secando a lágrima que escorria pelo belo rosto, forçou um sorriso. ‘Eles vão conseguir, Sakura. Acredite neles.’ Falou com a voz suave. ‘Eu também tenho medo. Deus, sabe o quanto tenho medo que aconteça alguma coisa com eles ou com você. Mas… Não adianta apenas ter medo.’
Ela concordou com a cabeça e se aproximou dele, abraçou o marido pela cintura e escondeu seu rosto no peito dele. Syaoran a abraçou com carinho e beijou a cabeça dela.
‘Tudo vai dar certo, minha flor. Tudo vai terminar bem.’
Sakura concordou, novamente, com a cabeça ainda contra o peito dele. Ela se afastou dele e levantou o rosto. Forçou um sorriso e assentiu com a cabeça. ‘Você está certo.’
Ele sorriu e passou a mão no rosto dela, fazendo um carinho. ‘Isso é só mais um dos inúmeros desafios pelos quais passamos, Sakura. Superamos tanto…’ Falou com tom suave. ‘E vamos sempre superá-los. Principalmente agora que não somos só eu e você. Temos uma família.’
‘Sim.’ Falou forçando um sorriso. ‘Temos uma família. E, logo, estaremos juntos novamente.’
‘Exatamente.’ Ele falou.
Ela levantou as mãos secando o rosto que ainda estava molhado e tentando parar de chorar. ‘Vai tudo terminar bem.’ Repetiu para si mesma.
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Marie estava ao lado de Kazuo e Shaolin, olhando para o avião a frente deles no aeroporto de Tomoeda.
Ela tinha, literalmente, fugido de casa ao receber a ligação do primo falando que teriam que partir o quanto antes para irem atrás das chaves. Simplesmente pegou algumas roupas, jogou dentro da mochila e pulou a janela de casa. Não se despediu, nem deu explicações, pois sabia que entraria em uma briga com o pai e não tinha tempo para isso. Deixou um bilhete e, sinceramente, esperava que ele a entendesse. Se não, ele poderia deixá-la de castigo depois que salvassem o mundo.
Um enorme carro a pegou a algumas quadras de sua casa e, nele, encontrou os primos dentro dele, seguindo para o aeroporto. Perguntou pelos tios e Shaolin explicou que os pais estavam indo se encontrar com uns tais de Asakuras que ajudariam a estabilizar a aura da mãe. Marie sorriu de lado e pensou que Anna, provavelmente, seria a única pessoa capaz de orientar os tios num momento como aquele.
Perguntou de quem era o carrão e os dois deram de ombros. Shaolin informou que era de um amigo da mãe. Apenas da mãe, frisou, olhando para Kazuo com cumplicidade. Marie ergueu uma sobrancelha, pensando que eles agora tinham ficado bem amiguinhos quando o assunto era de interesse comum.
‘Vocês, provavelmente, estão falando de Tao-san…’ Falou, dando de ombros e rindo de lado ao vê-los arregalar os olhos, espantados.
Os dois bem que tentaram arrancar dela alguma informação sobre o tal amigo de Sakura. Shaolin comentou que a voz dele era parecida com a do pai e reparou que ele falou algumas coisas em mandarim com Syaoran, deduzindo que ele também era chinês. Kazuo concordou com as observações e também insistiu para a ruiva metida falar alguma coisa, mas Marie estava no fundo se divertindo com a curiosidade dos dois.
Um rapaz se aproximou deles e os cumprimentou de forma polida. Apresentou-se como Tai Dai e era empregado da família Tao.
‘Estarei acompanhando vocês.’ Tai Dai falou. ‘O senhor Tao me pediu para levá-los aonde vocês precisarem ir. Está tudo preparado.’
Marie olhou para os dois e sorriu de lado. ‘Jatinho particular… Hum… Que chique, não?’
‘Humph.’ Kazuo murmurou. ‘O que você acha, Shaolin? Será que dá mesmo para confiar naquele cara?’
Shaolin deu de ombros. ‘Sei lá. Tousan mandou a gente ir, então…’ Ele falou olhando para avião. ‘Vamos nessa. Quanto antes destruirmos aquelas chaves, mais cedo voltamos para casa.’
Kazuo meneou a cabeça. ‘Vamos lá, então.’ Olhou para o rapazinho a frente deles e levantou a mão apontando o avião. ‘Este negócio voa mesmo, não é?’
Marie rodou os olhos. ‘É claro que voa. Não está vendo os que estão voando por aí.’ Falou, apontando para os aviões que decolavam e aterrizavam perto deles no aeroporto.
Kazuo franziu a testa. ‘Só estou verificando as informações. Não confio muito nessas coisas. Para mim, voar era bater asas e não esse negócio aí na nossa frente.’
‘Você está com medo?’ Marie falou, erguendo uma sobrancelha.
‘Eu não tenho medo de nada, garota.’ Respondeu, trincando os dentes.
‘Humph.’ Ela murmurou batendo no ombro dele. ‘Estou vendo… eu seguro na sua mãozinha para você não ficar com medo.’ Falou, rindo e caminhando em direção ao avião.
Shaolin não conseguiu segurar a gargalhada e levou um cascudo do irmão.
‘Hei! Pirralho!’ Kazuo falou com a voz brava. ‘Não me provoque.’
‘Acho que você vai preferir pegar na mão dela do que na minha.’ Falou antes de, praticamente, sair correndo atrás de Marie para não levar outro cascudo do irmão.
Kazuo soltou um murmúrio contrariado. Ajeitou nas costas a mochila onde tinha colocado algumas coisas e caminhou atrás dos dois. Olhou novamente em volta e para cima, vendo aquelas coisas barulhentas voando no céu. Tentou relaxar os ombros tensos. Balançou a cabeça de leve e começou a subir a escada que levava para a abertura daquela máquina. Quando passou por ela, ainda deu uma última olhada e engoliu em seco. Ele não tinha medo de nada.
Marie olhou para o luxuoso avião e sorriu. Nada mal, pensou para si. Sentou numa das confortáveis poltronas e olhou pela janela. Shaolin sentou no outro lado perto da outra janela e pegou o rashinban que tinha trazido dentro da mochila. Brincou um pouco com ele nas mãos para tentar relaxar.
Gabriel tinha aparecido no seu último sonho e, quando Shaolin perguntou diretamente o que tinha acontecido com ele durante o processo de destruição, o anjo, para variar, foi bem evasivo na resposta. Disse que isso dependeria de cada chave e que ele, provavelmente, teria outros encontros como o que teve com Janus. Abafou um bocejo e se esticou na poltrona espaçosa. Sentia-se ainda cansado, mesmo depois de ter dormido por tanto tempo.
Kazuo entrou atrás deles, seguido por Tai Dai que, logo, tratou de fechar a escotilha. Olhou com curiosidade para o interior da aeronave. Observou Marie e Shaolin, sentados um de cada lado. Estava para sentar ao lado do irmão.
‘Senta com nee-san, Kazuo.’ Shaolin falou e olhou para o irmão que o fuzilou com os olhos. ‘Eu vou dormir.’ Emendou rapidamente.
‘Você ainda está com sono?’ Perguntou apreensivo.
Ele acenou que sim com a cabeça. ‘Assim que o avião decolar vou deitar nas duas poltronas.’
Kazuo olhou para o irmão preocupado. ‘Não seria melhor esperar um pouco mais antes de ir atrás da próxima chave?’
‘Não… Não.’ Ele respondeu rapidamente. ‘A viagem até a França é longa, vou descansar bastante.’ Falou sorrindo de leve, mas não conseguindo dissipar a preocupação do irmão.
Kazuo olhou para Marie, que tinha prestado atenção no diálogo dos dois, e também estava temerosa de que algo acontecesse com o primo. Ele se sentou ao lado dela, ainda observando o irmão.
Shaolin virou-se para a janela e suspirou. Fechou os olhos e encostou a cabeça na poltrona.
Kazuo franziu a testa e trincou os dentes. Droga, queria fazer mais por ele, mas sabia que para o processo de destruição das tais chaves não podia fazer nada.
Tai Dai apareceu, informando que eles já tinham autorização para levantar voo e solicitou que apertassem os cintos de segurança.
‘Cinto?’ Kazuo perguntou sem entender.
‘Isso aqui.’ Marie falou, mostrando para ele e fechando o dela.
‘Para quê isso?’
‘Para se tiver turbulência, a gente não bater a cabeça.’
‘Turbulência? Isso está começando a cheirar mal. Não estou gostando disso.’ Falou incomodado.
Ela abriu o próprio cinto e se debruçou para pegar o dele, fechando-o em volta da cintura do rapaz. ‘Pronto. Agora fica frio.’ Ela falou, voltando a afivelar o cinto dela.
Kazuo olhou para aquilo e depois em volta. Observou rapidamente o irmão e o viu dar um outro bocejo. Respirou fundo, tentando controlar a irritabilidade.
