FEITICEIROS
52 A Arte Suprema pelo Esforço
FEITICEIROS
Por Kath Klein & Yoruki Hiiragizawa
Revisão: Rô Marques
Capítulo 52
A Arte Suprema Pelo Esforço
Syaoran bateu na porta do quarto de Shaolin que estava trancada desde que o garoto chegara em casa. Ele tinha se recusado a jantar e permanecia dentro do quarto.
‘Shaolin.’ Ele chamou o filho e não teve resposta. Respirou fundo e rodou os olhos. ‘Ou você abre esta porta ou… Bem… Você sabe que existem inúmeras formas para eu a abri-la, não?’ Ele ouviu o resmungo do filho e sorriu de lado.
Em seguida, a porta foi aberta e ele encarou os olhos verdes que o fitavam de forma séria. Pensou que era a primeira vez que via aquele olhar do filho. Ele parecia que tinha crescido em poucas horas.
‘O que você quer comigo?’ O menino perguntou, seriamente. Não conseguia e nem parecia se importar de mostrar que estava ainda chateado, bem chateado.
‘Precisamos conversar.’ Syaoran falou com o rosto igualmente duro para o filho.
‘Não temos nada para conversar. Você tem que conversar é com a kaasan.’ Ele rebateu e estava pronto para voltar a fechar a porta quando Syaoran a segurou.
Encarou o menino. ‘Nem pense em fechar esta porta de novo, Shaolin. Já lhe dei tempo demais para esfriar a cabeça.’
Shaolin franziu a testa, não queria falar com o pai. Não queria ouvir a mesma história que tinha ouvido de Marie hoje durante a tarde inteira. Estava justamente na internet procurando, de forma desesperada, alguma coisa que confirmasse o que a prima tinha lhe dito, tinha encontrado algumas coisas interessantes, mas ainda nada que dissipasse aquela maldita dúvida com relação ao caráter do pai.
Ele se afastou da porta e entrou no quarto. Parou perto da escrivaninha onde estava estudando e se encostou a ela, encarando o pai de braços cruzados. Levantou o rosto de forma até desafiadora para Syaoran e finalmente perguntou. ‘E o que quer falar comigo?’
Syaoran entrou no quarto e encostou a porta. Voltou a fitar o filho e não pôde deixar de sorrir de lado, vendo-o daquela forma. Pensou sempre que Shaolin era parecido demais com Sakura, mas agora via-se claramente no filho.
Pensou que também não era bem assim. Sakura quando queria desafiar alguém era tão ou mais ousada e petulante quanto ele. Talvez por ela sempre ser tão doce, isso tornava-se altamente contrastante. Exatamente como percebia agora no filho.
Ele caminhou até a cadeira que estava perto do menino, sem desviar os olhos dele, e a puxou para se sentar. A conversa seria longa. Respirou fundo e pensou em como começaria.
‘Nunca escondemos de você o fato de que sua mãe e eu tivemos uma outra existência, diferente desta em que nos encontramos, não é?’
Shaolin concordou com a cabeça ainda em silêncio.
‘Mas há uma parte desta história que omitimos de você. Não que fosse errada, mas acreditávamos, ou esperávamos, que não fosse necessário contar a você tudo que eu e ela passamos para…’
‘Nee-san me contou sobre isso hoje.’ Shaolin o cortou, finalmente desviando os olhos do pai.
Syaoran franziu a testa. ‘A Marie?’ Ele repetiu. ‘E o que exatamente ela contou para você?’
Shaolin suspirou fundo e encolheu os ombros. ‘Que você morreu. E que voltou como um demônio igual àquele…’ Ele fez um gesto em direção a porta, referindo-se ao irmão. ‘Hã… Aí se casou com kaasan, que o aceitou, mesmo estando com a natureza diferente…’ Ele falou e suspirou.
Syaoran estreitou os olhos no filho, esperando que ele prosseguisse.
Shaolin voltou a fitá-lo. ‘Depois o senhor foi obrigado a voltar para o Mundo das Trevas para destruir algumas daquelas esferas luminosas que nee-san chamou de “brechas” e eram fixas ou algo assim…’ Shaolin viu o pai confirmar com a cabeça, informando ao filho que ele estava certo. Ele comprimiu os lábios e desviou os olhos novamente. ‘Ela falou que foi muito difícil… que foi muito difícil para o senhor lutar contra tantos demônios muito… muito fortes.’
O menino fez uma pausa, lembrava-se do que a prima lhe contou e sabia que ela tinha amenizado a situação. A prima o via como um pirralho e, com certeza, censurou bastante coisa desta parte da história. Ele não era ingênuo. Shaolin voltou a fitar o pai.
‘Kaasan foi atrás do senhor… com a ajuda de nee-san, quando ela ainda era uma Carta.’
Os dois ficaram em silêncio um tempo, encarando-se até o menino soltar um suspiro e encolher novamente os ombros, desviando os olhos do pai. ‘Ela me contou que a tal da Midoriko estava junto do grupo encarregado de destruir as brechas e ela é um demônio feminino… que… que… Nee-san falou um nome… “súcubo” ou alguma coisa assim.’ Ele falou contrariado.
Syaoran observou o filho, sentia que ele tentava entender o que estava acontecendo. Tinha prestado atenção na narrativa da prima, mas estava em contradição com o que conhecia sobre o mundo. Desviou os olhos, vendo a tela do computador e sorriu de leve, reparando que o garoto estava tentando achar respostas. Aquele tipo de matéria seria bem difícil dele encontrar jogando no Google.
Syaoran respirou fundo, chamando a atenção do filho que voltou a fitá-lo. ‘Ela então lhe contou o essencial para entender o que aconteceu.’
Shaolin concordou com a cabeça. ‘Nee-san está bem chateada e triste… Com tudo o que se lembrou.’
‘Eu imagino que sim.’ Syaoran confirmou, cruzando os braços. ‘Khala’a e Clow tinham muitos assuntos pendentes.’
Shaolin voltou a ficar em silêncio por alguns segundos, até finalmente criar coragem para falar o que queria com o pai. Descruzou os braços e Syaoran reparou que ele cerrou os punhos, forçando-se a encará-lo.
‘É difícil... Por mais que eu tente e queira acreditar nessa história, é difícil!’ Ele falou em tom mais alto. ‘Você… você…’
‘Você acha que eu traí sua mãe?’ Ele perguntou, estreitando os olhos no menino. ‘Você realmente acha isso?’
Shaolin desviou os olhos dele. ‘E como é que esse cara… Apareceu sendo o seu filho também?!’ Ele perguntou com a voz chateada. ‘E tudo parece que está bem!’ Shaolin falou, balançando a cabeça de leve. ‘Kaasan acha normal, simplesmente tudo está normal.’ Ele olhou para o pai. ‘Será que só eu…’ Apontou para si. ‘Que não acho normal um filho seu aparecer do nada?’
Syaoran respirou fundo. ‘Não.’ Respondeu por fim. ‘Sua mãe não acha normal; e eu não acho normal, também. Assim como você.’ Shaolin levantou as sobrancelhas sem entender. ‘O que acontece é que nós dois sabemos exatamente o que aconteceu. Porque, como você mesmo falou, eu fui um demônio. Sua mãe foi até o Mundo das Trevas com a ajuda da Marie, ou melhor, da Khala’a, que não só nos esclareceu, como nos alertou que isso poderia acontecer. Mas, principalmente, Shaolin…’ Ele fez uma pausa, encarando o filho. ‘Sua mãe sabe o quanto eu a amo e que eu nunca teria nada com nenhuma mulher que não fosse ela.’
Shaolin desviou os olhos do pai novamente, fitando o chão do quarto. Cerrou mais forte os punhos. Droga! Ele queria acreditar realmente nisso.
‘Ela confia em mim porque eu nunca dei motivos a ela para desconfiar.’ Syaoran completou. ‘Assim como eu nunca lhe dei motivos para duvidar da minha palavra. Ou será que já? Eu alguma vez já menti para você?’
Shaolin balançou a cabeça, negando em resposta à pergunta do pai. Voltaram a ficar em silêncio.
Syaoran sabia que o filho estava tentando aceitar tanto o que Marie lhe contara, como o que ele confirmou agora.
Olhou para a tela do computador e franziu a testa, pensando que talvez fosse interessante levá-lo à biblioteca como fazia quando ele mesmo tinha dúvidas sobre os seres das trevas. O problema é que o incomodava, e muito, saber que o filho não confiava na palavra dele e que precisava de provas para acreditar nele.
Shaolin levantou o rosto. ‘Nee-san falou que a… a mãe dele lá invade os sonhos dos homens.’ Falou de repente. ‘Hum… Na mitologia grega tem alguns casos de deuses em que… Os filhos nasciam em situações parecidas e tal…’ Falou sem graça.
Syaoran sorriu de lado. ‘Andou estudando bem, não?’
Shaolin endireitou o corpo. ‘Eu falei que estava difícil de acreditar, mas não falei que não estava tentando.’
Syaoran confirmou com a cabeça. ‘Justo.’
O menino franziu a testa. ‘Ela invade os sonhos… Qualquer sonho? Que tipo de sonho?’
‘Pergunta válida.’ Syaoran comentou, olhando para o filho e pensando no que responder. ‘Quando estive lá, eu tive que descansar uma vez. Eu realmente não sabia sobre isso e, talvez, se eu soubesse, não teria baixado a guarda.’
‘Nee-san falou que o senhor estava muito mal…’ O menino comentou.
