Evil Charming - O Retorno À Floresta Encantada
23 Capítulo 23
Notas iniciais
– Oi Regina... – Snow fez sua presença ser notada ao cumprimentar a rainha.
– O que você está fazendo aqui? – a morena perguntou com seus grandes olhos castanhos estampando o nervosismo que tomava conta de seu corpo.
– Aparentemente, o mesmo que você – a mulher afirmou com o sorriso falso que havia se tornado habitual – E não precisa se preocupar, eu não vou fazer nada.
– E você ultrapassou os limites que lhe foram impostos porque... – a Rainha disse sem mudar sua posição.
– Eu não ultrapassei nada. E pelo que eu saiba, meu “castigo” não impede que eu saia de casa – ela afirmou. Cada palavra que saíva presunçosamente de sua boca, só fazia o desprezo que a morena sentia aumentar.
– Você teve o que mereceu Snow – a morena afirmou, fechando o livro que tinha em mãos e se levantando lentamente.
– Acho que sim. Diferente de você, certo? Roubou meu marido, minha família e meu reino depois de causar o sofrimento de inúmeras pessoas, que agora a idolatram. Você não merece nada do que está acontecendo em sua vida... Inclusive esses bebês – a mulher falou exasperada.
– Não ouse falar qualquer coisa sobre os meus filhos! – a morena falou com os dentes cerrados, apontando o dedo em direção ao rosto de Snow.
– Ok, isso está começando a sair do controle. Eu não vim aqui para brigar ou discutir com você – a mulher afirmou se afastando.
– Conte outra história Snow. Você me odeia tanto quanto eu te odeio – Regina disse.
– Sim, eu te odeio mais que tudo nesse momento Regina, porque você tem tudo! Charming está de quatro por você, Henry te ama, todos deste reino te admiram e até mesmo Emma, minha filha, gosta de você. Enquanto eu tenho que me contentar com uma vida patética, ficando do “meu lado”, sendo vigiada por alguns soldados idiotas e sozinha. E odeio você, odeio essa situação, eu simplesmente odeio! – a mulher praticamente gritou.
– Bem, eu posso lidar com isso – a morena a provocou.
– Você continua sem coração Regina. Não sei como Charming foi idiota o suficiente para se apaixonar por você – Snow tentou revidar, sem surtir o mesmo efeito na morena.
– Tenho certeza que ele teve bons motivos – a morena continuou.
– Afinal de contas, quem não quer ficar com uma assassina como você? – a mulher provocou Regina novamente, tendo como uma única reação da morena um sorriso calmo.
– Sim, mas eu não preciso que muitos me queiram porque o homem que eu amo deixou sua mulher sem sal para ficar ao meu lado e isso é o suficiente – a rainha disse calmamente.
– E você se sente muito bem por ser a responsável pelo fim de um casamento de duas pessoas que se amam, certo? – Snow perguntou.
– Sim, porque se houvesse amor entre esse casal, eles certamente estariam juntos – a morena retrucou.
– Mas quando se está passando por uma pequena crise e uma terceira pessoa é acrescentada na história tudo se complica, não acha? – a mulher afirmou se aproximando de Regina.
– O que eu acho é que essa conversa já está muito chata. Você tem que aceitar isso de uma vez por todas Snow: eu não roubei o Charming de você, ele me escolheu e não há nada que você faça ou fale capaz de destruir o amor que nós sentimos um pelo outro. Então, aceite isso de uma vez por todas, vá aproveitar sua vida e nos esqueça! – a morena disse mais exaltada que sua atual condição pedia ou permitia, o que causou um leve desconforto na base de seu útero, onde ela repousou uma de suas mãos.
– Engraçado ouvir isso de uma pessoa que tinha como propósito acabar com a minha vida por nada! – Snow continou a provocando e pôde ver o rosto da morena se transformar em segundos.
