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FEITICEIROS

Por Kath Klein & Yoruki Hiiragizawa

Capítulo 62

A Missão do Arcanjo

Sakura caminhava devagar pela pousada Funbari. Ela e Syaoran tiveram uma conversa honesta com Anna Asakura sobre a origem do poder que ela possuía. Syaoran mostrara-se incrédulo a princípio, mas ouvia a tudo com cuidado e atenção, fazia uma pergunta ou outra. Syaoran era um homem inteligente e de início dava a impressão de que estava ouvindo tudo de forma atenta a fim de encontrar alguma contradição no que Asakura dizia. O que não conseguiu.

A senhora Asakura tinha derrubado todas as especulações e incredulidades de Li. Não foi uma conversa fácil ou amigável, muito pelo contrário. Syaoran era cético com relação a energia xamã e Anna, por vezes, parecia que se controlava para não perder a paciência que tentava manter, mas não era um feiticeiros ingênuo. Sabia muito bem da existência de outras energias além daquelas que dominava.

Como a própria xamã havia comentado, ele, mais que ninguém, tivera contato com quase todas as nuances da magia. Era um feiticeiro com poderes apoiados nos elementos naturais, mas sempre teve algo das trevas dentro de si por ser o guardião da trevas daquele universo. Seu corpo humano não aguentou a energia que manifestou quando se aproximou das trevas. Morreu. Tornou-se um ser espiritual por um tempo. Incorporou no primo para intervir em acontecimentos terrenos, utilizando-se de uma manobra tipicamente xamânica. Abriu mão da esfera superior para ir ao mundo das trevas e assim adquirir um corpo físico. Sobreviveu lá, passou por uma brecha, viveu como um demônio entre os humanos. Voltou… Enfim… Foram tantos acontecimentos que marcaram a vida dele que Sakura achava difícil entender como, em alguns aspectos, ele insistia em não querer aceitar.

Respirou fundo caminhando devagar pelo corredor. Verdade que, desde que havia chegado à pousada, sentia-se um pouco mais fortalecida, com certeza devido a alguma manobra de Anna. Reencontrou-se com os amigos de Ren e conversou um pouco com eles. Apesar de todos tentarem disfarçar e manter o otimismo próprio deles, não conseguiam esconder que estavam tensos.

Sorriu de leve, reparando que agora Syaoran conversava com Ren de forma tranquila. Não diria que se tornaram amigos, mas começaram a se enxergar de forma menos arisca. Além disso, os dois adoravam conversar em mandarim. Provavelmente para estarem perto de suas raízes. Os dois tinham problemas com seus clãs, os dois tinham personalidades explosivas, eram afinidades demais, inclusive no “esporte” preferido que era implicar um com o outro.

Estava também preocupada demais com Shaolin. Nunca esteve tão longe do filho. Estaria subindo pelas paredes se não fossem as eventuais manifestações de Kagami para conversar com ela sobre o menino. Espelho adorava-o e, provavelmente, conhecia-o tão bem quanto ela; às vezes, tinha impressão de que ela o amava como a um filho realmente.

Relembrava com entusiasmo sobre alguns fatos que aconteceram com o menino ao longo da vida. E Sakura pôde ouviu até um suspiro dela quando declarou que “ele tinha crescido rápido demais”. Franziu a testa, imaginando se Kagami nunca havia pensado em, um dia, reencarnar como Khala’a o fizera.

O filho ainda não tinha ligado para ela e isso a estava deixando bem nervosa. Queria, pelo menos, ouvir a voz do menino, para ter certeza de que estava tudo bem. Era responsabilidade demais para aquela idade e, apesar de Syaoran insistir que eles mesmos passaram por desafios e os superaram e que deveriam confiar em Shaolin, seu coração de mãe custava a aceitar estar longe dele, principalmente sabendo que ele estaria se arriscando.

Fechou os olhos e encostou a cabeça no batente da porta. Também estava preocupa com Kazuo. O rapaz sentia-se responsável pela segurança do irmão. Droga! Agora que ele estava começando a se adaptar, a entender aquele universo ao qual pertenciam e a fazer parte da família, tinha que acontecer aquela loucura toda.

Ele parecia tão satisfeito, tão mais leve e feliz do que quando havia chegado. Estava tendo uma boa relação com Shaolin, implicavam-se e ela não podia negar que, às vezes, pegava-se apenas observando os dois trocarem faíscas como ela e Touya faziam de forma frequente quando ela era mais nova. Sempre quis ter uma família maior e ver Shaolin e Kazuo interagindo lhe dava um alento no coração. Gostava muito do rapaz. Era um bom rapaz, com um bom coração, não importando sua natureza.

Kazuo tinha sofrido tanto nas mãos de Midoriko que, às vezes, perguntava-se como ele conseguia ainda ter aquele coração tão puro. Sabia que, pela sua natureza, ele seria mais propenso a violência, mas percebia que ele se esforçava para controlá-la. Midoriko não tinha ideia do filho maravilhoso que tinha. Franziu a testa. Como odiava aquele demônio feminino. Odiava-a por ter cobiçado Syaoran, odiava-a por ter invadido os sonhos dele, mas odiava-a ainda mais por ter tido a coragem de ter uma parte de Syaoran e utilizá-la como arma para conquistar seus objetivos mesquinhos. Odiava-a pelo que fez com Kazuo.

Respirou de forma mais profunda e sentiu a cabeça pesada, a dor do peito aumentava em alguns momentos, obrigando-a a se concentrar e expandir sua aura para expelir aquela influência ruim que tentava, de alguma forma, invadir sua aura.

Fechou os olhos e aos poucos começou a perder noção do próprio corpo. Sentiu como se estivesse flutuando no vazio. Abriu os olhos e foi obrigada a fechá-lo novamente devido a forte claridade. Voltou a abri-los e se viu envolta da sua própria energia multicolorida, mas de alguma forma sabia que não era apenas a sua, era como se ela fosse formada por unicamente por aquela grande e esplendorosa energia.

Reparou que em algumas partes desta energia havia algumas manchas negras que aumentavam e começava a se aproximar dela. Arregalou os olhos e se afastou, mas a mancha negra a seguiu, aumentando e parecendo uma grande onda negra pronta para engoli-la com aquela carga negativa e nociva.

Sakura levantou as mãos e se concentrou, expandindo novamente sua aura mágica, formando um escudo que se chocou com a energia negativa. Recebeu o impacto e sentiu os braços tremerem, mas manteve-os à sua frente. Franziu a testa e respirou fundo. Aos poucos começou a dar alguns passos a frente tentando vencer aquela energia.

Fechou os olhos, buscando forças para combater aquela energia nociva que tentava vir em sua direção. Percebeu que a energia adversária havia recebido algum reforço, fazendo seus pés escorregarem para trás, mas flexionou os joelhos, voltando novamente a empurrá-la. Não sabia até onde seria necessário empurrá-la, apenas sabia que precisava tirá-la daquele lugar.

Vacilou novamente sentindo os braços enfraquecidos e dormentes pela força que estava fazendo para mantê-los esticados, segurando o escudo mágico que era incessantemente bombardeado por aquela energia negra. Caiu de joelhos e trincou os dentes, a sensação era como se estivessem querendo esmagá-la.

‘Você consegue, Sakura.’ Ouviu a voz do marido.

Abriu os olhos não o vendo ao seu lado, mas identificou que a energia dele estava próxima. Tinha certeza que ele estava com ela. Franziu a testa e voltou a se levantar, avançando, passo a passo.

‘Você consegue. Eu acredito em você, minha flor.’ Ouviu a voz doce dele e sorriu. Ele confiava nela e ela nunca o decepcionaria.

Sentiu sua energia aumentar e explodir de tal maneira que, sem precisar dar mais nenhum passo a frente o escudo mágico expandiu, afastando aquela onda negra assim como todas as outras manchas de forma rápida. Finalmente, expeliu-as para fora daquela energia multicolorida.

Caiu novamente de joelhos, fraca, com a respiração ofegante. Fechou os olhos e, quando os abriu, viu o chão de tatame da pousada. Sentiu as mãos de Syaoran segurando-a pelos ombros e levantou o rosto fitando-o. Sorriu para ele de leve e o viu tentar sorrir, mas estava com o rosto preocupado demais.

Ele deu um beijo demorado na testa dela e se levantou, ajudando-a a ficar de pé. Sentia-se fraca, mas feliz por ter conseguido mais uma vez vencer aquela batalha que travava a cada instante. Sabia que não estava sozinha e isso lhe dava mais força para conseguir impedir seja lá o que fosse aquela energia tão nociva e perigosa.

Anna observou o casal com o rosto preocupado. Eles estavam a atacando de forma mais forte e em intervalos de tempos menores. Isso estava enfraquecendo a interface entre os universos. Sakura estava se esforçando para tentar impedir isso, mas não aguentaria sozinha aquilo. Precisavam agir de forma rápida.

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Em outro universo, um grupo de jovens feiticeiros olhava atordoado para a energia multicolorida que, literalmente, havia repelido-os de forma tão intensa com uma onda de choque que os lançou para longe, jogando-os contra as paredes rochosas do santuário invadido por eles.

Precisariam recuperar suas forças antes de recomeçar o ataque. Tinham uma missão a cumprir e não poderiam decepcionar seu mestre.

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Marie olhava para Shaolin que estava deitado, dormindo na cama de um dos quartos do hotel reservados para eles por Tai Dai. O menino dormia de forma tranquila e podia até ver um sorriso nos lábios dele, pois ele sabia que tinha destruído mais uma das chaves.

Tinham chegado no hotel depois de saírem da residência de Jeanne para tratar tanto dos ferimentos do menino quanto os de Kazuo. O rapaz não permitiu que ninguém chegasse perto da Dama de Ferro enquanto o irmão ainda não tivesse saído dela. Estava bem machucado, também, mas o poder de cicatrização logo se manifestou, recuperando-o. Shaolin já chegou sem os sentidos no hotel e ela limpou os ferimentos dele, medicando-os.

Estava preocupada demais com o primo. Quando o viu entrando naquela cápsula e sendo trancado lá dentro pensou que enlouqueceria. Precisou de muito controle e cabeça fria para simplesmente não fazer o mesmo que Kazuo pretendia e arrancar o garoto de lá.

Shaolin era seu melhor amigo, implicava com o menino e adorava irritá-lo, mas gostava dele demais. Não se perdoaria se alguma coisa acontecesse com ele. Não era questão apenas de cumprir sua missão em proteger o filho de seus antigos mestres. Ela não permitiria que nada acontecesse com ele. Afastou a franja do primo e se inclinou, beijando a testa dele de forma demorada.

Levantou-se da cama em que estava sentada ao lado do menino e respirou fundo, sentia uma dor de cabeça quase insuportável há algum tempo, além de um enjoo estranho. Como um mal estar enorme. Com certeza, a natureza humana em que se encontrava agora a tornava suscetível aos males da humanidade. Estava verdadeiramente uma pilha de nervos. Um medo incontrolável do primo não voltar daqueles transes.

Fitou Kazuo que estava encostado num dos móveis, observando-os. O rapaz estava com o rosto sério e contrariado desde que o irmão conseguiu transformar a Dama de Ferro onde estava aprisionado em pó dourado, saindo de lá fraco.

‘Ele está só dormindo agora.’ Ela sussurrou. ‘Parece bem.’

Kazuo assentiu com a cabeça ainda com o rosto sério. Desviou os olhos dela. ‘Ele está com muitos machucados.’

‘Sim… O corpo está fraco, mas a aura dele está forte demais. Parece que cada vez que volta desses transes, fica mais forte.’

‘Isso não faz sentido.’ Kazuo falou. ‘Como a aura pode ser forte e o corpo tão fraco.’

Marie balançou a cabeça de leve e fechou os olhos. ‘Estou com medo, Kazuo.’ Confessou com sinceridade, fazendo o rapaz arregalar os olhos de leve.

‘Do que está falando?’

‘Seu pai…’ Ela começou a falar. ‘Quando estava combatendo perto de um portal para o mundo das trevas teve a sua energia expandida demais…’ Ela fez uma pausa e suspirou. ‘O corpo dele não aguentou.’

