Notas iniciais
Olha quem tá aqui ♥ Espero que gostem ♥

— O que acabou de acontecer aqui? – Kurt pensou consigo mesmo. Blaine simplesmente havia o agarrado e foi embora do nada? Será que Kurt havia feito algo errado? Ele simplesmente entrou em cada e encontrou Sebastian lendo no sofá. – Cheguei. – Avisou sem ânimo.

— Terminou com seu namorado ou alguém morreu? – Inquiriu Sebastian, levando Kurt a rir sem graça.

— Ele não é meu namorado e não, ninguém morreu. – Kurt disse e sentou-se ao lado do seu melhor amigo. – Eu sinto vontade de dizer a ele que eu estou apaixonado e eu ia dizer, mas ele simplesmente me agarrou e foi embora.

— Posso ser bem honesto? – Perguntou Sebastian e Kurt apenas assentiu, não adiantaria nada falar outra coisa.

BLAINE ANDERSON

— Eu acho que ele está te usando. – Disse Sebastian para Kurt. Se um dia eu contar a ele o que sou, ele não vai poder descobrir que eu faço isso. Eu fico praticamente o dia todo ao lado dele, ele só não pode me ver.

— Ele não está. – Falou Kurt. – Por que acha isso?

— Se ele gostasse de você, já teria te exibido para todo mundo. – Sebastian falou e eu cheguei a rir.

— Faz sentido. – Disse Kurt e, mesmo que ele não pudesse me ver, eu o olhei incrédulo. Como ele tinha coragem de pensar isso de mim? Eu entrego meu amor a ele e ele pensa assim? Isso não faz sentido algum.

Tudo bem que durante os anos eu o feri incontáveis vezes, mas ele não sabe disso, então não há motivos para ele agir agora desse jeito. Além do mais, Sebastian me irrita, mas nem por isso eu coloco Kurt contra ele.

— E sendo bem honesto, eu não apoio esse relacionamento. Acho que você pode encontrar alguém muito melhor. Algumas vezes até acho que ele teve algo a ver com o acidente da Santana. – Disse Sebastian e eu tive vontade de enfiar a mão no peito dele e arrancar seu coração fora. Eu realmente tenho a ver com a Santana, mas eu acho que Sebastian não tem o direito de tomar as decisões por Kurt.

— Você está exagerando em relação ao acidente dela, mas você tem um pouco de razão, vou conversar com ele. – Disse Kurt e uma raiva começou a me dominar. Tudo que eu queria era poder matar Sebastian e fazer Kurt engoli-lo, mas aquilo seria cruel demais, até para mim.

— Termine com isso logo. – Disse Sebastian e eu senti que meus olhos estavam vermelhos de tanta raiva. Fazia muito tempo que eu não sentia tanta raiva em minha vida. Mas isso não iria ficar assim.

KURT HUMMEL

— Eu vou me deitar um pouco. Estou cansado. – Eu falei e Seb assentiu. Fui em direção ao meu quarto e assim que entrei paralisei. – O que está fazendo aqui? – Perguntei nervoso. A tal figura preta estava em cima da minha cama. Pela pose que ele estava, eu podia jurar que estava tentando me seduzir.

— Vim te ver. – Respondeu ele e eu revirei os olhos.

— Isso não é resposta. – Falei e fechei a porta. Se ele quisesse me fazer algum mal, já teria feito. – Por que você não me diz quem é você?

— Por que você sempre tem tantas perguntas? Não pode simplesmente conversar comigo? – Ele perguntou e eu precisei rir.

— A última coisa que eu quero é conversar com você. – Eu falei e ele se sentou na cama. – Você fica me atordoando, me perseguindo. Vem aqui e diz que me ama e ainda quer conversar? Enquanto não responder as minhas perguntas, não terá a sua conversa. – Eu falei e ele se levantou, vindo rapidamente em minha direção. Só paramos quando eu fiquei prensado contra a parede. – Não encosta em mim. – Falei quando senti a mão dele em meu rosto.

— Eu não queria que você tivesse medo de mim. – Ele disse e eu o encarei nervoso. Ele estava muito perto.

— Tira essa droga da sua cabeça. Me deixa ver seu rosto. – Eu falei e tentei tirar a “máscara”, mas ele segurou minhas mãos.

— Melhor não. – Ele falou e eu bufei.

— Por que não? Qual o problema? – Perguntei impaciente.