‘Fica frio.’ Marie falou novamente.
‘Estou frio. Uma pedra de gelo. Não está vendo?!’ Respondeu irritado. ‘E para de me dar ordem.’
Ela deu de ombros e voltou a fitar a janela. A aeronave começou a se locomover e Kazuo ajeitou-se incomodado na poltrona. Olhou pela janela, percebendo que a máquina pegava velocidade e sentiu um frio na boca do estômago quando ela saiu do chão. Respirou fundo tentando se controlar. A aeronave deu um leve solavanco antes de subir, fazendo o rapaz instintivamente pressionar as costas no assento da poltrona e pegar a mão de Marie que repousava no braço da poltrona entre eles.
Marie arregalou os olhos, sentindo a pressão da mão dele sobre a sua e olhou para o lado, vendo o rapaz, branco como um fantasma, olhando fixamente para frente. Abriu a boca para falar alguma coisa e implicar com ele, mas logo a fechou e sorriu de leve. Virou a mão e sentiu os dedos dele entrelaçando com os dela.
Encolheu os ombros de leve e virou para a janela, pois sentia as bochechas esquentarem. Se ele não queria que ela o visse pálido, ela também não queria que ele a visse vermelha daquela maneira. Sorriu, sentindo a mão dele relaxar um pouco, mas continuar sobre a sua depois do avião já ter se estabilizado.
Shaolin lançou um olhar na direção do irmão e da prima, notando-os de mãos dadas e esboçou um sorriso, balançando a cabeça. Respirou fundo e se virou, colocando os pés sobre a poltrona do lado e deitando-se de maneira mais confortável para poder dormir.
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Sakura olhava para a paisagem através da janela do carro. Estava ao lado de Syaoran de mãos dadas com ele. Ouvia Syaoran conversando com Ren em mandarim, estavam falando alguma coisa sobre o Círculo e sobre quem eram os idiotas responsáveis por aquela confusão toda, no entanto, não estava prestando muita atenção. Estava preocupada com Shaolin, Kazuo e Marie.
Havia se despedido do filho com um abraço apertado e pedido a ele para se cuidar. Foi dolorido demais afastar-se dele, sabendo que não o veria por algum tempo. Pediu para ele ser forte e o lembrou que ela estaria esperando por ele, que tinha certeza que ele conseguiria destruir as chaves. Conhecia Shaolin melhor que ninguém e sabia que o filho estava com medo, mas se mostrava determinado. Tinha que passar confiança para ele de que tudo terminaria bem.
Sorriu de leve, pensando que também fora difícil se despedir de Kazuo. Mesmo sabendo que o rapaz não era seu filho, já sentia carinho por ele. Ele era parte de Syaoran e lembrava tanto o marido em algumas situações. Abraçou-o e o fez prometer que cuidaria de Shaolin, mas também se cuidaria. Deixou claro que queria os dois e Marie de volta em casa logo para que pudessem novamente continuar a vida que estavam construindo juntos. Lembrou-se que ele ficou sem graça e encabulado, mas retribuiu o abraço dela.
Apertou de leve o livro em que trazia as cartas e que estava no seu colo. Sabia que não estava conseguindo fornecer às cartas a energia necessária para elas, sua magia estava instável. As cartas já agiam de forma independente, manifestavam-se sem ordens. Sorriu de leve, passando as mãos sobre o livro e sentindo a magia emanando dele. Elas estavam se poupando para ajudá-la. Iriam se manifestar para protegê-la caso fosse necessário, como fizeram da última vez, sem que ela ou Syaoran solicitassem. Simplesmente agiriam para ajudá-la, como verdadeiras amigas. Fiéis amigas.
Olhou para o livro, vendo o desenho do felino na capa. Sentiu o coração apertar quando Kero havia decidido retornar a ele para fornecer mais energia para as cartas. Ela sabia que o guardião solar andava dormindo em cima do livro e vinha passando bastante tempo perto delas, imaginou que fosse por carência, mas não. Ele estava fornecendo a elas parte de sua energia para que elas continuassem a agir de forma independente sem se “alimentarem” da magia dela, que estava enfraquecida. Não era à toa que ele vinha comendo ainda mais que o normal nos últimos dias e havia deixado, milagrosamente, o videogame de lado apenas para estar perto do livro. Não era preguiça.
Pensou em enviar o livro com os jovens, mas sabia que precisaria delas também e, como Syaoran havia comentado, Marie estava com eles. Os poderes de Khala’a que ela possuía ajudariam a protegê-los. Khala’a fora a melhor aliada que tiveram no momento mais difícil da vida deles e a ajuda dela seria fundamental para Shaolin e Kazuo. Confiava em Marie e sabia que a jovem cuidaria deles por ela. Sentiu não poder falar com ela antes de partirem, mas precisava realmente encontrar-se rápido com Anna Asakura.
Sentia o peito doer e o corpo fraco inúmeras vezes. Era como se a estivessem bombardeando com uma energia terrível, nociva. Como se estivesse aos poucos sendo envenenada e, apesar de lutar tanto e ter algumas poucas melhoras, voltava a sentir novamente as mesmas sensações. Era uma agonia contínua. Uma dor infinita. Uma tristeza permanente.
Ela fechou os olhos brevemente, lembrando-se da última vez que havia se encontrado com os Asakuras e os Xamãs. Não estava passando pelo melhor momento de sua vida e, de forma irônica, novamente estava indo ao encontro deles a procura de ajuda para resolver seus problemas.
Passou a mão no livro e lembrou-se que foram as cartas que haviam sugerido que procurasse Ren Tao para ajudá-la naquela época. Abriu os olhos e virou-se para frente, observando o xamã ainda conversava com o esposo de forma contida. Sorriu de leve realmente constatando que os dois tinham o timbre de voz muito parecidos e os anos não tinham mudado isso.
Sabendo que estava sendo observado por ela, ele desviou os olhos de Syaoran e a fitou, sorrindo de leve.
‘Não perguntei como você está…’ Ela falou percebendo a gafe.
‘Preocupado.’ Ele respondeu.
Ela sorriu de leve. ‘Você mencionou que se casou.’
Ele assentiu com a cabeça. ‘Sim. E tenho dois filhos agora.’ Ren falou, aumentando o sorriso.
‘Gostaria de conhecer sua esposa e seu filhos.’ Ela falou.
‘Você os conhecerá.’
‘E Jun-san? Como ela está? Ela se casou?’
Ren fechou o sorriso e franziu a testa de leve. ‘Jun nunca se casará.’ Ele soltou um suspiro. ‘É uma decisão dela e eu respeito isso.’
Sakura desviou os olhos dele e olhou o marido de esguelha. Soltou um suspiro um pouco dolorido pela lembrança que tinha do que ela havia lhe falado. ‘Então ela ainda…’ Balançou a cabeça de leve, sentindo que invadia a privacidade da família dele. Achou melhor se calar.
Ren cruzou os braços. ‘Sim… Ela ainda ama a mesma pessoa impossível para ela.’
Sakura assentiu com a cabeça.
‘Mas ela é feliz. À maneira dela.’ Ele completou.
‘Se ela não tivesse intervindo naquela época…’ Sakura começou a comentar e apertou mais forte a mão do esposo, sorriu sentindo-a quente, tão diferente da pele de um kyonshi.
‘Isso é passado.’ Syaoran a cortou, incomodado.
‘Concordo.’ Ren falou. ‘Isso é passado. Vocês dois foram mais loucos do que eu havia sequer imaginado.’ Completou, rindo. ‘Mas, no final… Tudo se acertou, não foi?’
‘Acho que sim… Pelo menos até agora.’ Ela comentou, voltando a fitá-lo.
‘E tudo vai se acertar novamente.’ Ren afirmou. Ele soltou um longo suspiro. ‘Estamos esperando este momento há muito tempo. Estávamos nos preparando para ele e tenho certeza…’ Ele fez uma pausa, desviando os olhos dela rapidamente. ‘Que agora estamos em condições de cumprir a nossa missão de uma vez por todas.’
Syaoran desviou os olhos da esposa e fitou o xamã a sua frente com o cenho franzido. ‘Do que está falando, Tao?’
‘A instabilidade que este bando de imbecis está criando tem consequências muito maiores do que eles sequer imaginam. Mas… Isso é uma longa história e já estamos chegando na residência dos Asakuras.’
‘Anna Asakura realmente será capaz de ajudar Sakura?’ Syaoran perguntou.
‘Ela não teria me enviado, se não fosse esse o caso.’ Ren suspirou. ‘Acho que, no mundo inteiro, ela seria a única pessoa, além de você, que pode ajudá-la. No final… O Grande Espírito sempre sabe o que precisa ser feito, mesmo que esteja muito além do nosso conhecimento.’