Kazuo desencostou-se do móvel e caminhou até a jovem. ‘Como assim?’

‘Era energia demais dentro do invólucro humano.’ Ela tentou explicar. ‘Estou com receio que o mesmo esteja acontecendo com Shaolin-kun.’

‘Mas aquele anjo baka daria uma missão para uma pessoa, sabendo que isso aumentaria sua magia e que o corpo não acompanharia isso?’

Marie caminhou pelo quarto nervosa. ‘Esta missão nunca foi do seu pai…’ Ela suspirou. ‘O Guardião tem afinidade com a energia das trevas, mesmo ele sendo humano. Esta missão sempre foi de Shaolin-kun. Por isso o treinaram tanto. Cobravam tanto dele...’

Kazuo fitou o irmão e franziu a testa. Tinha ideia de como era ser cobrado, apesar de saber que o irmão fora cobrado de forma consciente pelos pais, sabia como era sempre tentar cumprir as expectativas que esperavam dele. No fundo, eles tinham mais em comum do que pensava.

Olhou para Marie, ainda com o rosto sério. ‘O que realmente acha que pode acontecer?’

Ela fechou os olhos e deu um longo e doloroso suspiro. ‘O desenvolvimento mágico não deve ser súbito, precisa acontecer gradualmente. Não importa a origem da magia. O corpo humano não suporta.’ Ela abriu os olhos e fitou Kazuo. ‘Nunca reparou que a energia do seu irmão é completamente oposta a sua… ou melhor, a nossa?’

Kazuo endireitou o corpo. Já tinha percebido isso. Inclusive não tinha gostado quando havia reparado nas semelhanças da aura do irmão com a dos anjos idiotas que apareceram para impor ao menino aquela missão.

‘Ele é humano.’ Kazuo respondeu de forma firme.

‘Assim como eu também sou.’ Ela rebateu.

Ficaram em silêncio alguns minutos, um ao lado do outro, observando o menino dormir. Kazuo soltou um suspiro.

‘Você realmente acha que aquele anjo baka deu uma missão para Shaolin sabendo que isso o levaria à morte?’ Perguntou olhando para ela.

Ela confirmou com a cabeça, fazendo o rapaz fechar os olhos e jogar a cabeça para trás, tentando controlar a raiva que sentia envolvendo o seu corpo. ‘Eu vou matá-lo.’ Falou entre os dentes. ‘Eu juro que vou matar aquele desgraçado.’

Marie suspirou. ‘Isso não vai resolver o nosso problema.’

Ele abriu os olhos e voltou a fitá-la. ‘Mas vou me sentir menos pior socando-o.’ Kazuo franziu a testa, reparando que jovem levou uma das mãos a cabeça e fechou os olhos. ‘Você está bem?’

‘Apenas dor de cabeça. Acho que estou preocupada demais. Não posso permitir que nada aconteça com ele.’ Falou suspirando, sentia uma dor imensa no peito ao pensar que o destino provável de Shaolin poderia ser o mesmo de Syaoran. Como encararia Sakura novamente? Já tinha falhado na tentativa de proteger seus mestres no mundo das trevas. E agora não era capaz de proteger o filho deles. Sentiu-se cambalear, fazendo Kazuo se assustar, segurando-a.

‘Hei… Você está pálida.’ Falou, assustado. ‘O que diabos está acontecendo com você?’

Ela não respondeu, apenas inclinou o corpo, apoiando a testa no peito do rapaz e fechando os olhos. Sentia-se tão culpada, com tanto medo ao pensar na possibilidade do primo morrer.

Kazuo observou a jovem a sua frente sem saber o que estava acontecendo como ela. Sentia-se mal, preferia vê-la saltitando por aquela cidade diferente e soltando exclamações sobre contos de fadas e príncipes encantados idiotas a observá-la daquela forma.

Arregalou os olhos quando sentiu os braços dela envolvendo sua cintura e o abraçando. Ouviu-a chorar baixinho e trincou os dentes. Sem saber direito o que fazer levantou a mão e passou pelo cabelos longos dela, sentindo a textura macia dos fios avermelhados. Fechou os olhos e a envolveu em seus braços, apertando-a contra seu corpo e tocando seu queixo na cabeça da jovem. Sentiu o pequeno corpo tremer e apertar mais forte sua cintura.

Abriu os olhos e observou o irmão ainda dormindo. Não permitiria que ele morresse. Não seria capaz de quebrar sua promessa a Sakura. Ele tinha prometido proteger o irmão, e ele faria isso de qualquer forma.

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‘Os guardas que estão protegendo aqueles nobres babacas também são considerados alvos, certo?’ Kasumi ouviu a voz do rapaz ao seu lado, olhou de esguelha para ele e assentiu com a cabeça, respondendo.

Ela estava no comando da missão. Todos deveriam saber exatamente o que fazer, seria uma missão rápida e banal. No fundo, sentia-se frustrada de simplesmente combater os guardas que protegiam aqueles nobres repugnantes. Não tinha pena de matá-los já que assistiam e acompanhavam àquele circo de horror sem fazer nada. Considerava-os cúmplices e também deveriam ser eliminados.

‘Eliminar…’ sussurrou dando um passo para trás e saindo do apoio das linhas de Lubback. Girou o corpo de forma graciosa para que chegasse ao solo suavemente. Bulat, seu colega vestido com a poderosa armadura, seguiu com ela.

Estreitou os olhos nos três guardas com as armas já a postos para atirar. Pensou que eram ou idiotas ou arrogantes demais em achar que aquelas armas de fogo os deteriam. Com o polegar destravou Murasame, sua katana, da bainha, já preparando-se para o ataque.

Os adversário sequer tiveram tempo de atirar. Kasumi empunhou a perigosa arma e em poucos movimentos já havia degolado um dos guardas. Os outros dois sendo eliminados pelos companheiros dela.

Outros guardas apareceram com armas mais pesadas para tentar detê-los. Posicionaram-se e começaram a atirar. Kasumi apenas desviou dos projéteis sem dificuldade alguma. Seu treinamento como assassina do Império havia lhe possibilitado atingir aquela velocidade sem maiores esforços.

Movendo-se de forma precisa para a direita e esquerda, desviando de cada projétil que havia inutilmente sido atirado em sua direção, aproximou-se o suficiente para com golpes precisos degolasse pelo menos parte dos inúmeros homens que tentavam proteger os alvos.

Observou seus companheiros agindo de forma individual. Estava para entrar na luxuosa residência para finalizar a missão quando algo lhe chamou a atenção. Franziu a testa, reparando no vulto que se afastava pela lateral.

Sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Não era medo. Ansiedade? Por quê? Talvez quisesse tanto finalizar de uma vez aquela missão que algum maldito pressentimento a estava deixando nervosa. Não gostava daquela sensação.

‘Vou pela lateral!’ Falou para Bulat que também tinha aniquilado parte do exército particular do nobre. Ele concordou com um gesto.

‘Tome cuidado. Mantenha-se viva.’ Ele ainda recomendou antes que ela começasse a se afastar.

Ela caminhou devagar em direção à lateral onde havia visto o vulto correndo. Logo ouviu vozes e balançou a cabeça de leve reparando na voz feminina e deduzindo que era um dos alvos, possivelmente, a filha sádica. Sorriu de lado, adoraria ela mesma matar aquela garota. Ouviu o relato atentamente de Boss sobre os alvos. Era uma família rica que sequestrava pessoas vindas do interior apenas para torturá-los até a morte com requintes de crueldade… Apenas por divertimento. Prática bem comum pelo Império.

Desde que tinha mudado de lado, continuou a matar, mas era criteriosa com os seus alvos. Uma vez decidido sobre eles, não eram mais seres humanos. Eram apenas… alvos.

Aproximou-se e logo observou os dois homens que estavam com a garota para protegê-la. Estranhou um deles não estar com a farda e o reconheceu como o vulto que vira correndo pela lateral tendo lhe chamado a atenção.

‘Eles nos encontraram!’ O guarda gritou e ordenou ao outro que tentasse impedi-la de se aproximar enquanto os dois se abrigariam de forma inútil na construção logo atrás deles.

O rapaz voltou-se para ela e levantou a espada em sua direção. Arregalou de leve os olhos reparando nele. Não passava de um moleque. Deveria ter sua idade. Os olhos verdes decididos a fitavam de forma tão intensa que, por algum motivo, tinha a impressão de conhecê-lo. Franziu a testa incomodada em constatar isso.

Era melhor focar-se na missão e finalizá-la de uma vez. Correu na direção do rapaz e apertou a empunhadura da katana que tinha nas mãos.

‘Não é um alvo.’ Ela concluiu. Não precisava matá-lo. Sinceramente, esperava que não.

Flexionou os joelhos e saltou por cima dele, pisando na sua cabeça e pensando que assim o rapaz ficaria de fora da luta.

O guarda começou a atirar como louco na direção dela. Moveu-se novamente se forma precisa, desviando dos inúmeros e inúteis projéteis, e se aproximou o suficiente para tê-lo no alcance de sua espada.

‘Eliminar.’ Novamente sussurrou.

Era assim que sempre agia. Olhava para o alvo a sua frente e não o via mais como um ser humano. Era apenas um alvo. A luta dele para sobreviver era considerada por ela apenas resistência a finalização da sua missão. Daquela forma desconectada sua mente fazendo-a simplesmente ignorar qualquer sentimento de clemência. Foi assim que havia sido treinada. Foi dessa forma que havia matado centenas de pessoas simplesmente considerando um trabalho a ser executado.

Cortou o soldado ao meio e observou o sangue dele espirrar. No fundo, detestava se sujar com o sangue inimigo, sempre preferia atingir a jugular para poupá-los de certa forma da dor e para que morressem rapidamente, sem estender o tempo de agonia e, principalmente, fazendo menos sujeira.

Murasame, sua katana, era conhecida como a espada de um corte só, sendo assim… ela era conhecida como a assassina de um corte só. Uma vez que a lâmina afiadíssima da katana cortasse a pele do adversário envenenava-o, corrompendo-o com poder das trevas e levando-o à morte de forma dolorosa. Quanto mais próximo ao coração o corte era feito, mais rápida seria a morte… No entanto, preferia golpes onde este poder não tinha tempo de agir. Sabia exatamente onde atingir o inimigo a fim de levá-lo inevitavelmente a morte, sua decisão era apenas se o faria de forma lenta ou rápida… Tortura para arrancar informações dos alvos quando necessário fazia parte do seu treinamento.

Virou-se para o lado e viu o verdadeiro alvo, a filha do nobre. A jovem loira de aparência ingênua e aristocrática deu alguns passos para trás assustada e tropeçou caindo sentada no chão e levando o braço a sua frente em total desespero. Kasumi aproximou-se e levantou a katana pronta para eliminá-la de uma vez e voltar para casa.

‘Espera!’ Ouviu gritarem atrás de si e percebeu a aproximação do inimigo que tentou atingi-la com a espada. Desviou no último segundo, voltando a afastar-se do alvo.

Olhou para o rapaz de olhos verdes e cabelos claros que havia se colocado a frente da garota loira para protegê-la. Inclinou a cabeça de leve.

‘Você não é um alvo. Não preciso matá-lo.’ Alertou-o. Por que o idiota não tinha fugido quando teve a oportunidade? Realmente era tão ingênuo a ponto de achar que poderia com ela? O infeliz pelo jeito tinha vindo do interior e seria o próximo divertimento da família. Ele não tinha ideia de onde tinha se metido.

O rapaz a olhou de forma desafiadora com a arma apontada para ela. ‘Mas você planeja matar essa garota, não é?’ Ele perguntou, encarando-a com o rosto sério.

‘Claro.’ Respondeu o óbvio. Realmente, era um caipira ingênuo.

‘Claro?!’ Ele perguntou de volta alarmado.

