Evil In The Night
9 See You Again
Notas iniciais
É verdade que você encontrou um lugar melhor
Mas eu ainda daria
O mundo para ver o seu rosto
E estar perto de você
Mas parece que você foi muito cedo
Agora a coisa mais difícil é dizer adeus – Bye, Bye (Mariah Carey)
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BLAINE ANDERSON
— Você parece tristinho, B. O que houve com você? – Brittany chegou em mim e sentou-se ao meu lado.
Já se passaram uma semana desde o funeral de Sebastian e o que eu mais vi durante essa semana foi Kurt chorando. Eu me despedacei por completo ao ver meu amor daquela maneira. Era horrível não poder fazer nada para acalmá-lo ou fazê-lo se sentir melhor.
— Eu fiz uma coisa muito errada, Britt. – Revelei a ela, minha voz saiu quebrada. O ensaio já estava uma droga, mas levar aquela conversa conseguia piorar tudo.
Até quem não costumava conversar com Sebastian estava triste.
— Você tirou um peixe de dentro da água? – A loira me perguntou horrorizada, me fazendo dar uma risada engraçada.
— Que horror, Britt, eu não teria coragem de fazer isso. – Entrei em sua brincadeira, por mais que ela levasse isso a sério.
— Então o que você fez? Pode me contar. Eu te juro que não conto para ninguém. – Brittany disse, eu apenas assenti. Sabia que poderia confiar nela.
— Eu sou o culpado pelo sofrimento de Kurt. – Ao ouvir isso a garota riu.
— Não é não. Sebastian que é. – Ela falou como uma voz de criança.
— Britt, você é uma pessoa tão doce. – Eu a elogiei, deixando a loira envergonhada. – Não tenho como ser mais explícito em relação a isso. Se eu te contar, você vai ter medo de mim.
— Não vou não. Nada me assusta mais do que os duendes que são amigos do Lord T. – Precisei rir com a ingenuidade de Brittany.
— Eu sou um vampiro, Britt. – Revelei, sussurrando no ouvido dela. Ela sorriu para mim.
— Era disso que você achou que eu iria ter medo? – Ela perguntou e eu assenti. – Não tenho medo de você, B, mas quero muito te perguntar tudo que eu sempre quis saber sobre vampiros. – Britt disse animada.
— Aqui não. Quer ir tomar sorvete comigo? – Perguntei e ela assentiu, tão alegre quanto uma criança de cinco anos de idade. – Então eu penso: ou você não está acreditando em mim ou não tem medo mesmo?
— Você é do bem, não é? – Ela perguntou e eu ficou sem resposta.
— Não exatamente. – Tentei começar. – Mas eu não vou te machucar.
[...]
— Esse sorvete é maravilhoso. – Brittany disse sorridente. Ela havia pedido um sorvete de morango com abacaxi.
— Não gosto muito. – Retruquei, levando um olhar repreensor.
— Como você se alimenta? – Perguntou Britt e eu comecei a rir: estava definitivamente ferrado.
— Com a boca. – eu disse brincando e ela ficou séria me encarando. – Não é meio óbvio, não?
— E sangue é bom? – Ela continuava a comer e perguntar.
— Não gosto de depender disso, mas é.
— E o que acontece se você come outras coisas?
— Eu fico fraco. Eu posso comer e tomar tudo que eu quiser, mas só sangue realmente me alimenta.
— Ah, sim. E as lendas sobre vocês? Sobre alho e essas coisas.
— Tudo mentira.
— E como você anda ao sol?
— Eu uso um amuleto no pescoço. Ele me protege. – Tirei meu colar de dentro da camisa e mostrei para ela. – Sem isso eu, literalmente, queimo.
— Quantos anos você tem?
— Chega a ser engraçado falar isso, mas eu tenho quatrocentos e noventa e nove. Farei quinhentos logo, logo.
— E como e quando você virou vampiro?
— Quando eu tinha dezoito anos meus pais se separaram e aquilo parecia o fim do mundo para mim. Eu saí irritado pela noite e fui transformado. Simples assim.
— É só ser mordido? – Ela perguntou com aquele brilho nos olhos.
— Não exatamente. Eu não sei direito como é. – Menti. Não queria entrar nesse assunto específico.
— B, você já matou alguém? – Ela perguntou ainda mais curiosa e eu fiquei um pouco triste, mas resolvi falar a verdade à ela.
