Evil In The Night

6 Because I Love You


Notas iniciais
Oii... espero que gostem ♥

KURT HUMMEL

— SEBASTIAN! – Cheguei gritando em casa.

— Posso saber onde o senhor estava? Por que você faltou ao ensaio? E por que motivo, razão ou circunstância você está com esse sorriso idiota estampado no rosto? – Ele perguntou e eu sorri ainda mais.

— Eu.... ele... nós... – Eu tentei falar, mas as palavras simplesmente não saíam, eu me sentia o verdadeiro idiota apaixonado.

— Você e quem? O que? Eu não estou te entendendo. – Disse Seb cruzando os braços.

— Blaine e eu nos beijamos. – Eu simplesmente falei e ele abriu a boca, sem acreditar naquilo.

— SÉRIO? – Ele perguntou animado e começou a sorrir. Eu apenas assenti. – E foi bom?

— Foi ótimo. – Eu falei lembrando do beijo, passando os dedos por meus lábios. – Eu perdi o controle, Sebastian. Se ele não me parasse, não teríamos apenas nos beijado.

— Wow! O que fizeram com meu amiguinho que tem vergonha de falar sobre sexo? – Ele perguntou e eu corei.

— Eu ainda tenho.

— Vergonha só de falar, porque de fazer... parece que não. – Ele falou e eu dei um tapa no braço dele.

— Idiota! – Falei envergonhado.

[...]

— Vamos nos atrasar, Kurt. Para de sonhar com o seu garoto e anda logo. – Sebastian falou batendo na porta do meu quarto.

— Já estou saindo. Eu já estou pronto, pode esperar dois minutos? – Perguntei e ele continuou a bater na porta. – Ah, seu chato, para de bater na droga da port... – Falei abrindo a porta e quando a abri eu fiquei estático. O garoto de preto estava ali. – O que você fez com Sebastian?

— Ele está lá embaixo, provavelmente te esperando. – Disse a voz que não era possível de se reconhecer de lugar algum. – Você tem medo de mim?

— Tenho. – Confirmei, nervoso.

— Não deveria. – Disse ele.

— Por que você está me perseguindo? O que eu fiz para você? Por que quer me machucar? – Perguntei tudo muito rápido.

— Kurt, eu não estou te perseguindo, estou te visitando. Você não me fez nada. Se eu quisesse te machucar, eu teria matado sua amiguinha, Santana. Mas eu a salvei, pois soube que você se preocupava com ela. – Ele falou e sua voz era calma. Eu apenas observava. – Não vai falar nada?

— Como soube o mal que ela estava me causando? E como soube que eu me preocupava com ela? – Perguntei sem me mexer bruscamente.

— Assim. – Ele disse e simplesmente sumiu. Eu olhei para todos os lados, mas ele não estava em lugar nenhum. – Eu continuo parado no mesmo lugar, você só não está me vendo.

— Como você faz isso? – Perguntei já com medo.

— É uma de minhas habilidades. – Ele falou dando de ombros, aparecendo novamente.

— Quem é você?

— Apenas um alguém. Ou um algo.

— Por que eu?

— Não entendi. – Ele disse e deu um passo para o lado.

— Por que você está fazendo isso comigo? Me perseguindo e sabendo tudo sobre mim... – Falei e dei um passo para trás assim que ele se aproximou.

— Porque eu amo você. – Ele disse e sumiu novamente. Eu poderia ter dito algo, pois ele ainda poderia estar ali, mas o choque que eu senti foi maior que tudo. Naquele momento eu senti que eu realmente o conhecia e tinha sentimentos por ele. Será que nos conhecemos de outra vida?

— Kurt, você vai demorar mais ainda? A aula começa em dez minutos, anda logo. – Seb falou aparecendo na ponta da escada e eu apenas peguei a mochila e fui em direção a escola com ele.

— Seb, você já sentiu como se conhecesse uma pessoa de outra vida? – Eu perguntei assim que chegamos a escola. Fomos direto para a sala, pois só chegamos e já ouvimos o sinal tocar.

— Só você. – Ele disse e eu revirei os olhos. Ao chegar perto do local onde eu sentava, vi que Blaine já estava lá. Como eu não reparei que ele estava ali antes?