‘Não foi fácil mesmo.’ Ele concordou. ‘Se sua mãe não tivesse ido atrás de mim, se não tivesse me encontrado quando o fez, eu não teria conseguido chegar até o final.’ Forçou um sorriso de lado. ‘Mas não diga para ela que eu falei isso.’
Shaolin sorriu de leve e concordou com a cabeça. ‘Então… Que tipo de sonho?’
Syaoran respirou fundo e coçou a cabeça. ‘Bem… A única vez que eu baixei a guarda perto daquela... A única vez que ela invadiu os meus sonhos, eu estava justamente sonhando com a sua mãe…’
‘Com kaasan?’ Ele perguntou, erguendo uma sobrancelha.
‘É, com sua mãe.’ Ele repetiu, ajeitando-se na cadeira e, por incrível que pareça, sentiu a face esquentar como há muito tempo não sentia. Bem, teria que responder ao filho. Um dia teriam que conversar sobre isso mesmo. ‘Eu estava longe dela há bastante tempo. E estava com saudades, sentia muita falta dela.’
Shaolin arregalou os olhos ao entender do que o pai estava falando e abaixou o rosto, sentindo-o esquentar e sabendo que estava vermelho.
Syaoran sorriu de leve, percebendo que o filho entendeu. ‘E, enfim… Assim que eu percebi a invasão, eu acordei. Pensei que a tivesse notado a tempo, mas, obviamente...’
Shaolin encolheu os ombros sem coragem de encarar o pai. ‘É… acho que não deu.’
‘Exatamente.’
O menino voltou a encarar o pai. ‘Então o senhor nunca traiu kaasan, né?’
‘Não.’ Respondeu sem hesitar. ‘Nunca.’
Shaolin balançou o corpo de leve, mostrando que estava nervoso. ‘Vai ser difícil dos outros acreditarem nisto quando virem o…’
‘O seu irmão?’ Ele completou, vendo que o garoto tinha dificuldade de completar a frase. Shaolin concordou com a cabeça.
Syaoran respirou fundo. ‘Sinceramente, não me interessa o que os outros vão pensar.’ Respondeu. ‘O que me importa é o que a minha esposa e o meu filho… O que a minha família pensa de mim.’ Ele deu de ombros. ‘Os outros… Realmente não faz diferença. Nunca fez.’ Ele franziu a testa, olhando para o filho. ‘Para você isso é tão importante?’
Shaolin olhou para o pai. ‘Não. O importante para mim é a verdade.’
‘Então… Você já tem a verdade.’ Ele falou sério.
Syaoran observou o filho em silêncio. Alguma coisa ainda o perturbava. ‘Não é só isso, não é? Você tem receio de mais o quê, Shaolin?’
O menino fitou o pai. ‘Ter um irmão demônio não vai ser muito legal.’
‘Ele parece ser um bom rapaz.’ Syaoran respondeu.
'Talvez… Mas as pessoas ainda temem os demônios… Têm medo deles…’ Cerrou os punhos. ‘Procuram ficar longe deles e de quem convive com eles…’
Syaoran estreitou os olhos no filho que agora tinha o olhar triste.
‘Seu irmão tem aparência humana. Não é necessário que saibam a natureza dele.’
O garoto fitou o pai. ‘Não quero mais mentir, tousan… Não queria mais mentir para Kasumi.’
‘Está com receio do que ela vai pensar quando contar sobre o seu irmão.’
‘Não deveria ter contado sobre magia para ela. Você e kaasan tinham razão. Ela vai… Ela vai ficar com medo.’
‘Medo dele ou de você?’
‘De nós dois.’ Respondeu, batendo de leve na mesa.
Syaoran respirou fundo. ‘Kasumi foi criada ao seu lado. Ela nunca teria medo de você.’
Ele olhou para o pai. ‘O senhor acha?’
‘Tenho certeza.’ Respondeu de maneira firme, olhando para o garoto. ‘Ela gosta muito de você, nunca o temeria.’ Sorriu de leve ao ver as bochechas do menino corarem.
Shaolin ficou em silêncio com os olhos baixos. ‘Tousan, desculpe-me por… Pensar que… Que você tinha…’ Ele deixou morrer a frase.
Syaoran se levantou da cadeira e se aproximou do filho, repousando a mão sobre a cabeça dele. Shaolin deu um passo à frente e o abraçou pela cintura. Syaoran sorriu de leve, aliviado por ter esclarecido as coisas com ele.
Por mais que não quisesse admitir, estava sendo dolorido demais saber que o filho tinha se decepcionado com ele de alguma forma. Sabia que não seria fácil também para o garoto aceitar Kazuo como irmão, mas sentia-se feliz em saber que Shaolin tinha entendido o que acontecera.
‘Tudo bem.’ Ele falou, bagunçando os cabelos do filho. ‘Vai ficar tudo ficar bem.’ Completou beijando a cabeça do menino.
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Sakura estava fazendo o café da manhã quando percebeu a presença de Kazuo se aproximando. Olhou para trás e observou o rapaz que parou na porta da cozinha.
‘Bom dia.’ Ela o cumprimentou, sorrindo.
Kazuo coçou a cabeça e desviou o olhar. Era estranha a rotina da casa. Franziu a testa, pensando que talvez devesse cumprimentá-la também. ‘Bom dia.’ Sussurrou com timidez.
‘Sente-se que eu já lhe sirvo o café da manhã.’ Ela falou e ele a obedeceu prontamente.
Observou a fêm… A esposa do pai ainda finalizando o preparo antes de colocar um prato à sua frente e, logo depois, um copo com uma bebida.
‘Espero que goste.’ Comentou sorrindo e passando a mão pelos cabelos dele antes de se virar para finalizar o café do esposo e do filho, que logo desceriam para o desjejum.
Kazuo passou a mão na cabeça e sorriu. O pai tinha feito o mesmo no outro dia. Era estranho. Antes a única vez em que tivera algum contato fora de situações de luta, era quando recebia os tapas na cara de Midoriko ao fazer ou falar algo que ela não tinha gostado. Aquele tipo de contato era estranho demais. Não que fosse ruim, muito pelo contrário.
‘Soube que você andou pela cidade ontem.’ Sakura falou, de repente, chamando a atenção dele. Ela se virou e o observou por sobre o ombro direito. ‘Kagami me contou que você e ela passearam à tarde até se encontrarem com Shaolin e Marie-chan.’
Kazuo confirmou com um gesto, permanecendo em silêncio enquanto comia o café da manhã.
‘E você gostou da cidade?’ Ela perguntou.
Ele encolheu os ombros. ‘É estranho… como tudo por aqui.’ Falou sem muitos detalhes.
Ela sorriu. ‘Eu imagino que para você deva ser tudo muito diferente. Mas…’ Ela fez uma pausa e voltou a ficar de costas para ele. ‘Você logo irá se acostumar.’
Kazuo parou de beber o suco e olhou de soslaio para ela. Lembrou-se da conversa com o pai na manhã anterior, em que ele falou claramente que quem mandava na casa era ela. Recomendou inclusive que a tratasse bem. Então ela é que era a líder do grupo, possivelmente a mais forte. Arthas tinha lhe contado sobre ela e seus poderes.
‘Eu… Eu não pretendo ficar muito tempo.’ Ele falou, olhando para o prato. ‘Eu tenho que voltar, sabe? Estão esperando por mim.’ Kazuo ouviu um barulho de metal e logo depois um palavrão. Virou-se para ela, observando-a em silêncio.
Sakura levou a mão que tinha acabado de queimar pela distração, à boca. Ela caminhou até a pia e abriu a água, colocando a mão debaixo do jato. Respirou fundo, pensando em como falar com o garoto sem começar a xingar a mãe dele.
Nunca foi com a cara de Midoriko. Em parte, porque desconfiava das intenções dela com Syaoran; mas, agora, simplesmente a odiava. Não por ter conseguido o filho que ela tanto queria, mas por imaginar tudo o que o garoto devia ter passado nas mãos dela.
Kazuo poderia não ser seu filho, mas era filho de Syaoran e doía demais saber que uma parte dele tinha ficado naquele lugar terrível.
‘Estão lhe esperando…’ Ela comentou, meneando a cabeça. ‘Você deve estar realmente fazendo muita falta…’ Não conseguiu controlar a língua. Respirou fundo, tentando não ser sarcástica. Midoriko era a mãe dele, e nenhum filho gosta de ouvir alguém falando mal da própria mãe.
‘Acho que sim.’ Ele respondeu, ainda olhando para ela que tinha a mão debaixo da água.
‘Certo.’ Sakura falou. ‘E você sente muita falta de lá?’ Perguntou, fechando a torneira e virando-se para o rapaz que olhava para o prato. Como imaginou, não teve uma resposta. Respirou fundo e foi até a mesa, sentando-se na cadeira em frente a ele.
Kazuo levantou o rosto, fitando-a intrigado.
‘Você sabe que não é obrigado a voltar, não é?’ Ela disse, vendo-o franzir a testa. ‘Ninguém vai obrigá-lo a voltar para aquele lugar.’
Ele desviou os olhos dela e não respondeu.
Sakura suspirou. ‘Na verdade… Se analisarmos bem a situação, você não tem como voltar para lá.’
Kazuo arregalou os olhos e a encarou. Ela tinha razão. ‘Aquela garota… Ela pode criar aquela luz novamente… A hora que quiser, não?’