— Sim, Britt. Eu me arrependo muito, mas já. – Menti novamente. De ter matado Kurt, mesmo sem lembrar de boa parte disso, realmente me arrependo, mas dos outros, não me arrependo nem um pouco.
— Foi você que machucou a Sant? – Ela perguntou meio triste.
— Foi.
— Ah. E Sebastian? Foi você também?
— Sim. Eu matei Sebastian. – Respondi, forçando um suspiro triste. Eu não tinha outra alternativa. Não é como se eu quisesse arrancar de Kurt o seu melhor amigo.
— Por que? – Ela perguntou segurando a minha mão.
— Eu tive que optar. Ou eu matava ele ou matava você, Santana e Quinn. – Acabei aumentando a mentira para a fortificar.
— Você preferiu nos salvar? Você é um herói. – Ela disse e me abraçou. Fiquei feliz por ser visto assim, já que eu mesmo só me enxergava como um grande monstro.
[...]
Diferente de Blaine, que estava sorrindo, Kurt se encontrava em uma situação horrível. Ele ainda estava de pijama e estava atirado em sua cama, cheio de comidas a sua volta. Ele estava triste demais com tudo que havia acontecido. Sebastian era praticamente seu irmão e agora ele simplesmente havia ido embora. Kurt havia pedido para Blaine dar um tempo a ele, mas o moreno se negava. Já fazia uma semana que eles mal se falavam, e isso teria que mudar.
— Meu amor, seu namorado está aqui. – Disse a mãe de Kurt.
— Diz para ele ir embora. Não estou em condições de ver alguém, principalmente ele. – Falou o castanho, já voltando a chorar.
— Eu insisto em te ver. Não sou seu namorado só nas horas boas. – Blaine praticamente invadiu o quarto de Kurt.
— Mas eu estou horrível. – O castanho tentou argumentar.
— Isso é algo impossível de se acontecer. Da mesma maneira que eu sei que o céu azul, eu sei que você é perfeito. – O moreno disse, fazendo com que Kurt corasse e a mãe do mesmo saísse do quarto, fechando a porta e deixando os dois a sós. – Eu só quero te ajudar. Não importa se eu vou ser apenas um ombro para você chorar. Só saiba que eu estarei aqui.
— Você é perfeito. – Kurt disse abraçando o namorado.
— Você que é. – O moreno falou. – Por que você não vai tomar um banho enquanto eu arrumo isso aqui?
— Você é minha babá agora? – O castanho perguntou dando um meio sorriso.
— Se for necessário, sim. – Blaine disse depositando um beijo na testa de seu amado. – Vai lá.
— Tudo bem. – O castanho disse, se dando por vencido. – Prometo que não vou demorar.
— Não estou com pressa. Ainda estarei aqui quando você voltar. – O moreno falou.
Kurt assentiu e foi em direção ao banheiro, onde tomou um banho calmo e colocou uma roupa mais ajeitada. Quinze minutos depois ele voltou para o quarto, que já estava completa e perfeitamente organizado. Parecia até que tinha um brilho novo no local. A melhor decoração para Kurt, era a que estava em cima de sua cama: seu namorado sorrindo da mais perfeita maneira.
— Você é a melhor visão que alguém poderia ter. – Kurt disse indo até a cama e deitando no braço de Blaine.
— Eu acho que é o contrário. – O moreno disse sorrindo para Kurt. – E o melhor de tudo é que você é só meu. – Ele disse fazendo cafuné em Kurt. Ele não estava acostumado com aquilo, mas estava gostando de aprender a como ser um bom namorado, já que falhou e muito com Kurt nos últimos séculos. – Como você está se sentindo?
— Incompleto. – Kurt disse triste. – Pelo menos com você aqui eu não me sinto sozinho.
— Mas e a sua mãe? Ela não te faz companhia? – Blaine perguntou sem parar com o carinho que fazia em Kurt.
— Ela está tão mal quanto eu. Seb era como um filho para ela. – Disse o castanho. – Eu queria saber quem matou ele.
— E o que isso iria mudar? – Perguntou Blaine e Kurt sentou na cama, ficando de frente para o moreno.
— Eu não sei. Eu só queria encarar essa pessoa e perguntar o motivo pelo qual ela fez isso, sabe? Sebastian nunca fez nada de mal a ninguém. Acho que a coisa mais absurda que ele fez foi ficar contra o meu namoro com você. Não me sai da cabeça tudo que ele disse. – Kurt disse. Aquela era a primeira vez que ele falava em Sebastian sem começar a chorar. – Eu sei que não vai mudar eu saber ou não quem foi, mas talvez isso me deixasse um pouco mais aliviado. O médico disse que ele se matou, mas é óbvio que não é verdade.
