Everything Is Changed

21 Seja uma boa menina e faça a coisa certa


Notas iniciais
Oi pessoal. Sei que sempre demoro uma eternidade para postar, mas faço faculdade e trabalho o dia inteiro, então é bem complexo de encontrar tempo. Como hoje matei aula, foi mais tranquilo, rs. Mas é uma promessa, pelo Rio Estige, que terminarei essa fic, porque amo ela demais. Espero que gostem do capítulo! Beijos de luz! Pov Estela

Pra você ver que todas as pessoas ao seu redor escondem coisas de você. Sua mamãe é uma vadia como você. – K.

Junto à mensagem, havia uma foto da minha mãe sentada em uma cafeteria próxima do meu prédio conversando com Elliot. Eu deduzi que, provavelmente, a foto foi mandada por Kelsey, mas não tinha ideia se aquilo era real ou montagem.

Por isso, logo quando vi a foto, precisei sair sozinha para descobrir a verdade. Eu sabia onde o ficava o local e peguei um táxi para ir até lá. Sabia que era errado mentir para o Pedro, mas eu fiquei tão confusa que não sabia o que dizer primeiro e, infelizmente, isso era algo que eu precisava descobrir sozinha, por mais que sua companhia me desse força.

Tentei afastar os pensamentos de culpa da minha cabeça assim que o motorista parou em frente à cafeteria. Parei do outro lado da rua e observei. Minha mãe conversava energicamente com Elliot. Então era verdade. Mas eu ia dar mais uma chance a ela de ser sincera. Me aproximei da entrada e procurei o seu número nos meus contatos. Liguei para ela, que atendeu no terceiro toque.

— Estela. Algum problema, filha?

— Queria saber se já está vindo para New Haven.

— Devo ir somente amanhã, querida. Agora preciso desligar. Estou no meio de uma reunião importante.

— Tudo bem.

Desliguei e respirei fundo, entrando na cafeteria. Fui andando em direção à mesa deles, que não perceberam a minha aproximação. Mas assim que parei ao seu lado, ambos me encararam surpresos.

— Pelo que eu saiba, esse bairro ainda faz parte de New Haven. – comentei, sarcástica – E também não sabia que fazia negócios com Elliot.

— Estela, filha, eu...eu posso explicar. – disse Marcela.

Me virei para o Elliot.

— Por que você mentiu e disse que tinha encontrado a sua mãe?

— Estela, eu não menti. – respondeu ele, simplesmente.

Encarei novamente minha mãe, incrédula. Ela abaixou a cabeça e eu pus as mãos na cabeça, me sentando em seguida. Isso queria dizer que...Elliot era meu irmão!

— Eu só descobri o nome dela essa semana, Estela. – começou Elliot – Não fazia ideia de que era a sua mãe.

— Tudo bem. – respondi, somente, virando-me para Marcela – Eu não acredito que escondeu isso de mim. E meu pai? Ele sabe disso?

— Não.

— Então de quem ele é filho, Marcela? – questionei, sem paciência.

Elliot parecia confuso e fez um sinal para que minha mãe parasse quando ela ia dizer alguma coisa.

— Um momento. – ele disse – Você me disse que meu pai era Arthur. Isso quer dizer que ele não é?

Marcela parecia a ponto de querer chorar. Pela primeira vez em minha vida, pelo menos que eu me lembrava, eu a analisei e percebi que ela estava completamente sem maquiagem e não usava nenhuma joia, o que certamente não combinava com ela, porque Marcela Spring sempre fora vaidosa.

— Era isso que eu queria explicar. Seu pai não é Arthur, Elliot. Seu pai é...uma pessoa que eu nunca mais quero ver, mas que amei cegamente.

— James Lancaster. – sugeri

Minha mãe não esboçou reação, então eu supus que estava correta. Elliot colocou as mãos na cabeça. Fiquei sentida por ele, porque por mais que ele tivesse seus problemas e tivesse cometido seus erros, eu sabia que ele era uma boa pessoa, em quem eu podia e estava confiando, portanto, certamente não merecia ser filho de alguém como James Lancaster, e ter um irmão como Ethan Lancaster.

— Isso quer dizer que eu sou filho de um monstro? – questionou Elliot – É por isso que eu tenho essa tendência a dar errado. Só pode ser por isso.

Antes que Elliot saísse, virei-me para Marcela. Eu precisava saber exatamente o que aconteceu, porque estava tudo muito confuso. O que minha mãe fizera com Elliot? Por que não o criou e deixou que ele vivesse sem ninguém que o amasse?

— Mãe. – chamei assim – Conte o que aconteceu. Por que ninguém sabia disso? Por que manteve esse segredo por tanto tempo.

