Explosions
12 Do I Wanna Know?
Notas iniciais
No segundo período, temos dois de Biologia, com o professor Ray.
A aula está sendo agradável, eu e Peter já fizemos tudo o que o professor pediu e até conversamos, sobre a matéria, é claro.
Quando o sinal toca para o intervalo é uma gritaria só, todo mundo sai correndo, até mesmo meus amigos, eu não entendo essa gente, nem parece que estamos no segundo ano, pelo amor de Deus.
— Qual é a idade mental de vocês? — pergunto para meus amigos assim que chegamos ao refeitório.
— Qual é, Tris. — Uriah ri.
— Vai dizer que você queria ficar mais tempo naquela sala, ainda mais com o professor Ray. — Will diz e todos riem.
— Se fosse com outra pessoa... — Chris fala e me dá um sorriso malicioso e os garotos piscam confusos.
— Não faça essa cara, — Will diz a Albert. — A vida não é justa. E o mundo está conspirando contra você. — Ele ri.
— Se fosse com quem? — Al pergunta irritado. Ele parece com... ciúmes? Não, com certeza não.
— Com ninguém! — digo alto. — E aposto que se ficassem só vocês dois — aponto para Will e Chris. — Não sairiam correndo.
Todos riem do que eu digo, ótimo. Assim mudamos de assunto para eu tentar esquecer aquilo que ouve mais cedo.
— Ah, pessoal. — Uriah diz chamando a atenção de todos. — Minha mãe vai viajar, então eu e Zeke vamos dar uma festa no sábado, vocês estão convidados. Zeke e Max também irão levar mais pessoas.
— Festa, Uriah? — pergunto. — Tenho pena de vocês se ela ficar sabendo...
— Relaxa, benzinho. — diz apertando meu nariz. — Ela não vai saber.
— Nós vamos. — Christina fala apontando para ela e Will.
— Eu também vou — diz Al.
Todos olham para mim, esperando minha resposta.
— Bom, eu estou na casa da Chris. — Falo sorrindo. — Então eu vou.
— Isso aí! — Uriah comemora e nós rimos.
+++
Depois do intervalo, temos duas aulas de filosofia, eu pensei em vários modos de evitar Tobias, como por exemplo, mentir que estava me sentindo mal e ir para casa mais cedo ou ficar escondida no banheiro, mas de todo jeito eu não conseguiria escapar dos meus amigos, principalmente de Chris, que está me lançando olhares o tempo todo, do tipo "Eu sei que aconteceu algo, em casa você não me escapa!"
Tobias está parado na porta da sala, então entram somente um aluno de cada vez, ele analisa todos, que droga!
Primeiro passam; Al, Uriah, Will e Chris, que me lançou um olhar por cima do ombro, ela sabia que tinha algo errado.
Enquanto me aproximava da porta fazia o possível para olhar somente para minhas mãos, ou meus pés, qualquer outra coisa, desde que não fosse ele.
Quando estou prestes a entrar na sala sinto um impacto em meu braço, ele é tão grande que eu caio no chão.
— Droga — o garoto diz. — Você está bem?
— Acho que sim.
Seguro em sua mão que estava estendida para me levantar.
Encaro o garoto, ele está todo vestido de preto, deve ser do terceiro ano, eu nunca o vi. Alto, com pele clara e olhos verdes.
Muito bonito ele me analisa de cima a baixo e sinto que estou corando.
— Que bom. — diz com um sorriso que vai de orelha a orelha. — Sou Robert e você?
— Tris. — digo sorrindo e vejo que quase todo mundo já entrou.
— Tris. — repete meu nome sem deixar de sorrir. — É melhor olhar por onde anda.
— É. — concordo sorrindo. — Eu tenho que ir.
— Eu também.
— Até... depois.
— Tchau. — diz me dando um beijo na bochecha. — Tris.
Dou um risinho fraco enquanto ele se vai, me viro então para entrar na sala, eu sou a última.
Tobias está me encarando, está com a expressão serena, mas suas mãos estão em punho, eu passo por ele sem o olhar e sinto um arrepio quando fala:
— Quanta intimidade. — sussurra e bufa.
Ah, mas quem ele pensa que é? Eu juro que não entendo este cara. Ele me rejeita e depois fica preocupado se eu tenho intimidade ou não com um garoto.
