Existe Um Lugar
4 Parte 4
– Pruque ieu num gosto d’ocê, e num quero mais lhe ver! – disse Gina.
Ferdinando preferiria que Gina o tivesse golpeado com o facão, pois com certeza doeria menos. Não, aquilo não poderia ser verdade. A moça ali na sua frente, a mulher de sua vida, lhe recusando o coração. O bichinho do ciúme novamente despertou, crescendo e se espalhando como se fosse doença.
– Então ocê tá memo enrabichada pelo Viramundo! – explodiu.
– Craro que não, sô! Pru quê que eu haveria de tá?
– Porque a Milita me contou lá na venda do seu Giáco!
– E aquela uma sabe de arguma coisa da minha vida?
– Viramundo rompeu o compromisso que tinha com ela! E homem que é homem não rompe compromisso assim do nada! A pobrezinha da Milita tá lá na venda do pai dela, CHORANDO, dizendo que aquele um tá gostando d’ocê!
Disso ela não sabia, Gina tinha que reconhecer. E outra, ela nunca vira Ferdinando tão transtornado, ele parecia querer matar alguém com os olhos. O que era aquilo? Por que ele estava assim? Por que falava assim com ela? E de novo, ela falou a primeira coisa que veio à cabeça.
– Cê tá mais é besta de cair numa conversa dessa, Ferdinando!
– AAAARA, É POR QUE IEU LHE AMO, MULHER TEIMOSA DOS INFERNO! E TÔ QUE NUM ME AGUENTO DE CIÚME D’OCÊ COM AQUELE VIOLEIRO DISGRAÇADO!
E tal era a intensidade do olhar de Ferdinando, que Gina se assustou. E não teve dúvidas...
Virou as costas para Ferdinando e fugiu, correndo para o meio do trigal.
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