Sakura balançou a cabeça de leve e encolheu os ombros. ‘Talvez… Você deve ter percebido como ela ficou fraca depois. É necessário muita magia para se abrir uma brecha. E não sabemos exatamente o porquê ou como ela conseguiu abrir uma, mas acho que você deveria considerar a possibilidade de não ter como voltar.’
Kazuo abaixou os olhos e franziu a testa. Droga! Midoriko o mataria se demorasse muito para voltar. Isso se conseguisse realmente voltar. E o que ele ficaria fazendo até lá? Não tinha pensado ainda nesta possibilidade.
Tinha realmente pensado que talvez… Apenas talvez, fosse interessante conviver um pouco mais com o pai de quem tanto ouvira falar e que pensara estar morto, mas ficar ali para sempre? Não! Isso não era bem uma alternativa para ele. Ele era um demônio, não conseguiria viver como um humano.
‘Hei.’ Sakura chamou a atenção dele, fazendo-o fitá-la novamente. ‘Não é tão assustador quanto você está pensando.’
‘Eu não estou com medo.’ Ele falou entre os dentes.
Ela sorriu. ‘Eu não falei que estava com medo. Eu estou apenas falando que você deveria sair da defensiva e pensar melhor na possibilidade.’
Kazuo ajeitou-se na cadeira sem desviar os olhos dela. ‘E por você tudo bem se eu ficar aqui?’ Falou em tom irônico, ela percebeu.
Sakura ergueu uma sobrancelha. ‘Você vê algum problema em ficar aqui?’ Rebateu a pergunta.
Kazuo continuou a fitá-la sem responder. Realmente não conseguia entender o porquê dela ser tão gentil com ele. E por que agora, assim como o pai, gostaria que ele permanecesse ali?
Eles não pareciam ter intenção de conquistar nada, e já tinham um grupo grande de criaturas com poderes bem altos. Não precisavam dele. Realmente não conseguia entender o objetivo dos dois em querer que ele permanecesse ali com eles.
Syaoran chegou na cozinha e encontrou os dois em silêncio. Franziu a testa, percebendo que a presença mágica tanto de um quanto do outro tinha se alterado, mas não pareciam estar discutindo, muito pelo contrário.
Sakura desviou os olhos de Kazuo e fitou o esposo. ‘Vou servir o seu café!’ Ela falou, levantando-se com um sorriso.
Syaoran ainda ficou um momento olhando de um para o outro antes de agradecer. Passou pelo rapaz e passou a mão pela cabeça dele. ‘Bom dia, Kazuo.’ Cumprimentou-o antes de se sentar na cadeira em que esposa estivera sentada. Ela logo lhe serviu o desjejum.
Kazuo olhou de um para o outro e franziu a testa de leve, novamente. ‘Por que querem que eu fique?’ Perguntou na lata. Não gostava de rodeios e, realmente, não conseguia entender o que se passava ali. Não havia encontrado nenhuma explicação racional para a permanência dele ali.
Syaoran desviou os olhos do filho e fitou a esposa que balançou de leve a cabeça, provavelmente pensando que o rapaz era tão cabeça dura quanto ele, era sempre assim que ela o chamava.
‘Já conversamos sobre isso ontem.’ Syaoran respondeu por fim, começando a comer o desjejum. E fazendo um gesto em direção ao dele. ‘Se eu fosse você, comeria logo antes que esfrie.’
Kazuo ainda olhava para ele. ‘O que realmente vocês querem de mim?’ Perguntou novamente. ‘Vocês já têm um grupo enorme e poderoso que podem usar para conquistar o que…’
‘Hei, hei!’ Syaoran o interrompeu. ‘Você ainda não entendeu que aqui as regras do Mundo das Trevas não valem? Ninguém aqui quer conquistar nada.’
Ele fitou o pai ainda não conseguindo entender. ‘Mas… Então… Eu não entendo o porquê…’
Syaoran desviou o olhar do rapaz para a esposa, que o observava com olhos tristes. Ele respirou fundo e voltou a fitar Kazuo. ‘Porque, como eu falei ontem, você é meu filho.’
Kazuo franziu a testa. ‘Ainda não faz sentido.’
Parecia que nada naquela porcaria de universo fazia. A conversa com a garota ruiva ontem parecia ser surreal. E agora o pai e a feiticeira falavam coisas que também não faziam sentido para ele.
Sakura se aproximou da mesa e Kazuo tirou os olhos do pai para fitá-la. ‘Kazuo–san, neste mundo, os pais são responsáveis pelo bem-estar dos filhos. Eles se importam com os filhos e querem a sua felicidade.’ Respondeu devagar para que ele pudesse entender. ‘Um filho não deve ser uma ferramenta dos pais na busca de um objetivo. Não é um objeto. É um indivíduo, com sentimentos e sonhos próprios e que, portanto, deve ser amado. Apenas isso.’
O rapaz ficou em silêncio tentando entender o que ela tinha falado. Balançou a cabeça de leve, dando-se por vencido. Não tinha como entender aquele lugar mesmo.
‘Então, por que alguém teria um filho?’ Perguntou por fim. ‘Não faz sentido ter um filho se não for para expandir seus domínios ou algo assim…’
Syaoran olhou para Sakura e depois para o filho. ‘Os humanos pensam diferente, em parte, porque somos mortais. Os demônios são, virtualmente, imortais. Os humanos têm filhos para constituir uma família. Os pais passam para os filhos os conceitos de certo e errado, caráter, tradição… enfim… o que acreditam ser o melhor para que eles se tornem pessoas de bem e, sendo assim, quando envelhecem estes princípios são passados para o futuro.’ Falou, tentando ser prático. ‘É uma forma de garantir que nossa passagem na Terra não será esquecida e não terá sido em vão.’
Kazuo arregalou os olhos de leve, conseguindo entender em parte. Olhou para Syaoran e pensou por alguns segundos. ‘Então os humanos têm filhos para substituí-los quando morrerem porque são mortais.’ Resumiu.
Syaoran meneou a cabeça, não era assim tão simples, mas de forma objetiva era isso mesmo. ‘Mais ou menos.’
Kazuo sorriu de leve. ‘Então você quer que eu fique no seu lugar, é isso?’
Syaoran respirou fundo. Tinha que tomar cuidado com suas palavras. O rapaz parecia levar tudo ao pé da letra.
‘Não foi isso que eu disse.’ Ele falou sério. ‘Ninguém toma o lugar de ninguém. Eu não gostaria que meu filho, ou melhor, meus filhos vivessem como eu vivi, tentando resolver um monte de problemas… ou à minha sombra. Ninguém deve trilhar o mesmo caminho que os pais, a menos que queira. O que os pais fazem é ensinar valores importantes para que eles tomem suas próprias decisões sobre suas vidas. Cada um trilha sua própria vida.’
Kazuo encolheu os ombros e estreitou os olhos no pai a sua frente. Vivera até então sendo comparado a ele, sendo a continuação dele. Ele detestava isso e parecia que, quanto mais se irritava, mais todos os comparavam. Agora estava ali, à frente do pai, que se opunha a tudo que sempre o incomodou.
Kazuo balançou a cabeça de leve e sorriu até de forma irônica e triste. ‘É estranho demais ouvir você falar o oposto do que ouvi a vida inteira.’ Falou, desviando os olhos dele. ‘Midoriko sempre me comparava a você. Arthas sempre me comparava a você. Eu sempre tive que ser tão forte quanto você. Tinha que conquistar tal território e derrotar tal demônio idiota porque, com certeza, você o derrotaria…’
Sakura engoliu em seco. Midoriko realmente conseguiu criar uma arma perfeita para si. Tivera o filho e criara uma visão do ideal que ela gostaria que ele seguisse para que pudesse manipulá-lo.
Franziu a testa, lembrando-se de como fora manipulada por Clow para que, no final, virasse aquele maldito Pilar. Odiava o Clã Li porque eles manipulavam os jovens e a todos através do medo e de tradições idiotas, para que um grupo dominante fizesse valer seus interesses. Midoriko manipulava o filho, comparando-o sempre à imagem perfeita e idealizada do pai para que fizesse o que ela quisesse.
Ela se aproximou e passou a mão na cabeça do rapaz, chamando sua atenção. ‘Os pais nunca deveriam colocar os filhos em uma situação de perigo, mesmo que acreditem ser algo que possam enfrentar. Pelo contrário, Kazuo–san, os pais devem fazer de tudo para protegê-los. Não sacrificar os filhos, principalmente para…’ Ela fez uma pausa e estreitou os olhos nele. ‘Principalmente para conquistar um pedaço inútil de um deserto de merda, entendeu?’
Syaoran olhou para a esposa e reparou que a aura dela tinha expandido, mas ela estava tentando se controlar. Sakura estava por um fio. Se Midoriko aparecesse na frente deles agora, não duvidava que a esposa fosse capaz de quebrar-lhe o pescoço antes mesmo que ele conseguisse levantar da cadeira em que estava sentado.
Kazuo encarou Sakura em silêncio, tentando ruminar toda aquela informação que era contrária a tudo em que acreditou a vida inteira. Ela pegou os rosto dele com as duas mãos. ‘Você não é uma arma, entendeu?’ Ela falou entre os dentes.
Kazuo sentiu o rosto esquentar a desviou os olhos dela.
Shaolin chegou à porta da cozinha e franziu a testa, vendo a mãe segurando o rosto de Kazuo. A aura dela estava agitada. Pigarreou, chamando a atenção.