— Você teria mais medo ainda. – Ele disse e recuou.

— Você é o que? – Perguntei cautelosamente. – E, por favor, não diga novamente que é meu pesadelo.

— Eu sou um pesadelo real. – Ele falou e eu o olhei feio. Eu não podia ver os olhos dele, mas ele podia ver os meus e era isso que importava. – Sou a criatura que machucou Santana. Sou a criatura que ainda vai te magoar muito, mas eu peço desculpas antecipadamente. Eu não tenho controle.

— Isso não responde a minha pergunta. Me explica o que exatamente você é. Por favor. – Falei e me aproximei dele, tomando toda a coragem necessária no mundo para fazer isso.

— Kurt, não torna as coisas mais complicadas. – Ele disse e eu ri.

— Quem está complicando é você. – Eu disse e ele assentiu levemente.

— Presta bem atenção em mim. – Ele disse e eu o encarei. – Você me conhece. Você conhece a minha forma mais normal, por assim dizer. – Ele estava falando devagar, como se estivesse escolhendo suas palavras cuidadosamente. – Só quero que saiba que eu não vou machucar você.

— Mas machucar meus amigos pode? – Perguntei meio irritado.

— Santana não é, nem nunca foi sua amiga. Graças a mim ela se tornou suportável. – Ele disse e eu o olhei meio que sem expressão. Eu não sabia o que fazer ou dizer.

— Como assim você tornou ela suportável? – Perguntei completamente confuso.

— Outra de minhas habilidades. – Ele disse e eu assenti.

— Como a de ficar invisível? Eu sinto que você está presente ao meu lado o tempo inteiro. – Falei e sentei na cama.

— Sim, como a de ficar invisível. E é bom que você sinta, pois eu realmente estou. – Ele disse devagar e sentou ao meu lado. – Eu posso fazer com que as pessoas me obedeçam apenas com o olhar. Assim como posso apagar a memória delas. E tem mais uma coisa, mas essa, com certeza, você não vai gostar de saber.

— Nem um choque será tão grande para me abalar mais do que já estou abalado. – Falei e ele sorriu.

— Eu posso ouvir pensamentos. – Ele falou e eu senti como se tivesse perdido todo ar que eu possuía. – Não precisa se assustar.

— Claro que não, porque escutar pensamentos é algo extremamente normal. – Falei nervoso. – Vou me proibir de pensar. – Eu disse e ele riu.

— Kurt, não se preocupe, os seus não são os que mais me preocupam. Na verdade é, pois você está apaixonado por... – Ele começou a falar e parou no meio do caminho.

— Por? – Perguntei praticamente implorando para que ele terminasse a frase.

— Aquele seu amigo. O tal de Blaine. – Ele disse e riu.

— E você parece tranquilo com isso. – Falei meio confuso.

— E por que eu não estaria? – Ele perguntou se aproximando.

— Você disse que me ama. – Falei meio óbvio.

— Vocês humanos têm tanto para aprender. – Ele falou e simplesmente sumiu.

— Por que você tem essa mania de simplesmente desaparecer? Isso é ridículo. – Falei irritado. Do nada comecei a ouvir o barulho de pedrinhas batendo na minha janela. Fui até ela ver o que era: Blaine estava lá em baixo. – Por que não tocou a campainha?

— Pensei que pudesse ter alguém dormindo. – Ele disse e eu ri.

— Eu vou aí abrir para você. – Eu falei e ele assentiu. Desci as escadas e encontrei Sebastian dormindo no sofá. Não pude deixar de sorrir com aquela cena, pois estava muito engraçada. Abri a porta e lá estava um Blaine todo sorridente. – Não faz barulho, Seb está dormindo ali no sofá. – Eu falei e o puxei pela mão. Subimos as escadas e entramos em meu quarto.

— Suponho que esse seja o seu quarto. – Ele disse observando cada detalhe do local.

— Sim, é. – Falei simples. – Precisamos conversar.

— Sobre? – Ele perguntou e se aproximou de mim. Ele estava próximo demais, então eu acabei me descontrolando e o puxei para um beijo.

[...]

Kurt e Blaine se beijavam de uma maneira completamente apaixonada. Ambos se entregavam completamente, pois sabiam o quanto gostavam um do outro. Blaine tinha a certeza de seus sentimentos e sabia que era correspondido; Kurt sabia que amava Blaine, mas tinha suas dúvidas em relação ao moreno. A cabeça de Kurt girava por conta de tantos pensamentos, sentimentos e sensações. Sensações que só Blaine era capaz de proporcionar a ele.