Sento-me ao lado de Peter com tanta raiva que até deixo meu estojo cair, e num ato que me deixa extremamente surpresa, ele o pega para mim.
— Por que está tão irritada, Careta? — Pergunta rindo.
— Isso não é da sua conta, Peter!
— Tudo bem. — ele diz sem deixar de sorrir.
— Atenção, turma. — Tobias diz alto. — Como eu estou de bom humor hoje, e sou um ótimo professor. — diz sorrindo e todo mundo ri. — Vocês podem escolher as suas duplas de hoje.
Ele está de bom humor? Legal, eu não.
Só que estou surpresa, ainda bem que não sentarei com Peter. Christina grita meu nome lá da frente, ela senta no nosso antigo lugar com Will, mas este já está sentado com Uriah.
— Vai logo. — Peter diz impaciente. — Molly quer sentar aqui.
Pego minhas coisas e saio sem olha-lo. Sento-me ao lado de Chris que sorri abertamente.
— Eu adoro este professor. — Sussurra.
— Eu não, foi ele quem nos separou. — Digo lembrando-a.
— Ah, é mesmo. — Ri. — Estou doida para ir para casa, você tem muita coisa para me contar.
— Como? — Pergunto perplexa e ela ri.
— Como se eu não conhecesse você.
Tobias se apoia na mesa, aonde eu estive há poucas horas atrás, virado para nós ele diz:
— Estive analisando os trabalhos... e vocês me deixaram decepcionado.
Todo mudo ri, menos eu.
— Isso não é engraçado! — Diz Tobias, parece que ele acabou de ler meus pensamentos. — Razão e percepção, qual é o problema de vocês? — Pergunta zangado.
Olho para sua boca, que está em um perfeito biquinho, tenho vontade de morde-la. Mas o que é isso, Tris? Repreendo-me mentalmente.
— Eu ainda não sei. — Diz um garoto lá no fundo. — Mas o problema das meninas, principalmente as que sentam na frente, é ficar olhando para sua bunda, professor.
Todos tentam conter o riso enquanto ele aponta o dedo de advertência na direção do malfeitor.
— Esse vai ser o seu dever de casa hoje!
Então ele voltou-se na minha direção, encarou-me e voltou para sua mesa.
+++
Quando já estamos na casa de Christina ela me faz um interrogatório, eu conto tudo, sem esconder nada. Ela ri e esperneia, ainda me chama de burra porque eu não agarrei Tobias e diz que sabe porque depois que ele conversou conosco em sala de aula, eu não olhei nenhuma vez para ele.
E assim foi durante o resto da semana, tivemos aula na terça, eu o ignorei. Na quarta, quinta e sexta não tivemos filosofia, foi melhor assim, porque eu também evitei-o nos corredores.
Hoje é sábado, queria tanto ficar em casa, só eu e Chris assistindo filmes, porque amanhã os pais dela chegam e eu vou para casa, infelizmente. Eu já tinha até esquecido dos meus pais.
Só que hoje tem festa, na casa dos Pedrad. Eu também não vi Zeke durante toda a semana e já estava com saudades.
Depois que contei do Zeke para a Christina, que ele sabia de todo pelo que eu já passei, ela passou a gostar ainda mais dele, disse até que ele era pegável, que safada.
Meus pensamentos são interrompidos com o toque do meu celular e quando olho o identificador de chamas dou um pulo de alegria.
— Caleb? — digo quando atendo o telefone. — Caleb, é você?
— Tris!— meu irmão grita do outro lado da linha. — Maninha, que saudade.
— Ah, eu não acredito que estou falando com você. — Quando digo isso, lágrimas escorrem dos meus olhos. — Estou com tanta saudade.
— Eu também. — diz soluçando e vejo que não é apenas eu que choro.
— Onde você está? Eu quero te ver.
— Estou viajando a trabalho, volto para Chicago no mês que vem.
— Eu quero ir para sua casa.
— Você sabe que não pode. — murmura. — Papai nos mataria se soubesse que levei você lá.
— Não me importo! — choro. — Mas esqueça, eu só quero te ver.
— Eu também. — diz. — Prometo que assim que chegar aí levo você ao shopping, ou para qualquer lugar que você queira ir.