Tentou controlar a irritação. Não queria matá-lo, era fácil deduzir que ele não tinha ideia do que estava acontecendo na Capital, mas agora ele era apenas um “obstáculo” à conclusão de sua missão. Sendo assim, também seria eliminado. Simples assim, no entanto não sabia exatamente o porquê dela estar hesitante em matá-lo. Havia alguma coisa naquele rapaz… naqueles olhos verdes… Franziu a testa de leve. Precisava concentrar-se na missão. A missão deveria sempre ser concluída. Sempre.

‘Se continuar no meu caminho, serei obrigada a matá-lo.’ Alertou-o. Aquela seria a última chance dele de sair vivo dali.

‘Não posso simplesmente fugir como um covarde!’ Ele gritou, encarando-a ainda disposto a proteger a garota loira. Idiota.

‘É mesmo?’ Ela rebateu com ironia, vendo o rompante de heroísmo da parte dele. ‘Então terei que eliminá-lo.’ Concluiu já decidida. Já tinha perdido tempo demais com aquele rapaz. Nunca era bom deixar sentimentos interferirem com a missão.

O rapaz insistia em proteger o alvo. Alertou-o duas vezes, mas era teimoso. Melhor eliminá-lo de uma vez.

Reparou que ele se assustou quando ela decretou seu destino e posicionou a espada já decidida a matá-lo, mas ele logo se recuperou, posicionando-se para enfrentá-la.

Observou-o olhar decidido para ela e abaixou a arma. Sentiu o vento bater mais forte em suas roupas, bagunçando seus cabelos longos negros e franziu a testa ao sentir aquele maldito calafrio.

Quem era aquele rapaz afinal? Por que ele insistia em proteger o alvo mesmo sabendo que morreria? E, principalmente, por que ela estava se importando com ele?

Droga! Era melhor matá-lo de uma vez. Algo lhe dizia que não conseguiria fazer isso e este pressentimento estava a incomodando demais.

Flexionou os joelhos e apertou a empunhadura de Murasame, sua fiel katana. O rapaz avançou também sobre ela, as espadas se chocaram uma vez medindo as forças dos dois adversários. Kasumi constatou que ele era fraco e realmente era muito lento. Seu estilo de luta era rudimentar, não havia sido treinado. Era melhor matá-lo de forma rápida e menos dolorida possível. Precisava concluir a missão.

Afastaram-se e ele tentou golpeá-la, ela saltou esquivando do golpe, fazendo-o cortar apenas o ar. Girou o corpo e chutou as costas dele de forma moderada, empurrando-o alguns passos para frente. Percebeu que ele ficou desnorteado pelos movimentos rápidos dela. Realmente era um péssimo espadachim.

Assim que ele virou-se para ela, Kasumi o apunhalou na altura do coração para que Murasame o envenenasse e o levasse à morte em fração de segundo. Realmente não queria fazê-lo sofrer.

Arregalou os olhos, observando a expressão desesperada dele e abaixou o rosto, vendo que a ponta de sua arma havia atingido a mão de alguém e espirrando sangue sobre ela. Virou a cabeça, encarando o rosto sério e tenso de Miguel, o ser alado que a perseguia desde pequena.

O corpo do rapaz caiu no chão, estava morto.

‘Está vendo porque é tão perigosa, Kasumi?’ O anjo perguntou em tom sério.

Ela deu um passo para trás ainda sem entender o que estava acontecendo. Era como se o tempo estivesse congelado. A garota loira olhava desesperada para o corpo do rapaz caído de bruços no chão.

Kasumi abaixou a katana suja de sangue e reparou na mão ferida do anjo à sua frente. Franziu a testa, sentindo-se desnorteada.

‘Shaolin…’ Ela sussurrou o nome do rapaz, finalmente reconhecendo-o. Ela o tinha matado.

‘O erro foi meu.’ Ele falou, chamando a atenção dela que levantou o rosto sentindo os olhos ardendo. ‘Decidi sobre o seu destino nesta encarnação, mas não imaginei o quanto o seu espírito era forte. Tornou-se perigosa demais. Muito mais do que antes.’

Kasumi soltou a espada deixando-a cair no chão e olhou para suas mão sujas de sangue. Novamente viu o corpo de Shaolin caído no chão, morto por ela. Ela o tinha matado!!!

‘Não…’ Balbuciou dando um passo para trás. Levantou o rosto e encarou o anjo. ‘Não!’ Gritou para ele sem conseguir acreditar no que tinha feito com a pessoa mais importante para ela.

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Kasumi levantou da cama sentindo o peito dilacerado. Levou a mão direita até a altura do coração e apertou o tecido do pijama que vestia. Abaixou o rosto e arregalou os olhos. Ainda conseguia ver o sangue nas suas mãos.

Passou as mãos de forma nervosa pela roupa tentando limpar o sangue de Shaolin e de Miguel delas. Sentia os olhos ardendo e logo percebeu que não conseguia mais evitar o choro. O estômago estava dando voltas e aquele bolo na garganta aumentava mais ainda seu mal-estar e desespero.

Levantou-se devagar e caminhou arrastando-se até a porta do banheiro. O quarto começou a girar e ela cambaleou, segurando-se mais forte ao batente da porta com uma das mãos enquanto a outra cobria sua boca numa tentativa desesperada de impedir que o enjoo que sentia a fizesse colocar o jantar para fora. O cheiro forte de sangue era insuportável agora.

Fechou os olhos, buscando forças, mas não conseguia apagar a visão do corpo de Shaolin estirado no chão. Conseguia visualizar com clareza cada homem que havia cortado ou degolado. Abriu os olhos, correndo até a privada sem nem acender a luz, colocando por fim o jantar para fora numa tentativa de expelir também a angústia que trazia no peito.

Ela tinha matado Shaolin! Ela o matara! Foi ela quem o matou antes! Ela matou tanto e tantos… Ele foi apenas mais um…

‘Não interprete errado, Kasumi.’ Ouviu a voz do anjo e sentiu a energia mudar no cômodo. Estranhou o tom de voz sereno em vez do altivo e acusador que ele havia usado na sua lembrança.

Ela passou as costas da mão na boca e não se virou para ele. ‘Você tem razão… Fui eu que o matei… Eu quem o matei…’

Miguel franziu a testa observando-a e percebendo a enorme energia de tristeza que a envolvia. Era tão desesperador que, novamente, sentiu-se culpado.

‘Faça isso parar… Por favor… Faça isso parar!!!’ Ela suplicou. ‘Não quero mais me lembrar de nada…’ Falou com um fio de voz.

Ele engoliu em seco. ‘Eu estou tentando…’ Não estava mentindo. Estava tentando desesperadamente reestruturar o bloqueio que havia feito na magia dela. Não queria que ela sofresse mais. Deu um passo a frente, aproximando-se dela e inclinou o corpo, estendendo a mão. Nunca havia sentindo aquilo. O que queria era apenas dizer a ela que se importava com ela e que não gostaria que sofresse mais.

Estava para afagar os cabelos dela quando sentiu que lhe atravessaram o corpo e logo envolviam carinhosamente o corpo frágil de Kasumi. Como sempre acontecia, Tomoyo aparecia todas as vezes que a filha passava mal.

Miguel deu alguns passos para trás observando Tomoyo segurar com carinho a filha que ainda passava mal. Sem falar nada, apenas a apoiava. Percebeu a poderosa energia materna envolver Kasumi e aos poucos diminuir o desespero que rodeava a menina antes.

‘Logo ficará bem, meu amor.’ Tomoyo sussurrou, ajudando a filha que, sem nada a não ser suas dores para colocar para fora, levantou-se até a pia para se lavar.

Kasumi tentou lavar as mãos para tirar o sangue que ainda enxergava nelas. Esfregava com tanta força que Tomoyo teve que segurar os punhos dela.

‘Suas mãos já estão limpas, Kasumi-chan.’

‘Não…’ Ela replicou fungando. ‘Ainda tem o sangue dele, kaasan… ainda tem…’

Tomoyo segurou os ombros da filha, virando-a e obrigando-a a encará-la. Sentiu o ar fugir de seus pulmões quando fitou os olhos desesperados e tristes da sua princesinha. Engoliu em seco e a fitou séria. Teria que ser firme agora. ‘Não tem sangue algum em suas mãos. Olhe!’ Falou de maneira firme. ‘Estão limpas! Você acabará se machucando de tanto que as está esfregando.’

Kasumi mordeu forte o lábio e se abraçou a mãe que a envolveu com ternura.

Tomoyo sentia o corpo de sua pequena tremendo e fechou os olhos tentando controlar o próprio desespero ao ouvir os soluços de Kasumi.

Miguel observou as duas abraçadas. Desviou os olhos delas e balançou a cabeça. Aquilo estava se tornando perigoso demais. Tentou interferir nas lembranças de Kasumi e o resultado tinha sido mais desastroso. Maldito Aeon… trincou os dentes. Faria aquele infeliz pagar por ter se metido onde não deveria.

Observou mãe e filha caminharem devagar até o quarto da menina. Tomoyo ainda tentava acalmar Kasumi e ele ficou ali apenas observando-as. Pela primeira vez, fez o que todos os anjos eram capazes, mas que ele, como arcanjo e líder, nunca achou ser uma tarefa digna… Ele zelou pelos humanos.

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Smith andava apressadamente pelo castelo ao qual havia retornado naquela manhã. Estava irritado demais com suas tentativas frustradas em se aproximar do pilar quando este estava enfraquecido. Infernos!

Tinha planejado tudo, mas não imaginava que aquela mulher estivesse protegida por quase um exército! Contava apenas com a intervenção do Guardião, que realmente sabia lhe daria algum trabalho, por isso levou um grupo numeroso com ele. Mas não imaginava que aquele fedelho do filho deles tivesse tanta força, nem que eles tivessem ainda um outro filho demônio, igualmente poderoso, ou que contariam com aquela feiticeira ruiva, filha de Hiiraguizawa. Além das cartas que se manifestavam de forma completamente independente. Eles simplesmente anularam seu pequeno exército e ainda destruíram a chave que tinha para abrir um portal que o levasse até o universo onde os outros haviam seguido para corromper outro Pilar.

Sabia que o grupo que havia enviado para o outro universo estava fazendo seu trabalho. Charles estava bombardeando o pilar com energia nociva, prova disso era o enfraquecimento da interface entre os universos. Seria tão fácil abrir um portal agora para qualquer lugar, qualquer universo, para o céu ou para o inferno. Mas precisava de uma maldita chave.

Tinha enviado um outro grupo atrás de um outro artefato que também poderia ser capaz de abrir um portal, mas tinha recebido a notícia, há poucos minutos, que também haviam falhado por causa de um casal de feiticeiros com poderes das trevas. Pela descrição era o filho demônio dos Li e a filha de Hiiraguizawa. O que eles estavam fazendo atrás das chaves? Como ficaram sabendo a respeito daqueles artefatos? Aquele casalzinho também o estava atrapalhando. Tinha que eliminá-los. Precisava de uma maldita chave.

Olhou pela janela, vendo o grupo ainda numeroso de jovens que estavam treinando. Tinha dado o melhor treinamento para eles, no entanto não foram capazes de derrotar o guardião e seus aliados. Precisava de mais poder de ataque. Mais forte e mais eficiente.

Franziu a testa, estava na hora de usar seu plano de emergência. Estava receoso de fazer acordos com os seres das trevas, pois sabia que a troca com eles seria perigosa, mas não tinha saída agora. Estava num momento único para adquirir o poder do pilar para si, assim que estivesse com este poder seria capaz de eliminar qualquer um, inclusive qualquer demônio que saísse de seu controle.

Pegou o celular e discou o número que sempre esteve reticente em ligar. Deixou o telefone tocar três vezes e estava quase desistindo quando ouviu a voz sinistra no outro lado da linha.

Problemas, Caro Smith?

‘Infelizmente eles são mais fortes do que eu havia sequer imaginado.’ Smith falou entre os dentes.

‘Então resolveu recorrer a mim? Você realmente é um covarde.’

‘O Pilar está quase corrompido. Preciso de sua ajuda para entrar em contato com aliados que possam eliminá-los.’

‘Você sabe o preço. Está disposto a pagar?’