Sakura virou-se para o filho e reparou no semblante carrancudo do menino a encará-la. Estranhou. Ele ontem tinha se acertado com o pai, então não pensou que o filho acordaria daquela forma. Ergueu de leve as sobrancelhas, percebendo do que o filho não havia gostado. Respirou fundo e rolou os olhos.
Virou-se para Kazuo, apertando de leve o rosto dele. ‘Espero que tenha entendido, Kazuo–san.’
Sentiu que o rapaz ainda estava tentando entender tudo. Precisaria de tempo. Sorriu de forma triste e se afastou dele, erguendo o corpo e fitando novamente o filho que ainda estava na porta da cozinha.
Syaoran observava o caçula e balançou a cabeça de leve. Também tinha entendido o porquê do mau-humor dele. Não negava o DNA, pensou para si.
Sakura caminhou até o menino e se inclinou de leve, ficando com o rosto a altura do filho. ‘Bom dia, meu querido.’ Falou, pegando o rosto dele entre as mãos e beijando-lhe a testa.
Shaolin se afastou incomodado. ‘Bom dia.’ Resmungou o cumprimento. ‘Eu não sou mais criança, kaasan.’ Falou ainda, fazendo Sakura sorrir.
Conhecia o filho como a palma da mão e sabia que ele tinha ficado com ciúmes ao vê-la interagindo com o irmão. Shaolin era amável, mas era filho único até agora, ganhar um irmão mais velho, assim de repente, afetaria a vida dele. Sabia disto.
Pensou em Touya e em como ele a chateava bastante quando era mais nova, mas também em como ele fora maravilhoso como irmão. Pena que, com o filho, as coisas foram diferentes.
‘Está bem, rapazinho.’ Ela falou. ‘Sente-se que eu já lhe servirei o café da manhã.’
‘Não estou com fome.’ Shaolin falou já pronto para sair da cozinha.
‘Shaolin.’ Ela o chamou com a voz dura, fazendo-o estacar e voltar-se para a mãe com os ombros encolhidos. ‘Você não jantou direito ontem. Sente-se para o café da manhã.’
O menino olhou para a mãe contrariado, bufou, mas se sentou na cadeira entre o irmão e o pai. Olhou de um para o outro e fechou mais ainda o rosto. Tudo bem que ele tinha esclarecido as coisas com o pai, mas isso não queria dizer que tinha que aceitar numa boa o irmão. Meio-irmão!
Sakura colocou o prato a frente dele e passou a mão na cabeça do filho que ainda tentou se esquivar, fazendo-a sorrir de lado. Não queria que Shaolin tivesse crescido de maneira tão rápida daquela forma. Ela e o marido tinham conversado sobre isso antes de dormir. Syaoran comentou justamente o que ela estava percebendo agora claramente: que, com a chegada de Kazuo, Shaolin tinha adquirido uma postura mais séria. Tinha amadurecido de forma forçada e bem dolorosa, ela sabia disto.
Syaoran observou o menino comendo em silêncio o café da manhã. Reparou que Kazuo olhava de esguelha para o caçula, assim como Shaolin o observava. Seria difícil os dois se entenderem.
Sempre sonhara em ter filhos com idades próximas para, justamente, serem mais próximos; diferente do relacionamento que ele tivera com as irmãs. Pensou que deveria tomar cuidado com o que desejava, ou melhor, tinha que ser mais específico e completo nos seus desejos, pois parecia que apenas parte deles se tornavam reais. E as consequências eram sempre completamente contrárias às suas expectativas iniciais.
‘Vou a casa da Kasumi fazer o trabalho de…’ Shaolin começou a falar, franziu a testa pensando melhor. ‘Um trabalho da escola e estudar.’ Completou por fim sendo genérico.
Syaoran ergueu uma sobrancelha. ‘Hoje é domingo. Você estuda com a Kasumi durante a semana.’
O menino se ajeitou na cadeira. ‘Ela está chateada porque eu estou deixando de treinar no dojo. Quero passar algum tempo com ela… Ela deve estar preocupada, pois não falei com ela ontem depois que fugi da escola.’
‘Isso é algo que você também não deveria ter feito.’ Syaoran retrucou.
Shaolin encolheu os ombros. ‘Eu estava com nee-san. Eu falei ontem com o senhor sobre isso.’
Syaoran concordou. ‘Não faça mais isso.’ Ele respirou fundo, olhando para o filho. ‘Hoje a gente vai para a casa de Hiiraguizawa. Você precisa treinar…’
‘Eu já não aguento mais treinar!’ Shaolin o interrompeu, irritado.
‘Domingo é o único dia que posso fazer isso com você.’ Syaoran rebateu.
‘Durante a semana eu já estou treinando com nee-san. Inclusive, foi justamente num desses treinos que “este aí” apareceu.’ Falou fazendo um gesto de leve em direção a Kazuo.
Sakura estalou a língua. Syaoran franziu a testa. E, como era de se esperar, Kazuo respondeu à provocação.
‘Qual é a sua, pirralho?’
‘Não me chame de pirralho!’ Shaolin rebateu.
‘Então não me chame de “este aí”’.
Syaoran bateu na mesa e olhou para os dois sério. ‘Nós vamos tomar o café da manhã e, depois, vamos para a casa de Hiiraguizawa para eu treinar com você, Shaolin.’ Ele apontou para o menino e depois para o rapaz. ‘E você vai junto, Kazuo.’ Os dois arregalaram os olhos e já estavam prontos para protestar, mas Syaoran levantou a mão, mandando os dois ficarem calados. ‘Sem discussão!’ Falou de forma firme. ‘E comecem a se tratar pelos nomes, entenderam?’
Ele olhou de um para o outro e os viu com os rostos contrariados. Respirou fundo satisfeito, vendo-os reiniciar o café da manhã, mesmo que a contragosto. Desviou os olhos para a esposa que observava a cena.
Ela levantou de leve as sobrancelhas e sorriu de leve para ele. Quem diria que ele teria que voltar a usar aquele tom de voz com alguém. Ela sabia muito bem como o marido conseguia ser intimidador quando queria.
Eles ainda teriam um longo caminho pela frente até os dois se acertarem.
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Marie olhava pela janela da casa para a garoa fina que caía naquela manhã. Olhou no relógio de pulso e pensou que, logo, o primo e os tios estariam chegando para iniciarem o treinamento de domingo.
O tio estava pegando pesado com Shaolin nos últimos meses e, provavelmente, com a chegada inesperada do… Ela franziu a testa de leve, pensando em como se referir ao rapaz... do outro primo? Enfim, as coisas com Shaolin deveriam estar bem complicadas.
Pensando de maneira racional, o “moleque irritante” ou melhor, o “demônio irritante” era também seu primo, não? Não! Porque o seu pai era primo distante da mãe de Shaolin. E Kazuo era filho apenas de Syaoran. Então eles não eram primos!
Sorriu de leve, satisfeita com a dedução. Não que teria algum problema em ser prima dele, mas ele era, simplesmente, irritante demais para ser seu parente. Embora, ele tivesse a presença mágica parecida com a dela por ser um ser das trevas.
Ela suspirou. Bem ou mal, também era filho do seu antigo mestre, o qual considerava muito e que agora era seu tio. Droga! Ela balançou a cabeça de leve. Às vezes, ela mesma se confundia quanto a onde terminava Khala’a e começava Marie.
Levou uma das mãos até o rosto e apertou de leve os olhos. Aquilo a estava enlouquecendo, e ela sabia que o motivo não era apenas o irritante rapaz, filho de Syaoran, mas também seu pai.
Foi este pensamento passar pela cabeça da jovem e ela sentiu a presença dele ao seu lado. Não teve nem coragem de abrir os olhos. Instintivamente, encolheu os ombros. Inferno! Como Marie, esta era agora sua atitude, mas sabia que, como Khala’a, estaria encarando-o de forma desafiadora. Balançou a cabeça de leve.
‘Precisamos conversar, Marie.’ Ouviu a voz de Eriol. Abriu os olhos, mas os manteve fixos na janela, olhando através do vidro a garoa.
‘Tousan…’ Ela sussurrou. ‘Acho que não temos muito o que conversar.’
Ele virou-se para ela e observou o perfil da filha por alguns segundos. ‘Você é a pessoa mais importante da minha vida, Marie.’ Ele falou, finalmente, obtendo a atenção da filha que se virou para ele.
Marie comprimiu os lábios de leve e voltou a desviar os olhos do pai para olhar através da janela.
‘Você é minha filha.’ Ele falou devagar. ‘Você é filha de Eriol Hiiraguizawa, entendeu?’
Marie levantou os olhos, fitando-o novamente e assentiu com a cabeça.
Eriol a envolveu em seus braços e, mesmo sentindo que ela se mantinha rígida e tensa, apertou-a entre eles antes de depositar um beijo na cabeça da filha.
Marie fechou os olhos. Não sabia direito o que pensar ou o que realmente sentir.
Eriol se afastou dela, segurando os braços da filha. ‘Espero que consiga entender isso.’ Falou antes de se afastar e olhar através da janela a chegada da família Li. Franziu a testa, percebendo a presença de Kazuo.
‘Ele também veio.’ Marie comentou e depois deu um longo suspiro.
‘Sim.’ Eriol concordou. ‘Era de se esperar, não?’
‘Acho que sim.’ Ela falou.
‘Apenas… Tome cuidado hoje.’ Eriol falou para a filha.
Ela ergueu uma sobrancelha, encarando-o de forma irônica. ‘Você acha que ele pode me fazer mal?’