— Ele não se matou. – Blaine disse convincente. – Ele não tinha como ter cortado tão profundamente tantas partes do corpo.
— Sabe o que me intriga mais? – Kurt perguntou e o moreno negou. – Quando ele estava no caixão ele não tinha marca alguma. Ele estava com a pele perfeita. Sem nem um arranhão.
— Devem ter arrumado ele ou algo assim. – O moreno disse dando de ombros.
— Só sei que é estranho. – Kurt disse e fez uma pausa. Uma pausa de quase um minuto. Um minuto onde os dois apenas ficaram se encarando. – Lembra de quando nós falamos sobre vampiros? – Kurt perguntou quebrando o silêncio e dando um leve susto em Blaine.
— Lembro.
— Estou começando a acreditar nisso. – O castanho disse convicto e Blaine deu uma risada baixa. – Não ria. Eu estou falando sério.
— Eu também acredito. – Disse o moreno. – Mas não entendi o motivo pelo qual você acredita. Está achando que um matou Sebastian?
— Não. Quer dizer, eu estou. Vai ver é por isso que ele estava sem marca alguma. Talvez ele tenha se curado e vá aparecer como vampiro. Eu vi isso em The Vampire Diaries. Um vampiro dá o sangue para o humano e depois mata ele. Quando ele acorda tem que se alimentar com sangue, se não ele morre. E também o sangue de vampiro pode curar os machucados de uma pessoa e tal. – Kurt disse e o moreno riu. Pelo menos uma série existente não estava tão errada sobre os vampiros. O sangue de Blaine realmente podia curar machucados e coisas do gênero, afinal ele que salvou a Santana.
— Kurt, eu odeio te ver triste e fico feliz em pensar que você tenha uma teoria sobre vampiros. Eu sinto muito por acabar com sua alegria, mas Sebastian não vai voltar. – O moreno disse e Kurt se atirou em seus braços e começou a chorar.
— Eu sei. É só que, dói demais. Às vezes é bom sonhar um pouco e imaginar que ele vai entrar sorrindo por aquela porta. Ou pela minha janela, como ele fazia antes de vir morar aqui. – O castanho disse entre lágrimas.
— Eu sei que dói, meu amor. Mas eu te prometo que um dia essa dor vai ser apenas saudade. – O castanho apenas assentiu, se aconchegando mais nos braços de seu namorado.
— Você já perdeu alguém que ama muito? – Kurt perguntou e Blaine riu internamente. Ele perdeu simplesmente todo mundo que um dia amou.
— Muitas pessoas. – Blaine disse um pouco triste. – Inclusive meus pais.
— Sinto muito. – O castanho disse abraçando Blaine.
— Isso foi há muito tempo. Agora eu apenas sinto a falta deles. – O moreno disse com a tentativa de confortar Kurt.
— Como anda o coral? – Perguntou Kurt depois de um tempo de silêncio.
— Todos estão tristes. Nem parece a mesma turma de antes. Aquela turma na qual eu entrei. Tudo bem que eu só entrei para ficar mais perto de você, mas agora todos estão se tratando como uma verdadeira família. Acho que todos estão com medo. – Disse o moreno. Kurt corou pela parte que falava sobre ele.
— Primeiro Sant, agora Seb. Não quero saber quem será o próximo. – Disse Kurt.
— Espero que não tenha próximo. – Falou o moreno. – Todos sentem sua falta. Preste atenção nisso, pois talvez nunca se repita. Rachel chegou em mim e disse a seguinte frase: “nunca pensei que diria isso, mas eu realmente estou sentindo falta de Kurt. Ele é importante para mim.” – Kurt riu pela primeira vez em uma semana.
— Ela enlouqueceu. – Concluiu Kurt. – Ou ela está feliz, porque graças a você e eu que nós fomos para as Regionais.
— Acho que as duas opções. – Blaine disse e os dois riram. – Você bem que podia ir para a escola amanhã, não é? Aquela escola parece tão vazia sem a sua companhia.
— Acho que é muito cedo. – Kurt disse e Blaine sentou na cama e o encarou.
