Explosions

9 Headache and regrets


Notas iniciais
Oi pessoal *u* Obrigada pelos reviews ♥

B E A T R I C E P R I O R

Acordo com alguém pulando em cima de mim e reprimo um gritinho de dor, meu corpo, minha cabeça, meus olhos, tudo pesa.

Tenho a sensação de que estou sendo esmagada por um elefante, abro os olhos e me deparo com uma Christina sorridente em cima de mim.

— Saia de cima de mim! — peço e sento na cama sentindo meu estômago se revirar.

— Calminha, Tris. — ela levanta, vai até o criado mudo e pega um copo de água com dois comprimidos. — Eu peguei isso lá na cozinha, tome e vai se sentir melhor.

— Ah, não. — resmungo com cara de nojo. — Você sabe que não gosto de remédios.

— Toma essa merda, Beatrice.— diz me entregando o copo. — Agora! — ordena e eu tomo de cara feia.

— Como você consegue?

— Consigo o que?

— Isso. — aponto para ela. — Você bebeu muito mais que eu e agora já está ai, como se fosse a coisa mais normal do mundo, e eu vim embora primeiro, eu... — paro de falar e a encaro com raiva.

Isso mesmo, eu vim embora primeiro, ela ficou e nem se deu o trabalho de me procurar, ou me ligar, eu podia estar morta e o meu corpo boiando no lago Michigan ou coisa pior.

Levanto da cama muito rápido e sinto minha cabeça latejar, mas eu não me importo.

— Você! — grito. — Me incentivou a beber para depois me deixar sozinha naquela merda, eu vomitei em uma garota, eu estava bêbada, eu não estava raciocinando direito. — me aproximo e aponto o dedo em sua cara. — Você não se preocupou nem em ir atrás de mim, eu poderia ter sido estuprada, ou poderia estar até morta se não fosse pelo...

— Tobias. — diz me interrompendo e arregalo os olhos. — Eu fiquei procurando você, e te liguei sim, você nem deve ter checado o celular. — riu sem humor. — Eu estava desesperada atrás de você, até ele chegar. — ela suspira. — Eu fui até ele, perguntei se ele tinha te visto, ele disse que tinha trazido você para casa, eu fiquei chocada e ele me disse que estava tudo bem, então eu acreditei.

Passo a mão pelos cabelos e volto para a cama com a respiração entrecortada. Ele voltou. Ele disse que iria para casa, ele mentiu.

Não sei porque estou assim, afinal de contas ele não tem que me dar satisfação de nada, nós não devemos ter nenhum tipo de relação fora da escola.

Mesmo assim sinto que levei um chute nas costas, eu queria muito que não fosse verdade.

— Qual é, Tris. — Christina resmunga. — Já são três horas da tarde, você não vai dormir de novo. — ela vai até a janela e abre as cortinas deixando o sol tomar conta do quarto.

— Espere lá em baixo. — digo e vou em direção ao banheiro. — Vou tomar um banho.

Enquanto a água escorre pelo meu corpo, fecho os olhos e tento me lembrar de tudo que aconteceu na noite passada.

Lembro de beber, de ir para a pista de dança, de encontrar Uriah e vomitar em Marlene, porque eu fui fazer aquilo? Essa garota deve me odiar mais que tudo agora.

Eu definitivamente faço tudo errado.

Continuo pensando e lembro de Tobias me segurar, sei que desmaiei, que depois ele me trouxe para casa, que tivemos uma pequena discussão e que ele me acompanhou até o portão, depois eu apaguei.

Só lembro disso.

Depois do banho, desço e encontro Christina na sala, estamos sozinhas, meus pais estão no trabalho.

Eu não sinto fome, então pegamos algumas porcarias para comer e vamos assistir a um filme, deito em um sofá e Christina em outro.

Não presto atenção no filme, fico pensando em Tobias, sei que devo ter dito alguma besteira a ele, ou alguma verdade que eu deveria guardar para mim.

Christina não me perguntou nada sobre ele, ela sabe que não quero falar sobre isso.

Fico perdida em pensamentos até que começo a lembrar de algumas coisas e reprimo um grito de susto.

