– Ocê tá gostando do Viramundo? – perguntou Ferdinando, temendo a resposta.

– Ara, e por que não haveria de tá? – respondeu Gina com outra pergunta. O engenheiro fechou os olhos, mortificado. Sentia as lágrimas subirem aos olhos, mas respirou fundo para tentar represá-las.

– Ele é uma boa pessoa, um bom amigo – continuou Gina – assim como a Juliana.

Ferdinando arregalou os olhos muito azuis, e depois sorriu largamente. Era de se esperar que Gina interpretasse sua pergunta de outra maneira. Uma onda de felicidade invadiu seu corpo, ele sentia o bichinho do ciúme acalentar-se em seu peito, anestesiado com a alegria.

– Ieu lhe amo, Gina. – disse por fim, próximo do ouvido dela.

A jovem continuava de costas para ele, tentando, em vão, acalmar seu coração, que batia disparado. E como sempre ela reagiu da única maneira que conseguia quando o engenheiro tocava no assunto.

– Deixa de sê besta, Ferdinando!

– Ara! – disse ele, impaciente, pegando nos braços dela e fazendo com que ela ficasse de frente pra ele – Ieu tô dizendo que lhe amo, Gina! Ieu fiquei ali, a tarde toda, debaixo daquela árvore, esperando seu pai e o violeiro disgraçado irem embora, só pra tá aqui c’ocê!

– Esperou porque não tinha que esperar! Ara! Dá licença!

– Não! – disse Ferdinando, segurando os braços da jovem – Não antes d’ocê me dá um beijo!

– Aaaaara, de novo essa história! Pois ieu num beijo, e nem quero lhe beijá!

– E por que não? Um beijinho, só, Gina!

– Não!

– Tá certo! Então me diga o porquê!

Ele soltou os braços de Gina e ficou ali, parado, na frente dela, esperando que ela falasse. A moça, por sua vez, suava frio de tão nervosa, e falou a primeira coisa que veio à sua mente.

– Pruque ieu num gosto d’ocê!