— Eu sei que você está sofrendo, mas se isolar vai ser muito pior. Você precisa distrair a cabeça. Se não quer assistir as aulas, pelo menos vá para o ensaio. Era surpresa, mas eu vou contar, porque se eu não contar você não vai sair daqui. Todos prepararam uma música em homenagem a Sebastian, mas eles querem cantar na sua frente, pois de certa forma é em homenagem a você também. – O moreno disse e Kurt ficou de queixo caído com aquilo.
— Oh. – Foi a única coisa que Kurt conseguiu dizer. – Eu vou se você prometer que não vai soltar a minha mão por nem um segundo sequer.
— Eu faço o que for preciso. Não se preocupe. Eu estarei ao seu lado. – Blaine disse dando um selinho em seu namorado.
[...]
— Isso não é uma boa ideia. – Kurt disse parando na porta da sala do coral.
— Você já fez a parte mais difícil, que foi levantar da cama e vir até aqui. Você só precisa sentar e ouvir o que as pessoas têm a dizer. – Disse Blaine puxando o castanho para um abraço.
— Eu estou evitando isso há uma semana, porque eu acho que não vou conseguir aguentar todos dizendo que sentem muito ou dizendo que me entendem, pois eu sei que eles não entendem. Não foram eles que perderam o melhor amigo. – Kurt disse já chorando. – Eles vão simplesmente dizer que Sebastian iria querer me ver sorrindo e não chorando da maneira que eu estou, mas eles não entendem a dor que eu estou sentindo. Eles não entendem que eu não aguento mais chorar, mas eu simplesmente não consigo parar. É involuntário.
— Olha, eu não estou aqui para te julgar, sendo assim, vou te apoiar no que for. Você tem duas opções: nós podemos ir para casa para assistir algum filme, ou você pode entrar naquela sala e aguentar tudo o que eles provavelmente vão dizer. – O moreno disse olhando fixamente para Kurt. – Mas eu pedi para eles evitarem.
— Tudo bem. Eu vou. – Disse Kurt, segurando a mão de seu amado da maneira mais forte que conseguia. Foi só Kurt entrar na sala, que todos foram até ele. Ele simplesmente sentou no lugar de sempre, lembrando que Sebastian sempre sentava ao seu lado.
— Oi, Kurt. Seja bem-vindo de volta. – Disse o Sr. Schue se aproximando de Kurt.
— Obrigado. – O castanho simplesmente disse.
— K, nós temos uma surpresa para você. – Brittany anunciou animada. Ela era a única que mantinha o ânimo naquela sala, mesmo sabendo que o culpado de tudo aquilo era Blaine.
— Se é surpresa não é para falar, Britt. – Disse Quinn e Brittany deu de ombros.
— Nós vamos mostrar para ele de qualquer jeito. – Falou Brittany e Quinn revirou os olhos, recebendo um olhar de raiva por parte de Santana.
— Não me olha desse jeito. Não tenho culpa se eu passei a semana inteira ensaiando para a sonsa da sua namorada chegar e contar antes da hora. – Disse Quinn, fazendo com que Santana ficasse irritada.
— Olha, eu estou tentando ser legal, mas não vou tolerar você chamando Britt de sonsa e ela só contou que tínhamos uma surpresa. Ela não disse o que era a surpresa. Deixa de ser idiota, Fabray, todos sabem que você tinha uma queda por Sebastian. Sinto muito se ele gostava da mesma coisa que você. – Santana disse indignada e Quinn a olhou incrédula.
— Eu poderia começar a terceira guerra mundial aqui, mas em respeito a Kurt eu não farei isso. – Quinn disse e cruzou os braços. A loira foi até o meio da sala e fez um sinal para todos se colocarem em seus lugares. Blaine decidiu apenas tocar o piano, pois se sentia desconfortável em cantar por algo que havia sido sua culpa. Todo o sofrimento de seu namorado poderia ter sido poupado se ele não fosse idiota o suficiente para matar o melhor amigo do mesmo. – Kurt, nós temos uma coisinha para você. – Avisou Quinn.
— Na verdade é para Sebastian, mas como ele não está aqui. – Brittany disse e Quinn queria poder matar ela com os olhos.
— Mais um pio de alguém e eu desisto disso. – Quinn disse e todos ficaram quietos. – Enfim... nós escolhemos uma música que anda tocando muito ultimamente, até porque é trilha sonora de filme, mas achamos que se adequa bem com a situação. – A loira concluiu e Kurt assentiu, já imaginando de qual música se tratava.
