Notas iniciais
Procuro sempre escrever de forma dinâmica, para envolver o leitor na história, como exemplo disso a quebra da quarta parede. Esse capítulo conta os pensamentos do jovem quanto as suas ideologias e início do seu pesadelo real. Como mencionado anteriormente, não tem o objetivo de expor ideais religiosos ou algum tipo de alienação, somente conta os pensamentos que passam na cabeça do personagem diariamente.

Vinte anos, ouvi em algum lugar que é uma idade complicada. Emprego, carreira, ensino superior, o que você vai ser quando crescer? Dinheiro é necessário. Mas não é só isso. Violência crescente por todo o país. O que fazer para proteger as pessoas que amo?

Sabe, há muitas coisas que diferenciam o ser humano dos animais “irracionais”, como a absurda capacidade de pré-conceituar algo. Certo momento, como entusiasta de insetos, vi um insetozinho no chão, achei interessante. Minha mãe perguntou por que eu estava fazendo aquilo e sem hesitar pisou-o até a morte. Perguntei o porquê disso, ela simplesmente respondeu que não sabia o que ele era, então...

Não é só com insetos não cara, é com tudo. Religião, cultura, modo de pensar. Humanos. Nunca vi espécie fazer mal a si próprio e a tudo que o envolve nessas proporções absurdas. Vejo o ser humano como, sobretudo, egoísta, diferenciando o egoísmo bom e o egoísmo mal. Pare para pensar, rapidinho. Você faz determinada coisa que julga ser boa porque te faz bem, não é verdade? Entretanto, há pessoas que praticam o mal por um mísero pedaço de papel (dinheiro), e até por menos que isso. E onde está Deus para proteger essas pessoas que precisam dele? Sinceramente, o que eu acho? Ele não consegue mais proteger a todos. O mal, atualmente, está com muito mais força que antes. Acho que um dia isso irá colapsar.

Como cristão, julgo os dez mandamentos como um só, e está totalmente relacionado à felicidade. Não roubarás, porque se roubares fará o próximo infeliz, e isso serve para as demais também. Estou falando muito sobre religião, eu sei, mas espero que não pare de ler só por causa disso.

YouTube. Cara, eu gosto do youtube. Espero que não seja propaganda ou coisa do tipo. Mas dá para aprender muita coisa lá e passar o tempo. Sou amedrontamente (nem sei se essa palavra existe) obcecado por Zumbis. Porque amedrontamente? Simples. Quando tinha 15 anos, assisti num só dia a primeira temporada completa de The Walking Dead. Nesse dia eu não dormi, além de passar um mês precisando da ajuda da minha mãe para dormir. E o curioso é que eu gosto, mesmo tendo medo. É um tipo de medo que eu não consigo dormir, ao fechar os olhos, tudo aquilo vêm na minha cabeça, mortos que consomem carne humana cara, que coisa. Enfim, fiquei sabendo que o Pentágono tem planos anti-zumbis, loucura. E um desses planos conta como ameaça zumbi derivada da magia negra, onde indivíduos ateus seriam mais propensos à contaminação, ou coisa do tipo. Para completar, um filósofo que previu algumas coisas, dependentes da interpretação das suas palavras, o Nostradamus, tem no seu livro uma previsão em específico, que diz mais ou menos que chegará um momento o inferno não irá suportar mais almas errantes e os mortos se levantarão das tumbas. Meu irmão, imagina só quando li isso a primeira vez. Enfim, esses pensamentos entram na minha cabeça todos os dias.

Primeiro dia. Acordei cerca de 9h00 da manhã. Casa vazia, moro com meus pais, mas eles só chegam no período da noite. Estranhamente, tudo está muito quieto e silencioso. Pego minha caixinha de som, boto minhas músicas para acordar e cozinhar, nada alto demais, se quiser pode ouvir uma música que eu gosto durante os próximos trechos da narrativa, mas é metal pesado (Slipknot – Sulfur). Chego à cozinha, tem um balcão negro, perto do fogão e da geladeira, onde costumo usar para comer, invés da mesa. Frito três ovos, pego um prato branco de plástico, com fundo queimado por fogo de fogão mesmo, quando liguei errado algum dia com o prato em cima. Botei bolachas (ou seria biscoitos? Você que sabe) para comer com os ovos. Quase terminando a refeição, quando ouço gritos. Eram gritos femininos, pela voz, possivelmente a vizinha da esquerda. Ando rapidamente passando pela cozinha, sala, abro a porta deslizante de madeira e abro a porta gradeada tentando ouvir algo além dos gritos desesperadores da minha vizinha. Chego à última porta de madeira e pelo olho mágico tento ver o que estava acontecendo. Tentando ouvir algo, percebo um som diferente, eu ouço grunhidos.