— Blaine, eu preciso te contar uma coisa. – Falou o castanho, posicionando suas mãos em volta do pescoço de Blaine.

— Estou ouvindo. – Proferiu o moreno, com o sorriso que Kurt tanto amava nos lábios.

— Eu estou... érr... apaixonado por... você. – Kurt disse pausada e nervosamente. Blaine deu o maior sorriso que podia e voltou a beijar o castanho.

— Eu também estou apaixonado por você, Kurt. – Disse o moreno e logo seus lábios já estavam ocupados beijando Kurt.

Blaine foi empurrando Kurt até a cama e o deitou na mesma com cuidado, ficando por cima do castanho. Kurt não queria separar a sua boca da de Blaine, mas ele sabia que precisava de ar. Blaine tinha um certo receio de estar tão perto de Kurt. Ele tinha medo de se descontrolar, mas ele sabia que valia a pena o risco.

— Blaine. – Falou o castanho com a voz fraca.

— Fale, K. – Disse o moreno, mandando um sorriso terno para Kurt.

— Eu quero você. – As palavras de Kurt fizeram com que o moreno se arrepiasse: coisa que ele não sentia há muito tempo. Só Kurt era capaz de fazer Blaine se sentir vivo de novo.

— Você tem certeza? – Blaine perguntou calmamente. Ele não queria apressar as coisas e acabar estragando tudo. Kurt era precioso demais para isso.

— Completamente. – Respondeu o castanho. Blaine deu um rápido beijo na testa de Kurt, mas o castanho queria mais do que isso, então logo puxou Blaine pelo pescoço e o beijou. Ambos estavam perdidamente apaixonados um pelo outro.

Kurt tirou a camiseta de Blaine de uma maneira lenta e provocante, o que o moreno adorou. Blaine fez o mesmo com a blusa de Kurt, mas aproveitou e já tirou a calça do castanho. Todos os movimentos eram lentos e apaixonados. Blaine era experiente, mas não queria machucar Kurt, já que o mesmo era virgem.

O moreno tinha um certo receio em tirar toda a inocência que Kurt possuía, mas ele sabia que isso aconteceria mais cedo ou mais tarde. Blaine começou a espalhar beijos pelo corpo de Kurt, começando por sua boca, passando direto pelo pescoço e indo para seu peito, descendo pela barriga e chegando mais perto da barra da cueca de Kurt, o que fez com que o castanho se arrepiasse.

Kurt percebeu que essa era a hora de ele agir, então trocou de lugar com Blaine, ficando por cima do moreno. Kurt estava oficialmente viciado nos beijos de Blaine. Ele já não conseguia ficar muito tempo sem beijar o moreno. Ele desceu seus beijos para o pescoço de Blaine. O moreno estava adorando aquela sensação. Ele nunca ia para cama com alguém por amor, carinho ou coisa do tipo: ele só ia por puro prazer de uma noite. Mas ele sabia que com Kurt seria diferente. Não seria apenas uma noite. Essa seria apenas a primeira de muitas.

O moreno percebeu que Kurt não sabia muito o que fazer, então se levantou e terminou de tirar suas roupas. Kurt corou ao ver o moreno completamente nu, o que fez com Blaine sorrisse. O moreno voltou para a cama e encarou Kurt.

— Você tem mesmo certeza de que quer fazer isso? – Blaine perguntou com certa preocupação em sua voz. Kurt assentiu sorrindo. – Se eu machucar você, você tem que me dizer. Eu paro na hora, tudo bem?

— Eu confio em você. – Kurt disse e Blaine selou seus lábios com os do castanho.

Blaine pensou em admitir que ama Kurt, mas pensou que seria um pouco cedo, afinal ele já fizera isso e Kurt não reagiu da maneira esperada. Blaine arrancou as roupas que ainda estavam em Kurt e se posicionou. Kurt estava tremendo, o que assustou o moreno. Ele nunca teve que se preocupar por machucar alguém, pois ele sempre machucou sem se importar. Mas Kurt era tão delicado, tão doce, tão inocente.

— Fica calmo. – Pediu o moreno.

— Eu estou. – Disse Kurt e o moreno deu um rápido beijo nele. Então Blaine pensou que essa era a hora correta para ele admitir seus sentimentos mais profundos. Eles já se conheciam há um certo tempo, ele poderia já amar Kurt, certo?

