Notas iniciais
Anotei só o I e o II no pc, mas amanhã eu acho que coloco até o V, talvez...

Espero que gostem ;)

Ultimamente eu estive tão satisfeita com a minha morada em Foz da Viúva. Meu tio teve que vir pois sua Ordenação na antiga cidade chegou ao limite. São oito anos por paróquia, e eu tive que vir junto, pois estou sobre a guarda dele.

A Paróquia nova é de Santa Joana D'Arc, é bem bonita, e gótica o que embeleza mais ainda a pequena cidade já histórica. Meu tio anda preocupado com o local. Um dia desses, quanto estávamos desfazendo as malas, eu o questionei sobre seu comportamento quanto a nova cidade.

— Tio Sam, qual é o problema da cidade. É tão linda, histórica, e tem uma ótima vizinhança por sinal. Eu não o entendo.

— Meu beija-flor — como me chamava desde que me apanhara num orfanato — não há problemas com a cidade, nem com as pessoas. Eu só não tenho apreço por este lugar. Lembra-me coisas incertas, mas seria uma blasfêmia falar que este lugar não é de Deus, não é mesmo? E se minha missão é aqui, então vamos seguir neste caminho.

Suspirei incrédula. Tio Samuel sempre fora um homem doce e vivo, embora eu sempre o achava meio amargurado com algumas coisas. É um excelente pároco, e seus sermões litúrgicos são exatamente bem expressados. As vezes só acho que ele teve um passado meio difícil já que perdeu sua irmã, minha mãe, tão cedo.

Ele me contou uma vez, que quando soube que meus pais morreram, fora direto a minha procura mas ficou sem pistas minhas durante seis anos, até que me encontrara num orfanato católico, durante minha missa de primeira comunhão, qual o pároco do orfanato foi substituído por compromissos em outro estado. Tio Sam estava rezando a missa, e eu lá, prestes a receber a Eucaristia.

Ele disse que viu a minha mãe em minha face, e então perguntou a uma das irmãs que tomavam conta de mim, quantos anos eu tinha. Foi assim que ele me encontrou, me acolheu, e me levou com ele. Parece que eu fui uma espécie de alegria em sua vida. Tio Sam é muito sereno, mas as vezes tem problemas para dormir, e por recomendação médica, ele toma remédios para acalmá-lo à noite. Mas é uma boa pessoa e um ótimo pai para mim.

Como estou com dezessete anos, e me resta apenas o terceiroano do segundo grau, meu tio deixou com que eu escolhesse a escola qual vou estudar, desde que seja próxima aos olhos dele, me permitiu também conseguir um emprego e sair um pouco, durante meu tempo livre, mas sem esquecer compromissos religiosos, como a Confirmação, e solenidades (desde que eu esteja aos olhos dele, já sei!).

Bem, segue a ordem: devo escolher uma escola e posso conseguir um leve e bom emprego. Os dois mais importantes. Pela manhã, eu estive conversando com a Donna, secretária da Paróquia, ela me listou as melhores escolas por perto, primeiro as particulares, e depois as públicas. É claro. Dei preferência as escolas públicas, é bem mais deslizante para conquistar vaga nas melhores Universidades do mundo, embora eu possa apenas sair do estado, ou do país após completar vinte anos (meu tio disse isso).

— Uma rede de ensino boa e próxima é a do Canes. — disse-me Donna — Meu sobrinho leciona lá. É um pouco jovem, e estranho... tem alguns problemas com a esposa dele, mas nada que nosso Senhor Deus não resolva num matrimônio não é mesmo?

Não entendi nada deste último que ela disse, mas...

— E quais as condições? — questionei.

— Minha querida, no Canes, alguns alunos por opção própria recebem formação direta nas artes cênicas e visuais e literatura.

— É uma escola de artes...

— Quase isso. Há ensino regular também.

— Ah, está bem. Obrigada Donna.

— De nada querida. Sempre que precisa estou aqui.

Corri para meu tio, a recomendá-lo a escola. Ele disse “está bem, no primeiro dia útil nós iremos lá” apesar de não ter uma reação tão legal sobre a escola. Ah, meu tio não está gostando de nada daqui.

— Que tipo de padre o senhor é? Não gosta da própria missão? — eu o perguntei, num acesso de dúvida.

— Olha o tom comigo mocinha. — retrucou o tio — Não me sinto bem com o local, parece ser perigoso. Vai ser bom fazer a missão aqui, ajudar este povo a encontrar Deus. Mas por enquanto, devemos ficar de olho em tudo.

— Há bandidos? Traficantes? Drogados? Prostitutas? Más influências? Todos os lugares sofrem com esse mal. Não adianta fugir.

— Não é isso. Estou preocupado com... Deixa pra lá.

— Estranho. — fiquei indignada — O lugar é ótimo. As pessoas são vividas, sóbrias, gostam de sentir o coração bater.

Todas os dias pessoas saem a trabalho, estudantes vão à escola, o comércio conquista as calçadas da cidade, algumas mulheres cuidam das limpezas de suas casas, enquanto outras preferem serviços de faxineiras para terem tempo de cuidar de seus filhos pequenos, e no fim da tarde, antes do toque de recolher (sim, aqui isso ainda existe), muitas pessoas são vistas no parque da cidade, pessoas diferentes e amantes da beleza ambiental. Principalmente aquelas pessoas que são vistas sempre, no mesmo lugar em que a última luz da tarde bate, beijando com atenção o pôr do sol. Foz da Viúva é uma cidade pequena.

É sério. Não estou entendendo o meu tio. Não mesmo.