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17 Capítulo 17- Desarranjos
As semanas foram se passando, as coisa foram mudando. Estava tudo bem; não implicavam comigo na escola, com exceção da Sarah, claro. Aquela nunca perdia uma chance para me por para baixo. O Daniel estava feliz por ter o Chris do seu lado; eu estava super bem com o Peter, a Rachel e a Angel estavam conversando mais, aliás elas estavam mais próxima por serem as solteiras que não querem de jeito nenhum segurar vela.
O Peter me visitava todos os dias (não rolava nada, apenas conversávamos, víamos filme e coisas do tipo. Só rolou umas três vezes nesses últimos dois meses.) Não sei se já escrevi ou comentei sobre isso aqui, mas ele me presenteou com ursos de pelúcias e chocolates. Não há nada mais fofo. A morte de John completou três meses essa semana, e mesmo assim parece que foi ontem que eu estava no hospital com a mãe dele berrando sua dor e sendo retirada por médicos.
A escola tem sido um lugar mais suportável nos últimos tempos. Ah, meu braço esquerdo voltou a ficar dormente e como toda notícia boa tem que ser sobreposta de uma ruim; estou perdendo a sensibilidade desse mesmo braço. Agradeço todos os dias por eu ser destra, acho que não suportaria a ausência da escrita na minha vida. Não sei explicar a sensação, apenas o braço está ali, mas às vezes eu não consigo mexe-lo. O Peter sempre me ajuda quando isso acontece, ainda mais da ultima vez que eu estava carregando livros, e quando vejo os mesmos livros estavam no chão, e meu braço imóvel.
Quando o meu namoro também fez três meses — poucos dias depois da morte do John- O Peter e eu voltamos ao parque perto da escola. Comemos Cupcake e panquecas como da última vez, mas dessa vez estávamos com os telefones desligados. Apenas nós no parque comendo bobeiras e rindo de coisas inúteis. Peter não é o tipo de menino que traz flores; ele é o tipo de menino que nos chama para colhe-las. Por incrível que pareça, é mais divertido e no final as flores trazem uma memoria de um aventura com o namorado.
Nos últimos dias, eu me sinto estranha. Fico cada vez mais preocupada com meu tumor que não para de "comer" minha sensibilidade do braço. E depois o que será que vai ser tirado de mim? Eu fico tirando esse assunto da minha cabeça, quero ser feliz pela maior quantidade de minutos possíveis. Hoje, eu não fui a escola — eu não estava me sentindo bem, quando acordei estava tudo rodando e minha fome foi perdida, assim que eu acha aquela danada, eu volto a comer. — Não quis avisar o Peter, afinal ele ia querer faltar aula, eu posso não viver por muito mais tempo pelo tumor, mas ele tem uma saúde e terá que ser alguém na vida.
Às vezes, eu me pego imaginando como será quando eu morrer. O Peter vai se casar com outra mulher, minha mãe ficará internada no hospital por um mês, assim como a mãe do John e depois de um tempo, a minha imagem cairá em desuso. Ninguém irá querer lembrar de mim, eu serei um fantasma que ninguém quer mais ver.
Acabou que minha mãe me levou no hospital para ver o que tinha acontecido comigo. O médico me fez fazer um exame que ficará pronto até amanhã de manhã. Pelo menos, ele me disse que não tinha nada a ver com o tumor.
Eu não me sinto normal, nem um pouco normal. Não consigo imaginar que uma coisa como essas foi acontecer logo comigo. A cada dia que passa, eu fico mais impressionada com a ação do destino. Quando encontramos uma solução para as coisas, e estamos felizes, vem a vida e nos da um tapa. Um tapa que nos desmonta por completo. Achei que o exame estava errado, fiz outro para conferir e realmente, o primeiro exame estava certo. Minha mãe ficou bem empolgada com a noticia. Bem, eu não consigo assimilar tal informação no momento. O exame constatou que eu estou GRÁVIDA.
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