Syaoran e Sakura se entreolharam. Ele forçou um sorriso para ela e se inclinou para beijar a cabeça da esposa que fechou os olhos. Ren sorriu de leve.
‘Realmente a Anna tem uma facilidade sem igual para interpretar os sinais…’ Falou, chamando a atenção dos dois. ‘E agir de acordo com a vontade do Grande Espírito. Ela saberá como ajudá-los.’
Sakura sorriu de leve e concordou com a cabeça. ‘Como da última vez em que eu a encontrei e ela me esclareceu tanta coisa.’ Ela balançou a cabeça, fechando os olhos brevemente. ‘Deveria tê-la procurado antes.’
‘Tudo acontece quando tem que acontecer.’ Ren falou de forma firme.
‘Espero que sim.’
O carro parou em frente a pousada Funbari. Syaoran inclinou o corpo olhando para o local através da janela. Franziu a testa de leve, sentindo a energia xamã. Sabia que eles estavam ali para ajudá-los, mas não podia negar que ainda sentia aquele arrepio percorrer sua coluna com a proximidade daquelas presenças.
Bem, teria que se acostumar. Se eles pudessem ajudar sua esposa, então não seriam as preconcepções transmitidas pelo seu clã que o impediriam de seguir em frente. Estava a frente de um Tao, conversando com ele de forma polida e amigável. E não podia negar que, apesar da arrogância própria do homem à sua frente, eles realmente tinham algumas coisas em comum.
‘Chegamos.’ Ren falou abrindo a porta do carro e saindo por ela. Deixou-a aberta para que o casal saísse.
Logo a porta da pousada se abriu e Sakura reconheceu a mulher de cabelos castanhos que os recebeu. Pensou que, como da outra vez que a vira, estava com o rosto bastante tenso, mas agora esboçava um sorriso fraco nos lábios que foi retribuído por Tao que caminhou até ela, beijando-lhe a cabeça com carinho.
Ren voltou-se para o casal que o seguia. ‘Esta é minha esposa.’ Ele a apresentou. ‘Matsuko Tao.’
Sakura cumprimentou-a, sorrindo e reparou que ela olhou para Syaoran e sorriu de leve. Provavelmente lembrando-se que, na única vez que se viram, fora justamente para que Sakura fosse atrás dele no Mundo das Trevas.
‘Da outra vez, não fomos apresentadas. Sou Sakura Li e este é meu marido, Syaoran.’ Indicou o marido que a cumprimentou com a cabeça.
Matsuko sorriu para ela. ‘Da outra vez nós duas estávamos numa situação igualmente tensa… Mas menos preparadas para enfrentar os desafios, não?’
‘Espero que sim.’ Sakura falou.
‘Estamos preocupados com você.’ Ela falou e deu espaço para eles passarem. ‘Anna vai ajudá-la, confie nela.’ Completou e depois olhou para Syaoran. ‘Vocês dois.’
Ele franziu a testa de leve. ‘É por isso que estamos aqui.’
Ren olhou para a esposa. ‘Melhor não deixar Anna esperando.’
Ela concordou e Sakura sorriu de leve. Adorava reparar em como a senhora Asakura conseguia impor aquele domínio incrível sobre os xamãs. Olhou de esguelha para o marido e pensou em como ele reagiria ao conhecê-la. Se a situação não fosse tão tensa, seria interessante.
Caminharam em silêncio entrando na pousada e Sakura reparou na aura agitada de Syaoran. Voltou-se para ele e sorriu de leve tentando passar confiança.
‘Preciso de um tempo para me acostumar, okay?’ Ele falou incomodado, sabendo que ela havia reparado na sua apreensão e reação à energia xamânica. Sakura assentiu com a cabeça.
Logo encontraram Anna sentada à mesa baixa, tomando chá de forma calma. Ela levantou os olhos para o grupo que se aproximava. Cravou seu olhar em Sakura e depois desviou para Syaoran que estava ao lado dela. Sorriu de leve e balançou a cabeça.
‘Humph.’ Anna murmurou. ‘Realmente faz sentido.’ Falou olhando para Sakura que se aproximava dela, puxando o marido pela mão.
‘O que faz sentido?’ Sakura perguntou, franzindo a testa de leve.
‘Vocês serem almas gêmeas.’ Anna falou com calma, olhando de um para o outro. Sorriu de lado. ‘É algo extremamente raro, pois limita o desenvolvimento individual diante da ausência do outro, mas faz sentido devido ao grande poder que você recebeu. Vocês dois são, verdadeiramente, como uma só entidade e o que os une é mais forte do que compreendem.’
Syaoran ajeitou o corpo, sentindo-se incomodado na presença da senhora Asakura. Apertou mais forte a mão de Sakura e realmente estava tentado a ir embora com a esposa dali.
Anna voltou-se para ele. ‘Estava realmente curiosa para conhecê-lo, Li-san.’
Ele suspirou, tentando disfarçar o incômodo. ‘Acho que sim…’ Falou por fim. ‘Não posso dizer que me sinto à vontade com energia…’ Ele falou olhando em volta. ‘...desta natureza.’
Ela sorriu de lado. ‘Para quem era um ser das trevas e mudou tanto de presença… Acho que deveria rever seus conceitos.’ Falou pegando a xícara nas mãos e bebendo um gole de forma calma. ‘O senhor teve contato com quase todos os tipos de magias e energias existentes. Deveria abrir um pouco mais sua mente.’
Ele ergueu uma sobrancelha observando-a. ‘O que eu penso ou não… realmente não importa.’ Falou de forma firme. ‘O importante é que ajude minha esposa neste momento.’
Anna levantou o rosto e estreitou os olhos nele. ‘Exatamente.’ Ela respondeu. ‘Temos o mesmo objetivo.’
Syaoran a olhou, desconfiado. Desviou os olhos de Anna para Ren e a esposa que permaneciam a um canto da sala. Olhou para esposa que estava com o livro nas mãos. Respirou fundo.
Anna sorriu, observando-o. Era interessante realmente conhecer o Guardião e constatar em como, no final, o Grande Espírito agia de forma tão sutil, mas tão bem planejada. Acima de qualquer plano ou estratégia humana. A Sabedoria Dele era infinita. Olhou para Ren e Matsuko.
‘Acho que vocês já podem se juntar aos outros. Logo, será hora de agir. Não temos muito tempo. Yoh precisa de sua ajuda, Ren.’ Ela falou e os dois acenaram com a cabeça, saindo da sala e deixando o casal com Anna.
Ren e Syaoran se encararam uma última vez antes de acenarem um para o outro de forma polida e do xamã desaparecer pela porta com a esposa.
Anna voltou sua atenção para os dois. ‘Sentem-se. Temos muito o que conversar e pouco tempo para fazer isso.’
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O avião aterrissou no aeroporto no aeroporto da Basileia, na fronteira da França com a Suíça, na região da Alsácia.
Kazuo respirou fundo, tinha passado quase todas as 12 horas de voo tenso, mal conseguindo relaxar ou dormir como Shaolin e Marie. Passou quase o tempo todo de mão dada com Marie e quase surtou quando a jovem teve que ir ao toilette, obrigando-o a soltá-la. Ele sentado estava e sentado ficou o tempo todo.
Tai Dai ofereceu uma refeição e vários outros quitutes que foram negados terminantemente pelo rapaz, que só perguntava se faltava muito para aquela coisa voltar para o chão.
Shaolin passou a viagem dormindo. Até tentou acordar para comer alguma coisa, mas desistiu. Deitou-se de forma mais confortável nas duas poltronas e só acordou mesmo quando Tai Dai o chamou para se prepararem para a aterrissagem, obrigando-o a voltar a ficar sentado e afivelar o cinto.
O menino olhou rapidamente para o irmão e sorriu de leve, vendo-o ainda agarrado à mão da prima que não ousava sequer olhar para ele. Deveria estar bem envergonhada. Respirou fundo e jogou a cabeça para trás, apoiando-a no assento confortável.
Pensou que, depois que esta loucura toda terminasse, gostaria de um dia viajar novamente com Kasumi. Na verdade, pensou que gostaria um dia de andar de mãos dadas com ela. Eles nunca fizeram isso antes. Talvez quando crianças ou quando um puxava o outro… Na verdade, quando ela o puxava para que ele andasse mais rápido para fazerem alguma coisa que ela tinha decidido.
Sorriu de leve, dando-se conta que durante os festivais do templo Tsukimine, ou quando estavam em algum lugar com aglomeração de pessoas, costumavam ficar de mãos dadas desde pequenininhos para não se perderem. Fechou os olhos, lembrando-se do último festival em que ela estava vestida com uma roupa tradicional rosa feita por Tomoyo-ba-san. Kasumi estava linda. Pegou a mão dela, não por receio de se perderem, mas apenas para segurar a mão dela. Balançou a cabeça de leve. Era tão óbvio que já não sentia amor fraternal por ela há algum tempo. Tanto que, agora, sentia-se um idiota.