Smith trincou os dentes. Ficou em silêncio alguns segundos. ‘Você não foi claro quanto ao preço.’

Ouviu uma risada do outro lado da linha. ‘Você sabe muito bem… Não se faça de sonso.’

‘Aceito.’ Falou por fim. ‘Assim que isso tudo acabar, você terá sua ligação direta com o mundo das trevas como quer. Mas preciso de aliados! Preciso de aliados poderosos.’

‘Os universos estão instáveis. Será fácil entrar em contato com o Mundo das trevas. Muitos tem interesse em virem para cá, terá o seus aliados, Smith.’

‘Ótimo.’ Smith falou por fim. ‘Preciso de uma chave para entrar em contato com o grupo que enviei para outro universo.’

‘Trarei alguns aliados e depois visitarei um velho amigo em Bergen. Logo lhe enviarei a chave que procura, Smith.’

‘Posso confiar na sua palavra?’ Smith perguntou.

‘Claro que não. Mas você não tem outra saída.’ Ele respondeu. ‘Fez uma confusão formidável, Smith. Para um idiota covarde como você, estou impressionado.’

Smith não falou nada e logo ouviu o telefone sendo desligado. Trincou os dentes. Sentiu o corpo tremer de raiva. Aquele idiota se achava muito poderoso por ter conhecimento sobre plano inferior como um Feiticeiro das trevas, mas logo que tivesse o poder do Pilar em suas mãos faria com que ele engolisse cada desaforo que havia lhe falado.

O feiticeiro respirou fundo e tentou relaxar. Guardou o telefone celular no bolso e começou a caminhar em direção ao seus aposentos. Sua viagem de volta do Japão tinha sido cansativa demais, porém teve seus planos de descansar frustrados reconhecendo a figura de Rosas parado no corredor. O homem do vaticano estava com o rosto sério, com a testa franzida.

Smith rodou os olhos, não estava com paciência de conversar com Rosas agora. Queria apenas tomar um banho e descansar. Estava louco para invocar uma magia e desaparecer quando Rosas se aproximou com passos duros em direção a ele.

‘Por que contatou Wilder Englund?!’ Perguntou em tom de irritação.

Smith arregalou os olhos surpreso. Fechou o rosto, mostrando que não tinha gostado nada da pergunta e principalmente que Rosas o estava, de alguma forma, espionando. ‘Anda grampeando meu telefone, Rosas?’

‘Claro!’ O homem respondeu. ‘Nunca confiei em você e, pelo jeito, estava certo quanto a isso. Wilder Englund é sucessor de Eliphas Levi Zahed! Você sabe muito bem o que aconteceu com aquele profanador, não sabe? Foi preso e só conseguiu ser liberado porque naquela época a Igreja era mole e corrupta e o liberou pagando fiança.’

Smith deu um longo suspiro. ‘Rosas… isso foi em Mil oitocentos e trinta e poucos… você vive no passado!’

‘Levi foi um mago das trevas! E você contatou o sucessor dele para trazer aliados para nós? Que tipo de aliados, Smith?’

‘Englund não foi escolhido como sucessor de Levi, justamente por se opor aos ensinamentos de seu mentor.’ Ele rebateu. ‘O sucessor de Levi é justamente o homem que precisamos encontrar para pegar a droga de uma chave, Rosas. Já que você se recusa a me entregar a chave que está no Vaticano...’

‘A Chave de Pedro deve permanecer na Santa Igreja!’ Rosas interrompeu Smith quase aos gritos. ‘Não permitirei que você a utilize para trazer seres das trevas para este mundo como estou constatando que é sua intenção.’

‘Eu solicitei aliados!’ Smith rebateu. ‘Aliados fortes!’

‘E que tipo de aliados você acha que um Feiticeiros das Trevas como Wilder Englund poderá obter para você, Smith?!’ Rosas falou e inclinou o corpo, parando com o rosto a centímetros do homem. ‘A Igreja existe há séculos, Smith. Não pense que nos faz de idiotas. Sabemos exatamente cada passo seu, cada movimento seu. Não ache que pode nos esconder nada.’ Falou em tom baixo e ameaçador.

‘Então vocês também sabem sobre o demônio e a Feiticeira das Trevas que estão atrás das chaves, não é?’

‘Claro que sabemos.’ Rosas falou. ‘E já estamos esperando por eles.’

‘Estão esperando, mas não estão tomando providências para impedir que espalhem o caos pelo mundo.’

Rosas sorriu de forma irônica para Smith. ‘Sua lábia não me convence mais Smith. Sabemos que há um garoto com eles que é capaz de destruir as chaves e é justamente isso que queremos. Apenas a Igreja, e mais ninguém, é que deve ter este tipo de poder. Este garoto destruirá todas para nós e, quando for ao nosso encontro, acabaremos com o demônio e a feiticeira das trevas.’

Smith franziu a testa incomodado pelas indicações de manipulação de Rosas. ‘E como acha que vai derrotar os dois?’

‘Caro Smith, temos séculos de experiência em combater as energias das trevas… Não serão um demônio e uma feiticeira que nos assustarão. Acabaremos com os dois e pegaremos o garoto para que destrua as outras chaves que ainda restarem. E assim….’ Rosas fez uma pausa sorrindo. ‘Novamente… apenas a Santa Igreja será absoluta.’

Smith trincou os dentes. ‘Você tinha tudo planejado? Você usou isso tudo aqui…’ Falou apontando para o lugar. ‘Para isso? Para destruir as chaves?’

Rosas estreitou os olhos nele. ‘Cuidado, Smith… como você mesmo falou, eu tenho tendência a viver no passado, principalmente na época da Inquisição onde homens como você eram queimados vivos.’ Ameaçou por fim, finalmente se afastando dele e dando-lhe as costas.

Smith observou Rosas se afastando e trincou os dentes. Agora mais do que nunca precisava se aliar a Englund e conseguir, de uma vez, colocar as mãos no poder do Pilar.

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Kazuo observava Marie brincando com a comida do prato. Ela estava sentada à sua frente. Estavam no restaurante do hotel em Colmar. Shaolin ainda estava dormindo, ele provavelmente dormiria até o dia seguinte.

Marie tinha ligado para Syaoran e avisado que tinham conseguido chegar até a chave e que o primo tinha conseguido destruí-la. Não conseguiu entrar em detalhes; falou apenas que o menino estava dormindo e que tinha sofrido alguns machucados superficiais.

Kazuo falou com o pai de forma mais direta. Ela ouviu a conversa deles sobre a suspeita que ela tinha com relação a elevação da energia de Shaolin. Kazuo não mediu muito as palavras, para variar. Ela não podia negar que admirava aquela honestidade brutal do rapaz. Kazuo perguntou sem rodeios para o pai o que tinha acontecido com ele no episódio que Marie havia contado apenas superficialmente.

Ela quase podia visualizar as engrenagens na cabeça dele trabalhando enquanto absorvia o que o pai lhe contava, entre insultos e ameaças a Gabriel, de ambos os lados; ele estava tentando pensar em alguma forma de impedir que o mesmo acontecesse com o irmão. Talvez houvesse uma forma de contornar os limites físicos do corpo do garoto.

Kazuo perguntou por Sakura e Syaoran informou que ela estava descansando também e que as coisas também não estavam muito fáceis. Pelo jeito os Asakuras até estavam ajudando, mas a situação estava chegando já no limite. Tinham que dar um jeito de resolver isso de uma vez, mas ainda não sabiam como.

Syaoran pediu para o filho mantê-lo informado e que, assim que Shaolin acordasse, ligassem para ele. Sakura estava preocupada com o garoto e, pelo jeito, tinha motivo de sobra para isso.

Kazuo terminou a refeição e observou ainda a ruiva a sua frente, estava sentindo-se pior ao vê-la daquela forma, mas a curiosidade foi maior.

‘Como você sabia?’ Ele começou a falar, chamando a atenção dela que levantou o rosto para fitá-lo. ‘Sobre o que aconteceu com o meu pai tanto tempo atrás? Não é uma coisa que se conta para os outros.’

Oh, this is the start of something good

(Oh, esse é o começo de alguma coisa boa)

Don't you agree?

(Você não concorda?)

I haven't felt like this in so many moons

(Faz muito tempo que eu não me sentia assim.)

You know what I mean?

(Você sabe o que eu quero dizer?)

Marie deu um longo suspiro e desviou os olhos dele. ‘São lembranças da minha outra vida.’

‘Outra vida?’ Ele perguntou, erguendo uma sobrancelha. ‘Você os conhecia então antes?’

Ela voltou a fitar o prato e depois olhou novamente para o rapaz. ‘Sim, eu era uma das Cartas… enfim… a história é longa.’

Kazuo arregalou de leve os olhos, incrédulo. ‘Então você é Khala’a?’

Marie franziu de leve a testa e perguntaria de onde ele tinha ouvido falar dela, mas ponderou rapidamente que, provavelmente, uma das próprias cartas deveria ter contato algo.

Soltou um murmúrio incomodada. ‘Provavelmente foi Disparo, que tem a língua maior que a boca, quem lhe falou, não?’

‘É… ele começou a contar sobre a líder deles que foi com os mestres para o mundo das Trevas.’

‘Eu já não era mais líder de nada.’ Rebateu incomodada. ‘No fundo…’ soltou um suspiro. ‘Nunca fui líder de nada… Estava apenas tentando formar…’ Franziu a testa e se ajeitou na cadeira, mostrando-se mais incomodada ainda. Não gostava de falar sobre isso, não entendeu como por pouco tinha se aberto tanto sobre suas dores. Desviou os olhos de Kazuo. ‘Enfim… isso não importa mais.’

‘Para mim importa.’ Ele falou sem querer, fazendo-a voltar a fitá-lo. Kazuo sentiu o rosto corar e se arrependeu de não pensar muito antes de falar. ‘Quer dizer… Acho importante… Oyaji, Sakura e Shaolin se importam muito com você…’

Marie sorriu de leve. ‘Eles também são muito importantes para mim…’

And we can build through this destruction

(E nós podemos construir direto essa destruição)

As we are standing on our feet

(Como nós estamos parados em nossos pés)

Kazuo se ajeitou na cadeira, observando Marie e pensando que era difícil de acreditar que ela, com aquela aparência tão frágil, poderia ser realmente Khala’a, mas que ao mesmo tempo explicava como ela sabia tanto sobre o Mundo das Trevas e também tinha aquele poder todo.

‘Por que decidiu reencarnar?’ Não conseguiu evitar a pergunta.

Ela desviou os olhos para um ponto qualquer da mesa. ‘Porque…’ Sorriu de leve novamente, fazendo uma pausa. ‘Eu queria ter um sentimento próprio. Percebi que não adiantava eu voltar a procurar o que tinha perdido no Mundo das Trevas… Dei-me conta que … não encontraria lá o que eu queria.’

Kazuo inclinou a cabeça de leve. ‘Procurando? Algum artefato das trevas?’

Ela fitou-o novamente e ele engoliu em seco, reparando no olhar melancólico dela. Marie negou, balançando a cabeça. ‘Ponderei que a pessoa que eu gostaria de encontrar não estaria mais lá.’

‘Pessoa?’ Perguntou novamente, sentindo-se levemente incomodado. ‘Um demônio, você quer dizer?’

Ela soltou um suspiro. ‘Isso… um demônio.’

‘Macho?’

Ela ergueu uma sobrancelha encarando-o.

Kazuo arregalou os olhos se dando conta da indiscrição da pergunta. Desviou os olhos dela, sentindo-se ainda mais envergonhado.

Marie sorriu de forma triste. ‘Minha mãe.’ Respondeu por fim.

Kazuo não soube dizer o porquê, mas sentiu como se conseguisse voltar a respirar normalmente depois da resposta dela. Ela não estava procurando um companheiro ou algo assim… mas também, se estivesse, pobre diabo quem tivesse sido o escolhido.

‘Ponderei, depois que conheci outro universo, que ela não estaria mais lá… Ela…’ Abaixou os olhos. ‘Na verdade… meus pais… Isto é, os pais de Khala'a devem estar em algum outro universo… Eles eram especiais.’

