Notas iniciais
Bem, demorei, mas foi menos que da última vez.
Capítulo novinho em folha. Espero que gostem.

Obs: Mais uma vez, obrigada pelas reviews. Elas representam muito pra mim.

Eu te amo. A última frase que Regina ouviu de Charming. A frase que era capaz de destruí-la e que ao mesmo tempo, era um afago em seu coração. Ser amada era uma sensação que não fazia parte de sua vida. Ele a amava. Ela sabia disso, mas não poderia aceitar o amor e se entregar ao homem que era casado com sua pior inimiga. Ela tentou destruir a felicidade de Charming tantas vezes e agora que ela podia fazer parte e proporcionar esse sentimento a ele, ela simplesmente não conseguia. Só ela sabe a força que lhe foi necessária para não se entregar ao príncipe e sim, manda-lo embora. O amor que sentia por ele tinha que ser o suficiente para ela fazer a coisa certa. Ela queria que ele fosse feliz, mas achava que isso não aconteceria ao seu lado.

Foram incontáveis manhãs, tardes e noites com o pensamento em Charming. Nas palavras ditas por ele, nas sensações causadas por ele, nos sentimentos despertados por ele. Regina era uma mulher forte, mas se quebrava em milhões de pedaços quando o assunto era amor. E naquele momento, amor tinha ganhado um lindo rosto, um corpo esculpido, a voz mais sedutora, as mãos mais viris, a boca mais macia, o cabelo mais sedoso e os olhos azuis mais expressivos existentes. Enfim, amor era sinônimo de Charming para Regina.

***

No castelo, os pensamentos de Charming estavam em Regina. Ele não acreditou em uma palavra dita por ela. Ele sentia que ela o amava, mas por diversos motivos, não admitia e aceitava a possibilidade de viver e aproveitar esse sentimento. Ele não insistiu, mas não conseguia esquecer Regina. Ele tinha uma mulher, uma família, um reino para ser governado, e mesmo assim, sua mente estava na linda morena morando a uma distância dolorosa dele. Ele só conseguia pensar na pele branca, na cicatriz milimetricamente perfeita na boca carnuda, no corpo curvilíneo, na rouca e sexy voz. Seu pensamento tinha o nome, o rosto e o corpo de Regina.

***

Semanas depois


A família Charming estava reunida no castelo para o café da manhã. A refeição estava sendo feita em total silêncio. O casamento de Snow e Charming não estava no melhor momento. Por mais que ele tentasse, o príncipe não conseguia esquecer Regina e esconder seus sentimentos não era a tarefa mais fácil do mundo.

Depois de alguns minutos e olhares suspeitos, Henry quebrou o silêncio.

– Snow, eu estava conversando com a minha mãe ontem e nós dois concordamos em uma coisa.

– O quê? – Snow perguntou confusa.

– Bem, nós já estamos na Floresta Encantada há mais de um mês e bem, é que... nós achamos que... – o menino começou a gaguejar e Emma tomou a frente da situação.

– Nós achamos que o teste da Regina já pode acabar. – Emma disse sem pestanejar, e virando o olhar para Charming que se engasgava com o café – Tudo bem com você, pai?

– Tudo. Eu só... me engasguei. Só isso. Continue – ele disse tentando disfarçar seu nervosismo. É claro que não estava tudo bem. Ele ainda amava Regina e a possibilidade de vê-la todos os dias, sem poder abraçá-la, beijá-la e tocá-la, o assombrava.

– Bem, é isso. Regina provou que mudou. Eu conversei com a Granny e ela me disse que está impressionada com o comportamento da Regina. Ela está trabalhando sem reclamar e desenvolveu uma ótima relação com todos da vila. Portanto, acho que esse teste pode acabar e ela pode se mudar para o castelo. O que vocês acham? – Emma perguntou, olhando na direção de seus pais.

– Eu ainda tenho minhas dúvidas... Eu não consigo acreditar na veracidade dessa nova Regina. E você, querido? – Snow perguntou ao seu marido.

– Por mim, tudo bem. Eu acredito nela. – Charming disse com sinceridade.

– Vamos lá Snow! Você sabe que ela está diferente. Deixe-a vir morar conosco. Por favor... – Henry implorou à avó.

– Acho que eu não tenho escolha. São três contra um. Vocês venceram. Regina pode se mudar para o castelo.

– Isso! – Henry comemorou com um abraço na avó. – E quando nós vamos contar para ela? Agora?

– Por mim pode ser. Vocês têm alguma coisa importante para fazer? – Emma indagou os pais.