Claro que está certo, afinal ele ama aquele castanho de olhos azuis há séculos. Mesmo com as lembranças dos finais trágicos entre os dois estando fora dos pensamentos de Blaine, seus sentimentos são algo que ele não conseguiria pedir para Elliott tirar de si nunca.

— Eu te amo. – Disse o moreno bem próximo ao ouvido do castanho.

— Eu também te amo. – Falou Kurt, deixando Blaine sorrindo de uma maneira boba, porém surpresa. Ele realmente não esperava ouvir isso.

Blaine teve apenas dezoito anos de vida e sabe que teve um amor, sabe ainda mais que esse amor em diversas vidas fora Kurt. Ele já ouviu diversas vezes as pessoas dizerem que amam ele, afinal ele tem quase quinhentos anos.

Até que Kurt chegou. Kurt chegou para mudar a vida do moreno, para melhor claro. Blaine foi colocando seu membro aos poucos em Kurt, pois ele temia em machucar o castanho. O castanho poderia admitir que era uma sensação desconfortável, mas não o suficiente para parar Blaine. O moreno ficou feliz ao perceber que estava tão concentrado no que estava fazendo, que não conseguia ouvir os pensamentos de Kurt.

— Você está bem? – O moreno perguntou quando já estava completamente dentro de Kurt.

— Muito. – Disse o castanho. Blaine começou a se movimentar devagar.

Ele segurava carinhosamente uma das mãos de Kurt. A mão de Kurt que não estava segurando a de Blaine, estava passeando pelas costas do moreno, que estava adorando a sensação. Blaine começou a se movimentar um pouco mais rápido, e logo Kurt já estava implorando por mais. Aliás, ambos estavam. Kurt sentia como se estivesse no paraíso, e Blaine não estava muito diferente.

O moreno estava ficando louco com aquele momento. Tudo que se ouvia no quarto era a respiração acelerada de Kurt e os gemidos de ambos. Kurt não estava pronunciando nenhuma palavra exata, ele apenas resmungava coisas obscenas para Blaine, que ficou até assustado, pois aquele não parecia o seu doce Kurt. Não demorou muito para ambos chegarem aos seus ápices. Blaine deu um beijo carinhoso em Kurt e se deitou ao seu lado.

— Eu preciso de um banho. – Disse Kurt, se escorando no peito de Blaine. Ele podia jurar que os braços do moreno eram o melhor lugar do mundo. O moreno estava brincando com o cabelo de Kurt, coisa que o castanho estava amando.

— Não é o único. – Disse Blaine e ambos riram. Eles se levantaram preguiçosamente da cama e foram em direção ao banho. Eles tomaram banho juntos, mas nada aconteceu. Apenas beijos e carícias. Aquilo já era suficiente para os dois.

Quando terminaram o banho, Kurt emprestou um pijama para Blaine e pegou uma roupa confortável para si. Os dois se vestiram e se deitaram na cama novamente. Blaine ficou virado de barriga para cima, com Kurt deitado em seu braço e debruçado por cima de si. Blaine se sentia feliz novamente, como se seu coração tivesse voltado a bater.

[...]

KURT HUMMEL

— KURT, VOCÊ NÃO VAI LEVANTAR NÃO? – Acordei assustado com alguém invadindo meu quarto e gritando comigo. Era Sebastian. – Ops, desculpa interromper, eu vou, érr... – Sebastian nem finalizou sua frase, apenas saiu do quarto e fechou a porta atrás de si.

Eu não entendi nada do que aconteceu, eu sempre acordo como se estivesse bêbado, então apenas ignorei. Escorei novamente a cabeça no travesseiro e fechei os olhos. Virei-me para o lado e abri os olhos devagar. Eu tomei um susto tão grande ao ver Blaine ao meu lado, que quase caí da cama, mas ele me segurou.

— Não quis te assustar. – Blaine disse rindo. Ao ouvir a voz dele eu lembrei de tudo que tinha acontecido na noite anterior. Não pude deixar de sorrir com as lembranças. – Bom dia.

— Bom dia. – Eu falei sorrindo. – Fico feliz por estarmos vestidos. Já pensou se não estivéssemos? Seria uma vergonha maior ainda.

— Só porque Sebastian nos viu deitados na mesma cama? – Ele perguntou e eu assenti. – Ele vai ter que se acostumar com isso. – Blaine disse dando de ombros.

