Exorcistas: Cidade Das Trevas
2 Capítulo 1 - Luca
Notas iniciais

A noite caía e Luca só conseguia pensar no que havia lido no jornal mais cedo. As ruas de Pisa já não estavam com tanto movimento. Prostitutas se aproximavam do rapaz de forma maliciosa, ele apenas ignorava. Definitivamente precisava saber quem era aquela pessoa que o encarava. Sentiu uma aura familiar no ser.
Luca trabalhava como administrador em uma empresa conhecida na Itália, mas também exercia outra função, um pouco mais distante do que fazia: trabalhava como um exorcista do Vaticano. Obviamente poucas pessoas sabiam disso, ou melhor, quase ninguém de fora sabia, a não ser sua família que estava residindo no Brasil.
– Buona notte, bello uomo. – a prostituta se aproximava do rapaz, já segurando a mão do mesmo. – Que tal irmos para um lugar bem reservado? – prosseguia com um tom promíscuo.
Luca rapidamente soltou a mão da mulher, estava preocupado demais com as coisas que estavam acontecendo. Soltava um olhar raivoso para a mulher que tentava algo com ele e seguia seu caminho, dobrando na próxima avenida, a de seu prédio. Ele dá um encontrão com uma moça que viria correndo, derrubando todos os livros dela.
– Fai attenzione, stupido!– falava a moça em um tom estressadíssimo.
– Mi perdone, signorina, eu estou com bastante pressa. – Luca tinha bons modos devido ao seu segundo emprego.
Ele se abaixou para juntar os papéis da moça e notou que em uma das folhas, viu o brasão do Vaticano estampado, continuou juntando. Após terminar, pediu desculpas mais uma vez e voltou a se locomover.
Ao chegar à porta de casa, Luca notou que tinha algo errado. Quando saiu, tinha certeza que deixara a luz apagada e naquele momento estava acesa. Sua porta não tinha sinais de arrombamentos, porém, notou que havia sal espalhado. Alguém havia desfeito a linha que ele deixara ali, afinal, era um rapaz precavido e não queria qualquer coisa entrando no seu apartamento.
Luca abriu um pouco o seu sobretudo e puxou uma pistola .50 e retirou o pente da mesma, a pistola era prateada e tinha um símbolo do Vaticano em ouro estampada em sua armação. O pente estava bem carregado com balas que continham água benta em suas cabeças, logo recolocou o pente e puxou o slide para destravar.
A respiração do rapaz começara a ficar um pouco pesada, sempre dava um frio na barriga em encontros paranormais e esse seria um especial, pois, desta vez, ele estava sozinho. Luca girou a maçaneta de leve. A porta não estava trancada.
“Mas quem diabos entrou aqui? Apenas eu tenho a chave.” – pensava enquanto abria a porta devagar.
Enfim, empurrava a porta e apontava a arma para qualquer lugar, na esperança de achar algo.
– Ora, vejo que finalmente chegou. – levantava o rapaz, retirando seu chapéu.
– Você...quem é você? Por que está me seguindo? – Luca mantinha a pistola apontada para o sujeito.
– Ah, por que toda essa cortesia, meu bom rapaz? Que tal se acalmar? Sei que estamos do mesmo lado. – O misterioso rapaz abria o sobretudo, tirando uma carteira do bolso.
O português do desconhecido era impecável, ele certamente não era italiano. Luca teve certeza quando leu seu nome na sua carteira: “Ricardo Ferreira”. Em seguida, olhou para o logotipo estranho também estampado ali, escrito “Capital Paralela”.
– Eu vim em nome Cezar Vargas. Ele é o presidente da Capital Paralela, uma empresa que investiga casos paranormais em Belém, a cidade de sua família.
– Como sabe tanto sobre mim? O que você quer? – Luca falava numa entonação ameaçadora.
– Carminati, você está indo para uma missão no Pará. É bom que arrume suas coisas, tenho certeza que não quer ir sem nada pra lá, ou serei obrigado a levar você à força? – o rapaz guardava a carteira e pegava o telefone – Precisamos partir o quanto antes.
Enquanto o rapaz fazia uma ligação, Luca continuava perguntando-se o motivo de Ricardo estar ali, como sabia tanta coisa sobre ele? Pensou primeiramente em sua família, já que ela foi citada. Pensou em pegar o telefone e avisar sua mãe que estaria indo até sua cidade ou ver se estavam bem, se fosse o caso. Fazia tempo que não se falavam e ele realmente estava preocupado com o que havia lido no jornal.
