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21 Capítulo 21- Um novo narrador


Eu li todas as coisas que Laura escreveu em seu bloco de notas. Fiquei impressionado, muito impressionado. Nunca tinha visto uma história tão verídica e tão emocionante em anos, talvez nunca tenha lido algo assim. Meu nome? Peter.

Existem dois tipos de dor. Aquela que só nós sentimos, e aquela que sentimos pelo sofrimento da pessoa amada. Há pessoas quem dizem que a nossa dor é a maior. Estão enganadas. Não há nada mais doloroso que ver quem amamos, aquela pessoa que aceitamos em nossa vida para nos acompanharmos em tudo, sofrendo. Ficamos com as mãos atadas, sem poder fazer nada, um telespectador da dor alheia. Essa dor nos aflige em todas as horas. Uma dorzinha que nos corroí sem dó, sem solidariedade, sofremos vendo a pessoa sendo mutilada pelo destino e só podemos chorar.

Não sabemos quem é o vilão. Ficamos correndo no meio do tiro cruzado, totalmente perdidos. Queremos salvar quem amamos, mas como? Viemos à vida sem instruções, sem nenhum manual. Levamos tapas da vida e não podemos revidar. A cada dia pessoas novas cruzam nossas vidas, pessoas com histórias diferentes. Aquele atendente da padaria, o guarda na rua, o jornaleiro, todos eles tem histórias incríveis a nos contar, mas nós não temos tempo para ouvi-las. Estamos impregnados e pressos na nossa própria história. Não é um drama, é apenas a realidade. Há pessoas quem ouvem as nossas histórias, totalmente verídicas e simplesmente falam "Você está fazendo o maior drama." Não sei, mas acho que essas pessoas vivem em pleno prazer da vida, sem problemas, porque não percebem que o mundo é Um Drama por completo?

Vou parar de falar sobre o que eu acho desse mundo, quem mundo pensa, muito fica depressivo. Como já disse, meu nome é Peter e namoro a Laura. Minha namorada é incrível, totalmente imprevisível. A vida só sabe maltrata-la, julga-la e ela retribui com amor. Ela é do tipo de pessoa que gosta de ver o mundo em completo ciclo sem se pergunta o porque. Quando olho para o rosto dela, percebo que sou um ser humano defeituoso. Por isso, gosto de faze-la feliz, apesar de todos os defeitos que as pessoas impõe nesse mundo medíocre, eu consigo tirar ótimos sorrisos da Laura.

Não sei se quem está lendo isso, está entendendo bem o que estou escrevendo, tudo tem seu tempo, prometo que antes do Grand Finalé vocês irão entender. Não apresse a história, tudo tem seu ritmo. Só quero que compreendam exatamente tudo o que aconteceu na nossa história, minha e da Laura. Não julguem qualquer pessoa — ou para vocês, meros personagens- não há figurantes, todos tem seu papel nessa história. Gays, câncer, tumor, drogas, revoltados, felicidade, raiva, acidentes, todos estamos juntos nesse barco.

O médico acaba de nos avisar que Laura possui os dias contados. Não sabemos quantos, suponhamos que daqui um ano, seis meses depois do nascimento da nossa filha. Laura não sabe disso. Sabemos da morte dela, mas ela não sabe. A preocupação traz sofrimento, a realidade bate muito forte, quero apenas faze-la viver intensamente sem saber a data de fim. Sem saber a data onde o tempo dela nessa vida zera, o dia em que ela vai para um lugar que não sabemos ser bom, ruim, nem ao menos a existência desse mesmo lugar. Nada é concreto, o médico não deu certeza sobre isso, disse que o "prazo mínimo" deve ser de um ano e o "máximo" de uns sete. Esperamos que ela possa curtir ao máximo a vida que ela está colocando no mundo. Nossa filha. Não sabemos nada sobre o script, eu posso morrer antes dela, todos nos, mas com ela o cronometro está contando. Não quero mostra-la esse cronometro.

Ela ama ouvir músicas, sempre digo que ela é "Musicpolar", afinal o humor dela varia com a música. Quando está triste ama ouvir músicas que imprimam tristeza, as musicas que ela mais ouve são as dances, muitas que levam felicidade a vida dela. Bem, estou planejando leva-la sábado para viajar um pouco; contei os planos para a mãe dela que adorou a ideia. Quero ir a lugares onde eu sempre possa me lembrar dela. Pensei em ir para Califórnia, não fica muito longe, mas nós não conhecemos esse estado e amamos a ideia de ir para praia.

Eu estava em casa quando o Peter chegou e contou os planos para uma viagem maluca que ele estava planejando com minha mãe. Califórnia. Nunca fui à praia, mas amo ver fotos e meu sonhos é tomar banho de mar. Estamos todos empolgados, minha mãe planejou nos levar. Tenho apenas dois dias para decidir como vou e o que levar. Meu Deus, estou ansiosa para essa viagem. Vamos ficar lá uma semana. Finalmente as férias de verão chegaram. Agora, só volto para escola daqui dois meses, quando minha gravides completar oito meses.

Peter prometeu me ajudar com a bagagem, eu realmente estou perdida, nunca tive uma viagem dessas, e não sei o que levar. Vamos viajar de carro, com paradas no meio da caminho, direito a tuor e tudo mais.

Chegou a tão planejada viagem. Antes de tudo, fomos nos despedir de Angel, Chris, Daniel e Rachel nunca passei tanto tempo sem vê-las. Sempre fomos unidos, nas férias vivamos na casa um dos outros. Jogávamos video-game, conversávamos até altas horas da noite, riamos, brincávamos de verdade ou consequência, no final percebíamos que não tínhamos ido dormir.

Peter é meu herói, me ajudou com as bagagens, preparativos e no dia da viagem, ele me acordou no maior animo. Parecia que ele tinha ganhado na mega sena. "LAURA, ACORDA, VAMOS PARA CALIFÓRNIA, VAMOS VIAJAR, AMOR." Foi assim que ele me acordou. Nunca foi tão bom e tão perfeito me levantar da cama. Nossa primeira parada seria em Nevada, ficaríamos lá por dois dias, só lamentei por ter apenas dezesseis anos e não poder ir nos casinos de Las Vegas. Na próxima viagem, talvez, possamos ir nos casinos.

Nevada ficava entre Utah e Califórnia. Era um lugar incrível, amei conhecê-la, pena que tínhamos pouco tempo para ficar lá, nosso destino mesmo era As Prais Da Califórnia. Peter e eu tivemos a grande — e bizarra- ideia de levar um pote de vidro para a viagem, assim quando chegarmos na praia, iriamos enche-lo de areia e conchas da praia. Um pequeno suvenier da viagem.