Notas iniciais
Esse é bem curtinho!

Quando eles partiram pro Vale, na quinta feira, Elisa estava mais confiante que seu plano daria certo. Depois do casamento de Mariana nenhum evento seria tão importante assim para levá-la até o Vale do Café e, apesar de ter certeza que sua mãe iria se instalar em São Paulo com a chegada do bebê de Jane, ela já teria voltado pro cortiço quando isso acontecesse, Darcy estaria Deus sabe se lá onde e ela poderia simplesmente falar que acabou, mas que eles continuavam amigos, pois seriam os padrinhos do bebê. Darcy decidiu que iria pro Vale com o próprio carro, para que Jane pudesse ter mais espaço para descansar as pernas e Elisa foi com ele, pois seria estranho não querer viajar com seu namorado.

A estrada calma e tranquila até o Vale do Café permitiu que os dois conversassem mais livremente e como estavam indo para o casamento de Mariana, nada mais natural que falar sobre irmãs. Elisabeta não conhecia Charlotte ainda, mas já sabia várias anedotas sobre a moça, apesar de saber que alguma coisa em sua história era um assunto difícil pra Darcy. Se surpreendeu quando ele começou a falar sobre os problemas que a irmã teve no Brasil, com um jovem rapaz que a enganou por causa do dinheiro da família e como ela tinha achado melhor voltar pra Londres por causa disso e Elisabeta se sentiu lisonjeada que ele tinha escolhido dividir com ela um segredo de família tão difícil. Para aliviar o clima, ela decidiu falar sobre um segredo mais leve.

— Bom, você já conhece minha família toda, mas essa parte eu duvido que saiba. Sabia que Mariana começou a correr de motocicleta, vestida de homem, pra poder conquistar Brandão? Óbvio que ela gosta de aventura e foi algo como unir o útil ao agradável, mas, ainda assim, achei uma ideia excelente. E muito romântica.

— Ela se vestiu de homem pra correr? – Darcy parecia achar aquilo divertido e não estranho.

— Sim! Ela é muito corajosa. Eu a acho parecida comigo, mas queria ser um pouco mais como ela.

— Você é muito corajosa Elisa. Você se mudou pra uma cidade desconhecida sem ninguém, arrumou um trabalho, morava sozinha até pouco tempo… – ele estava enumerando as qualidades dela, mas foi interrompido.

— Mas às vezes me sinto uma fraude. Eu falo muito de São Paulo, mas às vezes sinto uma saudade absurda do Vale, de ficar perto da minha família, de Tornado, de ter tempo pra aprender a dirigir como Mariana, por exemplo. E eu passei a vida inteira falando que queria sair do Vale, mas acho que a gente só dá valor quando perde, não é?

— Bom, acho que sim. Não sinto muita falta de Londres, apesar de ter muitas saudades de Charlotte e do meu pai, então não entendo muito bem o sentimento, mas ei – ele estava encostando o carro –, a parte de aprender a dirigir eu posso te ajudar. – ele disse quando estacionou.

— Você tá falando sério?

— Claro, eu não brinco sobre meu carro! – ele respondeu saindo do lado do motorista e dando a volta. Quando abriu a porta pra Elisa ela não estava acreditando muito.

— Darcy, eu não sei…

— Vamos, anda logo! É muito simples, tenho certeza que você vai aprender rapidinho! – ele disse e ela desceu. Elisa sentia uma ternura e um sentimento de gratidão pelo jeito que Darcy tinha de acreditar em suas habilidades, mesmo nas que ela não tinha.

Quando ela se sentou no banco do motorista, ele colocou a mão nas suas pernas pra posicionar nos pedais certos:

— No pé direito você comanda o acelerador e o freio. – ele indicou com os dedos. – Com o pé esquerdo você comanda a embreagem. – Darcy se posicionou novamente no carro e pegou na mão de Elisa. – Aqui você tem o ponto morto, que é como está agora, porque o carro não tem força pra se mexer. E aqui você muda as marchas. – ele foi passando por elas com a mão enorme tampando toda a mão de Elisa. – Vamos lá, me fale os nomes de novo pra eu ver se você está pronta.

Notas finais
Não sei exatamente como funcionava um carro naquela época e não achei muitas informações precisas, então utilizei as funções de um carro atual (que eu também não conheço direito)! Liberdade artística hahahaha