Notas iniciais
Boa noite! ♥ Espero que gostem ♥♥ Esse é um dos meus capítulos preferidos ♥♥

— Como assim se ela der sorte? – Kurt perguntou no telefone ainda afoito e nervoso. – Onde vocês estão? Eu vou agora mesmo até aí.

“Estamos no hospital principal, Kurt. Olha, eu sei que temos nossas desavenças, mas quem quer que tenha feito isso pode acabar machucando qualquer um de nós, então venha mesmo.”

— Tudo bem. Chego aí em vinte minutos. – Avisou o castanho, desligando o telefone em seguida.

— Por que está tão preocupado? – Blaine perguntou de forma séria.

— Santana está morrendo. Eu preciso ir até lá. Quinn achou que eu tinha machucado ela, mas não foi eu e eu estou apavorado. – Kurt foi falando enquanto suba as escadas e quase caiu no processo – Sebastian, Santana está no hospital, precisamos ir até lá agora. Rápido.

— Tudo bem, só vou trocar de roupa. – Ele disse meio nervoso.

— Sebastian, dane-se a droga da roupa. Só vem. – Kurt o puxou, estava mais nervoso do que qualquer outro.

— Pensei que não gostasse dela. – Blaine soltou as palavras e sentiu os olhos de Kurt em cima de si e de maneira incrédula.

— Não é porque eu não gosto de uma pessoa, que eu desejo que ela morra.

[...]

Blaine dirigia rapidamente durante o caminho até o hospital central da cidade de Lima. Em menos de vinte minutos eles já estavam chegando no local e entrando no mesmo. Foram diretamente para a recepção.

— Santana Lopez. – Informou Kurt e a recepcionista passou os olhos elo seu computador.

— Ela está na emergência nesse momento, passou por uma cirurgia complicada e ainda não saiu do risco. Aguardem por favor na sala de espera, não são os únicos esperando pelas notícias dela. – Respondeu a educada moça.

Kurt revirou os olhos, mas a obedeceu e seguiu com Blaine e Sebastian e encontrou Quinn e Brittany.

— Nenhuma notícia? – Kurt perguntou quando se aproximou de Quinn e a mesma o abraçou como se fossem amigos de longa data.

— Ainda nada. Eles se recusam a nos dar qualquer informação. – Informou a loira ao soltar Kurt. – Obrigada por terem vindo. Eu sei que sou uma pessoa insuportável, egoísta e mesquinha, mas eu tenho um coração e, como eu passo mais tempo no coral do que com meus pais, não quero correr o risco de perder vocês.

— Sra. Lopez. – Um médico se aproximou de todos eles, que formaram uma roda perto do doutor. – Nós vamos realizar mais uma operação nela e precisamos de doações de sangue. Não é necessário que sejam compatíveis, pois apenas precisamos repor o banco de sangue, mas eu preciso que consigam a autorização de seus pais por serem menores de idade. É só ir em direção ao bloco B para preencher as fichas.

— Vocês realmente se importam com ela? – Perguntou Blaine e todos o olharam incrédulos. – Ela parece ser a pior pessoa do mundo com todos vocês. Como conseguem se preocupar?

— Ela é a minha melhor amiga, seu idiota. Ela não é a melhor pessoa, mas ela também não é a pior. – Falou Quinn, começando a chorar.

— Eu amo ela. – Falou Brittany baixinho, derrubando algumas lágrimas.

— Eu sei disso, Britt. E ela também sabe. – Disse Quinn.

— Eu só queria que ela soubesse que eu não votei para ela sair do coral. – Falou Brittany novamente e todos arregalaram os olhos.

— Antes que perguntem: sim, fui eu. – Confessou Quinn. – Britt também é minha melhor amiga e ver as duas do jeito que estavam era como sentir meu coração se partindo. Achei que assim seria melhor. – Ela explicou e todos assentiram.

— Quem faria algo assim com a Sant? – Perguntou Brittany.

