Fênix da Noite Estrelada
12 Prelúdio da Guerra
Notas iniciais
Saori sorria abertamente durante a festa e se divertia, tal qual uma jovem de sua idade, mas chegou o momento em que “precisou” se afastar um pouco do rebuliço e de Seiya, que não largava dela de jeito nenhum, mesmo que já tenha aceitado dançar com ele umas vinte vezes, ele não a largava, foi preciso despistá-lo e ainda pedir ajuda pra Marin e Shina na hora de distrai-lo. A jovem adorava o Cavaleiro de Pegasus, mas tinha dia que ele era insuportável.
A deusa foi para sacada que existia no salão, fitava o céu noturno sem preocupações, procurando cada uma das constelações de seus cavaleiros e sorrindo ao encontrar cada uma delas. Fechou os olhos e sentiu a cosmo-energia de cada um deles, não importava em que parte do mundo eles estivessem, sua deusa sempre estaria ali zelando por cada um deles.
Mas, o verdadeiro motivo para a jovem sair, foi por sentir uma pequena elevação de cosmo vinda do Cavaleiro de Cisne, que não se encontrava mais no recinto, nem ele, nem Fênix. Então, como uma boa amiga-super-curiosa-chereta-se-mete-onde-não-é-chamada-faz-tudo-a-torto-e-direito-achando-que-esta-ajudando, ela se afastou da festa e procurou se concentrar nos cosmos dos Cavaleiros fujões. Não sabia o que conversavam, nem o que estava fazendo, só sentia os cosmos se elevarem, depois voltarem ao normal, se elevarem de novo, se aproximarem, se afastarem, era um vai não vai dos Infernos e que já estava irritando-a.
Quando a deusa pensou em voltar para festa, que devia estar melhor do que só ficar sentada tentando adivinhar o que aqueles dois faziam da vida, é que a coisa se tornou “interessante”. Saori não assistiu, graças, mas sentiu, que aqueles dois cabeças-duras finalmente tinham se entendido e sorriu, porém o sorriso veio a morrer quando sentiu uma presença destoante.
¬ O que queres? — indagou a jovem sem abrir os olhos ou dirigir-se dignamente ao recém-chegado.
¬ Já houve tempo em que me tratava melhor, minha irmã. — ouviu o comentário acompanhado de um riso.
A jovem abriu os olhos, e virou-se para o lado, para que assim pudesse fitar o outro deus. Como sempre, este fazia apenas o uso de uma calça e sua armadura, que deixava boa parte do tronco esculpido exposto. A armadura em si, era constituída pelas botas, ombreiras, manoplas, capacete, um peitoral parcial e um baculo, sua principal arma. Tanto capacete quanto botas eram adornados por asas funcionais que o levava para qualquer lugar do mundo. Era bonito, fazia jus ao mito de que todo deus grego possuía uma beleza de Jacinto, o que mais chamava a atenção era o cabelo verde petróleo, mesmo que esse fosse quase todo coberto pelo capacete.
¬ Hermes, filho de Zeus. O mensageiro dos deuses e senhor de todos que usam as estradas, principalmente os ladrões. — alfinetou. — O que desejas, meu caro irmão, para que precisasse tratar comigo? — o deus sorriu.
¬ Educada como sempre, Atena. — alfinetou de volta.
Se encaravam como velhos rivais, que mais viam sua briga como um passatempo muito divertido e logo estavam rindo juntos, afinal, podiam ser deuses, mas ainda eram irmãos. Mesmo não tendo boas experiências com irmãos, a jovem deusa sabia que naquele irmão, ela podia confiar.
¬ Mas sinto informá-la que desta vez não estou aqui para alegrá-la com minha presença. — retomou a seriedade. — Ela está vindo, Atena. E com uma força que jamais imaginei que Ela seria capaz de possuir um dia. Como deusa e como mortal, você está vendo a movimentação dela, porque não faz nada?
¬ Como deusa, eu detenho todo o poder necessário para cuidar deste mundo e de todos que nele vivem. — respondeu a jovem. — Mas como mortal, sou apenas a herdeira de uma grande fundação, não tenho voz nos assuntos e conflitos discutidos entre os lideres.
¬ Atena. — chamou o deus. — Uma nova guerra se aproxima. A última guerra que disputou com Ela, custou a vida de milhões, vidas que Ela tomou para ter poder, para de vingar, tudo isso fazendo uso de uma “doença”. E agora, com toda a tecnologia disponível e com os corações humanos cada vez mais corrompidos, o que você acha que ela pode fazer? — inquiriu o deus, já apresentando leves sinais de desespero. — Não só uma nova Guerra Santa se aproxima, minha irmã, o planeta agora também é assombrado com o fantasma de uma nova Guerra Mundial!
¬ Eu não posso fazer nada, meu irmão. — defendeu-se. — Se este fosse outros tempos, eu certamente seria ouvida, e muitas das desgraças que nos assolaram jamais teriam ocorrido, mas os tempos mudaram, eu possuo voz, mas ela não será ouvida. Tenho conhecimento das guerras que se aproximam, e temo acima de tudo, pela humanidade e pela vida dos meus Cavaleiros, porém minhas mãos estão atadas. Não há nada que eu possa fazer antes da desgraça chegar.
O deus suspirou, no fundo sabia que a jovem tinha razão, ela sempre teve razão, do contrario, não seria a deusa da sabedoria e da guerra.
¬ O que pretende fazer então?
¬ Armar minhas defesas, deixar que meus Cavaleiros aproveitem da boa sorte e felicidade que ainda lhes resta, para que quando a guerra seja declarada, eles estejam plenos. Não posso ter corações duvidosos no campo de batalha. — a jovem mais uma vez olhou para o céu, dessa vez, sem motivo. — A única coisa que posso fazer no momento é me preparar para o que está por vir, ser forte quando preciso e oferecer apoio a humanidade.
A jovem então voltou-se para o deus e suspirou cansada. Poseidon, Hades e agora Ela. Seus Cavaleiros seriam capazes de suportar o que estava por vir? Justo agora que alguns estavam finalmente encontrando sua felicidade? Riu-se. Como se guerras escolhessem data e hora para serem iniciadas.
¬ Hermes. — chamou. — Este é apenas o prelúdio, não é? O que sinto não é nem um terço da real força Dela, certo? — o deus confirmou.
¬ O que fará agora, minha irmã?
A deusa suspirou mais uma vez, como se finalmente sentisse o peso do mundo sobre seus ombros.
¬ Como eu disse. — começou com o olhar distante. — A única coisa que posso fazer no momento é armar minhas defesas e me preparar para o que esta por vir.
A jovem olhou para o horizonte e se pegou indagando, como seria o futuro de seus Cavaleiros e amigos, se aquela guerra estourasse em momento tão inoportuno ou mais inadequado ainda?
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