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25 Capítulo 25- Por sua causa


Junto do médico vieram os pais do Peter ferozes por noticias do filho.

-Então, médico, como está meu filho? — Perguntou a mãe ainda em estado de pânico.

-Vocês podem se acalmar, ele está bem! — Fez uma pausa, olhou a prancheta e continuou. — Depois de uma operação perigosa retiramos a bala da arma e ele está bem... Ele está pedindo para ver a Laura.

-Sou eu... — Sussurrei olhando ao redor vendo a raiva corroendo a mãe do Peter por não ter sido a pessoa chamado pelo Peter. — Mas pode deixa ela entrar, ela é a mãe, ele precisa do carinho materno. — Falei pensando no que seria melhor se fosse eu naquela maca de hospital.

A mãe dele ficou a me encarar procurando uma resposta para aquela minha atitude. Logo, ela entrou sem dizer nada. O pai dele me disse "Obrigado" assim que virei as costas para ir embora dar notícias aqueles em que a preocupação os consome.

Liguei para todos que eram próximos. O suspiro de tranquilidade era ouvido por todos onde a notícia chegava. Peter não tinha inimigos, ele queria ajudar e ver todos sorrindo. Eu não tenho um inimigo, mas as pessoas me têm como "vilã". Querendo ou não, eu deveria aceitar a ideia de ser a bruxa dos contos de fadas. Arruinar tudo, arruinar com todos, arruinar em todos os momentos mesmo sem intenção; mas pelo Peter eu vou tentar ser melhor.

Não haviam noticias da Sarah, seja lá para onde ela foi, não deixou rastros. A polícia já está a procura dela por todos os cantos dos Estados Unidos. O tiro não era para o Peter, era para mim. Novamente, coloquei a pessoa que amo na mira que não precisava. Machuquei sem querer aquele que eu amava estar dentro dos braços, feri aquele que em todos os momentos queria me ver sorrindo, e agora, eu o fiz sentir a dor que era para mim. A culpa é minha.

Fui para casa, para o único lugar onde não haveria destroços dessa ruína. Uma escapatória para a dor terrena, um mundo paralelo, a cama. Debaixo dos cobertores nada parecia me atingir, na verdade, eu parecia não existir. O mundo estava em completo ciclo, e eu estava fora de orbita. Estava sonhando com um mundo melhor. Quero dizer, um mundo com pessoas melhores.

Sinceramente, a dor foi dez vezes menor quando fui em quem a sentiu e não a Laura. Não sei se suportaria vê-la em uma maca sangrando e eu estando em pé do seu lado, inútil. Depois que voltei à plena consciência, eu queria vê-la; queria ter certeza da sua completa segurando e assim a da nossa filha. Ela não veio me ver, preferiu deixar a minha mãe entrar e ir embora. Fiquei a espera de alguém que não queria me ver? Mesmo depois de tudo o que eu fiz e estava disposto a fazer pelo que sentia por ela. Não queria ver minha mãe, queria ver a pessoa que sofria um risco de vida, um risco que eu me sacrifiquei para extermina-lo. Por causa dela, eu estava com medo. Estava com medo de nunca mais poder vê-la, de nunca mais ela querer me ver, não sabia o porque, mas o medo esfriava na minha costela. Foram precisas várias miligramas que me fizessem dormir naquela noite, onde levei um tiro do amor. Um tiro que o médico não podia tirar o resquício da bala, mas somente aquele que atirara na vítima. A noite foi longa.

Não conseguia esperar mais um segundo com a vontade de ver o Peter, queria levantar de madrugada, o mais rápido possível. Ir lá no hospital de pijama mesmo, enfrentar a mãe dele e dizer que o meu amor é maior que as crises da menopausa dela. Parecia que a razão me mantinha na cama, presa com as cordas da dor, impedindo a predadora de ir correr atrás do seu amor e devora-lo. O despertado soou, levantei faminta.

-Não vou pergunta onde está indo, já sei a resposta. — Gritou minha mãe da cozinha. -Mas não vai comer nada?

-Estou sem fome. Quero o Peter e quero agora.

Fui para o hospital o mais rápido que consegui. Subi os elevadores para chegar até o quarto onde o Peter estava; quando cheguei estava sem ar, a respiração era forte, mas a determinação era mais. O médico me autorizou a entrar. Não havia ninguém no quarto, apenas ele, o homem quem se sacrificou por mim. Quando anos eu precisaria viver para isso acontecer de novo? Quantas décadas ou séculos?

-Nunca mais nessa sua vida, você pense em me dar um susto como esse, amor! — Exclamei assim que abri a porta.

Quando os olhos dele se encontraram com os meus, ele chorou. Fui em direção a maca, senti-lo, ama-lo, agradece-lo.

-Por quê me deixou aqui sozinho ontem? Eu precisava de você, pensei que tinha me deixado... — Falou com a voz mansa ainda sob efeitos de soníferos.

Me afastei dele, olhei-o nos olhos, sorri de lado, sem jeito. Coloquei minha mão no seu rosto, pisquei e a lágrima se deleitou na minha face.

-Enquanto eu estiver respirando, você não estará sozinho. — Prometi, sabia que aquela promessa eu era hábil para cumpri-la.

Ele me puxou para mais perto e me beijou. A porta se abriu, era a mãe dele.

-Não queria atrapalhar, desculpa! — Fez uma pausa. — Eu sou queria me desculpar pela mulher incompreensível e frívola que fui na noite passada, Laura...

-Tudo bem, eu consigo entende-la, afinal eu sou uma mãe também. — Falei recebendo a mão do Peter sobre minha barriga.

Ela sorriu de um jeito sutil, fechou a porta e foi para casa descansar. A partir de agora, o Peter estava comigo. Me deitei ao seu lado, me abracei a ele, que sussurrou:

-Achei que nunca mais veria vocês, só de essa ideia se passar pela minha cabeça, eu me senti forte o bastante para enfrentar os mais fortes inimigos. -Falou colocando as mãos sobre a minha barriga e olhando nos meus olhos com aquele olhar claro e humilde.

O dia, a noite passaram rápidos demais. Logos estávamos saindo do hospital, me senti mais poderoso com Laura estando do meu lado. Voltei a escola, todos me saudavam com um parabéns pelo que fiz. Eu não conseguia ver a magnitude do que fiz, afinal foi por amor. Foi maior que tudo o que já senti, meu coração acelerou, minha adrenalina subiu, eu só via Laura na mira da arma da Sarah. Me doei para ela, me doei de uma forma maior que sexual, me doei vitalmente.