Notas iniciais
Oi gente. Esta é a minha segunda fic. Espero que gostem!

BEATRICE PRIOR

Essa era uma hora em que eu queria estar dormindo, mas preciso ir para a escola.

Meu nome é Beatrice Prior, tenho dezesseis anos e estudo na Chicago High School, moro com meus pais, Natalie e Andrew. Tenho um irmão, o Caleb ele tem vinte e sete, saiu de casa aos dezoito após ter uma briga feia com meus pais, eles não se falam até hoje. Caleb foi morar junto com um amigo, hoje é um grande advogado e às vezes me permito sentir uma certa inveja dele.

Eu nunca fui o tipo de filha perfeita. Nunca cheguei nem perto. A verdade é que eu deixei de tentar impressionar a minha família. Eles sequer se importam. Eu posso levar um tiro e morrer que ninguém além de Caleb e Christina iriam sentir a minha falta. Meus pais às vezes esquecem que tem uma filha. Depois que Caleb foi embora, tudo pareceu cair sobre as minhas costas. É como se eles me culpassem pelo que aconteceu. Talvez eles estejam certos em agir assim, eu não sei. Caleb é tudo para mim. Não havia um dia em que ele não acordasse sorrindo e fazendo diversas brincadeiras idiotas comigo... E agora eu só vejo meu irmão duas ou três vezes no ano... Como eu sinto tanta falta daquilo... Hoje posso dizer que naquela época eu era feliz. Do jeito que uma criança deveria ser.

Depois que Caleb foi embora, tudo se tornou um vazio. Que foi piorando com o passar do tempo. Acho que eles pararam de me amar a partir dai. Sei disso por que nenhum dos dois se importou com as minhas lágrimas, com a minha dor. Decidi me fechar para o mundo, eu não precisava de amor. Não queria me submeter a esse sentimento. As únicas pessoas que eu amo, são Caleb e Christina.

Christina é minha melhor amiga, nos conhecemos desde a terceira série e somos amigas até hoje. Ela me entende, sempre entendeu. Sabemos que o amor destrói, que ele causa dor. Nós amamos uma a outra, sem mentiras, sem segredos.

Eu me recuso a deixar alguém invadir minhas defesas, perdi o amor de meus pais. Só tenho Caleb e Christina. Será que conseguiria perder mais alguém?

Depois de pronta, desço as escadas, e sigo em direção a cozinha, ir para a escola com a barriga vazia não é uma boa ideia. Encontro meu pai sentado a mesa com uma xícara na mão, concentrado no jornal de hoje.

— Oi pai. — Falo sorrindo na esperança de que ele ao menos olhe para mim.

— Bom dia. — É tudo o que ele diz sem tirar a atenção do que estava fazendo.

Minha mãe provavelmente já fora trabalhar, ela é dona de uma boutique na Magnificent Mile. Papai é dono de uma concessionária que fica perto do Chicago Premium Outlet, — aposto que Caleb se sentiu extremamente orgulhoso quando fora lá comprar seu carro— ele sai de casa um pouco mais tarde. Pego uma maça e saio sem lhe dar tchau. Como se ele realmente fosse se importar com isso.

Agora são 07:15, as 08:00 eu já preciso estar no inferno, digo, escola. Chris mora pertinho da minha casa. Nós sempre vamos juntas para a escola. Normalmente eu passo na casa dela, por que se tratando de Christina, o despertador não é o suficiente para acorda-la. Após tocar a campainha a mãe de Chris me atende, sra. Miller é muito legal.

— Olá pequena Tris. — Ela me recebe com um sorriso caloroso me envolvendo em seus braços. Como eu queria que mamãe fosse assim.

— Oi senhora Miller. — Digo após desfazer o abraço. — Chris já está acordada?

— Ah, minha querida. — Ela diz com uma expressão cansada. — Christina está gripada, isso é extremamente horrível, pois estamos no verão. Ela não conseguiu nem levantar da cama hoje.

— Nossa, sinto muito! Espero que ela fique bem logo. — Respondo sincera. — Bom, eu venho aqui mais tarde ver como ela está. Agora eu preciso ir para escola, então se me der licença. — Falo sorrindo.

— Ah, sim. Tchau pequena Tris. — Ela se despede sorrindo e eu sigo meu caminho.

Chego na escola atrasada, que ótimo! Christina tinha que ficar doente justo agora, já basta não ter me avisado, eu ainda vou ter que aguentar essa gente chata sozinha hoje. Principalmente o sr. Sutherland, professor de filosofia, chato é um elogio para aquele velho.

Ando irritada pelos corredores daquela porcaria, afim de tacar fogo nesta droga de escola, quando de repente vem um idiota na direção contrária e me derruba feito um trapo no chão.

O retardado ainda me oferece a mão, porém a ignoro. Eu costumo ser muito calma, sou tímida, quase não tenho amigos e às vezes não abro a boca para quase nada, mas com a raiva que estou agora, levanto puta da vida querendo matar o infeliz que me fez passar por essa experiência nada agradável.

— Seu idiota, por acaso você é cego? Não olha por onde an... — Levanto o rosto e ao me deparar com um par de olhos azuis escuros esqueço tudo o que eu ia falar, ele tem olhos tão profundos que seus cílios tocam a parte de baixo das sobrancelhas, seu lábio superior é fino e o seu inferior é cheio. Ele é alto. Noto também que ele tem uma pequena cicatriz no queixo, mas que sua barba é capaz de esconder. Nos encaramos por alguns segundos até eu desviar o olhar.

— Oh, me desculpe! Você está bem? — Ele pergunta, sua voz é meio rouca e profunda. Me sinto nervosa.

Eu tenho que falar alguma coisa, eu preciso falar alguma coisa. Mas sinto que ainda não me recuperei. Pisco algumas vezes e não consigo responder.Vamos Tris, diga alguma coisa, você consegue.Mas não adianta, nada sai de minha boca, só fico parada olhando para ele, totalmente desorientada. Ele franze a testa e passa um dos braços pela minha cintura e me ajuda a sentar em um banco. Após fazer isso, ele se abaixa na minha frente, acho que está tentando ter uma visão melhor do meu rosto, mas ele não falou nada, e eu só consegui o encarar com a minha melhor cara de retardada.

— Você está tonta, não é? Olha, me desculpe. — Ele diz parecendo sincero. — Juro que não vi você. Quer que eu te leve a enfermaria?

Eu não estava assim por ter caído, não, com certeza não. Ele era quem estava fazendo isso comigo.

— Não. Tudo bem, eu... — Não consigo terminar a frase, me levanto e saio correndo dali.

Quem era esse garoto? Eu nunca o vi antes. Olha que eu sou uma boa observadora. Será que ele era um aluno novo? Oh, meu Deus. Espero que ele não esteja na minha sala. Espero não vê-lo novamente. Espero não sentir isso novamente.

Chego na sala atrasada, tenho aula de cálculo agora. A professora Lauren me olha de cara feia e aponta para meu lugar. Ótimo, estou ferrada.

Notas finais
Gostaria muito que comentassem, pois me deixaria extremamente feliz! Beijinhos ;*