— A maioria dos estudantes de nossa escola odeia ela. É mais fácil perguntar quem não faria. – Se pronunciou Sebastian.

— Eu preciso ir. – Blaine disse e, repentinamente, acabou sumindo no primeiro corredor que encontrou.

[...]

*BLAINE ANDERSON*

Quando saí de perto de Kurt eu andei até o quarto onde Santana se encontrava, no bloco cirúrgico a ponto de fazer sua segunda cirurgia. Eu não conseguia entender como as pessoas que se encontravam na sala de recepção conseguiam sentir um pingo de pena dela.

Santana não era uma boa pessoa e não mudaria pelo simples fato de desejar agradar alguém. Ela era egoísta ao ponto de não se preocupar se derrubaria a própria melhor amiga apenas para estar no topo. Ela era assim e não iria mudar sozinha. Sei disso porque também sou e sempre fui assim, principalmente em relação a uma mesma pessoa.

Kurt sempre foi o amor da minha vida e não é agora que isso vai mudar, no entanto eu sou muito possessivo quando o assunto é ele e isso acaba me tornando egoísta por conta de minhas atitudes perante ele.

Mas voltando a Santana... eu me aproximei de sua cama e percebi que ela ainda estava dormindo. Tirei uma mexa de cabelo que estava em seu rosto e vi ela abrir os olhos um pouco assustada.

— Olá, Santana. – Me pronunciei enquanto sentava em sua maca.

— Onde eu estou? – Ela nem tinha olhado para mim ainda, mas quando viu se assustou novamente. – Você! Sai de perto de mim.

Precisei rir ao ver a tentativa dela de gritar. Eu sei que sou cruel de rir da desgraça de alguém, mas para mim isso se chama diversão. É divertido ver o sofrimento de alguém como ela, que não faria falta alguma, caso morresse.

— Você está em um hospital. Se você gritar, será pior para você. – Me aproximei ainda mais dela. – Você é forte, Santana. A maioria das pessoas não teria sobrevivido.

— Por que tentou me matar?

— Não tentei matar você. – Me fiz de ofendido. – Eu só quis te assustar.

— Assustar? Conta outra. – Ela disse de sua maneira debochada e eu sorri da maneira mais cínica possível.

— Santana, você tem tanto para aprender ainda. – Eu falei mais calmo e me levantei. – Você quase morreu e te mandaram para uma cirurgia que não serviu de nada. Eu tive que apagar a memória de pelo menos quinze médicos só para poder salvar a sua vida, então é bom que você seja pelo menos um pouco agradecida. A cirurgia teria terminado meu serviço, mas eu salvei você. – Eu expliquei a ela, que apenas continuou com os olhos arregalados.

— Você é o que? Um louco? Um maníaco? – Ela perguntou e eu ri da maneira mais macabra possível, o que era normal para mim.

— Sou a pior pessoa que você poderia ter conhecido. – Eu falei sentando ao lado dela novamente. Ela estava tremendo de tanto medo e eu ria sem parar de suas atitudes.

— Você não é uma pessoa. – Ela falou e eu novamente ri, porém ainda mais endiabradamente.

— Não mais. – Refleti e ela me encarou confusa. – Eu já fui uma pessoa. Agora eu sou o que sou.

— E o que seria isso? – Perguntou-me ela e eu botei minha mão em seu pescoço, no machucado que já nem estava mais presente ali.

— Seu sangue é ruim, sabia? O pior que já experimentei. – Minha voz soou sarcasticamente e ela riu debochada.

— Vai me dizer que você é um vampiro?! – Ela falou rindo e eu assenti. – Eu não acredito em você.

— Santana, me responde uma coisa: você é burra? – Perguntei e ela iria responder, mas eu não permiti. – Não quero resposta. Eu sei que você é. Santana, eu machuquei você de uma maneira bem cruel e tem uma marca de mordida em seu pescoço. Se eu não sou um vampiro, não sei quem foi o monstro que te atacou.