— Ta bem, e se puder... Venha antes.
— Vou tentar, agora eu preciso desligar.
— O.k. — digo. — Eu te amo.
— Eu também amo você, Tris.
E depois desliga, mais lágrimas escorrem dos meus olhos. Eu queria tanto poder morar com meu irmão, eu nunca fui na casa dele, não entendo, mas meus pais nunca deixaram eu sequer saber onde ele morava, isso me deixa muito, muito chateada, mas eles não se importam.
— Era o Caleb? — Christina pergunta enquanto seca o cabelo.
— Ouvindo atrás da porta? Que feio! — Digo séria, fingindo repreende-la.
— Vai tomar o seu banho! — Ela ri e vou para o banheiro.
Tomo um longo banho, lavo meus cabelos com meu shampoo de morango, e depois passo creme hidratante em todo o corpo, também de morango. Depois seco os cabelos e faço alguns cachos nas pontas.
Demoro um longo tempo na escolha da roupa e sapato, por fim, Christina me faz uma maquiagem, depois coloco alguns acessórios e estou pronta.
— Nossa, você tá pegável. — Chris fala me elogiando.
— Você também. — Nós rimos.
+++
A casa dos Pedrad é como uma mansão, enorme. Tenho orgulho da mãe dos meninos, um dia sonho em me tornar igual a ela, depois que se separou do pai deles, ela quase não tinha aonde morar e agora...
Eu realmente admiro muito essa mulher.
— Uau! — Chris exclama surpresa, assim como eu.
Estamos paradas em frente a casa, junto com Al e Will.
— O que vocês estão fazendo ai fora? — Uriah pergunta. — Entrem!
Entramos na casa, que estava completamente lotada, ficava difícil até para se mexer lá dentro, luzes neon por todo o lugar, pessoas rindo, pessoas dançando, tudo muito animado.
Fomos conversando e rindo até o bar, onde Zeke nos esperava, ele cumprimentou todos me deixando por último, então me deu um abraço de tirar o folego.
— Já estava com saudade. — disse ainda me abraçando. — Me pergunto como aguentei ficar tanto tempo longe de você.
— Também estava. — digo sorrindo enquanto me afasto, penso no que Tobias disse, a palavra "namorado" ecoa na minha mente, eu não quero que Zeke confunda as coisas, mas ele segura minha mão e pergunta:
— Quer dançar?
— Hm... — digo procurando por alguma resposta. — Não parece uma boa ideia para mim, talvez depois.
Ele sorri e assente, continua segurando minha mão até Uriah nos afastar.
— Calma aí, garanhão. — diz rindo para Zeke. — Nós temos que receber os outros convidados, deixe isso para depois.
— Eu já volto. — Murmura Zeke em meu ouvido antes de desaparecer no meio das pessoas, juntamente com Uriah.
— Ele está tão na sua. — Chris diz sonhadora atrás de mim e dou um pulo de susto.
— O.k, você está louca.
— Acredite em mim. — Ri. — Eu vou com Will até a piscina, se importa?
— Claro que não, vai lá.
— Você pode ficar com Al. — Aponta para o banco, mas nem sinal dele. — Ops.
Nós rimos e ela vai se afastando, grudada em Will.
Fico sentada ali por alguns minutos, penso em beber, mas não é uma boa ideia, isso não deu certo da outra vez.
Meus ouvidos são preenchidos com a música Do I Wanna Know? do Arctic Monkeys, e cara, eu amo essa música.
Levanto, vou para a pista e começo a dançar.
A música ocupa minha mente e passo a me mover, tentando, dançar sensualmente, acho que consegui, afinal estou recebendo olhares masculinos na minha direção.
Continuo dançando no ritmo da música até que eu o vejo.
Tobias está no bar, com um copo na mão, ele olha fixamente na minha direção e eu me esforço ainda mais para dançar... bem.
Ele levanta de onde está e vem na minha direção, analiso seu rosto, os lábios entreabertos e os olhos escuros de... desejo.
Oh, meu Deus, diga-me que estou sonhando!
Tobias se junta a mim na dança, então espalmo minhas mãos sobre seu peito e começo a movimentar-me no ritmo da música. A mão de Tobias, que segurava minha cintura me puxou mais para perto de si e uma de suas pernas encaixou-se no meio das minhas.
