Explosions
2 The Fault It's Christina
Notas iniciais
Dois períodos, isso mesmo. Dois períodos aguentando Lauren peituda a professora que tenta nos ensinar cálculo. Vadia mal-amada ou seria mal-comida? Acho que ela me odeia ou então, não suporta atrasos. Pra que tanto exercício? Acho altamente desnecessário.
Estou no maior tédio enquanto espero a porcaria do terceiro período. E o que tem no terceiro período? A porcaria da biologia. Realmente, eu estou muito revoltada hoje, mas afinal, a culpa é da Christina. Se ela estivesse aqui, nós estaríamos conversando ou trocando bilhetinhos falando sobre o quão chato os nossos colegas são. Bom, deixe-me explicar, aqui as classes são de duplas, então eu e Christina sentamos juntas, o que quer dizer que estou sentada sozinha hoje. Isso mesmo! Me sinto muito desconfortável.
Nesse momento estou batendo meu lápis na carteira, enquanto espero impaciente a droga do sinal bater. Paro assim que os dois garotos que sentam atrás de mim resolvem falar comigo. O grandão, que todos chamam de Al me cutuca e olho para trás. Ao lado dele está Will, por quem Christina é apaixonada, ela vai ficar muito brava por não ter vindo justo no dia em que ele poderia conversar com ela.
— Ei, Tris. Você já ficou sabendo que tem um novo professor na escola? — pergunta Al.
— Tem? — pergunto confusa. Quem será que foi embora? Para a minha alegria queria que fosse o sr. Sutherland, porque por mim, ele deveria não existir, muito menos filosofia.
Ta, tudo bem que eu não gosto muito de estudar, mas eu tenho notas boas, principalmente em filosofia, mas eu não gosto mesmo são dos professores.
— Parece que sim. — responde Will. — A maioria das garotas já viram ele. E cara, elas não falam em outra coisa, estou ficando entediado. Você não ouviu?
— É, eu não ouvi nada. — digo pensando. — Acho que estava muito distraída.
— Antes que eu me esqueça. — Will diz com receio. — Por que a sua amiga, Christina não veio na aula hoje?
Assim que Will pergunta, a primeira coisa que faço é ficar um tanto chocada. Como assim, Will perguntando por Chris? Ela vai surtar. E a segunda coisa, bem é olhar para Al que sorri e depois nós dois direcionamos um olhar um tanto quanto malicioso na direção de Will.
— Você está interessado? — pergunto zombeteira. — Quer algumas informações sobre Chris, hm?
— É, ele quer. — Al entra na brincadeira. — Qual é o número do celular dela? Eu deveria ligar? Não, eu deveria ligar para ela e desligar.
Will fica absolutamente vermelho, enquanto Al e eu nos olhamos e caímos na gargalhada.
— Isso não tem graça. — ele responde corado. — Vocês dois não prestam.
Quando ele diz isso só faz minha risada e a de Al aumentar. Realmente, eu nunca ri tanto na minha vida, a última vez que dei uma risada sincera foi no ano retrasado, quando Caleb levou eu e Chris para passear na Crown Fountain no Millennium Park. Trato de descartar as lembranças para não chorar e continuo rindo, até uma voz extremamente irritante nos interromper.
— Posso iniciar a minha aula ou vocês ainda não acabaram de rir, srta. Prior e sr. Madsen? — Perguntou o professor Ray. Nem percebi que o sinal tinha batido e que a aula de biologia seria agora.
— Desculpe. — Al diz e abaixa a cabeça. Eu me viro para frente e encaro o quadro vazio diante dos meus olhos.
Depois de longos minutos de tortura somos liberados para o intervalo, eu sigo para o refeitório juntamente com Al e Will, até que eles são legais, Chris iria surtar se estivesse vindo hoje, vou adorar provoca-la mais tarde. Escolhemos uma mesa mais afastada e depois de comermos nos dirigimos os três para o pátio. Sentamos em um banco espaçoso que fica de baixo de uma árvore e começamos a conversar. Eles me falam bastante sobre a vida deles e decido falar sobre a minha também, sinto que posso confiar neles. Will até me pede ajuda com Christina, e é claro que irei ajuda-lo.
