Explosions

5 Damn, Tobias


Notas iniciais
Olá pessoal. Hoje nós temos o ponto de vista do Tobias, demorei bastante para escreve-lo, pois é. Foi difícil para mim, ainda não me decidi se gostei ou não do capítulo e gostaria de saber a opinião de vocês. Ah. E obrigada pelos comentários, mesmo. ♥

T O B I A S E A T O N

Faz apenas um dia.

Um dia que eu comecei a trabalhar na Chicago High School. Um dia que esbarrei com uma pequena garota de cabelos loiros, minha aluna.

Completamente confusa. Completamente bonita.

Naquela manhã chego na escola mais cedo, me dirijo até a sala dos professores e tomo meu café, por fim, decido ir ao banheiro e a vejo.

Ela está sentada com seus amigos, rindo.

Me parece feliz. Sorrio.

Depois de voltar do banheiro, confiro meus horários hoje e meus primeiros períodos são com o segundo ano.

Quando o sinal toca, recolho minhas coisas e me dirijo até a sala 211E.

Chego calado e observo aluno por aluno, espero que não seja tão difícil lidar com eles. Sr. Sutherland me informou que eram a pior turma do colégio. Vejo todos voltarem suas atenções para mim. Algumas meninas me olham e me sinto um tanto desconfortável. Vejo ela sentada na segunda fila, ao lado de uma menina morena de cabelos curtos. Ainda não sei o seu nome, mas estou curioso para descobrir. Ela também me olha e desvio meu olhar rapidamente e os comprimento:

— Bom dia, segundo ano!

Poucos me respondem, não dou atenção, já estou acostumado com isso.

Largo calmamente minhas coisas em cima da mesa e me viro para meus alunos.

— Como a maioria de vocês já sabem, eu sou o novo professor de filosofia. Me chamo Tobias Eaton, tenho vinte e sete anos, alguns dizem que sou novo demais para ser professor e bem, eu não acho. — Digo sério. — Agora quero que cada um de vocês se apresente. Começando por você. — Aponto o dedo para uma garota que senta ao lado da porta. Todos se apresentam, presto atenção em alguns nomes, principalmente nos engraçadinhos: Peter, Molly e Drew. Suponho que eles irão me dar problemas, mas espero estar errado.

Faltam apenas duas alunas.

— Sou Christina Miller. Tenho dezesseis anos, alguns dizem que eu estou na idade certa para estar no segundo ano e bem, eu não acho. — A morena que senta ao lado dela diz sarcástica. — Se pudesse estaria longe daqui. Ah, e eu gostaria que estas aulas de filosofia não fossem tão tediosas com coisas desnecessárias, como por exemplo, estar aqui tendo que me apresentar perante a você e meus colegas que não querem saber nada sobre a minha vida.

Todos riem e percebo que Christina é o tipo de garota que se acha a esperta, a engraçada e que faz de tudo para chamar atenção, o tipo de garota que não aceita ser contrariada, ela quer me desafiar.

Não gosto disso.

Já lidei com vários adolescentes desde que me formei, dois anos atrás. Sempre exigi respeito dos meus alunos e agora não vai ser diferente.

— Muito engraçado, Christina. — Me aproximo da classe das duas e paro em frente a Christina e a encaro. — Mas se eu quisesse aguentar os espertinhos da sexta série, eu não estaria aqui. — Digo sério.

Observo que Christina engole em seco e me olha com os olhos arregalados, assim como o resto da turma que para de rir. Ótimo.

Volto para perto de minha mesa e olho para ela. Aponto o dedo na sua direção e digo:

— Você.

Olho-a e percebo que está nervosa, ela respira fundo e diz com toda a calma do mundo:

— Sou Beatrice Prior, tenho dezesseis anos.

Beatrice. Então esse é o nome dela. Um pouco difícil, grande demais, só que não irei o esquecer. Depois de a encarar, desvio o olhar e coço o queixo.

— Bom, vamos dar inicio a aula.

Observo todos pegarem seus materiais antes de dizer mais alguma coisa.

— Talvez não tenha passado pela cabeça de vocês o que realmente é filosofia, mas talvez vocês saibam. Alguém pode me dar um exemplo? — Peço.

— Uma chatice! — Exclamou um garoto no fundo da sala, Drew.

— A única matéria em que estou me dando mal! — Responde Christina.