‘Não.’ Eriol respondeu, encarando a filha com o rosto sério. ‘Acho apenas que ele pode confundir ainda mais as coisas na sua cabeça.’
Ela arregalou os olhos de leve. ‘Do que está falando, tousan?’
Eriol respirou fundo e desviou os olhos dela. ‘A presença dele é parecida com a sua. Parecida, mas não igual. Ele é um ser das trevas… você, Marie, já não é mais.’
Marie mantinha os olhos fixos no pai que sorriu de leve.
Ele inclinou o corpo, beijando novamente a cabeça dela e depois se afastou. A jovem observou-o até que ele desaparecesse no escritório. Fechou os olhos, tentando colocar a cabeça em ordem.
Caminhou devagar em direção a porta principal e a abriu, já observando os tios, Shaolin e Kazuo. Reparou no semblante contrariado dos dois e sorriu de leve, pensando que seria bem interessante o treinamento de hoje. Seria perfeito para se distrair.
Syaoran olhou para cima e cumprimentou Eriol que observava a família pela janela do escritório. A reencarnação de Clow estava tentando se manter afastado da situação. Desviou os olhos para Marie que já caminhava em direção a Shaolin para mexer com o primo, sabendo que isso o irritaria mais do que o normal.
Sakura parou ao lado do marido. ‘Ele está se esforçando.’ Ela comentou.
‘Não sei se manter-se afastado realmente é uma tentativa de resolver os problemas.’ Syaoran falou com a esposa. ‘Mas, vindo de Hiiraguizawa, de quem tudo é indireto… dá para entender.’
Sakura sorriu de leve. ‘Você é que às vezes é direto demais, não acha?’
Syaoran balançou a cabeça de leve. ‘Não tenho muita paciência de “esperar o momento certo” como ele.’ Respondeu e virou-se para a esposa que ainda sorria de leve.
‘Eu sei.’ Ela respondeu, beijando a face do esposo antes de se afastar para observar as “crianças”. ‘O que pretende fazer hoje?’
Ele deu um longo suspiro. ‘Estou com receio da estimativa de tempo que minha mãe nos deu.’ Respondeu, observando Marie implicar com Shaolin enquanto o garoto reclamava e Kazuo observava, curioso, a interação dos dois. ‘Shaolin ainda não se desenvolveu totalmente. Você sabe disso. Ainda se apoia na minha magia.’
Sakura estreitou os olhos no filho. ‘A aura dele está mais expandida, mas também muito mais agitada.’
‘Não tem como ele controlar a expansão com esta irritação toda.’ Syaoran comentou. ‘Ele precisa se controlar melhor.’
‘Humph.’ Ela murmurou. ‘Não esqueça que ele é seu filho. É cabeça quente e dura igual a você. Você nunca foi muito bom também em se controlar. Na verdade, nenhum de nós dois é muito bom nisso.’
Ele concordou com a cabeça. ‘Bem… Pelo menos, a gente tenta ensinar isso a eles, não é?’
Sakura estreitou os olhos no marido. ‘Acha que consegue ensinar o que sempre teve dificuldade de conseguir?’
‘Como você sempre fala… Eu sou muito petulante.’ Respondeu, rindo de leve. ‘Vamos tentar.’
Ela sorriu e balançou a cabeça de leve. ‘Isso você sempre foi mesmo.’ Suspirou profundamente. ‘Nosso objetivo deve ser, sempre, esperar que nossos filhos nos superem, não é?’
‘Você tem razão, senhora Li.’ Ele falou, tocando de leve o rosto da esposa antes de caminhar em direção ao trio e já pedindo que se dirigissem para os fundos da residência onde poderiam começar o treinamento.
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Sakura parou ao lado do marido, guardando Chuva junto com as outras Cartas. ‘Você acha mesmo necessário?’ Ela perguntou olhando séria para Syaoran. Depois estreitou os olhos nele. ‘Isso não é só curiosidade sua, não é?’
Syaoran deu de ombros. ‘Vai saber.’ Depois sorriu de lado. ‘Brincadeira.’ Falou, rolando os olhos. ‘É importante saber o nível em que Kazuo está.’ Ele falou com a voz séria. ‘Uma coisa é o que ele diz saber, outra é o que realmente sabe.’
Ela ainda ficou observando o rosto do marido.
Syaoran abriu os braços e balançou a cabeça de leve. ‘Você sabe que eu não faria algo só por curiosidade agora. Já não sou um moleque.’
Ela suspirou fundo. ‘Às vezes…’. Ela abriu um sorriso de lado. ‘Você ainda parece o mesmo garoto petulante de sempre.’
Ele sorriu e ajeitou o corpo. ‘Você nunca reclamou.’ Pegou a esfera negra e a jogou para cima. ‘Mas não dá para ser apenas petulante entre quatro paredes, não é?’ Falou antes de beijar o rosto da esposa e riu ao vê-la corar.
Sakura balançou a cabeça de leve, desviando os olhos dele. ‘Está bem. Está bem.’ Ela falou e o olhou de esguelha. ‘Mas precisa usar arma?’
‘Hum…’ Ele murmurou pensativo e inclinou a cabeça de lado, observando o filho mais velho que analisava curiosamente a casa de Hiiraguizawa.
Shaolin e Marie estavam conversando. A jovem não parecia muito bem. A aura dela estava agitada também.
‘Talvez pudesse usar Gêmeos novamente, não?’
‘Na sua esfera?’ Ela perguntou, entendendo a ideia do marido. Desviou os olhos dele e observou o rapaz. ‘Será que ele saberia lutar com ela?’
Syaoran deu de ombros novamente. ‘Vamos ver. Isso que eu quero testar.’ Falou sorrindo para ela e a vendo confirmar com a cabeça. ‘Consegui convencer você?’
Ela franziu a testa e tirou os olhos de Kazuo para observar o marido. ‘Não. Mas vou aceitar a sua desculpa.’
Syaoran sorriu e jogou a esfera negra para cima novamente. ‘Então, vamos lá.’
Sakura deu um longo suspiro e pegou a carta. Em alguns segundos Syaoran tinha duas esferas negras nas mãos. Ela o fitou de forma séria.
‘Estou de olho. Se eu perceber que o senhor está de brincadeira, uso magia em você novamente.’
Ele sorriu e se afastou dela. ‘Não tenho nem dúvidas disto.’
Syaoran caminhou até Shaolin e parou ao lado do filho que estava sentado no gramado ao lado de Marie. Olhou para a jovem que abaixou o rosto de leve. Franziu a testa, a filha de Hiiraguizawa deveria estar bem confusa. Passou a mão na cabeça da jovem e sorriu de leve.
‘Vai ficar tudo bem, Marie.’ Falou com a voz doce, fazendo-a levantar o rosto para ele e tentar sorrir.
‘Eu espero que sim, ojisan.’ Ela respondeu, olhando em direção à casa onde Eriol estava.
Syaoran fitou novamente o filho. ‘Vamos começar diferente hoje.’ Shaolin franziu a testa. ‘Eu vou testar o seu irmão primeiro, está bem?’
O menino fechou mais a cara ainda. ‘Se era para assistir você treinando com este… com o… com o Kazuo…’ Falou entre os dentes, mostrando-se incomodado ao falar o nome do irmão mais velho. ‘Eu poderia ter ido para a casa da Kasumi.’
Syaoran ergueu uma sobrancelha. ‘Você sempre reclama que nunca me viu lutar para valer.’ Ele disse, erguendo um pouco os ombros. ‘Quem sabe não terá a oportunidade de ver isso agora.’ Ele falou e se inclinou à frente, estreitando os olhos no menino. ‘No mínimo vai entender que nem sempre adianta ser apenas forte, Shaolin. Tem que usar isso aqui, oh!’ Completou, tocando de leve a cabeça do filho com o dedo indicador.
O menino empurrou a mão do pai que riu da atitude. ‘Eu sempre usei a cabeça para lutar.’ Ainda falou contrariado.
‘Não a tem usado direito para controlar esta sua agitação toda.’ Retrucou. ‘Não adianta nada essa raiva mal direcionada, entendeu?’
Shaolin ainda bufou, mostrando-se contrariado e desviando os olhos do pai. Syaoran suspirou e se afastou dele para falar com Kazuo, que ainda olhava em volta.
Da última vez que esteve ali, não teve muito tempo de reparar no local.
‘Kazuo!’ Syaoran o chamou. Fazendo o rapaz voltar-se para ele. ‘Vamos ver o que você consegue fazer.’
Kazuo franziu a testa. ‘Do que está falando?’
‘Vamos lutar, pode ser? Treinamento, apenas.’ Ele falou, olhando para o rapaz que sorriu de lado.
‘Tá querendo me testar, é?’
‘Quem sabe?’ Respondeu com outra pergunta. ‘Que arma usava? Ou era luta apenas corporal ou magia?’ Syaoran perguntou.
‘Eu sou bom em todos.’ Kazuo respondeu, cruzando os braços sobre o peito e levantando o rosto, encarando-o.
Syaoran levantou uma sobrancelha observando o filho. Sorriu de leve e balançou a cabeça. Agora dava para entender como tirava a esposa do sério quando era arrogante daquela forma. ‘Está bem… Então é bom com espadas, certo?’
‘O melhor.’ Respondeu sem o menor pingo de humildade.
‘Vamos ver.’ Syaoran respondeu, sorrindo de lado. Jogou para ele a esfera que o rapaz pegou no ar, olhando interrogativamente para ele.