Não podia negar que tinha receio de como as coisas ficariam entre eles no futuro, mas também queria voltar o quanto antes para casa, voltar para Kasumi.
Kurogane-ji-san provavelmente tentaria arrancar seu fígado quando soubesse que estavam namorando. Balançou a cabeça de leve, pensando nas vezes que riu ao ouvi-lo falar que nenhum gaki metido a príncipe chegaria perto da sua princesinha. Soltou um longo suspiro e pensou que, depois de conseguir destruir as sete chaves, salvar o mundo e coisa e tal… enfrentar o tio não deveria ser tão difícil, não é? Realmente esperava que não, mas não pôde deixar e engolir em seco.
A aeronave patinou pela pista e finalmente parou no finger autorizado. Depois de alguns minutos, Tai Dai apareceu com um sorriso, avisando que já poderiam desembarcar. Shaolin desafivelou o cinto e se levantou olhando para o rosto pálido do irmão.
‘Você está bem?’ Perguntou, preocupado.
Kazuo virou o rosto, olhando para o irmão e precisou de alguns segundos para conseguir responder. ‘Tudo tranquilo.’ Falou por fim.
‘Tranquilo?’ Shaolin repetiu, erguendo uma sobrancelha.
‘Sim…’ Kazuo respondeu sem sair do lugar e ainda apertando a mão de Marie.
‘O avião já parou. Podemos sair.’ Shaolin esclareceu. ‘Você está bem, mesmo?’ Repetiu a pergunta e desviou os olhos do irmão para fitar a prima que tinha a cabeça baixa sem conseguir encará-lo. ‘Bem… Eu espero vocês no hall do aeroporto.’ Falou por fim, caminhando pela aeronave e deixando os dois sozinhos.
Marie levantou o rosto, observando o primo se afastar e depois voltou-se para Kazuo.
‘Hum…’ Ela murmurou sem graça. ‘Acho… Acho que a gente já pode descer.’
Kazuo respirou fundo e balançou a cabeça. ‘E eu que achei que ter asas como o oyaji tinha deveria ser legal.’ Soltou por fim.
‘Você ainda não se transformou?’ Ela perguntou para ele, franzindo a testa de leve.
Ele balançou a cabeça de leve, negando. ‘Ainda não, nunca precisei. Midoriko sempre reclamava disso. Ela queria que os outros me vissem transformado para que a temessem mais… Como se isso fosse necessário.’ Disse, conseguindo finalmente começar a respirar de forma normal.
‘Humph.’ Marie murmurou. ‘Aquela cobra é uma prepotente.’ Falou, franzindo a testa e desviando os olhos dele.
Ele fechou os olhos e respirou fundo, soltando o ar devagar. ‘Detestei esse negócio de avião.’ Falou de forma sincera.
Marie sorriu de leve e voltou-se para ele, observando o perfil do rapaz. Sentiu o rosto esquentar novamente e abaixou os olhos, ainda vendo a mão dele segurando a dela. ‘Hã…’ Soltou de forma tímida sem conseguir se reconhecer. ‘Acho… Acho que a gente pode… Sabe…’ Falou, mordendo os lábios de leve. ‘Shaolin-kun está esperando a gente.’
‘Vamos lá, então.’ Ele falou, soltando a mão dela e tentando desafivelar o cinto de segurança. ‘Como é que abre este negócio, mesmo?’
Marie sorriu de leve e o ajudou a abrir o cinto, ensinando-o. ‘Pronto… Está livre.’
Ele se levantou e pegou a mochila que tinha deixando no bagageiro, colocou-a nas costas e observou Marie. Franziu a testa de leve, notando que ela não o encarava de frente agora. ‘Vamos?’ Perguntou e a viu levantar o rosto e acenar que sim com a cabeça.
Marie observou Kazuo, caminhando com as pernas um pouco trêmulas e saindo do avião. Respirou fundo e levou uma mão ao peito, sentindo o coração bater de forma acelerada. Não sabia o que estava acontecendo com ela direito. Fechou os olhos e sorriu de leve, pensando que não se importaria de segurar a mão dele todas as vezes que fossem viajar. Não se importaria mesmo.
Levantou-se e pegou suas coisas para se encontrar com os dois e continuar a busca pela segunda chave.
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Marie observava, sorrindo de leve, a paisagem bonita pela janela do trem que pegaram em direção a Colmar. Kazuo estava ao lado de Shaolin, conversando com o irmão que lhe explicava algumas coisas. O rapaz estava bem mais relaxado andando de trem, parecia estar até se divertindo agora, vendo as construções e as paisagens bucólicas.
Tai Dai tinha reservado uma cabine para eles no trem, além de quartos num hotel da cidade.
Shaolin comentou que gostaria de usar logo o Rashinban para encontrar a chave e destruí-la de uma vez, partindo para próxima. Disse que descansaria durante a viagem entre uma chave e outra. Marie sorriu de forma triste, lembrando-se que Syaoran também agia daquela forma quando estava destruindo as brechas no mundo das trevas.
Syaoran tinha pressa de voltar para Sakura. Shaolin tinha pressa em salvar a mãe, mas ela começava a desconfiar que ele também tinha outro motivo para querer voltar logo ao Japão.
Quanto mais pensava nas lembranças de sua existência anterior, mais ficava na dúvida sobre até onde ela era Khala’a ou Marie. Olhou de esguelha para Kazuo e sentiu o rosto esquentar novamente. Tinha alguma coisa estranha acontecendo com ela e não conseguia ainda entender o que era. Kazuo era parecido com Syaoran, então devia ser por causa disso que se sentia estranha agora na presença dele.
Ele tinha a presença que o mestre de Khala’a tinha quando era um demônio. O que, na época, concedeu maior autonomia para ela e as outras cartas, tornando-os mais próximos. Lembrava-se da conversa que teve com o seu mestre quando era Esperança e Sakura havia sido alvejada por aquele idiota do Yanamoto. Tinha dito para ele que o amor de Sakura pelas cartas tinha salvado a todas elas e que também o salvaria.
Franziu a testa de leve, lembrando-se do que Kasumi lhe falou sobre ela sentir-se próxima a Kazuo porque suas magias tinham a mesma natureza, mas, ao mesmo tempo, alertando-a de que ela é quem complicava tudo. Kasumi sempre viu as coisas de forma mais simples e direta. Era assim nas brincadeiras de crianças e continuou a ser em muitos aspectos da vida e, por incrível que pareça, até mesmo na magia. Algo que a menina sequer tinha.
Levou as mãos até a altura do peito e sorriu de leve, fechando os olhos. Podia sentir aquele sentimento dos seus mestres dentro do peito. Era um amor forte demais. Poderoso demais. Abriu os olhos e, sem querer, olhou novamente para Kazuo que estava rindo de algo que Shaolin contou para ele. Mordeu o lábio de leve e voltou a fitar a paisagem ao mesmo tempo que tentava entender o que realmente estava acontecendo com ela.
Chegaram à estação de Colmar e Kazuo pediu para eles pararem para comer alguma coisa. Agora, relaxado por estar fora daquela máquina voadora, voltara a sentir fome. Tai Dai havia dado a eles dinheiro na moeda local e um cartão com o nome do hotel em que havia feito as reservas para eles. Entregou também um celular para que entrassem em contato com ele, caso precisassem.
Os três caminharam devagar pela cidade e Marie olhava a tudo, sorrindo de forma aberta.
‘As casas aqui são tão bonitinhas! Sinto-me num conto de fadas!’ Ela exclamou, vendo as casinhas em estilo colonial com canteiros floridos.
Kazuo observou a ruiva andando a frente e soltando exclamações. Sorriu de leve, percebendo que era a primeira vez que a via feliz daquela forma. Ela era geralmente tão séria e dura quando não estava sendo sarcástica.
‘Acho que Kasumi também ia gostar daqui.’ Shaolin comentou, observando a cidade. ‘As garotas adoram essa coisa de conto de fadas.’ Explicou para o irmão.
Kazuo franziu a testa de leve. ‘Conto de fadas?’ Perguntou, olhando rapidamente para o irmão. ‘É comida? Kasumi adora comida… doces…’
Shaolin sorriu pensando que realmente isso era algo que a menina gostava. Talvez comprasse algum doce ou algo diferente para dar de presente para ela quando voltasse. Virou-se para o irmão, negando com a cabeça. ‘São histórias de princesas, príncipes e castelos. A princesa sempre está em apuros e o príncipe a salva da bruxa malvada que, sei lá… Faz um feitiço, ou a aprisiona, enfim… Ele a salva e os dois são felizes para sempre.’ Shaolin falou.
‘Humph.’ Kazuo murmurou ainda, observando Marie que olhava admirada para o lugar. ‘As garotas gostam de serem salvas?’