– Não. Vamos acabar com isso de uma vez por todas. – Snow respondeu sem consultar Charming, que ficou nervoso com a possibilidade de reencontrar Regina, depois de tudo o que tinha sido falado na última vez que eles haviam conversado, mas para não levantar suspeitas, aceitou ir.


E assim eles fizeram. A família Charming terminou seu café e foi em direção à casa de Regina, que por sua vez, estava terminando de se arrumar para ir trabalhar quando ouviu o bater na porta.

Eu devo ter feito strip tease na Santa Ceia, só pode! Essas visitas só aparecem quando eu estou saindo. Que saco! Regina pensou, com um humor longe de estar bom.

– Uau! Bom dia. – ela cumprimentou surpresa, a família que a encarava na porta.

– Bom dia mãe – Henry respondeu primeiro, antes de envolver Regina em um abraço apertado. – Nós viemos te contar uma novidade.

– Novidade? Bem, da última vez que vocês vieram em comitiva, eu tive que me mudar para essa casa e trabalhar de cozinheira. Desta vez, o que vai acontecer? Eu vou ter que ir para outro mundo, morar embaixo da ponte? – Regina demonstrava seu mau humor em cada palavra dita.

– Não é nada disso, Regina. Nós podemos entrar para conversarmos melhor? – Snow disse, desconfortável com os olhares estranhos de alguns moradores.

– Claro. Se vocês couberem aqui dentro, por mim tudo bem. – Regina ironizou abrindo espaço para eles passarem.

E foi só nesse momento, que Regina pode der uma olhada em Charming. Desde que eles tinham chegado, ele tinha mantido a cabeça baixa, os olhos virados para o chão, mas agora era diferente. Durante os segundos que duraram seu caminho até o sofá, os olhares da morena e do príncipe se encontraram. Era como se um ímã os atraísse. Charming passou por Regina olhando em seus olhos intensamente e deixando um rastro de seu perfume. Ele sabia que seria perigoso tocá-la, mas ele precisava sentir a pele dela, e assim o fez. Tocou de leve a mão de Regina, causando arrepios em ambos os corpos. A conexão que eles tinham era incrível, mas ela foi quebrada pela voz de um entusiasmado Henry.

– Mãe, nós viemos aqui para te contar que você finalmente vai poder se mudar para o castelo! – ele disse eufórico, pensando que esse seria o mesmo sentimento que invadiria Regina, o que não aconteceu. Ela permaneceu estática. – O que foi mãe? Não gostou da novidade?

– Não, não é isso.

– Então o que foi? – Henry perguntou surpreso.

A reação de Regina surpreendeu a todos. Ela não tinha ficado animada, não tinha ficado triste, ela estava sem reação.

– É Regina, o que foi? Isso não era o que você queria? Sair desse barraco e ir morar de favor conosco, no castelo? – Snow provocou.

– Não provoca Snow. Deixa-a falar – Emma disse, tentando apaziguar os ânimos de sua mãe.

– Eu não sei se isso é o que eu quero – Regina começou – Eu já me acostumei a morar nessa casa, a trabalhar com a Granny, a cozinhar para as pessoas da vila...

– Vamos lá, Regina! Você pode parar de fingir. Seu teste acabou. Você pode voltar a falar mal dos moradores sujos da vila e a reclamar de tudo e todos. – era incrível, como Snow tinha mudado e se tornado um exemplar sem sal e sem açúcar da Regina dos velhos tempos.

– Bem, ao contrário do que você pensa, Snow, eu mudei de verdade. Agora eu tenho amigos aqui na vila. Pessoas que gostam e confiam em mim. Eu não sei se eu quero ir morar no castelo e ficar sem fazer nada. Eu não vou cozinhar, não vou ter o que fazer, não vou ser rainha... – Regina ia continuar quando a dumbo (vulgo Snow White) a interrompeu.

– Não vai ser rainha mesmo – Snow a provocou.

– Agora já chega Snow – Charming interviu pela primeira vez – Estamos todos tendo uma conversa civilizada e você fica provocando? Deixe a Regina falar e decidir o que ela vai fazer, e nós vamos apoiar qualquer que seja a decisão dela. – ele terminou, deixando Snow envergonhada e causando seu esperado silêncio.

Regina ficou pensando por alguns minutos. Além de estar acostumada e gostando de sua nova vida, ela sabia, que ir para o castelo significaria ver Charming todos os dias, sem poder ficar com ele. Ela era forte, mas não seria capaz de ver e conviver com o homem que amava sem poder tocá-lo, beijá-lo... E colocando os prós e contras na balança ela tomou sua decisão.

