Explosions
11 I'm giving
Notas iniciais
Christina continua fugindo de Uriah, já eu e Zeke há muito tempo estamos com os pés na água, é um sensação tão boa.
A famosa Crown Fountain são duas torres com blocos de vidros de quinze metros que projetam fotografias de residentes de Chicago, e parece que a água da fonte está fluindo de suas bocas.
E Zeke está tentando me colocar lá em baixo.
— Por favor, Zeke. Por favor — peço enquanto tento me afastar dele, mas o mesmo me pega no colo. — Não faça isso, por favor. — suplico em meio a risadas.
— Eu estou brincando com você. — Ri enquanto me coloca no chão. — Não vou molhar o seu cabelo, ta muito bonito hoje.
— Ata. — digo e abaixo a cabeça, sinto que estou corada.
Zeke se aproxima de mim e passa uma das mãos pela minha cintura, a outra ele usa para levantar meu rosto, me fazendo olhar em seus olhos.
E por um segundo eu me perco na imensidão deles.
— Professor! — Uma voz grita e eu me sobressalto, empurrando o ombro de Zeke, que me olha assustado.
Me viro muito lentamente em direção a voz, que eu sei que é de Christina, me deparo com a mesma abraçando Max e sorrindo para...
Tobias.
Ele estava olhando na minha direção, mas não para mim, e sim para o Zeke.
Sinto meu coração dando marteladas dentro do peito e não sei se sou capaz de me mover.
— Ei, vocês — Max grita. — Venham aqui!
Zeke que também estava encarando Tobias, pega na minha mão e vai me puxando muito lentamente ao lado dele em direção aos outros.
Arrisco a olhar para Tobias de novo e ele está olhando fixamente para minha mão entrelaçada na de Zeke, então a única coisa que me parece certa a fazer agora é me afastar.
— Tris! — Max exclama me dando um abraço que foi capaz de me levantar do chão.
— Oi. — murmuro em seu ouvido antes de nos separarmos. — Oi, sr. Eaton. — digo para Tobias.
— Srta. Prior. — Ele murmura.
Zeke cumprimenta Max e depois se vira para Tobias e eles se cumprimentam com tapinhas nas costas, fortes demais.
Christina me lança um olhar do tipo "O que foi isso?" mas eu a ignoro, então o clima fica pesado.
— Eu... — diz Tobias. — Eu acho que já vou indo, é... Tchau.
Droga, mas ele chegou agora! Por quê?
— Tchau, professor. — Chris diz inocente quando Tobias já se afastou. — Até amanhã, na escola.
Ele olha para onde estamos e por cima do ombro dá um meio sorriso.
— Ele é professor? — pergunta Zeke.
— É. — sussurro.
— E por falar em escola, — Uriah grita chamando a atenção de todos, menos Zeke que revira os olhos. — Adivinha quem vai estudar na CHS?
— Mentira? — eu e Chris gritamos animadas enquanto vamos o abraçar.
— É sério, e por favor... — ele diz com um sorrisinho malicioso. — Me amem menos — nós gargalhamos.
+++
No outro dia levanto mais cedo que o normal, aproveitando para acordar Christina, já que dormi aqui de novo.
— Bom diaaa! — grito enquanto me jogo em cima dela. Foi de propósito.
— Sai de cima de mim!
— Isso é pra você para de fazer isso comigo. — digo rindo e sigo em direção ao banheiro.
Depois de pronta eu fico esperando Chris para tomarmos café.
Seus pais foram viajar e só voltam na semana que vem, então ela pediu para os meus pais que eu ficasse aqui com ela durante esse tempo, eles prontamente deixaram, não se importam comigo mesmo, mas tanto faz.
Nós comemos qualquer coisa e fomos para a escola, os garotos já nos esperavam lá.
Christina abriu um enorme sorriso ao ver Will e correu para os braços dele, eu só observava aquilo sorrindo, tão feliz por ela. Eles murmuravam coisas como "estou com saudade", "eu te amo" enquanto trocavam carícias.
Eu continuava os olhando até que Al chama minha atenção.
— Oi, Tris.
— Ah, Al. — Sorrio cumprimentando-o e abraçando-o.
Conversamos durante uns dez minutos antes do sinal bater, estava quase passando pelo portão quando alguém grita:
— Beatrice!
— Uriah! — grito depois de vê-lo e corro para abraça-lo. — Você veio!
— Mas é claro! — Ri. — E é melhor você me apresentar algumas garotas.
— Garotos servem também? — Pergunto enquanto gargalhava, ele fez uma careta e riu comigo enquanto entrávamos.
Ele cumprimentou Chris e se apresentou para os garotos e decidimos ir para nossa sala, Uriah seria nosso colega e eu não podia estar mais feliz.
Antes que conseguíssemos sequer subir as escadas ouvimos a voz da Diretora Jeanine nos auto-falantes:
"— Alunos do segundo ano, quero avisar-lhes que sua professora, Lauren, novamente não pode vir a escola, então terão um período vago para ficarem no pátio e depois as aulas seguem normalmente."
Todos soltam gritos animados e vão se dirigindo para o pátio, antes disso alguém passa ao meu lado, esbarrando em mim, Peter.
— Eu preciso falar com você depois, Careta. — diz e se afasta.
Olho para os outros, mas acho que eles não devem ter ouvido.
Ao chegar no pátio sentamo-nos em um banco, abaixo de uma grande árvore, nós sempre ficamos ali.
