– Pois entre, Ferdinando. – disse seu Pedro entrando em casa.

– NÃO!!! – gritaram dona Tê e Juliana ao mesmo tempo.

Juliana correu até a porta e empurrou seu Pedro porta afora, impedindo Ferdinando de entrar.

– Aaaara, mai o quê que é isso, Juliana?

– Isso memo, o quê que tá acontecendo?

– Gina não está... Apresentável, é isso!

Dona Tê correu com a filha da sala para o quarto, a ruiva mais do que contrariada.

– Aaaara, mai pruquê isso agora?

– Fica quieta, e anda logo! Vamo tirá esse vestido!

Do lado de fora, Juliana tentava acalmar os ânimos de seu Pedro.

– Perfessora, me exprique pruquê num posso entrá na minha própria casa! Ieu tô cum fome!

– Só espere um pouco, seu Pedro, até a Gina e a dona Tê saírem da sala!

Não demorou muito e a mãe de Gina aparecia à porta.

– Boa tarde, dotô Ferdinando.

– Boa... tarde, dona Tê. – cumprimentou o rapaz, cabreiro – Como vai a senhora?

– Como Deus qué, né, dotô...

– Ieu tô querendo saber pruquê que num pude entrá em casa!

– E ieu tô querendo vê a Gina, uma última vez antes do casamento...

– O sinhô terá que esperá um bocadinho, dotô, ela tá no quarto se arrumando...

E Pedro continuou a reclamar, dizendo que estava com fome. Todos entraram em casa, e Ferdinando percebeu o motivo de toda a bagunça: retalhos de tecido por tudo que era canto, a máquina de costura aberta, assim como vários carretéis de linha espalhados. Seu Pedro ficou encimesmado.

– Mai que bagunça toda é essa?

– Ara, pai, tava fazendo uns ajustes no vestido da Gina... O casamento já é amanhã!

– E é por isso que tô aqui, dona Tê. Queria ver Gina...

– Ela ainda tá lá em cima. – interrompeu a mulher de seu Pedro – Pru quê que o sinhô num vorta mais tarde?

– Hum... – murmurou Ferdinando, com olhar pensativo – Ela tá lá em cima?

– É.

– Se arrumando?

– É.

– Muito bem... – disse o rapaz, com um sorriso esperto – Acho que vou seguir seu conselho, dona Tê, inté.

Dona Tê e os demais olharam surpresos o rapaz caminhando em direção à saída. Quando Ferdinando bateu a porta, seu Pedro falou:

– E agora, onde que vamo armoçá?

– Ara, pai, craro que na cozinha!

E lá foram os Falcão e Juliana para a cozinha. Quando a sala estava completamente vazia, Ferdinando adentrou novamente. Ele sabia que a entrada da casa dos Falcão tinha um ponto cego, onde era fácil se esconder. E sorrindo subiu as escadas em direção ao quarto de Gina.