– Eu acho que vou ficar por aqui mesmo. É, é isso. Não vou me mudar para o castelo. Vou continuar morando aqui, vendo Henry sempre que der e trabalhando para a Granny – ela falou decidida.

– Você tem certeza que essa é a sua decisão final? – Emma a questionou.

– Tenho – ela respondeu confiante.

– Tudo bem, então. Vamos embora – Snow se apressou saindo da casa de Regina.

– O castelo está de portas abertas para você. Se você mudar de ideia, me procure – Emma disse se despedindo de Regina. – Até mais.

– Eu sinto muito Henry. – Regina começou a falar com o filho, que agora demonstrava sua frustração com a decisão da mãe. – Mas isso é o melhor para mim. Eu tenho certeza disso.

– Tudo bem, mãe. Eu só quero que você seja feliz – ele terminou se despedindo com um abraço terno. – Te vejo depois.

– Eu espero que isso não tenha nada a ver conosco – Charming a surpreendeu chegando mais perto.

– Não tem. Eu tenho certeza que tomei a decisão correta. – ela disse se distanciando.

– Tudo bem, então. – ele ia saindo quando tomou coragem para dizer – Eu ainda te amo, e espero que esse sentimento acabe, porque ele está me destruindo.

– Ele já deveria ter acabado, assim como o meu. – ela mentiu, fechando a porta em seguida.

Regina ainda amava Charming, mas mentir era uma solução muito mais fácil, do que expor seus reais sentimentos.


Depois que a família Charming saiu da casa de Regina, eles foram para o Granny’s conversar com a dona do estabelecimento sobre a decisão de Regina, que foi comemorada pela senhora.

Snow e Charming saíram antes de Regina chegar para o trabalho, mas ficaram tempo suficiente para ouvir dois homens, que chegaram falando.

– Onde está nossa deusa e futura rainha? – um deles disse para Granny.

– Não sei por que insistem em deixar aquela mulherzinha sem graça no posto de rainha – o outro disse.

– Concordo contigo cara! Queremos Regina como rainha!

– Rainha Regina! Rainha Regina! – eles começaram a gritar no meio da lanchonete, sendo aplaudidos por alguns outros moradores que estavam presentes.

– Acalmem-se. A rainha de vocês chega em breve – a senhora disse entregando duas xícaras de cafés à eles.

***

Snow tinha ficado morrendo de raiva e inveja de Regina. Ela não conseguia acreditar, que em apenas um mês, ela tinha conquistado os moradores a ponto, de eles a quererem como rainha. Era inacreditável como Regina os havia conquistado e isso estava matando Snow por dentro.

***

Charming, por outro lado, não conseguia esquecer Regina. Ele queria conversar direito com ela, mas sabia que ela não aceitaria por vontade própria. Ele a amava e precisava ter uma conversa definitiva, para conseguir mover em frente.

***

Com pensamentos diferentes em mente, Snow e Charming chegaram ao castelo e deram um jeito de se separarem. Cada um deles foi procurar seu guarda de confiança e lhe disseram a mesma frase: Preciso de um favor.

***

O dia passou como um foguete. Regina tinha trabalhado normalmente e estava indo para casa, quando ouviu alguns passos, como se ela estivesse sendo perseguida. Olhou desconfiada para trás, mas como não viu ninguém continuou andando. Mas à medida que ela caminhava, os passos voltavam a ser ouvidos por ela.

– Quem está aí? Se for algum tipo de brincadeira, saiba que não tem graça. Eu posso ser pequena, mas sempre tenho alguma arma para me proteger e se a intenção do idiota é me assustar, saiba que acidentes podem acontecer. – ela disse tentando demonstrar coragem.

Ela continuou a caminhar, desta vez com passos mais rápidos. Consequentemente, os passos que a seguiam também aumentaram sua velocidade.

– Agora já chega! Seja lá quem for a brincadeira acabou. Quem está aí? Apareça! – ela parou e começou a gritar, até que sentiu alguém chegar atrás dela e sussurrar em seu ouvido: Surpresa!

– Que merda é... – ela ia começar a falar, quando o alguém atrás dela usou a mão para colocar um lenço com uma substância que a fez desmaiar em segundos. E ao ver que ela estava sem sentidos, ele usou um saco para lhe tampar a cabeça, a pegou e caminhou floresta adentro com ela desfalecida em seus braços.

Notas finais
E aí gostaram? O que será que vai acontecer com a Regina?
Quem puder deixe reviews com elogios, críticas, palpites, um oi, qualquer coisa serve.

*-*