Explosions
13 Almost...
Notas iniciais
No outro dia, acordo e olho ao redor, Tobias não está mais na cama. Será que ele já foi embora? Espero que não.
Levanto da cama sem me preocupar em trocar de roupa ou escovar os dentes, então desço as escadas correndo a procura dele.
Na sala, nada. Vou em disparada para a cozinha e chegando lá tomo um grande susto.
Tobias está de costas, sem camisa, ele só usa sua calça jeans, se vira para mim e diz:
— Você me assustou — ele dá um risinho. — Bom dia.
Dou um longo suspiro antes de abrir um largo sorriso.
— Bom dia — me aproximo para ver o que ele faz. — Achei que já tivesse ido embora.
— Não sem antes preparar algo para você comer. — ele aponta para a mesa. — É algo para eu agradecer por ontem.
Tobias preparou café, suco, torradas e um sanduíche natural. Quando olho-o novamente, vejo que está me olhando de cima a baixo. Meu rosto deve estar em cinquenta tons de vermelho, ontem quando ele pediu que eu ficasse com ele, fui até o quarto de Chris trocar de roupa, nem tinha me dado conta do pijama ultra curto que estou usando, até agora.
— Esta aqui não é a sua casa...
— Não, é a casa da Christina.
— E porque estamos aqui? — Indaga curioso.
— É que os pais dela foram viajar, e ela quis que eu ficasse aqui com ela, meus pais deixaram, então...
— Legal. — disse e então perguntou — Ela está em casa?
— Oh, não. — Digo rápido. — Chris está na casa do Will, eles estão, sabe, namorando.
— Hum... — Murmura e aponta novamente para a mesa. — Coma.
— E você, já comeu?
— Não, estou sem fome.
— O que? — Pergunto chocada. Ele me olha sem entender. — Como assim sem fome? Você bebeu muito ontem e não comeu nada.
— Pare de me repreender. — Ele resmunga. — Eu não quero.
— Não me importo — ralho. — Eu estou mandando!
Depois do que digo ele me olha como se estivesse indignado, depois ri.
— Calma, srta. Prior. — diz e logo depois acrescenta — Vou por a minha camiseta.
Não precisa, assim está ótimo. Era o que eu queria dizer, então assinto. Até porque seria desconcentrante tomar café com ele assim, mas se estivéssemos em outro lugar... Oh, mas o que é isso? Não posso pensar desse jeito.
Não posso!
— Hm, — Tobias começa a dizer depois que tomamos café. — Eu acho que já vou indo. — Ele já caminhava para fora da cozinha.
Arregalo os olhos, ele não pode. Como assim? Chris provavelmente não voltará para casa agora, apenas a noite. Eu não quero ficar sozinha, eu quero ficar com ele.
— Não, Tobias. Fique aqui, por favor — as palavras saem antes mesmo que eu possa impedi-las.
— Como é? — Se vira e me encara durante alguns segundos.
— Por favor... — suplico. — Eu não quero ficar sozinha, Chris vai voltar somente à noite.
— Eu não sei se é uma boa ideia, eu...
— Fique e poderemos falar sobre a matéria, sei lá. — arrependo-me no exato momento em que falei isso. Não só lembrei para mim mesma de que ele é professor, mas também lembrei para ele.
— Matéria... — repete mais para si mesmo do que para mim.
— Já sei! — exclamo alto. — Podemos assistir algum filme.
— Eu não sei se é uma boa ideia para mim, eu...
— Venha! — Interrompo-o e levo-o para sala. — Por favor, Tobias. — Suplico.
Estamos a centímetros um do outro, ele me olha fixamente e, mesmo me encarando, seus olhos parecem pensativos.
— Só se eu escolher o filme. — Depois de alguns segundos diz brincalhão.
— O.k. — falo sorridente. — Menos terror, eu morro de medo.
— Eu te protejo. — pisca e se joga no sofá. — Agora, faça a pipoca.
— Como você é folgado. — Resmungo indo para a cozinha, porém as palavras "eu te protejo" continuam em minha cabeça, me fazendo sorrir feito uma idiota, mas eu gosto assim.
Peguei refrigerantes, doces e fiz as pipocas, Tobias apenas escolheu um filme, de terror ainda por cima, aquele maldito.
Ele se acomodou na sala enquanto eu fui trocar de roupa, estava me sentindo nua com aquele pijama minusculo, então pus um short e uma camiseta confortável que estavam nas coisas que trouxe para ficar com a Chris por alguns dias.