(QUINN) “It's been a long day without you, my friend (Tem sido um longo dia sem você, meu amigo)
And I'll tell you all about it when I see you again (E eu vou te contar tudo quando eu te ver de novo)
We've come a long way from where we began (Nós fizemos um longo caminho desde que começamos)
Oh, I'll tell you all about it when I see you again (Oh, eu vou te dizer tudo quando te ver de novo)
When I see you again (Quando eu te ver de novo)”
Kurt não precisou de muito para começar a chorar. Foi só ver Blaine tocando as primeiras notas da música, que ele já se desmanchou por completo. A dor que ele sentia aumentava a cada minuto por lembrar de tudo que passou ao lado de seu melhor amigo. Como, por exemplo, quando Sebastian aprendeu a andar de bicicleta sem as rodinhas e tentou ajudar Kurt a fazer o mesmo.
— Eu vou cair sem as rodinhas. – Disse Kurt.
— Você já tem seis anos, está na hora de crescer. – Riu Sebastian.
— Eu aprendi a andar quatro anos atrás. Isso não vai dar certo. – O pequeno Kurt disse incerto. – Eu vou me arrebentar.
— Não, você não vai, pois eu estou aqui ao seu lado. – Sebastian sempre fora inteligente, até demais para a sua idade. Ele tinha apenas sete anos, mas era completamente esperto. O mais velho foi até Kurt com sua bicicleta e o encarou. – Você consegue fazer isso, eu acredito em você. – O pequeno ainda estava com medo.
— E se eu cair? – Kurt perguntou encarando Sebastian com o medo estampado em seu olhar.
— Eu vou te ajudar a levantar.
Kurt não conseguia controlar as lágrimas. Quinn mais chorava do que cantava. O que Santana dissera era verdade: Quinn realmente tinha uma queda por Sebastian, mas sabia que ele não gostava de mulheres. A loira se odeia por saber que ela nunca foi legal com ele. Aliás, ela nunca é legal com ninguém.
(PUCK & SAM) “Damn, who knew? (Caramba, quem diria)
All the planes we flew (Todos os aviões que voamos)
Good things we've been through (Coisas boas que passamos)
That I'll be standing right here talking to you (Que eu estaria bem aqui falando com você)
'Bout another path (Sobre outro caminho)
I know we loved to hit the road and laugh (Sei que adorávamos pegar a estrada e rir)
But something told me that it wouldn't last (Mas algo me dizia que aquilo não iria durar)
Had to switch up (Eu tive que mudar)
Look at things different, see the bigger picture (Ver as coisas de modo diferente, ver a coisa como um todo)
Those were the days (Aqueles foram os dias)
Hard work forever pays (Trabalho duro eternamente compensado)
Now I see you in a better place (Agora eu verei você em um lugar melhor)”
Blaine possuía lágrimas nos olhos. Ele nem sabia que ainda era capaz de chorar. Santana que sempre fora tão irritada com o mundo, também chorava. Puck era o mais focado em cantar, mas também estava triste, pois ele sempre tratou Sebastian como um nada. Ele se arrependia amargamente por isso, ele chegou até mesmo a se prometer mentalmente que iria começar a ser legal com Kurt. Nesse momento, todos estavam chorando. Tirando Kurt, ninguém ali era muito amigável com Sebastian.
Kurt lembrou de quando foi fazer seu teste para entrar no New Directions.
— Eu não vou conseguir entrar. – Disse Kurt.
— Nossa, você é o adolescente de quinze anos mais seguro do planeta. – Disse Sebastian revirando os olhos. – Se tem alguém nessa escola com capacidade de cantar é você. Então para de frescura e arrasa nessa droga de teste.
— Como você é calmo, Seb. Eu me impressiono. – Kurt disse rindo. Cerca de vinte minutos depois ele saiu do auditório com uma cara triste.
— Eu vou matar a pessoa que rejeitou você. Você é o melhor cantor dessa escola. Melhor, dessa cidade. Desse país. Ah, dane-se, desse mundo. – Sebastian disse, fazendo Kurt rir.
— Seu melhor amigo acaba de ser aceito no New Directions. – Kurt disse e Sebastian começou a pular junto com ele. – Isso é graças a você. Eu cantei pensando que eu não podia te decepcionar.
— Você iria entrar nem que eu precisasse pagar para isso acontecer. – Sebastian disse e Kurt abraçou ele.