— E Zeke? — pergunto a Uriah.
Ele, assim como Chris e Will lançam-me olhares maliciosos, menos Al que parece emburrado.
— Ele está ajudando a mamãe, — diz. — Sabe, com a reforma da casa.
Sorrio e assinto e então conversamos sobre qualquer outra coisa, até que Peter me chama:
— Beatrice? — Olho-o de olhos arregalados, ele nunca me chamou pelo nome, não depois da sexta série. — Você pode vir aqui?
Olho para meus amigos, que também me olham, como se dissessem "Não vá lá." E eu realmente não quero ir, mas ele insiste:
— É um assunto sério. — grita. — Sobre o trabalho.
Hesito por um instante, mas então levanto e sigo com passos rápidos até ele, para acabar com isso logo.
— O que você quer? — pergunto ignorando os olhares de Molly e Drew.
— Toma. — diz me entregando uma pasta com algumas folhas dentro.
— O que é isso? — indago curiosa.
— O trabalho de filosofia, que eu não consegui terminar aquele dia. — explica. — O professor Eaton disse que tínhamos até o primeiro período para entregar, ele não irá aceitar depois.
— Ah, ok.
— O que você está esperando?
— O que?
— Vá entregar essa droga — resmunga irritado. — Eu não irei naquela sala agora.
Como assim ir entregar o trabalho? Terei que ver Tobias antes dos últimos períodos?
Não, eu não estou preparada para isso.
Saio dali com passos largos, totalmente emburrada.
— O que ele queria? — pergunta a Christina.
— Por que está com essa cara? — pergunta Uriah.
— Ele disse alguma coisa para você? — Will pergunta. — Se você quiser eu...
— O que é isso? pergunta Al apontando para minha mão, interrompendo-o.
— Não — digo. — Nada, é só o trabalho. — Dou um longo suspiro. — Eu preciso entregar.
— Quer que eu vá com você?
— Não precisa Chris. — Sorrio em agradecimento. — Eu já volto.
Subo as escadas apressada em direção a nossa sala, 211E, Tobias está lá, espero que não esteja sozinho.
Chego na sala e não vejo ninguém, observo a espaçosa mesa perto do quadro negro, as coisas de Tobias estão em cima dela, mas ele não está lá.
Decido então esperar um pouco, deixo a pasta em cima da mesa e de costas, me apoio sobre ela.
— O que você está fazendo aqui? — Levo um susto enorme ao ver Tobias me encarando na porta da sala, ele está com uma expressão séria.
— Você me assustou, Tobias — digo e levo uma das mãos ao peito.
— Estamos na escola. — Ele diz calmo e vem na minha direção, vejo que ele tem razão, eu o chamei de Tobias, na escola.
— Desculpe professor, eu... — Dou um longo suspiro. — O Peter terminou o trabalho e eu vim aqui... trazer.
— Ah, sim. — diz e dá um sorriso meio... falso. — Eu estava na diretoria, arrumando os papeis da transferência do irmão do seu namorado.
Namorado? Desde quando eu tenho namorado? Será que ele pensa que eu e Zeke temos algo? Não. Zeke é somente meu amigo.
— Do que você está falando? — Digo nervosa. — Eu não tenho namorado.
— Não foi o que pareceu ontem. — Diz sínico. — Max disse que você e o... Ah não importa — agora ele está irritado. — Max disse que vocês se conhecem a bastante tempo.
— Então você e Max falaram de mim? — Pergunto surpresa e contendo um sorriso.
— Não, Tris. — Ele fala se aproximando de mim, eu permaneço no mesmo lugar, então ele apoia as mãos na mesa, estamos com o rosto a centímetros um do outro. — Droga, eu...
Ele não continua, nós só ficamos parados, nos encarando, minhas mãos formigam para toca-lo, eu já sei o que fazer, eu quero beija-lo, mas não tenho coragem o suficiente para isso.
Então, subitamente, ele me levanta e me senta na mesa, meu rosto na mesma altura do dele. Tobias me lança um sorriso lindo, cheio de significados, e foi nesse momento que eu percebi, que eu admiti para mim mesma que estava me apaixonando por ele, pelo meu professor... e não há mais nada que eu possa fazer agora.
Deslizo para a ponta da mesa, e coloco minhas pernas em volta dele, eu o quero tanto.
Ele acaricia minha bochecha e aproxima seu rosto do meu.
Eu me sinto cedendo, me derretendo em direção a ele.
Eu preciso que ele me beije.
Fecho meus olhos e espero pelo momento em que seus lábios tocarão os meus, eu preciso dele.
Mas então ele desprende minhas pernas de sua cintura e se afasta bruscamente.
Parece que algo profundo e doloroso foi arrancado de dentro de Tobias, como pregos lascando a madeira quando são retirados com força.
Eu desço da mesa assustada.
— O que foi?
— Isso não podia ter acontecido. — Ele estava pálido.
Fico em um silêncio hesitante.
— É, me... Me desculpe.
— Não — ele disse. — Tudo bem — agora seu rosto estava cheio de fúria que até me assustou. — Mas isso não poderia ter acontecido. — Repetiu ele.
— Tobias... — fico sem ar e inspiro com dificuldade. — Você tem razão, não deveria ter acontecido. — Concordo.
Eu estou magoada, e me odeio por querê-lo tanto agora.
— Até depois, professor. — Digo e saio sem olha-lo.
Fale com o autor