Depois subo com Al enlaçado no meu braço esquerdo e Will no direito, estou me preparando psicologicamente para encarar os próximos dois períodos com o sr. Sutherland agora. Sento em meu lugar e os meninos como de costume, atrás de mim. Queria tanto que Chris estivesse aqui, eu definitivamente odeio sentar sozinha.
Esperamos dez, vinte, trinta minutos e nada. Será que o sr. Sutherland faltou hoje? E por que nenhum dos desgraçados da direção desta droga de escola não vieram nos avisar? Seria uma boa soltar cedo hoje. Um período, e nada. Fico conversando com Al e Will para me distrair dos gritos dos engraçadinhos da sala, Peter, Molly e Drew. Três babacas, eu os odeio tanto quanto eles me odeiam.
— Ei, careta. — Peter me joga uma bolinha de papel, nada faço. — VOCÊ É SURDA? — Ele grita.
Sei que o melhor que faço é ignora-lo. Sinto passos pesados na minha direção, Peter bate com as duas mãos na minha carteira e sou obrigada a olhar para ele.
— Eu estou falando com você. — Ele rosna na minha direção.
Will levanta, faz a volta e fica de frente com Peter, o encarando.
— Agora eu estou falando com você! — Os dois estão muito próximos, isso não vai ser bom, com certeza não.
Não quero Will metido em encrenca, ainda mais com Peter, ainda mais por minha causa. Estava prestes a me levantar quando ouço a voz da diretora, Jeanine Matthews.
— Mas o que é que está acontecendo aqui? — Ela pergunta com uma cara nada boa fazendo os garotos se separarem e o restante da turma ficar quieto. — Todos em seus lugares!
— AGORA! — Ela grita e eu estremeço. Percebo que tem alguém na porta, não consigo o enxergar direito, mas não me importo.
— Diretora Matthews, nós vamos sair mais cedo hoje? — Pergunta uma garota lá no fundo.
— Na verdade, não. — Ela diz sorrindo. — Queria que desculpassem a demora, sei que falta apenas dez minutos para o sinal bater, mas eu queria dar um recado muito importante para todos. — Ela suspira e continua. — Como já devem ter percebido...
Paro de prestar atenção, Jeanine me irrita, ela nos odeia! Tanto quanto nós odiamos ela. Tudo o que ela diz é que sr. Sutherland se aposentou, o que é uma maravilha. Já estava cansada dele, tudo era eu. Tris isso, Tris aquilo, eu tinha que saber de tudo e fazer tudo. Um dos motivos pelo grupinho ridículo do Peter me odiar era esse: "Careta — como eles costumam me chamar — a queridinha do professor de filosofia.". Como se eu fizesse questão disso! Eu mereço. Jeanine continua com aquela palhaçada, falta cinco minutos para irmos embora. Volto minha atenção para ela, quando a mesma avisa sobre o professor novo.
— Alunos, quero lhes apresentar, seu novo professor de filosofia. Tobias Eaton.
Meu coração parou por um segundo e, naquela pausa eu o vi. Ele, que me derrubou no corredor. Ele, que pediu desculpas. Ele, que me fez ficar parecendo uma idiota. Ele, que fez com que um sentimento completamente sinistro e despertador tomasse conta de mim. Ele, que é o meu novo professor de filosofia. Ele, é o Tobias.
Ele observa a turma, aluno por aluno. Até que seus olhos param nos meus, nos encaramos por alguns segundos até que o sinal bate. Agora, iremos embora.
— Segundo ano, me desculpem por isso! Amanhã vocês terão tempo para se conhecer melhor, já que foi acrescentado mais um período de filosofia no horário de vocês. — Jeanine diz antes de desaparecer pela porta, juntamente com Tobias.
Estou paralisada. Como assim ele é professor? Parece tão jovem. Quando finalmente consigo me mover, guardo meus materiais. Will e Al me esperam na porta da sala. Nos despedimos no portão da escola e eu sigo meu caminho para casa.
É apenas algumas quadras, então dá para ir a pé. Penso em Tobias durante todo o caminho. Penso em seus olhos, seus lábios e no seu toque. Sei que não posso pensar assim, ele é o meu professor.
O meu professor de filosofia.
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