— Engraçado que você mesmo se autodenomina como um monstro. – Riu ela e eu apenas concordei.

— É a verdade. Eu era uma boa pessoa, juro. Eu já fui um humano com o coração batendo. Agora eu arranco o coração das pessoas por puro prazer. – Forcei um alto suspiro e a encarei profundamente. – Quero que saiba o que vai acontecer agora, ok? Eu vou apagar sua memória, mas vou deixar uma lembrança bem clara para você: se você fizer alguma coisa contra Kurt, eu prometo que te mato. E ninguém vai me impedir.

— Está apaixonado, é? Lady Hummel vai ficar feliz em saber. – Sua maneira debochada já havia retornado.

— Você ainda não está acreditando em mim? – Perguntei e ela negou. Cheguei ainda mais próximo e prensei o pescoço dela com a minha mão. Ela começou a se debater e querer fugir. – Acredite no que quiser. – Dei de ombros. – Se você fizer algum mal a ele, você e sua preciosa namorada Brittany, vão sofrer. Matar é algo tão simples para mim, que eu fico até entediado ao fazê-lo.

— Como você sabe sobre mim e Britt? – Assustou-se ela.

— Eu sei de tudo o que acontece. Eu consigo descobrir sobre sua vida inteira só de olhar em seus olhos. E algumas vezes eu escuto pensamentos. Além do mais, eu tenho olhos em todos os lugares possíveis e até mesmo os meus olhos possuem olhos. Acho bom você se cuidar. – Falei irônico. E eu não escuto pensamentos de vez em quando: eu escuto sempre. – É uma das belezas de ser quem eu sou. E eu posso ter tudo e todos que eu quiser. – Falei e olhei diretamente nos olhos dela. – Não quero ouvir você chamar Kurt de Lady Hummel ou qualquer outra coisa pejorativa nunca mais. Você vai assumir para todos que você e Brittany tem uma relação, pois ela está sofrendo por culpa sua e isso não é legal. Você vai ser a pessoa mais doce já encontrada no mundo. E não vai lembrar de nada do que te fiz. Tenha bons sonhos, Santana. – Assim que terminei de falar, ela pegou no sono.

— Estou orgulhoso. – Ouvi uma voz mais do que conhecida. – Achei que você não fosse ser capaz de machucar mais uma pessoa sequer.

— Elliott. O que quer comigo? – Perguntei e o encarei sério. Não nos dávamos bem havia muito tempo já.

E eu explico o motivo disso: digamos que eu realmente não seja uma boa pessoa, porém Elliott é e ele preza muito que todos os vampiros sejam como ele. O que não está nem perto de eu ser. Ele quer que eu me alimente sem matar e todas essas coisas, mas eu e ele temos tantos acordos ao longo dos anos que ambos devemos até a nossa própria existência um para o outro. Nem mesmo Scarlett e Thomas, vampiros originais e responsáveis por eu e Elliott são como eu. Eles são como Elliott.

Quer dizer... Thomas é como Elliott, Scarlett é como eu e está o tempo inteiro contra o meu ser.

— Eu preciso de motivos para vir te visitar? Apenas senti a sua falta. – Ele disse sarcástico como sempre.

— A mim você não engana. E você sabe muito bem que matar ou machucar, não me afeta mais. – Falei novamente dando de ombros.

— Eu só estou me perguntando uma coisa. – Começou ele. – Você pode até machucar, matar ou qualquer coisa do gênero, mas normalmente você faz por prazer. Essa moça estava em uma lista passada de suas vinganças? Por que quase matou ela?

— Isso não diz respeito algum a você. – Falei revirando os olhos.

— Você não vai me falar? – Ele perguntou e eu neguei. – Então não há problema algum se eu machucar esse novo Kurt?

— Você não vai chegar nem perto dele. – Falei irritado.

— Você fugiu do seu propósito. O que foi combinado?

