Existe Um Lugar
6 Parte 6
– Mai que diabo que tá acontecendo aqui??? – disse um raivoso Pedro Falcão com arma em punho, acompanhado de Juliana, Dona Tê e Viramundo.
– Mai Gina, dotô Ferdinando, que safadeza é essa??? – disse a mãe de Gina, chorosa.
Juliana estava com uma das mãos na boca tentando segurar o riso, enquanto Viramundo apertava os lábios, com a mesma finalidade.
– Os dois pode começá a se expricá agora memo!
Ferdinando e Gina se levantaram; estou morto, pensava o rapaz, mas pelo menos morro feliz. A ruiva estava pálida, e completamente envergonhada.
– Calma, amigo Pedro...
– CARMA NADA, SEU DOTÔZINHO. QUERO UMA EXPRICAÇÃO, E QUERO AGORA!
Ferdinando encarou os quatro rostos que lhe encaravam, dois esperando uma resposta e os outros dois visivelmente se divertindo com tudo aquilo. Olhou para Gina, a pobre com cara de quem queria se enterrar no primeiro buraco que encontrasse.
– Ieu amo sua filha, seu Pedro, e ela me mostrou inda agora que me ama também.
– Ara, – interrompeu Pedro, furioso – mostrô como?
– Com palavras e também... com ações. – ele virou-se para Gina, que o olhava mortificada. Ele podia adivinhar o que ela estava pensando: “O que ocê tá dizendo, Ferdinando?” – E como lhe tenho muito respeito, seu Pedro, ieu lhe peço que abaixe essa arma e ouça o que tenho a dizer a todos vocês.
Juliana e Viramundo continuavam calados, tentando de tudo para não rir e quebrar a seriedade da situação, que parecia se complicar.
– Minha fia o que ocê foi fazê? – disse dona Tê, chorando – Ocê se atracando com o dotô no meio da prantação?
– Foi um acidente, Dona Tê... – disse Ferdinando, com aquele jeito que assumia quando procurava contornar uma situação – Ieu apareci aqui na plantação d’ocês porque queria ver como que andava a colheita... e encontrei Gina sozinha. E como ocês já deve de tá sabendo, há tempos que a peço em casamento e ela sempre diz não, e hoje não foi diferente.
Ele se aproximava dos demais enquanto falava, seu Pedro ainda com a arma em punho. Ferdinando pôs a mão no queixo, pensando, tinha que escolher muito bem as palavras.
– Só que hoje ieu fui um pouquiiiiiiinho mais firme nas minhas palavras – e Ferdinando olhou de soslaio para Viramundo – e isso meio que chateou Gina, que correu pra plantação.
– Ieu devia ter corrido pra casa, pai, mai nem me dei cont...
– E é claro, – disse Ferdinando, interrompendo Gina – que quando vi que ela havia corrido pra plantação, fiquei com receio dela se perder, afinal já estava escurecendo, e fui atrás dela. Chamei o nome dela, várias vezes, e aí... nos encontramos. E de uma maneira que ieu descreveria como se tivesse sido atropelado por um touro, devo lhe dizê, que não acabaria de outra forma que não fosse no chão.
Seu Pedro abaixou a arma, desconfiado.
– Mai a Gina tava em cima d’ocê!
Ferdinando olhou de quina. E falou baixo, para Gina não ouvir:
– Melhor ela por cima d’eu do que ieu por cima dela, num é, seu Pedro?
O pai de Gina arregalou os olhos com tamanho atrevimento por parte do engenheiro.
– Quê que ocê tá dizendo, seu atrevido?
– Ara, o que ieu tô querendo lhe dizê, seu Pedro, dona Tê, é que finalmente vossa filha me disse que me ama. Aqui mesmo, inda agorinha. E ela se declarou pr’eu, e selamos nosso amor com um beijo!
– O QUÊ????
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