Shaolin coçou a cabeça. ‘Isso é romantizado. Não sei… Acho que mudou isso. Tousan me falou que kassan não gostava de ser salva. E que ela, inclusive…’ Ele reteve-se e pensou por um segundo. O pai tinha pedido para não contar para a mãe que ela o tinha salvado, então ele poderia contar para Kazuo, sem problema, não? Deu de ombros. ‘Que kaasan, quando foi ao Mundo das Trevas, foi quem o salvou.’ Completou.
‘Mesmo?’ Kazuo perguntou, olhando para o irmão.
Shaolin acenou que sim com a cabeça. ‘Acho que no final… As garotas gostam mesmo é de…’ Ele reteve-se novamente, pensando e balançou a cabeça de leve. ‘Não dá para entendê-las.’
Kazuo arregalou os olhos de leve. ‘Como assim? Elas gostam ou não desse negócio de serem salvas?’
Shaolin deu de ombros. ‘Eu não sei.’ Respondeu com sinceridade. ‘Eu acho que não… Elas só gostam… Ah! Eu sei lá do que elas gostam, Kazuo.’ Falou por fim irritado. ‘Você é o irmão mais velho! Você é que deveria estar me explicando isso e não me perguntando.’
‘Oras… Eu não sou humano.’ Ele respondeu, contrariado. ‘Não entendo dessas coisas. Não convivia com fêmeas, apenas com Midoriko.’
Shaolin olhou feio para o irmão. ‘Para de chamar de fêmeas, certo?’
‘Mas elas não são?’
‘São… Mas chama de garotas.’ Ele fez um gesto em direção a Marie. ‘Nee-san é uma garota, entendeu? Não a chame de fêmea.’
‘Humph.’ Ele murmurou. ‘Oyaji também não gostou quando eu chamei a Sakura de fêmea dele.’
Shaolin olhou para ele e franziu a testa. ‘Eu também não gosto quando chama a minha mãe assim.’
‘Isso foi quando eu cheguei nesse mundo.’ Consertou, rapidamente. ‘Eu a chamo de Sakura agora.’
‘Melhor.’ Shaolin comentou.
Kazuo meneou a cabeça. ‘Você tem razão… Kasumi já me falou que não se deve chamar as garotas assim.’
‘Como assim?’ Ele perguntou erguendo uma sobrancelha. ‘Eu não acredito que você chamou a Kasumi de fêmea.’ Bateu a mão no rosto e balançou a cabeça de leve.
O rapaz endireitou o corpo. ‘Ela me falou que não era assim que eu deveria chamá-la.’
‘Eu imagino a cara que ela deve ter feito.’
‘Ficou vermelha quando eu falei que ela era sua fêmea.’
Shaolin tinha o queixo no chão. ‘Você não fez isso. Diz pra mim que você não fez isso…’
Ele encolheu os ombros de leve. ‘Ela só ficou vermelha. Você está tendo uma reação mais exagerada do que ela.’
‘Por que Kasumi é tímida.’
O rapaz colocou uma mão no queixo pensativo. ‘Isso não importa. Ela foi a única que compreendeu que eu me considero um demônio macho, mas me alertou que aqui eu sou um rapaz.’ Explicou sorrindo. ‘Nada de garoto.’
Shaolin balançou a cabeça desolado. Não conseguia nem imaginar o rosto de Kasumi ao falar sobre isso com Kazuo. Arregalou os olhos lembrando de um detalhe. ‘Você não perguntou para ela sobre o tal contato, não é?’ Perguntou devagar, rezando internamente para o irmão negar.
Kazuo franziu a testa de leve e estalou a língua. ‘Eu deveria ter perguntado… Kasumi me entende, ela me explicaria e evitaria que eu caísse em armadilhas!’ Falou e balançou a cabeça de leve com a conclusão.
Shaolin fechou os olhos agradecendo aos céus pela resposta do irmão. Não sabia nem qual seria a reação da menina se Kazuo fizesse esta pergunta a ela. Abriu os olhos e franziu a testa. Pensando friamente, era capaz de Kasumi explicar sem constrangimento como se fosse uma aula de biologia.
Endireitou o corpo lembrando-se de quando os dois estudavam juntos sobre reprodução em biologia e enquanto ele estava sem conseguir nem olhar para ela, Kasumi estudava como se fosse uma matéria qualquer. Soltou um suspiro. De qualquer forma, não gostaria que a namorada tivesse este tipo de conversa com o irmão. Era ciumento e pronto!
Marie parou em frente a um restaurante que parecia um castelo e sorriu. Voltou-se para trás e olhou para os rapazes. ‘Vamos neste?!’ Perguntou entusiasmada. ‘Eu quero comer aqui!’
Kazuo desviou os olhos do rosto do irmão e sorriu, vendo-a olhar feliz para a construção. Olhou para o lugar e ergueu uma sobrancelha. ‘Por que ela quer comer aqui?’ Perguntou para o irmão em voz baixa.
‘Porque parece um castelo de conto de fadas. Já falei.’ Shaolin falou. ‘Talvez… Hum… Talvez ela pense que vai encontrar o príncipe encantado dela aí dentro, não é?’
‘Como assim?’ Kazuo perguntou. ‘Que príncipe encantado?’
‘Ah!’ Shaolin falou de forma teatral. ‘O grande amor da vida dela que a salvará de todos os perigos e jurará amor eterno para Marie-hime.’
Kazuo franziu a testa e ajeitou o corpo, incomodado. ‘Eu não estou afim de comer aí não.’ Falou mal humorado.
‘Acho que será muito difícil convencer nee-san a ir em outro lugar.’ Shaolin riu, observando a prima que já entrava no restaurante e fazia um gesto com a mão para eles se apressarem. ‘Então seria melhor você ficar por perto para impedir que algum príncipe se aproxime, não é? Vai que ele a tire de você...’
Kazuo o encarou com as bochechas coradas. ‘Qual é a sua, pirralho?’
Shaolin deu de ombros. ‘É só um conselho.’ Falou, apressando o passo para se encontrar com a prima e fugir de alguma retaliação do irmão.
Kazuo observou o irmão e Marie alguns metros à sua frente. Olhou ao redor, vendo se encontrava algum “príncipe”, o que quer que isso fosse. Estava com fome até o irmão informá-lo da existência desse negócio aí de contos de fadas. Agora só queria comer qualquer coisa e tirar Marie o quanto antes daquele castelo.
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Shaolin olhou para a construção em frente. O Rashinban apontava seu raio vermelho em direção a ela. Kazuo e Marie estavam ao seu lado.
A ruiva sorriu de leve. ‘Esta cidade parece que só tem castelos.’
Kazuo franziu a testa. ‘Isso é idiota demais. Não sei o que tem demais neste tipo de construção.’ Comentou.
Ela olhou para ele com o rosto fechado. ‘Você não tem sensibilidade para apreciar uma arquitetura bonita.’
Kazuo fez um gesto com a cabeça em direção a construção. ‘Não tem príncipe encantado nenhum aí dentro.’
Marie ergueu uma sobrancelha. ‘Do que diabos você está falando?’
Shaolin olhou de um para o outro e soltou um suspiro. ‘A chave de Shamash está aí dentro.’ Ele falou desativando o Rashinban e guardando-o. ‘Tao-san disse que o protetor da chave estaria nos esperando, então acho que vai ser fácil desta vez.’ Falou, dando um passo em direção à construção quando sentiu o mão de Kazuo sobre o seu ombro, fazendo-o parar. Voltou-se para o irmão, olhando-o de forma interrogativa.
‘Aquele anjo baka falou quanto tempo você fica em transe para destruir cada chave?’
Shaolin desviou os olhos do irmão. ‘Ele disse que depende.’
‘Você precisa ser rápido, Shaolin-kun.’ Marie o advertiu. ‘Se ficar desconectado do seu corpo por muito tempo, talvez não consiga voltar, sabe disso, não?’
Ele assentiu com a cabeça, observando a prima. ‘Mas não tem outro jeito, não é?’
‘Se você não voltar em 10 minutos, eu vou acordá-lo, entendeu?’ Kazuo falou, olhando sério para o irmão. ‘Aí a gente descobre um outro jeito de destruir estas porcarias.’
Marie olhou séria para os dois e comprimiu os lábios. Entendia o posicionamento dos dois.
‘Nee-san tentou me acordar e não conseguiu. Não tem como você fazer isso.’ Ele falou. ‘Se me acontecer alguma coisa, Kazuo, você não é o culpado, entendeu?’
Kazuo se inclinou um pouco apenas para ficar com o rosto na altura do irmão e olhando sério para ele. ‘Você nem pense em não voltar, Shaolin. Não vou levar o seu corpo para oyaji e para sua mãe. Então… Vê se fica esperto.’
Shaolin assentiu com a cabeça. ‘Vou fazer o meu melhor.’ Respondeu.
‘Ótimo.’ Kazuo falou, erguendo-se e passou a mão na cabeça do irmão. ‘Vamos então.’