— Engraçadinhos. Deixem-me explicar. — Suspiro. — Filosofia é uma palavra grega que significa "amor à sabedoria" e consiste no estudo de problemas fundamentais relacionados à existência, ao conhecimento, à verdade, aos valores morais e estéticos, à mente e à linguagem.

Percebo que todos prestam atenção e sorrio com isso.

— Agora, irei fazer algumas perguntas e quero que me respondam.

Olho primeiro para Molly e então digo:

— Prove que você existe.

— Eu estou aqui, você está me vendo oras. — Ela ri e eu balanço a cabeça em negativo.

Meus olhos percorrem a primeira fila e param nela.

— Você. — Beatrice arregala os olhos e me olha atenta. — Prove que você existe.

— Eu tenho consciência, penso. — Ela olha para suas mãos, vejo que está constrangida. — Além de pensar, posso usar os sentidos: tato, olfato, audição e visão.

Me aproximo e bato com o indicador na mesa a minha frente.

— Diga mais, Beatrice.

— Se possuo a capacidade mental de pensar, sobre minha existência isso apenas prova que sou racional e humana.

Ela é inteligente. Quero ouvir mais.

— Prove que você não está em um sonho.

— Eu estou raciocinando, diferente de quando estou dormindo, sonhando.

Ela levanta a cabeça e fixo meu olhar no dela. Percebo que está corada. Gosto disso.

— Vamos, diga mais.

— No sonho é um mundo ilimitado e imaginário já na vida real tudo sempre tem limites e consequências.

— Prove que você não é uma lembrança do passado.

— O passado não tem como ser mudado, já os seus planos para o futuro e o presente, podem. E muitas vezes devem ser mudados.

Reprimo um sorriso. Gosto de como ela responde.

— Prove que você não é um programa de computador, Beatrice.

Quero saber mais, muito mais. Saber disso e de outras coisas também. Saber sobre ela.

Beatrice olha para os lados, mas eu não desvio meu olhar.

— Um programa de computador é seguido de regras e sem capacidade para
escolhas, afinal ele só exerce funções que já existem em nossa vida, podemos optar e escolher sobre nossas decisões. — Ela responde sem me olhar. Me sinto incomodado com isso.

— Ótimo! Você é bastante esperta, Beatrice. — Digo e me afasto indo sentar em minha mesa.

Escuto cochichos e sei que ela e sua amiga estão conversando. Olho para as duas e tento reprimir uma careta, sem sucesso. Talvez eu deva trocar as duplas, já que eu falei com a srta. Matthews, não seria uma má ideia. Tento evitar conversas nas minhas aulas.

— Vejo que vocês mesmos escolhem suas duplas, não? — Pergunto e eles assentem. — Bom, eu já falei com a srta. Jeanine e ela permitiu que eu mudasse-os de lugar.

— O QUE? — Alguém praticamente grita. Esse alguém é Christina. — Você não pode fazer isso, nossas duplas são assim desde o ano passado. Você não pode!

Essa garota só pode estar de brincadeira, quem manda aqui sou eu. Esboço um sorriso.

— Posso fazer isso quando eu quiser e na hora que eu quiser. E se você for reprovada, vai ter que voltar para esse mesmo lugar e aguentar mais mudanças, srta. Miller.

Christina me olha com raiva. Quem ela pensa que é? Faço algumas anotações em minha agenda, criando um novo espelho de classe. Depois de um tempo olho para todos e anuncio as duplas.

Por último digo:

— Beatrice e Peter.

Olho para Beatrice e percebo que ela me encara incrédula, como se não acreditasse no que eu acabei de falar? Será que fiz algo errado?

Todos se ajeitam em suas duplas e a observo ir para o fundo da sala, ao lado de Peter.

— Escutem todos. — Digo aumentando meu tom de voz. — Quero que conheçam um pouco de seus novos parceiros. Uma lista com pelo menos cinco qualidades e cinco defeitos.

Olho na direção de Beatrice e vejo as mãos de Peter em uma de suas coxas. Encaro-o com raiva, quem ele pensa que é? Eu não suporto esse tipo de coisa em sala de aula... Ou simplesmente não suporto esse tipo de coisa com Beatrice? Oh, Tobias. Deixe de ser idiota, ela é sua aluna. Uma criança.

Beatrice da um tapa na mão de Peter e me sinto aliviado.

— Belas pernas careta. — Peter diz alto o suficiente para todo mundo ouvir. Para eu ouvir. Sinto minha mandíbula travada e uma raiva tomando conta de casa centímetro do meu corpo.