— Que demora! — Resmunga Tobias quando sento ao seu lado.
— Fique quieto — digo e logo depois acrescento — E dê o play antes que eu desista.
# Escutem essa música #
Ele sorri e assente, o fucking filme era "Invocação do Mal" e ainda era baseado em fatos reais, estou praticamente me cagando de medo e o desgraçado do meu professor de filosofia fica o tempo todo rindo da minha cara.
Estava até prestando atenção quando aquele fucking boneco começa a virar a cabeça, eu começo a gritar e num ato impensado me jogo nos braços de Tobias, no começo ele fica parado, então logo depois me envolve em seus braços.
Ele sussurra coisas em meu ouvido, mas eu não presto atenção em nenhuma delas, de repente eu já não sinto medo daquele filme idiota, eu tenho medo é dessa nossa aproximação, agora eu estou sóbria e ele também.
E eu já não me importo que ele seja mais velho que eu, não me importo que ele seja meu professor, tudo o que eu mais quero agora é ficar com ele, experimentar a sensação de como é tocar em seus lindos lábios que agora estão entreabertos.
Eu me separo alguns centímetros dele só para lhe encarar, então sem me dar conta de minhas ações, eu o puxo para mim e grudo meus lábios nos seus, agora nada mais importa, se eu for me arrepender que possa ser mais tarde.
Seus lábios eram firmes e quentes.
Eu podia sentir a nossa resistência passiva se esvaindo conforme a batalha das nossas línguas se intensificavam.
Seu hálito doce, suave e profundo.
Uma de suas mãos se moveu para a minha nuca e a outra agarrou minha cintura com força, me trazendo cada vez mais para ele. Minhas mãos ao redor de seu pescoço indicavam que eu não queria soltá-lo.
Nos separamos por falta de ar, então ele me encarou com seus lindos escuros e tranquilos, estendeu as mãos quentes e firmes sob meus cabelos e prendeu um fio teimoso atrás da minha orelha.
— Eu não posso fazer isso. — Tobias diz.
— É claro que você pode. Pare de pensar no que os outros vão pensar, no que eles vão dizer, como eles vão reagir. Nada disso importa, pense um pouco em você. O que você quer agora? O que você está sentindo?
Tobias tomou meu rosto em suas mãos e foi como se uma grande explosão tivesse acontecido dentro de mim, meu coração acelerado, como o bater de asas de um pássaro só demonstrava o quanto eu estava nervosa, mas eu não queria parar.
— Eu estou sentindo uma culpa enorme, por todo esse tempo, eu estou tentando fugir de você. Evitar você, te afastar, e depois quando eu preciso, você está perto. E a verdade é que eu não posso evitar o que eu estou sentindo. — Ele diz depois de um longo e sôfrego suspiro. — Eu não posso evitar amar você.
Eu não queria mesmo parar.
Sentei-me em seu colo sem me importar com os protestos que ele sussurrava, pois eu sei, eu tenho certeza de que ele quer o mesmo que eu.
Grudei nossos lábios novamente, um beijo voraz, uma batalha sem fim, que talvez acabasse só quando estivéssemos sem os tecidos que nos separavam de nos tornarmos completos.
Ele apertava minha cintura fortemente, enquanto eu tentava — inutilmente — tirar a sua camisa, minhas pernas estavam feito gelatinas, mas eu disse para mim mesma que aquela não seria a hora de parar, eu não queria ser uma covarde agora, porque eu sabia que precisava daquilo.
Eu o amo e ele também me ama.
Nada mais importa.
Eu quero mais, eu quero muito mais.
— Tris, pare. — Ele diz e afasta seu rosto para longe do meu. — Não agora, não assim.
— Por favor. — Abaixo a cabeça e suplico baixinho.
— Não, — ele suspira e me tira de seu colo. — Agora não.
Sinto o olhar de Tobias queimar sobre mim, mas eu não me atrevo a olha-lo, me sinto frustrada, me sinto rejeitada.
— Eu já vou indo.
Aquilo me pega de surpresa, eu não quero ficar sozinha. Mas o que eu esperava? Que depois disso tudo ele ficasse aqui, assistindo filme e comendo pipoca? Eu sou uma tola.
Olho-o com a minha melhor cara de desapontamento, ele se inclina e me da um longo selinho.
— Até amanhã. — diz enquanto sai pela porta.
E outra vez eu fico sozinha.
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