Explosions
6 Party, confusion and vomiting
Notas iniciais
B E A T R I C E P R I O R
Agora estou no meu quarto, tentando ler um livro. Eu gosto bastante de ler, mas não consigo me concentrar. Talvez seja porque meu professor me deu uma carona. Talvez seja porque não consigo pensar em outra coisa, a não ser o toque dele, a intensa eletricidade que eu senti. Talvez seja porque eu senti vontade de beija-lo, talvez seja porque eu quase fiz isso. Talvez também seja porque eu senti que ele se importa. Isso é estranho, mas o.k.
Meus pensamentos são interrompidos quando minha mãe entra no meu quarto.
― Filha... Tudo bem? Eu vi que você chegou e veio direto pro seu quarto. ― Ela pergunta parecendo preocupada? Ah, não. Não seja tola, Tris.
― Sim, mãe. ― Dou um sorriso forçado. ― Está tudo bem. ― Minto.
Ela assente dando um leve sorriso enquanto se retira do quarto. Isso está muito estranho. Minha mãe querendo saber se estou bem? Acho que aconteceu algo com ela hoje, afinal ela nunca quis saber. Deixo meu livro de lado quando ouço meu celular tocar e atendo sem saber quem é.
― Alô?
― TRIS? ― Christina grita. ― Alô, Tris? Onde você está? Você ta bem? ― Pela sua voz ela parece desesperada.
― Ei, Chris. ― digo. ― Fique calma, eu estou em casa. Tobias me deu uma carona, não se preocupe.
― O QUE? TOBIAS? ― Ela grita e me dou conta da merda que acabei de fazer. ― Tobias o professor? O professor chato e extremamente gostoso?
― É, ele mesmo. ― Suspiro, não deveria ter contado nada a ela. Christina vai me incomodar por dias com isso.
― BEATRICE PRIOR. ― Ela grita. ― Me conte tudo! ― Noto pela sua voz que está empolgada. Droga.
― Olha, eu tenho que desligar. ― Minto. ― Amanhã eu ligo para você, ok? Beijos.
Desligo.
Christina deve estar furiosa comigo, ela simplesmente odeia que desliguem em sua cara. Espero que me perdoe, mas foi preciso. Não iria aguentar ela falando horas e horas nos meus ouvidos.
Minha cabeça parece que vai explodir. Sinto uma pequena dor em meus pulsos, um pequeno peso. Já faz dois anos desde que prometi a Caleb que não faria mais, e eu tenho que cumprir a minha promessa.
Levanto e quando meus pés entram em contato com o chão gélido fico toda arrepiada. Dou pequenos passos até chegar ao banheiro. Depois de tomar um banho quente e demorado deito em minha cama e fico pensando em tudo que está acontecendo até adormecer.
Acordo na manhã de sexta me sentindo extremamente feliz e nem sei o por que. Bom, talvez eu saiba. Meu celular apita e vejo que recebi uma mensagem.
"Não precisa passar aqui hoje. Já sai de casa, estou indo com o Will. Beijos Chris M."
Ótimo. Christina está brava comigo.
Decido nem responder, tomo meu banho e me arrumo. Hoje meus pais tomam café comigo. Eles não falam muitas coisas, apenas sorriem. Para mim. Estranho. Saio de casa e chego na escola poucos minutos antes de o sinal tocar. Meus amigos já devem estar na aula.
Antes de chegar na minha sala, vejo que Tobias vem na mesma direção que eu.
Será que devo cumprimentar? Eu nem tenho aula com ele hoje.
Abro um grande sorriso e levanto minha mão para dizer um oi, mas subitamente ele dobra o corredor e nem olha na minha direção. Abaixo a mão frustrada. Ontem ele me dá uma carona, conversa comigo, é simpático e no outro dia nem olha na minha cara.