— Você é o melhor amigo que alguém poderia ter. – Kurt disse ao maior.
— Errado. – Falou Sebastian e Kurt ficou confuso. – Você que é.
(SANTANA) “Uh, how can we not talk about family when family's all that we got? (Uh, como nós podemos não falar sobre família, quando a família é tudo o que nós temos?)
Everything I went through you were standing there by my side (Tudo o que eu passei você estava parado bem ao meu lado)
And now you gon' be with me for the last ride (E agora você vai estar comigo para o último passeio)”
Santana começou a se lembrar de uma discussão que tivera recentemente com Sebastian. Quando o garoto simplesmente surtou e só faltou agredir a latina tentando fazer com que ela lembrasse quem havia machucado ela. Rachel lembrou de quando Sebastian disse estar apaixonado por ela, e riu por lembrar que logo depois ele se assumiu. Sam lembrou de quando Sebastian fez teste para fazer parte do time, mas acabou entrando para o New Directions, pois não o aceitaram na equipe. Mercedes, Mike e Tina não tinham lembranças nem boas nem ruins sobre Sebastian. Eles até se cumprimentavam pelos corredores. Brittany chorava como uma criança, lembrando de quando Sebastian defendeu a mesma de levar uma raspadinha no rosto.
— Olha, lá vem a burra. – Disse um menino do time quando viu Brittany se aproximar.
— E aí, loirinha! Você quer escolher o sabor da raspadinha de hoje? – Disse o outro garoto. Uma coisa era fato: Brittany era mais lerda que uma tartaruga, e isso não era algo a favor da mesma. Então ela ficou feliz, achando que eles simplesmente fariam algo para agradá-la.
— Eu gosto de morango. – Disse a loira e os garotos riram.
— Desculpa, só tinha de uva. – Disse o garoto mais alto. Sebastian chegou na frente da mesma, levando todo o líquido gelado em seu rosto.
— Ai, meu Deus, Sebastian, você está bem? – Perguntou a loira para Sebastian. Os garotos do time já haviam se retirado. Brittany levou Sebastian até o banheiro e o ajudou a limpar o rosto.
— Estou sim. Britt, quando eles perguntarem algo assim você precisa correr. Garanto que você não gosta de ficar com o rosto congelando todos os dias. – Sebastian disse para a garota.
— E você gosta? – Ela perguntou inocente e ele precisou rir.
— Não, mas eu quis te ajudar. – Ela o olhou maravilhada.
— Obrigada. – Ela disse dando um beijo na bochecha dele, em forma de agradecimento.
(QUINN) “It's been a long day without you, my friend (Tem sido um longo dia sem você, meu amigo)
And I'll tell you all about it when I see you again (E eu vou te contar tudo quando eu te ver de novo)
We've come a long way from where we began (Nós fizemos um longo caminho desde que começamos)
Oh, I'll tell you all about it when I see you again (Oh, eu vou te dizer tudo quando te ver de novo)
When I see you again (Quando eu te ver de novo)”
(NEW DIRECTIONS) (Aah oh, aah oh
Wooooh-oh-oh-oh-oh-oh)”
A cada segundo a performance tinha mais impacto em Kurt. Ele já não aguentava mais chorar. Aquilo tudo era doloroso demais. Kurt só queria que Sebastian entrasse por aquela porta e o abraçasse forte, como sempre fez. Sebastian era mais que um amigo. Ele era também um irmão e, quando necessário, era tão protetor quanto um pai. Quando o pai de Kurt morreu, Sebastian estava ali ao seu lado tentando amenizar sua dor. Mas e agora? Quem estava ali pelo castanho? Blaine e sua mãe, mas não era a mesma coisa e nunca iria voltar ao normal. O buraco no peito do castanho nunca iria se fechar.
— Sebastian, faz essa dor ir embora. – O castanho disse abraçado ao amigo.
— Se eu pudesse eu tirava essa dor de você e colocaria em mim só para te ver sorrir, mas eu não posso. – Sebastian disse abraçando Kurt ainda mais forte. Já fazia mais de um mês que o pai de Kurt havia falecido, mas o castanho continuava machucado. Ele tinha apenas onze anos, por que seu pai havia sido tirado de si?
— Obrigado por me aguentar. – O castanho disse secando um pouco de suas lágrimas. – Eu não conseguiria me aguentar. Obrigado por não sair do meu lado... – Kurt foi interrompido.
