Fênix da Noite Estrelada
13 Estopim
Notas iniciais
Poucos sabiam, bem poucos, só os que o conhecimento era obrigatório mesmo, até porque, seria impossível esconder destes. Ou seja, somente Camus, Isaak, Shun, Saori e Milo – mesmo que fosse arriscado justamente esse último ter tal conhecimento – sabiam daquela amizade “colorida” entre leonino e aquariano. Os demais nada sabiam, até porque ambos disfarçavam muito bem, o único problema mesmo era ter que frear a boca grande do escorpiano. Mesmo em público, eles eram bem discretos, mas se deixados sozinhos... bem, esse era outro assunto.
A felicidade dos dois alegrava o Amamiya mais novo. Seu melhor amigo, seu quase irmão, não mais chorava por um amor não correspondido e seu irmão, sua família, não era mais tão amargurado, ainda era rabugento, mas deixou, e muito, de ser tão amargurado e parecia mais feliz. O duro mesmo era segurar vela, mas para isso tinha uma coisa chamada: "Tô saindo! Volto mais tarde ou só amanhã! Se precisarem de mim estarei abrigado, sim, abrigado, na Casa de Virgem!". Mas o fato era que esse relacionamento fazia muito bem para todo mundo! A começar pelo fato de que Ikki não mandava mais ninguém para puta que o pariu quando levantava.
Shun os julgava como uma combinação muito construtiva, pois juntos tinham a força que precisavam para realizar seus sonhos, sem gerar grandes rivalidades ou tentativas de controle da relação, o que era muito bom, já que ambos eram teimosos e cabeças-duras, por vezes burros e inconsequentes. Hyoga trazia calma ao moreno, que se sentia confortado em seus braços, pois não via-o como uma ameaça aos seus “domínios”, mas em compensação, Ikki considerava-o um domínio SEU, apesar do loiro defender e exigir sua liberdade com afinco, tinha dia que eles saiam no tapa, mas isso sempre acabava com os dois deitados frente a frente discutindo os problemas, se resolvendo e por fim dormindo. Nada fora do normal para pessoas como eles.
A primeira e talvez a mais cômica briga e que não começou com tapas, foi quando Ikki teve uma crise de ciúmes de Hyoga e Shun. O aquariano ficou sem olhar na cara dele por dias, o que deixava-o louco e o fez xingar deuses e mundo por dias, a reconciliação foi ainda mais cômica, por assim dizer.
Hyoga estava deitado na cama com um livro erguido acima do rosto, era uma noite quente, portanto ele fazia uso de um pijama leve, constituído de uma regata larga e uma calça simples, e estava na companhia de Ikki, que usava apenas uma calça e não parava de falar. O leonino estava enlouquecendo, estava pedindo desculpas sem parar ao aquariano, a cena era tão inédita que Milo, Camus, Isaak e Shun estavam escondidos atrás da porta filmando algo que "poderia ser usado contra Ikki no meu tribunal" segundo o escorpiano. O leonino não parava de choramingar, mas parecia estar sendo ignorando pelo loiro, que estava bem mais entretido com aquele livro, o que não era verdade, estava prestando atenção em tudo que o moreno falava, só fingia ignorá-lo. Somente quando achou que Ikki tinha se “humilhado” o bastante e que os amigos — sim, sabia que estavam ali — já tinham se divertido, é que, com um sorrisinho de canto, ele o convidou para se deitar. Ikki, que não era burro, foi correndo pra cama. Nisso, Shun já tinha expulsado todo mundo quase que aos chutes e pegado sua malinha com destino à Casa de Virgem.
Hyoga agora lia seu livro com seriedade e fazia carinho na cabeleira escura, enquanto seu dono estava agarrado a sua cintura, com as pernas enroscadas nas suas e com a cabeça apoiada em seu peito, apenas aproveitando o carinho, chegando ao ponto de ronronar igual à um gato. Mais tarde, quando o aquariano soltasse o livro, ele cobraria outras coisas das quais ficou sem enquanto estavam brigados e com jurus, só o pensamento o fazia sorrir de maneira sedutora e maliciosa.
Outra coisa que deu problema foi os/as ficantes de Ikki, que sempre apareciam exigindo explicações, e os/as pretendentes de Hyoga, que nunca tiveram chances. Mas isso foi bem mais fácil de resolver, foi só colocar uma aliança de ouro no dedo que toda aquela chatice terminou e outra, chamada Afrodite de Peixes, começou. O guardião da 12° Casa vivia enchendo a paciência de ambos, querendo saber quem era o responsável pelas alianças, pois não desconfiava em nada dos dois, até porque eles combinaram de usar alianças diferentes, sendo a do aquariano de ouro branco e a do leonino de ouro vermelho, e com espaços grandes de tempo para não levantar suspeita, como pode-se perceber, eles prezavam em muito sua intimidade e, é claro, que nenhum dos dois daria o gostinho da vitória ao pisciano.
De resto, dava até para dizer que a vida dos dois era somente alegrias, porém, sempre há quem não goste de tanta alegria.
A deusa estava em seu último templo, o último que ainda restara de pé, mas que fora totalmente esquecido pela humanidade, com exceção dos arqueólogos e historiadores, que vez ou outra iam lá atormentar. Ela observava aquela alegria enojada, odiava aqueles dois a milênios e mais uma vez, lá estavam eles desfrutando das alegrias da vida como se a deusa jamais tivesse existido, como se aquele anseio que residia no fundo de seus corações não existisse.
¬ Mandou chamar-me, minha Senhora? — indagou o homem recém-chegado.
¬ Olhe para eles, Mars. — respondeu a deusa. — Parece que se esqueceram do meu ódio não? — o homem não respondeu, sabia que aquela era uma pergunta retórica. — Não acha que eles devem pagar? Como todas as outras vezes, você não acha que devo fazê-los infelizes por terem ousado me afrontar no passado?
¬ Certamente, minha Senhora. — respondeu. — Então quais são suas ordens, Lady Afrodite?
A deusa do amor e da beleza finalmente olhou para um de seus mais fieis seguidores, Mars de Cupido, Flecha do Amor Platônico, com um sorriso traiçoeiro, aquele era o estopim.
¬ Dê inicio a guerra, Mars. — respondeu como se fosse óbvio.
O homem sorriu e se curvou perante a deusa, pronto para sair e liderar seu exercito contra o Santuário. Um exercito constituído de Flechas e meros mortais que se curvaram perante a deusa. Dessa vez, a deusa queria marcar o mundo, não daria inicio somente a uma Guerra Santa, mas a uma Terceira Grande Guerra também, a humanidade sofreria com a cólera da deusa.
¬ Como queira, minha Senhora. — e se retirou.
A deusa ainda olhou mais uma vez para um sorridente leonino e um aquariano no meio de uma leitura em voz alta, e mais uma vez sentiu vontade de vomitar, ela os odiava mais do que tudo. Aqueles dois, além de humilharem-na no passado, ainda fizeram-na ser rebaixada ao posto de deusa menor, ser odiada pelos demais deuses e até mesmo pelos humanos que sempre a associaram à beleza e ao amor. A praga que eles lhe lançaram ainda perdurava, ferindo profundamente seu orgulho. Agora, a deusa que era associada à traição, inveja, discórdia e, raramente, ao amor e beleza, sentia um rosnar brutal e selvagem sair do fundo de sua garganta.
¬ Me aguardem. — ela cuspia as palavras com verdadeiro ódio. — Vocês ainda sofreram em minhas mãos. Phoenix e Cygnus.
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