– Você realmente quer comparar a sua incapacibilidade de manter um casamento com a morte de Daniel? Sinceramente... – a rainha disse cada vez mais irritada.
– O quê? Você acha que eu vou ficar aqui ouvindo conselhos de uma mulher rancorosa como você? Sem chance – a mulher afirmou em um tom mais alto.
– Realmente, você não vai. Adeus, Snow White – Regina disse se virando para voltar ao castelo.
– Então é isso? Você vai simplesmente, fugir como um animal acuado? – a mulher perguntou aumentando a voz afim de a fazê-la audível para a morena – Regina!
Regina não respondeu. Com passos a medida que sua condição permitia ela começou seu caminho para casa. O desconforto em seu ventre aumentando consideravelmente, a medida que sentia seu corpo ficar mais pesado. Sua cabeça dolorida, suas pupilas dilatadas com a mistura de sentimentos causada por uma discussão que não deveria ter acontecido.
A morena parou sua caminhada por um momento e virou seu olhar para o céu, onde uma tempestade se formava mais rápido do que o habitual. O céu logo havia adquirido uma coloração escura, quase negra. Em questão de minutos, o dia ensolarado e bonito teve sua paisagem transformada com os tons escuros que agora tomavam conta da paisagem.
Quando Regina retornou à sua consciência e fez menção de continuar seu trajeto para casa, um raio rasgou o céu à medida em que ela sentiu uma forte pontada em seu ventre. Suas mãos repousando sobre ele, imediatamente. Podia não ser nada, mas era como se seu corpo estivesse conectado com o que estava acontecendo no céu tomado pela tempestade da Floresta Encantada.
Outro raio. Outra contração... Um ciclo vicioso que a fazia contorcer com a dor que ficava maior e maior.
Snow observava de longe a mulher se contorcer a medida em que raios rasgavam o céu, seguidos por trovões estrondosos. Ela ficou parada em seu lugar até que um raio passou consideravelmente perto do lugar em que se encontrava e a mulher decidiu ver o que estava acontecendo. Poucos metros a distanciavam de uma Regina, contendo os gritos de dor que queriam sair a plenos pulmões.
A dor que tomava conta do corpo da morena só fazia aumentar. Outro clarão no céu e a morena sentiu como se uma espada a rasgasse. O que não era de tudo mentira. A água que começou a cair do céu era como uma extensão em dimensão assustadoramente maior do líquido que escorria pelas pernas da morena. A dor que perpassou por seu corpo, fez com que a morena se ajoelhasse e não contesse o grito formado com todo o ar possível.
– Regina, você está bem? – a voz de Snow pôde ser ouvida a medida em que sua mão repousou calmamente no ombro da morena.
– O que você acha? – a morena perguntou com os dentes cerrados a fim de não deixar outro grito sair naquele momento e ao perceber o olhar de Snow, surpreendentemente, preocupado ela continuou – Esses dois idiotas resolveram que querem vir ao mundo agora e essa merda está doendo mais que tudo — ela terminou soltando o grito antes contido.
– Vem, eu vou te ajudar. O castelo está um pouco distante e eu tenho um lugar para me esconder por perto, quando tempestades como essa resolvem acontecer do nada – Snow afirmou oferecendo a mão para a morena que contorcia com as contrações em intervalos estranhamente pequenos.
– Acho que eu não outra escolha – a morena disse segurando a mão de Snow.
Assim que ficou de pé, Regina colocou um braço ao redor do pescoço da mulher, que a ajudou a caminhar, ainda que em pequenos passos, a medida em que a água da tempestade incessante caía sobre seus corpos.
As duas mulheres caminharam por pouco tempo e logo chegaram à uma pequena caverna vazia.
– Chegamos – Snow afirmou ajudando a morena a se sentar, com as costas contra a parede gelada e outro grito ecoar pela caverna.
— Tem que ter alguma coisa errada. Isso está doendo tanto! – os dentes cerrados de Regina condiziam com o que ela dizia.