Entro na sala de aula e vou para o meu lugar, a cadeira ao meu lado está vazia. Agradeço mentalmente por Peter não ter vindo hoje. Dois períodos de biologia e um de cálculo, passo a maior parte do tempo pensando em Tobias e em como ele é confuso.
No intervalo, Christina, Al, Will e eu estamos sentados em um banco no pátio. Chris está se pegando com Will e já me perdoou, fico contente com isso. Todos conversam, mas presto muita atenção no que eles dizem.
Não consegui ver Tobias novamente e não sei se fico feliz ou triste com isso.
Depois temos mais dois períodos de literatura e finalmente vamos embora.
Nosso "grupinho" caminha até o portão, todos falam muito, mas não presto atenção em nada, me limito a falar hoje. Estou distraída quando Christina fala alto e claro:
— Ótimo. Então hoje nós vamos no The Underground. — Ela da um gritinho animado.
— Espera... — Eu digo confusa. — O que?
— Nós vamos sair, Tris. — Will fala animado com um braço ao redor do pescoço de Chris.
— É isso aí. — Al concorda.
— Mas eu... — Estava falando, mas sou interrompida.
— Sem mais, Tris. — Christina me corta. — Vou sair com Will, passo na sua casa as 21:00.
Não tenho nem tempo para protestar, pois os dois saem andando de mãos dadas. Além de ter que ir em uma das danceterias mais badaladas da cidade fui trocada pela minha melhor amiga. Nossa, que beleza. Me despeço de Al e vou para casa. Durmo a tarde toda depois de pedir permissão para sair.
Acordo com meu celular despertando, agora são oito horas.
Levanto e vou em direção ao banheiro. Tomo um banho demorado, lavo e passo hidratante de morango em meus cabelos, também passo creme hidratante em todo o meu corpo e no pescoço passo meu perfume com o mesmo cheiro, seco meus cabelos com fervor os deixando um pouco volumoso. Ao sair demoro alguns longos minutos na escolha da roupa, coloco meus saltos, faço uma maquiagem, coloco alguns acessórios e estou pronta.
Fico me olhando no espelho durante um tempo e me sinto extremamente linda.
Ouço batidas na porta e minha mãe diz:
— Querida, posso entrar?
— Pode. — Falo sem me retirar da frente do espelho.
— Oh, Beatrice. — Minha mãe diz e viro para olha-la. — Você está tão linda. — Ela fala com a voz embargada.
— O-obrigada. — Gaguejo, ela vem até mim e toca em meus cabelos.
— Christina está lá em baixo. — Vejo que ela tenta segurar o choro. Quero abraça-la, mas ela nunca demonstrou algum tipo de afeto comigo desde que Caleb foi embora. Me contenho.
— Tudo bem, eu já vou indo. — Me afasto. — Vamos?
Não espero resposta, simplesmente desço as escadas e vejo uma Christina sentada no sofá balançando as pernas como se estivesse impaciente, reprimo uma risada.
— Vamos? — Eu digo e ela se levanta. Chris está maravilhosa.
— Você está linda, filha. — Meu pai que estava ao lado de Christina diz.
— Obrigada, pai. — Respondo olhando para meus próprios pés.
Meus pais me elogiando, algo que não acontecia faz tempo.
— Tenho que concordar com o sr. Andrew. — Christina diz. — Você está perfeita.
— E você está maravilhosa, Chris. — Digo sorrindo enquanto vamos as duas em direção a porta.
— Não volte muito tarde, Tris. — Papai diz em tom alto e balanço a cabeça em positivo.
Will está nos esperando em seu carro, Chris entra na frente e eu vou atrás junto com Al, que fica o tempo todo olhando para minhas pernas, sinto meu rosto começar a esquentar.
Depois de mais ou menos trinta minutos chegamos no The Underground, que era um dos lugares mais frequentados de Chicago, eu nunca vim aqui antes, somente Chris, que aliás é bem conhecida aqui. E como ela disse entramos sem ter que apresentar identidade.