— Não estou falando de mim. – Eu falei meio zangado e ele deu de ombros.

— Então explica, ué. – Ele falou e eu revirei os olhos novamente.

— Esquece, Seb, esquece. – Falei e sentei escorado na parede.

— Bom dia! – Disse Blaine sorrindo para mim.

— Bom dia. – Eu disse meio frio e ele fez uma carranca.

— Você está bem? – Ele perguntou e se apoiou em cima da mesa.

— Estou. – Falei e virei para frente. Alguns minutos depois, senti alguém me cutucando. Era Blaine. Peguei o papel que ele estava me entregando e o li.

“Você pode enganar qualquer um, mas não a mim. O que você tem?” – B.A.

Peguei uma caneta e respondi rapidamente.

“Lembra da pessoa que eu te falei que está me perseguindo ultimamente? Ele falou comigo hoje. Isso mexeu comigo.” – Kurt.

Entreguei a ele e em pouco tempo ele me devolveu o papel.

“Quer conversar sobre isso?” – B.A.

“Por papel? Vou perder a mão de tanto escrever.” – Kurt.

“Você é adorável. Nós podemos dar uma volta hoje à tarde. O que acha?” – B.A.

“Dessa vez pode ser depois do ensaio? Quinn me disse que Santana volta hoje e eu queria estar aqui para ver isso.” – Kurt.

“A hora que você quiser.” – B.A.

[...]

— Temos ensaio hoje? – Perguntou Seb, se juntando a mim e Blaine no corredor. – Oi, Blaine. – Disse Seb simpático.

— Oi. – Falou Blaine, também sorrindo.

— Temos ensaio todos os dias, Seb. – Eu ri. – Vocês acham que a Sant vai voltar um pouco mais amigável?

— Espero que sim. – Disse Seb. – Ainda gostaria de saber quem machucou ela.

— Alguém que não gosta dela. – Falei nervoso e acelerei o passo. Logo nós chegamos a sala do coral e nos sentamos nas cadeiras de sempre. Sr. Schue já estava na sala, sentado em cima do piano.

— Boa tarde, turma. – Disse ele, simpático como sempre. – Eu vou começar a aula logo, só estou esperando Santana chegar.

— Aqui está ela. – Disse Quinn, entrando junto de Santana na sala do coral.

— Saaaant. – Gritou Brittany, chegando a Santana e a abraçando. Santana deu um selinho em Britt e todos ficaram encarando elas.

— Como todos sabem, eu saí do coral, mas pedi ao Sr. Schue para vir aqui falar com vocês. – Ela disse com um sorriso simpático no rosto.

— O que fizeram com você? – Perguntou Tina. – Você até parece humana agora.

— Quase morrer muda você. – Começou Santana. – Eu quero esclarecer algumas coisas. Muitos me fizeram muitas perguntas e antes que espalhem coisas erradas eu vou falar tudo para vocês. Primeiro: eu e Brittany namoramos, e foi errado da minha parte manter isso em segredo. Eu tinha medo de ser julgada por isso. – Ela disse e apertou mais a mão de Britt. – Segundo: eu não lembro quem ou o que me atacou. Eu só lembro de estar na escola ameaçando Kurt de morte e depois acordar no hospital ao lado de Quinn.

— Quase morrer realmente muda as pessoas. Você me chamou pelo nome. – Eu falei ainda sem acreditar que aquela era mesmo Santana.

— Me desculpa por todas as vezes que te chamei de Lady Hummel, eu realmente me arrependo. – Ela disse e eu tive vontade de rir, mas apenas fiz um sinal positivo com a cabeça. – Sr. Schue, eu gostaria de voltar para o coral. Eu realmente gosto de fazer parte do New Directions.

— Só se você se comprometer em não criar nenhuma briga ou coisa do tipo. – Disse ele e ela assentiu.

— Eu prometo que não vou. – Ela disse e sorriu. Ele fez um sinal para que ela sentasse e assim ela fez.

— Pessoal, eu resolvi mudar um pouco a dinâmica da competição. – Falou o Sr. Schue e eu sorri. Será que eu finalmente teria a minha chance de cantar na frente de todos? – Um solo, um dueto e um número em grupo.

— Mas já era assim. – Falou Rachel.