— Você está dando à luz Regina e isso vai doer muito, tenha certeza disso – Snow afirmou ficando em frente à morena – Posso? – a mulher pediu permissão e ao receber um aceno da morena, levantou o vestido que Regina usava, colocou a calcinha que ela utilizava de lado e verificou a dilatação surpreendentemente avançada — Uau!
— Uau o quê? Puta merda — a morena perguntou, logo expressando a dor de uma nova contração ainda mais forte.
— Você já está super dilatada Regina. Seus filhos estão nascendo. Agora – a mulher afirmou veemente.
A morena não disse nada. O único som que ecoou na pequena caverna foi o de outro grito de Regina.
Era isso. Uma caverna, duas inimigas e dois bebês chegando à esse mundo. O quão irônico é esse tal destino?
***
No castelo, uma Emma preocupada andava de um lado para outro no meio da sala principal do local. Regina havia saído há um bom tempo e com a tempestade torrencial que caía os níveis de preocupação com a rainha só aumentavam.
A loira já havia tomada a atitude de mandar que alguns dos guardas saíssem à procura de Regina e permaneceu no castelo caso a morena voltasse. Onde diabos essa mulher foi parar? Era tudo em que Emma podia pensar.
Ela passava as mãos pelos longos cabelos loiros e a cada segundo passado sua preocupação aumentava.
A única coisa que fez seu coração se acalmar por um momento foi o som de alguém adentrando o local. Cada passo indicando a maior proximidade à ela promovia quase um alívio. Para a infelicidade da loira, não era Regina que estava à sua frente com os cabelos molhados pela chuva.
– Está tudo bem Emma? – Charming perguntou observando as feições tensas de sua filha.
– Não – a loira afirmou categoricamente. Não iria nem poderia mentir para seu pai nesse momento – É a Regina.
– O que aconteceu com ela? – o rosto do príncipe tomado por quase pânico.
– Ela me disse que sairia para uma rápida caminhada e ainda não voltou – Emma explicou de forma sucinta.
– O que? – os olhos do loiro quase saltaram de seu rosto – Regina está no meio dessa tempestade e você não sabe onde?
– Sim – a mulher afirmou e ao ver o pai repetir seu ato de segundos atrás e passar as mãos pelo cabelo ainda molhado, continuou – Mas eu já pedi que alguns soldados a procurem.
– E é claro, que isso me deixa muito mais calmo – o príncipe disse usando o tom familiar de sua esposa.
– Você ficar assim não vai ajudar em nada, Charming – a loira falou tentando tranquilizar um pouco seu pai.
– Realmente, não vai. O que teria ajudado era você ter feito o que eu lhe pedi. Poxa Emma, o quão difícil era tomar conta de uma mulher que está do tamanho de uma vaca gigante? – ele questionou a filha sem se realmente importar com o que dizia.
– Você está se escutando? Nós estamos falando sobre a sua esposa, Regina e você realmente acha que eu conseguiria a impedir de fazer qualquer coisa? Eu ofereci para lhe acompanhar, mas ela é a Regina – a loira retrucou com um argumento que nem o príncipe nem ninguém poderia responder.
– Eu sei. Sinto muito, Emma. É só que... Antes de sair hoje, nós estávamos conversando e ela me disse que estava com um pressentimento, como se algo ruim fosse acontecer. E se ela estivesse certa? Se ela estiver machucada, sofrendo, com dor... – o príncipe começou a pensar em tudo de ruim que poderia estar acontecendo com sua esposa e a cada segundo sua preocupação aumentava.
– Nós vamos encontrá-la. Eu prometo a você – a loira afirmou passando a mão reconfortante nas costas de seu pai.
– É o que eu espero. E vou fazer – ele afirmou decidido pegando a capa que ele havia pendurado há poucos minutos.
– Fazer o quê? – Emma perguntou, ainda que a resposta estivesse mais que implícita.