Depois da pequena briga que tive com Tobias eu me sinto culpada, eu não deveria ter falado assim, porque se não fosse por ele eu ainda estaria lá, estaria jogada em um canto, desmaiada ou coisa pior, mas eu estou bêbada, não é mesmo?

Eu sou tão idiota.

Permanecemos calados e quando ele para o carro em frente a minha casa eu começo a chorar, ele se vira para mim, e eu tiro o sinto de segurança, subo no banco e me jogo em sua direção.

Ele me abraça e eu grudo nele cada vez mais.

— Me desculpe, Tobias. — digo sem me afastar. — E obrigada por ter me tirado de lá e ter me trazido para casa.

— Fique calma, Tris. — murmura em meu ouvindo, sem deixar de me soltar. — Eu faria tudo de novo, sem pensar duas vezes.

Fico tão feliz em escutar isso e me separo dele com um sorriso nos lábios, aproveito para me ajeitar em seu colo e passo meus braços por sua nuca.

Me sinto segura, mesmo que esteja meio grogue quero dizer o que sinto.

— Sabe. — digo sorrindo. — eu fico pensando em você desde que te conheci, e acho que... eu gosto de você. — sussurro.

— Christina! — grito me desesperando e ela me olha espantada. — Eu disse que gostava dele.

Sinto que posso desmaiar a qualquer momento, e pulo com o grito de Chris.

— Você fez o que, Beatrice Prior? — ela está apavorada assim como eu. — Você tem noção da merda que você fez e...

Christina é interrompida com o toque estridente de seu celular e faz um sinal com a mão para que eu espere e vai até a cozinha para atender.

Enquanto ela não volta eu penso o quanto sou idiota, porque eu fui dizer aquilo? Eu não admiti nem para mim mesma que gostava dele, mas eu acho que eu gosto, eu realmente gosto dele, isso é errado, eu não deveria e o pior de tudo é que ele não disse nada, foi como se ele não tivesse ouvido.

Mas o que eu pensava? Que ele, Tobias Eaton, um cara onze anos mais velho fosse sentir algo por mim? Uma adolescente, magra e feia que só faz merda na vida.

Eu não sei de nada.

Eu já tenho problemas o suficiente, um passado que me assombra quase todos os dias, marcas que nunca irão sarar, pais que não dão a mínima para mim, um irmão ausente e agora eu decido sentir algo pelo meu professor?

Que porcaria de vida.

Sinto o sofá afundar ao meu lado, Chris está com um olhar apreensivo e me abraça.

— Calma, vai ficar tudo bem. — diz enquanto passa as mãos pelo meu cabelo. — Eu tenho que te falar uma coisa, adivinha?

Nos afastamos e dou de ombros, ela se levanta do sofá e dá um gritinho animado.

— Hoje a noite nós vamos sair. — abro a boca para protestar e ela me interrompe. — Nem tente. É só um bar, nada de luzes neon e uma multidão de pessoas dançando, só uma música lenta e sem bebidas fortes. — ela me olha com seus olhos suplicantes e não consigo dizer não. — Ah, e eu tenho que te apresentar meu primo.

— Você tem um primo? — eu não sabia disso.

— Parece que sim. — ela ri. — O nome dele é Max. Ele vai levar um amigo dele, Zeke. Ele irá levar o irmão que eu não lembro o nome.

Sinto meu estômago ficar embrulhado e de repente me sinto nervosa. Eu vi Uriah na festa, mas não vi Zeke, achei que não o veria de novo, ele fora embora depois que descobriu sobre meu passado, há dois anos. Agora ele voltara e assim que eu o olha-se lembraria de tudo, como se fosse ontem, tenho certeza.

— Zeke? — pergunto. — O nome do amigo dele é Zeke, e ele tem um irmão, Uriah?

— É esse mesmo o nome dele. — ela diz surpresa. — Você os conhece? — pergunta e eu assinto.

— Zeke é amigo de Caleb. Ele estava na The Underground ontem, e Uriah também, eu vomitei na namorada dele.

Falo sobre Marlene para desviar do assunto.

— O que? — Chris arregala os olhos. — Como isso aconteceu?