Eu desejo provoca-lo.
Mexendo meu quadril de um lado para o outro eu desço o suficiente para que o interior das minhas coxas roçassem no joelho dele, então eu estremeço ao sentir sua excitação encostando em mim.
— Have you no idea that you're in deep? I've dreamt about you nearly every night this week... (Você não tem ideia de que é a minha obsessão? Sonhei com você quase todas as noites esta semana) — Canta com a voz rouca fazendo todos os meus pelos se eriçarem.
— Tobias... — murmuro quase inaudível me agarrando nos ombros dele.
Ele me dá um sorriso tão lindo e leva sua cabeça até a curva do meu pescoço.
— Tão cheirosa... — sussurra contra meu pescoço e volta a cantar. — Baby we both know. That the nights were mainly made for saying things That you can't say tomorrow day (Amor, nós dois sabemos. Que as noites foram feitas especialmente para dizer coisas Que não se pode dizer no dia seguinte.).
Me afasto um pouco, só para lhe encarar, seu rosto estava a centímetros do meu e seu hálito de menta invadiu minhas narinas, tão bom que cheguei a ficar tonta.
Encaro-o e vou aproximando ainda mais nossos rostos, muito lentamente e ele aperta ainda mais a minha cintura, com a outra mão ele faz carinho na minha bochecha e fecho os olhos.
Vai ser agora...
— Tris! — Alguém grita.
É, eu estava enganada.
Penso em puxar Tobias dali e sair dessa maldita festa com ele, mas isso será impossível.
— Finalmente eu te achei! — grita Uriah se aproximando de nós. — Oh, desculpe se eu atrapalhei algo, eu...
— Não. — Tobias interrompe-o se afastando de mim e eu me sinto fazia agora, falta algo, falta ele. — Você não atrapalhou nada. — Ele diz ríspido e se afasta, levanto minha cabeça para tentar vê-lo enquanto ele se mistura no meio da multidão.
— Será que não atrapalhei mesmo? — Uri pergunta coçando a nuca, todo envergonhado e ao mesmo tempo com uma expressão preocupada.
— Não. — sorrio para tentar convence-lo, não sei se deu certo. — O que houve?
— Eu estou preocupado com Zeke. — desabafa. — Ele encontrou com um cara nos fundos e saiu junto com ele, quase que o esmurrando.
Depois do que Uriah diz, eu me sinto preocupada, mas também irritada, ele atrapalhou o meu momento, não é justo.
— Não fique. — digo tentando tranquiliza-lo. — Daqui a pouco ele volta.
— Tomara.
— Aonde você está indo? — pergunto quando ele me vira as costas.
— Atrás de uma gata, oras. — Suspiro irritada.
Estou sozinha de novo.
Saio andando pela casa, não estou mais afim de dançar, eu quero encontrar Tobias.
Depois de quase meia hora eu decido de tentar acha-lo e sento-me em alguns dos pufs que ficam perto da pista de dança.
A última vez que vi Chris ela estava se pegando com Will no jardim. Não vi mais Uriah, nem Zeke e nem Al. Decido ir embora daqui, ficar sentada olhando para o nada não é legal.
Quando me levanto para ir embora, vejo Tobias, ele está junto com uns caras no bar, sentado no mesmo lugar, rindo e bebendo, mais e mais.
Para chegar até a saída eu preciso passar ali, então não há outro jeito. Caminho para lá, afim de passar despercebida, mas ele me chama:
— Ei, Tris. — Ele fala rindo.
— Tobias, você está bem? — Aproximo-me preocupada.
— É claro que estou. — disse com a voz entrecortada, ele bebeu demais. — Você é linda, sabia?
— Não, você não está. — Tiro o copo da sua mão, nele tinha um líquido azul escuro, e não quero nem imaginar quantos desse ele bebeu.
— Me devolve isso. — ele se levanta e vem na minha direção tentando me tomar o copo, mas não deixo.
— Não vai apresentar a gata, Eaton? — perguntou um dos caras com quem ele bebia, este tinha o cabelo raspado e várias argolas na sobrancelha e orelha.
— Cale a boca, Gabe. — Tobias rosna na sua direção. — Deixe-a em paz.
