O casamento de Ferdinando e Gina foi um grande acontecimento em Vila Santa Fé. Nunca se viu tanta felicidade num único evento. Ferdinando era só sorrisos, e Gina estava linda de noiva. Padre Santo chegou a chorar no altar enquanto realizava o enlace dos noivos. A festa durou o dia inteiro, seu Pedro e o coronel Epaminondas chegaram a cantar juntos, matando dona Tê e Catarina de vergonha, já que estavam para lá de bêbados. Pituca, Serelepe e Tuim corriam para lá e para cá com as outras crianças, doutor Renato conversava com seu Giácomo, e Zelão observava Juliana de longe. Mas nenhuma outra pessoa se comparava em felicidade quanto os noivos.

No final da tarde, Ferdinando e Gina partiram para a Cidade das Antas. O presente de Catarina havia sido uma viagem até a capital, mas a noite de núpcias seria na casa que Epaminondas possuía na cidade. Ferdinando quase não se cabia de ansiedade, lembrava da ruiva seminua no quarto, e tentava controlar a excitação, não queria assustar a esposa. Gina, passada a euforia da festa, estava receosa. Juliana, a pedido de dona Tê, havia lhe explicado o que era o casamento, e uma sensação, quase um medo, tomou conta de seu coração.

– Mai é assim, que nem bicho?

– É, mais ou menos, Gina... – disse Juliana – A diferença é que há amor e muito carinho. E Ferdinando, com certeza, será muito carinhoso com você.

Gina vestiu a camisola, peça, aliás, que mais parecia emprestada de Juliana, já que mais mostrava do que escondia. Ela prendeu os cachos num coque, sentou na cama, e esperou o que parecia uma eternidade. E o coração dentro do seu peito batia descompassado quando ouviu a porta do quarto abrir.

– Gina... – disse Ferdinando.

A ruiva se manteve de costas para ele, o coração quase explodindo na caixa do peito. Ela não viu que o marido vestia apenas a calça do pijama, o torso desnudo... sentiu o lado da cama abaixar sob o peso do rapaz, e não pôde conter um suspiro.

– Ocê prendeu o cabelo, Gina... Ieu prefiro ele solto...

E delicadamente, Ferdinando desfez o penteado de Gina, os cachos ruivos caindo sobre suas costas como cascata. Os dedos do rapaz acariciaram os fios, como algumas vezes havia feito, nos dias em que tentava conquistá-la.

– Meu amor... minha Gina...

A jovem sentiu a pele arrepiar quando sentiu as mãos do marido afastando seus cabelos a fim de beijar sua nuca.

– Não tenha receio de nada, minha querida – sussurrava o rapaz em seu ouvido.

– Ferdinando...