— Como assim? – Perguntei confuso.

— Você e eu estamos juntos, não estamos? – Ele perguntou e eu sorri bobo.

— Juntos tipo namorados? – Perguntei alegre e ele sorriu.

— Exatamente. Juntos como namorados. – Ele disse e eu roubei um beijo seu. Olhei no celular e me assustei.

— Blaine, nós precisamos correr para a escola, ou vamos nos atrasar muito. – Falei levantando rápido e ele levantou bem devagar. Ao me levantar, senti uma dor desgraçada, mas fingi não sentir nada, pois sabia que ele iria ficar preocupado comigo, e não havia necessidade alguma disso. – Eu vou tomar banho.

— Posso ir junto? – Ele perguntou e, por mais que fosse uma pergunta que poderia ser interpretada errada, ele não possuía um olhar de segundas intenções. – Assim poupamos tempo. Juro que não vou fazer nada.

— Tudo bem, só anda logo. – Eu disse e fui em direção ao banheiro. Realmente não aconteceu nada, apenas tomamos um rápido banho e nos arrumamos. Ele colocou a mesma roupa que estava ontem e eu coloquei uma calça justa como sempre e uma blusa preta.

— Essas calças são provocantes demais. – Ele disse chegando por trás de mim e me abraçando pela cintura.

— Ciúme? – Perguntei rindo e ele me virou para si.

— Não preciso ter ciúme. Você é meu, não é? – Ele perguntou e eu sorri para ele.

— Só seu. – Eu disse e o beijei.

— Então, eu confio em você da mesma maneira que você confiou em mim ontem à noite. – Ele disse e eu corei. – Vai ficar vermelho cada vez que eu falar sobre isso?

— Desculpa, eu sou tímido. – Eu disse e ele riu.

— Não pareceu. – Ele disse e eu dei um tapa no braço dele. Peguei minha mochila e fomos em direção a escada.

— Como você vai estudar? Cadê sua mochila? – Eu perguntei e ele segurou minha mão, me guiando até a cozinha.

— Está no carro. – Ele disse e beijou minha testa. Ao chegarmos na cozinha, tive vergonha de encarar Sebastian. Eu realmente fiquei envergonhado por ele ter visto eu e Blaine dormindo juntos.

— Eu não vou falar ou perguntar nada. Podemos apenas ir para a escola, por favor? – Perguntou Sebastian e eu assenti.

— Estou com fome, mas como na escola. – Eu falei e fomos em direção a saída. Sebastian já estava indo a pé em direção a escola, mas Blaine o impediu.

— Onde você vai? – Perguntou Blaine.

— Para a escola?! – Disse Sebastian.

— Vamos de carro. – Falou Blaine e Sebastian me encarou, como se quisesse que eu negasse.

— Vamos, Seb. Ou vamos de carro ou vamos nos atrasar. – Falei e ele me ignorou.

— Eu vou caminhando. – Disse Sebastian e Blaine tentou argumentar, mas eu não deixei.

— Quando ele fica irritado, ele faz isso. Nem se preocupa. Na escola eu falo com ele. – Eu falei e Blaine assentiu, abrindo a porta do carro para mim e se colocando em seu lugar. Logo nós chegamos na escola. Fomos direto para a sala de aula e eu me sentei rapidamente ao lado de Sebastian. – O que aconteceu?

— Enquanto ele estiver por perto, eu não vou falar. – Sebastian respondeu frio e eu revirei os olhos.

— Você está com ciúme? O que ele te fez? Pensei que não tivesse nada contra ele. – Falei e ele riu.

— Eu não tinha, mas agora tenho e eu tenho meus motivos. – Ele disse e eu fiquei sem saber o que dizer.

— E quando você vai conversar comigo e me contar o que está acontecendo?

— Quando você se desgrudar dele e prestar atenção em mim. – Ele falou e eu ri sem graça. Ele realmente estava com ciúme.

— Tudo bem. – Foi a única coisa que eu disse.

[...]

Após as aulas da manhã e o intervalo, eu e Blaine fomos em direção a sala do coral. Blaine me parou no corredor e sorriu para mim.

— Kurt, eu posso fazer algo que quero fazer desde o dia em que te conheci? – Ele perguntou sem tirar seu sorriso do rosto.

— Sim, mas o que seria isso? – Perguntei também sorridente.