‘O que é isso? Jogo de bola?’
Syaoran riu de forma debochada. ‘Depende se você vai usá-la apenas para jogar em mim ou se vai conseguir fazer isso…’ Falou, jogando a sua esfera negra para cima e materializando a espada, fazendo o rapaz arregalar olhos.
‘Como fez isso?’ Perguntou, olhando da espada que estava nas mãos do pai para a esfera negra que segurava na mão esquerda. Ainda custava a acreditar no que viu.
‘Oras… então não sabe de tudo, não é?’
Kazuo fechou o rosto. ‘Eu consigo.’ Disse, jogando a esfera negra para cima algumas vezes, sem que nada acontecesse. Ficou encarando o objeto por um instante e ergueu levemente o rosto, fitando o pai. ‘Uh... Só me dá uma dica.’
‘Vou ser legal com você.’ Respondeu, rodando a espada na mão direita. ‘Tem que se concentrar. Isso é um instrumento mágico. É ligado à sua magia. Você tem que canalizá-la na esfera negra para que ela se transforme na arma.’
‘E aí eu vou ter uma arma igual a esta aí?’ Ele falou, fazendo um gesto em direção a espada do pai.
Syaoran meneou a cabeça. ‘Como eu falei, é uma arma mágica. Depende da magia que você canalizar para ela. E também do que você realmente quer…’ Concentrou-se um pouco, transformando a espada em uma lança, depois em uma machete e retornando-a à forma de espada. ‘Não será idêntica a minha porque nossas magias não são exatamente iguais. Ninguém é igual a ninguém.’ Ele respondeu. ‘Seu irmão preferiu uma espada como a minha. Você, se quiser, pode ter qualquer outra arma.’
Kazuo desviou os olhos do pai e observou o irmão que estava afastado, sentado à sombra de uma das árvores com a ruiva. Apertou mais forte a esfera negra que tinha na mão direita. ‘Ele tem uma igual à sua?’ Perguntou, voltando a fitar o pai.
Syaoran franziu a testa. ‘Como eu falei, a arma mágica é individual. Ele transformou a esfera negra dele em uma espada, mas não é igual a minha.’
‘Ele controla bem então a magia dele, não?’
Syaoran olhou rapidamente para o caçula e depois para Kazuo. ‘Ele teve um treinamento desde mais novo. Precisou de um tempo também para conseguir canalizar a magia dele até conseguir materializar a arma mágica. Assim como eu também demorei um tempo para conseguir materializar a minha. Não é algo trivial.’
‘Certo.’ Kazuo falou de forma firme. ‘Quero uma espada também. Eu sou muito bom em lutas de espadas.’ Retrucou.
‘Estou esperando para ver.’ Falou, observando-o. ‘Você tem um nível elevado de magia. Só precisa se concentrar para que ela flua da maneira que você quer. Entendeu?’
Kazuo apertou mais forte o objeto na mão. ‘Concentrar… não é?’
‘Isso aí.’ Ele falou.
O rapaz respirou fundo e desviou os olhos do pai para a esfera. Seria bem legal ter uma espada mágica como aquela ali do pai. Bem, tinha que se concentrar… Não deveria ser muito difícil. Jogou a esfera para o alto duas vezes e olhou novamente para Syaoran que o observava.
‘E como é que a gente se concentra?’
Syaoran franziu a testa, pensando que o rapaz não fazia ideia do poder que tinha e, pelo jeito, tinha sobrevivido aquele tempo todo apenas agindo por instinto. Soltou um suspiro e encarou o filho novamente.
‘Comece prestando atenção na sua respiração. Sinta a magia fluindo com cada batida do seu coração. Controle sua aura com cada inspiração e deixe que ela se expanda um pouco a cada expiração.’ Instruiu.
Kazuo prestou atenção nas palavras de Syaoran. Sentiu-se nervoso, sabendo que, de alguma forma, estava sendo avaliado pelo pai. Não queria falhar.
Syaoran rodou os olhos. ‘Se ficar nervoso, não vai conseguir.’ Falou, fazendo o rapaz olhá-lo. ‘Não encare isto como um teste. Se o estou instruindo é porque quero ajudá-lo.’ Falou. ‘Relaxe os ombros.’ Disse rodando a espada de forma despretensiosa. ‘Tudo não precisa ser sempre no limite, como você vivia antes. Ninguém vai atacá-lo agora. Relaxe apenas e tente fazer o que eu lhe disse.’
Kazuo confirmou com a cabeça. Fechou os olhos, tentando relaxar. Não era fácil fazer isso. No mundo das trevas sempre tinha que estar atento com receio de ser atacado. Quando descansava, depois de alguma batalha que tivesse resultado em ferimentos mais dolorosos, pedia sempre para Arthas ficar atento. Midoriko sempre foi muito clara para que não dormisse sem avisá-la.
Syaoran estreitou os olhos no rapaz, reparando que ele estava fazendo o que tinha instruído. Sorriu de lado ao observar a magia circulando em torno do corpo dele e percebeu que Kazuo tentou uma vez fazer a materialização, mas não conseguiu. Percebeu que ele trincou os dentes. Era impaciente, como ele próprio.
Olhou rapidamente para Shaolin que observava os dois. Pensou que o filho mais novo também tivera a mesma dificuldade. A magia fluía de forma incrível pelo corpo deles, no entanto, a impaciência sempre acabava por impedir que conseguissem canalizá-la da maneira correta.
Shaolin tinha oito anos naquela época e fora bem difícil para ele conseguir aquele nível de concentração, mas Kazuo era mais velho e sabia que logo ele conseguiria. Principalmente por saber que o tempo do mundo das trevas passava bem rápido. Então aquele garoto ali, com aparência de 16 anos, possivelmente, era bem mais velho que ele próprio em termos de tempo de existência.
Franziu a testa pensando que, provavelmente, tivera uma infância bem longa e bem complicada convivendo com Midoriko. Sem querer, trincou os dentes novamente ao se lembrar do demônio feminino.
Kazuo não voltaria mesmo para o mundo das trevas! Se Midoriko o quisesse de volta, ela que viesse buscá-lo. E teria que passar por cima dele para conseguí-lo. No fundo, sinceramente, estava louco para que ela desse as caras logo, adoraria acertar as contas com ela.
Syaoran respirou fundo e sorriu novamente de lado, vendo o rapaz voltar a se concentrar depois da segunda tentativa frustrada em transformar a arma mágica. Era persistente, e isso era bom. Custou ainda um pouco mais de tempo e paciência até que finalmente aparecesse a mandala octogonal do baguá na cor púrpura abaixo dos pés do rapaz.
Syaoran reparou que a configuração era a mesma que a dele, indicando que também estava se apoiando na sua magia. Do jeito que Kazuo era orgulhoso, não ia gostar nada de saber disso, mas como, pelo visto, não tinha conhecimento nem controle de magia era melhor deixar isso de lado, por ora. Logo, ele conseguiria evoluir para sua própria magia.
Sorriu quando, finalmente, a espada mágica se materializou nas mãos do rapaz que abriu os olhos, admirando a arma mágica.
‘Legal!’ Foi o que Kazuo conseguiu falar. Olhava com reverência para a arma nas suas mãos. Não era exatamente igual à de Syaoran, mas era tão legal quanto.
‘Parabéns.’ Syaoran falou de forma sincera. ‘Conseguiu.’
Kazuo rodou a espada nas mãos, tentando imitar o pai, mas fazendo-a quase cair de suas mãos. Segurou-a com mais firmeza e olhou para Syaoran tentando passar credibilidade de que sabia o que estava fazendo.
‘Agora só precisa aprender a manuseá-la corretamente.’
‘Eu já falei que eu sou ótimo em luta de espadas.’
Syaoran ergueu uma sobrancelha. ‘Estou vendo.’
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Shaolin observou a espada nas mãos de Kazuo e desviou os olhos trincando os dentes. O cara tinha conseguido em menos de uma hora fazer aquilo que ele levou quase uma semana tentando. Sentiu quando Marie lhe deu um tapa na nuca, como fazia desde que ganharam intimidade.
‘Para de pensar besteira, pirralho!’ Ouviu a voz da prima e voltou-se para ela, olhando-a de forma furiosa.
‘Hei! O que deu em você?!’
Marie suspirou. ‘Você levou mais tempo porque tinha metade da idade do Moleque ali. Era óbvio que ele conseguiria mais rápido…’ Franziu a testa, voltando a fitar o tio e o rapaz. ‘Na verdade… ele demorou até mais do que eu esperava.’
Shaolin cruzou os braços. ‘Não precisa falar isso para me deixar melhor. Não precisa ter pena de mim.’
‘Ah! Como você anda mais cabeça dura do que antes, Pirralho. Eu não estou falando isso para que se sinta melhor. Até porque você anda tão mal-humorado que não adiantaria eu falar nada, você vai continuar com essa cara carrancuda.’
‘Humph…’ Shaolin resmungou. ‘Não sei o que estou fazendo aqui.’
Marie olhou para o primo ao seu lado. ‘Ah, sim… Você já falou que preferiria estar na casa da Kasumi-chan. Agora vocês são namoradinhos, né?’ Disse brincando. ‘Ela deve ser ciumenta, para controlá-lo desta maneira. Cuidado, Pirralho.’
Shaolin se levantou e estava para se afastar quando a prima simplesmente fez um gesto com a mão e uma rajada de vento atingiu as pernas dele, fazendo-o cair de bunda no chão ao lado dela.