— Amigos servem para isso. Você faria o mesmo se fosse comigo. – Kurt assentiu para o amigo.
— Sempre. – Disse Kurt, voltando a abraçar seu amigo.
(ARTIE, PUCK & SAM) “First you both go out your way (Primeiro vocês saíram de seus caminhos)
And the vibe is feeling strong (E o sentimento estava forte)
And what's small turn to a friendship (E o que era pequeno se transformou em uma amizade)
A friendship turn to a bond (Uma amizade se transformou em um laço)
And that bond will never be broken (E esse laço nunca será desatado)
The love will never get lost (O amor nunca será perdido)
And when brotherhood come first (E quando a irmandade vem primeiro)
Then the line will never be crossed (Então a linha nunca será cruzada)
Established it on our own (Nos estabelecemos por conta própria)
When that line had to be drawn (Quando essa linha foi criada)
And that line is what we reach (E essa linha foi o que alcançamos)
So remember me when I'm gone (Então lembre-se de mim quando eu me for)”
Kurt tentava com todas as forças parar de chorar, mas ele simplesmente não conseguia. Ele lembrou de um momento que sempre era alegre para ele e Sebastian. Quando eles tinham oito ou nove anos de idade e aguardavam ansiosamente pelo caminhão do sorvete.
— K, corre que o caminhão de sorvete está passando. – Gritou Sebastian na frente da casa de seu amigo.
— Estou indo. – O pequeno disse alegre e foi correndo ao encontro de Sebastian. Os dois correram até o caminhão, que logo parou.
— Dois de uva com passas. – Disse Sebastian e Kurt fez bico.
— Eu quero de morango. – Disse o mais novo.
— Você precisa experimentar coisas novas, K. – O pequeno apenas assentiu, um pouco triste. Eles pagaram por seus sorvetes e começaram a comer. Kurt não queria comer, mas resolveu experimentar. Sebastian ficou observando Kurt, que pegou uma mini colherada do doce. Ele fez cara de nojo, mas a verdade é que tinha adorado.
— Que coisa ruim. – O castanho tentou mentir, mas começou a rir.
— Você é um péssimo mentiroso. – Falou Sebastian, também comendo seu sorvete e rindo.
— Por que você não me obrigou a comer isso antes? – Perguntou Kurt e Sebastian riu mais ainda.
— Você nunca deixou. Da próxima vez confie em mim. – Ele disse mandando uma piscada para o menor.
(RACHEL & MERCEDES) “Uh, how can we not talk about family when family's all that we got? (Uh, como nós podemos não falar sobre família, quando a família é tudo o que nós temos?)
Everything I went through you were standing there by my side (Tudo o que eu passei você estava parado bem ao meu lado)
And now you gon' be with me for the last ride (E agora você vai estar comigo para o último passeio)”
Blaine olhava para Kurt de soslaio. Ele queria poder deixar de ser o monstro sem coração que é, mas ele não podia. Ele queria acabar com toda a dor de seu namorado, mas ele simplesmente não iria conseguir, já que ele mesmo foi o causador disso tudo. Brittany o via como um herói, ele pode até ter machucado um, mas poupou três vidas. Mas será que ele realmente era um herói? Ele duvidava disso. Ele duvidava e muito.
Quinn já não conseguia mais cantar direito. Brittany estava desesperada, e tentava a todo o tempo secar suas lágrimas, mas não conseguia contê-las. Kurt assistia a tudo aquilo e parecia ser tão irreal. Ele ainda sentia que iria ver Sebastian de novo. Ele só queria mais um minuto ao lado de seu amigo. Um minuto para poder ver o sorriso que sempre lhe confortou, o abraço que sempre lhe protegeu, a voz que sempre lhe acalmou, o amigo que sempre o amou. Ele queria apenas poder vê-lo novamente. Ele não teve oportunidade de dizer adeus. Quando eles estavam na ambulância, a caminho do hospital ele pôde ouvir as últimas palavras de seu amigo, e doía só de lembrar.
— Você precisa ficar bem. – Disse Kurt, chorando profundamente e segurando firme a mão de seu amigo.
— Kurt. – Sebastian disse com dificuldade. Ele havia perdido muito sangue e estava com machucados profundos em seu pescoço, o que dificultava ainda mais a sua fala.
— Estou aqui. – Kurt disse o olhando. Sebastian não estava com os olhos completamente abertos. Ele realmente estava dizendo adeus, mas Kurt preferia não acreditar nisso.
