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26 Capítulo 26- Como se fosse pela primeira vez


O Peter estava de volta a escola. No refeitório, as antigas amigas da Sarah, vieram se desculpar por tudo o que elas haviam feito no passado; elas não sabiam do que a Sarah era capaz de fazer. Novamente, o pesadelo voltou a me atormentar. Dessa vez, ninguém apareceu além de mim. Eu estava no espelho escovando os dentes, quando foi desenhado do outro lado do espelho o número 30 com um líquido vermelho escuro. Parecia ou era sangue, não sei dizer ao certo. Depois disso, a escuridão tomou conta do pesadelo até o despertador me tirar do martírio.

Eu estava com sete meses de gestação. Peter e eu fomos ao médico e vimos a nossa filha pela ultrassonografia. Eu tento imagina-la, mas não consigo. Queria muito que ela tivesse o sorriso e os olhos do Peter para que sempre que olhasse para ela, eu vê-lo e lembrar de tudo de bom que passamos. O Oliver veio falar comigo, quando não tinha ninguém em volta. veio se desculpar, assim como as antigas amigas da Sarah. Ele se sentia mal pelo que fez. Aceitei as desculpas, nem me lembrava mais daquele trágico episódio. No final do intervalo, o Peter nos convidou para o jogo que iria ter a noite, aceitamos. Quando a gravidez chega nesse estágio, as roupas simplesmente te abandonam e você é obrigada a comprar novas. Então, chamei a Rachel e o Chris, fizemos um acordo, assim ninguém fica segurando vela do amigo.

Não havia lojas com roupas de gestante, ODEIO esse nome GES-TAN-TE. Parece que estou tão imensa de gorda que ganhei um novo rótulo, comecei a chorar na loja. Não é drama e nem depressão, é tensão pré parto pelo que a atendente me falou. Finalmente, ele trouxeram um vestido, era preto e não tinha muitas coisas, mas ficava bom no meu corpo. Eles me levaram até em casa e marcamos de nos encontrar nas arquibancadas de sempre às 18 horas.

Óbvio que a minha mãe queria ir comigo. Ela não achava seguro eu ir à um jogo de futebol grávida. Pelo amor de Deus, eu não vou jogar, mãe. Resumindo, eu consegui engabela ela como sempre. Cheguei logo ao local do jogo, eles já me esperavam com o lanche e o refrigerante. O Peter foi incrível, assim como da primeira vez que o vi jogar, mas essa data não me trás boas recordações. O nosso time — na verdade, é o time pelo qual o Peter jogava- ganhou. Ele saiu do campo todo suado, tirou a camisa, parece que só agora eu percebi o quanto ele era forte. Os braços dele que pareciam tão confortáveis eram também muito grandes. Para ser sincera, eu não me senti muito bem quando ele tirou a camisa, fiquei com ciumes e não vou negar.

A imagem da Laura nas arquibancadas me olhando jogar me trouxe motivação. Assim que eu me apaixonei por ela, deslumbrante em um vestido com as amigas, mas agora ela estava melhor. Ela estava com nossa filha no ventre. Olhei para ela e sorri no final do jogo. Achei engraçado o fato de ela estar "sozinha" na arquibancada, já que o Daniel e o Chris estavam juntos, a Angel e a Rachel também e ela estava na beirada me olhando. Subi até lá e fiquei do lado dela.

-Aceita sair desse climão e irmos andar um pouco ao ar livre, Laura? — Perguntei estendendo a mão para levanta-la.

Ela aceitou sorrindo e se apoiando na minha mão.

O Peter era incrível mesmo. Veio me buscar na arquibancada, deixou a pequena festa de vitória de fim de jogo para sairmos. Não tínhamos um destino, apenas queríamos sair dali. Um silencio tomou conta do nosso assunto por uns longos dez minutos. A rua já estava deserta, todos estavam no jogo assistindo o time comemorar — sem o quarerback, claro-. O céu estava estrelado e a noite abafada.

Sentamos em um banco, na praça vazia. Eu estava pensando que, desde o começo do ensino médio até agora, eu não sou mais tão excluída. Estou grávida e namorando, tenho amigos incríveis, e não tenho mais problemas na escola. Realmente, as coisas tinham tomado um rumo bom.

-Sabe, uma coisa continua martelando na minha cabeça... — Começou o Peter.

Encarei-o com um olhar de interesse.

- O que você estava falando com o Oliver, enquanto eu tinha ido ao banheiro? — Questionou. Estranhei a pergunta, já que o fato de um menino me ver com outro já me causa tonturas.

-Nada de mais, ele veio se desculpar pelo que fez antes. — Falei olhando para ele e esperando uma reação natural.

-E você? Aceitou? — Questionou ainda intrigado com o assunto que eu pensara ter acabado.

-Aceitei, claro que aceitei, Peter. — Fiz uma pausa pensando no assunto. — Por quê não aceiraria?

-Eu não sei, mas no seu lugar, eu nunca iria esquecer o que aconteceu. — Argumentou e fez uma pausa. — Para quê você quer a amizade dele, Laura?

-Como assim, Peter? Você está me assustando com tantas perguntas.

-Para quê você aceitou as desculpas dele? Eu não consigo entender o por quê você esqueceu tudo o que ele te causou, algum interesse? — Continuava me questionando sobre uma atitude que eu julgo ser ética.

-Que tipo de interesse, Peter? -Fiz uma pausa. — Você está desconfiando de mim?

- Eu não sei. -Fez uma pausa soltando a minha mão e olhando para o chão. — Eu concordo que ele é muito bonito e você aceitou sair com ele uma vez...

-Já chega, Peter! -Falei me levantando rápido. — Esse assunto está me ofendendo, você sabe o que aconteceu a um tempo atrás com a assunto traição. Eu que não estou entendendo o porque você está desconfiando de mim logo agora!

Ele ficou em silencio, ainda pensando no assunto.

-Você teria coragem de me trair, Laura? -Perguntou se levantando e ficando de pé na minha frente.

Olhei para o seu rosto, e ele falava serio.

-Faz uma coisa, quando você confiar em mim para que eu possa conversar com outros meninos, você pensa no quanto você me ofendeu com essas perguntas nessa noite.

Então, eu me virei e segui o caminho para casa. Sinceramente? Eu esperava que ele viesse atrás de mim com um pedido de desculpas. Porém não foi isso o que aconteceu. Ele ficou sentado no banco da praça, enquanto eu caminhava para casa no escuro, sem ninguém e com medo.

Minha mãe veio fazer um enorme discurso do quanto era perigoso eu andar pela rua a noite sozinha, e voltou a questão que ela viria a me acompanhar nas saídas a noite. O Peter não me ligava, estávamos com a cabeça quente, ele desconfiara de mim sem motivos. Era como se tudo o que fizéssemos fosse em vão. Eu NUNCA trairia o Peter, ainda mais com o Oliver. Sem chances, mas parece que ele não pensa do mesmo jeito.