— Elliott, por favor, conte outras piadas. Não fugi de propósito algum. Eu e você estamos tão endividados um com o outro que eu cansei de ouvir suas ordens sem receber nada em troca, além do mais, eu nunca obedeci você. Se você ficou fazendo papel de idiota tentando me obrigar a fazer coisas que eu certamente não faria, a culpa não é minha. – Soltei as palavras. – Eu faço o que eu bem entender e, se for preciso, me livro de você também. Pouco me importo se a reencarnação do seu precioso amor está muito viva e muito próxima do meu amor.

— Isso é algo de se duvidar, Anderson. Mas eu não quero ser chato e entrar nesse assunto. Era para você ter matado a tal Quinn, ela pode influenciar em coisas que não queremos influência alguma no futuro. Você sabe disso. – Informou ele, cruzando seus braços e me fazendo revirar os olhos. – O que houve para você ter mudado de ideia?

— Não houve nada. Eu vim fazer justamente o que eu queria. Eu apareci, Kurt me enxergou, estamos agora nos falando e é isso que importa. Nada além disso. Se quiser matá-la, faça você mesmo. Afinal, o que ela fez para você? Porque para mim ela é apenas mais alguém insignificante e que eu matei com gosto muitos anos atrás.

— Ela não fez nada. Ela é uma simples mortal. – Falou ele. – Os ancestrais dela me fizeram muito mal em um passado realmente longe e você sabe disso.

— Então se você quer se livrar dela, faça isso você mesmo, como eu já disse. Não posso machucar ninguém que esteja na volta de Kurt. Se ele descobre que eu sou o que sou, ele vai ficar com raiva de mim e novamente vou perdê-lo. Não posso permitir que isso aconteça. – Minha voz saiu um pouco triste.

— Preciso te lembrar de algo importante, Blaine? – Ele perguntou e eu revirei os olhos, já percebendo o que viria a seguir. – Você é uma aberração do mundo. Você não tem sentimentos. Acha que alguém liga para você? E se você achar que está apaixonado por esse garoto pela milésima vez? O que acontece depois? Não me responda. Eu te digo o que acontece depois: vocês começam a namorar, e na primeira tentativa de rolar algo mais sério, você perde o controle e mata ele. Sabe por que? Porque você não tem coração, ou sentimentos, ou alma, ou qualquer coisa do gênero. Você não pode sentir. O mais interessante é que você gosta de ser assim. – Ele falou e começou a rir.

— Eu não vou machucar ele. – Eu falei tentando afirmar aquilo mais para mim do que para ele. Ele estava certo e eu sabia disso. Desde que me tornei o que me tornei, eu sou uma máquina que mata. Eu saio com garotas e garotos, me divirto e depois os mato. – Eu consigo me controlar.

— Eu estou tentando imaginar como seria um romance fofo entre vocês, mas você é tão macabro, tão selvagem, que eu só penso que no que ele tirar a camisa, você vai, literalmente, se grudar no pescoço dele. – Ele disse e começou a rir mais ainda. – Você já fez isso antes. Você já o feriu. Não é como se você não soubesse da podridão que habita seu coração.

— Elliott, desaparece da minha vida, pelo amor de uma força maior existente. – Falei e ele simplesmente desapareceu e eu passei as mãos nos meus cabelos, os bagunçando na tentativa de me acalmar.

*UM MÊS DEPOIS*

Exatamente um mês se passou desde o ocorrido com Santana. Ao que tudo indicava ela já estava em casa faziam duas semanas. É óbvio que eu, Blaine Anderson, ajudei mais uma vez na cirurgia dela apenas para evitar que Kurt se sentisse, de certa forma, culpado caso ela morresse.

Ela voltaria nessa semana para a escola. Por falar em escola, tudo estava diferente. Todos estava, calmos e não se podia nem dizer que era a mesma turma de um mês atrás. É como se a quase morte de Santana tivesse aproximado todos.

— Olá! – Eu disse com um sorriso no rosto ao me escorar no armário de Kurt. Eu sempre chegava nele da mesma maneira. – Você estava um pouco apagadinho hoje na aula.