– Encontrar Regina – o príncipe afirmou saindo do castelo em seguida.
O príncipe saiu sem rumo. Montou em seu cavalo disposto a ir atrás de sua esposa, nem que fosse a última coisa que ele fizesse.
***
Um grito ainda mais audível ecoou novamente pela caverna. Regina permanecia encostada contra a pedra gelada do local, mas sem o vestido que antes usava. Ela permanecia com um de seda branca, amontoado em seus quadris. A dor de suas contrações em intervalos ridicularmente pequenos tinham como resposta os quase urros que a morena não se preocupava mais em deixar sair.
Enquanto a rainha se contorcia com as dores de parto que invadiam seu corpo, Snow estava do lado de fora da caverna. Mantinha a lâmina que tempos atrás havia sido utilizada para quase provocar a morte de Regina, sobre o ar. A água da chuva que caía initerrupta passava pelo objeto que a mulher tinha em mãos. O que seria usado para dar um fim à vida da morena, teria um propósito completamente diferente.
Snow não sabia exatamente o porquê de sua presença naquele local. Sua mente estava à procura de um propósito para ela ser a responsável por trazer os filhos do seu “final feliz” com sua “querida madrasta”. Se é que existia algum...
A mulher só foi retirada de seus pensamentos quando ouviu a voz de Regina formar seu nome. Ela adentrou a caverna novamente e pôde ver o rosto da morena estampado com as gotículas de suor que aumentavam e escorriam em um trajeto lento.
– O que foi? – ela perguntou enquanto se aproximava um pouco mais, fazendo o punhal em sua mão visível aos olhos da rainha.
– Vai tentar me matar novamente com isso? – a morena não perdeu a oportunidade de soltar seu veneno, antes de outro raio cortar o céu e seu útero.
– Poderia, mas não. Um parto necessita de algo para cordar o cordão umbilical e eu não achei que nem os meus nem os seus dentes seriam muito úteis ou higiênicos nessa função. E... uau! – Snow respondeu no mesmo tom, antes de ficar de frente à morena e ver que não demoraria muito até que um dos bebês de seu “casal preferido” viesse ao mundo.
– Poderia parar com esse “uau”, toda hora? – Regina disse irritada com toda a situação.
– Tudo bem Regina. Vamos ser francas aqui. Você me odeia e o sentimento é recíproco. Mas nós não temos tempo para ficar provocando uma a outra. Esqueça que sou eu aqui por algum tempo e concentre-se em colocar esses bebês no mundo, porque pela situação daqui debaixo não vai demorar muito. Esqueça o mundo e se concentre em fazer força o suficiente para seus filhos virem ao mundo – Snow afirmou sem muita paciência.
– Eu não posso. Isso não está certo. Era para esses bebês não nascerem em casa, eu estaria quase quebrando os dedos e xingando Charming por me fazer passar por toda essa dor, eles nasceriam, aquele idiota colocaria esses bebês no meu colo e nós choraríamos feito dois retardados – ela pausou sua fantasia por um momento para exprimir a dor de outra contração, continuando em seguida – Não em uma caverna com você. Especialmente com você.
– Sua fantasia é linda, mas nós duas sabemos que isso não vai acontecer. Portanto, pare de ser como a antiga eu e aja como a Regina irritante que você é. Cale a boca e empurre! – Snow praticamente gritou com a morena.
Sem verbalizar nenhum xingamento ou palavra, Regina simplesmente empurrou. Os raios continuavam rasgando o céu, o barulho dos trovões continuava ensurdecedor, a água caía do céu initerrupta e a morena continuou empurrando.
Uma... Duas... Três vezes...
– Vamos lá Regina! Só mais um, seu bebê está nascendo. Empurre! – a mulher encorajou a rainha novamente.
Quatro... Um último empurrrão acompanhado de um grito gutural e o choro típico de qualquer bebê ecoou pela caverna. A cabeça de Regina caiu em conjunto com lágrimas que inevitavelmente insistiam em escorrer por seu rosto.