— Sim. Essa não é a mudança. – Falou ele e ela desfez seu sorriso. – Um solo, cantado por Quinn.

— O SENHOR NÃO PODE FAZER ISSO. – Gritou Rachel, completamente histérica.

— É a vez de Quinn brilhar. – Falou ele e Quinn ficou com os olhos arregalados. – Você aceita, Quinn?

— Aceito. – Ela disse dando um sorriso.

— O número em grupo será bem diversificado. Cada um vai cantar um pedacinho. – Disse o Sr. Schue e Rachel ficou com um pouco mais de raiva.

— Isso é ridículo. – Falou Rachel.

— Quem é o professor, Rachel? – Perguntou Will e ela se calou. – E por último, o dueto. – Ele falou e fez um suspense. – Pensei em algumas possibilidades, mas decidi a que tem mais a ver e que eu tenho certeza de que vai funcionar. – Ele disse e sorriu. – Kurt e Blaine.

— O QUE? – Gritou Rachel. Eu não consegui falar nada. Eu realmente vou cantar na frente de todo mundo, e mais que isso, com Blaine?

— Qual o problema agora? – Perguntou Will.

— Nós não ouvimos Blaine cantar. Ele pode nem ser tão bom assim. – Falou Rachel tentando encontrar motivos para Blaine não cantar.

— Se vocês quiserem eu posso cantar agora. – Blaine deu a ideia e todos assentiram. – Tudo bem então.

Blaine andou até o piano da sala, encarou a todos e, em seguida, a mim e começou a dedilhar as teclas com uma suavidade sem igual.

BLAINE ANDERSON

Heart beats fast (O coração bate forte)

Colors and promises (Cores e promessas)

How to be brave (Como ser corajoso?)

How can I love when I'm afraid to fall (Como posso amar quando tenho medo de me apaixonar?)

But watching you stand alone (Mas ao ver você sozinho)

All of my doubt suddenly goes away somehow (Toda a minha dúvida de repente se vai de alguma maneira)

One step closer (Um pouco mais perto)

Lembrar de todos os momentos que ao longo dos anos passei ao lado de Kurt, era como folhear um álbum antigo de fotografias, que mais aparentavam ser tristes lembranças. Ele sente que me conhece de vidas passadas, mas qual seria a reação dele se realmente soubesse que em todas as suas vidas eu estive ao seu lado?

O que ele faria se soubesse que eu sempre fui o que mais o amei e também o que mais o magoei. Motivo de sua vida, sua paixão e, infelizmente, sua decepção e sua morte. Fui aquele que juntou os pedaços de seu coração partido e o motivo de ele novamente se quebrar em milhões de pedaços. Fui ser amor e sua desgraça. Eu não mereço ainda estar perto dele.

I have died every day waiting for you (Eu morri todos os dias esperando você)

Darling, don't be afraid I have loved you (Querido, não tenha medo eu amei você)

For a thousand years (Por mil anos)

I'll love you for a thousand more (Eu amarei você por mais mil)

Enquanto eu cantava, todos me observavam de maneira atenta. Eu pouco ligava para a presença deles, só me preocupava com a reação de Kurt ao me ouvir cantar. Ao longo dos anos minha voz sempre o encantou. Ele costumava dizer que me ouvir cantar era como se a paz tivesse uma voz e era uma voz tranquila e acolhedora.

Mas será que agora ele pensaria desse jeito ainda? Ele não lembra do que aconteceu e eu pedi para que Elliott tirasse de mim todas as lembranças ruins de minha cabeça. Eu sei o que fiz, mas não tenho mais a lembrança de como ou quando fiz. Tenho um trato com ele que foi selado com nosso próprio sangue e ele me prometeu que só me daria de volta essas lembranças se eu precisasse de um motivo para as lembrar.

Time stands still (O tempo para)

Beauty in all she is (A beleza em tudo o que ela é)

I will be brave (Terei coragem)

I will not let anything take away (Não deixarei nada levar embora)

What's standing in front of me (O que está à minha frente)

Every breath (Cada suspiro)

Every hour has come to this (Cada momento nos trouxe aqui)

One step closer (Um pouco mais perto)

E que motive seria esse? Bom, ele só me devolveria minhas memórias se eu voltasse a ser o chupador de pescoços que mata por prazer e não para se alimentar. E está bem óbvio que existem inúmeras chances de isso tornar a acontecer muito em breve.