‘Eu também sou uma prima ciumenta. Então fica aqui comigo. Depois, à tarde, você se encontra com ela.’
Shaolin olhou para a prima. ‘Você está de sacanagem comigo, mesmo, né?’
Marie sorriu. ‘Vai ser interessante você ver seu pai lutar um pouco menos contido do que o normal.’ Ela rodou os olhos. ‘Isso se o irritante do seu irmão realmente for tão bom quanto ele diz.’
Shaolin se ajeitou ao lado da prima, ficando na posição de buda e cruzou os braços. Olhou para o pai e o irmão se posicionando para iniciar a luta. Franziu a testa, reparando que a aura do pai realmente estava mais expandida que o normal. Talvez Marie tivesse razão e realmente fosse interessante observar a luta dos dois.
Estreitou os olhos no irmão e reparou que ele tinha se posicionado de forma errada com a espada. Ajeitou-se melhor, pensando no porquê do pai não chamar a atenção dele. Kazuo pegava a empunhadura da espada do lado errado, talvez porque fosse canhoto. Isso era uma possibilidade. Não sabia exatamente o porquê, mas sentiu-se incomodado com isso. Estava com vontade de alertá-lo, mas virou o rosto de leve, fitando o gramado.
Encolheu os ombros e pensou que ele não tinha nada a ver com isso. Queria mesmo era que Kazuo levasse a pior na luta contra o pai. Da mesma forma que ele mesmo sempre levava. Não era problema dele se a postura do irmão estava errada. Voltou a fitá-lo, mas não controlou a língua.
‘Tousan deveria alertá-lo que está segurando errado a espada.’ Falou contrariado. ‘Se ele tentar golpear desta maneira vai se desequilibrar logo e perder a espada das mãos.’
Marie sorriu de lado. ‘Preocupado com o irmãozinho?’
‘Ah, vai para o inferno!’ Shaolin falou irritado. ‘Eu só estou estranhando. Tousan enche o meu saco o tempo todo. Deveria encher o dele também.’
‘E você acha que seu irmão vai aceitar conselhos antes de perceber que tem alguma coisa errada sozinho?’ Ela perguntou para ele. ‘Vocês todos são cabeças dura. Ojisan sabe o que está fazendo.’ Completou, levantando o braço e passando a mão pela cabeça do primo que tentou se afastar da mão dela, fazendo-a rir.
Marie tirou os olhos do primo ao seu lado e voltou-se para trás, olhando por cima do ombro direito. Reparou que Sakura estava com os olhos fixos em Syaoran e Kazuo. Estava tensa. Dava para perceber pela aura dela.
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Kazuo sorriu de lado, observando o pai a sua frente. Olhou rapidamente para a espada mágica que tinha nas mãos, mal conseguindo controlar o sorriso por ter conseguido materializá-la. O pai estaria ferrado com ele. Se antes, com uma espada porcaria, conseguira vencer inúmeros demônios, com uma arma poderosa daquelas, e contra um humano, seria muito mais fácil. O homem não tinha ideia do que estava para enfrentar.
O rapaz flexionou os joelhos e foi em direção a Syaoran, tentando golpeá-lo com a arma e sentiu-se desnorteado quando suas investidas foram frustradas pelas defesas que o pai fazia sem muito esforço. Franziu a testa, encarando Syaoran e trincou os dentes ao reparar que o pai sorria de forma irônica para ele.
‘Você tem muita força, mas não a direciona de maneira certa no ataque.’ Syaoran comentou.
‘Isso é o que vamos ver.’ Kazuo falou, apertando mais firme a espada entre as mãos e voltando a golpeá-lo de forma incessante. Sorriu achando que tinha conseguido achar uma brecha na defesa do pai, ao golpeá-lo pelas costas, mas Syaoran se defendeu, levando a espada para o ombro direito.
Kazuo deu um salto para trás, afastando-se de Syaoran, que endireitou o corpo, e voltou a se posicionar. Droga! Não era possível que não conseguisse nem por um momento realmente ameaçar o pai. Ele era humano agora, não fazia sentido ter aquela força toda.
Novamente levantou a espada, apontando-a para Syaoran e correu na direção dele, tentando golpeá-lo. Usaria mais criatividade desta vez, como estava acostumado a fazer nas lutas contra os demônios no mundo das trevas.
Kazuo tentou acertar Syaoran que se protegeu com a espada, fazendo as duas armas se chocarem. Levantou a perna, tentando golpeá-lo no abdômen, mas o pai se esquivou e ainda bloqueou com o braço esquerdo. Virou o corpo tentando novamente acertá-lo e as armas mágicas se chocaram com fúria e rapidez. Voltou a tentar acertá-lo com a espada, ou chutes, mas todas as suas tentativas continuavam frustradas, fazendo-o irritar-se cada vez mais.
Syaoran virou o corpo e, ao invés de apenas bloquear o rapaz, como estivera fazendo até o momento, iniciou uma sequência de golpes contra ele.
Kazuo arregalou os olhos, tentando se defender como podia devido a velocidade dos ataques. Afastaram-se por um breve momento, encarando-se. Kazuo voltou a se aproximar, atacando-o com a arma e Syaoran se defendeu de uma nova tentativa pelas costas.
Syaoran deu um passo para trás, aproximando-se do filho e golpeando-o com uma cotovelada no abdômen, no peito e no rosto, fazendo Kazuo dar alguns passos para trás, sentido os golpes. Rodou o corpo e, com um movimento do pulso que segurava sua espada, girou junto a espada do filho que logo saiu das mãos dele, rolando pelo chão.
O rapaz olhou assustado para Syaoran que o encarava sério. ‘Não adianta ter força e uma boa arma, se não tiver a técnica para usá-las a seu favor.’ O pai lhe disse com calma antes de cravar sua espada no chão.
Sakura deu alguns passos a frente, ficando ao lado de Marie e Shaolin e observando os dois. Mordeu de leve o lábio inferior, estava realmente tensa com a luta dos dois. Mesmo sabendo que Syaoran estava maneirando, sentia a aura de Kazuo explodindo de irritação.
Kazuo se posicionou para iniciar o embate corporal enquanto Syaoran mantinha-se com a postura ereta.
‘No kung-fu, dizemos que uma mão mente…’ Syaoran começou a falar enquanto caminhava em direção a Kazuo e, assim que estava próximo o suficiente, tentou acertar o rapaz pela direita, tendo o golpe facilmente bloqueado. Em sequência tentou acertá-lo pela esquerda, obrigando Kazuo a dar um passo para trás para se esquivar.
Ergueu o braço direito, fazendo o filho levantar os olhos, com os braços à frente do corpo para se proteger de um golpe que nunca veio, pois o surpreendeu com um soco desferido pelo punho esquerdo no seu abdômen abaixo da defesa levantada por Kazuo. ‘...e a outra mão, diz a verdade.’ Completou, observando o filho dar alguns passos para trás com a mão no lugar golpeado.
Kazuo estreitou os olhos em Syaoran. ‘Besteira.’ Falou entre os dentes.
Syaoran sorriu de lado, reconhecendo-se quando moleque no filho. Também achava besteira, mas depois de tudo que passou e do peso dos anos nas costas, percebeu que aquilo estava longe de ser besteira.
‘O que você acha que é uma luta, Kazuo?’ Ele perguntou. ‘Acha que realmente se resume apenas a socos e pontapés trocados entre os oponentes?’
O rapaz não respondeu. Trincou os dentes, novamente, e voltou a golpear o pai com chutes e socos que, além de defendidos, ainda eram contra-atacados por Syaoran.
‘As técnicas de combate têm como verdadeiro objetivo fortalecer o corpo, a mente e a alma. Uma boa ofensiva, está baseada numa sólida defesa.’
Kazuo ouvia o pai falando devagar e reparou na respiração uniforme dele, enquanto a sua estava acelerada, devido ao esforço físico pelas tentativas frustradas em acertar Syaoran. Não respondeu. Mostraria para ele, com um golpe bem dado no meio da cara, que aquele discurso era balela. Ergueu o corpo e voltou a se posicionar. Agora, em vez de atacar, esperaria o ataque do pai para contra-atacá-lo.
‘Dominar o Kung-fu, ou qualquer outro estilo de luta, é adquirir a arte suprema pelo esforço.’ Syaoran voltou a falar, caminhando em direção a Kazuo e tentando golpeá-lo.
O rapaz se sentiu satisfeito por ter defendido todas as investidas dele com bloqueios, porém não conseguiu espaço para contra-atacar.
Syaoran se abaixou e, num golpe com as pernas, atingiu atrás dos joelhos de Kazuo que caiu no chão de costas, ficando mais irritado ainda. O rapaz levantou-se rápido, encarando-o.
‘Todos os lutadores, assim como todas as profissões, podem alcançar esta arte suprema. Até mesmo a mais humilde das tarefas realizadas por um homem pode atingir a perfeição.’ Ele continuou a falar, mas foi interrompido por Kazuo que voltou a atacá-lo, desistindo da sua estratégia inicial de aguardar o ataque do pai.
O rapaz tentou acertá-lo com um chute alto pela direita, que foi bloqueado pelo braço do pai. Tentou, em sequência, acertar um soco, mas sentiu seu pulso ser preso e foi puxado para frente, logo sentindo uma joelhada no abdômen, antes que seu pulso fosse liberado. Deu dois passos para trás com as mãos no local atingido pela segunda vez por Syaoran.
‘Prática, preparação, repetição interminável… até sua mente estar cansada e seus ossos doerem...’