— Quero entrar nessa sala segurando a sua mão. – Ele disse e eu corei. Apenas entrelacei minha mão na dele e entramos na sala. Todos ficaram nos observando, o que fez com que eu ficasse mais envergonhado ainda.

— Vocês estão namorando? – Perguntou Rachel, com um sorriso besta no rosto.

— Estamos. – Disse Blaine. Nos sentamos e o Sr. Schue sorriu para nós.

— Parabéns pelo novo casal. – Disse ele.

— Obrigado. – Eu e Blaine dissemos juntos e rimos.

— Todos escolheram suas músicas? – Perguntou o Sr. Schue. – Falta apenas uma semana para a competição.

— Sr. Schue, eu queria pedir uma coisa. – Disse Quinn e ele fez um sinal para que ela prosseguisse. – Eu pensei em uma música, mas não posso cantá-la sozinha.

— Com quem você quer cantar? – Perguntou Will.

— Queria convidar Britt e Sant para fazerem as outras vozes femininas e Sebastian para fazer a voz masculina. Acho que vai ficar legal. – Quinn falou e todos assentiram.

— Por mim tudo bem. A música em grupo está pronta já, então não precisamos nos preocupar. E quanto ao dueto? Kurt e Blaine, já decidiram? – Perguntou Sr. Schue e nós assentimos.

— Já. Nós vamos cantar uma música que combina muito conosco e ela já está devidamente pronta. – Respondeu Blaine e eu concordei com a cabeça.

— Então tudo bem. Vamos arrasar nesse show.

*UMA SEMANA DEPOIS*

— Você parece nervoso. – Disse Blaine chegando em mim. Todos já estávamos arrumados no auditório, apenas esperando para nossa apresentação. As meninas estavam no palco cantando com Sebastian. Eles estavam cantando a música “Worth It”, do Fifth Harmony, e eu e Blaine seríamos os próximos.

— Eu estou um pouco. – Falei nervoso.

— Vai dar tudo certo. Vamos arrasar. – Ele disse sorrindo para mim e eu o abracei.

— Se der certo, é porque estarei lá cantando com você. – Eu falei e ele me deu um rápido selinho.

— Digo o mesmo. – Ele falou e o Sr. Schue mandou nós irmos para o palco. Assim que a música começou a tocar, um nervosismo gigante brotou em mim, mas eu permaneci lá. Fugir não iria adiantar. Eu sempre quis essa oportunidade e, agora que finalmente consegui, não posso simplesmente jogá-la fora.

“I had a dream the other night (Eu tive um sonho na outra noite)
About how we only get one life (Sobre como nós só temos uma vida)
Woke me up right after two (Me acordei depois das duas)
Stayed awake and stared at you (Fiquei acordado e olhei para você)
So I wouldn't lose my mind (Então, eu vi que não poderia perder a cabeça)
”

Blaine foi quem iniciou a música. Todo o restante do New Directions estava no fundo do palco, fazendo o coro da música. Eu encarava Blaine, que sorria para mim. Eu realmente estava completamente apaixonado por ele, e a maior alegria da minha vida, é saber que ele também está por mim. Ele andou até mim e depois foi até a beirada do palco, onde ficou um tempo, esperando que eu começasse a cantar.

“And I had the week that came from hell (E eu tive uma semana infernal)
And yes I know that you could tell (E sim, eu sei o que você diria)
But you're like the net under the ledge (Mas você é como uma rede sob a borda)
When I go flying off the edge (Quando eu voar para fora da borda)
You go flying off as well (Você vai voar também)

And if you only die once I wanna die with... (E se só se morre uma vez, eu quero morrer com...)”

Eu comecei a cantar e Blaine foi andando para o lado contrário de mim, e assim fomos traçando um caminho por todo o palco sem, em nenhum momento, pararmos de nos encarar. Aquele momento era provavelmente um dos mais incríveis pelos quais já passei em minha vida. Estar ao lado dele era sempre uma nova descoberta e uma nova alegria. Eu simplesmente me sinto seguro e amado ao lado dele. Parei no centro do palco junto com ele e nos encaramos.