— E eu costumava estar aceso nas outras aulas? – Aumentei meu sorriso quando ele me encarou.

— Quando nos conhecemos, sim. Mas desde que Santana foi parar no hospital você tem estado diferente, como se isso tivesse te afetado por completo.

— É complicado. – Me respondeu ele.

Eu percebi que seus pensamentos estavam confusos e a culpa era minha. Ele pensava na tal figura preta que o seguia e o atormentava, mas na verdade esse era eu. Eu não queria assustá-lo nem nada, mas eu não conseguia ficar longe dele da maneira que eu desejava conseguir. Foi uma maneira que encontrei de ficar mais perto, porém isso o assusta e essa nunca foi minha intenção.

— Isso não é resposta que se dê. – Eu acabei rindo para tirar a tensão do local. – Eu realmente estou preocupado com você. Alguém está te fazendo algum mal?

— Está mais para algo. – Disse ele de forma baixa enquanto terminava de colocar suas coisas em seu armário. – Temos ensaio agora.

— E o que seria esse algo? – Arrumei minha mochila e comecei a andar com ele em direção a sala do coral.

— Você me chamaria de louco.

— De todas as coisas que eu já vivenciei nesse mundo, loucura é a menos confusa para mim. – Eu novamente ri e ele me acompanhou por breves momentos. – Você pode me contar.

— Se você rir de mim, você vai apanhar até eu cansar de te bater.

— Pode falar.

— Tem uma pessoa misteriosa que surge para mim do nada e anda me perseguindo. – Ele falou tão rápido que eu quase não assimilei, mesmo sabendo do que se tratava.

— Interessante. – Forcei um suspiro. – Como é essa pessoa misteriosa?

— Hum... e-eu não sei. Só vejo essa pessoa toda vestida de preto e com um sorriso que lembra muito o seu. – Disse ele, completando mentalmente em seguida: – Mas o seu é mais bonito.

— Posso te fazer uma pergunta?

— Eu não preciso de remédios para loucura, se é isso que você quer saber. – Gargalhei alto com sua colocação.

— Não era isso que eu ia perguntar.

— Blaine, nós devíamos estar no ensaio. – Ele me encarou preocupado, afinal eu tinha mudado nossa rota e nos levado para perto do ginásio. – Faltam poucas semanas para a primeira competição.

— Kurt, às vezes eu me pergunto: o que você faz no coral? Você só balança no fundo.

— Você também. – Se defendeu ele.

— Cantar não é o motivo pelo qual eu estou no coral. – Pisquei para ele. – Você se preocupa demais com tudo. Não está afim de simplesmente fugir de toda essa rotina repetitiva, não?

— Eu não sei. – Seu receio era visível. – Essa não é uma boa ideia.

— Vem. Vem comigo. – O puxei pela mão e corremos pela escola.

Corremos até o meu carro e eu abri a porta do carona para ele, me posicionando no banco do motorista em seguida e logo comecei a dirigir.

— O que você queria me perguntar naquela hora? – Perguntou ele repentinamente.

— Eu ia perguntar se você é solteiro. Eu perguntei isso no dia seguinte ao que nos conhecemos, mas você não respondeu.

— Sou. Por que a pergunta?

— Eu tenho vontade de te beijar. Só isso. – Ele virou seu pescoço de maneira brusca na minha direção. – Sim, eu realmente admiti isso. Sei que você também quer me beijar desde o dia em que me conheceu. Afinal, eu tenho um sorriso estonteante, não é mesmo?

— Você roubou meu diário por um acaso?

— Não. Eu li seus pensamentos. – Percebi a tensão que se formou sobre ele e comecei a rir para descontrair. – Eu estou brincando. Fica calmo.

— Eu acredito até em duendes ultimamente. Eu posso te fazer uma pergunta? E não, eu não vou perguntar se você é solteiro.

— É claro que pode, K.

— Nada. Esquece. Onde estamos?