‘Você se lembrou deles?’

Ela negou com a cabeça. ‘Mas reconheceria a presença da minha mãe em qualquer lugar de qualquer universo… Ela era… é forte demais.’

Ficaram em silêncio alguns segundos.

So since you want to be with me

(Então desde que você queira estar comigo)

You'll have to follow through

(Você terá que seguir completamente)

With every word you say

(Cada palavra que você diz)

And I, all I really want is you

(E eu, tudo o que eu realmente quero é você)

For you to stick around

(E que você fique sempre por perto)

I'll see you everyday

(Eu verei você todo dia)

Kazuo soltou um suspiro e apoiou as costas na cadeira, ainda olhando para a jovem. ‘O Mundo das trevas fica mais e mais repugnante quando se conhece outro universo, não é?’

‘Exatamente.’ Ela respondeu. ‘É um lugar estagnado, onde nada cresce, nada evolui. Lá apenas existe o ódio, o instinto de sobrevivência e a lei do mais forte.’

Ele sorriu de leve. ‘Acho que sim.’ Desviou os olhos para uma das janelas. ‘Está tudo errado. A força que eles tanto valorizam… não é tão poderosa assim. Eu não acho.’

Marie fitou o rapaz a sua frente e sorriu para ele. ‘Aprendeu isso em tão pouco tempo, Kazuo-kun?’

But you have to follow through

(Mas você tem que seguir completamente)

You have to follow through

(Você tem que seguir completamente)

Ele a fitou e soltou um suspiro, encolhendo os ombros de leve. ‘Bem… estou aqui há, sei lá… acho que há tempo suficiente para entender.’

Ela balançou a cabeça de leve, observando-o atentamente. ‘Tem seres que poderiam viver aqui a eternidade que nunca entenderiam.’

Franziu a testa de leve, pensando em como ele tinha conseguido entender aquilo de forma tão rápida sendo filho de Midoriko e criado por ela. Provavelmente a essência do pai fosse mais forte, principalmente estando em contato direto com Syaoran, e também com Sakura. Os dois tinham o hábito de realizarem pequenos milagres.

Marie sorriu, pela primeira vez, de forma aberta para ele desde que tinham se conhecido. Kazuo desviou os olhos dela, sentindo o rosto esquentar.

These reeling emotions they just keep me alive

(Esse carretel de emoções, eles só me deixam vivo)

They keep me in tune

(Eles me mantêm em harmonia)

Oh, look what I'm holding here in my fire

(Oh, olhe o que eu estou segurando aqui na minha chama)

This is for you

(Isso é para você)

Ficaram em silêncio até o rapaz voltar a fitá-la. ‘Pensei que, quando se reencarnava, as lembranças desapareciam.’

Ela concordou com a cabeça. ‘Recuperei minhas lembranças aos poucos, de forma esporádica, e algumas vezes pareciam que não faziam sentido para mim. Só no dia que você veio para cá é que eu as recuperei totalmente.’

‘E... por que você me trouxe para cá? Para este universo?’

‘Eu… eu realmente não sei.’ Respondeu com sinceridade. ‘Eu não sei nem como consegui fazer isso.’

Ele sorriu para ela. ‘Qualquer que tenha sido o motivo, eu estou feliz que o fez.’ Falou fazendo-a desviar os olhos dele, sentindo-se embaraçada. Ele soltou um suspiro. ‘Eu sabia que existia muito mais do que aquilo. Eu tinha um desejo enorme de saber o que existia além daquele lugar que, como você mesma definiu, é estagnado.’

‘Não é apenas o lugar…’ Ela falou baixinho. ‘São os sentimentos, a relação entre os seres… quando fui aprisionada em forma de carta e depois lacrada por tanto tempo, pensei que este universo era tão ruim ou pior que o mundo das trevas. Só depois que Sakura-ba-san me transformou em uma carta dela, quando ela me deu…’ Ela reteve-se e levou uma das mão a altura do peito sorrindo de leve. ‘Enfim… só quando fui, de certo modo, libertada por ela e convivi com os mestres é que eu consegui entender o quanto pode ser maravilhosa esta relação entre os seres.’

Ele concordou com a cabeça. ‘Realmente não esperava que a convivência de um grupo de seres fosse tão…’ Ele franziu a testa, pensando em como melhor descrever o que tinha observado no tempo em que morou na casa do pai. ‘Hum… acho que harmoniosa como a convivência das cartas com eles. Confesso que sempre imaginei que um grupo de demônios não pudesse ser tão feliz convivendo junto.’ Sorriu e balançou a cabeça de leve. ‘E nem tão barulhentos.’

Marie riu. ‘Sim… mas isso é por causa do Syaoran-ji-san e Sakura-ba-san.’ Ela clarificou. ‘Eles são mestres diferentes. Antes tivemos um que temia muito os seres das trevas e, por isso, não nos tratava da mesma forma.’ Completou e o sorriso que tinha nos lábios morreu ao lembrar-se do pai.

Pensou que deveria ligar para ele, mas estava com receio. Não queria começar uma briga por telefone. Estava com a cabeça tão cheia de problemas e fantasmas que uma discussão com o pai apenas aumentaria sua agonia. Mas não pôde ignorar o fato que, de certa forma, sentia falta dele.

‘Sabe o que é estranho?’ Kazuo falou de repente, voltando a chamar a atenção da jovem que o fitou. ‘Eu sempre imaginei que oyaji fosse completamente diferente. Ele é intimidador, mesmo sendo humano e tal, é muito forte, como sempre encheram os meus ouvidos desde que eu existo…’

‘Como assim?’ Marie perguntou.

Kazuo encolheu os ombros novamente. ‘Sei lá, imaginei que ele fosse pior que Midoriko. Que, quando fosse contrariado, simplesmente o faria preferir não ter existido e tal… mas não, quando ele é contrariado, a aura dele explode de tal maneira que chega a dar calafrios, mas ele olha para você e explica, conversa até você entender. Ele não agride…’ Kazuo falou, desviando os olhos dela. ‘Acho que agora dá para entender porque Shaolin me pede tanto para não matar.’

‘Ojisan tem um poder bem destrutivo. Pode ter certeza que deve ser bem difícil para ele se controlar.’

‘Exatamente.’ O rapaz falou. ‘E se ele optou por agir assim, deve ser porque é o certo, não?’

Marie concordou com a cabeça. ‘Nem sempre dominar é um objetivo.’

‘Acho que sim. Midoriko queria dominar todo o mundo das trevas e eu já achava que não fazia sentido ela querer aquele monte de areia sem nada. Bem… agora, eu tenho certeza que não faz sentido nenhum mesmo.’ Falou rindo.

Ela estreitou os olhos no rapaz. ‘E o que você quer agora, Kazuo-kun?’

‘Como assim o que eu quero?’ Perguntou sem entender.

‘Depois que esta confusão toda acabar…’

Am I too obvious to preach it?

(Eu sou óbvio demais pra pregar isto?)

You're so hypnotic on my heart

(Você é tão hipnotizante no meu coração)

Ele franziu a testa de leve novamente e pensou por um tempo. ‘Eu não sei direito. Primeiro pensei em ficar um tempo com o oyaji só para saber como era isso aqui. Além disso, ele me derrotou de forma tão fácil, mesmo sendo humano, que me mostrou que eu precisava ainda melhorar muito. Aí pensei em ficar até aprender um pouco mais. Para me tornar mais forte, como ele mesmo falou, adquirir mais técnica e tal… só que agora…’

‘Só que agora...’ Ela repetiu, inclinando-se para frente sobre a mesa, encarando-o.

Kazuo voltou a fitá-la. ‘Eu não sei… eu me sinto, pela primeira vez, feliz convivendo com ele, Sakura e Shaolin.’ Falou sorrindo de leve. ‘As Cartas... elas são bem legais. É tudo tão mais fácil, tão tranquilo… tudo bem que no começo foi meio complicado com Shaolin… mas depois…’ Ele soltou um suspiro. ‘É fácil gostar dele. E também da Sakura.’ Sorriu. ‘Ela é muito gentil comigo. Ela me considerou parte da família. E tem também a pirralha gulosa. Ela soube que eu era um demônio e não deu a mínima. Continuou a me olhar torto só quando eu pedia um pedaço do lanche.’ Falou rindo-se ao lembrar de Kasumi. ‘Ela disse até que eu podia me considerar como um irmão mais velho para ela.’ Falou, balançando a cabeça de leve, sem esconder o orgulho. ‘E ela é humana! Oyaji tinha razão quando disse que a minha relação com os humanos dependeria muito mais de mim do que deles.’

Marie sorriu de leve. ‘Kasumi-chan é diferente… mas eu sei como deve ser bom para você saber que ela, sendo humana e fora do mundo da magia, continua sendo sua amiga.’

Ele concordou com a cabeça. ‘Eu me sinto parte de alguma coisa a mais. Não parte de um grupo ou de um exército ou de sei lá o quê…’

Marie sorriu para ele. ‘Você não quer voltar, não é?’

Kazuo comprimiu os lábios ficando em silêncio um tempo. Fazendo-a sentir-se apreensiva com a resposta a sua pergunta.

So since you want to be with me

(Então desde que você queira estar comigo)

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Kazuo soltou um longo suspiro e balançou a cabeça negando e respondendo a pergunta. ‘Mas não posso ficar aqui e prejudicá-los também. Ter um demônio como filho e irmão não é muito legal… Não quero… não quero de maneira alguma criar confusão para eles. Eu não quero isso. Prefiro voltar para lá a ser responsável por isso.’

Marie fitou-o seriamente e encolheu os ombros. Não gostaria que ele fosse embora, todos ficariam muito tristes se isso acontecesse. ‘Já parou para pensar que você voltar para o Mundo das Trevas poderia sei lá… fazer eles sofrerem?’

Ele se ajeitou na cadeira. ‘Não faz sentido isso. Sakura é gentil comigo, mas…’

Marie sorriu de leve. ‘Se Sakura-ba-san o considera parte da família, então a ideia de que você está sofrendo a faria sofrer também. Pode ter certeza disso.’

Kazuo sorriu de forma tímida, não tinha pensado desta forma. Talvez… talvez não precisasse voltar para aquele lugar. Seria muito bom se isso fosse verdade. Muito bom, mesmo.

Am I too obvious to preach it

(Eu sou óbvio demais pra pregar isto?)

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(Você é tão hipnotizante no meu coração)

Marie soltou um suspiro e abafou um bocejo. ‘Acho que é melhor a gente descansar também.’ Falou, esfregando os olhos de leve.

Kazuo concordou, também estava cansado. Levantou-se e olhou em volta do restaurante do hotel, notando que havia poucas pessoas. Voltou-se para Marie. ‘Este negócio do Shaolin só dormir... ele acaba não comendo nada direito.’

‘Acho que sim.’ Ela falou, levantando-se. ‘Ele precisa se alimentar melhor para conseguir se fortalecer.’

‘Embora, pelo visto…’ Ele falou, franzindo a testa de leve. ‘Você também não.’ Comentou, informando a ela que havia reparado que a jovem brincou com a comida o tempo todo, mas não se alimentou.

Ela começou a caminhar em direção a saída do restaurante. ‘Estou sem fome. Como lhe falei… não estava me sentindo muito bem, mas amanhã tenho certeza que estarei melhor.’

‘Espero que sim.’ Ele falou.

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(Você terá que seguir completamente)

Caminharam em silêncio pelos corredores até chegarem aos quartos. Ela tinha ficado num ao lado do que foi reservado para Kazuo e Shaolin.

‘Venha me chamar assim que Shaolin-kun acordar, por favor.’ Ela pediu para ele que concordou com a cabeça. ‘Bem… então boa noite.’ Falou já para se afastar quando voltou-se para o rapaz, ficando na ponta dos pés e beijando o rosto dele.

With every word you say

(Cada palavra que você diz)

And I, all I really want is you

(E eu, tudo o que eu realmente quero é você)

For you to stick around

(E que você fique sempre por perto)

Kazuo arregalou os olhos surpreso e sentiu o rosto esquentar novamente. Observou Marie sorrindo para ele e finalmente se afastando até abrir a porta do quarto dela e entrar, desaparecendo de sua vista.