Kazuo flexionou os joelhos e, com o impulso, avançou em direção ao pai. Quando estava próximo, pulou sobre ele, deu uma cambalhota no ar e tentou golpeá-lo pelas costas antes que tocasse o chão, mas teve sua perna novamente presa.
Syaoran girou o corpo, segurando a perna do rapaz e, logo depois, soltou-a, fazendo-o cair ao chão e se arrastar por alguns metros. Observou o filho atordoado no chão. ‘Até você estar cansado demais para suar, exausto demais para respirar.’
Kazuo se levantou, olhando com fúria para ele. ‘Inferno!’ Gritou irritado.
Syaoran percebeu que a aura do garoto aumentou proporcionalmente ao seu nervosismo. Realmente eram bem parecidos.
Kazuo não se deu por vencido. Se o pai estava querendo humilhá-lo, ele não tinha ideia do que já tinha vivido e de quantos demônios já tinha combatido para ficar perdendo tempo com aquela conversa fiada.
Correu em direção ao pai, flexionou os joelhos para pegar impulso e tentar dar uma voadora, mas Syaoran se abaixou, esquivando-se do golpe. Assim que Kazuo pousou no chão, sentiu um chute nas costas, fazendo-o ir para frente e logo percebeu a aproximação do punho do pai numa tentativa de atingi-lo pela esquerda. Segurou o punho dele, evitando o golpe e sorriu de lado, encarando Syaoran satisfeito por ter frustrado o ataque. Mas novamente sentiu uma joelhada no abdômen, obrigando-o a soltar o braço e se afastar, sentindo o local repetidamente atingido.
‘Esta é única maneira de se adquirir a perfeição almejada em qualquer estilo de luta.’
Syaoran falou de forma pausada enquanto voltava a se aproximar do filho, tentou acertá-lo com um chute giratório pela direita, que foi bloqueado por Kazuo, e logo emendou um soco pela esquerda, também devidamente bloqueado pelo filho que o encarou nos olhos.
‘Infelizmente, Kazuo… você não a adquiriu.’ Completou, empurrando-o um passo para trás e atingindo o plexo solar do rapaz com um chute frontal.
Kazuo sentiu o forte golpe e dobrou-se, sentindo falta de ar e caindo de joelhos no chão.
Syaoran soltou o ar devagar, olhando para o rapaz. Foi até ele e se abaixou a sua frente, tocando um dos joelhos no chão e colocou uma mão no ombro dele. Kazuo levantou o rosto, encarando-o.
‘Como eu falei… Força e uma boa arma não são elementos determinantes para a vitória, Kazuo.’ Falou devagar. ‘Quanto mais rápido entender, mais forte você realmente será.’
Kazuo abaixou os olhos. ‘Eu sou um demônio, em teoria sou mais forte.’ Murmurou ofegante.
Syaoran sorriu de lado. ‘Em teoria? Teoria… é exatamente o que você não tem, meu filho. Você só teve prática. Lutou até agora para sobreviver, baseando-se no instinto. Se pretende realmente voltar para aquele inferno, eu quero ter certeza que você será o mais forte para sobreviver a qualquer adversário. Entendeu?’
Kazuo levantou o rosto novamente, encarando-o. Trincou os dentes ainda ruminando o que tinha acontecido e ouvido do pai. ‘Acho… Acho que sim.’ Respondeu.
‘Arthas deve ter lhe contado de onde vem o seu poder de cicatrização, não?’
Kazuo ainda tinha o rosto contrariado. ‘Herdei de você, quando era demônio.’
Syaoran balançou a cabeça de leve. ‘Realmente herdou de mim e eu morri no Mundo das Trevas mesmo com ele.’ Alertou.
‘Mas Arthas me falou que foi por causa de uns esqueletos que tinham veneno… alguma coisa assim…’
O homem confirmou com a cabeça. ‘Foi isso mesmo. Mas obtive este poder quando bebi o sangue de um outro demônio que era detentor desta habilidade. Luthor…’
Kazuo arregalou os olhos de leve, reconhecendo o nome do amigo de Arthas em suas histórias fantásticas e muitas vezes fantasiosas.
‘Ele morreu numa luta contra um demônio superior. Foi atingido de tal forma que o poder de cicatrização não teria como salvá-lo. Assim como também não me salvou. Sou imensa e eternamente grato a ele pelo poder que me deu naquele momento. Foi graças a ele que consegui sobreviver e voltar para cá da primeira vez, além de ter me ajudado a destruir as brechas, mas este poder não o torna imortal. Há um limite. Se encontrar um adversário tão poderoso quanto ele e eu encontramos, não sobreviverá. Lembre-se disso.’
O rapaz desviou os olhos dele, concordando com a cabeça.
Syaoran sorriu, batendo de leve no ombro dele. ‘Vamos… Você vai passar um tempo aqui mesmo. Não vai ser o tempo ideal para dominar a técnica, mas quem disse que tudo tem que ser exatamente como o ideal, não?’ Falou, levantando-se e estendendo a mão para ele.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Kazuo respirou fundo, adoraria mandá-lo para o inferno, mas tinha que reconhecer que, se fosse uma luta para valer, teria perdido a cabeça no momento em que perdera a poderosa espada que tinha antes em suas mãos. Levantou a mão, segurando a do pai que o ajudou a se levantar.
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Rosas entrou no suntuoso salão e logo encontrou Smith sentado, aguardando-o. Aproximou-se de Smith parando a frente dele.
Não estava com cara de quem trazia boas notícias, o inglês logo percebeu.
‘Estamos com problemas.’ Rosas falou sem nem ao menos cumprimentá-lo.
Smith observou o homem a sua frente e respirou fundo. Adoraria mandá-lo para o inferno com os problemas dele, mas tinha que manter a diplomacia. Precisaria dos recursos financeiros do Vaticano uma vez que o velho Yanamoto estava com os dias contatos por causa de sua loucura.
‘O que o aflige, caro amigo?’ Perguntou em tom de falsa preocupação, levantando-se.
Rosas respirou fundo. ‘Soube que um demônio com grande poder encontra-se entre nós.’
Smith ergueu uma sobrancelha. ‘Do que está falando exatamente, Rosas?’ Perguntou agora realmente preocupado. Tinha algumas intenções que não compartilhara com Rosas, mas não sabia que um demônio já havia conseguido invadir este universo novamente.
‘No Japão.’ Rosas esclareceu. ‘Tenho informações de que existe um demônio muito próximo àquele casal que devemos destruir. Eles já estão fazendo pactos com o diabo! Precisamos atacá-los logo!’
Smith franziu a testa. ‘Você tem certeza disto?’
‘Absoluta.’ Rosas respondeu sério. ‘Se perdermos mais tempo, logo eles se tornarão mais poderosos e, realmente, o apocalipse chegará!’ Benzeu-se, nervosamente, fazendo o sinal da cruz. “Ele prendeu o dragão, a antiga serpente, que é o Diabo e Satanás, e amarrou-o por mil anos… Assim que os mil anos tiverem terminado, Satanás será solto da sua prisão, e ele sairá para enganar as nações nos quatro cantos da Terra a fim de reuni-las para a guerra.”’ Rosas citou parte do livro do Apocalipse, capítulo 20.
‘Que diabos quer dizer com isso, Rosas?’ Smith perguntou nervoso.
‘Que o anticristo já está entre nós! Se não agirmos logo, o deserdado do clã Li e aquela meretriz estarão cada vez mais fortes para a Santa Guerra.’
Smith franziu a testa e começou a caminhar devagar pelo salão. Aquilo realmente não estava em seus planos. Precisava verificar o que realmente tinha acontecido antes de se deixar levar pelas loucuras fanáticas de Rosas. Tinha que ser racional. Voltou-se para o seu aliado e tentou passar para ele toda a tranquilidade que fora capaz de fingir.
‘Não se abale, meu amigo. Nesta Santa Guerra, estamos do lado correto. Não importa quantos aliados eles consigam, nós temos um Santo Exército que logo estará preparado para proteger a todos deste universo.’
Rosas ainda não estava convencido. ‘Smith… seu prazo está acabando. Precisamos agir o quanto antes.’ Insistiu.
Smith trincou os dentes. ‘Precisamos ainda esperar um pouco mais. Não podemos abrir um portal fora do momento adequado. Infelizmente, por mais que eu tenha “incentivado” nossos pesquisadores para acharem um meio de abri-lo com qualquer um dos dos artefatos…’
‘Artefatos? Do que está falando?’ Rosas o interrompeu.
‘Das chaves, Rosas!’ Ele gritou perdendo a paciência. ‘Das malditas chaves que nos possibilitam abrir um portal. Precisamos ainda de um momento específico para que funcione. Não foi encontrada nenhuma outra alternativa.’ Smith explicou.
Ele tinha literalmente ameaçado e até mesmo cumpriu as ameaças contra as famílias e contra a vida dos próprios pesquisadores. Porém, nada foi descoberto que pudesse acelerar a abertura daquele maldito portal. Além disso, precisava garantir que a segunda parte de seus planos, com certos aliados fora do conhecimento de Rosas, fosse possível.
Rosas franziu a testa e encarou Smith. ‘E quando é este maldito momento?’
Smith deu um longo suspiro. ‘Infelizmente… apenas no próximo eclipse solar.’
‘Daqui a dois meses?!!’
‘Exatamente.’ Smith falou entre os dentes. ‘Apenas poderemos abrir um portal, daqui a dois meses.’
Continua.
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