– Tudo aconteceu depois daquela marca para Jesus. As merdas começaram á acontecer depois que o tal do Alan Sarraf se jogou do nada, acabando com o culto e deixando centenas de pessoas em desespero. – Ricardo ia em direção à janela, precisava de um cigarro. A viagem até a Itália havia sido cansativa.
– Se você sabe tudo sobre mim, tenho certeza que sabe sobre minha família. Como eles estão? – Luca já estava mais calmo. – E, o que você é? Um exorcista?
– Hum – o rapaz colocava o cigarro na boca, dava um trago e voltava a olhar para o jovem – Sua família está bem, até onde sei. O “Redes” me falou que eles estavam longe da onda de doença, que haviam viajado para outro estado. Quando chegar à Capital Paralela, você poderá fazer contato. Quanto à sua segunda pergunta, eu sou um Evocador.
Luca não gostava daquela palavra, tentava procurar qualquer coisa paranormal em sua casa, ainda olhava para Ricardo com desconfiança, sentia estar preparado para combater o rapaz, apesar de não entender bem a função de um “Evocador”.
– Me perdoe por seguir você, Carminati. Mais ainda por ter invadido sua casa, o Sr. Vargas me pediu que lhe levasse de imediato. Aliás, da próxima vez, tente usar algo melhor que sal para impedir a entrada de coisas estranhas em sua casa. – Ricardo soltava uma breve risada e jogava fora o cigarro – Eu estarei esperando por você lá fora. Não demore muito pra se arrumar, o Sr. Vargas é um pouco impaciente. O avião já está à nossa espera.
Ricardo retirava-se da casa de Luca e ia em direção a uma Ferrari preta que estava estacionada ali perto, pegava outro cigarro e o acendia. Luca permanecia surpreso, não é todo dia que alguém que parece ter uma importância gigantesca precisa de você, além do Papa, claro.
Dirigiu-se até o quarto e pegou uma mala, começou a colocar algumas roupas, estava feliz em saber que sua família estava longe de tudo aquilo. Também estava feliz por provavelmente poder ver eles enquanto estiver em Belém, estava ciente de que ficaria lá por um tempo. Pegou um susto ao ouvir seu celular tocando, era o padre Filippo.
– RAGAZZO! Está indo embora e sequer vai nos dar tchau? Não me lembro de vos ter ensinado isso. – falava o padre numa entonação de voz que mesclava a felicidade e a tristeza.
– Padre. Então todos já estão sabendo que vou embora?
– Sim, Alguém muito importante de uma empresa brasileira ligou para nós, Capital Paralela, eu acho. Eles parecem estar precisando de pessoas experientes e eu não hesitei em indicar um dos melhores exorcistas que já treinei. Obviamente, lembrei que sua família mora para onde você vai, então é uma oportunidade única para visitá-los.
– Grazie, Sr. Filippo. Pelo visto não teremos tempo para despedidas. Tenho certeza que logo nos encontraremos de novo, padre. – Luca parecia triste.
Ir embora do seu país do nada era algo estranho para ele. Tudo bem que ir fazer alguma missão em um país e voltar assim que acabasse era algo normal, mas tinha algo dessa vez que parecia não ter fim, Luca podia sentir isso.
– Ragazzo, tome cuidado com as coisas que você vai achar no Brasil, tenho certeza que aquele país está infestado por demônios, dê seu melhor lá e nos represente. A ordem de exorcistas rezará todos os dias para que você volte são e salvo para a Itália.
– Sei que um dia nos encontraremos de novo, padre. – Luca não tinha certeza do que estava falando – Logo poderemos tomar aquele vinho com todos, mais uma vez.
– Mio figlio, che Dio vi benedica. Boa viagem para você.
– Grazie ancora, padre.
Era hora de desligar o telefone e terminar de arrumar as coisas. Após guardar seus armamentos e roupas, Luca se aproximava da porta e olhava para o apartamento inteiro, soltava um sorriso.
– Arrivederci, Italia. – falava para si.
Notas finais
Buona notte, bello uomo - "Boa noite, belo homem"
Fai attenzione, stupido - "Preste atenção, idiota."
Mi perdone, signorina - Me perdoe, senhorita
Ragazzo - Garoto
Grazie - Obrigado
Mio figlio, che Dio vi benedica. - Meu filho, que Deus te abençoe
Grazie ancora - Obrigado mais uma vez
Arrivederci - Adeus
O próximo capítulo trará mais informações sobre a loirinha Jade, nossa 2° protagonista :D
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