~ ~ ~

Depois do intervalo sou informado que a professora de matemática, Lauren não pode vir a escola hoje.

Sorrio. Lauren flertou comigo ontem. Ela é a professora mais bonita dessa escola, é solteira, tem cabelos escuros, é peituda... Lauren é gostosa. Só que nesse momento eu penso apenas na garota miúda de dezesseis anos que insiste em ocupar meus pensamentos... Mas o que... Meu Deus, Tobias, você é um tarado...– penso.

Eu poderia estar irritado por Jeanine ter me passado dois períodos a mais, só que eu vou dar aula para o segundo ano, vou dar aula para Beatrice. Isso me deixa contente.

Agora estou sentado em minha mesa, observo todos os alunos para me certificar de que todos estão fazendo a atividade. Pedi um texto sobre razão, existência e percepção.

Duas alunas me chamam, acho que estão tendo dificuldades, me levanto e vou até elas. Explico e vejo se estão fazendo corretamente. Estou perto de Peter e Tris, então consigo escutar uma parte da conversa.

— Então careta, — Peter diz e posso sentir um sorriso em sua voz. — você deve querer ser feia por pelo menos um dia, não é mesmo? Ser todos deve te deixar cansada.

E você afirma isso por que tem mais experiência, hm? Afinal, são dois anos a mais. — Beatrice diz e posso sentir um pouco de raiva em sua voz.

Pelo que ela disse eu constato que Peter é mais velho que ela.

— Você até que poderia ser engraçada, mas é um bebezinho. Aposto que compra suas calcinhas na área infantil... ou não. — Ele ri baixinho. — Me diga aonde você compra, careta?

Sinto vontade de ir até lá e enfiar meu punho na cara de Peter, esse garoto é um babaca. Tenho vontade de quebrar seus dentes. Talvez eu tenha me precipitado em deixar ele sentar com Beatrice, mas eu não imaginava que ele seria tão idiota assim.

— Você está bem longe de ser a pessoa para quem eu contaria isso, idiota. — Ela diz seca.

Não posso deixar Peter falar assim com ela, preciso fazer algo.

— Eu estou ficando louco ou estou ouvindo conversas ai no fundo? — Digo alto. — Vocês tem atividades para fazer, portanto, calem-se. — Por fim os encaro e ela abaixa a cabeça só que o garoto continua provocando-a.

— O que é isso? — Peter pergunta apontando para a parte inferior do seu pulso.

Beatrice puxa as mãos rapidamente e as enconde embaixo da classe.

— Marca de nascença. — Ela responde fria.

Esse garoto está passando dos limites. Ralho mais uma vez e vou me aproximando dos dois.

Já tentou suicídio, careta? — Ele pergunta com um sorriso idiota no rosto.

Beatrice me olha, ela vê que estou a olhando. Posso ver que ela está desconfortável com essa situação toda. Não posso deixar ele falar assim com ela. Decido abrir minha boca e repreender Peter ou até o mandar para a direção, mas ela junta suas coisas e o sinal bate.

Beatrice levanta e passa esbarrando em mim, tenho vontade de segura-la, mas não posso. E, por um segundo, vejo lágrimas escorrendo pelo seu rosto de menina assutada.

Ela sai correndo.

Sinto uma necessidade irracional de ir atrás dela. De conforta-la, de protege-la.

Meu sangue ferve, estou tenso.

― Peter? ― Eu chamo e o encaro ― Não suporto esse tipo de coisa na minha aula, então trate de não fazer brincadeiras na minha frente, se quiser fazer isso é melhor ir para o pátio, junto com os bebezinhos. ― eu disse ríspido.

Ele ouve atendo, abaixa a cabeça e sai da sala.

Guardo minhas coisas rapidamente esperando todos se retirarem.

Depois de trancar a sala sigo em direção ao estacionamento.

Não deixo de pensar em Beatrice. Será mesmo aquilo uma marca de nascença? Será que não é algo mais? Espero que não, pois não suporto a ideia de ela ter sofrido algum trauma, qualquer coisa que a levasse a auto-mutilação. Seria doloroso para mim.

Entro em meu Volvo V40 Cross Country branco e dirijo calmamente.

Moro um pouco longe da escola, então é necessário eu vir de carro, se pudesse iria a pé, mas é realmente longe.