– É uma menina, Regina – Snow revelou à morena colocando o pequeno ser humano contra o peito de Regina.
– Ei, você – a rainha disse inspirando o cheiro da pequena de cabelos escuros que se acalmava contra o calor do corpo da morena que tinha seus olhos marejados e um sorriso bobo no rosto.
– Ela é linda – a mulher afirmou enquanto observava Regina depositar beijos e segurar a pequena contra seu peito.
– É, ela é... Perfeita – a morena disse com a voz embargada admirando a pequena em seus braços.
***
Charming cavalgava pelo reino com rapidez. Seu coração diminuía a cada segundo longe de sua Regina, sem saber onde ou o que estava acontecendo com ela. A chuva que não parava de cair só tornava tudo mais difícil. Ele tinha Owen a seu lado, que se encarregava de fazer a pergunta que o príncipe temia a resposta. Não, ninguém sabia onde a rainha estava.
O príncipe mal conseguia raciocinar com a situação, mas quando um lapso de sua consciência voltou ele foi até a casa de Belle. A mulher de Rumpelstiltskin era colada em sua esposa e não seria surpresa se a morena estivesse conversando com a jovem enquanto elas dividiam a xícara de algum tipo chá.
Acompanhado de seu fiel soldado e amigo, Charming desceu de seu cavalo já gritando o nome de Belle, que veio abrir a porta da frente de sua casa em segundos.
– Charming? O que você está fazendo no meio dessa chuva? – a jovem perguntou ao se deparar com o príncipe encharcado com a água da tempestade que não abrandava nenhum pouco.
– Procurando a Regina. Ela está aqui? – o príncipe perguntou com as expectativas sendo colocadas no chão ao ver o rosto de Belle surpreso com sua pergunta.
– Não. O que aconteceu com a Regina? Entre e trate de contar exatamente o que está acontecendo – ela praticamente ordenou com o príncipe a obedecendo – Você também – a jovem afirmou não percebendo qualquer movimento de Owen.
– Eu vou continuar procurando pela Rainha. Se algo acontecer a ela, Charming vai ficar quebrado e eu não quero que isso aconteça com meu amigo e rei daqui – o soldado explicou antes de montar em seu cavalo novamente e sair rapidamente, sem tempo para Belle responder qualquer coisa.
– Onde está Owen? – o príncipe perguntou ao ver a jovem voltar sozinha.
– Ele está procurando ela. Agora, pode me dizer o que está acontecendo? – ela perguntou se sentando em frente ao príncipe.
– Ela sumiu Belle. Regina saiu para uma caminhada há um bom tempo, não voltou para o castelo e ninguém sabe onde ela está – o loiro explicou a situação rapidamente.
– Ela provavelmente está escondida em algum lugar xingando todos os nomes possíveis, você sabe disso, certo? – a jovem disse a fim de tentar acalmar um pouco a figura desesperada do homem à sua frente.
– Não, eu não sei – ele disse, antes de continuar – Ela teve um tipo de pressentimento hoje pela manhã, disse que estava com medo de algo ruim acontecer e agora eu não tenho a mínima ideia de onde ela está. Eu não deveria ter saído do lado dela – o príncipe murmurou.
– Você não está se culpando pelo desaparecimento dela, está? – Belle perguntou e observando grande sim estampado no rosto do príncipe, continuou – Ela está bem, Charming. Tenho certeza – ela disse confiante.
– Bem, eu não teria tanta certeza disso – a voz de Rumple ecoou pela sala.
– O que você sabe? – o príncipe perguntou se levantando e indo em direção ao homem como um animal vai em direção à sua presa.
– Com esses modos, você não conseguirá nenhuma resposta, dear – o homem afirmou com as mãos do príncipe próximas a seu pescoço.