— Um pouco antes de Arthur e James abrirem a empresa, eu e o pai de Elliot tivemos uma briga bem feia. Eu descobri que ele me traía com a secretária do pai dele. – começou minha mãe – Eu parei de atender as ligações dele por uma semana e isso o irritou muito. Uma semana depois de eu descobrir a traição, ele apareceu na minha casa, meio alterado. Pediu para conversar. Eu era jovem e tola, além disso eu amava James, com todas as minhas forças. Então eu deixei que ele entrasse e James me pediu mil desculpas, prometeu que nunca mais aconteceria e que queria só a mim. Eu estava perdoando-o e nós fomos nos aproximando. Começamos a nos beijar e ele queria mais, mas eu não estava totalmente bem e pedi pra ele parar. Mas James não parou e aquela foi a pior noite da minha vida. Dois meses depois, eu descobri que estava grávida.

Não sabia o que dizer. Elliot, então, parecia feito de papel e seus olhos estavam brilhantes de lágrimas. Eu nunca o vira chorar. Sem dizer uma palavra, ele se levantou e saiu. Tentei ir atrás, mas Marcela me pediu que parasse.

— Dê um tempo a ele. – ela pediu – Foi demais já.

— Eu não fazia ideia...

— De que eu fui estuprada? – ela questionou – Pois é. Mas, como eu disse, eu era tola e voltei a perdoar James, porque na minha cabeça, éramos o casal perfeito.

Encarei-a sem saber o que fazer ou dizer. Marcela não chorou. Ela nunca chorava. Então James era muito pior do que todos pensamos. Alguém maluco que nunca conheceu limites. Nem mesmo na cadeia.

— Vou terminar a história. Você merece saber. – ela se manifestou – Quando descobri, obviamente pensei em contar a James e eu ia fazer isso. Mas no mesmo dia, descobri que ele estava me traindo de novo. Ai não tinha mais como. Não contei a ninguém sobre a gravidez, nem mesmo à minha família. Fui viajar para fora do país, onde tive Elliot. E como ninguém sabia, resolvi entrega-lo para a adoção. Não estava pronta para ser mãe. Mas eu me arrependo, e muito. Principalmente agora que o conheci. Por anos procurei por ele e até já o conhecia.

— Conhecia de onde, mãe? – interrompi

— Eu...eu o contratei uma vez. Para...ficar de olho em você. Na sua fase sombria.

Minha boca formou um “O”. Pela primeira vez. Estava realmente sem palavras. Desde quando ela se importava comigo a esse ponto?

— Sempre me preocupei com você, mas havíamos ficado tão distantes que não sabia o que fazer, então alguém cuidava de você quando eu não podia. Elliot foi realmente um anjo em muitas situações e meio ruim em outras.

Processei tudo que ela dissera. Era demais para a minha cabeça. Marcela parecia entender isso, pois não me olhava com expectativa, apenas um olhar vazio, meio triste. Mas logo seu semblante passou para preocupação.

— Estela, você precisa achar o Elliot. Ver se está tudo bem com ele. Faz tempo que ele saiu.

Assenti e me levantei, sem dizer nada antes de sair pela porta da lanchonete. Tentei ligar para Elliot algumas vezes, mas sempre caía na caixa-postal, até que o vi, sentado no meio fio duas ruas à frente. Andei até ele e sentei ao seu lado. Elliot não me olhou, apenas suspirou.

— Eu acho que sempre soube que não deveria ter nascido. – ele declarou, depois de minutos de silêncio

— Não concordo com você. – retruquei – Se não fosse por você, eu não estaria aqui e, sinceramente, estou gostando do fato de você ser meu irmão.

Ele riu, sem humor.

— Estela, nasci por causa de um estupro. Isso é abominável. – ele disse – Pensa o que deve ter passado na cabeça da sua mãe quando ela descobriu que estava grávida de mim.

— Não importa o passado, Elliot. Foi um erro de James e depois de Marcela, mas a culpa não é sua. Você foi uma vítima em tudo isso. Você é uma boa pessoa Elliot, sempre achei isso. Sempre me ajudou e me aconselhou, mesmo que algumas vezes eu tenha ignorado, mas você é bom, não duvide disso, maninho – tentei

Elliot sorriu e parecia sincero.

— Um lado bom há nisso. Você ser minha irmã. Sempre tive um instinto protetor com relação a você, Estela, mas jamais poderia imaginar que poderíamos ter a mesma mãe.

— A mesma mãe desnaturada. – eu ri e ele me acompanhou – Não importa mais o que eles fizeram. Nós seremos a nossa família, independentemente do resto. Você tem a mim.

— Obrigado , Estela. – ele agradeceu – E fico feliz de ter confiado em mim para me chamar para cá.

Sorri e estendi os braços, meio em dúvida se ele aceitaria meu abraço. Sem pestanejar, ele me abraçou e eu me senti feliz, pois estava com a minha família. Quando nos separamos, eu chamei um táxi. Enquanto esperávamos, meu celular apitou, com uma nova mensagem, que logo abri, pensando ser Pedro. Como eu estava enganada.

Que lindo, os irmãozinhos se conhecendo. Mas prepare-se para dizer adeus, Estela, pois seu tempo com as pessoas que ama está acabando. Você sabe o que Ethan realmente quer e quem James está pedindo a ele. Seja uma boa menina e faça a coisa certa. – K.

Notas finais
Acham que a Estela deve se entregar? Quero opiniões kkkk