Kurt sempre foi a única pessoa que eu fui capaz de amar. Se é porque ele foi o meu único amor quando eu era humano ou se é porque ele é o único que se preocupa comigo o suficiente para ignorar nossas diferenças, eu realmente não sei. O que eu verdadeira e dolorosamente sei, é que eu nunca o mereci, nem nunca merecerei.

I have died every day waiting for you (Eu morri todos os dias esperando você)

Darling, don't be afraid, I have loved you (Querido, não tenha medo, eu amei você)

For a thousand years (Por mil anos)

I'll love you for a thousand more (Eu amarei você por mais mil)

Kurt me encarava com um pequeno sorriso pintado em seus doces lábios. Sempre que eu o via sentia vontade de abraça-lo e beijá-lo. Era difícil resistir a essa tentação. Tudo que envolvia Kurt era sempre uma tentação horrível de se resistir, mas dessa vez eu estava disposto a dar o meu melhor para ele.

Estava disposto a dar todo o amor que já fui capaz e muito mais. Seria capaz agora de cuidar dele em todos os momentos de dificuldade e protegê-lo de qualquer um que oferecesse perigo a ele, mesmo que esse fosse eu próprio.

And all along I believed I would find you (E o tempo todo eu acreditei que encontraria você)

Time has brought your heart to me (O tempo trouxe o seu coração para mim)

I have loved you for a thousand years (Eu amei você por mil anos)

I'll love you for a thousand more (Eu vou amar você por mais mil)

— Está decidido então. Kurt e Blaine vão cantar o dueto. – Disse o Sr. Schue e eu assenti sorrindo. – Eu decidirei o número em grupo, mas tanto o solo quanto o dueto podem ser decididos por quem vai cantar. Escolham músicas boas. Podem ir.

— Vamos? – Me aproximei de Kurt ao perguntar, vendo ele assentir para mim. – Onde você quer ir? – Estávamos chegando na saída da escola quando eu o perguntei.

— Onde você quiser me levar. – Respondeu sorrindo e eu apenas assenti.

O caminho até meu carro e do carro até o local foi bem silencioso. Kurt me olhava de vez em quando e eu sorria para ele. Como eu o amava... chegava a não caber todo aquele amor dentro de mim.

— Gosta de sorvete? – Perguntou ao estacionar na frente da sorveteria.

— E existe alguém que não gosta? – Riu ele, me levando a também rir.

— Eu não gosto. – Ele me olhou incredulamente.

— Você não é normal. – Ele voltou a rir. – Se não gosta, por que me trouxe aqui?

— A ideia era agradar você, Kurt, não a mim. – Ele acabou corando e então entramos na sorveteria e nos sentamos.

— Olá, sejam bem-vindos. – Sorriu a atendente e nós a cumprimentamos. – O que gostariam de pedir?

— Na verdade, eu não quero nada. – Respondi. – Mas você poderia trazer para esse menino um sorvete de uva com passas ao rum, por favor? – Ela assentiu e saiu de perto d nós.

— Esse é o meu sorvete preferido, como você sabia? – Me encarou confuso e eu apenas sorri.

— Apenas um palpite de sorte. – Menti. – Agora quero que me conte exatamente o que está te atormentando.

— Eu preciso descobrir quem é a pessoa que está me perseguindo. Eu tenho medo dele. – Kurt parecia meio nervoso.

— Você acha que ele seria capaz de te machucar? – Perguntei e vi o pedido de Kurt chegar.

— Eu não sei. Ele se recusa a me dar explicações decentes. Dizer que me ama não adianta de nada. – Ele disse e eu o olhei confuso.

— Você tem um pretendente, olha só. – Eu falei brincando. Eu sei desde o começo quem é a pessoa que fala com Kurt, afinal eu conheço a mim mesmo.

— Você deveria provar esse sorvete. É o melhor gosto do mundo. – Ele disse e completou mentalmente: “só não é melhor que o gosto do seu beijo”. Eu sorri ao ouvir os pensamentos dele. Eu juro que não faço de propósito. Eu não escolho ouvir ou não os pensamentos, eu simplesmente escuto. – Prova aqui. – Ele disse e apontou a colher na minha direção. Eu ri e ele me deu o sorvete na boca. – É bom, não é? – Ele perguntou e eu sorri mais ainda.

