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22 Capítulo 22- Contando as estrelas


Depois de horas de viagem — acredite, não foram poucas- chegamos a Califórnia. Fomos procurar uma estádia, decidimos alugar apenas dois quarto, um para minha mãe e outro para Peter e eu. Não havia muito luxo no quarto, apenas uma suite com tudo o que necessitávamos. O que me chamou bastante a atenção foi um quadro pendurado na parede — era muito bizarro -. No quadro tinha uma estrada sem ninguém em uma floresta, mas não dava para identificar o fim da estrada, era meio que borrado onde era para estar o fim.

Estávamos exaustos da longa viagem, então logo fomos dormir. E novamente, um sonho bizarro veio me atormentar de noite. Era o John novamente, mas agora, ele não dizia noventa e três, dizia outro número que eu não consigo me lembrar. No final desse sonho, ele meio que ficava sem voz, tentava falar, porém a voz não saía. Tudo ia ficando mais escuro, e então, a imagem dele saiu do foco. Assim, eu acordei assustada, procurando o Peter que não estava na cama. Claro que eu tive um ataque e comecei a gritar, mas isso não merecer ser detalhado. Um ou dois minutos depois, o Peter chega com um café da manhã incrível. Se eu falar que tinha cupcake e panqueca, vai ficar repetitivo? Então, ele trouxe cupcake e panqueca para nosso café da manhã na cama. Acredite se quiser, mas tomar café na cama com o namorado fazia parte do meu Trinta Coisas Para Se Fazer Quando Estiver Namorando. Óbvio que ele me fez rir enquanto comíamos, fizemos nossos planos para essa viagem e ainda sobrou tempo para ele se sujar como sempre com o cupcake.

Então, minha mãe chega já preparada para curtir a cidade, eu nem tinha me arrumado, aliás eu nem sabia com que roupa eu iria. Resumindo, fui comprar roupa. Não sei se faz sentido, mas roupa para andar nas ruas da minha casa é diferente de roupas para ir à praia. Enfim, chegamos na praia. Primeira tarefa, coletar areia; concluída com sucesso -isso ficou tosto, ainda vou me decidir se apago ou continua assim-.

A minha primeira reação ao ver o mar foi: EU NÃO VOU ENTRAR AI DE JEITO ALGUM. Eu imaginava algo mais calmo, mas as ondas pareciam ser super violentas. Não veia me dizer o mesmo que o Peter disse "Deixa de drama adolescente e vamos lá nadar um pouco." Entrei na água sim, e quase me afoguei. Eu sei nadar, mas eu estava de costas quando a onda veio, e não preciso mencionar que entrou areia nas partes intimas, preciso?

Tudo bem, eu AMEI a aventura de ir a praia. Amanhã tem mais e estou louca para nadar mais. No caminho de volta para o hotel, eu estava super bem e feliz, mas de repente comecei a ficar meio zonza. O Peter que estava no banco de trás comigo, viu que eu estava passando meio mal. "Não é nada, mãe, deve ser apenas um efeito das ondas em mim." Repeti três vezes para minha mãe que sismava em me perguntar se eu realmente estava bem. Na quarta vez que ia repetir, eu desmaiei.

Praga de mãe tem uma forma incrível. Fui parar no pronto socorro e passei a noite lá discutindo com o médico que EU ESTAVA ÓTIMA. Okay, eu ainda estava um pouco enjoada, mas eu queria ir para casa, tirar a areia do corpo. "Está tudo ótimo com o bebê, mas tem que tomar mais cuidado, Laura, não pode ficar se aventurando em altas ondas." Resumindo, não pude mais entrar no mar. Quero agradecer ao médico Alex Meyer por NÃO ME DEIXAR ENTRAR NO MAR. Obrigado, doutor, tenho certeza que eu sobreviveria a mais uma visita ao mar.

Enfim, mesmo não podendo entrar mais nas lindas águas da Califórnia, a viagem estava melhorando cada vez mais. Saímos no dia seguinte à noite, fomos para um restaurante belíssimo bem no centro da cidade. Coitado, o Peter realmente queria pagar a conta, até ele ver que gastamos quatrocentos dólares. Sentados no restaurante, o bebê chutou pela primeira vez, desde então, o Peter vive passando a mão na minha barriga.

Ainda não sei o nome dela, quero olhar o rosto e ver de qual nome ela tem cara. Não sei qual a teoria das outras pessoas, mas acho que pra cada nome tem uma cara. Tem gente que se chama Bobby, mas tem cara de Scott. São nomes totalmente diferentes que precisam que o rosto seja adequado. Tudo nos mínimos detalhes.

Acabamos de comer e saímos à andar pela luz da Lua. Minha mãe não gosta muito de andar, então ela foi para o hotel, prometemos que iriamos depois. Nos sentamos na areia da praia para admirar aquele enorme e lindo visual da praia à noite. O Peter estava calado, então me mantive calada também. Me deitei na barriga dele, o melhor travesseiro do mundo e fiquei a olhar as estrelas.

-Será que contar estrelas realmente dá verrugas no dedo? — Questionou Peter indeciso se contava ou não aquelas estrelas.

-Não sei, mas está ai um ótimo assunto para se pesquisar mais. — Falei rindo e olhando pros seus olhos que mesmo de noite permaneciam tão claros quanto de dia. — Você vai se aventurar a conta-las? — Perguntei desafiando-o.

-Hum... Como você me desafiou, vou ser obrigado à contar, afinal um homem nunca desiste de um desafio para sua mulher. — Retrucou debochando e contando as estrelas.

-Nunca desiste de um desafio para a mulher? — Falei pensativa. — Então se eu te desafiar à beber toda a água do oceano, você beberia?

- Provavelmente, eu morreria só de tentar e mesmo assim não teria bebido nem um por cento do oceano. Porém, por você eu beberia sim... Isso ficou clichê, eu sei, mas quero apenas mostra meu amor por você, então não conteste. -Explicou acabando com minha graça e com o assunto.

Depois de um lindo e confortável silêncio. Eu encontro os olhos de Peter encarando os meus.

-O que foi? — Perguntei corando.

-Tem segredo? — Perguntou virando um pouco a cabeça de um jeito fofo.

-Segredo? Pra quê? — Questionei ainda não sabendo onde ele queria chegar.

-Um segredo para me conquistar assim como você me conquistou?

-Claro que tem um segredo. — Falei entrando na brincadeira. — Para te conquistar basta limpar sua boca e seu nariz depois que come os cupcakes. — Expliquei sem nenhuma razão, apenas me divertindo com aquilo.

-Ah... Eu acho que você está errada. Acredito que para me conquistar tem que ser você, perfeita e carinhosa.

Fomos para o hotel de mãos dadas e ainda discutindo a teoria da Conquista Ao Peter. Chegando no hotel, eu notei que o quadro estranho estava do lado ao contrário de quando eu saí. Não estava louca, ele realmente estava ao contrário. Decidi tirar o quadro da parede, e atrás dele estava escrito de vermelho em giz de cera:

Oitenta.