— Essa casa era de alguns parentes meus. Acabou que ficou para mim. Achei legal guardar de recordação. – Dei de ombros. – Vem. – O puxei pela mão para a enorme residência.

— Guardar uma casa de recordação? Sério?

— É. Quer tomar alguma coisa? – Eu andei até a cozinha e peguei um copo e enchi de água. Precisava me concentrar antes que acabasse furando seu pescoço. Água era a melhor solução.

— Para estar vazia está bem arrumada.

— Eu pago para deixarem ela organizada e completa. – Expliquei.

— Você tem quantos anos, afinal?

— Dezoito. Por que? – Sentei em cima do balcão, vendo que ele não tirava seus olhos de mim.

— Só perguntei. O que viemos fazer aqui?

— Ah, você sabe. Eu vou te levar até meu quarto, abusar de você e depois te matar. – Agora falei de maneira séria, mas ele começou a rir. Ah, Kurt, eu realmente não quero abusar de você, mas te ter eu quero e muito. Pena que ele não sabe disso, não é mesmo? – Dessa vez não é brincadeira. – Ele fechou seus olhos enquanto ria e eu aproveitei para me aproximar e assim ele se assustou quando abriu aquelas duas bolinhas azuis perfeitas.

— Perto demais. – A voz de Kurt saiu praticamente como um sussurro.

— Eu não vou te machucar. Kurt, eu estava brincando. Você acha que eu teria coragem de machucar você? – Passei minha mão por sua cabeça, bagunçando um pouco seu cabelo.

— Sua mão está fria.

— Desculpa.

— Blaine?! – Mais uma vez eu ouvi a voz dele sair de maneira sussurrada e eu apenas murmurei um “hum?” enquanto tomava mais da minha água. – Eu posso te beijar?

— É claro que você pode!

Mal terminei de falar e o agarrei. O último barulho que ouvi foi o copo se quebrando quando o atirei longe e, depois disso, o mundo pareceu se desligar ao nosso redor. Nossos corpos se uniam em tão perfeita harmonia quanto nossos lábios e eu desejava que aquele beijo não tivesse fim. Pedi passagem com minha língua e ele me concedeu, levando suas mãos aos meus cabelos e se entrelaçando ali. Nossos movimentos eram urgentes, até mesmo quando o peguei pela cintura e o botei no balcão. Ele não deu indícios de que queria parar e eu nem mesmo dei tempo de ele pensar em se afastar. Mas ele afastou.

— O que houve? Por que me afastou? Te machuquei? – Perguntei um tanto quanto preocupado.

Ah, qual é, do nada a pessoa está te agarrando na maior alegria e no segundo seguinte te empurra? O que acontece na mente dessa pessoa?

— Não. Não é isso. – Falou ofegante, como se eu tivesse sugado todo o ar de seus pulmões. E eu não duvido que não tenha sido praticamente isso. – Wow!

— Vou entender isso como um: “eu gostei e quero repetir”.

— Ah, eu quero.

— Então por que parou? – Indaguei confuso.

— Eu preciso respirar, sabia? E eu não sei se isso está certo.

— Kurt, qual é o problema afinal?

— Eu não sei. Não sei se sou do tipo que gosta de pegação só por diversão. – Seu olhar baixou um pouco.

— Quem disse que é só por diversão? Hmm? – Eu sabia as maneiras de provocá-lo, então passei a beijar seu pescoço. Eu sabia que ele cederia mais cedo ou mais tarde. – Ambos queremos isso, então qual o problema?

— E-eu... não... sei... – Kurt gaguejou. Isso é um bom sinal para mim.

— Então apenas relaxa e aproveita. – Eu meio que ordenei e ele assentiu, então aproveitei e novamente o beijei, o pegando pela cintura e o fazendo entrelaçar as pernas em mim.

Em rápidos movimentos eu o carreguei até o quarto e o coloquei na cama, me colocando por cima dele e continuando a o beijar. Eu tirei sua blusa e passei a beijar seu peito.