— Sim, é muito bom. – Eu falei e ele sorriu ainda mais. – Posso te fazer uma pergunta?

— Tenho até medo. – Ele disse e eu ri. – Mas pode.

— Você gosta de mim? – Eu perguntei e ele me encarou sem saber o que dizer.

— Somos amigos, então é meio óbvio. – Ele disse e eu sorri para ele.

— Vou mudar minha pergunta. – Eu falei simples e ele não conseguiu parar de pensar que estava ferrado. – Você está apaixonado por mim? – Quase que automaticamente ele pensou que sim, ele está perdidamente apaixonado por mim. Sorri ainda mais com a expressão dele. Ele só não sabia o motivo exato de eu estar sorrindo.

— Ahn... eu... – Ele ficou sem palavras e eu o dei um rápido selinho. Ele corou instantaneamente e eu o encarei com um olhar apaixonado.

Eu sei que todos dizem que eu sou incapaz de amar. Dizem que eu perdi o dom de me apaixonar e que as pessoas vão me odiar ao descobrirem quem sou e tudo de ruim que eu já fiz. Eu sou um monstro e não há um dia o qual eu deixe de odiar a criatura que eu sou. Eu já tentei me matar, mas se eu parar de me alimentar é pior, pois eu me torno um assassino ainda mais cruel e mais mortal.

Kurt faz com que tudo de ruim que eu já fiz desapareça de meus pensamentos. Cada momento ao lado dele, é um momento a mais onde eu posso me lembrar como é a sensação de ser humano novamente. Elliott disse que eu iria perder o controle por estar ao lado de Kurt e ia feri-lo, mas isso não é verdade. Eu sei que eu conheço Kurt de outros tempos e sei que já o machuquei, ainda que eu não me lembro como ou o porquê.

A única coisa que eu tenho certeza, é que ele faz com que eu me sinta humano de novo, ele faz com que eu lembre como é ser feliz e amado. Eu sei que, no momento em que o garoto que ele diz ser misterioso apareceu, algo em mim mudou e, ao mesmo tempo, mudou nele também. Kurt pensa que eu quero machucá-lo, quando na verdade eu só estou tentando protegê-lo. Ele pode ter medo da minha versão mais “escura”, mas aquele é o meu verdadeiro eu.

O Blaine que ele conhece, com as roupas coloridas, o gel no cabelo e tudo o mais, é apenas a demonstração de como já fui um dia. O meu eu vestido de preto, só com o sorriso no rosto e uma voz totalmente diferente, é o que eu me tornei. Apenas um assassino sem coração. Apenas um ser desprezível que machuca todos sem piedade. Mas eu nem sempre fui assim.

Eu já fui um garoto normal, com um coração bondoso e uma alma generosa. Eu já me apaixonei, e foi justamente por Kurt. Eu sinto que uma parte da minha vida foi arrancada de mim, mas ao lado de Kurt eu estou completo novamente. Antes de encontrá-lo – ou reencontrá-lo – eu era o garoto idiota que só sabe ir para festas, aproveitar a noite com algum companheiro – seja homem, seja mulher – e depois apreciar o delicioso sangue de cada um. Eu não tenho controle. Quando eu começo, eu não paro.

Esse é o meu medo de ficar perto de Kurt. E se um dia estivermos juntos e por algum motivo ele se cortar por acidente. Será que eu conseguiria resistir? Será que eu conseguiria cumprir meu propósito de protegê-lo? Eu não sei se consigo aprender a controlar a mim mesmo. Eu ainda não sei como consegui apenas machucar Santana ao invés de matá-la. Eu só sei que eu preciso evitar deixar qualquer suspeita a solta de quem sou eu, pois se Kurt descobrir, meu mundo vai fazer menos sentido ainda.

— Você está bem? – Perguntou ele me cutucando. Ele já havia terminado seu sorvete e aparentava estar me olhando por pelo menos dez minutos.

— Estou. Apenas me perdi em pensamentos. – Eu falei e ele sorriu.