Gabe e os outros riem e continuam bebendo mais e mais, Tobias está louco
para se juntar a eles, mas não posso deixar que isso aconteça. Então eu o arrasto para um canto, aonde estão os pufs e o coloco, com muito esforço, sentado em um deles.
— Espere aqui, eu já volto. — Digo e não o deixo protestar, não me preocupo, bêbado como ele está não vai conseguir mover um músculo sequer, não sozinho.
Encontro Will e Christina no jardim, eles estão no mesmo lugar, bebem alguma coisa e trocam carícias.
— Chris, eu preciso do seu carro.
— Você já vai? — pergunta. — Fica mais um pouco...
— Eu preciso resolver algo. É importante. — digo, estou ficando impaciente. — Por favor.
— Tudo bem... — disse me entregando as chaves.
— Chris vai dormir lá em casa hoje. — Will diz.
— Tudo bem, não me importo de ficar sozinha. — mas eu nem sei se ficarei mesmo...
Christina me olha desconfiada, mas depois me lança um sorriso cúmplice, que eu retribuo.
— Vamos embora. — digo puxando Tobias quando já estou de volta.
— O.k.
— Eu preciso que você me ajude, Tobias.
— Eu estou tonto, Beatrice. — Reclama. — O que você quer que eu faça?
— Eu quero que você levante — digo irritada. — Ou você quer que eu te carregue?
— Não seria uma má ideia. — diz dando uma piscadela.
Gabe, mesmo bêbado e depois de muita insistência, me ajuda a colocar Tobias no carro, eu pensava em leva-lo até a sua casa, mas ele pegou no sono assim que entrou no carro, eu não acredito nisso.
Quando alguém pensaria que eu, Beatrice Prior, teria que cuidar do meu professor de filosofia, Tobias Eaton, bêbado.
Depois de acordar Tobias e subir as escadas da casa de Chris arrastando-o no chão, finalmente consigo o colocar na confortável cama no quarto de hóspedes.
Ele é como um garotinho mimado, não deixa de reclamar nem por um segundo, isso me irrita, mas também me deixa com um sorriso bobo no rosto.
Onde estou com a cabeça? Mas o pior é que não sei o que faço agora.
— O que eu posso fazer por você, Tobias? — Pergunto aflita.
— Só fique comigo. — Disse com a voz levemente rouca, no mesmo instante meu corpo reage e fico toda arrepiada.
— Tudo bem — sorrio docemente para ele. — Vou pegar um remédio para você, não durma.
Na cozinha pego dois comprimidos para dor e um copo de suco, acho que isso serve.
— Toma isto, você vai se sentir melhor. — digo entregando os comprimidos e o suco para Tobias.
— Ta bom — ele joga os comprimidos em sua boca e logo depois toma o suco. — Tris?
— O que foi, Tobias? — indago preocupada. — Você está bem?
— Estou. — Disse com um enorme sorriso. Eu me derreto. — Por que está cuidando de mim?
— Eu... — digo enquanto tento encontrar uma resposta decente, sem sucesso. — Ah, Tobias...
— Por que, Tris? — Insiste ele.
— Porque você já fez isso por mim antes, só estou devolvendo o favor. — falo esperando que a minha mentira seja convincente o bastante.
Ele assente e se ajeita na cama, sem me olhar. Preparo-me para sair do quarto quando ele me chama:
— Você pode ficar aqui, comigo? — Então ele acrescenta. — Não quero ficar sozinho.
Fico nervosa com seu pedido, minhas pernas tremem, elas estão como uma gelatina, parece que todo o ar que existia nos meus pulmões foi sugado, meu coração parece que a qualquer momento, irá saltar para fora do peito.
Céus, o que eu faço?
Sorrio para ele, balançando minha cabeça afirmativamente, e depois de dizer que voltava já, tive o tempo de por o meu pijama e deitar-me ao seu lado.
Tobias se acomoda na cama, vira-se para mim, então ficamos nos olhando, sem desviar o olhar um segundo sequer. Um fio teimoso do meu cabelo cai sobre o meu rosto, mas ele o tira e acaricia minha bochecha, antes de apagar completamente. Fico olhando-o durante alguns minutos e penso que isso é errado, tudo está errado, mas eu não me importo, e pouco tempo depois, eu adormeço.
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