Sorriu de leve e levou a mão até face que ela tinha beijado. Franziu a testa, pensando que aquele gesto era bem estranho, mas deixava um calor gostoso dentro do peito. Tinha recebido um beijo do rosto de Sakura e Kasumi antes. E agora de Marie. Estava começando a gostar realmente daquilo.

I'll see you everyday

(Eu verei você todo dia)

But you have to follow through

(Mas você tem que seguir completamente)

You have to follow through

(Você tem que seguir completamente)

You're gonna have to follow

(Você terá que seguir)

Abriu a porta do quarto em que estava e observou o irmão ainda dormindo. Soltou um suspiro cansado, era estranho pensar que, até pouco tempo atrás, não sabia da existência de Shaolin, do pai e de Sakura. Quer dizer, sabia que o pai e a Feiticeira existiram e tal, mas nunca imaginou conviver com eles.

Agora, era estranho o sentimento que tinha com a possibilidade de perdê-los. Não queria deixar de conviver com eles.

Abriu um sorriso novamente e balançou a cabeça de leve, também não gostaria de deixar de conviver com Kasumi, e muito menos deixar de estar ao lado de Marie.

Oh, this is the start of something good

(Oh, esse é o começo de alguma coisa boa)

Don't you agree?

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*~*~*~KK~*~*~KK~*~*~KK~*~*~KK~*~*~*

Touya observou a casa de Hiiraguizawa a sua frente. Bateu os polegares no volante do carro e olhou para o lado. Yukito estava no banco de passageiro com o rosto sério, também fitando a residência de Eriol. Tinham acabado de estacionar em frente a ela.

Com certeza, ali era o último lugar que gostaria de estar, mas não conseguiram encontrar a irmã. A casa estava fechada e a Sra. Takahashi, a vizinha fofoqueira, informou que todos saíram apressados depois de receber a visita de um cara com um carrão. Tentou ligar para a irmã mais duas vezes, mas ela não atendeu. Tomoyo também não tinha ideia de onde ela estava e apenas soube informar que Syaoran pedira uma licença de alguns dias no trabalho. Tanto ela quanto o esposo estavam preocupados com os amigos, mas quando ela ligou para Sakura, a prima informou que estavam planejando viajar.

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A morena tinha, inclusive, tentado achar alguma resposta às suas dúvidas pela filha, mas Kasumi, ultimamente, parecia uma conchinha. Não falava nada, não se abria, apesar dela ter certeza que alguma coisa acontecera com a menina desde que ela foi visitar o amigo de infância dois dias atrás.

Enfim, o último recurso de Touya foi procurar a reencarnação do poderoso mago Clow. Respirou fundo e soltou o ar devagar, antes de abrir a porta do carro e sair. Pegou novamente o celular e resolveu fazer uma última tentativa de ligar para a irmã.

Yukito saiu do carro, fitou Touya que tinha o rosto agora, além de preocupado, contrariado e soltou um suspiro. Caminhou em direção a porta da residência enquanto Touya tentava ainda contatar a irmã pelo celular mais uma vez.

Touya ouviu o som típico de chamada que na última hora o vinha irritando ao extremo. Quando estava para soltar um palavrão ouviu a voz do cunhado do outro lado da linha. Nunca pensou que ficaria tão feliz em ouvir a voz dele na vida.

Touya.’ Li falou, com a voz cansada.

‘Onde diabos você se enfiou com a minha irmã, gaki?!’ Perguntou de imediato, esquecendo-se completamente de cumprimentá-lo. Ouviu um suspiro cansado do outro lado da linha.

‘Estamos com problemas, Touya.’ Ele foi direto. ‘Sua irmã não pode atender agora, ela está descansando. Se está ligando é porque Yue sentiu a mudança da aura de Sakura, não?’

Touya franziu a testa. ‘O que está acontecendo?’

‘É complicado, mas tem a ver com o poder do Pilar. Alguma coisa está interferindo na aura de Sakura.

‘Só podia.’ Touya falou franzindo a testa e olhando para a residência a sua frente. ‘Sempre tem o dedo de Clow em toda confusão, não?’

‘Como eu falei, é complicado. Estamos no distrito de Funbarigaoka. Encontramos algumas pessoas que estão nos ajudando. Ajudando sua irmã.’

‘Eu vou pra aí. Qual o endereço?’ Falou, tentando achar caneta e um lugar para anotar.

‘Melhor não, Touya.’ Li falou. ‘Sei que estou pedindo demais, mas é melhor você não estar perto da sua irmã agora. Procure Hiiraguizawa e ele poderá ajudar Yue.’ Ele ouviu o cunhado e franziu a testa, voltando a olhar para a casa a sua frente. Realmente ele estava pedindo demais. ‘Também seria de grande ajuda se pudessem ajudá-lo a encontrar respostas nos apontamentos de Clow.’

‘Você está de sacanagem comigo, não é?’ Touya falou irritado.

‘Não.’ Li falou sério. ‘A vida de Shaolin pode estar em jogo. Eu não posso me afastar de Sakura agora.’

Touya sentiu o sangue gelar com as palavras de Li. ‘Como assim? Shaolin não está com vocês? O que ele tem? Aquele desgraçado do Clow envolveu o meu sobrinho nesta confusão toda também?’

‘Touya!’ Syaoran o chamou com a voz mais assertiva. ‘Controle-se! Independente do que aconteceu, precisamos tentar achar solução para o que está acontecendo. Então… fica com a cabeça no lugar para poder ajudar sua irmã e seu sobrinho. Entendeu?’

‘Se você me contasse o que está acontecendo facilitaria e muito.’ Falou entre os dentes.

‘Não tenho tempo agora. Hiiraguizawa poderá esclarecer tudo para vocês.’ Syaoran falou e soltou outro suspiro. ‘Eu preciso ir agora. Mantenha a calma. Tudo vai terminar bem.’

‘Hei.. Nem pense em…’ Ele não conseguiu terminar a frase e o cunhado desligou. Soltou um palavrão e já estava para discar novamente o número dele quando sentiu a mão de Yukito sobre a sua. Levantou o rosto, fitando-o.

‘Não é hora disso, Touya.’ Yukito falou de forma séria. ‘Vamos falar com Clow-sama e tentar ajudar, não atrapalhar.’

Ele fechou o rosto mais ainda. Balançou a cabeça de leve guardando o celular no bolso da calça e desviando os olhos de Yuki para a casa. Fez um gesto em direção a ela com a cabeça. ‘Vamos lá, então. Vamos ver o que esse cara tem para nos dizer.’

‘O mais importante é saber como ajudá-los e não tentar achar as respostas para as suas dúvidas.’

Touya fechou os olhos por um momento e passou a mão no rosto. Ele tinha razão. Tinha que ajudar a irmã e o cunhado. Tinha que tentar ajudar o sobrinho. Droga! Não queria que a história da irmã se repetisse com Shaolin.

Sakura tinha passado por situações extremamente perigosas tentando caçar aquelas cartas e depois transformá-las quando era criança. Tinha tentado ficar de fora naquela ocasião, pois viu que a irmã preferia assim, mas esteve sempre de olho. Depois, na juventude, tudo foi uma loucura maior ainda e, agora, quando tudo parecia tranquilo, acontece outra loucura. E, o pior, colocando a vida do sobrinho em risco.

‘Você está certo.’ Ele falou, abrindo os olhos e fitando Yukito. ‘Vamos ver como podemos ajudá-los.’

Yukito concordou com a cabeça e sorriu de leve. Estavam para caminhar até a porta quando esta foi aberta e o rosto tenso de Kaho apareceu fitando-os.

‘Estava esperando por vocês.’ Ela falou e Touya percebeu que, pela primeira vez, desde que tinham passado por aquela loucura do Caos, ela estava nervosa. Era realmente raro, e preocupante, vê-la assim.

Yukito parou a frente dela, cumprimentando-a de forma polida e ela, logo, deu espaço para eles entrarem. Touya reteve-se a frente dela, encarando-a.

‘É tão grave assim a situação, Kaho?’ Ele perguntou.

‘Temo que sim, Touya.’ Ela respondeu e fez um gesto para ele entrar. ‘Eu tentarei explicar para vocês. Eriol está estudando na biblioteca, tentando achar alguma pista ou alguma indicação do que está acontecendo.’

‘A vida do meu sobrinho está em jogo.’ Ele falou com a voz falhada.

‘Eu sei… a vida dele e, talvez, a de todos nós.’ Ela respondeu.

*~*~*~KK~*~*~KK~*~*~KK~*~*~KK~*~*~*

Shaolin olhava em volta, maravilhado pelas cerejeiras que balançavam com o vento, fazendo as flores voarem pelo ambiente. Caminhou devagar olhando para os lados e perguntando-se como tinha parado ali, provavelmente estava sonhando.

Respirou fundo e sentiu o perfume que tanto o lembrava da mãe e sorriu. Estava com saudades dela. Ela deveria estar preocupada com ele assim como ele estava com ela. Parou em frente a mais bela e alta árvore daquele lugar e levantou o rosto, sorrindo de leve.

‘Bonito, não?’ Ouviu a voz conhecida por trás de si e a mão suave tocar seu ombro.

‘Sim, kassan. É muito bonito.’ Respondeu, levantando a mão a frente e observando uma das flores pousar na sua palma. Virou-se para ela e sorriu. ‘Estou com saudades.’ Ele falou e a viu abrir aquele sorriso maravilhoso.

‘Eu também, meu querido.’ Ela respondeu e o abraçou com carinho. ‘Com muitas saudades.’

‘Logo vamos nos reencontrar. Consegui destruir mais uma chave.’

‘Eu sei. Estou muito orgulhosa de você.’ Ela disse, apertando-o mais entre os braços.

‘Kazuo e nee-san estão me ajudando, logo nós estaremos de volta.’ Ele falou. ‘A senhora precisa aguentar mais um pouco.’

‘Eu aguentarei até vocês voltarem. Não se preocupe. Seu pai está comigo.’

Shaolin se afastou dela e a fitou. ‘Eles estão preocupados comigo.’ Ele a viu assentir com a cabeça. ‘Mas eu sei que vou conseguir.’

Sakura sorriu de leve e passou a mão no rosto do filho. ‘Tenho certeza que sim. Você saberá decidir o melhor.’

Ele desviou os olhos dela por um instante e voltou a fitá-la. ‘Kaasan… você sabe o que está acontecendo? Por que isso está acontecendo com você?’

‘Às vezes, recebemos responsabilidades que não escolhemos, mas, se elas estão em nossas mãos, é porque somos capazes de enfrentá-las.’ Ela suspirou e sorriu para ele. ‘Tudo dará certo no final.’

Ele concordou com a cabeça. ‘Sim. Tudo dará certo.’

Sakura se virou para frente. Shaolin desviou os olhos dela e observou Gabriel se aproximando, caminhando devagar até eles.

O rosto do anjo mostrava surpresa em encontrá-la ali. Ele sorriu de leve, cumprimentando-a com a cabeça. ‘Realmente, tem um poder fenomenal, senhora Li.’

‘Estava com saudades do meu menino.’ Ela respondeu com o rosto sério, colocando a mão sobre o ombro do filho.

‘Justo.’ Ele comentou e virou-se para o garoto. ‘Parabéns por ter destruído a chave de Shamash, Shaolin.’

Ele concordou com a cabeça e depois franziu a testa. ‘Eu não entendo como eu consigo destruí-las. Eu apenas converso com eles. Para mim, não faz sentido.’

‘Nem sempre a força física é o que realmente torna alguém forte.’ Ele desviou os olhos do menino e fitou Sakura. ‘Você e seu marido o treinaram muito bem.’

Sakura apertou de leve a mão que estava no ombro do filho. ‘Não era para ele ser testado, colocando a vida dele em risco desta forma. Você não foi inteiramente honesto conosco.’