— Que bom. Assim você não ouviu a minha resposta. – Ele disse e eu ri. Ele não sabe, mas eu não preciso que ele me responda. Eu só pergunto para não ficar tão óbvio.

— Droga. Parece que vou ter que perguntar de novo em um outro momento. – Eu falei e ele sorriu.

— Prefiro que não. – Ele disse e me encarou. Seu olhar era tão doce, tão inocente.

— Quer outro sorvete? – Perguntei tentando me desfazer de meus pensamentos. Tentei prometer a mim mesmo que não ia mais escutar os pensamentos de Kurt, pois ele acabara de dizer mentalmente que não queria outro sorvete, mas queria me beijar.

Mas é como eu já disse, eu não posso simplesmente decidir que não quero mais escutar. Não é culpa minha. Não é uma escolha que eu fiz. Mas eu vou tentar treinar isso, não importa o quanto seja difícil. Por ele tudo vale a pena.

— Não. Obrigado. – Ele disse e eu sorri. Nos levantamos e fomos até o caixa. Ele ia pagar e eu ri. Dei uma nota com um valor muito maior do que eu deveria ter dado e disse para a moça ficar com o troco. Segurei a mão de Kurt e fui com ele em direção ao carro. – Você pagou um sorvete de oito dólares com uma nota de cem. – Ele disse sem acreditar e eu ri.

— E daí? – Perguntei sem dar importância.

— Você podia ter comprado mais de dez sorvetes com esse dinheiro.

— Quer eu vou lá e compro para você?! – Eu disse e o queixo dele caiu ao chão. Abri a porta do carro para ele, que corou com o ato. Fui para o banco do motorista e comecei a dirigir.

— Eu gosto de passar o tempo com você, sabe? Você faz com que eu me sinta bem. – Ele estava mesmo confessando isso?

— Eu também gosto de estar com você. – Eu falei e um silêncio se instalou dentro do carro. – O que Sebastian acha sobre esse mistério da sua vida? – Perguntei tentado puxar assunto.

— Ele não sabe. – Ele falou e eu o encarei rapidamente.

— Ele não é seu melhor amigo? Ele não deveria saber dessas coisas? – Eu perguntei e ele riu triste.

— Quando eu contei para ele sobre o que eu tinha visto, ele não acreditou em mim. Então resolvi não contar mais nada sobre o assunto. Você é o único que sabe de tudo. – Ele falou e eu o mandei um sorriso.

— Aposto que sobre o beijo você contou. – Eu falei e ele corou.

— É. Isso eu falei. – Ele admitiu corando ainda mais. – Mesmo que eu não falasse ele teria descoberto. Eu estava com uma cara de idiota.

— Costumamos ficar assim quando estamos apaixonados. – Eu falei e novamente o silêncio se instalou. Estacionei o carro e desci do mesmo para abrir a porta para Kurt.

— Quer entrar? – Ele perguntou e eu me escorei de costas no carro.

— Tenho algumas coisas para fazer. – Falei e ele me olhou meio triste. – Mas se quiser eu posso buscar vocês amanhã de manhã para irmos para a escola.

— Por mim tudo bem. – Ele falou e eu sorri para ele.

Kurt foi se aproximar para me dar um beijo no rosto, mas eu não resisti. Eu precisava sentir o gosto do beijo dele de novo, então eu simplesmente o puxei pela cintura e o beijei. Ele entrelaçou as mãos em volta do meu pescoço e começou a passar a mão pelos meus cabelos. Tudo estava correndo perfeitamente bem, até eu colocar a mão na nuca dele. No momento eu encerrei o beijo e resolvi dar um beijo no pescoço dele. Já estava anoitecendo e não havia ninguém na rua. Encostar no pescoço dele foi o pior erro que já cometi. Eu senti meu rosto mudar e senti que se eu ficasse ali por mais um segundo que fosse, Kurt não sobreviveria para contar história.

Eu simplesmente larguei ele ali e entrei no carro. Eu deveria ter me despedido, mas eu realmente tive medo de machucá-lo. Existe um ser mais desprezível do que eu? Provavelmente não.

Notas finais
Música: https://www.youtube.com/watch?v=rtOvBOTyX00 O que acharam? Me contem ♥