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16 Capítulo 16- O mundo que nos muda


Cheguei na escola, já tinham feito algo para nós. O Chris e Daniel haviam assumido o namoro em público. Resultado: Um show completo de preconceito. A razão não pertence ao preconceito, pertence aquele que pensa. O que há de mal em ser negro, Judeu, gay, índio ou pobre? São essas diferenças que nos dão características diferentes das outras pessoas. Um nariz grande, uma marca ou um detalhe aqui é que muitas vezes não é bem visto por nós ou pela sociedade; isso é nossa diferença, nossa característica.

Não ia deixar aquela bagunça continuar; estava preparada para tudo o que viesse. Entrei na sala de aula atrasada, muitas vezes eu chego atrasada. Eu tenho problemas com horários, só pode. No intervalo, a Sarah veio com um pequeno pode — devia ter uns 10 cm de altura, não muito grande. — CHEIO de purpurina e jogou em cima do Daniel e Chris.

-Agora, as frutinhas podem se assumirem com uma perfomance de diva, não é assim que pessoas da sua especie falam? — Berrou a Sarah empurrando o Chris morrendo de vergonha. Achei que ele ia desmoronar ali naquele momento, totalmente destruído pela humilhação.

Peguei meu celular no bolso e falei pra Angel segurar para mim. Coloquei uma música da Lady Gaga, claro. E gritei de volta:

-Já que você pede, vamos realizar seu desejo.

Fiquei entre o Daniel e Chris que ainda deixavam purpurina cair no chão e sussurrei um "Apenas faça o que eu fizer; Chris você já sabe." Eu fazia aulas de dança quando tinha sete anos, fiz dança durante cinco anos, ainda lembrava de alguns passos. Chris e eu já havíamos "ensaiado" essa coreografia. Bem, para ser franca não foi perfeito, claro, porém TODO o refeitório parou para assistir. Na verdade, foi péssimo, mas morremos de rir, isso foi o melhor. Aliás, eu achei que a Sarah ia avançar para cima de mim; a cara de ódio era claro estampado em seu rosto.

Quando acabei, eu tive a petulância de ir até a Sarah, olhar dentro dos olhos dela e beija-la. Não se ouvia um barulho se quer no refeitório. Depois, eu sorri e disse:

-Acho que não há motivos para criticar os meninos, afinal eles não fazem o que você fez agora.

E aos poucos um aplauso bem barulhento foi feito. Não preciso mencionar que a Sarah saiu do refeitório possuída pela raiva. Enquanto ela me tinha raiva, eu tinha a felicidade. O dia acabou ótimo, sabemos que não acabamos com o preconceito; porém sabemos que é com atitudes corajosas que se constroem uma sociedade pensativa.

O Daniel e o Chris não se limparam, muito pelo contrário continuaram cheios de purpurina, e não ficaram mais com vergonha, até se beijaram no refeitório. Depois das aulas, o Peter foi me levar para casa e minha mãe o convidou para entrar. Óbvio que ele aceitou. Almoçamos em família e logo subimos para o meu quarto.

Com a porta trancada, eu estava deitada com a cabeça no peito do Peter.

-Você não tem vontade de pular para uma próxima etapa no nosso relacionamento, Laura? — Disse ele corando e sorrindo.

-Como o que, exatamente? — Respondi rindo, mesmo sabendo sobre o que ele estava se referindo. Eu amava vê-lo com vergonha.

-Er... Eu tenho vergonha, Laura... — Fez uma pausa, pensou um pouco mais e continuou. — Tipo, sexo...

Me levantei encarei-o e afirmei com a cabeça.

-Acho que está na nossa hora, a hora certa. — Confirmei.

Resumindo: Não doeu, não teve gritos exagerados, não teve desafios, foi perfeito. Ele teve calma, eu também. O melhor de tudo é que fomos nós mesmos no sexo. Era como nos romances que eu costumava tanto me iludir. Acho que há algo muito mais perfeito por trás da ilusão. Claro que não me refiro à príncipes ou princesas em castelos mágicos que quando fazem sexo exalam um monte de pétalas de rosas. Eu me refiro a hora certa, a pessoa certa. O prazer veio acompanhado do amor.

Quando tudo acabou, eu voltei a minha posição inicial, deitada no peito do Peter. Nos abraçávamos e falávamos do quanto perfeito foi. E por incrível que pareça, ele era virgem também. Não sei a definição internacional de perfeição, mas eu estava achando tudo aquilo excelente.

Acho que Deus está presente no amor. Quando amamos estamos ligados à um mundo isolado do nosso, um mundo que pode nos mudar facilmente para melhor. Não importa se for hétero ou homossexual. Amor é amor. E Deus é o amor. Amar é ótimo, não é clichê, não é ilusão, é mais que isso.

Minha mãe entrou no quarto, sorriu em nos ver deitados, sem fazer nada (Graças à Deus). E logo, saiu do quarto.