Ferdinando precisava, NECESSITAVA, manter o controle de suas ações. Ele tinha consciência disso, mas os lábios de Gina o faziam perder qualquer receio. As mãos dele estavam em toda parte do corpo da ruiva, ele queria, PRECISAVA sentir a pele dela. O rapaz sabia o quanto que o fogo queimava entre os dois, sabia que precisava parar, mas ele já havia encostado a moça na parede, desabotoado a blusa dela, e ela havia desatado a sua gravata e aberto seu colete. A língua dele percorria o pescoço da jovem, “que delícia” pensava ele, “mas preciso parar. Ah, meu Pai do Céu, ela só tá com uma camisetinha por debaixo da blusa!”

Ferdinando queria ousar mais, queria sentir os seios dela nas suas mãos, porém...

– Vamo pará aqui, Gina... – disse o rapaz, ofegante.

– Pru quê, Ferdinando? – retrucou a ruiva, também no mesmo estado.

– Pru quê num quero fazê isso até o dia do nosso casamento. Ocê tem que chegá na Igreja assim, inocente, pura, do jeito que lhe conheci.

– Tá certo... Ocê tá certo...

Gina falava isso, mas fechando os olhos, e Ferdinando sabia o que significava. Ele a beijou novamente, e tudo novamente pareceu parar. Ele sabia que seu Pedro iria demorar, e dona Tê e Juliana também, podia muito bem dar vazão ao desejo que o consumia há tanto tempo, e já que iriam se casar mesmo, por que não? E enquanto pensava em mil argumentos para continuar, flashbacks de todos os momentos vividos com Gina invadiram sua mente.

– Aaaara! – disse Ferdinando, levando uma das mãos àquela parte da calça. O aperto incomodava. – Vamo pará, Gina, pru quê isso aqui só casando!

– O que ocê tem, Ferdinando? – perguntou a moça, sem perceber nada.

– Ahhhnnn, num é nada, minha querida, apenas algo que acontece quando se tá perto de um fogo como esse que tem entre a gente, sabe?

– Não, num sei não!

– ÓTIMO. No dia do nosso casamento ocê vai entender, e vai entender bem demais! Agora dê licença, preciso urgentemente lavar meu rosto com uma água BEM fria!

E correu até o banheiro, onde se lavou. Respirou fundo várias vezes, e ficou ali por vários e longos minutos até o volume debaixo de suas calças diminuir. Se estivesse em casa, isso seria muito simples de resolver, mas na residência de Pedro Falcão isso não seria possível.

– Ferdinando, ocê tá bem memo? – disse Gina à porta, preocupada.

– Sim, sim, minha querida – respondeu o rapaz – Só tô dando um tempinho maior aqui pra me recompor, não quero que seus pais me vejam assim quando chegarem.

– Mai assim como?

– Digamos que seu pai não me perdoaria de jeito manera! É algo que é meio impossível, sabe, Gina, de esconder...

– Ara, que num tô entendendo é mai nada!

– ÓTIMO, AINDA BEM. Isso é algo que uma moça como ocê só fica sabendo na noite depois do casamento. Até lá, vamo tê que tomá mai cuidado, meu amor.

E ele ouviu os passos de Gina se afastando da porta do banheiro, e a voz dela resmungando alguma coisa que ele não entendeu. Quando só restou o silêncio, Ferdinando olhou o próprio reflexo no espelho e disse para si mesmo:

– Seu Pedro tem razão. Tem que ser no máximo até o fim do mês! Mai do que isso num vô aguentá!

E retornou à sala.