– Diga tudo que você sabe Rumple. Agora! – o loiro afirmou com o tom de voz alto.
– Bem, eu só achei que você estaria ao lado de sua querida esposa em um momento tão importante como esse – ele afirmou com um sorriso irritantemente confiante em seu rosto.
– Que momento? – Charming perguntou quase em desespero.
– O nascimento de seus filhos – Rumple afirmou e pôde ver os queixos de Belle e Charming virem abaixo com o que lhes disse.
***
Snow já havia limpado a pequena menina que agora tinha seu corpo envolto pelo vestido que sua mãe usava pouco tempo atrás e se mantinha surpreendentemente calma com os gritos da morena cada vez mais audíveis à medida que as contrações cortavam seu corpo.
– Acho que está na hora, Regina. Se concentre apenas nesse bebê que está nascendo e empurre – a mulher de olhos claros afirmou em frente ao corpo da morena.
– Eu... eu não consigo. Estou muito cansada – a rainha disse com os dentes cerrados.
– Eu sei. Mas aguente mais um pouco e logo tudo estará acabado e você terá seus bebês sãos e salvos a seu lado. Eu já posso ver a cabeça de seu filho, então mais alguns empurrões e você o terá em seus braços – Snow voltou a encorajar a morena com o rosto e cabelos molhados com suor.
A morena não respondeu. Encheu seus pulmões com todo o ar possível e fez o que a mulher à sua frente disse.
Fechou os olhos e quando outra contração a rasgou ela empurrou. E empurrou, de novo e de novo até que o choro de seu filho preencheu seus ouvidos.
– Ótimo trabalho, Regina. É um lindo menininho – Snow afirmou colocando o pequeno contra o peito de Regina, após limpar sua boca e nariz.
– Ei, você também – a morena disse com a voz rouca, um pouco pelo cansaço e um pouco pela emoção de segurar seu filho pela primeira vez. Ela repetiu o ato de minutos atrás e depositou beijos no rostinho de seu filho, inspirando o cheiro do pequeno ser humano de cabelos claros que se acalmava deitado contra seu peito.
– Você conseguiu. Parabéns – a mulher afirmou observando a cena de amor puro e genuíno que se desenrolava à sua frente.
– Obrigada Snow. Por tudo – Regina agradeceu sincera segurando a pequena mãozinha de seu filho.
***
– O quê? Do que você está falando? – o príncipe perguntou.
– Bem, essa tempestade não é um evento puro e simplesmente causado pela mãe natureza – Rumple afirmou misterioso.
– O que você quer dizer com isso? – Belle interferiu de se aproximando dos dois homens.
– Que essa tempestade está conectada com a Regina, mais precisamente, o parto dela – ele disse deixando os presentes ainda mais confusos.
– Eu não estou entendendo nada – o loiro suspirou.
– É simples. Essa tempestade é uma extensão do que está acontecendo com a Regina, uma forma de protegê-la – o homem continuou mantendo a interrogação sobre a cabeça de Belle e Charming.
– A proteger do quê? – o príncipe o questionou novamente.
– Dos seus filhos – Rumple afirmou e recebendo rostos ainda mais confusos, continuou – Eles são frutos de um amor puro, além de serem filhos de uma das mais poderosas praticantes de magia já existente. Você não esperava que eles fossem crianças normais, esperava? – ele questionou.
– Meus filhos têm... mágica? – o loiro perguntou descrente.
– Foi o que eu acabei de dizer – Rumple afirmou – Mas não se preocupe dear. Eles não vão ser aberrações ou coisas do tipo, pode até ser que nem desenvolvam o que sua capacidade lhes permite – ele completou.
– Então, meus filhos têm mágica, mas não vão usá-la? – o príncipe continuou confuso.
– Não há como prever nada dear. Mas uma coisa eu posso lhe garantir: seus filhos, se já não nasceram, estão bem perto de chegar a esse mundo – Rumple completou.