Caminharam em direção a construção e pararam em frente ao imenso portão. Marie se aproximou para bater nele, mas nem foi preciso encostar nele que já se abriu, rangendo. Os três se entreolharam, apreensivos. Kazuo tirou a esfera negra do bolso e a apertou entre os dedos. Shaolin fez o mesmo. Entraram pelo castelo, observando o ambiente ricamente decorado com móveis vitorianos e completamente vazio.
‘Esta energia é estranha.’ Kazuo comentou.
‘É energia xamã.’ Marie esclareceu, sentindo-se incomodada.
Shaolin deu de ombros. ‘É parecida com a de Tao-san. Não tem muita diferença.’ Ele parou um instante, pensando. ‘Na verdade, tem sim, mas acho que a base é a mesma.’
‘Tá maluco? Isso aqui me dá calafrios.’ Kazuo comentou.
‘O que dá calafrios é este lugar vazio.’ O garoto comentou, olhando para a decoração. ‘Isso aqui parece a idade média.’
Chegaram num salão onde encontraram uma bela mulher sentada numa cadeira parecendo um trono. Os cabelos dela eram de um louro claríssimo acinzentado, quase platinado e os olhos eram avermelhados. Tinha uma aparência frágil, pele tão clara e branca que parecia nunca ter sido banhada pelo sol. Estava sentada de forma elegante, evidenciando seu porte de aristocracia europeia. Vestia um longo vestido com babados, e laços, ricamente detalhado. Parecia uma princesa, uma verdadeira princesa, Shaolin observou, sorrindo de leve.
A mulher olhou para os três com a testa levemente franzida. Levantou-se, caminhando na direção deles e parou a um pouco mais de um metro de distância. Shaolin deu um passo à frente, mas Kazuo o segurou pelo ombro, impedindo-o de se aproximar da jovem.
Ela olhou Shaolin que sorria para ela e abriu um tímido sorriso para o garoto. Depois levantou os olhos para Kazuo e Marie, voltando a ficar séria.
‘A presença de vocês é esquisita.’ Ela falou, olhando de um para o outro.
Kazuo e Marie se entreolharam. Shaolin tirou a mão do irmão do ombro e se aproximou dela.
‘Você deve ser Jeanne-san, não?’ O garoto perguntou, olhando-a diretamente.
Ela voltou-se para ele e confirmou com a cabeça. ‘Estava esperando-o. Avisaram-me que você estaria vindo para destruir a chave que protejo.’
Ela sorriu pegando o rosto do garoto entre suas mãos.
Shaolin arregalou os olhos de leve, sentindo as bochechas esquentarem ao fitá-la tão de perto.
‘Você terá que ser forte. Shamash é o juiz do céu e do mundo do além. E, como todo juiz, é imparcial em suas sentenças. O que será testado em você não é força física, mas sua força de caráter.’ Ela falou com a voz mansa e suave. Sorriu de leve novamente. ‘Acredita que esteja preparado?’
Shaolin engoliu em seco e assentiu com a cabeça. Jeanne soltou o rosto do menino. ‘Venha comigo então.’ Falou, virando-se e caminhando em direção a uma porta que levava a outro cômodo do imenso castelo.
Jeanne olhou sobre o ombro para Marie e Kazuo e estreitou os olhos neles. Kazuo sentiu-se incomodado. Tinha alguma coisa estranha e costumava não estar enganado em seus pressentimentos. Olhou em volta, sentindo algumas outras presenças, mas não tão fortes quanto da jovem que caminhava à frente deles. Ela até poderia ter aparência frágil, mas a energia que emanava do corpo dela era muito forte.
Pararam em frente a uma cápsula de ferro com uma fronte feminina esculpida. Parecia um sarcófago.
‘Esta é a dama de ferro.’ Ela falou, caminhando até a exótica caixa e a abrindo. As dobradiças de metal rangeram, incomodando Shaolin. Ela fitou o garoto com o rosto sério. ‘Muitos anos atrás, acreditei que, usando a chave de Shamash, pudesse abrir os Portões da Babilônia para aprisionar uma pessoa e evitar que o mal se espalhasse pelo mundo.’ Ela comentou, olhando para a Dama de Ferro e sorrindo de leve. ‘Mas o Grande Espírito, no final, conseguiu aprisionar este mal em outro lugar.’ Soltou um suspiro e voltou a fitar Shaolin. ‘Para alcançar a chave e entrar em contato com Shamash, precisa entrar e enfrentar o julgamento para destruí-la ou não.’
Marie franziu a testa, observando a Dama de Ferro, deu um passo a frente encarando Jeanne com os olhos em chamas. ‘Está louca em fazê-lo entrar nesse caixão? Está cheio de cravos! Isso aí era usado para tortura!’
Kazuo arregalou os olhos, observando a cápsula. ‘Meu irmão não entra aí mesmo. Esta mulher é louca. Vamos embora daqui.’ Falou já segurando o braço de Shaolin e pronto para dar meia volta.
Jeanne soltou um suspiro. ‘Os cravos só o ferirão se ele não passar no julgamento.’
Kazuo voltou-se para ela. ‘Nem pensar. Vamos embora daqui, Shaolin.’ Falou, começando a arrastar o garoto.
‘Você não confia no caráter do seu irmão?’ Ela perguntou, fazendo-o estaquear e voltar-se para ela.
‘O caráter dele não deveria ser julgado colocando a vida dele em risco.’ Kazuo respondeu trincando os dentes.
‘Mas isso é uma decisão dele, não?’ Jeanne perguntou sem se abalar. ‘Ele está ao seu lado… Mesmo você sendo um demônio. O certo seria ele temê-lo, não?’
‘Isso não tem nada a ver com ele entrar nesta sua coisa de maluco aí.’
Ela sorriu de leve novamente. ‘Passei grande parte da minha infância e adolescência na dama de ferro.’ Ela falou, olhando para cápsula e depois voltando a fitá-los. ‘E estou aqui. Fui julgada e sobrevivi.’ Jeanne fitou Shaolin. ‘Você teme não passar no julgamento?’
Shaolin franziu a testa de leve. ‘Não.’
‘Então…’ Ela falou, sorrindo de leve. ‘Não tem porque temê-lo.’
‘Tem razão.’ Shaolin falou e tentou puxar o braço que o irmão segurava com força.
Kazuo olhou para ele. ‘Nem pensar.’
‘Preciso fazer isso. Viemos até aqui para destruir esta chave e temos mais outras cinco. Não podemos perder tempo.’
Kazuo olhava da Dama de ferro para o irmão, não dava para permitir que ele entrasse ali.
‘Kassan precisa que eu faça isso, Kazuo.’ Ele falou, fazendo o irmão trincar os dentes.
‘Inferno.’ Kazuo falou, soltando o braço do irmão. ‘Dez minutos ou eu abro esta porcaria para tirá-lo daí.’ Falou. ‘Você tem dez minutos.’
Shaolin concordou com a cabeça. ‘Eu vou tentar ser rápido.’ Falou, caminhando em direção a cápsula de ferro.
Marie olhava para os dois, nervosa. Tinha vontade de, como Kazuo, impedir que o garoto entrasse nela.
Shaolin parou em frente a Jeanne que sorriu para ele e depois entrou na cápsula. Ela fechou a tampa, mas sentiu a mão de Kazuo pegar o seu pulso. Levantou o rosto, encarando-o.
‘Se acontecer alguma coisa com ele aí dentro, eu juro que você vai se arrepender, entendeu?’
‘Isso só vai depender dele.’ Ela respondeu, impassível.
‘Então é melhor rezar para ele sair bem daí.’ Ameaçou novamente.
Marie tocou no ombro de Kazuo, chamando a atenção dele. ‘Tente ficar calmo.’ Ela falou, sentindo a aura do rapaz expandir conforme o nervosismo dele.
‘Eu estou.’ Ele respondeu de forma baixa, ainda encarando Jeanne.
Soltou o pulso dela e deu um passo para trás, permitindo assim que ela fechasse completamente a cápsula.
Kazuo tentou respirar fundo e relaxar, mas seus olhos estavam fixos na tal dama de ferro com o irmão dentro.
Marie observou a xamã que suspirou e caminhou devagar em direção à entrada do castelo. Ela voltou-se para os dois. ‘Eles chegaram.’
‘De quem está falando?’ Marie perguntou, concentrando-se brevemente para identificar as presenças mágicas.
‘Dos que também estão atrás da chave.’ Jeanne esclareceu.
Kazuo rodou os olhos. ‘Droga… só faltava mesmo aparecerem aqueles idiotas para me deixarem mais nervoso.’ Ele olhou para o relógio. ‘Shaolin tem mais sete minutos.’ Falou, pegando a esfera negra e transformando-a na espada mágica. ‘Tenho que acabar com esses idiotas em cinco.’ Concluiu rodando a espada na mão direita e estreitando os olhos no grupo de feiticeiros que invadiam o lugar com suas armas mágicas.