Chris e eu fomos procurar uma mesa enquanto os garotos iam ao bar em busca de bebida. O som era alto e tínhamos que gritar para conseguir conversar.
— Olha que demais. — Christina grita. — Hoje eu vou pegar o Will e você pode pegar o Al ou qualquer um aqui, você está muito gata. — Ela diz rindo.
— Você tá louca? — Falo também gritando por causa da música. — Quero apenas ficar quieta em um canto, podia estar na minha cama só que você me obrigou a vir pra cá.
— Qual é, Tris! — Ela reclama.
Al e Will voltaram com quatro copos rasos com uma bebida transparente. Eles entregam um copo para mim e outro para Christina. Cheirei a bebida e pude constatar o álcool.
— Tem que virar de uma vez. — Will disse. – Juntos?
Christina soltou um grito animado e todos viramos os copos.
O líquido passou rápido pela minha língua e desceu pela minha garganta, queimando.
Fechei os olhos e coloquei as mãos na cabeça, depois de piscar várias vezes abri os olhos e vi todos me olharem.
— Como se sente? — Perguntou Christina enquanto dava um sorriso.
— Me sinto bem. — Digo sorrindo. — Isso é ardido, mas é... Bom.
Todos riem e soltam gritos animados.
Bebemos mais, dessa vez virei a metade, os líquidos tinham cores diferentes, mas todos eles desciam queimando e me causando uma sensação tão... Boa.
Peguei outro copo e virei de uma vez.
Eu não sabia o que estava tomando, eu só queria cada vez mais.
E foi o que aconteceu, foram vários copos e eu esqueci de todos os meus problemas. Christina e Will já não estavam mais na mesa, Al foi ao banheiro e eu decidi me levantar.
Joguei os braços pro alto, fui para o meio da pista e comecei a requebrar no ritmo de St.Vincent.
Naquele momento nada mais importava, eu só queria dançar...
Braços fortes seguravam a minha cintura enquanto o cara, cujo não sei o nome dançava comigo. Me viro de frente para ele e mesmo tonta consigo ver quem é.
— URIAH! — Grito. Ele olha para meu rosto e percebe quem sou.
— Tris, sua louca! — Ele diz rindo enquanto pulo em seus braços.
Uriah é irmão de Zeke, que é amigo meu e de Caleb. Não nos vemos faz anos, mas agora ele está aqui, me vendo nesse estado. Será que ele irá contar a Zeke? E será que Zeke irá contar a Caleb? Não me importo, eu estou feliz demais para isso.
— Estava com saudade! — Murmuro contra seu peito. Estamos dançando abraçados.
— Também estava. — Ele diz acariciando meus cabelos. — Como você tá gostosa, Tris.
Me separo dele enquanto gargalhava e dou um soco de leve em seu braço. Estamos rindo quando uma garota vem na nossa direção, ela parece brava, não consigo enxergar direito, acho que estou bêbada demais para isso.
— O QUE SIGNIFICA ISSO, URIAH? — Ela berra. — QUEM É ESSA VAGABUNDA?
— Calma aí, sua nojenta. — Digo alto apontando o dedo na cara dela. — Não me compare a você, vadia.
Uriah fica na minha frente e sinto que vou cair. Estou tonta.
— Ela é uma amiga, Marlene. — Ele diz firme. — Fica na sua.
— Ficar na minha? — Ela o olha atônita, como se não acreditasse no que ele acabou de dizer. — Está defendendo essa bêbada?
— BÊBADA? — Eu grito e vou pra cima dela. — Eu vou te mostrar quem é a bêb... — Não continuo pois coloco uma mão na boca e outra no estomago.
Não vou conseguir segurar.
Quando me dou conta do que acabei de fazer a última coisa que vejo é Marlene com os cabelos sujos de vômito e Uriah tentando ajudar a limpa-la.
Minha visão fica turva e sinto braços extremamente fortes na minha cintura, até apagar completamente.
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