Só quando estava no meio do trigal que Gina se deu conta de que ela deveria ter corrido PARA CASA, não para a plantação. Mas o baque do susto foi tão grande que ela nem pensou.

Os olhos azuis rasos de lágrimas de Ferdinando, com toda aquela raiva transparecendo, o que foi aquilo afinal? Ela nunca tinha visto o engenheiro daquele jeito, ele nunca havia gritado com ela, e quanto mais Gina pensava, mais sentia os olhos umedecerem.

– Giiiiina! – chamava Ferdinando no meio da plantação.

A jovem corria o mais que podia, e já nem sabia se estava correndo em círculos. Quando ela tentou dar a volta para encontrar a direção de casa, deu de encontro com o próprio Ferdinando!

Impossível evitar o tombo. Os dois corpos caíram um por cima do outro, Gina caíra de costas para o chão, com Ferdinando por cima, e apesar da posição ser tentadora, o rapaz se preocupou com o estado físico da moça.

– Gina, Gina, ocê tá bem?

– Aaaaaai, sai de cima d’eu!

– Ocê me discurpa, Gina, mas...

Ferdinando parou de falar. Estava escuro, mas Gina podia sentir aqueles olhos azuis lhe encarando, e a respiração ofegante do engenheiro agrônomo. Ai meu Deus, pensou a filha de Pedro Falcão. E não resistiu.

Enlaçou o pescoço de Ferdinando e o puxou para mais perto, dando-lhe o beijo que ele tanto desejava. Não roubado, dado; bem do jeito que Ferdinando queria. Ele sugou-lhe o lábio inferior, e depois abriu passagem com a língua, aprofundando a carícia. As mãos do rapaz alisavam o corpo da jovem, Céus, a sensação era tão boa! A união de sua boca com a dele a fazia estremecer por inteiro, e seu corpo buscava algo no dele, que ela, Gina, não imaginava o que era.

– Diz, Gina... – sussurrou Ferdinando, mordiscando de leve o lábio inferior da ruiva.

– Dizê o quê, Ferdinando? – perguntou a moça, sem fôlego.

– Ieu já lhe disse várias vezes que lhe amo, só quero lhe ouvir...

– Ieu lhe amo!

Gina falou isso rapidamente, quase se atropelando nas palavras. Ferdinando sorriu, finalmente, pensava, finalmente conseguira derrubar o enorme muro que Gina tinha ao seu redor, ele a amava e ela o amava, não havia felicidade maior.

Ele a beijou novamente, apaixonado. Enlaçou a cintura dela e deitou-se de costas para o chão, fazendo Gina ficar com o corpo por cima do dele, sem parar de beijá-la por sequer um segundo. Quanto tempo ficara imaginando como seria o beijo deles depois daquele dia na casa dela, quando a moça o chamara de “covardão”? Quanto tempo sonhara com o dia em que ela enfim se rendesse a ele, dando-lhe o beijo que ele tanto pedia? Ferdinando não queria parar, a boquinha de Gina era doce demais.

Não soube quanto tempo ficaram nessa situação, até que ouviram o tiro de uma espingarda.

– Mai que diabo que tá acontecendo aqui???