Beatrice não abandona meus pensamentos nem por um segundo. Mas que merda está acontecendo comigo? O que essa garota tem? Ela é apenas uma menina magrela de dezesseis anos, praticamente uma criança. Mas ela está mexendo comigo, isso me afeta. Quero saber mais sobre ela, quero falar com ela. Quero protege-la.

Assim que passo pela primeira quadra depois da escola, eu a vejo.

Ela está sentada na calçada, com os braços em volta dos joelhos. Pelo movimento de seus ombros percebo que ela está chorando.

Não quero vê-la assim. Não posso vê-la assim.

Paro o carro e caminho calmamente até ela.

Beatrice está tão concentrada em seu choro que nem percebe minha presença, até eu tocar seu ombro.

― Professor Tobias. ― Ela levanta a cabeça assustada.

― O que você está fazendo no meio da rua, Beatrice? ― Pergunto enquanto ela limpa as lágrimas.

― Nada eu... ― Ela levanta e parece pensar enquanto passa a mão pelos cabelos. ― Eu preciso ir para casa.

― Vem, eu te levo. ― Passo a mão pela sua cintura e uma eletricidade intensa se espalha pelo meu corpo, ela também sentiu. Seu cheiro se espalha pela minha volta e inspiro profundamente, morangos.

― Não precisa, sério. ― Ela cora. ― Eu moro aqui perto, à umas duas quadras, posso ir a pé.

― Não. ― Digo firme. ― Eu levo você, faço questão. ― É impossível não sorrir para ela que me olha nos olhos. Ela me parece cheia de perguntas e eu desejo responder a todas elas.

― Tudo bem. ― Ela diz sussurrando enquanto a arrasto até o carro.

Depois de abrir a porta para ela entrar eu faço a volta e entro também. Começo a dirigir, muito lentamente. Quero passar o maior tempo possível ao lado dela.

― Por que estava chorando, Beatrice? ― Pergunto curioso.

Ela parece hesitar.

― Me chame de Tris... ― Ela suspira. ― Sabe, é complicado... ― Olho para suas mãos que estão em seu colo e vejo seus pulsos, eles tem mesmo marcas, mas não sei identificar qual foi o motivo delas.

― Eu gostaria de entender. ― Digo pensativo.

Se aquilo não era uma marca de nascença, poderia ser o que? Qual seria o motivo que a levaria se cortar? Eu queria tanto saber...

― Por que parou, professor? ― Ela pergunta. ― Eu ficaria bem, não precisava daquilo.

― Eu... ― Estou tenso. Nunca fiquei tão desconfortável ao lado de uma mulher como estou ao lado de Tris, isso era diferente. Era bom. ― Eu não sei. ― Respondo. ― Apenas não queria vê-la naquele estado.

Pelo canto do olho vejo que ela me olha.

― Bem. ― Posso sentir seu sorriso. ― Eu moro ali. ― Ela diz apontando para uma grande casa com um belo jardim na frente, sinto que já estive ali, mas não consigo me lembrar quando.

O sorriso em meu rosto some enquanto paro o carro. Beatrice solta o cinto e me olha.

― Obrigada pela carona, sr. Eaton. ― Ela se aproxima e agradece.

― Quando não estivermos na escola, me chame apenas de Tobias. ― Me viro para encara-la com um enorme sorriso e estendo meu braço até tocar a sua bochecha, sinto a mesma eletricidade ao acaricia-la.

De repente ela se inclina na minha direção, está prestes a fazer algo. Não sei o que, mas quero que ela continue. No mesmo instante ela parece se dar conta de algo e se afasta. Fico confuso, mais confuso do que já estava. Droga, eu a queria perto, muito perto.

― Me desculpe por isso, hm... ― Ela sorri. ― Tobias... ― Ela desce do carro e a acompanho com o olhar até ela estar perto da entrada de sua casa.

Ela se vira, joga o cabelo e grita:

― TCHAU! ― Tudo o que eu faço é sorrir e acenar.

Dou partida no carro em direção a minha casa. Mas que porra eu fui fazer? Ela é minha aluna, eu não posso. Por mais que eu queira e eu quero muito. Merda Tobias.

Estou no meu quarto, já é de madrugada. Não consegui dormir, talvez seja por que não paro de pensar em Tris. Eu sei que é errado, sei que eu não posso, mas ela mexe comigo, não sei o que fazer. Me sinto um idiota, me sinto perdido.

Que sentimentos são esses? Talvez eu deva me afastar. Talvez eu deva ignora-la.

Notas finais
Comenteeeeem seus lindos. pfvr!