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Shaolin abriu os olhos e foi obrigado a fechá-los novamente devido à forte luz que os atingia. Precisou de alguns segundos antes de conseguir, finalmente, abri-los e ver a figura de um grande homem a sua frente.
Ele parecia ter o sol atrás de si. Tinha o rosto sério e os olhos dourados estavam cravados no menino a sua frente.
Shaolin olhou para os lados e novamente se viu no nada, apenas com a figura imponente do que, com certeza, seria Shamash, o juiz. Respirou fundo e voltou a fitá-lo, estava preocupado com o tempo e com Kazuo. Entendia que o irmão estava tentando protegê-lo, mas ele era impulsivo demais.
‘Então…’ Shamash chamou a atenção do garoto que levantou o rosto, fitando-o. ‘Está aqui para destruir a chave. Acha-se digno para isso?’
Shaolin encolheu os ombros. ‘Preciso destruí-la. Esta foi a missão que me deram.’
‘E você nunca se questionou o porquê desta missão?’ Ele rebateu.
‘Os universos estão instáveis. A existência destas chaves pode ser perigosa.’ Ele começou a responder, repetindo o que Gabriel dissera. ‘Preciso evitar que caiam em mãos erradas.’
‘E por que você acha que é sua decisão destruí-las? Outras pessoas poderiam precisar delas para algum outro propósito que não prejudique o equilíbrio dos universos.’
Shaolin desviou os olhos dele, não tinha pensado por este ângulo. Voltou a fitá-lo. ‘Se realmente existir algum propósito para que se abra uma brecha entre os universos de forma benéfica, não será necessária a utilização de artefatos. As brechas podem ser abertas de forma aleatória.’ Ele falou, lembrando-se do que seus pais e Marie tinham lhe contado sobre elas. ‘Se o objetivo de uma abertura é benéfico, ela será aberta pela vontade comum. Sempre haverá meios de as brechas surgirem para o bem.’
‘Assim como para o mal, não?’ Shamash rebateu.
Shaolin concordou. ‘Sim. Mas também haverá os que são destinados a evitar este mal.’
Shamash sorriu de leve. ‘E você acha que é um destes destinados?’
‘Estou aqui no lugar do meu pai.’
‘Você tem certeza disso?’ Perguntou em tom de desafio. ‘Você segue o código de honra e os princípios do seu pai, não?’
Shaolin franziu a testa de leve. ‘Meus pais me ensinaram o que é o certo e o que é errado.’
‘E você alguma vez já se perguntou o que é certo ou errado para você?’
‘O certo é o certo e o errado é o errado. Não importa que o errado seja feito por todos, continuará sendo errado e não se tornará o certo.’
‘É um código muito restrito, não?’ Shamash comentou. ‘Se você, por exemplo, falhar neste teste, quem será o culpado? Você? Ou outra pessoa que permitiu que você chegasse até aqui?’
‘Não existem culpados.’ Shaolin rebateu. ‘Foi minha decisão estar aqui.’
‘Mas você não falou que está aqui no lugar do seu pai?’
‘Eu aceitei a missão no lugar dele.’ Falou com voz firme. ‘Se eu falhar, apenas eu assumirei a culpa de minha falha. Se eu falhar foi porque eu não fui forte o suficiente.’
Shamash sorriu de leve. ‘Você tem coragem, isso é admirável.’ Falou fazendo um gesto com a cabeça. ‘E também percebo que tem uma natureza gentil, apesar de ter sido submetido a um treinamento para tornar-se mais agressivo.’ Ele sorriu de leve, estreitando os olhos no garoto. ‘Acho que sempre foi sua sina, não? Sempre procurou fazer o certo, mas os acontecimentos o levaram por caminhos mais agressivos. O meio sempre transformará o homem.’
‘Meus pais me treinaram para que eu estivesse preparado. Para poder me defender.’
‘É uma boa explicação.’ Shamash ponderou. ‘Então acredita que, contanto que seja para se defender, não há problema em se tornar agressivo, não?’
Shaolin franziu a testa. ‘Sim.’ Ele falou. ‘Não é certo sair agredindo os outros sem um motivo.’ Falou encolhendo os ombros.
‘Como seu irmão?’ Shamash perguntou, sorrindo de leve e reparando que o garoto arregalou os olhos de leve.
‘O que tem o meu irmão?’ Falou em tom de urgência.
Shamash deu um longo suspiro. ‘Ele tem uma natureza peculiar, não? Você não o aceitou… Na verdade, você até hoje não o aceita, não é?’
Shaolin deu um passo à frente, franzindo a testa. ‘Ele é meu irmão.’
‘Ele é um demônio, não? Você detestou saber da existência dele.’
‘O que eu não aceitei foi o fato do meu pai ter traído a minha mãe!’ Shaolin falou mais alto.
‘E seu pai a traiu?’
‘Não!’ O garoto gritou. ‘Ele me esclareceu tudo.’
‘E você acreditou?’
‘Ele é meu pai. Não mentiria para mim.’
‘Mas você duvidou, não?’
Shaolin balançou a cabeça de leve. ‘Apenas enquanto não compreendia todos os fatos. Desde então, vi que não tinha todas as respostas. Que não sabia de tudo.’
‘Mas o certo é certo e o errado é errado, não?’ Shamash repetiu. ‘Ter um filho fora do casamento seria errado pela sua regra social.’
‘Não foi culpa do meu pai.’ Shaolin falou, trincando os dentes. ‘E também isso não importa mais. Kazuo existe. Ele é meu irmão e pronto. Não importa em que circunstâncias ele foi concebido.’
‘Não importa mesmo?’ Shamash questionou. ‘Você realmente não se importa?’
‘Meu pai não traiu minha mãe. E isso é que importa.’
‘Ah, sim…’ Ele falou, balançando uma mão a frente. ‘Você acredita na versão do seu pai. Ele lhe explicou que não traiu sua mãe, que teve um dos seus sonhos invadido por um ser… mas ele poderia ter evitado isso, não?’
‘Ele não sabia.’
‘Você tem certeza?’
‘Não cabe a mim julgá-lo.’
Shamash sorriu de forma irônica. ‘Mas os outros julgarão, não? Como você explicará a existência do seu irmão?’
Shaolin trincou os dentes. ‘Isso não interessa aos outros.’
Shamash sorriu de forma perigosa. ‘Você se importou com o que a garota de quem você gosta pensaria sobre você ter um irmão demônio, não?’
Shaolin cerrou os pulsos e desviou os olhos dele. ‘Tem razão. Fiquei com medo.’
‘Medo?’
‘Medo que ela me rejeitasse por eu ter um meio-irmão demônio, por eu ser “anormal”.’ Esclareceu e sorriu de leve. ‘Mas ela não ligou… Kasumi simplesmente não ligou para nada disso.’ Levantou o rosto e encarou Shamash. ‘Ela me mostrou que isso tudo é besteira.’
Shamash não tirou o sorriso no rosto, inclinou a cabeça ainda fitando-o. ‘Talvez por que ela própria tenha afinidade com as trevas… Já pensou nisto?’
Shaolin arregalou os olhos e deu mais um passo à frente. ‘Claro que não! Kasumi é uma garota normal!’
‘Tem certeza?’ O tom novamente era de desafio. ‘E se não for? E se ela não for quem você agora acha que ela é.’
‘Do que você está falando?’
‘E se esta garota por quem você tanto tem sentimentos não for uma garota normal. Você a rejeitaria?’
‘Claro que não! Eu a amo! E pronto!’ Falou de forma firme.
Eles ficaram em silêncio alguns segundos. Shaolin respirou fundo e voltou a encará-lo. ‘Preciso destruir a chave. Não posso demorar, diga-me o que eu preciso fazer para isso.’
‘Por que tem pressa? Tem medo de morrer?’
‘Não.’ Ele respondeu e desviou os olhos. ‘Existem pessoas que estão esperando por mim.’
‘Então não quer morrer por elas. Louvável.’ Falou. ‘Ou será que tem receio que seu irmão de natureza incontrolável use a desculpa de sua morte para ser agressivo e vingar-se? Você sabe exatamente como o gosto da vingança não é lá muito agradável. Não resolve todos os problemas.’
Shaolin balançou a cabeça de leve, sentindo-se desnorteado com o que ele lhe falava. Inicialmente as palavras e colocações pareciam não fazer sentido para ele, mas no fundo… De alguma forma, faziam.
‘Kazuo é uma boa pessoa.’ Sentenciou por fim.
Shamash abriu um sorriso maldoso novamente. ‘Ele não é uma pessoa, ele é um ser das trevas. Sua natureza é agressiva. Assassina. Não é confiável.’
Shaolin cerrou os punhos. ‘Ele é meu irmão.’ Repetiu entre os dentes. ‘Eu confio nele.’