Mas o que diabos eu estava fazendo? Meus olhos ficaram escuros, eu consegui sentir. Me afastei bruscamente dele e me sentei na beirada da cama. Ouvi ele perguntar se havia feito algo errado e se aproximar de mim, mas me levantei e andei até a janela. Ele não podia ver meu rosto agora, eu precisava me acalmar. Eu poderia ter matado ele.

— Fiz algo errado? – Perguntou ele e eu ri fraco.

— Eu não posso fazer isso. – Falei baixo.

— Por que não? – Ele chegou mais perto mesmo comigo em pé e dessa vez eu não me afastei.

— Porque é errado. – Eu estava irritado comigo mesmo.

— Você disse que queria isso. Não consigo entender porque é errado. – Ele falou de sua maneira inocente. Uma inocência que por pouco eu não arranquei fora. Mais uma vez, aliás.

— Você é muito bom para mim. – Eu falei e ele riu.

— Você só faltou dizer que não é homem para mim. – Ele disse gargalhando alto e eu cruzei os braços sem entender nada.

— Eu não sou mesmo. – Dei de ombros.

— Blaine, você pode conversar comigo, sabia? Eu não mordo. – Ele disse sorrindo de uma maneira doce.

— Você não morde, mas eu sim. – Pensei e balancei a cabeça negativamente. Que diabo de pensamento era esse? – Kurt, eu mantenho um segredo há muito tempo e eu não posso te contar. Pelo menos não agora.

— Por que?

— É uma história muito complicada e lembra muito um filme de terror. Eu espero que você tenha paciência comigo e espere, pois, quando o momento certo chegar, eu vou te contar. Ok? – Perguntei e depositei um beijo em sua testa.

— Tudo bem. Então o que acontece agora? Vamos fingir que isso não aconteceu? – Ele perguntou e sua voz expressava um pouco de angústia.

— Você acha que vai ser fácil esquecer o que aconteceu aqui? – Falei e ri. Ele corou e eu achei aquilo uma graça. – Você é tão doce, K. – Seu sangue deve ser delicioso. – Eu já estava me amaldiçoando por tantos pensamentos que eu não deveria ter. Eu balancei a cabeça novamente e fui até a porta. – Quer que eu te leve para casa? – Perguntei ajeitando minha roupa, que estava toda amassada.

— Pode ser. – Ele disse colocando sua blusa e vindo em minha direção. Peguei em sua mão e fomos em direção ao carro.

[...]

— Blaine, posso te fazer uma pergunta? – Ele perguntou me olhando de canto. Seus pensamentos estavam a mil durante o dia inteiro. Eu só fico imaginando: se para mim, ouvir esses pensamentos era uma loucura, imagina para ele passar por esse turbilhão de coisas?

— Sempre. – Falei simpático.

— Você é gay? – Ele perguntou e eu ri.

— Não é meio óbvio? – Perguntei e ele entortou a boca com incerteza. – Eu meio que estava me agarrando com você uma hora atrás.

— Você pode ser bi. Digo... você sempre acha graça que as meninas da turma fiquem dando em cima de você. Por que não conta para elas? Não seria mais fácil? – Ele perguntou e eu assenti.

— Seria. – Eu disse e o olhei rapidamente. – Eu gosto de me fazer, sabe? Elas só sabem te cortar e eu acho que vai ser muito legal ver a cara delas quando eu chegar naquela sala segurando a sua mão. – Falei e percebi o quão envergonhado ele ficou. Estacionei em frente à casa dele e desliguei o carro. – Nos vemos am... – Não tive nem a oportunidade de terminar a minha pergunta, já que ele simplesmente me agarrou.

— Tchau, Blaine. – Ele disse e saiu do carro. Eu ainda fiquei com o carro estacionado ali, sem reação alguma. Será que eu realmente acabei com a inocência daquele doce garoto que eu beijei hoje mais cedo?

Notas finais
Eita kkkkkkk o que acharam? Me digam ♥ Suas opiniões são importantes ♥♥ Bjo ♥