– E onde Regina está? – ele perguntou novamente.
– Eu não tenho ideia – o homem afirmou provocando o príncipe.
– Rumple... – Belle intercedeu.
– Não sei, mas posso encontra-la. Não quero ser o culpado pela morte da minha “querida amiga” ou de seus filhos – Rumple afirmou conjurando algo e uma bússola aparecendo em suas mãos.
– O que é isso? – o príncipe questionou ao ver o objeto nas mãos de Rumple.
– Seu caminho para sua família. Fure seu dedo aqui pensando na Regina e ela apontará na direção em que ela se encontra – ele afirmou, apontando para uma pequena agulha no meio da bússola.
– E qual o seu preço? – por mais que a situação fosse delicada, o loiro não era burro e a fama do homem à sua frente era mais que conhecida.
– Nenhum. Vamos dizer que é o meu presente pelo nascimento dos bebês reais – Rumple disse calmamente.
– Obrigado Rumple. E quando eu souber de alguma coisa, eu mando que lhe avisem Belle – o príncipe afirmou saindo em direção à porta rapidamente.
A chuva havia abrandado um pouco e Owen já estava esperando pelo príncipe em frente à casa de Rumple e Belle.
Charming parou por um momento e fez exatamente o que Rumple havia dito. Fechou seus olhos, deixou seu pensamento se perder em sua Regina e deixou seu dedo ser perfurado pela pequena agulha da bússola. O sangue do loiro escorreu pela ponta afiada e o ponteiro do objeto girou rapidamente por alguns segundos até que apontou para onde Charming mais queria. O príncipe não pensou duas vezes. Montou em seu cavalo com a bússola em suas mãos e foi em direção ao lugar que ela apontava e seu coração estava: Regina.
***
Regina agora tinha seus dois filhos apoiados em seu peito. Eles eram perfeitos. O sorriso orgulhoso e emocionado não deixava o rosto da morena. Ela tinha tudo agora.
Snow permanecia observando o amor que emanava da cena à sua frente. No entanto, sua mente não acompanhava o que seus olhos observavam. Tudo que ela conseguia pensar era em um propósito. Um por que sobre o motivo pelo qual ela fora responsável por ajudar a trazer ao mundo os bebês da mulher que ela odiava. Da mulher que a odiava.
Ela continuou observando. Regina continuava depositando beijos nos rostos de seus filhos, inspirando seus cheiros, observando suas feições harmoniosas.
A calma que havia se instaurado no local fora refletida no lado de fora. A tempestade havia passado e o céu estava claro novamente. Tudo estava calmo. Calmo demais...
– Parece que a tempestade já acabou – Snow afirmou após dar uma olhada do lado de fora da caverna.
– Sim – a morena concordou sem tirar os olhos de seus pequenos – Eu mal posso esperar para ver a cara do Charming quando ele colocar os olhos nesses dois aqui. Ele vai morrer com toda essa perfeição – ela afirmou brincando os dedos dos bebês adormecidos em seu colo
Por um momento, Snow não disse nada. Ela manteve um olhar quase assustador perante Regina e os dois pequenos seres humanos no colo da morena. Com a declaração feita pela rainha fora como aqueles momentos de um filme, onde uma palavra dita ou um pequeno ato desencadeiam algo maior. No caso de Snow, muito maior.
– E por mais que tenhamos nossas muitas diferenças, você me ajudou Snow. Então, obrigada por isso – a morena agradeceu desviando o olhar para a mulher em pé à sua frente.
– De nada, Regina. E você sabe, durante tudo que estava acontecendo, eu fiquei procurando um propósito para tudo isso e agora... Agora eu sei – a mulher de olhos claros afirmou com um sorriso que poderia quase ser classificado como macabro.
– Que seria... – a morena disse curiosa tentando ficar um pouco mais ereta, não obtendo muito sucesso com os pequenos deitados confortavelmente em seu peito somado com o cansaço que se instaurava em seu corpo.