Gabriel comprimiu os lábios, permanecendo em silêncio alguns segundos. ‘Nem poderia. Se eu fosse, vocês se desesperariam tanto que, no final, não conseguiriam nem treiná-lo adequadamente e nem viver de forma tranquila até este momento. Eu sinto muito.’

‘Eu vou conseguir. Prometi para Kasumi que eu voltaria para casa e desta vez eu vou cumprir. Não se preocupe.’ Shaolin falou, chamando a atenção dela que voltou-se para ele. ‘Eu que estou preocupado com a senhora.’

Sakura sorriu de leve para ele. ‘Pois lhe digo para também não se preocupar.’ Rebateu e inclinou o corpo de leve para frente, ficando com o rosto na altura do menino. ‘Nada do que está acontecendo é culpa sua ou de Kazuo-kun, Shaolin. Não carreguem esse fardo tão pesado. Nem você, Kazuo-kun ou Marie-chan. Ninguém é culpado ou responsável pelo que está acontecendo. Entendeu?’ Ela falou para ele com o rosto sério.

‘Eu sei. E não é meu lugar julgar de quem é a culpa. A única coisa que posso fazer é tentar proteger o nosso mundo.’

Ela sorriu para ele, concordando com a cabeça.

Gabriel observou os dois e sorriu de leve. ‘A próxima chave é a de Heimdall. Você deverá ir para a Noruega, para uma cidade chamada Bergen.’ Falou, chamando a atenção dos dois.

Shaolin olhou para o anjo e franziu a testa de leve. ‘Ainda não me respondeu como faço para destruir as chaves.’ O menino observou.

O anjo respirou fundo. ‘Não tenho todas as respostas e mesmo as que eu tenho, não cabe a mim decidir repassá-las a você, Shaolin.’ Fitou o menino por alguns segundos em silêncio. ‘Muitas respostas, você terá que obter por si mesmo e não através de alguém.’

Shaolin ergueu uma sobrancelha, fitando o anjo. ‘Meu irmão está bem chateado com você.’

Ele sorriu sem graça. ‘Eu acho que ele tem motivos para isso. Quem sabe um dia, eu consiga explicar para ele.’

‘Explicar para todos nós.’ Sakura observou, encarando o anjo.

‘Exatamente, senhora Li. Espero um dia poder explicar para todos vocês.’ Ele desviou os olhos dela e olhou em volta para as cerejeiras. ‘Mas, no final, eu tenho certeza que tudo vai dar certo. Como das outras vezes.’

‘Sim.’ Ela falou e voltou-se para o filho. ‘Cuide-se, meu querido. Estarei esperando por vocês. Eu e seu pai estaremos esperando por vocês.’

Shaolin abraçou a mãe que afagou os cabelos dele. ‘Tudo vai terminar bem.’ Repetiu.

Shaolin abriu os olhos e fitou o teto do quarto. Soltou um suspiro e sorriu de leve, foi bom reencontrar a mãe. Estava com saudades dela. Sabia que fora mais que apenas um sonho. Levantou-se sentindo um pouco o corpo dolorido. Olhou para os braços que haviam sido machucados dentro da dama de ferro e pensou que seria até uma boa ter um poder daquele que o irmão tinha. Estava com machucados demais pelo corpo, mas nenhum era grave.

Percebeu que a aura azulada em torno das suas mãos estava mais forte e mais brilhante. Franziu a testa de leve, reparando que nunca tinha a visto daquela forma antes, mesmo quando sabia que estava expandindo sua magia. Fechou os olhos brevemente e conseguiu localizar rápida e facilmente a presença mágica da prima que deveria estar no outro lado e a do irmão que estava ao seu lado. Franziu a testa de leve, reparando que conseguia perceber outras energias mais fracas, não eram necessariamente presenças mágicas, parecia que conseguia, de alguma forma, perceber alguns sentimentos humanos mais fortes. Era estranho, aquilo também não parecia fazer sentido para ele.

‘Como você está?’ Ouviu a voz do irmão e abriu os olhos, virando-se para o lado.

Sorriu de leve. ‘Estou bem.’ Respondeu, pois percebeu o rosto preocupado dele e a aura agitada.

‘Sente alguma dor?’ Ele perguntou, levantando-se e parando perto da cama do irmão.

‘São apenas arranhões.’ Respondeu. ‘Não precisa se sentir responsável por mim, Kazuo.’ Falou, lembrando-se das palavras da mãe. ‘Ninguém é culpado ou responsável pelo que está acontecendo.’

‘Sou responsável por você. Você é meu irmão mais novo.’ Ele rebateu. ‘Prometi para sua mãe que cuidaria de você.’

‘E prometeu também se cuidar.’ Shaolin falou. ‘Vi que estava mais machucado que eu quando saí daquela coisa lá.’

‘Eu cicatrizo rápido.’ Kazuo falou. ‘Você, não.’

‘Não pode ser imprudente sempre contando com isso.’ O menino falou.

Kazuo franziu a testa e se inclinou para ficar com o rosto na altura do irmão. ‘Você é o humano e é um pirralho. Não venha me falar o que eu devo fazer. Não deveria ter entrado naquela coisa.’

‘Se eu não entrasse, não conseguiria destruí-la.’

‘E se a próxima chave o obrigar a fazer pior do que entrar num negócio de maluco como aquilo?’

Ele deu de ombros. ‘Não tem muito o que fazer.’ Ele suspirou. ‘Precisamos ir para Bergen, na Noruega. A próxima chave está lá.’

‘Aquele anjo baka é que falou para você?’ Shaolin assentiu com a cabeça. ‘Da próxima vez que encontrar com ele, fala para ele parar de ser covarde e vir falar comigo, entendeu?’

O menino suspirou. ‘Ele não vai aparecer para você. Você tem a cabeça quente demais.’

‘Rá.’ Kazuo soltou, afastando-se do irmão. Caminhou pelo quarto e voltou-se para ele. ‘Precisa comer alguma coisa. Você e Marie. Precisam se alimentar melhor.’

‘Ela está bem?’ Ele perguntou, preocupado.

Kazuo desviou os olhos dele rapidamente. ‘Eu espero que sim.’

‘Está bem.’ O menino falou, levantando-se da cama. ‘Deixa eu tomar um banho, comer alguma coisa e poderemos ir de uma vez. Acho que todos queremos voltar logo para casa.’ Declarou e viu Kazuo concordar com a cabeça, observando-o. Ele parou na porta do banheiro e se voltou para o irmão, sorrindo de leve. ‘Seria bom você ver como nee-san está.’

‘Por quê?’ Kazuo perguntou, franzindo a testa de leve.

‘Você comentou que ela não anda se alimentando direito.’ Ele observou. ‘Ela não deve estar passando bem.’ Ele se concentrou na presença da prima e estranhou. ‘E acho que você tem razão de estar preocupado com ela. Tem alguma coisa estranha.’

‘Do que está falando, Shaolin?’ Perguntou ainda mais preocupado.

‘Eu não sei direito.’

‘Eu vou falar com ela. Eu fiquei de avisá-la quando você acordasse, de qualquer maneira.’

O menino concordou com a cabeça e passou pela porta, fechando-a para se preparar.

Kazuo respirou fundo e foi até o telefone para discar o número do quarto de Marie. Franziu a testa de leve, pensando no que o irmão havia falado. Tinha percebido que a jovem não estava bem ontem, não parecia apenas falta de apetite. Colocou o telefone no gancho e caminhou até a porta, bateria no quarto dela, queria vê-la e saber se ela tinha melhorado.

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Eriol levantou os olhos, observando Yue e Touya a sua frente. Reparou que o irmão de Sakura estava com o rosto mais sério do que de costume. Na verdade, o irmão de Sakura não conseguia disfarçar muito bem a raiva que ele tinha dele.

Yue se aproximou, parando perto da mesa onde Hiiraguizawa estudava e havia se levantado para cumprimentar os dois.

‘O que está acontecendo, Clow-sama?’

Eriol deu um longo suspiro, indicando que estava cansado. Estava estudando como louco as anotações de Clow e outras fontes desde que havia conseguido falar com Syaoran e descobrir o que estava acontecendo com a filha. Tinha encontrado o bilhete dela, informando que estava partindo com os primos e pedindo desculpas por não avisá-lo.

No primeiro instante, Eriol quase havia enlouquecido de raiva por ela ter simplesmente fugido de casa. Tentou entrar em contato com a garota, mas ela obviamente não atendia de propósito o telefone. Quando ela voltasse, ficaria de castigo pelo resto da vida.

Conseguiu falar com Syaoran que lhe colocou a par do que estava acontecendo e pediu calma e sensatez para o amigo. Era irônico receber este tipo de recomendação dele. A vida realmente tinha colocado os dois em posições contrárias de quando eram garotos.

Li tinha telefonado na noite anterior, falando que tinha conversado com Marie e que ela estava bem, como havia prometido fazer, assim que tivesse notícias dela. Não pôde negar que se sentiu péssimo em saber que a jovem tinha falado com o tio, mas não ligou para ele. Ela provavelmente fez isso por saber que ele não conseguiria se controlar e acabariam brigando por telefone. Mesmo assim, foi amargo receber notícias da filha por outra pessoa.

Syaoran também tinha contado sobre a suspeita dela com relação à súbita expansão da aura de Shaolin. O amigo temia, e com razão, pela vida do filho. Ele sabia, por experiência própria, as consequências da aura expandir de forma rápida e o corpo não acompanhar a evolução, graças àquela loucura que Shyrai havia causado ao abrir um portal para as trevas.

Eriol estava justamente estudando para tentar achar algum meio de reverter isso ou de ajudar o corpo do menino a evoluir de forma a suportar o fortalecimento de sua aura.

Não tinha muito tempo para contar todos os detalhes para Yue e Touya, mas tentou fazer o melhor que pôde. Sabia que o guardião da lua estava sentindo as mudanças da aura de sua mestra, e isso, de uma forma ou outra, poderia colocar em xeque a existência dele.

Touya e Yue ouviram a narrativa em silêncio, sem interrompê-lo. Os dois, assim como a esposa, que também estava no escritório, estavam com os rostos tensos.

‘E por que está estudando as anotações de Clow.’ Touya perguntou por fim, observando o material espalhado pela mesa. ‘Acredita que ele tenha de alguma forma previsto o que está acontecendo?’

‘Estou estudando alguma forma de ajudar Shaolin-san…’ Eriol começou a responder, mas depois reteve-se. Franziu a testa e ficou em silêncio, pensando por alguns segundo. ‘Talvez…’ Ele falou, voltando a procurar alguma coisa específica entre o material que estava na mesa. Não encontrou. Contornou o móvel, passando pelos três. ‘Kaho, onde Nakuru guardou aquele material que eu tinha separado?’

Kaho estranhou a pergunta. ‘Ela tinha guardado no porão, mas como você pediu ontem para trazermos tudo, acho que está tudo nestas caixas.’

‘Vocês trouxeram tudo?’ Ele perguntou, abrindo-as e procurando dentro delas.

‘Sim. Tenho certeza que sim.’ Ela sorriu de leve nervosa. ‘Apesar de você mandar jogarmos fora, achei que seria melhor guardar tudo.’

‘Fez bem.’ Ele comentou, tirando alguns livros e cadernos. Procurou por alguns minutos até encontrar o que queria.

‘O que está procurando, Clow-sama?’ Yue perguntou sentindo a aflição de seu antigo mestre.

Eriol não respondeu de imediato, continuou a folhear o caderno e prendeu a respiração. Levantou o rosto, encarando Yue e depois desviou os olhos para a esposa. ‘A terceira profecia.’ Informou e a viu arregalar os olhos de leve.

Eriol recitou-a em mandarim e depois traduziu para eles. ‘E será então, quando o Céu arder em chamas, que um coração partido gerará a Esperança e começará uma Era de bem-aventuranças.’

Kaho aproximou-se do marido. ‘Você interpretou isso da outra vez…’ Ela fez uma pausa, recordando-se. ‘Que, provavelmente, Li-san não conseguiria voltar do mundo das trevas.’

‘Mas ele voltou. Os dois voltaram.’ Eriol rebateu.