— Me desculpa. – Disse o mais velho.
— Você não tem motivos para se desculpar, meu bem. Fica tranquilo. – Pediu Kurt e Sebastian tentou segurar firme a mão do castanho, mas não possuía força o suficiente para isso.
— Tenho sim. Eu vou te abandonar. Eu prometi que nunca faria isso. – Aquela frase só fez Kurt chorar ainda mais. – Eu nunca quebrei uma promessa com você. Desculpa.
— Você vai ficar bem, você vai ver só. Logo você estará rindo da minha cara por eu tropeçar pelos cantos, ou por eu cantar errado as músicas, ou por qualquer coisa idiota que eu faça. – Kurt disse e Sebastian esboçou o mais próximo de um sorriso.
— Deixa eu me despedir de você. – Pediu Sebastian e Kurt negou com a cabeça.
— Não. Eu não vou me despedir de você. Você vai ficar bem. – O castanho não conseguia falar de tanto que chorava.
— Eu vou ser o seu anjo da guarda. Não vou deixar ninguém te machucar. – Sebastian disse e Kurt se desesperou ainda mais. Ele não podia acreditar que a pessoa que ele mais amava no mundo estava ali, se despedindo dele. E não era uma despedida temporária. Aquilo seria para sempre. – Eu te amo. Você é como um irmão para mim. Desculpa se eu fui esse péssimo amigo que quebrou a promessa mais importante. Juro que não foi por mal. – Sebastian disse e voltou a ficar com a expressão serena, como se estivesse dormindo. Kurt estava devastado, mas o médico lhe avisou que Sebastian estava apenas dormindo, o que era necessário acontecer.
(BRITTANY & QUINN) “So let the light guide your way, yeah (Então deixa a luz guiar o seu caminho)
Hold every memory as you go (Guarde cada memória enquanto você for)
And every road you take, will always lead you home, home (E cada estrada que você pegar sempre te levará para casa, casa)”
Kurt se odiava, pois mesmo vendo que Sebastian estava se despedindo dele, não teve coragem o suficiente para fazer o mesmo. Ele queria poder voltar no tempo e ficar grudado vinte e quatro horas em seu amigo, pois talvez assim ele pudesse ter evitado tudo o que aconteceu. Ele queria entender o que Sebastian havia feito para merecer aquilo. Sebastian sempre fora tão amigável, até com quem o odiava. Ele sempre foi carinhoso e amoroso com todos. Kurt só queria poder dizer mais uma vez o quanto Sebastian era importante para ele. O quanto ele amava ter Sebastian como amigo. E agora ele podia conversar apenas com uma lembrança, dizendo a ela o quanto Sebastian fazia falta em sua vida.
(QUINN) “It’s been a long day without you, my friend (Tem sido um longo dia sem você, meu amigo)
And I’ll tell you all about it when I see you again (E eu vou te contar tudo quando eu te ver de novo)
We’ve come a long way from where we began (Nós fizemos um longo caminho desde que começamos)
Oh, I’ll tell you all about it when I see you again (Oh, eu vou te dizer tudo quando te ver de novo)
When I see you again (Quando eu te ver de novo)”
Quando a música acabou todos trataram de começar a secar as lágrimas. Alguns não conseguiram, mas pelo menos tentaram. Puck e Sam eram os mais tranquilos. As meninas estavam com o rosto inchado de tanto chorar. Sr. Schue também estava triste: não era fácil perder um aluno, ainda mais um aluno como Sebastian, que sempre fora tão dedicado.
Quinn foi até Kurt e o abraçou. Os dois nunca tinha se abraçado daquela maneira, até porque Quinn nunca fora o melhor tipo de pessoa no mundo, mas ela prometeu que iria melhorar. Santana estava abraçada a Brittany e tentava consolar a namorada, que não parava de chorar.
Blaine saiu da sala e resolveu ir embora. Ele havia prometido para Kurt que não sairia de perto do mesmo, mas ele não conseguiu aguentar aquilo. O que Kurt faria quando descobrisse que foi ele? Kurt simplesmente iria odiá-lo e talvez ele não fosse capaz de suportar isso.
Kurt agradeceu a todos por terem feito aquilo. Por dentro ele estava ainda mais destruído depois daquilo, mas ele apreciou a tentativa dos colegas de fazer com que ele se sentisse melhor.
O único problema é que o vazio que agora está dentro dele, nunca mais poderá ser preenchido.
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