– Aqui, deixe-me ajudar – Snow afirmou pegando os bebês dos braços de Regina e os acalentando quando um choro estridente começou a ecoar pelo local.
– Pronto. Você já pode me entrega-los novamente – a rainha afirmou quando encontrou uma posição mais confortável e estendeu os braços para receber seus filhos novamente – Snow? – ela chamou pelo nome da mulher ao ver ela se distanciar e brincar com os bebês com um olhar um tanto assustador em seu rosto.
– Eles são tão lindos. Dois doces anjinhos inocentes – a mulher afirmou balançando seu corpo com os bebês deitados em seu colo.
– É, eles são. Agora, me deixe segurá-los novamente – a morena disse, sua preocupação com a situação e a postura de Snow aumentando.
– Não – Snow afirmou categoricamente com um sorriso no rosto.
– O quê você quer dizer com não? – a rainha perguntou.
– Que eu não vou entrega-los a você. Eles são os meus bebês agora – a mulher disse mantendo-se a certa distância de Regina.
– Me dê os meus bebês – a morena afirmou com os respingos de força que havia em seu corpo após tudo que havia acontecido naquela tarde.
– Eles são meus. O propósito do qual eu te falei é esse. Se eu fui responsável por trazer seus filhos ao mundo é porque eles têm que ficar comigo – Snow afirmou com uma feição ainda mais assustadora – O quão engraçado é isso? Você fez com que eu perdesse o meu bebê e agora eu vou ficar com os seus. Destino é uma coisa realmente irônica, não acha Regina? – ela terminou.
– Você não vai levar meus filhos. Eu não vou permitir que você faça nada com eles – a morena afirmou tentando se levantar com a pouca força que tinha.
– Me impedir de quê? Você mal consegue se mover querida. Você está fraca – Snow afirmou com uma risada irritante.
– Faça qualquer coisa contra meus filhos, os leve para longe de mim e você verá quem é a fraca aqui – Regina disse entre dentes cerrados enquanto se aproximava um pouco mais de Snow.
– Sinceramente, eu estou cansada dessa conversa – a mulher afirmou se virando para sair antes de ser imobilizada pela voz da morena que se movia em direção a ela lentamente.
– Se você sair dessa caverna com os meus filhos saiba que na próxima vez que nos encontrarmos eu vou me certificar que a última coisa que você verá será meu rosto. Eu vou matar você... Snow White – a morena disse. A raiva transbordando em cada palavra que saía de sua boca.
– Eu não acho isso – Snow afirmou antes de acertar um golpe com sua perna na cabeça de Regina, que atingiu a parede rochosa – Adeus, Regina. Boa viagem para o inferno – ela completou observando o corpo deitado da morena, que tinha seu peito arfando e os olhos vidrados e tomados pelo ódio por ver seus filhos sendo levados para longe dela.
Snow deu uma última olhada para a morena e saiu da caverna com os dois pequenos calmos seres humanos apoiados contra seu peito.
Regina permaneceu em seu lugar. A força que lhe restava havia sido retirada. Seu corpo cansado. Sua respiração irregular. A umidade de seus olhos ganhando vida e fazendo seu trajeto por seu rosto. Seu sangue escorrendo vagarosamente entre seus cabelos, antes da coloração vermelha tomar conta de sua testa.
Não havia dor física que podia se comparar com a que seu coração vivenciava. Ver seus filhos, seus pequenos milagres sendo levados por Snow a fazia sentir como se um membro de seu corpo fosse retirado. Sua alma estava quebrada. Ela estava quebrada.
Uma última profunda respiração. Uma última lágrima. Uma última piscada de seus olhos. E a vida da mulher que viveu e fez da escuridão sua casa durante muito tempo fez jus ao ditado: “O bom filho a casa torna”. Um último olhar e estava tudo... escuro.
Ela não estava desistindo, apenas se entregando... E era isso.
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