‘Mas quando você pediu para ele não matar ninguém… Ele matou, não foi?’
‘Não… Ele evitou…’
‘Ele evitou… Mas acabou matando alguns, não?’ Falou com a voz suave. ‘Ele é um assassino. Não pode controlar sua natureza. Ele foi agressivo com você, não foi? Por pouco, ele não o matou.’
‘Eu também fui agressivo com ele.’ Rebateu. ‘Não tenho a natureza gentil como falou. Pelo contrário! O que eu tento fazer é me controlar.’
Shamash sorriu. ‘Claro… Ele despertou o pior de você.’
‘Não!’ O menino rebateu. ‘Eu estava confuso, com raiva. Eu fui tão ou mais culpado que ele.’
‘Mas você sempre procurou ser gentil. Controlar sua agressividade. Seu impulso assassino…’ Shaolin engoliu em seco ao ouvi-lo. ‘Sempre escondeu sua força nesta sua existência como Shaolin. Mas seu irmão quase o fez regredir, não?’
‘Não! Eu já falei… Eu estava confuso.’ Rebateu.
‘E você seria capaz de matá-lo por estar confuso?’
‘Claro que não!’ Shaolin respondeu, dando um passo para trás.
‘E ele?’
‘O que tem ele?’
‘Você acha que ele realmente não o mataria se tivesse oportunidade?’
Shaolin desviou os olhos de Shamash. Sentiu o corpo tremer e não pôde ser hipócrita em falar que realmente não havia temido que o irmão o matasse durante aquela briga dos dois. Ele respirou fundo e fechou os olhos. Voltou a fitar Shamash.
‘Sim. Eu realmente temi que ele me matasse… Porque eu não o conhecia.’ Respondeu. ‘Não sabia quem ele era ainda. Mas hoje eu o conheço. Sei que ele é uma boa pessoa não importa a natureza dele.’
‘Você é honesto… Isso é uma qualidade admirável também.’ Shamash comentou. ‘E você realmente acredita que o conhece o suficiente para afirmar que ele é uma boa “pessoa”? Pelo seu atual código, assassinos não são considerados boas pessoas, Shaolin. Ou você seria capaz de voltar a se tornar um assassino? Como seu pai é?’
‘Voltar a me tornar um assassino?’ Indagou sem entender. ‘Do que está falando? Não entendo.’
Shamash tinha o rosto sério. ‘Acha que essa é sua primeira existência?’
Shaolin não conseguiu responder. Engoliu em seco.
‘Exatamente o que está pensando. Realmente essa não é sua primeira existência. Você cometeu erros anteriormente e pelo que vejo, aprendeu muito com eles.’
‘O meu pai foi quem me ensinou o que é o certo.’ Shaolin interrompeu-o.
‘E ele lhe contou que também matou pessoas? Que também é um assassino como o seu irmão? Ou como você já foi?’
Shaolin balançou novamente a cabeça, pensando.
‘As coisas não são tão claras, não é? O certo e o errado não são mais tão distintos para você agora.’ Shamash falou com a voz suave.
‘Eu… Eu não sei.’ Falou com sinceridade. ‘Acho que ele… tousan teve motivos para fazer o que fez. Não faria isso de forma aleatória.’
‘Acha?’
Shaolin encarou-o. ‘Tenho certeza que tousan só faria isso no limite e por motivos bem fortes!’
‘E seu irmão? Ele realmente teria motivos para matar ou apenas o fez porque faz parte da natureza dele?’
Shaolin cerrou os punhos novamente. Era verdade que tinha pedido para o irmão se controlar. Que eles tentariam apenas pegar as chaves sem machucar e, principalmente, matar ninguém. Sabia que o irmão não tinha muito controle e era verdade que temia isso, não por ele, pois sabia que Kazuo não o machucaria, mas pelos outros.
Kazuo fora criado no mundo das trevas por um demônio feminino que só o teve para usá-lo como arma e expandir seus domínios. Ele nunca a chamou de mãe. Sempre a chamou de Midoriko e, sempre que pronunciava o nome dela, Shaolin conseguia ver os olhos do irmão tremerem.
Marie e Kazuo tinham lhe contado como era o Mundo das Trevas e, verdade seja dita, custava a acreditar que o irmão tinha sido criado lá. O pai dizia que era um lugar de merda, e Kazuo confirmou. E ele mesmo teve sonhos em que estava lá e constatou que realmente era um lugar horrível.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Uma das coisas que conseguia se lembrar claramente do irmão falando para ele, durante a briga que tiveram, era que ele nunca tinha apanhado. Que fazia o que queria e se trancava no quarto e pronto. E por isso era mimado. Naquela frase estava implícito que Kazuo tinha apanhado e muito antes. Kazuo não fora criado como ele.
Levantou o rosto e fitou Shamash. ‘Não é a natureza, foram os valores que passaram para ele. Ou melhor, que deixaram de passar.’ Respondeu de forma firme. ‘Ele não teve oportunidade de ser amado. Ele não teve oportunidade de ser feliz. Ele não pode ser julgado por alguém que teve tudo que ele não teve, como se isso me desse o direito de condená-lo.’ Disse. ‘O que eu posso e o que eu tento fazer é passar para ele o que me foi ensinado, explicando como o nosso mundo funciona. E sinceramente…’ Ele sorriu de leve. ‘Sei que ele me escuta e se esforça para se adequar aqui e sei que, quando ele compreender… quando tiver parte do que eu tive, ele entenderá o que é certo e errado. E, sendo assim, ele mesmo fará o julgamento de seus atos.’
Shamash sorriu para ele pela primeira vez de forma sincera e aberta. ‘Então compreendeu que tudo é relativo, Shaolin. Nada é absoluto. Todos os fatos devem ser considerados sempre para que nunca se cometa uma injustiça.’
Shaolin assentiu com a cabeça e sorriu de volta para Shamash. Percebeu que a luz amarela que estava atrás dele se expandiu e ficou mais brilhante, obrigando-o novamente a fechar os olhos para não ser cegado. Abriu os olhos e sentiu ser sacudido com força pelos ombros.
‘Hei!’ Reclamou, abrindo os olhos devagar.
‘Você ainda vai me matar do coração, Shaolin!’ Ouviu a voz de Kazuo e aos poucos conseguiu reconhecer o rosto do irmão.
‘Eu estou bem… Eu estou bem…’ Repetiu, tentando entender o que aconteceu. Não estava mais dentro da tal Dama de Ferro. Não lembrava de ter sido tirado dela.
Marie abaixou-se, parando ao lado de Kazuo e olhando o primo. ‘Ele está machucado, melhor o levarmos para algum lugar para tratá-lo.’
Kazuo virou-se para Jeanne que estava atrás dos dois. ‘Você disse que ele não se machucaria. Ele está todo machucado por causa daquelas porcarias de cravos.’
‘Durante a luta contra os inimigos, atingiram a Dama de Ferro, por isso que ele ficou machucado.’ Ela explicou. ‘Mas são apenas arranhões. Não se preocupe tanto. Você não deixou que ninguém chegasse perto o suficiente para feri-lo gravemente.’ Ela sorriu de leve. ‘Se um deles a derrubasse ou a tivesse aberto… seu irmão teria morrido.’
‘Do que você está falando?’ Kazuo perguntou, pegando Shaolin e levantando-o.
Jeanne deu um longo suspiro, observando o garoto com os braços, pernas e rosto machucados. ‘Uma vez dentro daquela Dama de Ferro em especial, apenas quem está nela consegue abri-la. Se tentarem destrancá-la, os cravos de ferro reagem e impedem esta saída forçada.’ Ela esclareceu, vendo o rapaz arregalar os olhos e empalidecer. ‘Se você tentasse forçar para tirá-lo de dentro, seria a morte dele. Precisa pensar melhor antes de agir. Precisa confiar mais no seu irmão ou você acabará colocando a vida dele em risco ao tentar salvá-lo.’
Kazuo a encarou com raiva. ‘Você deveria ter falado isso antes que ele entrasse.’
‘A chave que ele procurava e precisava destruir era justamente aquela Dama de Ferro. Ele precisava fazer isso, você não podia impedi-lo. Está confundindo ajudá-lo na missão dele com protegê-lo.’ Ela tentou esclarecer para o rapaz. ‘E, por não ter todos os fatos, poderá colocá-lo num risco muito maior.’
Kazuo ainda a olhava com raiva. Desviou os olhos de Jeanne para o irmão que, além de estar fraco, estava com vários machucados pelo corpo. Mais machucados. Trincou os dentes. Pegou Shaolin nos braços e encarou uma última vez a xamã antes de começar a caminhar em direção a saída daquele lugar.
‘Vamos embora, Marie.’ Ele falou enquanto pulava e desviava dos vários inimigos que estavam desacordados e feridos no chão.
Continua.
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