Gina acordou já com o dia claro. O dia anterior havia sido um alvoroço, com o pai e Ferdinando acertando os detalhes do noivado na sala de estar. Ela havia ficado fula da vida porque ninguém perguntara se ela QUERIA casar com o rapaz, e quando falou isso, Ferdinando arregalou os olhos, surpreso, enquanto que seu Pedro Falcão respondia, impaciente:

– E ocê ainda acha que tem de querê?! Vai casá sim senhora!

– E além do mais, Gina, – retrucou Ferdinando – dada a nossa situação, é a solução mais óbvia... De qualquer forma, ieu num quero fazer nada que ocê num queira, como já lhe disse naquele dia lá no MEU QUARTO.

Gina gelou quando Ferdinando disse isso enfatizando maliciosamente bem as duas últimas palavras. Os pais da jovem olharam questionadores para ela, e vendo nos olhos dela que o engenheiro estava falando a verdade, foram categóricos.

– Tem que casá o mais rápido possível, pai.

– No máximo até o fim do mês, mãe.

Pensando bem, lembrou Gina, não tinha mesmo jeito... Enquanto se beijavam no meio do trigal, ela sentia coisas que não sabia explicar, era uma mistura de alegria e ansiedade toda vez que os lábios e as mãos de Ferdinando a tocavam. Ela queria continuar com aquilo, só não imaginava como, e quando o rapaz se deitou no chão a colocando por cima, ela sentiu seu corpo queimar, nunca havia se sentido assim antes. Era como estar perto de uma fogueira, sem se importar o quão quente estava.

Levantou-se, foi até ao banheiro, arrumou-se. Já de volta ao quarto, mirou seu reflexo no espelho e não pôde evitar se sentir insegura – a futura senhora Ferdinando Napoleão. Gina Falcão Napoleão. Gina Napoleão. Não parecia certo, um homem estudado como ele casar com alguém que nem ela, da roça. Está certo, ela havia terminado o Grupo Escolar lá na Cidade das Antas, mas havia decidido que seu lugar era no sítio, lidando com a terra.

– Seria tão melhor se ele fosse que nem ieu... – suspirava Gina, triste – Ele é tão educado, elegante... Já ieu...

– Merece ser feliz tanto quanto ele! – respondeu uma voz amiga.

Juliana estava na porta, observando a jovem.