“You got something I need (Você tem algo que eu preciso)
In this world full of people there's one killing me (Nesse mundo cheio de gente, tem uma me matando)
And if we only die once, (E se nós só morremos uma vez)
I wanna die with you (Eu quero morrer com você)
You got something I need (Você tem algo que eu preciso)
In this world full of people there's one killing me (Nesse mundo cheio de gente, tem uma me matando)
And if we only die once, (E se nós só morremos uma vez)
I wanna die with you (Eu quero morrer com você)”

Cantamos o refrão inteiro nos encarando. Eu olhava de canto para a plateia e todos aparentavam estar gostando. Todos começaram a bater palmas no ritmo da música, e o pessoal do New Directions fez o mesmo que eles. Eu e Blaine estávamos simplesmente perdidos no olhar um do outro, portanto não estávamos ligando muito para o que acontecia em volta.

“Last night I think I drank too much, yeah (Ontem à noite eu acho que bebi demais)
Call it our temporary crutch, hey (Chame isso de nossa crise temporária)
With broken words I've tried to say (Com meias palavras eu tentei dizer)
Honey don't you be afraid (“Querido não tenha medo”)
If we got nothing we got us (Yeah) (Se nós não temos nada, nós temos nós)

And if you only die once I wanna die with... (E se só se morre uma vez, eu quero morre com...)”

Cada um cantou uma frase, um completando o outro. Voltamos a andar pelo palco e fizemos alguns passinhos engraçados. Os sorrisos não conseguiam sair de nossos rostos. Era impossível parar de sorrir no meio daquilo tudo.

“You got something I need (Você tem algo que eu preciso)
In this world full of people there's one killing me (Nesse mundo cheio de gente, tem uma me matando)
And if we only die once, (E se nós só morremos uma vez)
I wanna die with you (Eu quero morrer com você)
You got something I need (Você tem algo que eu preciso)
In this world full of people there's one killing me (Nesse mundo cheio de gente, tem uma me matando)
And if we only die once, (E se nós só morremos uma vez)
I wanna die with you (Eu quero morrer com você)”

Cantamos o refrão novamente juntos e andamos até a beirada do palco, onde nos viramos completamente para a plateia.

“I know that we're not the same (Eu sei que nós não somos mais os mesmos)
But I'm so damn glad that we made it (Mas eu estou tão feliz com o que construímos)
To this time, this time, now (yeah) (Nesse tempo, nesse tempo)”

Novamente nos viramos um para o outro. Acabamos nos aproximando ainda mais, ficando há poucos centímetros de distância. Era uma distância consideravelmente perigosa, mas nós conseguimos nos controlar. Ele olhou bem no fundo dos meus olhos enquanto cantava; eu também estava olhando diretamente para ele.

“You got something I need (Você tem algo que eu preciso)
In this world full of people there's one killing me (Nesse mundo cheio de gente, tem uma me matando)
And if we only die once, (E se nós só morremos uma vez)
I wanna die with you (Eu quero morrer com você)
You got something I need (Você tem algo que eu preciso)
In this world full of people there's one killing me (Nesse mundo cheio de gente, tem uma me matando)
And if we only die once, (E se nós só morremos uma vez)
I wanna die with you (Eu quero morrer com você)

If we only die once (hey) I wanna die with (E se nós só morremos uma vez, eu quero morrer com...)
If we only live once I wanna live with you (E se nós só vivemos uma vez, eu quero viver com você)”

Cantamos a última parte da música e fomos aplaudidos por todos. Todos tiveram o trabalho de levantar apenas para poderem nos aplaudir. Eu nunca havia ficado tão feliz em toda a minha vida. Esse sempre foi o meu sonho. Abracei Blaine de uma maneira amigável, pois os jurados podiam considerar antiprofissional se fizéssemos qualquer outra coisa.

A performance do New Directions terminou com um número em grupo, cantado por exatamente todos. Cantamos a música Spiralling, do Keane.

Quando acabamos nossa performance, esperamos os outros grupos se apresentarem e voltamos para o palco, para vermos os vencedores.

— Vamos direto ao que interessa. – Disse um dos jurados, que seria o responsável por dizer os vencedores. – E o primeiro lugar vai para: New Directions. – Disse ele e todos começamos a comemorar. Regionais, aí vamos nós!

[...]

— Ok, Sebastian! Já faz uma semana que você não fala comigo. Você vai falar e vai ser agora. – Eu falei praticamente invadindo o quarto de Sebastian.

— Eu também vi a sua famosa figura misteriosa. – Ele falou e eu o olhei incrédulo.

— E por que você não me falou? – Perguntei curioso.

— Ele disse que se eu te falasse isso, ele me mataria.

Notas finais
Gostaram? Me contem ♥ MÚSICA: Something I Need, OneRepublic