As horas se transformaram em dias, que se tornaram semanas, e durante todo esse tempo, dona Tê preparava o enxoval de Gina. Havia comprado os melhores tecidos das lojas da Cidade das Antas para fazer ela mesma o vestido de casamento da filha, e não teve um dia em que ela não transbordasse em felicidade e se afogasse em lágrimas toda vez que terminava uma parte da peça, tão contente estava de finalmente ver a sua cria desencalhando. Ou prestes a desencalhar.

– Ai que vai sê o vestido mai bonito da vila! – dizia, aos risos, parecendo que a noiva era ela mesma e não a filha.

Juliana observava tudo e não deixava de se surpreender com a
habilidade de dona Tê em costurar. A mãe de Gina havia pedido a ela, Juliana, e a algumas comadres,que fizesse flores de crochê para enfeitar a saia do vestido de noiva. A professora, no começo, temia pela Gina algum possível exagero, ou mesmo mau gosto, por parte da mãe; mas no fim, viu que a ideia de dona Tê para a peça era até condizente com a de muitas modistas da capital. O vestido estava lindo. A cara amarrada de Gina é que estragava tudo.

– Ai que ieu já posso descê desse negócio? – perguntava a ruiva de cinco em cinco minutos, do alto do tamborete.

– Ai, Gina! Dá pra melhorar essa cara? – reclamava a jovem de cabelo rosa.

– Mai é que tô cansada! Esse vestido que nunca fica pronto!

– Ara, Gina – dizia dona Tê – vestido de noiva é assim, tem que tá tudo perfeitinho, afinal só se casa na igreja uma vez!

A mãe de Gina pegou um lenço de dentro do bolso do avental. Começava a chorar outra vez.

– Ai, que eu num acreditando ainda que a minha Gina vai casá! Santo Antônio ouviu minhas prece!

– É, mas quem não ouviria sendo posto de cabeça pra baixo dentro do poço? – murmurou Juliana consigo.

– Como, Juliana?

– Nada não, dona Tê...

– Ai, ieu já posso descê?

Mal Gina disse isso, se ouviu alguém entrando sem bater na porta. Era seu Pedro.

– Pois entre, Ferdinando.