‘O que está pensando, Eriol?’ Kaho perguntou, preocupada. ‘Acha que o Caos ainda está por vir?’

Touya soltou um suspiro irritado. ‘De novo essa história de caos.’ Soltou e viu que Yue o olhou com censura, deu de ombros. Já estava achando que esta coisa de caos era uma palhaçada.

Eriol olhou para esposa e balançou a cabeça de leve. ‘Eu acho que o Caos será evitado, mas para isso, um preço terrível precisará ser pago.’

‘Do que exatamente está falando?’ Yue perguntou.

‘Eu nem sei se quero estar certo ou errado, Yue. Mas, por esta profecia feita por Clow-sama, talvez, o coração que precisa ser partido para a vinda da nova Era seja o de Sakura.’

‘Como assim coração partido?’

‘Não há o que atinja mais o coração de um pai ou uma mãe, do que a perda de seu filho.’

Continua.

Notas finais
Música do Capítulo: Follow Through (Seguir Completamente) by Gavin DeGraw . Notas Específicas: . FEITICEIROS é uma história (fanfic) aberta e apesar de ser continuação direta do anime “Sakura Card Captor” (após o segundo filme, “A Carta Selada”), não está preso unicamente ao universo criado pela CLAMP. Foi incluído na história muitos elementos originais e também alguns crossovers. Incluímos alguns personagens do anime “Shaman King”. Sempre tentando considerar os leitores que não conhecem o anime e dando a eles o mínimo de informação para entenderem de quem se tratava e o porquê fizeram a participação. Obviamente, quem conhece o anime conseguirá entender melhor algumas sutilezas dos personagens, mas nada que atrapalhe a narrativa. O segundo anime que está sendo usado na história de Feiticeiros é “Akame ga Kill”. Lembrando que, assim como SK e CCS, foi baseado no anime e NÃO no mangá de AgK. Entretanto, alguns detalhes do mangá “Akame ga Kill Zero”, que conta os eventos anteriores a AgK, foram usados. Não saiu o anime AgKZero (eu acho… enfim, não sei, eu só li o mangá). Vamos às explicações do porquê incluir dois personagens de AgK no universo de Feiticeiros. Primeiramente, porque foi estupidamente conveniente para nós. AgK caiu como uma luva dentro do universo criado para Feiticeiros. E vou dar um exemplo simples: A principal vilã (Esdeath) adquiriu seus poderes ao beber o sangue de um demônio. Nesse universo existe magia, mas é interpretada de maneira diferente e sempre estão relacionadas ao que eles chamam de “Teigu”, que são armas mágicas. Eles acreditam que as armas escolhem seus usuários, conectando-se a eles e conferindo-lhes poderes especiais. Oficialmente, as teigus foram criadas por ordem do primeiro Imperador que, temendo ver o Império que ele havia fundado ser destruído, reuniu diversos materiais e contratou muitos cientistas, místicos e alquimistas de todo o mundo para construir artefatos poderosos de ataque e defesa. Entre os materiais utilizados estavam restos de bestas e demônios com poderes únicos. Poderes estes que foram “embutidos” aos equipamentos mágicos. Inicialmente eram 48 teigus, mas quase a metade foi destruída/perdida durante uma guerra civil. Outras também foram perdidas ao longo da história de AGK e não se sabe ao certo quantas das 48 originais ainda restam. As teigus não necessariamente se limitam a ter uma única habilidade. Algumas possuem poderes secretos, que podem ou não ter sido descobertos; outras têm poderes que acabaram esquecidos ou perdidos pela história. Uma vez que o usuário de uma teigu morra, a arma escolhe um novo usuário (se houver essa opção) e então a arma se adapta ao seu novo usuário, podendo, no final, até evoluir. NÓS interpretamos a questão das teigus de maneira um pouco diferente (até para que se encaixasse melhor na história). Não eram as armas que davam poderes mágicos às pessoas. Os usuários já possuíam uma predisposição a certas habilidades e as teigus apenas ajudavam a canalizar, controlar e manifestar esses poderes. Então, se alguém possui predisposição para manipular o fogo, por exemplo, será compatível com uma teigu que tenha o fogo como “habilidade”, conseguindo “ativar os poderes da arma”. Não é muito diferente de como Syaoran, Shaolin e Kazuo possuem magia e a canalizam nas esferas negras para transformá-las em suas espadas. Dentro da história de FEITICEIROS, o mundo de AgK seria um universo paralelo ao universo principal (o de Sakura e Syaoran). É uma realidade bem mais primitiva, com bestas, demônios e muito, muito (MUITO mesmo) mais violento, onde essas criaturas e os humanos convivem… Quer dizer, onde disputam espaço. Seria um universo com uma proximidade muito maior do Mundo das Trevas, por assim dizer. Seguindo esta lógica, uma alma deste universo, depois de desencarnada, poderia reencarnar no mesmo universo ou atravessar as barreiras entre os universos para reencarnar; ou, em alguns casos, ir para o Plano inferior ou superior como qualquer outra. De forma bem resumida, a história de AgK se passa durante uma guerra civil entre o Império e as Forças Revolucionárias. Os personagens principais eram Assassinos das Forças Revolucionárias, conhecidos como Night Raid, e todos eles manipulavam alguma teigu, ou seja, todos tinham magia. # ATENÇÃO DE SPOILER! SE QUISER VER AGK SEM SPOILER, PARE AQUI! # Quais personagens de AGK incluímos na história de FEITICEIROS? Akame e Tatsumi, respectivamente, como Kasumi e Shaolin. Ou seja, Akame foi a existência anterior de Kasumi e Tatsumi foi uma das existências anteriores de Shaolin. Outros personagens aparecerão? Não está nos planos, então, para quem conhece o anime, já vou avisando que o ship é Tatsumi/Akame. Não é Tatsumi/Esdeath, ou /Mine ou /Chelsea, ou /Bulat ou /sei-lá-mais-quem que dava mole para ele no anime… (Kath rolando os olhos agora) O que complica um pouco, mas vai ficar mais claro conforme os capítulos forem sendo postados, é que para a construção da história de FEITICEIROS, AgK não terminou no capítulo 24 do anime. Nós não pegamos os personagens exatamente como foram deixados no final do anime. Entre Akame e Tatsumi e Kasumi e Shaolin houve uma passagem de tempo de quase 100 anos e uma porção de situações e experiências pelas quais eles tiveram que passar até virem para o universo de Sakura e Syaoran. Sobre Akame: Po**a! Ela é, simplesmente, a personagem feminina mais badass que eu já conheci e por isso mesmo fui atrás da origem dela em AgKZero. E cara… é f*** a história. Vou resumir (tentar). Akame tinha uma irmã, Kurome, e elas eram órfãs. Foram vendidas para o Império e submetidas a testes muito, muito violentos num processo de seleção para formar Assassinos de Elite que protegeriam o Império. As duas passaram, enquanto muitas outras crianças morreram, literalmente, estraçalhados. No entanto, elas acabaram sendo separadas. A cena da separação delas é de doer a alma. Akame foi enviada para o grupo que formaria a “Elite dos Sete” e Kurome num outro grupo. As duas juraram sobreviver para se reencontrarem e passaram por situações barbáricas. Tortura tanto física quanto mental. Akame era constantemente chantageada pelo seu treinador, intitulado “papai”, de que não conseguiria rever a irmã se falhasse. As duas passaram por uma lavagem cerebral pesada e, assim como todos os outros escolhidos, realmente acreditavam que o Império estava certo e que estavam matando os inimigos do Império para proteger o “bem”. As duas irmãs se destacaram. Akame chegou a ser considerada a assassina número um do Império e sua teigu tinha pertencido ao “papai”, Murasame. Murasame é uma katana que, com apenas um corte, corrompe a alma da pessoa atingida e sempre acaba por matar suas vítimas. [Interpretamos que Murasame era um demônio que foi aprisionado na katana, assim como os outros demônios foram aprisionados em cartas. Este foi o princípio.] Akame, apesar da lavagem cerebral que sofreu, conseguiu ver a verdade e percebeu que o povo estava sendo oprimido de forma violenta pelos governantes corruptos. Foi então que ela mudou de lado. Ela tentou abrir os olhos da irmã, mas Kurome não aceitou e considerou Akame uma traidora e jurou matá-la. A luta das duas irmãs é uma das cenas mais bonitas e tristes do anime. Mas prefiro como ficou resolvida a situação delas no anime do que no mangá. No batalha final do anime, Akame se corta com a Murasame, mas em vez de ter sua alma corrompida e morrer, ela supera isso, [“muda sua natureza”, tornando-se um demônio e deixando de ser humana, por isso das marcas em seu corpo]. Ela derrota a principal vilã e, simplesmente vai embora, deixando para Najenda (a general do exército revolucionário, também chamada pelo grupo de “Boss”) estabelecer uma república no país. Ela também aceita que todos os crimes cometidos pelo grupo de assassinos revolucionários (Night Raid) fossem colocados nas costas dela. Ela é a única sobrevivente do grupo. [headcanon] O que aconteceu com Akame depois de se despedir de Najenda? Ela vagou pelo país ajudando as pessoas a se defenderem dos demônios que existiam, assim como continuou a ajudar Najenda de forma indireta (pelas sombras) a estabelecer a república e, como mudou sua natureza, tornou-se imortal (em teoria, até que encontrasse algum demônio que fosse capaz de derrotá-la. O que, obviamente, não aconteceu porque ela é f**a!). Sobre Tatsumi: Ele era um idiota… brincadeira, não era tão idiota. Era um aldeão, que saiu da vila em que vivia para tentar a sorte na capital com dois amigos. Era um caipira, ingênuo e gentil. Ele realmente acreditava que o Império era bom e blá-blá-blá. Inclusive queria entrar no exército do Império com o objetivo de juntar dinheiro para ajudar sua vila a sair da miséria. O moleque teve vários choques de realidade ao chegar na capital. O primeiro sendo o de que Império não era tão perfeito quanto ele achava. Seus amigos foram torturados e mortos e ele acabou se juntando, por um golpe do destino (e uma p**a sorte pq a mocinha loira que ele estava protegendo na cena deste capítulo foi quem torturou e matou os amigos dele e ele seria o próximo “divertimento” dela) ao grupo de assassinos revolucionários Night Raid. Ele era bem fraco, comparado com os outros membros, então realmente foi salvo um monte de vezes por eles, principalmente, por Akame. No anime mostra o esforço dele nos treinamentos para se tornar mais forte, mas ele apanhou um bocado… Dava realmente até pena do esforço dele, mas também mostra de uma forma muito legal que Tatsumi correu atrás para se tornar mais forte. Fazia treinamentos com Akame e com outros membros do grupo. Realmente se esforçava muito. O anime é todo violento e sangrento. O mangá é muito pior… Na boa, eu não consegui ler o mangá, chegou uma parte que “deu para mim” e pulei para o final, na esperança de ter um final diferente do anime, mas foi parecido e até um pouco decepcionante. E é isso mesmo que estão pensando, o Tatsumi morreu e eu chorei por horas! Gostei realmente da morte dele, mais no anime do que do mangá. A cena dele se desculpando com a Akame por não poder cumrpir com a promessa de que sobreviveria e depois a abraçando antes de morrer, chegou a me entalar na garganta. Foi então que resolvi não finalizar a história de Tatsumi ali. [headcanon] O que aconteceu depois que ele morreu? A resposta disso é spoiler, infelizmente. Mas acho que já está dando para entender qual a origem da magia do Shaolin, né? Conforme a história vai avançando outros detalhes, inclusive sobre este hiato entre o final de AgK e o nascimento de Shaolin e Kasumi, vão ficar mais claros. Quanto a relação entre AgK e FEITICEIROS, encarem AgK como se fosse um spinoff do fanfic, de maneira bem pretensiosa, mesmo. Mas, cara, o que posso fazer se as histórias e os princípios das duas são parecidos? Quando a Esdeath bebeu o sangue e adquiriu o poder lá, eu caí na risada. Quase entro em contato com o autor para verificar se ele não plagiou Feiticeiros... ahahahahaha