Conto tudo para ela em meio a caretas e gargalhadas, ficamos conversando a tarde toda, e isso me fez esquecer um pouco do momento nada agradável de ontem a noite.

As 19:00 hrs, Christina e eu fomos no meu quarto escolher uma roupa para mim, ela disse que não precisava me arrumar tanto e que até um jeans surrado estava bom, já que não seria uma festa como a de ontem.

Peço autorização para meus pais e nós vamos para a casa de Chris, eu irei dormir lá hoje. Max irá nos levar, ela não falou nada sobre Will e nem Al, e eu não irei perguntar, então acho que eles não vão.

As 20:40 eu e Chris estamos prontas e esperamos seu primo na sala, quando o relógio marca 21:00 hrs, Chris recebe uma mensagem, ela tranca tudo e nós saímos e ao ver o Honda Civic preto estacionado na frente da casa eu congelo.

— Ei, Tris. — Chris estala os dedos na frente do meu rosto. — Vamos.

Ela sai andando, eu balanço a cabeça e a sigo.

Não existe só um Honda Civic no mundo, eu devo estar delirando também, afinal o carro do Tobias não é esse, talvez ele tenha me levado em casa no carro de um amigo, ou não.

Christina entra no banco da frente e cumprimenta o primo, eu entro no banco de trás e ele se vira para me dizer um oi.

— Você é a Tris, não é? — ele pergunta sorrindo e eu assinto. — Sou Max.

— Oi, Max. — digo sorrindo.

Christina liga o rádio em uma estação qualquer, nós vamos conversando sobre qualquer coisa e rindo, adorei Max, ele é bastante divertido.

Chegamos ao bar, que chama-se M Lounge, Max disse que eles servem vinte e três sabores diferentes de gelo, incluindo hortelã, para dar um sabor extra em cada bebida.

De longe vejo que minhas suspeitas estavam corretas, Zeke e Uriah sentados em uma mesa, aguardando por nós. Quando Uriah me vê, a primeira coisa que faz é ficar espantado depois se levanta e vem até mim.

— Tris. — ele me abraça. — Me desculpe por ontem. — ele sussurra em meu ouvido.

— Eu é que devo pedir desculpas pela sua namorada. — falo baixinho enquanto nos dirigimos para a mesa e ele solta um risinho depois de dizer que estava tudo bem.

Zeke já está em pé, cumprimenta Max e Chris e me olha surpreso.

— Tris, é você?

— Não, é um E.T — faço uma careta para ele.

— Vem cá, sua peste. — ele ri e me puxa para seus braços fortes enquanto passo uma das minhas mãos sobre seu lindo cabelo castanho, ele é mais alto que eu, então desse jeito posso ouvir seu coração, está acelerado.

Ele sorri para mim, vejo em seus olhos que temos muito para conversar e depois nos sentamos.

Christina e Uriah engatam um papo animado enquanto nós esperamos a "Kitchen Table Experience", dez rodadas de álcool, que são intercaladas com pequenos pratos, eu disse que não queria beber nada, já me bastava a vergonha que passei ontem, mas Max pediu uma Gin Tônica para mim, o.k.

— Chris disse que vocês se conhecem desde quando tinham nove anos. — Max diz tentando puxar assunto. — Legal.

Sorri para ele e como Christina estava falando com Uriah; Eu, Zeke e Max começamos a conversar. Eles riam muito, pelo visto, a bebida já fazia efeito, até que o celular de Max começa a tocar.

— Alô. — ele atende no segundo toque sem olhar quem é.

Ele ficou ouvindo quem estava do outro lado da linha durante uns dez segundos, até que se virou para nós e disse:

— Garotas, eu preciso ir. — diz como quem se desculpava. — Vocês podem ir com Zeke e Uriah?

— Ah, tudo bem. — Chris diz. — Vai lá.

— Então tá, galera. — ele vira-se para mim sem desligar o telefone. — E Tris, foi muito bom conhecer você.

Sorrio para ele e quando estou prestes a levantar para dar-lhe um abraço de despedida, ele grita com a pessoa no telefone.

— O que? Não sei cara. — escuta e depois diz. — Eu já estou indo, Tobias. Acalme-se.

Notas finais
Comenteeeeeeem, pfvr! ♥